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Revista de Administração Pública

versão impressa ISSN 0034-7612versão On-line ISSN 1982-3134

Rev. Adm. Pública vol.51 no.2 Rio de Janeiro mar./abr. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7612156168 

Artigos

Satisfação Global de Vida e Bem-estar Financeiro: desvendando a percepção de beneficiários do Programa Bolsa Família

Satisfacción Global de Vida y Bienestar Financiero: descubriendo la percepción de beneficiarios del Programa Bolsa Familia

Jéssica Pulino Campara1 

Kelmara Mendes Vieira2 

Ani Caroline Grigion Potrich3 

1Universidade Federal de Santa Catarina / Centro Socioeconômico, Florianópolis / SC - Brasil

2Universidade Federal de Santa Maria / Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações Públicas, Santa Maria / RS - Brasil

3Universidade Federal de Santa Catarina / Departamento de Ciências da Administração, Florianópolis / SC - Brasil

Resumo

O estudo teve como objetivo analisar a Satisfação Global de Vida (SGV) e o Bem-estar Financeiro (BEF) de indivíduos de baixa renda. Para isso, foram investigados 595 beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF), mediante um questionário. A análise dos dados se deu por meio da estatística descritiva, modelagem de equações estruturais e cluster. Os principais resultados apontam que a amostra está satisfeita de maneira global com a vida, mas preocupa-se e sente-se desconfortável com a quantia que deve, o que minimiza o BEF. Ratificando esse resultado, o cluster de maior representatividade é formado pelos beneficiários com alta SGV e baixo BEF, os quais apresentam condições financeiras precárias, contas em atraso, nome vinculado a um cadastro negativo e restrição orçamentária que não permite a realização de poupança, nem o consumo de coisas extras.

Palavras-chave: satisfação global de vida; bem-estar financeiro; Programa Bolsa Família; baixa renda; gestão financeira.

Resumen

El estudio tuvo como objetivo analizar la Satisfacción Global de Vida (SGV) y el Bienestar Financiero (BEF) de individuos de baja renta. Para eso, fueron investigados 595 beneficiarios del Programa Bolsa Familia (PBF) a través de un cuestionario. El análisis de los datos se realizó por medio de estadística descriptiva, modelaje de ecuaciones estructurales y cluster. Los principales resultados apuntan que la muestra está satisfecha de manera global con la vida, pero se preocupan y se sienten incómodos con el monto que deben, lo que minimiza el BEF. Ratificando este resultado, el cluster de mayor representatividad es formado por beneficiarios con alta SGV y baja BEF, los cuales presentan condiciones financieras precarias, cuentas atrasadas, nombre vinculado a un catastro negativo y restricción presupuestal que no permite la realización de ahorro ni el consumo de cosas extras.

Palabras clave: satisfacción global de vida; bienestar financiero; Programa Bolsa Familia; baja renta; gestión financiera.

1. Introdução

Para sentir-se satisfeito de maneira global com a vida, um indivíduo deve apoiar-se em uma série de aspectos, como dar mais relevância aos acontecimentos positivos de sua vida, buscar trabalhar no que gosta, cuidar de suas finanças, relacionar-se com pessoas de alto-astral, superar os acontecimentos negativos absorvendo deles ensinamentos e envolver-se com atividades que deem prazer para, assim, ampliar a percepção positiva em relação à vida e sentir-se mais satisfeito (Kuppens, Realo e Diener, 2008). Todavia, a consolidação da satisfação se dá de maneira distinta para cada pessoa, e cada circunstância da vida leva a uma percepção, o que clarifica o conceito de Satisfação Global de Vida (SGV) como multifacetado e dinâmico.

Vislumbrando essa complexidade, Diener, Oishi e Lucas (2009) conceituam a SGV como a percepção positiva ou negativa de um indivíduo em relação aos acontecimentos de sua vida, que o tornam mais entusiasmado e eufórico ou mais descontente e desanimado. Segundo Giacomoni e Hutz (2008), essa avaliação pode ser realizada de maneira global, considerando se a vida como um todo satisfaz os desejos e inspirações, ou de forma sistêmica, englobando os diversos domínios da vida como família, educação, condições de trabalho, situação financeira, ou seja, avaliações pontuais que desencadeiam a satisfação ou insatisfação com a vida.

Entre essas perspectivas percebe-se na avaliação sistêmica que o aspecto renda está cada vez mais em voga. Cheung e Lucas (2014) esclarecem o interesse em investigar essa relação, baseados no fato de que o dinheiro prediz fatores adicionais que podem ampliar a satisfação de vida. Hagerty e Veenhoven (2003) justificam, evidenciando, que a estabilidade financeira e a ausência de preocupações com compromissos monetários geram um melhor Bem-estar Financeiro (BEF) e assim uma percepção mais positiva em relação à vida. Nesse sentido, o BEF é o sentimento de estar financeiramente saudável e isento de preocupações, baseando-se em avaliações subjetivas ou percepções de sua situação financeira presente e futura (Joo, 2008).

Avaliações negativas em relação a esses aspectos podem levar a uma baixa percepção de BEF. Por esse motivo, entre as classes sociais, compreende-se que os mais afetados pelas tensões financeiras são as famílias de baixa renda, as quais sobrevivem com orçamentos limitados e, normalmente, não possuem uma gestão financeira coerente com suas necessidades básicas, acabando por desenvolver maiores dificuldades para atingir o BEF e a SGV (Lyons e Yilmazert, 2005). Portanto, esse se torna um grupo de interesse para a realização de estudos nessa temática, já que apresenta maior vulnerabilidade. Assim, buscando atingir especificamente indivíduos em condições de vida semelhantes e com elevada restrição orçamentária, optou-se por pesquisar beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF).

