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Revista de Antropologia

Print version ISSN 0034-7701

Rev. Antropol. vol.43 no.2 São Paulo  2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-77012000000200004 

O Antropólogo Herbert Baldus1

 

Orlando Sampaio-Silva
Professor visitante do MAE - USP e professor titular da UFPA

 

 

RESUMO: Herbert Baldus foi um antropólogo teuto-brasileiro que exerceu importante papel na constituição da pesquisa e dos conhecimentos antropológicos no Brasil. Seu trabalho científico se desenvolveu intimamente ligado ao curso de sua própria vida, que transcorreu, em sua maior parte, neste país, dedicada ao ensino, à pesquisa, à divulgação científica e à tentativa de instituir uma política indigenista comprometida com a preservação das etnias indígenas. A contribuição de seu pensamento teórico, tendo iniciado com explanações sobre as culturas materiais e não materiais, passou por abordagens funcionalistas e estruturalistas, lançando as bases dos estudos das sociedades indígenas em situação de contato e de mudança cultural.

PALAVRAS-CHAVES: Vida, obra, indigenismo, preservacionismo, situação de contato, mudança cultural.

 

 

Vida e obra

Herbert Baldus nasceu a 14 de março de 1899, em Wiesbaden, Alemanha. Seu pai, Martin Baldus, era matemático, e sua mãe, Carolina, pertencia a uma família de armadores.

A obra de Baldus está intimamente ligada às circunstâncias de sua vida. Quando aproximava-se o término da I Guerra Mundial (1914 -1918), Baldus, aos 18 anos de idade, foi incorporado ao Corpo Real de Cadetes de seu país, em Potsdam, como aviador, tendo, como tal, participado daquela hecatombe. Esse episódio, em sua juventude, propiciou-lhe a produção de poemas centrados na temática da guerra.

Em 1921, viajou para a Argentina, vindo, assim, aventurar-se, sem objetivos específicos claramente definidos, na América do Sul. Mudou-se, em 1923, para São Paulo, no Brasil; nesse mesmo ano, como participante de uma expedição cinematográfica, visitou os índios Xamakoko, Kaskihá e Sanapaná, do Chaco, Paraguai. Essa viagem despertou, definitivamente, em Baldus, o interesse pelas regiões distantes da civilização e pelos estudos antropológicos, tendo como objeto os povos indígenas, dando assim os primeiros passos em sua carreira profissional como etnólogo. A esta profissão ele se dedicou, com ânimo incomum, até o advento de sua morte ocorrida em São Paulo, a 24 de outubro de 1970.

Aquele primeiro contato com povos indígenas e as observações que então realizou propiciaram-lhe o material etnográfico necessário para a preparação e publicação, em 1927, de seu primeiro artigo sobre a temática indígena intitulado "Os índios Xamacoco"2. Apenas nesse ano (1927), Baldus voltou a estar com índios, ao visitar os Guarani, no litoral paulista. Logo no ano seguinte, retornou ao Chaco, para realizar nova abordagem junto aos Xamakoko, aos Kaskihá e aos Sanapaná. Essas visitas de observação destes índios do Chaco, assim como dos Guarani, deram a Baldus a oportunidade da publicação de seu primeiro artigo sobre os índios Guarani, de São Paulo - "Ligeiras notas sobre os índios Guaranys do litoral Paulista" (1929) -, além de outros trabalhos sobre aqueles grupos do Paraguai.

Incentivado pelo êxito de suas primeiras expedições ao campo, Baldus, em 1928, retornou à Alemanha, para formalizar seus estudos de Etnologia, na Friedrich-Wilhelm Universität, de Berlim. Neste centro de estudos superiores, seu mestre de Etnologia foi Richard Thurnwald, tendo aí também realizado estudos americanistas com Konrad Theodor Preuss e Walter Lehmann, e se dedicado aos estudos de Filosofia sob a orientação de Heinrich Meier, Desoir, Lieber e Spranger, vindo a conquistar o título de Doutor em Filosofia.

Quando estudante, em 1931, publicou, em Leipzig, seu primeiro livro etnográfico intitulado Indianerstudien im nordöstlichen Chaco, tendo como objeto aqueles três grupos tribais do Paraguai (Xamakoko, Kaskihá e Sanapaná) com os quais havia estado duas vezes, anos antes.

Dando asas ao seu espírito literário, Baldus, estudante em Berlim, produziu alguns textos, entre os quais se destacou uma novela biográfica baseada na vida da mulher do caudilho paraguaio Solano Lopes - Madame Lynch -, publicada em 1931.

Inconformado e se sentindo ideologicamente incompatibilizado com a ascensão do Nacional Socialismo (Partido Nazista) ao poder na Alemanha, Baldus, um autêntico democrata-liberal-progressista - como demonstraria ao longo de toda sua existência -, deixou seu país, em 1933, transferindo-se, definitivamente, para o Brasil, onde morou pelo resto de sua vida. Hans Becher (1972: 1.308), a propósito desse fato, informa que "the Nazis burnt his books and deprived him of his German citizenship". Os nazistas não perdoariam, assim, esse humanista amante da liberdade.

No mesmo ano em que retornou ao Brasil, Baldus, subvencionado pela Notgemeinschaft der Deutschen Wissenschaft (Sociedade de Assistência Científica Alemã), de Berlim, empreendeu uma expedição ao sul do país, visitando os Kaingang, de Palmas, no Paraná, vindo a passar alguns meses com os Guayaki, do Alto Rio Paraná, no leste do Paraguai. Com estes índios, nessa oportunidade, esteve a procura de um grupo local Guayaki, então, ainda isolado. Nessa mesma expedição esteve, por curto espaço de tempo, com os índios Xiripá. Baseado nas observações realizadas ao longo dessa expedição científica, Baldus veio a publicar diversos artigos sobre os grupos visitados no Brasil e, principalmente, no Paraguai. Destacam-se entre esses artigos o "Sprachproben des Kaingang von Palmas" (1933), o "Sinopse de cultura guayaki" e o "The Guayaki", sendo este último em colaboração com Alfred Métraux. Estes trabalhos apresentaram um pesquisador sobretudo arguto na observação de campo e nos registros dos padrões sociais e culturais dos povos indígenas visitados, aspectos esses que viriam a caracterizar toda a obra antropológica de nosso autor.

Os interesses científicos de Baldus eram amplos, o que o levou a imiscuir-se nos estudos de diferentes campos da Antropologia. Esta marca destacada de sua obra já ficou bem clara quando, em 1934, dirigiu-se ao Estado de Mato Grosso, ocasião em que esteve observando as pinturas rupestres existentes em Sant'Ana da Chapada, explicitando, então, seu interesse na área de Arqueologia. Nessa excursão, também esteve pela primeira vez em contato com os índios Terena e com os Bororo de Meruri e do Sangradouro. Como aconteceu em geral na vida do pesquisador, logo se debruçou sobre seus registros de campo na elaboração de dois artigos, o que foi publicado, em 1935, no Ethnologischer Anzeiger, IV, Stuttgart, sob o título "Die Erbfolge der Häuptlinge bei den Tereno" ("A sucessão hereditária dos índios Tereno") e, dois anos mais tarde, o artigo "As pinturas rupestres de Sant'Ana da Chapada (Mato Grosso)".

Baldus, em 1935, voltou a Mato Grosso, subvencionado pelo Dr. Samuel Ribeiro, por intermédio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, para prosseguir os estudos sobre os Bororo, dessa vez, os Tóri-páru, vindo, então, também, a iniciar suas observações etnológicas entre os índios Karajá, da Ilha do Bananal, no Rio Araguaia, e entre os Tapirapé. Para atingir este último grupo, Baldus partiu da Ilha do Bananal e seguiu de canoa pelo Rio Tapirapé até a aldeia Tampiitaua. Wagley (1980) informa que "sua [de Baldus] experiência real de campo entre os Tapirapé estava limitada a cerca de seis semanas em 1935 e ainda mais um curto período em 1947"3. Suas visitas aos Karajá levaram-no a interessar-se por um dos aspectos simbólicos, esteticamente insólitos, da cultura material deste povo, as bonecas calipígias de cerâmica, tendo publicado, em 1936, o artigo "Licocós, as bonecas dos Karajás". Estava estabelecida definitivamente uma das características do trabalho científico de Baldus, ou seja, seu interesse por estudos de um grande número de grupos indígenas, ao invés de tornar-se um especialista exclusivamente em um único grupo, orientação dominante esta que lhe valeu tornar-se um dos mais expressivos conhecedores de grupos indígenas do Brasil com base em sua experiência pessoal de pesquisa de campo. Nesse cenário, ampliando a divulgação de seus estudos sobre uma pluralidade de sociedades indígenas, nosso autor publicou, em 1937, um importante ensaio sobre "A posição social da mulher entre os Bororo Orientais". Baldus voltou aos Tapirapé em 1947 (Wagley, 1980). As permanências com estes índios propiciaram ao pesquisador o registro de um volume abundante de informações, a partir das quais produziu sua obra mais alentada na área de estudos de grupos indígenas e uma das mais importantes na bibliografia que leva seu nome, o livro Tapirapé - tribo tupi do Brasil Central (1970a), ou, como refere Hans Becher (1972): "His later monograph on the Tapirapé became his most significant book".

