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Revista de Administração de Empresas

Print version ISSN 0034-7590On-line version ISSN 2178-938X

Rev. adm. empres. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75902009000100001 

EDITORIAL

 

Relevância e rigor na academia

 

 

O ano de 2009 coloca-nos grandes desafios. Um deles é contribuir para o entendimento da gestão em situações de crise, caracterizadas pela súbita mudança de expectativas, pela erosão das relações de confiança e pelos temores e esperanças que acompanham as perspectivas de mudança das estruturas socioeconômicas.

A RAE-revista de administração de empresas, um veículo de publicação acadêmica na área de Administração que se preocupa prioritariamente com as práticas de gestão, não pode ficar alheia a essas perspectivas de mudança, devendo inseri-las no seu direcionamento editorial. Para tanto, vale a pena destacar duas dimensões essenciais do conhecimento acadêmico: rigor e relevância.

Uma pesquisa acadêmica é rigorosa quando é fundamentada em uma cuidadosa construção conceitual e obedece a estritos ditames metodológicos, quando as formas e mecanismos que nortearam a realização do trabalho e a elaboração de suas conclusões são claros, apropriados e resistentes a um processo de crítica franca e aberta. O trabalho acadêmico deve necessariamente ser rigoroso para que o conhecimento por ele gerado seja confiável, e disso derive um valor social significativo.

No entanto, o rigor, apesar de necessário, é insuficiente para garantir um trabalho acadêmico de qualidade. É preciso considerar também que o conhecimento em administração deve também ser relevante. Relevância, no sentido aqui atribuído, diz respeito ao impacto do conhecimento nas práticas sociais e econômicas. Para que um artigo seja relevante é preciso em primeiro lugar que trate de questões consideradas importantes, dignas de atenção, pela comunidade de leitores, e que traga contribuições para o esclarecimento e a redefinição dessas questões. No seio da comunidade acadêmica a relevância é normalmente construída por meio de um processo de diálogo com outros autores e do caráter interativo da discussão que se estabelece entre os autores dos artigos, os leitores e os potenciais autores de novas. Esse ponto reforça a visão de que a construção do conhecimento, especialmente na área de ciências sociais aplicadas, é uma empreitada coletiva.

Artigos que são apenas rigorosos mas pecam pelo fato de terem baixa relevância correm o risco de serem meros exercícios de preciosismo metodológico ou conceitual, dedicando grandes esforços à elucidação de questões que não são vistas como importantes pela comunidade. Esses artigos correm o risco de ser grandes desperdícios de recursos por terem baixa capacidade de gerar um diálogo acadêmico que mobilize a comunidade acadêmica e os diversos stakeholders que participam no processo de produção e disseminação do conhecimento.

Artigos que tratem de temas relevantes sem uma abordagem rigorosa, seja na metodologia seja no fundamento conceitual, podem ser inspiradores e proféticos, mas lhes faltarão uma dimensão essencial de confiabilidade dada pelo rigor da argumentação e dos procedimentos metodológicos.

Os artigos que procuramos prioritariamente para a RAE são aqueles que aliam rigor e relevância, aqueles que contribuem para a análise, a crítica e o aperfeiçoamento das práticas administrativas mediante o uso de referenciais teóricos sólidos, argumentação cuidadosamente construída e procedimentos metodológicos adequados.

Nesta edição, seguindo os preceitos acima, oferecemos aos leitores artigos nas áreas de Estratégia, Contabilidade e Tecnologia da Informação. Reinaldo Guerreiro, Maria Aparecida Gouvêa e Ariovaldo dos Santos abordam a decisão estratégica e econômica tomada por controllers quanto à política de bonificação em quantidade de produto. Octávio Ribeiro de Mendonça Neto, Edson Luiz Riccio e Marici Cristine Gramacho Sakata examinam pesquisas contábeis no Brasil. Marco Aurélio Alves de Mendonça, Fernando de Almeida Freitas e Jano Moreira de Souza relacionam o uso da tecnologia da informação com a produtividade da mão-de-obra. Otávio Próspero Sanchez e Alberto Luiz Albertin analisam os limites da racionalidade na tomada de decisão para investimento.

Esta edição conta, ainda, com o Fórum de Indústrias Criativas, organizado por Thomaz Wood Jr., Pedro F. Bendassolli, Charles Kirschbaum e Miguel Pina e Cunha. Em artigo convidado, os organizadores contextualizam as pesquisas teóricas e empíricas nesse novo campo organizacional. Joseph Lampel, Theresa Lant e Jamal Shamsie mostram as potencialidades e barreiras na gestão das organizações criativas. João Paulo Matta e Elisabeth Regina Loiola da Cruz Souza analisam duas produções cinematográficas nacionais, consideradas bem-sucedidas, e comparam os seus processos produtivos. Lucia Maria Bitten-court, Marie Agnes Chauvel e Maribel Carvalho Suarez avaliam o processo de criação de telenovelas, investigando a margem de improvisação dentro do planejado.

Na Resenha, Charles Kirschbaum e João Marcelo Crubellate abordam o neoinstitucionalismo. Nas Indicações Bibliográficas, Jaci Correa Leite sugere leituras de Negociação e Pedro F. Bendassolli apresenta obras no campo do Simbolismo Organizacional.

Boa leitura e bom início de ano a todos!

 

Flávio Carvalho de Vasconcelos
Editor-chefe

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