O PBF é uma iniciativa do governo federal que tem como objetivo principal melhorar a qualidade de vida das famílias em situação de pobreza e extrema pobreza do Brasil (MDS e Senarc, 2014). Para isso, o governo baliza-se em um Programa de Transferência de Renda Condicionado, pelo qual o poder público concede um valor monetário mensal fixo para alívio imediato da pobreza e juntamente com os beneficiários assume o compromisso de ampliar o acesso aos serviços públicos que constituem direitos sociais, nas áreas de saúde e educação (MDS e Senarc, 2014).

Partindo desse contexto, o objetivo principal do estudo é analisar a SGV e o BEF de beneficiários do PBF. Além disso, têm-se como objetivos específicos: i) validar um modelo de mensuração para os fatores SGV e BEF para população de baixa renda, ii) agrupar a amostra em subgrupos com perfis de SGV e BEF semelhares; e iii) caracterizar esses grupos por meio de variáveis vinculadas à gestão, à situação e ao comportamento financeiro.

Como inovações desse estudo destacam-se: o foco em beneficiários do PBF, a avaliação simultânea dos construtos SGV e BEF e a caracterização de perfis de gestão financeira segundo os clusters. Destaca-se que a maior parte das pesquisas sobre SGV foi realizada com idosos (Niedzwiedz et al., 2014) e adolescentes (Hutz, 2014). Além disso, os estudos brasileiros nesse grupo ainda não haviam se dedicado a avaliar a SGV e o BEF, nem isoladamente, nem em conjunto. Também não foram identificados trabalhos que relacionassem os diferentes perfis de SGV e BEF com as variáveis de gestão financeira.

A importância desse estudo está diretamente relacionada com a gestão do PBF, pois os resultados aqui apresentados podem contribuir para a adoção de estratégias de aprimoramento do PBF, por parte do governo federal, especialmente em relação à maneira como os beneficiários gerem seu dinheiro e o impacto na SGV e BEF. Além disso, um dos propósitos do governo com o programa é apoiar o desenvolvimento dessas famílias em prol de um aumento das condições de bem-estar (MDS e Senarc, 2014). Assim, avaliar a SGV e o BEF dessas famílias é uma das maneiras de analisar a consecução desse objetivo. Por fim, salienta-se ainda a relevância de investigar a relação da SGV com o BEF, principalmente com o público de baixa renda, já que muito se discute se o “dinheiro traz felicidade” (Diener et al., 2010; Becchetti e Rossetti, 2009), mas poucas evidências são identificadas com brasileiros de baixa renda.

2. Satisfação Global de Vida e Bem-estar Financeiro

Os estudos acerca da SGV ganharam uma maior notoriedade nos últimos 20 anos, quando se ampliaram as perspectivas em relação à satisfação de vida, havendo a inserção de diversos fatores como determinantes para consolidação da satisfação global (Kuppens, Realo e Diener, 2008). Baseado nessa evolução, o conceito de SGV hoje é descrito por Hutz (2014) como o “contentamento que alguém percebe quando pensa sobre sua vida de modo geral”. De maneira análoga, Cheung e Lucas (2015) apontam esse fator como sendo a avaliação subjetiva que um indivíduo faz em relação a suas vivências globais, acarretando satisfações ou insatisfações com a vida.

Partindo desses conceitos, ratifica-se que a SGV é influenciada por diversos fatores e por esse motivo deve ser mensurada tanto por aspectos materiais quanto psicológicos. Assim, compreende-se que, para um indivíduo estar satisfeito com sua vida, ele deve avaliar positivamente tanto suas relações afetivas quanto cognitivas, e dos acontecimentos negativos absorver apenas os ensinamentos (Diener, 2000; Kuppens, Realo e Diener, 2008).

Tendo essas percepções, a probabilidade de uma maior satisfação com a vida amplia-se. Nos casos em que ela seja atingida, esse indivíduo torna-se mais feliz, desenvolve melhores relações sociais, boas condições de saúde, infraestrutura e lazer (Comis e Pinto, 2014). Em contrapartida, pessoas insatisfeitas com suas condições são mais propensas a apresentarem baixa autoestima, ansiedades, medos e frustrações (Lipovetsky, 2007), pois o mal-estar é responsável por desenvolver alterações psicossomáticas que acarretam disfunções tanto físicas quanto emocionais. Os problemas físicos são relacionados com os maiores índices de obesidade ou anorexia, hipertensão, dores de cabeça, insônia e diminuição da imunidade; já os psicológicos desencadeiam maior irritabilidade, impaciência, apatia, distanciamento afetivo, perda de entusiasmo profissional e, consequentemente, problemas de ordem financeira (Nunes, 2014).

Especificamente em relação aos problemas financeiros, destaca-se o maior nível de endividamento, inadimplência e descontroles monetários, adversidades estas que minimizam o BEF. Conceituado por Arber, Fenn e Meadows (2014) como a classificação auferida por cada indivíduo em relação à adequação de sua renda para satisfazer suas necessidades gerais do presente e do futuro (Chan, 2012). Assim, boas condições financeiras tanto no futuro quanto no presente, bem como segurança monetária, maximizam o BEF, o qual propicia melhor qualidade de vida. Essa assertiva é ratificada por Binder e Coad (2014), os quais esclarecem que pessoas com maior estabilidade financeira, com segurança empregatícia, boa gestão financeira e maiores rendimentos mensais são mais satisfeitas com suas vidas. Falahati, Sabri e Paim (2012) corroboram, assinalando que a satisfação financeira atua como fator determinante da satisfação do indivíduo com a vida de modo geral.