Em 1937, reunindo em um volume diversos de seus trabalhos, Baldus publicou uma de suas mais destacadas obras, o Ensaios de Etnologia Brasileira, que dedicou "ao grande conhecedor dos índios no Brasil Curt Nimuendajú". Para dar uma idéia sobre o conteúdo deste livro, considere-se que o mesmo contém oito ensaios sob os seguintes títulos: "Etnologia Brasileira" (: 17-28), "O culto aos mortos entre os Kaingang de Palmas" (: 29-69), "A sucessão hereditária do chefe entre os Tereno" (: 70-85), "Os grupos de comer e os grupos de trabalho dos Tapirapé" (: 86-111), "A posição social da mulher entre os Bororo Orientais" (: 112-62), "O professor Tiago Marques e o caçador Aipoburéu" (: 163-86), "Mitologia Karajá e Tereno" (: 187-275) e "A mudança de cultura entre índios no Brasil" (: 276-321). Esta enumeração temática exprime a variedade de questões da maior importância que são desenvolvidas pelo autor com rigor teórico e acuidade na análise - apresentação e descrição dos dados empíricos.

Já com uma significativa experiência acumulada de pesquisas etnológicas, Baldus, em 1939, assumiu a cadeira de Etnologia Brasileira, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a convite de Antônio Rubbo Müller (cf. o depoimento pessoal deste professor), tendo lecionado no período mais brilhante da vida desse estabelecimento pioneiro no ensino e na pesquisa em Ciências Sociais, no Brasil. Diretor da "secção etnológica" da revista Sociologia, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), Baldus, através deste periódico, divulgou muitos de seus estudos, dentre os quais queremos destacar os diversos artigos com "sugestões para pesquisas etnográficas". Na FESP-SP, nosso autor dirigiu o Seminário sobre os índios no Brasil, e esteve vinculado a esta instituição - embora não lecionando aí de forma contínua - até sua morte (Müller, depoimento pessoal). Nos cursos e seminários que dirigiu na Escola de Sociologia e Política, foram, de uma forma ou de outra, seus discípulos algumas pessoas que vieram a ocupar lugares da maior importância nas Ciências Sociais no Brasil (alguns com renome internacional), entre elas: Oracy Nogueira (mestrado em 1945), Gioconda Mussolini (idem), Virgínia Leone Bicudo (idem), Lucila Hermann (mestrado em 1946), Florestan Fernandes (mestrado em 1947), Fernando Altenfelder Silva (mestrado em 1949), Levy Cruz (mestrado em 1951), Sérgio Buarque de Holanda (mestrado em 1958), Darcy Ribeiro, Juarez Brandão Lopes, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, Alfonso Trujillo Ferrari, Egon Schaden, João Baptista Borges Pereira, David Maybury-Lewis, Roberto Cardoso de Oliveira, entre outros4.

Ampliando seu campo de interesses temáticos nos estudos sócio-antropológicos, Baldus, em companhia de Emilio Willems e de alunos da Escola de Sociologia e Política, dirigiu-se ao Vale do Ribeira de Iguape, para estudar um grupo de imigrantes japoneses estabelecidos nessa área, particularmente, o processo de mudança cultural. Como conseqüência dessa expedição, Baldus veio a publicar, em 1941, em colaboração com Willems, o artigo sob o título "Casas e túmulos de japoneses no vale do Ribeira de Iguape". No mesmo ano da publicação desse trabalho, Baldus naturalizou-se brasileiro, adotando, dessa forma, definitivamente, o Brasil, como sua segunda pátria.

Valorizando os estudos sobre a pré-história americana, nosso autor, em 1944, retornou à pesquisa arqueológica, para proceder escavações em sítios no Estado do Paraná. Procedeu explanações descritivas e análises interpretativas da parte gráfica e decorativa em cacos de cerâmica, então encontrados, na bacia do Rio Paranapanema, estudo que apresentou no artigo intitulado "Tonscherbenfunde in Nordparaná" (1951-1952).

Dois anos depois, dando prosseguimento a suas pesquisas etnológicas de campo, visitou os índios Kaingang do Ivaí, no Paraná, quando fez registros sobre a mitologia desse povo, vindo a publicar, logo a seguir, o artigo "Os Kaingang do Ivaí" (1947a). Também, nessa aldeia Kaingang do Ivaí, realizou aplicações de testes psicológicos projetivos em um grupo sexualmente misto de 32 pessoas, trabalho para o qual contou com o apoio e a orientação da psicóloga Aniela Ginsberg. A controvertida interpretação desses testes foi realizada, entre outros especialistas, por Ginsberg; a parte de campo foi realizada exclusivamente por Baldus e o resultado desse estudo foi divulgado por intermédio do artigo "Aplicação do psicodiagnóstico de Rorschach a índios Kaingang" (1947f), em co-autoria com Ginsberg. A "história complicada" desses testes foi narrada em cores vivas por Cícero Christiano de Souza, no artigo "O método Rorschach aplicado a um grupo de índios Kaingang" (Souza, 1953), no qual esse autor revela que "o Prof. Baldus, todavia, não ficou inteiramente satisfeito com a interpretação de Ginsberg, parecendo-lhe que os resultados por ela apresentados não correspondiam à realidade psicológica que ele, antropólogo, tinha podido observar direta e concretamente. Pediu-me, então, que reanalisasse os protocolos, que me foram entregues no começo de 1948". O próprio Baldus, viria, mais tarde, a reconhecer sua imprudência ao aplicar esses testes psicológicos, quando disse que "mesmo as técnicas projetivas como os psicodiagnósticos de Rorschach e Mira y Lopes, aplicados por mim, em 1946, a índios Kaingang, impõem, usadas fora de nossa cultura, tantas restrições que não me parecem recomendáveis" (1965-1966).

Herbert Baldus foi convidado pelo governo do Estado de São Paulo a organizar as coleções do Museu Paulista, em 1946. Alguns meses depois desse convite, o mesmo governo confiou-lhe a direção da Seção de Antropologia do Museu. A partir de então, Baldus editou a Revista do Museu Paulista, tendo publicado, em 1947, o volume I da nova série deste que foi um dos mais importantes periódicos na área da Antropologia editados no Brasil. Nas páginas desta revista, alguns dos mais destacados trabalhos científicos de Baldus vieram à lume, conforme pode ser constatado na bibliografia deste autor que compõe este artigo. Baldus permaneceu naquela função pelo resto de sua vida.

