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Revista de Administração de Empresas

Print version ISSN 0034-7590

Rev. adm. empres. vol.52 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75902012000100010 

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

 

Novas masculinidades nas organizações

 

 

Recentemente, no Brasil, os estudos de gênero começaram a voltar-se para o masculino, com base em debates internacionais que indicaram uma pluralidade de masculinidades, questionando a noção arraigada desde a Revolução Industrial de que os homens se igualam aos sujeitos padrões do trabalho, aos quais as mulheres são comparadas. Gênero, na perspectiva pós-estruturalista, é entendido como relacional e construído com base em significados, relações de poder, e opera não apenas entre o masculino e o feminino, mas entre os homens, indicando inúmeras possibilidades que se constroem de acordo com contextos sociais, históricos, econômicos, culturais e também organizacionais. O debate é iniciado por autores como Connell, Kimmel e Hearn, que apresentam dinâmicas e políticas da construção das masculinidades. As indicações bibliográficas são da professora Claudia Sirangelo Eccel, do Instituto de Psicologia da UFRGS.

 

 

MASCULINITIES. Robert W. Connell. 2. ed. University of California Press, 2005. 324 p. O livro, que teve sua primeira publicação em 1995, busca iniciar a construção de um campo de estudo com bases na psicanálise e na sociologia e destaca as dinâmicas entre as masculinidades, em relações de hegemonia, subordinação, cumplicidade e marginalidade, entrelaçando conceitos com uma pesquisa composta por entrevistas e histórias de vida de quatro grupos de homens. Analisa, ainda, as masculinidades modernas como efeito da ordem econômica global.

 

 

MANHOOD IN AMERICA: A cultural history. Michael S. Kimmel. 3. ed. New York: Oxford United Press, 2011. 392 p. Por meio de uma análise dos aspectos históricos da construção das masculinidades nos Estados Unidos nos últimos séculos, com atenção à ascensão do self-made man como modelo hegemônico que perdura naquele contexto, o autor apresenta conceitos centrais, como a pluralidade, visibilidade e as relações de dominação. Especial atenção é dada à ideia de que as masculinidades se alteram ao longo do tempo e às disputas entre ideais hegemônicos. 

 

 

 A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA MASCULINIDADE. Pedro Paulo de Oliveira. Belo Horizonte: UFMG; Rio de Janeiro: Iuperj, 2004. 347 p. Com base em sua tese de doutorado em sociologia, o autor traz discussões a respeito do tema das masculinidades com olhar sobre as instituições que construíram os ideais masculinos tradicionais e os efeitos das mudanças nestas sobre as masculinidades contemporâneas, tendo em vista os aspectos atuais. Destaca-se a revisão teórica sobre diferentes visões conceituais do tema.

 

 

MASCULINIDADES. Mônica Schpun (Org.) São Paulo: Boitempo; Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2004. 233 p. O livro organizado por Schpun contém artigos que relatam estudos oriundos da antropologia, sociologia e história a respeito da construção da masculinidade como gênero dominante, enfatizando aspectos como sexualidade, violência, homossexualidade. Os recortes temáticos são múltiplos, rompem as fronteiras entre as disciplinas e criam inúmeras intersecções e inesperados diálogos. Destaca-se o capítulo "Pioneiros", em que Adriana Piscitelli retrata fundadores de grandes empresas brasileiras a partir de um olhar de gênero.

 

 

HANDBOOK OF STUDIES ON MEN & MASCULINITIES. Michael S. Kimmel, Robert W. Connell e Jeff Hearn (Orgs.) Sage Publications, Thousand Oaks, 2004. 505 p. O livro editado por três autores de importância no tema reúne artigos de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas, e, além de capítulos conceituais, traz olhares sobre as masculinidades considerando aspectos globais e regionais, políticos, institucionais e questões de corpo e discurso. Merece relevância o capítulo de James W. Messerschmid sobre relações entre masculinidade e crime, em que apresenta a violência como recurso de afirmação.