Como justificativas para essa relação, Kim e Tech (1999) apontam que os sentimentos de satisfação ou insatisfação vinculados aos aspectos financeiros influenciam em diversos âmbitos da vida do indivíduo, como família e trabalho. Hagerty e Veenhoven (2003) revelam que a estabilidade, o equilíbrio e a ausência de preocupações com compromissos monetários em atraso maximizam o alcance de sonhos e o atendimento de necessidades e vontades, aumentando a felicidade no longo prazo. Em contrapartida, indivíduos com situações financeiras difusas, com maior dificuldade em passar o mês com seus rendimentos, com menores níveis de controle sobre suas despesas, podem ter uma menor percepção de satisfação global (Kahana et al., 1995).

Essa menor percepção da satisfação com a vida pode muitas vezes também estar vinculada aos recursos financeiros disponíveis, ou seja, que pessoas mais pobres não disponibilizam de recursos suficientes para subsidiar desembolsos que trariam maiores significados para suas vidas, acarretando baixos níveis de SGV, sendo os indivíduos em situações de extrema pobreza os mais vulneráveis às insatisfações com a vida (Meyer e Dunga, 2014). Por outro lado, um aumento na renda pode levar a mudanças, principalmente na SGV, pois conduz a um maior poder de compra, otimismo e satisfação financeira (Diener, Tay e Oishi, 2013).

Todavia, os impactos da elevação da renda são distintos para cada classe social. Easterlin e Angelescu (2009) elucidam que os indivíduos com menores disponibilidades financeiras sofrem um impacto muito maior na SGV posterior a um aumento na renda do que classes sociais mais abastadas. Os autores chegaram a essa argumentação ao verificarem esse comportamento no comparativo entre países ricos e pobres. Segundo seus achados, as pessoas residentes em países mais ricos sofrem um impacto menor na SGV posteriormente a uma elevação do PIB per capita do que pessoas que vivem em países mais pobres e se encontram em piores situações.

Por outro lado, em alguns casos, mesmo um aumento salarial significativo pode não acarretar maior satisfação, como em pessoas com problemas conjugais, desempregadas, doentes e com dificuldades sociais, pois essas adversidades não são superadas pelo dinheiro (Becchetti e Rossetti, 2009). Observando isso, Neve e Oswald (2012) salientam uma relação de mão dupla entre a satisfação e a renda, e a satisfação com a vida pode levar uma pessoa a um maior dinamismo econômico, atingindo assim melhores resultados.

Contrariando os resultados que exibem, de alguma maneira, uma forte relação entre a satisfação e elevação da renda, Cheung e Lucas (2015) verificaram uma associação fraca entre esses dois construtos. Da mesma forma, Becchetti, Corrado e Rossetti (2008) mostraram uma reduzida alteração na satisfação com a vida quando o rendimento de entrevistados britânicos aumenta.

Esses estudos evidenciam que não há uma unanimidade na relação entre a renda e a satisfação global de vida, indicando que contextos distintos podem acarretar relações variadas. Assim, investigar esse tema com os beneficiários do PBF pode contribuir no sentido de indicar ao governo federal se o foco, nomeadamente os aspectos monetários, é adequado a esse escopo.

3. Método

A população-alvo do estudo compreende os beneficiários do PBF residentes na Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense, a qual é composta por 31 municípios. Para identificar a população, utilizaram-se os dados disponíveis no Portal da Transparência no mês de outubro de 2014. Assim, a coleta foi realizada com base no número de beneficiários correspondentes a cada um dos 31 municípios identificados. Para um erro amostral de 4%, com 95% de confiança e uma população finita de 31.671 (Portal da Transparência, 2015), a amostra final mínima a ser investigada era de 590 famílias beneficiadas com o PBF, e ao final da pesquisa obteve-se um total de 595 entrevistados.

Dado a especificidade do público-alvo, o elevado número de cidades e a dificuldade de acesso aos beneficiários, a seleção da amostra se deu por conveniência de duas maneiras: inicialmente, os pesquisadores tentaram auxílio nas prefeituras, para que essas os direcionassem aos estabelecimentos, como o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou postos médicos que atendessem um grande número de beneficiários. Já no caso desta iniciativa não se consolidar, os entrevistadores se deslocavam até os bairros e abordavam as pessoas questionando inicialmente se eram beneficiárias do PBF e, posteriormente, se estariam dispostas a participar da pesquisa. Nos casos em que os indivíduos se mostraram dispostos a participar, a aplicação do questionário deu-se individualmente, em formato de entrevista. O pesquisador leu cada uma das perguntas e o entrevistado acompanhou, respondendo uma a uma. Optou-se por esse contato mais direto para garantir uma maior compreensão das perguntas e maior autenticidade nas respostas.

Para coleta de dados utilizou-se um instrumento com quatro blocos de perguntas. O primeiro compreende a SGV, por meio de uma escala adaptada de Hutz (2014). A escala original é formada por 10 variáveis, mas posteriormente a uma análise de conteúdo optou-se por utilizar sete questões com escala do tipo likert1 de cinco pontos. A análise de conteúdo é utilizada, segundo Malhotra (2011), para selecionar as perguntas que contribuem para a informação desejada, caso contrário a questão deve ser excluída. Com isto, neste estudo esse processo foi realizado por três especialistas, os quais consideraram que com sete questões a avaliação de satisfação global de vida já seria satisfatória. Para interpretação das respostas admite-se que, quanto maior for o nível de concordância com as afirmações, melhor será a percepção do indivíduo em relação a sua vida.