Em 1947, Baldus desenvolveu intensas atividades de pesquisas. Na primeira metade do ano, esteve com outro grupo Kaingang, o de Icatu, e com outro grupo Terêna, o de Araribá, ambos no Estado de São Paulo. Nos meses de junho, julho e agosto, convidado pelo Serviço de Proteção aos Índios, visitou aldeias dos índios Karajá, na Ilha do Bananal, em Goiás, e em Mato Grosso, bem como esteve, em curta permanência (cf. acima), novamente com os Tapirapé, do Rio Tapirapé, em Mato Grosso. Nessas visitas, que realizou acompanhado de um médico, Baldus representava o Museu Paulista e a Escola de Sociologia e Política. O relatório que o antropólogo produziu para o SPI, relativo a essa viagem, apareceu publicado na Revista do Museu Paulista, (1948, vol. II) e contém severas críticas ao Serviço de Proteção aos Índios (SPI); estampa, também, o referido texto, sugestões ao indigenismo brasileiro, além de registrar informações etnológicas sobre os vários grupos locais Karajá e Tapirapé, que visitou. Refere-se à "natureza morta" da aculturação, quando fala do uso pelos Karajá de panela de ferro em substituição à de barro, assim como do sapato de couro, objetos originários da influência dos brancos. Faz crítica à implantação da escola de nossa sociedade em meio às sociedades indígenas e lembra o caso do índio Bororo professor Tiago Aipoburéu em processo de alienante decadência5. Critica também a ação dos catequistas católicos, por sua influência negativa nas sociedades visitadas. Reporta-se à incoveniência do uso pelos índios de vestuário levado pelos brancos, por sua inadequação aos trópicos. Analisa a política de "administração direta" aplicada pelo SPI - e pela tradição portuguesa e francesa, nestes dois últimos casos, na África -, que se consubstanciava em pacificar as [tribos] hostis e em acaboclar as outras, procurando "substituir a cultura indígena pelas nossas instituições, conceitos e língua"; compara este tipo de política com a "administração indireta" - empregada nas colônias inglesas - que "conserva a cultura indígena o mais possível". Encontra os fundamentos doutrinários da "administração direta" no positivismo comteano, do qual o Marechal Cândido Rondon, Presidente do SPI, era seguidor, sendo essa orientação teórica herdeira do pensamento evolucionista (: 162-3). Entre muitas recomendações e críticas, condena a intervenção dos brancos na economia tribal; construções de casas para os índios pelo SPI; a presença de "ladrões" de terras, mascates, turistas, caçadores brancos e de jornalistas e cinematografistas nas aldeias indígenas. Recomenda a realização de cursos que preparem os funcionários do Serviço de Proteção aos Índios para lidarem com os povos indígenas (1948, vol. ii: 166-8). Nesse relatório - como em outros textos seus -, Baldus assume uma clara posição preservacionista no que tange às culturas indígenas que, segundo seu pensamento, deveriam conservar, tanto quanto possível, sua originalidade, e condena quaisquer intervenções de não-índios nas sociedades indígenas - mesmo de agentes do governo - que provoquem mudanças culturais, ainda que estas sejam resultados de processos ditos aculturativos.

O ano de 1949 foi particularmente intenso para nosso autor. Convidado pelo governo norte-americano, Baldus excursionou a diversas tribos de índios dos Estados do Arizona e Novo México, nos Estados Unidos, onde também visitou bibliotecas e museus. Foi, então, eleito secretário do Comitê Executivo do XXIX Congresso Internacional de Americanistas, que se realizou em Nova Iorque. Em São Paulo, neste mesmo ano, recebeu duas distinções: a Medalha Tobias de Aguiar, que lhe foi conferida pelo Governo do Estado, e a Medalha Goetheana, que lhe foi agraciada pela Sociedade Goetheana desse Estado. Ainda nesse ano, Baldus prefaciou o livro de Florestan Fernandes, Organização social dos Tupinambá, vindo este prefácio a ser publicado em outros meios de divulgação, dentre os quais na Revista do Museu Paulista, sob o título "Etno-Sociologia Brasileira" (1949a). Neste ensaio, Baldus promove uma síntese das contribuições dos cronistas, missionários e viajantes para o conhecimento das populações tribais existentes no Brasil, desde Pero Vaz de Caminha até seus (de Baldus) contemporâneos; refere-se a von Martius como o "pai da Etnologia Brasileira", por seu Beiträge zur Ethnographie und Strachenkunde Americas zumal Brasiliens (1867); faz referência, também, ao Padre Colbacchini, como "o primeiro pesquisador de índios do Brasil, que merece, até certo ponto, o nome de etno-sociólogo", por sua monografia sobre os Bororo Orientais. Com relação ao autor prefaciado (Florestan Fernandes), Baldus diz que "foi a alma daquele Seminário [refere-se ao Seminário de Etnologia Brasileira, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo], mostrando-se capaz de discutir com rara penetração qualquer assunto apresentado e revelando-se um dos mais esperançosos cientistas sociais brasileiros da nova geração".

Ainda no ano de 1949, Baldus, fundamentando-se nas observações que realizou entre os índios da área do Rio Araguaia em anos anteriores, publicou, em Freiburg (Suíça), o artigo "Akkulturation im Araguaya-Gebiet", no qual aborda as questões da aculturação dos índios Karajá e dos Tapirapé, comparando dados registrados na excursão de 1935 com os de 1947, procedimento metodológico que o levou à constatação de graves alterações nas culturas daqueles povos6.

Em 1952, Baldus realizou, certamente, sua última pesquisa de campo entre grupos indígenas do Brasil, ao visitar os índios Kaingang, de Nonoaí e Guarita, bem como, os Mbyá-Guarani, também, de Guarita, no Rio Grande do Sul. No mesmo ano, publicou o artigo "Breve notícia sobre os Mbyá-Guarani de Guarita". Ainda nesse ano, nosso autor foi membro da Comissão Examinadora, na defesa de tese de doutorado de Florestan Fernandes7, na II Cadeira de Sociologia, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da USP. Nesse ano particularmente movimentado de sua vida pública, Baldus viajou à Europa, para participar do XXX Congresso Internacional de Americanistas, em Cambridge, Inglaterra, no qual representou o governo brasileiro e foi eleito vice-presidente honorário do conclave e secretário de seu Comitê Executivo. Nesse evento Baldus apresentou um trabalho sobre o tema "Supernatural Relations with Animals among Indians of Eastern and Southern Brazil". Na oportunidade dessa viagem, Baldus visitou diversas instituições culturais e científicas, bibliotecas, museus, em diferentes países - Inglaterra, Alemanha, Áustria, França, Dinamarca, Suécia, Suíça, Espanha e Portugal.

Em 1953, Baldus participou, em São Paulo, do II Congresso Latino-Americano de Sociologia. Nesse mesmo ano, foi realizada a I Reunião Brasileira de Antropologia, tendo Baldus sido eleito presidente desse conclave dos antropólogos brasileiros. Nosso autor foi figura de destaque nas cinco Reuniões Brasileiras de Antropologia que se seguiram, realizadas, respectivamente, em Salvador (1955), Recife (1958), Curitiba ( 1959), Belo Horizonte (1961) e São Paulo (1963). No evento de Belo Horizonte, Baldus foi eleito Presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), para o biênio 1961-1963.

No ano do IV Centenário de São Paulo (1954), Baldus foi o principal organizador do XXXI Congresso Internacional de Americanistas, que se reuniu nesta cidade, presidente que era da Comissão Organizadora do congresso. Neste evento Baldus foi eleito secretário-geral do Comitê Executivo e, conseqüentemente, membro do Conselho Permanente dos Congressos Internacionais de Americanistas. Em acréscimo, foi eleito Vice-Presidente dos Comitês Executivos dos Congressos Internacionais de Americanistas, que se realizaram, sucessivamente, em Copenhagen (XXXII-1956), São José da Costa Rica (XXXIII-1958), Viena (XXXIV-1960), México (XXXV-1962) e na Espanha (XXXVI-1964). No congresso seguinte (XXXVII-1966), realizado na Argentina, Baldus coordenou, juntamente com Egon Schaden, o simpósio sobre "Aspectos Etnográficos de Culturas Indígenas do Brasil". Tendo participado de todos esses conclaves científicos, no entanto, já doente, não pôde comparecer, na Alemanha, ao XXXVIII (1968), que, mesmo assim, o elegeu seu vice-presidente e o discurso que pronunciaria na ocasião foi lido por Schaden.

Interessado no intercâmbio científico e na divulgação de conhecimentos antropológicos, Baldus, com muita liderança, participou ativamente de muitos outros congressos científicos, no Brasil e no exterior, como os enumerados a seguir: IV Congresso Internacional de Ciências Antropológicas e Etnológicas, em Viena, em 1952, quando foi eleito membro do Conselho Permanente destes congressos; Congresso de História, em São Paulo, 1954; III Congresso Mundial de Sociologia, representando a Sociedade Brasileira de Sociologia, em Amsterdam, 1956; V Congresso Internacional de Ciências Antropológicas e Etnológicas, do qual foi vice-presidente, na Philadelphia, em 1956; II Congresso Nacional de História, em Lima, 1958; VI Congresso Internacional de Ciências Antropológicas, em Paris, 1960; e do Simpósio "O japonês em São Paulo e no Brasil", conclave no qual foi o presidente de uma das sessões8.

