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Revista de Administração de Empresas

Print version ISSN 0034-7590

Rev. adm. empres. vol.52 no.3 São Paulo May/June 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75902012000300009 

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS

 

Memória e responsabilidade histórica

 

Paulo Nassar

Professor da ECA-USP e presidente da Aberje

 

 

A compreensão, pelos gestores de uma organização, de seu papel histórico na sociedade e diante de seus integrantes é o que se denomina responsabilidade histórica. O conceito leva em conta as responsabilidades comercial, legal, ambiental, cultural, social e política num contexto sistêmico, relacionado às atividades humanas. Para a empresa responder à sociedade com legitimidade, é preciso que seja vista tendo por base uma linha do tempo, na qual se possa fazer uma análise atitudinal e se perceba a energia dinâmica que transita entre passado e futuro, que permite entender o presente e inferir quais impactos serão gerados. As indicações de leitura são de Paulo Nassar (professor da ECA-USP e presidente da Aberje), pioneiro na inserção da história nos planejamentos e ações de Comunicação Empresarial, tendo cunhado o termo em sua tese de doutorado.

 

 

HISTÓTIA E MEMÓRIA. Jacques Le Goff. Campinas: Unicamp, 2003. 541 p. O historiador francês Le Goff aborda cinco problemas no conceito de história: a) relação da história objetiva com a história vivida; b) relação com o tempo natural, cronológico e cíclico; c) dialética da história resumida na oposição passado/presente; d) relação com o futuro; e) relação com outras ciências. Sua argumentação sobre os termos antigo/moderno, passado/presente e progresso/reação é importante para aprofundar o assunto para posterior interface com o campo dos estudos organizacionais.

 

 

MEMÓRIA E SOCIEDADE: lembrança de velhos. Ecléa Bosi. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. 484 p. A psicóloga e professora da USP Ecléa Bosi expande a reflexão sobre as memórias e traz frescor para falar do vivido baseando-se no depoimento de oito entrevistados idosos. Defende que, na maior parte das vezes, lembrar não é reviver, mas refazer e repensar experiências do passado com imagens e ideias de hoje. Enfatiza a polifonia de vozes contra a prevalência da "história dos vencedores". Aborda estudiosos fundamentais como Maurice Halbwachs e Henry Bergson.

 

 

SEDUZIDOS PELA MEMÓRIA: arquitetura, monumentos, mídia. Andreas Huyssen. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000. 116 p. O autor identifica, no final do século XX, fenômenos associados às atuais práticas de memória. É uma seleção de textos que propõe uma transição dos "futuros presentes" em direção a certos "passados presentes" - vista na restauração de centros urbanos, na explosão da moda retrô, no comércio da nostalgia e na automusealização por meio das videocams. É o passado vendido mais que o futuro, com uma evidente obsessão com a re-representação (os remakes).

 

 

MEMÓRIA DE EMPRESA: história e comunicação de mãos dadas, a construir o futuro das organizações. Paulo Nassar (Org). São Paulo: Aberje, 2004. 126 p. A obra agrupa 12 artigos que discutem o uso estratégico da memória na comunicação organizacional, com conceitos, reflexões e experiências de interfaces com produção de conhecimento, construção de identidade e responsabilidade histórica. A diversidade de origem dos articulistas é uma das vantagens de leitura, com relatos de instituições como Museu da Pessoa, BNDES, Pfizer Brasil, Fundação Belgo, Petrobras, CBBM, Souza Cruz, Eletrobrás e Ultragaz, além de textos de pesquisadores e historiadores.

 

 

O PODER DAS NARRATIVAS NAS ORGANIZAÇÕES: o guia para líderes sobre o uso da técnica de narrativas. Stephen Denning. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 329 p. O autor propõe o exercício da liderança nas organizações por meio de histórias. Com grande variedade de exemplos, o livro mostra como a habilidade de contar histórias é uma das melhores maneiras de lidar com desafios como promover a ação, estimular as pessoas a trabalhar em conjunto e liderar em direção ao futuro. Dá os primeiros passos no storytelling, tema em expansão em tempo de sobrecarga informativa e atenção pulverizada.