O segundo bloco refere-se ao fator BEF, desenvolvido originalmente por Norvilitis, Szablicki e Wilson (2003) com oito questões. Todavia, para adentrar-se na mesma perspectiva do fator SGV, utilizaram-se apenas quatro variáveis, as quais abordavam sentimentos vinculados à vida no ato da pesquisa, ou seja, no presente. Para interpretação das respostas, tem-se que, quanto maior for a concordância com as alternativas, menor BEF se detecta. A terceira parte refere-se às decisões, práticas e experiências financeiras pessoais e familiares. A estruturação dessas questões se deu a partir da adaptação de modelos já aplicados por Shockey (2002), OECD (2013), Ministério do Desenvolvimento de Combate a Fome e Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (MDS e Sagi, 2014), Flores e Vieira (2014) e Brasil (2009). Já na última seção estão listadas as questões referentes ao perfil dos respondentes.

Para a análise dos dados coletados foram utilizadas estatísticas descritivas e técnicas de análise multivariada, para as quais foram utilizados os softwares SPSS 20.0® e Amos™. Inicialmente, com o objetivo de validação dos construtos foi utilizada a Análise Fatorial Confirmatória (AFC). Neste contexto, Byrne (2013) considera necessária a análise de diversos índices de ajustamento, de forma a avaliar a adequabilidade do modelo proposto aos dados da amostra. Para fins de realização desta pesquisa, a validade do modelo de mensuração foi avaliada por meio da verificação da validade convergente, a confiabilidade e a unidimensionalidade de cada construto, seguindo recomendação de Hair e colaboradores (2010).

A validade convergente de cada construto foi analisada pela observação da magnitude e da significância estatística dos coeficientes padronizados e pelos índices de ajustes absolutos: estatística qui-quadrado (χ²), root mean square residual (RMR), root mean square error of approximation (RMSEA), goodness-of-fit index (GFI) e índices de ajuste comparativos: comparative fit index (CFI), normed fit index (NFI) e tucker-lewis index (TLI). Não há um consenso na literatura sobre valores aceitáveis para esses índices. Para o qui-quadrado/graus de liberdade as recomendações variam de menores que cinco até menores que dois. Para CFI, GFI, NFI e TLI, sugerem-se valores maiores que 0,95, e o RMR e o RMSEA devem ficar abaixo de 0,05 e 0,08, respectivamente (Hooper, Coughlan e Mullen, 2008).

Para mensurar a confiabilidade dos construtos utilizaram-se o índice de confiabilidade e o Alpha de Cronbach, em que valores superiores a 0,6 têm sido considerados aceitáveis para pesquisas de natureza exploratória (Hair et al., 2010). A verificação da unidimensionalidade do construto foi realizada mediante a avaliação dos resíduos padronizados, e valores absolutos menores que 2,58 não sugerem problema (Hair et al., 2010). Além disso, todos os modelos foram estimados utilizando bootstrap máxima verossimilhança, com tamanho amostral de 1000, conforme sugerido por Cheung e Lau (2008).

Após realizar a AFC, foram formados os indicadores de SGV e BEF, para os quais se aplicaram a correlação de Pearson e a análise de cluster. A correlação de Pearson visa indicar a força de associação entre quaisquer duas variáveis (Pestana e Gageiro, 2008). Já o cluster, também conhecido como análise de conglomerados, tem como finalidade agregar objetos com base nas características que eles possuem (Hair et al., 2010). De acordo com Malhotra (2011), os conglomerados obtidos devem apresentar tanto uma homogeneidade interna (dentro de cada conglomerado), assim como heterogeneidade externa (entre conglomerados), se diferenciando dos demais. Como método de aglomeração foi utilizado o Ward, também denominado método da variância. O método de Ward foi selecionado por ser um dos mais consistentes para escalas intervalares (Hair et al., 2010). Ressalta-se que para este estudo foram utilizados três clusters, pois se percebeu que os agrupamentos identificados com essa composição eram mais adequados para explicar o comportamento dos pesquisados.

Após conhecer o cluster ao qual cada indivíduo pertence, calcularam-se as estatísticas descritivas dos construtos dentro de cada cluster, para conhecer o nível de SGV e BEF de cada grupo formado. Além disso, a fim de verificar se há diferença significativa entre os grupos, aplicou-se o teste de diferença de média (Teste t). Para aprofundar-se na caracterização dos clusters, realiza-se a estatística descritiva das variáveis vinculadas aos aspectos de decisões, práticas e experiências financeiras pessoais e familiares nos diferentes grupos da amostra pesquisada.

Foram 28 variáveis, as quais contemplam a terceira parte do instrumento de coleta de dados, as quais questionam o tempo em que o recurso do PBF é gasto, se possuem dívida, cartão de crédito, carnês de lojas, se estão dentro do orçamento mensal, quem decide como vai ser os gastos da família e por que essa pessoa toma essas decisões, qual a situação financeira em que se encontram, se controlam os gastos mensalmente, se sentem-se financeiramente satisfeitos, se conseguem economizar, como alocam os recursos do PBF, qual a prioridade de gastá-lo logo que recebe, se sobra algum montante desse benefício ao final do mês e o que é feito com ele, quando surge uma necessidade, qual atitude tomar, como escolhe o lugar onde compra, se já teve o nome vinculado a algum cadastro negativo de dívida, se empresta ou já emprestou o nome para alguém e se possui conta em banco.