Em 1954, Baldus apresentou ao Congresso Internacional de Americanistas, reunido em São Paulo (cf. registro acima), o primeiro volume de sua Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira. Este volume foi editado pela Comissão do IV Centenário de São Paulo. Essa obra teve sua segunda edição editada em Liechtenstein, em 1970. Também organizado por Baldus, o segundo volume da Bibliografia crítica foi publicado em Hannover, em 1968. Após sua morte, o terceiro volume da Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira, agora organizada por Thekla Hartmann, foi editado por Hans Becher, em Berlim, em 1984. Hartmann observou, na preparação do terceiro volume dessa bibliografia, a mesma orientação metodológica adotada por Baldus nos volumes anteriores, na seleção das obras referidas, na apresentação e nos comentários críticos sobre as mesmas. Nos dois volumes organizados por Baldus são apresentados 2.834 textos, nos diversos campos da Antropologia, os quais são sinteticamente comentados, cobrindo toda a história da antropologia brasileira até 1967. O volume organizado por Thekla Hartmann, dando continuidade à obra minuciosa e exaustiva do mestre, contém a apresentação de 1.765 textos sobre temas antropológicos, que haviam sido publicados após os que figuram no segundo volume da Bibliografia. Hartmann, na Introdução a seu volume, diz que "o maior legado de Herbert Baldus às gerações mais moças de pesquisadores foi, sem dúvida, a Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira", e Hans Becher, no Prefácio a este mesmo volume, refere: "espero que os três volumes da Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira sejam proveitosos para as gerações presentes e futuras de cientistas e estudantes que se dedicam à etnologia no Brasil. Devem eles recordar-se sempre do excelente compêndio que lhes foi deixado por Herbert Baldus e Thekla Hartmann, num trabalho imenso combinado com conhecimentos profundos".

Ainda em 1954, no artigo "Os Oti", Baldus aborda a questão deste grupo indígena da região do Rio Paranapanema, então, já extinto. Apesar das diferenças socioculturais entre os grupos Xavante de Mato Grosso e os Oti, Baldus refere-se a estes como os "Xavantes de São Paulo"; atribui a extinção desses índios ao confronto entre culturas decorrente do encontro com os "brancos", o que teria provocado um "choque cultural".

A partir de 1955, Baldus foi membro correspondente da Sociedade Suíça de Americanistas. Aliás, foi reconhecido por sua destacada contribuição ao desenvolvimeto dos estudos antropológicos sul-americanos, por diversas entidades científicas, culturais e profissionais de diferentes países, que o agraciaram com comendas ou o inscreveram nos quadros de seus filiados eméritos. Dessa maneira, Baldus era membro honorário do Real Instituto Antropológico da Grã-Bretanha e Irlanda, da Sociedade Berlinense de Antropologia, Etnologia e Pré-História, da Sociedade Etnológica de Hannover e da Sociedade Antropológica de Viena. Também foi membro correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa. Era membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, e, foreing fellow da Associação Antropológica Americana. Foi membro do Conselho Permanente da União Internacional de Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, e, durante anos, integrou o Conselho Científico da Associação Brasileira de Antropologia. Baldus foi, identicamente, distinguido, quando, em 1958, a Prefeitura do Distrito Federal lhe conferiu a Medalha Sílvio Romero; em 1960, a Sociedade Geográfica Brasileira outorgou-lhe a Medalha Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, e, em 1964, foi agraciado pela Espanha com a Comenda de Isabel, a católica.

Nas oportunidades em que participou de eventos no exterior, em geral, Baldus estendeu sua viagem a outros países, para visitar instituições científicas e culturais. Dessa forma, em 1952, esteve em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suíça, Dinamarca, Suécia e Inglaterra. Quatro anos depois, voltou à Europa, para estar novamente na Alemanha, Suíça e Dinamarca, bem como, na Itália e na Holanda, estendendo esta sua viagem ao continente americano, onde visitou os Estados Unidos, o Equador e o Peru. Em 1958, visitou outros países hispano-americanos, tendo estado com grupos indígenas e observado ruínas arqueológicas no Peru, Costa Rica, Honduras, Guatemala e México. Voltou ainda uma vez à Europa, em 1960, ocasião em que revisitou alguns países, tais como a Áustria, a Alemanha, a Itália e a França; neste último país, nessa oportunidade, integrou um grupo internacional de estudiosos, que visitou cavernas pré-históricas. Em 1961, retornou ao México onde visitou sítios arqueológicos pré-colombianos. Suas viagens de estudo ao exterior levaram-no a produzir alguns textos específicos, que foram publicados, tais como: "Um indigenista do Brasil no sudeste norte-americano" (1951a) e "Primitivos da Argentina" (1954h) (ver o item bibliografia de Herbert Baldus).

Nota-se em Baldus interesse especial pelos autores de língua alemã, particularmente os alemães que contribuíram para o conhecimento dos índios do Brasil, com ensaios em língua germânica, como se percebe em seu trabalho "Beiträge in deutscher Sprache zur Indianerforschung in Brasilien (1954-1958)" (1959). Porém, sua simpatia e dedicação ao estudo das obras de autores estrangeiros, bem como à sua divulgação, transcendiam esse grupo de cientistas; em 1969, Baldus publicou o ensaio "Schweizer als Indianerforscher in Brasilien", no qual apresenta, cataloga e comenta "americanistas" suíços.

De 1953 a 1960, Herbert Baldus foi Diretor do Museu Paulista da USP (também conhecido como Museu do Ipiranga), função da qual se afastou para dedicar-se exclusivamente às atividades científicas, pois os encargos administrativos interferiam de forma negativa em seu campo de trabalho principal. Diferente do que ocorreu nos demais anos, naquela instituição, no ano de seu afastamento da direção do Museu, Baldus levou ao público um número menor de trabalhos de sua autoria, tendo publicado apenas dois, sendo um no Jornal do Folclore - "Curt Nimuendajú" - e o outro na revista Anhembi - "Antropologia Aplicada e o indígena brasileiro". Neste último trabalho, o autor, após citar Darcy Ribeiro, em seu ensaio importante "Culturas e línguas indígenas do Brasil"9, no trecho em que este antropólogo faz comentários a respeito da integração à sociedade nacional dos índios Fulniô de Pernambuco, faz uma crítica ao texto de Ribeiro, que é bem própria de seu temperamento polêmico, conforme a seguir: "Deixando de lado a discussão sobre possibilidades de reconstrução da 'antiga cultura' em apreço e sobre a propriedade do termo 'absolescências' para designar as línguas e as culturas dos povos da América do Norte, da Europa e do Brasil acima mencionados, acho que a generalização de estarem as culturas e as línguas indígenas brasileiras 'destinadas a se descaracterizarem na medida em que a sociedade nacional cresça' revela encarar o autor esses processos quase 'sub espécie aeternitatis', mas não num prazo adequado para o estudo de tais problemas. Quem sabe se no ano de 1999 ou de 2459, os Fulniô e outras tribos não continuarão ainda obstando a uma 'homogeneidade de desenvolvimento' da 'sociedade nacional', ainda que, pelo seu número, constituíssem obstáculos insignificantes? Em todo caso, Darcy Ribeiro poderia aparecer como o herdeiro mais ou menos modernizado da mentalidade imperialista portuguesa se as suas últimas publicações não nos ensinassem, felizmente, o contrário". É evidente que a crítica de Baldus a Ribeiro, nesse episódio, é séria e indica claramente divergências, então existentes quanto às orientações teóricas e às perspectivas nas percepções de cada um do processo em curso nas relações sociais entre sociedades indígenas e a sociedade nacional10.

Baldus era irônico e tinha seus momentos de amenidades, características de personalidade que podem ser percebidas por intermédio do episódio que narra em seu livro Tapirapé: Tribo tupi do Brasil Central (1972: 277-8), envolvendo ele próprio e Charles Wagley, conforme a seguir: "Parece que os Tapirapé acreditam em concepção mágica, embora saibam ser a gravidez conseqüência das relações sexuais. Em 31 de março de 1942 contou-me o Dr. Wagley o seguinte: Nos primeiros tempos em que esteve em Tampiitaua, ouviu de repente: 'Lá vem Dotoí'. Sabia que era este o nome com que as mulheres e crianças da aldeia costumavam me tratar, acrescentando o diminutivo 'i' ao título pelo qual o camarada Daniel me chamava. Wagley, surpreso, virou-se e viu aproximar-se não o colega de São Paulo, mas um menino Tapirapé. 'Onde está Dotoí?', perguntou. Indicaram-lhe o menino. 'Mas Dotoí está longe', objetou. Então ensinaram-lhe que o menino também se chamava Dotoí, por ser filho do Dotoí de São Paulo. E como prova dessa relação de parentesco mostraram ao etnólogo que o menino, como seu longínquo genitor, não tinha buraco no lábio inferior para o uso do tembetá, como se vê nos meninos Tapirapé da sua idade. Numa obra cientificamente seca como esta, não é preciso tomar em consideração o que Wagley pensou de mim e se ele comparou a cor da pele do Dotoí II com a das outras crianças ao redor. Basta dizer que ele é meu amigo e o norte-americano mais compreensivo que conheço. Naturalmente não deixou de perceber que a idade do menino correspondia mais ou menos ao número de anos passados desde a minha estada em Tampiitaua. Verificou também que Vuanomanchí estava desempenhando o papel de pai do rapazinho. E Vuanomanchí tinha sido meu amigo íntimo, em 1935". A par do insólito e do pitoresco da narrativa - que remete, também, às situações embaraçosas em que um etnólogo pode ver-se envolvido, involuntariamente -, o trecho citado exibe, em poucas palavras, o domínio da técnica literária e da língua portuguesa a que chegou o alemão de nascimento Baldus.

Em 1961, Baldus assumiu a cadeira de Etnologia Brasileira, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, no interior do Estado de São Paulo.

A propósito da 65º aniversário de nascimento de Herbert Baldus, Hans Becher editou, em Hannover, um volume comemorativo de Völkerkundliche Abhandlungen - "Beiträge zur Völkerkunde Südamerikas" (Festgabe für Herbert Baldus zum 65. Geburtstag) (1964), no qual trinta especialistas em assuntos americanistas, brasileiros e de outras nacionalidades, compartilham textos de suas autorias em homenagem ao ilustre aniversariante11.

Herbert Baldus foi um estudioso especialmente interessado na cultura material dos povos tribais; sua obra está permeada de abordagens a propósito da produção ergológica indígena. Um exemplo importante, no qual nosso autor se coloca profundamente tocado pela arte pictórica indígena, encontra-se em seu substancioso ensaio "Os carimbos dos índios do Brasil" (Revista do Museu Paulista, 1961-1962). Neste trabalho, Baldus, fundamentando-se em pesquisas realizadas por diversos etnólogos, tais como Nordenskiöld, Linné, Koch-Grünberg, Darcy Ribeiro, Krause, Vilma Chiara, A. Métraux, Nimuendaju, Egon Schaden, P. Frikel, Loureiro Fernandes, Crocker, Maybury-Lewis, Albisetti e Venturelli, Eduardo Galvão, Meggers e Evans, Schultz e outros, faz um extenso estudo objetivando construir uma síntese sistematizadora dos conhecimentos acumulados sobre esses instrumentos de produção artística indígena. Com base, principalmente, em trabalhos publicados por aqueles autores, em depoimentos pessoais e mesmo em correspondências trocadas com alguns deles e, secundariamente, em sua experiência de campo, Baldus registra os diversos tipos de carimbos produzidos em diferentes sociedades indígenas atuais, bem como em sociedades do passado, já extintas. Entre aquelas sociedades, as peças se reportam aos povos Mbyá-Guaikuru, Karajá, "Kayapó", Mayongong, Palikur, Aparaí, "Guarani", Kaingang, Rankokamekra-Canela, Krahó, Apinayé, Xerénte, Bororo, Tiriyó, Kaxúyana e Amahuáka; quanto aos povos extintos, os carimbos se referem às culturas Tupinambá, Marajoára, Tarumá e Manacapurú. O autor descreve os objetos, muitos dos quais se encontram em museus de diferentes países do mundo, propõe uma classificação tipológica dos mesmos, tomando como referência a hipótese de "áreas culturais indígenas", de Eduardo Galvão, e registra problemas etnográficos e etnológicos pendentes, como sugestões para novas pesquisas. O trabalho é enriquecido com abundantes ilustrações constantes de desenhos e fotografias de carimbos de diversos tipos, assim como, com fotos de cenas de carimbagens, além de extensa bibliografia12.

O excelente artigo de Baldus "O xamanismo", publicado na Revista do Museu Paulista (1965-1966), é um trabalho certamente único na bibliografia etnológica brasileira, com a singularidade de ser uma abordagem não especificamente sobre esta instituição em uma sociedade determinada, mas sim, um estudo amplo, aberto e de caráter teórico. Fundamenta-se, predominantemente, em bibliografia referente a autores que se dedicaram ao estudo deste tema, contendo, também, sua contribuição pessoal relativa às observações diretas que procedeu no campo. À medida que o texto avança, o autor insere, em um crescendo, suas interpretações teóricas pessoais sobre o tema, particularmente nos itens que se referem ao xamã e o grupo social, a instituição, o status e a ambivalência do ser xamã.

* * *

Como se constata, esse autor versátil e de grande produtividade teve a publicação de sua obra marcada por alguns eventos principais:

• a publicação, em 1931, do livro Indianerstudien im nordöstlichen Chaco (230 pp.), sua primeira destacada obra científica, na qual faz estudos comparativos sincrônicos entre os grupos indígenas Chamacôco e Kaskihá, do Paraguai, e os Mbiá-Guarani, de Mato Grosso;
• a publicação do livro Ensaios de Etnologia Brasileira (346 pp.), em 1937, reunindo importantes trabalhos seus sobre diferentes grupos indígenas, tais como os Bororo, os Terêna, os Kaingang, os Guayaki, os Karajá, os Tapirapé;
• a publicação da obra Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira, em 1954 (1º volume) e em 1968 (2º volume); e
• a publicação, já próxima à sua morte, do livro Tapirapé: tribo tupi do Brasil Central (511 pp.).

Nos Ensaios de Etnologia Brasileira (1937a), Baldus estuda temas sociais variados, com ênfase nas abordagens de religião, e desenvolve, com evidente intenção didática, diversos itens na área da teoria antropológica. Por exemplo, indaga "O que é etnologia?" e responde: "Literalmente: a ciência do povo ou dos povos, isto é, a ciência que estuda as diversas modalidades totais de um povo e suas relações com as modalidades de outros povos. A palavra povo significa, aqui, unidade cultural. Assim, a etnologia estuda a unidade cultural no que diz respeito à sua singularidade local e temporal e às suas relações com outras unidades culturais. A etnologia limita-se ao estudo das chamadas culturas primitivas, por ser ainda uma ciência em formação" (Baldus, 1937: 17). Como se percebe, este ensaio tem um caráter didático e preliminar, no qual o autor desenvolve, sinteticamente, conceitos teóricos, como os acima, em uma antropologia que enfatiza os estudos de cultura. Assim, também, na citação a seguir: "Cultura, no sentido que lhe dão os etnólogos, é a expressão harmônica total do sentir, pensar, querer, poder, agir e reagir de uma unidade social, expressão essa que nasce de uma combinação de fatores hereditários, físicos e psíquicos, com fatores coletivos morais, e que, unida ao equipamento civilizador (instrumentos, armas etc.), dá à unidade social a capacidade e a independência necessárias à luta material e espiritual pela vida. Um dos problemas principais da etnologia é estudar a mudança contínua desta expressão e as causas dessa mudança" (idem). Baldus também estabelece diferenças conceituais entre etnologia e antropologia, as quais considera "ciências auxiliares uma da outra" (: 18), e entre etnologia e etnografia, e sentencia: "o etnólogo será sempre etnógrafo; e o etnógrafo não poderia, sem conhecimento etnológico, fazer trabalho útil" (: 19). Quanto ao livro como um todo, o autor esclarece: "Intitulei o presente livro Ensaios de Etnologia Brasileira, embora ele tenha, na maior parte, caráter puramente etnográfico. Mas esse material etnográfico serve, principalmente, para estudar um problema etnológico, qual seja a mudança de cultura entre índios no Brasil" (idem)13. Em seguimento, Baldus indaga: "E por que estudamos etnologia? Estudamos os chamados povos primitivos para, com base nos conhecimentos assim adquiridos, poder estudar melhor os povos chamados de alta cultura" (: 20), atribuindo, dessa maneira, um caráter instrumental à etnologia que, segundo essa concepção, atuaria como vetor para estudos que Baldus considerava, à época, que estavam fora de seu campo específico de abordagem, mas que já, evidentemente, os valorizava a partir do olhar antropológico. O ensaio de Baldus do qual extraímos essas citações acima, nesse item, intitula-se "Etnologia Brasileira" e ainda é nele que nosso autor faz, especificamente, crítica à posição da Igreja em face dos índios nos primeiros tempos da colonização, conforme a seguir: "Era mais cômodo, para os cristãos que avançavam apresentar esses povos estranhos (povos periféricos, povos não cristãos) como seres de ordem inferior, para melhor explorá-los, combatê-los e subjugá-los. No ano de 1537, o papa Paulo III declarava numa bula que os índios eram homens. Semelhantes deliberações eram tomadas, em parte, para privar os colonos europeus dos trabalhadores indígenas e aproveitá-los, economicamente, só para a Igreja. Os célebres defensores da liberdade do índio, como, por exemplo, o bispo Las Casas, não se opuseram à importação de escravos africanos para a América" (1987: 21). Imprimindo essa orientação analítica e interpretativa, Baldus, em 1937, fazia florescer um tipo de abordagem histórica dialética, que só anos mais tarde veio a tornar-se mais freqüente nos estudos etno-históricos que se desenvolveram no Brasil. Esse foi, portanto, um dos posicionamentos pioneiros de Baldus na antropologia brasileira.