4. Análise e discussão dos resultados

Entre os 595 pesquisados, apenas 14 são homens. Essa característica pode ser justificada pelo fato de o governo federal priorizar a concessão do benefício para as mulheres, as quais são vistas como mais responsáveis e cautelosas (MDS e Senarc, 2014). Essa ação do governo federal vai ao encontro do conceito de discriminação positiva, apontada por Souza (2015) como necessária, no sentido de beneficiar populações mais vulneráveis com o intuito de diminuir as desigualdades, caso das mulheres pobres (perfil das beneficiárias do PBF). No entanto, a mesma autora revela que os impactos do PBF no sentido de darem maior empoderamento às mulheres não minimizaram as diferenças de gênero e, pelo contrário, reforçaram o estereótipo destas como responsáveis pela manutenção do bem-estar da família.

Em relação à idade, percebe-se que a amostra é bastante heterogênea, havendo representação em todas as faixas etárias. As demais variáveis de perfil mostram-se mais homogêneas, sendo 48,3% dos entrevistados casados, com dependentes (95,6%, em média, três filhos por família), residência própria (67,1%) e nível educacional de até 8a série (76,7%). Quanto à ocupação, 21,6% realizam trabalhos informais (normalmente diaristas) ou são donas de casa (21,6%) e auferem uma renda mensal familiar fixa de R$ 200,00 a R$ 500,00 (27,1%), e parte desse valor é decorrente do PBF que transfere em média R$ 173,62 para cada beneficiado, ou seja, os benefícios são responsáveis por parcela significativa na composição da renda.

Por meio dessas características, pode-se identificar um perfil bem específico, de indivíduos com uma estrutura familiar definida, com cônjuge e filho (mesmo aqueles que não são casados possuem filhos), casa própria (na maioria das vezes, concedidas pelas prefeituras dos municípios às famílias de baixa renda), baixo nível de escolaridade e sazonalidade no aspecto empregatício, o que, vinculado aos baixos níveis de renda, maximiza as vulnerabilidades e dificuldades na manutenção de uma qualidade de vida mínima. Características estas que ampliam a importância de se investigar aspectos vinculados à Satisfação Global de Vida e ao Bem-estar Financeiro dessa parcela da população. Assim, apresenta-se a seguir a estatística descritiva desses dois construtos (tabela 1).

Tabela 1 Estatística descritiva, média e frequência das respostas dos construtos Satisfação Global de Vida e Bem-estar Financeiro 

Fonte: Resultados da pesquisa (2015).

Em relação à SGV, a amostra aponta uma percepção média positiva de 3,69. Observando de maneira mais detalhada, salienta-se que as perguntas com maior concordância foram a Q02, Q04 e Q06, que indicam que esses beneficiários gostam, são felizes com suas vidas e se sentem bem do jeito que são. Todavia, ao serem indagados se possuem tudo o que precisam, 46% das pessoas discordam, ou seja, elas estão satisfeitas e felizes, mas não possuem tudo o que precisam. Esse resultado permite conjecturar que os aspectos materiais não são tão relevantes para a consolidação da Satisfação Global de Vida para essa parcela da população. Ng e Diener (2014) corroboram, elucidando que os mais ricos levam as questões materiais mais em consideração na construção da satisfação de vida do que os mais pobres.

Um estudo realizado com 400 famílias de mesmo perfil (restrição orçamentária) na África, diferentemente deste, evidenciou que os pesquisados possuem níveis relativamente baixos de satisfação com a vida, e o nível de renda, a situação profissional, o estado de pobreza e os serviços do governo podem influenciar esse resultado, aspectos estes negligenciados no contexto dessas famílias africanas (Meyer e Dunga, 2014). Observando essas lacunas, enaltece a inciativa do governo brasileiro em relação ao PBF, que vem ampliando significativamente a qualidade de vida de seus beneficiários (Fonteles et al., 2011), o que pode estar desencadeando essa percepção positiva de SGV.

Investigando o BEF, percebe-se que este atingiu uma média geral de 3,52, revelando que os respondentes não apresentam um elevado BEF, dado que, quanto maior a frequência das respostas, mais desfavorável é a percepção dos indivíduos. Percebe-se que as variáveis com maior média (Q9 e Q10) dizem respeito a preocupações e pensamentos constantes a respeito das dívidas, o que minimiza o sentimento de bem-estar com as finanças. Além disso, os beneficiários apontam estarem desconfortáveis com a quantia devida. Contrária a essas variáveis, identifica-se a discordância dos entrevistados quanto a discussões com outras pessoas a respeito de sua dívida, indicando que isso não é um fato corriqueiro para essas famílias.

De modo geral, os beneficiários do Programa Bolsa Família pesquisados não detêm um BEF eminente. Todavia, esse não é um resultado restrito apenas para essa amostra. Gutter e Copur (2011), pesquisando estudantes de 15 universidades dos Estados Unidos, e Diniz e colaboradores (2014), investigando o público em geral no estado do Maranhão, verificaram um baixo nível de BEF. Assim, pontua-se que, mesmo em amostras que envolvem público em condições financeiras mais favoráveis, os níveis de BEF podem não ser positivos, especialmente pelo fato de essa percepção partir da avaliação que uma pessoa faz em relação à adequação de sua renda para satisfazer suas necessidades gerais (Arber, Fenn e Meadows, 2014).