Nesse mesmo livro (1937), Baldus divulga abundantes dados etnográficos sobre o culto aos mortos pelos índios Kaingang (: 19-69); desenvolve amplo estudo sobre a posição social da mulher entre os Bororo Orientais (: 112-62) e, além de outros temas importantes, retoma o estudo da mudança cultural em sociedades indígenas (: 187-275). No ensaio sobre a posição social da mulher Bororo, faz descrições do meio ambiente em que vivem esses índios, bem como, das características físicas da população estudada, suas vestimentas, adornos pessoais e a alimentação; reitera a informação de que "entre quase todos os povos primitivos da América do Sul é a mulher que leva a carga durante as marchas, enquanto o homem só anda com as armas na mão" (: 118), mas discorda de que, em razão deste costume, a mulher seja "oprimida ou escrava", como a consideram viajantes apressados e missionários católicos. Nesse ensaio aborda também temas tais como: o parto e a colaboração do homem; restrições ("resguardo") da mãe; o couvade; processos abortivos; o infanticídio (a propósito, declara: "Entre os Bororo estas causas [de infanticídio] são disfarçadas pela crença que estabelece uma conexão entre a criança esperada e ainda não nascida e os maus sonhos de um dos parentes e especialmente da própria futura mãe" [: 121]); iniciações de jovens; menstruação; divisão do trabalho por sexo (informa: "a criança, nos primeiros anos, é guardada pela mãe", [: 129]); metades exogâmicas; sistema de casamento; organização matrilinear; vida sexual (refere que a monogamia predomina; que "a homossexualidade e o onanismo são desconhecidos entre os Bororo, como entre a maior parte das tribos de índios visitados por mim" [: 146]; que "ambos os sexos não guardam severamente a fidelidade conjugal" [: 149]; que há ciúmes e ocorrem brigas, duelos entre mulheres por ciúme); os mexericos entre mulheres, de umas em relação às outras; a participação em cantos e danças por ambos os sexos; a morte; as mudanças socioculturais por influência da sociedade dominante, principalmente dos padres salesianos. Ao desenvolver este tema, neste ensaio específico, Baldus se reporta às mudanças nas culturas materiais e "espirituais" (sic) dos Kaingang, Bororo, Karajá e Tapirapé, e define: "Entendemos por 'mudança de cultura' a alteração na harmônica expressão global de todo o sentir, pensar e querer, poder, agir e reagir de uma unidade social, expressão que nasce de uma combinação de fatores hereditários, físicos e psíquicos, com fatores coletivos morais, e que, unida ao equilíbrio civilizador, como, por exemplo, instrumentos, armas etc., dá à unidade social a capacidade e a independência necessária à luta material e espiritual pela vida" (: 276), ou seja, nosso autor retoma, nesta conceituação de mudança de cultura, sua definição de cultura (: 17), conforme acima; classifica as causas da mudança de cultura em causas que vêm de "dentro", isto é, da própria unidade cultural e as que vêm de "fora", ou seja, de outra unidade cultural; porém, neste ensaio, restringe-se ao estudo das causas originárias de "fora", como as "influências européias" (: 306); desenvolve, também, a questão do espaço de tempo da mudança de cultura, da mudança parcial de cultura e da mudança total de cultura. Note-se que Herbert Baldus considera as culturas indígenas como subculturas brasileiras (1968: 83).

No complexo trabalho monográfico Tapirapé: Tribo tupi do Brasil Central, Baldus apresenta análises e interpretações de suas observações realizadas entre os Tapirapé, nas visitas que fez a esse grupo em 1935 e 1947. Trata-se de um estudo exaustivo, no qual estuda as diferentes ordens estruturais - culturais, econômicas e sociais - dos Tapirapé e usa o método comparativo ao cotejar esta sociedade com as de outros grupos indígenas da área em torno do rio Araguaia. Traz à sua obra material etnográfico propiciado por outros pesquisadores, entre os quais, e principalmente, Charles Wagley, do qual apresenta, polemicamente, discordâncias. Suas discrepâncias com Wagley já se haviam evidenciado em outras oportunidades, como, por exemplo, em "Zur Häuptlingsfrage bei den Tapirapé"(1968b), no que diz respeito à chefia no grupo Tapirapé.

Baldus foi constituidor de uma obra de grande perenidade, trabalhando, por um lado, com objetivos didáticos, de esquematização e da produção de conhecimentos e informações para o setor acadêmico e para o público em geral, e, por outro, concretizando um grande projeto de documentação sistemática com vistas ao desenvolvimento da pesquisa científica nos campos da etnologia e da etnografia. Nesse âmbito, inscrevem-se tanto suas sinopses, resenhas e notícias sobre obras e autores nacionais e estrangeiros, que trabalharam no Brasil - sendo exemplos magníficos dessa sua tarefa brilhantemente desenvolvida os dois volumes de sua Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira14 -, como suas reconstituições dos acervos históricos constantes das contribuições aos estudos antropológicos dos grupos indígenas do Brasil propiciadas por missionários, cronistas, viajantes, artistas e etnólogos, desde a carta de Pero Vaz de Caminha até nossos dias. Na linha de abordagem dos estudos históricos, o "Ensaio sobre a história da Etnologia Brasileira" (1943) é modelar, por propiciar indicações fundamentais sobre autores e as características de seus estudos ao longo da história do país, desde então, abrindo perspectivas para as abordagens dos grupos indígenas em situação de contato, estudos estes que viriam a ser um veio fundamental nas abordagens de antropológos brasileiros, sobretudo a partir do início da segunda metade deste século. As digressões de Baldus, naquele ensaio, abriram caminhos científicos, que muitos vieram a trilhar15.

Em seus textos antropológicos, produzidos de forma quantitativamente volumosa e sobre os mais variados temas, Baldus usava exemplarmente linguagem clara e direta - conforme o preceito de estilística para textos científicos que adotava - nas formulações das explanações, quer as descritivas, quer as interpretativas das questões relacionadas com as sociedades e culturas indígenas e com a produção científica em antropologia. Intelectualmente autêntico e detentor do saber científico, Baldus produziu textos complexos, porém expressos em forma transparente. Os trabalhos que produziu sempre tiveram ampla divulgação, no Brasil e no exterior. Há textos de Baldus que, mesmo no Brasil, foram publicados mais de uma vez, bem como, os que vieram à lume em mais de uma língua, em diversos países, como, por exemplo, o "Ensaio sobre a História da Etnografia Brasileira", que se tornou público por intermédio do jornal O Estado de S. Paulo (9,11 e 16 set. 1943), mas que também foi divulgado no Boletim bibliográfico da Biblioteca Pública Municipal de São Paulo (1943b) e no Manual bibliográfico de estudos brasileiros, do Rio de Janeiro (1949), além de, ampliado, voltar a aparecer na Introdução ao primeiro volume da sua Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira (1954a), tendo ainda sido publicado, em espanhol, na Revista Mexicana de Sociologia (1943, vol. 2). Muitos de seus textos, principalmente os primeiros, foram divulgados em língua alemã, como no caso do ensaio "Die Allmutter in der Mythologie zweier südamerikanischer Indianerstämme", que saiu publicado no Archiv für Religionswissenschaft (1932a), tendo sido traduzido para o francês por Alfred Métraux e inserido na Revista del Instituto de Etnología (1932, vol. II)16.