Analisando conjuntamente os dois construtos, verifica-se que os respondentes possuem um elevado nível de SGV; todavia, apresentam um baixo nível de BEF. Resultados similares são apontados por Biswas-Diener, Vittersø e Diener (2005). Verificando esses resultados iniciais, já se pode sugerir que, apesar de não terem plenas condições financeiras que os permitam maior segurança, os entrevistados sentem-se satisfeitos com a vida, pois provavelmente outros fatores que impactam a SGV estão sendo atendidos como alimentação, moradia (mais da metade tem residência própria) e educação básica, como já apresentado na estatística descritiva.

Na etapa seguinte, para validar os construtos SGV e BEF, utilizou-se a AFC. Com isso, a fim de confirmar se os modelos estão adequados, analisaram-se os índices de ajuste, os quais estão apresentados na tabela 2.

Verificando o modelo inicial de SGV, percebe-se que os valores estão fora dos padrões preestabelecidos. Na busca por um modelo de mensuração mais adequado foram adotadas duas medidas principais: retirada das variáveis com coeficiente inferior a 0,5 (Hair et al., 2010) e inserção de correlações entre os erros das variáveis, as quais foram sugeridas pelo software e que faziam sentido teórico. Assim, excluiu-se a questão 01, por apresentar um coeficiente de 0,349 e foi inserida uma correlação entre as variáveis Q2 e Q6 (valor 36,040). Após essas alterações, todos os índices de ajuste, confiabilidade e unidimensionalidade apresentaram valores satisfatórios.

Tabela 2 Índices de ajuste dos construtos Satisfação Global de Vida e Bem-estar Financeiro 

Fonte: Resultados da pesquisa (2015).

Em relação ao BEF, constata-se que já no modelo inicial a maioria dos índices de ajuste apresentou valores dentro dos padrões preestabelecidos. Todavia, o índice de confiabilidade mostrou-se inferior a 0,5. Com isso, excluiu-se a questão Q11, a qual exibia um coeficiente de 0,043, não significativo. Após esse ajuste, o modelo mostrou-se adequado. A figura 1 ilustra o modelo inicial e o final validado para SGV e BEF.

O construto SGV, composto inicialmente por sete questões, foi validado com seis variáveis, e a variável Q5, que indagava se os indivíduos estavam satisfeitos com suas vidas, apresentou o maior coeficiente, indicando seu maior impacto na consolidação da SGV, seguida pela questão Q7. Os maiores coeficientes identificados nessas duas questões enaltecem a representatividade da percepção de satisfação e realização pessoal na formação de uma melhor ou pior SGV. Atenta-se para o menor coeficiente na questão Q3, a qual evidencia uma menor relevância da percepção positiva acerca de aspectos materiais para a formação da SGV.

Para o BEF identifica-se que a variável que mais impacta a percepção desse fator é a Q10, a qual questiona se os entrevistados pensam muito sobre suas dívidas, seguida da pergunta Q9. A questão Q8 é a que menos contribui para a formação do modelo e está relacionada com o sentimento de desconforto com a quantia devida. Esse resultado indica que o fato de as pessoas pensarem e preocuparem-se constantemente com a dívida é mais relevante para a formação do BEF do que propriamente o sentimento, no caso, desconforto por encontrar-se nessa situação.

Nota: * p < 0,01. ¹valor de z não calculado, onde o parâmetro foi fixado em 1, devido às exigências do modelo. Fonte: Elaborada pelos autores com base nos resultados da pesquisa.

Figura 1 Modelo de mensuração inicial e final dos construtos Satisfação Global de Vida e Bem-estar Financeiro 

A partir dos modelos validados, foram formados os construtos de SGV e BEF para as etapas seguintes de análise. Para formação de cada construto utilizaram-se os coeficientes identificados para cada uma das variáveis nos modelos validados. Assim, ponderou-se a 100% o impacto de cada uma das questões na formação de cada construto e posteriormente formaram-se os fatores SGV e BEF com a soma das variáveis multiplicadas por seus respectivos pesos. Logo, o fator SGV foi calculado a partir da equação {0,15*Q2+0,13*Q3+0,17*Q4+0,20*Q5+0,16*Q5+0,18*Q6}. Já o fator BEF foi formado a partir da equação {0,23*Q8 +0,37*Q9 + 0,38*Q10}.

De posse dos dois fatores padronizados, aplicou-se inicialmente a correlação de Pearson, com o objetivo de verificar o nível de associação entre os construtos SGV e BEF. O resultado do teste não se mostrou significativo (valor -0,063 e sig. 0,127), revelando que não há associação entre a SGV e o BEF para o público pesquisado. Esse achado pode justificar o fato de os pesquisados apresentarem elevada SGV e reduzido BEF, ou seja, as preocupações e dificuldades financeiras enfrentadas por esses beneficiários não interferem na percepção de SGV, havendo outros aspectos que podem estar interferindo nesse fator, como a possibilidade de manutenção de uma qualidade de vida mínima propiciada pelo PBF. Uma pesquisa realizada pela OECD (2014) já apontava para resultados nesse sentido. Segundo os autores, renda é o aspecto que menos impacta o bem-estar dos brasileiros. De mesmo modo, Cheung e Lucas (2015) verificaram uma associação muito baixa entre esses dois fatores.

Por fim, foi realizada a análise de cluster para classificar os indivíduos acerca da SGV e BEF. A tabela 3 apresenta as estatísticas descritivas dos construtos padronizados conforme a distribuição dos três clusters formados.

Tabela 3 Estatísticas descritivas dos construtos conforme a distribuição dos clusters 

Fonte: Resultados da pesquisa (2015).