Na obra de Baldus, predominam as abordagens dos temas sociais a partir da análise de dados empíricos da realidade, característica que, no entanto, não o levou a omitir-se quanto aos estudos de natureza teórica. Em seu artigo intitulado "Difusionismo, concentrismo e funcionalismo" (1941a), desenvolve, com muita clareza, inicialmente, uma explanação crítica em torno do difusionismo, centrado nas contribuições de Lafitau, Ratzel, Froebenius, Schimidt e outros, para logo discorrer sobre o método ao qual denomina de concentrismo, "para frisar o contraste com o difusionismo", e, enfim, tratar do funcionalismo, já enfatizando a importância das "relações estruturais". Ao analisar o difusionismo, sua análise-crítica passa pelos conceitos de "ciclos culturais" e de "áreas culturais", conforme as abordagens de Boas, Wissler e Kroeber. Tendo o trabalho em foco sido publicado em 1941, Baldus, então, ainda podia referir-se que o método e as propostas relativas a "áreas culturais" da América do Sul ainda não haviam sido "realizados, que eu saiba, no Brasil" (1941a: 131); só depois foram divulgadas as hipóteses de antropólogos norte-americanos - Cooper (1942); Kroeber (1948); Steward (1948); Murdock (1951) - e a proposta de "áreas culturais indígenas do Brasil" do brasileiro Eduardo Galvão, em 1960. Com lucidez, Baldus desenvolve considerações teóricas a propósito do difusionismo, conforme a seguir: "Por ignorar as relações estruturais e funcionais que os traços estudados têm em sua cultura, seu valor para a compreensão da cultura é secundário, pois os difusionistas não conseguem senão formar hipóteses sobre migrações e processos de transferências. Indubitavelmente, foi imenso o número destes processos, no mundo inteiro. Levando-se em consideração a abundância de alterações e de transformações operadas na maioria dos fenômenos culturais, evidencia-se o fato de só podermos constatar a sua transferência local ou temporal, quando conservam a sua forma de modo reconhecível. Esta conservação se dá, porém, só em número reduzido de casos. É por isso que uma teoria como o difusionismo, que considera esse número restrito de transferências como objeto de investigação, não poderá desempenhar um papel decisivo na Etnologia" (: 130). Para caracterizar o concentrismo, nosso autor refere que esse método "naturalmente, aproveita também qualquer oportunidade para verificar, deste modo, uma transferência. Mas considera os parentescos culturais como problema secundário, pois encara, em primeiro lugar, a concentração e não a difusão dos elementos culturais, quer dizer, a sua integração em uma determinada cultura e não a sua expansão pelo espaço e tempo" (: 131). Baldus aponta Koch-Grünberg como um dos pesquisadores que trabalharam com "métodos concentristas", no Brasil. No mesmo ensaio, Baldus refere-se a Bastian que, conforme sua interpretação, estudou o fato cultural como objeto psicológico e desenvolveu a teoria das "idéias-de-povo" (Völkergedanken), lançando a semente do funcionalismo. Destaca, na escola funcionalista, os etnólogos Radcliffe-Brown, Thurnwald17 e Malinowski, e, procurando caracterizar a postura funcionalista do primeiro destes, registra que - cf. Mühlmann - Radcliffe-Brown realizou o "estudo das designações de parentesco em conjunto com os deveres, direitos e outras funções - sociais - de seus portadores". Em sua obra, Baldus ora foi um funcionalista, como seu mestre Thurnwald, ora imprimiu uma orientação concentrista, tendo esta última tendência teórica predominado em seus estudos sobre grupos indígenas. No final desse ensaio sobre correntes teóricas em antropologia, Baldus, sempre animado a contribuir para o melhor desempenho de nossos etnólogos no campo, delineia orientações metodológicas da maior utilidade para a prática da pesquisa antropológica, apresentando-as em linguagem cristalina e dando ênfase à necessidade de o pesquisador, no campo, procurar assumir diferentes papéis, em face do seu objeto de estudo, tendo em vista atingir a maior objetividade, como um experimentador, conforme se pode ler em suas próprias palavras: "O etnólogo, ao assumir o papel de Vaz de Caminha, deve estar consciente de sua condição como experimentador, o qual, por ser componente integrante de sua própria experiência, precisa ser tomado em consideração tanto como seu objeto. Conseguindo o etnólogo esse reconhecimento bilateral, no qual encara a interação entre si mesmo como experimentador e o objeto, conseguindo, assim, o que chamamos ganhar distância de si mesmo, aproxima-se, cada vez mais, da objetividade" (1941a: 139)18.

Para concluir, podemos dizer que a experiência militar do jovem Baldus, na guerra, em seu país de origem, não moldou sua personalidade e seu comportamento político ao longo da vida. Segundo nossa opinião, Baldus foi um antiprussiano por excelência, um pacifista antinazista, um liberal progressista, um democrata convicto, um humanista empolgado pela causa da sobrevivência dos povos indígenas19. Com o advento de sua morte, alguns de seus amigos e/ou discípulos publicaram artigos em sua homenagem20,21. Na oportunidade do 10º aniversário do falecimento de Herbert Baldus, o eminente etnólogo foi homenageado no evento promovido em sua memória, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, patrocinado por esta escola e pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo22.

Relatar a volumosa e polivalente obra de Herbert Baldus é uma tarefa extremamente complexa, não apenas devido ao grande número de trabalhos produzidos, ao longo de cinqüenta anos de ação científica, mas, principalmente, pela variedade dos temas desenvolvidos, comprometidos com tantas áreas das ciências sociais. Seu saber científico, à medida que ia sendo concebido, como fruto de seu trabalho diuturno no campo, nas bibliotecas e em seu gabinete, era divulgado por intermédio de periódicos e de livros, incessantemente publicados. Dessa obra e de sua vida, sendo aquela fruto desta, oferecemos uma síntese ilustrativa neste ensaio. Sua obra científica se cataloga em diferentes campos da antropologia, exprimindo a constituição de conhecimentos científicos ao longo da vida, que se caracterizou pela laboriosa ação de documentação das sociedades e culturas indígenas e pela luta em sua defesa23.

 

Notas

1 Trabalho apresentado à mesa-redonda, em 29/10/1999, no Departamento de Antropologia da USP, como parte integrante do Seminário Herbert Baldus, realizado sob o patrocínio desse Departamento e do Museu de Arqueologia e Etnologia-MAE/USP, em homenagem a Herbert Baldus, a propósito do centenário de seu nascimento ocorrido nesse ano.

2 Registramos, preferentemente, no corpo deste texto, os títulos dos trabalhos de autoria de H. Baldus e as datas das suas publicações, deixando para o item a seguir Bibliografia do autor, que é produto da pesquisa que embasou este ensaio, as demais informações bibliográficas.

3 Em texto produzido para as homenagens realizadas do décimo aniversário do falecimento de Baldus.

4 Charles Wagley (1980) revela que "Herbert Baldus foi de início meu professor (apesar de nunca ter estado formalmente com ele)". Por sua vez, o autor do presente ensaio, quando de seus estudos de pós-graduação, na Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais, da FESP-SP, não teve o privilégio de contar com Baldus entre seus professores, porque ele se encontrava inativo naquela escola à época (1964-1965); porém, teve a satisfação de conhecê-lo pessoalmente, ao participar de sua palestra inteligente, em visita ao seu gabinete de trabalho, no alto do Museu Paulista (USP), e de participar com o mesmo de eventos científicos.

5 O caso desse índio Bororo que foi exposto por Baldus no ensaio publicado em 1937 (cf. no item Bibliografia de Herbert Baldus) também foi adotado como tema por Florestan Fernandes que, em 1945, escreveu o texto "Tiago Marques Aipoburéu: um Bororo marginal" para o Seminário sobre os índios no Brasil, dirigido por Herbert Baldus.

6 Baldus, sendo grandemente interessado nos estudos da temática da mudança cultural, inclusive na vertente denominada aculturação, abordou esses temas em muitos de seus trabalhos, como em: "A mudança de cultura entre os índios no Brasil" (1937a) e "Was ist seit 1500 aus dem Indianer Brasiliens gewordem?" (1962a), entre outros. Neste último trabalho, estuda os comportamentos recíprocos envolvendo índios e brancos desde 1500 e as questões de mudança cultural.