Ao analisar as estatísticas descritivas dos construtos que formam cada um dos clusters, observa-se que os indivíduos com alta SGV e baixo BEF compõem o Cluster 1, o qual abarca o maior número de respondentes (64,61%). Essa composição caracteriza uma combinação instigante, à medida que representa os beneficiários do PBF que estão satisfeitos com suas vidas, mas com um BEF reduzido. Esse resultado vai ao encontro das evidências identificadas na estatística descritiva desses construtos, pois já naquela análise verificou-se essa estrutura de respostas. Como justificativas para esse fato, salienta-se que a pesquisa realizada pela OECD (2014) evidenciou a renda como o aspecto que menos impacta o bem-estar dos brasileiros.

No Cluster 2, tem-se indivíduos com uma Satisfação Global de Vida intermediária (média 2,74), próxima da alternativa indiferente, e um baixo Bem-estar Financeiro (média 1,58). Assim, verifica-se que a satisfação com a vida não é completamente eminente, e o mal-estar financeiro pode ser um dos fatores que maximizam uma percepção mais desfavorável com a vida nesse grupo em específico, já que no Cluster 1 não é verificado esse mesmo comportamento. Analisando conjuntamente o Cluster 1 e o Cluster 2, verifica-se que eles representam em torno de 85% dos entrevistados, os quais exibem um baixo nível de BEF, mas uma elevada e intermediária SGV, respectivamente. Para SGV, é possível que a disponibilização de um recurso financeiro mensal a essas famílias ocasione uma maior elevação dos padrões de vida, especialmente pelo fato de o maior dilema delas ser a sazonalidade da renda mensal (Collins et al., 2009).

Para a maioria dos beneficiados, o valor recebido do PBF é o único recurso fixo auferido mensalmente (Sugiyama e Hunter, 2013). Esse valor monetário propicia uma maior qualidade de vida a essas famílias, já que necessidades básicas são mais bem supridas (Souza e Lamounier, 2010). Buscando compreender essa relação, pesquisas anteriores apontam que a possibilidade de satisfazer as necessidades básicas para indivíduos de baixa renda já os torna mais satisfeitos com a vida (Howell e Howell, 2008). Essa perspectiva leva em consideração a teoria de Maslow, a qual revela que os indivíduos são motivados segundo suas necessidades (Maslow, 1943). Desse modo, para indivíduos de baixa renda, o fato de a base da pirâmide ser contemplada (necessidades fisiológicas) já amplia a satisfação de vida (Diener et al., 2010). Visto que, antes do PBF, nem essas necessidades eram supridas, o que poderia os tornar mais insatisfeitos e gerar emoções negativas. Clark, Frijters e Shields (2006) relatam que as pessoas mais pobres se adaptam à realidade a que estão impostas, o que as torna mais satisfeitas com a vida mesmo em condições financeiras precárias.

Assim, pode-se dizer que, do ponto de vista psicológico, essas famílias têm a percepção de que a vida melhorou a partir do momento em que se tornaram beneficiárias do PBF (Santos et al., 2014; Brasil, 2009), o que impacta positivamente a percepção de SGV. Mas, por outro lado, o valor auferido não é suficiente para gerar BEF e afastar as preocupações inerentes às dívidas e às instabilidades financeiras. O governo brasileiro concede um valor médio de R$ 173,62 aos pesquisados, os quais o descrevem como baixo (36,97%) e suficiente (25,04%). Santos e colaboradores (2014) ratificam, esclarecendo que os beneficiários se sentem mais satisfeitos pela possibilidade de ampliação da renda por meio de um programa social; no entanto, este não é suficiente para suprir todas as necessidades para a emancipação sustentada da família.

Por fim, de maneira contrária ao comportamento dos demais, o Cluster 3 é formado por indivíduos com alta SGV e alto BEF. O resultado identificado para esse grupo em específico ratifica os achados de Falahati, Sabri e Paim (2012), os quais enfatizam que a satisfação financeira é fundamental para a satisfação pessoal e global com a vida. Já que, conforme Kim e Tech (1999), os sentimentos de satisfação ou insatisfação vinculados aos aspectos financeiros influenciam em diversos âmbitos da vida.

Para caracterizar cada um dos clusters utilizam-se as variáveis de gestão financeira exibidas na tabela 4. Ressalta-se que foram apresentadas apenas as variáveis que mostraram relação de associação estatisticamente significativa ao nível de, no mínimo, 5% entre os clusters e as variáveis.

Tabela 4 Percentual de respostas de cada variável para cada um dos clusters e Qui2 com seu valor e significância 

Nota: Cluster 1 (Alta SGV e Baixo BEF); Cluster 2 (Média SGV e Baixo BEF) e Cluster 3 (Alto SGV e Alto BEF). Fonte: Elaborada pelos autores com base nos resultados da pesquisa.

Por meio do Qui-Quadrado, pode-se observar que há uma relação de associação estatisticamente significativa ao nível de, no mínimo, 5% entre os clusters e as variáveis apontadas. Observando os resultados do Cluster 1, o qual é composto por pessoas com alta SGV e baixo BEF, verifica-se que a maior frequência das respostas caracteriza nitidamente pessoas em uma situação financeira desfavorável, dívidas que chegaram a patamares tão elevados ocasionando a vinculação do nome a um cadastro negativo e restrição orçamentária que não permite a realização de poupança nem o consumo de coisas extras. Mas, mesmo com todas essas controvérsias, apontam estarem satisfeitas com sua situação financeira.

Essas características evidenciam que, para essa parcela da amostra, as adversidades monetárias desse momento podem não influenciar a percepção da situação financeira. Possivelmente já passaram por circunstâncias ainda piores, que o simples fato de estarem conseguindo suprir suas necessidades mais básicas já os faz mais satisfeitos, e para públicos de baixa renda as aspirações materiais são mais baixas, tornando-se irrelevantes para ampliação da satisfação mais geral com a vida (Diener et al., 2010). Desse modo, essa parcela da população pode estar considerando outros aspectos para consolidação dessas percepções, como estar se alimentando bem e ter boas relações sociais e com o cônjuge (Becchetti e Rossetti, 2009).

Comparativamente com o Cluster 1, verifica-se que os beneficiários que compõem o Cluster 2 (indiferentes quanto a SGV e com baixo BEF) se encontram em uma situação financeira ainda mais limitada, pois, além das dívidas e restrições, eles ainda não conseguem pagar as contas mensais, estão insatisfeitos com a situação financeira, já emprestaram o nome para alguém e possuem conta em banco. Essa condição de total instabilidade financeira e limitação ao consumo pode ser fator que faz com que esse grupo em específico esteja indiferente quanto a SGV, pois, possivelmente, necessidades básicas não estão sendo completamente atendidas.

Por fim, o Cluster 3 é representado pelos beneficiários com alta SGV e alto BEF que não possuem dívida, estão conseguindo arcar com suas responsabilidades, estão satisfeitos com a situação financeira, nunca tiveram o nome em um cadastro de dívida ativa, enfim, encontram-se em condições financeiras mais amenas. Essa caracterização faz com que esse grupo seja o que se encontra em melhores condições de satisfação com a vida e percepção de BEF.

5. Considerações finais

A estatística descritiva do fator SGV revela que, em média, os entrevistados estão satisfeitos com suas vidas, gostam, são felizes e sentem-se bem com a vida que possuem, mas dizem não possuir tudo o que precisam. Na validação do construto, ratifica-se esse fato, e os aspectos materiais apresentaram o menor coeficiente. Em relação ao BEF, verifica-se uma percepção negativa, justificada por uma elevada preocupação com as dívidas e pensamentos constantes vinculados a essa situação, sendo essas as variáveis que na validação apresentam maior relevância. A inexistência de uma correlação entre esses dois fatores revela que o baixo BEF não afeta a SGV. Assim, conjectura-se que outros aspectos estejam fazendo com que os entrevistados percebam a vida de maneira positiva.

Esse contexto é ratificado nos resultados do cluster, que aponta um maior grupo de respondentes pertencentes ao Cluster 1, representado por pessoas com alta SGV e baixo BEF. Buscando caracterizar o perfil financeiro desses indivíduos, percebeu-se uma situação financeira bastante adversa. Como justificativas para esse contexto, exibe-se o fato de terem sido entrevistados beneficiários do PBF, que só por esse fato já percebem a vida de uma maneira mais positiva mesmo em situação financeira precária, pois as necessidades básicas passaram a ser mais bem supridas a partir da inserção no PBF.

Como contribuições do estudo, aponta-se inicialmente que um dos propósitos do governo federal com o desenvolvimento do PBF está sendo atendido, pelo menos na região investigada, uma vez que as famílias apresentam uma elevada satisfação com a vida. Por outro lado, fica claro que o valor do benefício ainda não é suficiente para que as famílias atendam a suas necessidades financeiras, o que implica baixo nível de BEF. Apontando que há uma necessidade de maiores investimentos por parte do governo federal no PBF e principalmente no delineamento de políticas estruturantes de geração de trabalho e renda.

Nesse sentido, destaca-se ainda a possibilidade de o governo federal ampliar o desenvolvimento de ações complementares, pois se percebeu que os aspectos materiais, bem como o dinheiro advindo do programa, podem não ser suficientes para consolidação da satisfação com a vida. Podendo com isso estimular aos gestores do PBF focar em outros fatores além da transferência de renda, como o emprego, a moradia e a alimentação, considerando os conceitos multidimensionais da pobreza.

Para a academia também se evidenciam contribuições, primeiramente pela ampliação dos conhecimentos inerentes às famílias de baixa renda, aprofundando-se nas questões de pobreza vinculada aos aspectos psicológicos, como a SGV e o BEF. Além disso, enaltece-se a validação dos fatores por meio da modelagem de equações estruturais, que proporciona às pesquisas futuras a utilização das escalas aqui validadas para públicos de baixa renda.

Pesquisas futuras podem ampliar a amostra pesquisada, além de identificar outros fatores que podem estar associados à SGV e ao aprofundamento da relação do BEF com a SGV. Além disso, sugere-se a realização de pesquisas similares, para que se possa verificar se a elevada SGV e o baixo BEF é um resultado específico para essa amostra ou ocorre em outros contextos de baixa renda.

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1A utilização da escala likert de cinco pontos tem como vantagem a existência de um ponto neutro, normalmente apresenta nível de confiabilidade adequado e se ajusta aos respondentes com diferentes níveis de habilidade. Como desvantagens, destacam-se que ela não oferece a discriminação da escala de sete pontos e é mais longa que a escala de três pontos (Dalmoro e Vieira, 2013).

Este trabalho teve o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome por meio do Edital CNPq no 24/2014.

Recebido: 02 de Novembro de 2015; Aceito: 20 de Setembro de 2016

Jéssica Pulino Campara - Doutoranda em administração pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: jecampara@hotmail.com.

Kelmara Mendes Vieira - Doutora em administração, professora associada do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações Públicas da Universidade Federal de Santa Maria e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2. E-mail: kelmara@terra.com.br.

Ani Caroline Grigion Potrich - Doutora em Administração, professora adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: anipotrich@gmail.com.

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