7 Florestan Fernandes defendeu a tese A função social da guerra na sociedade Tupinambá (1952), dedicando-a a Herbert Baldus e Roger Bastide.

8 O autor do presente texto esteve ao lado de Baldus, nesse Simpósio, no qual foi o relator de um dos temas oficiais.

9 Publicado em Educação e Ciências Sociais, vol. II (6), Rio de Janeiro, 1957.

10 Outro exemplo importante de envolvimento de Baldus em polêmica se encontra no fato narrado a seguir. Baldus e Florestan Fernandes vieram a polemizar em decorrência da publicação pelo primeiro de um comentário a propósito do livro de Fernandes - A Etnologia e a Sociologia no Brasil (1958). A referência de Baldus à obra de Fernandes saiu publicada no artigo "A Etnologia Histórica no Brasil" (O Estado de S. Paulo, 28 set. 1959. Suplemento Literário) e provocou uma forte reação do autor citado, que se manifestou no artigo intitulado "A 'Etnologia Histórica' no Brasil" (notar os títulos dos dois artigos), publicado no Suplemento Literário, daquele mesmo diário paulista - edição de 23 jan. 1960. Tratava-se de interpretações discrepantes entre os mesmos a respeito do mesmo tema.

11 Entre os homenageantes, encontram-se: Joseph Haekel (Viena) - "Zum Geleit"; Hans Becher (Hannover) - "Carl Richards ethnographische Beobachtungen in Venezuela im Jahre 1820"; Robert L. Carneiro (New York) - "Shifting Cultivation among the Amahuaca os Eastern Peru"; William H. Crocker (Washington) - "Extramarital Sexual Practices of the Hamkokamekra-Canela Indians"; Gertrude E. Dole (New York) - "Shamanism and Political Control among the Kuikuro"; Florestan Fernandes (São Paulo) - "Aspectos da educação na sociedade Tupinambá"; Protásio Frikel (Belém, Pará) - "Das Problem der Pianokotó-Tiriyó"; René Fuerst (Genebra) - "La Peinture collective des femmes Xikrin (Contribution à l'étude des Indiens Kayapo du Brésil Central)"; Eduardo Galvão e Mário F. Simões (Belém, Pará) - "Kulturwandel und Stammesüberleben am oberen Xingú, Zentralbrasilien"; Cestmir Loukotka (Praga) - "Alguns suplementos ao trabalho 'Culturas e Línguas Indígenas do Brasil'"; Anton Lukesch (Graz) - "Indianische Persönlichkeit bei dem Gé-Volk der Kayapó"; Betty G. Meggers e Clifford Evans (Washington) - "Genealogical and Demographic Information on the Wai Wai of British Guiana"; Nobue Myazaki (Marília) - "Breves notas sobre a socialização da criança em duas tribos Aruake"; Roberto Cardoso de Oliveira (Rio de Janeiro) - "Totemismo Tukúna"; Donald Pierson (U.S.A.) - "Life in a Brazilian Village"; Egon Schaden (São Paulo) - "Ethnographische Notizen zu einem Chicha-Tanzlied der Kayová"; Emilio Willems (Nashville) - "San Andrés: Continuity and Change in the Culture of a Caribbean Island"; Otto Zerries (Munique) - "Ausgewählte Holzschnitzarbeiten der Brasilien-Sammlung Spix und Martius von 1817/20 im Völkerkunde-Museum zu München" etc.

12 A propósito desse ensaio, Melatti (1970) comenta: "Herbert Baldus oferece um exaustivo estudo dos carimbos utilizados pelos índios do Brasil, tendo elaborado mesmo uma tipologia" (: 149).

13 A propósito dessa valorização por Baldus do tema de mudança cultural em populações indígenas do Brasil, Galvão (1979) faz o seguinte comentário, agrupando nosso autor com outros antropólogos que considera terem idêntico interesse, entre os quais ele próprio: "Repetiríamos na prática a comunicação do professor Baldus, pois nos trabalhos mais recentes, a partir de Nimuendajú e desse etnólogo, seguindo com os de Wagley, Schaden, Watson, Oberg, Altenfelder Silva, Ribeiro, Galvão, Murphy e Hohenthal, mesmo se não trazem, como acontece em sua maioria, definido em título principal ou subtítulo o tema aculturação, constituem, todos eles, análises de culturas indígenas em transição, e em que o principal fator de mudança deriva de uma situação de contato com populações rurais brasileiras" (: 127).

14 Aos quais se somou, em seqüência, o terceiro volume organizado por Thekla Hartmann.

15 Roberto Cardoso de Oliveira (1964), referindo-se a Baldus, entre outros, faz a seguinte observação: "Essa preocupação sobre o destino das populações tribais é uma constante na etnologia brasileira, desde os trabalhos de Nimuendajú e Baldus, até Schaden, Galvão e Darcy Ribeiro. O enraizamento de todos eles à realidade nacional - e não apenas indígena - permitiu-lhes, de certo modo, repensar os problemas colocados pelas teorias de aculturação, caracteristicamente descomprometidas com as sobrevivências das populações tribais" (:26-7).

16 Referência a este mesmo artigo, traduzido do francês para o português, aparece no item Notas à Bibliografia de Herbert Baldus, no final do presente ensaio.

17 "Tomemos como ponto de referência antigos cursos de Lévi-Strauss e de Herbert Baldus: o primeiro dava grande atenção às possibilidades teóricas de descrição das comunidades humanas e às diretrizes metodológicas em que elas repousavam, procurando descobrir em que consistia a contribuição positiva e as limitações de cada uma delas; o segundo, como antigo aluno de Thurnwald, nunca defendeu intransigentemente o funcionalismo, esforçando-se, ao contrário, para pôr em evidência as vantagens e as desvantagens de outras orientações metodológicas, como a 'concentrista' e a 'difusionista', no estudo de comunidades indígenas brasileiras" (Fernandes, 1975: 135).

18 A propósito da questão da pesquisa etnológica em nosso país, é oportuno o registro que faz Ianni (1966): "Algumas das principais críticas à problemática e às tendências teóricas dos estudos brasileiros de etnologia e sociologia foram formuladas em A Etnologia e a Sociologia no Brasil, de Florestan Fernandes. Essas reflexões associadas com os artigos e ensaios de Herbert Baldus, Egon Schaden, Charles Wagley, Marvin Harris, Thales de Azevedo e outros, oferecem um quadro bastante amplo sobre a formação geral e os aspectos particulares das pesquisas etnológicas e sociológicas no Brasil" (: 24).

19 Registre-se, aqui, o que pensa Darcy Ribeiro (apud Galvão, 1979: prefácio) sobre Herbert Baldus: "Na geração dos pais fundadores [o autor refere-se aos fundadores do que chama de 'nossa família de etnólogos brasileiros'], temos três figuras esplêndidas: Herbert Baldus, poeta-cientista, teutônico, mulherengo, prussiano, romântico e antifascista. Foi quem nos trouxe as luzes de Thurnwald, que nos livraram de tanta tolice norte-americana; mas foi principalmente quem nos tangeu para o estudo dos índios lá nos matos onde eles viviam. A ele devemos também haver organizado criticamente a bibliografia etnológica brasileira, desmonopolizando a informação livresca que tantos tolos, anteriormente, em seu primarismo, escamoteavam e escondiam".

20 Trabalhos publicados, então, em homenagem a Baldus: "Hommage à Herbert Baldus (1899-1970)", por René Fuerst; "Herbert Baldus - 1899-1970", por Hans Becher; o editorial "Herbert Baldus - In Memoriam", nos Anais do Museu de Antropologia, da Universidade Federal de Santa Catarina, e o editorial da Revista do Museu Paulista, sob o título "Herbert Baldus (1899-1970)".

21 Citações de alguns trechos desses pronunciamentos: de Fuerst (1971): "Avec a mort du professeur Herbert Baldus, les derniers indiens du Brésil ont perdu l'un de leur plus grands connaisseurs et plus sincères défenseurs, la science américaniste l'un de ses plus illustres membres et moi-même un ami dont l'exemple, l'impulsion et la critique ont contribué au déroulement de ma modeste carrière" (: 35-6); de Becher (1972): "Through Herbert Baldus, São Paulo became the undisputed heart of Americanistic research in South America, for he was the first to systematize the studies of South American ethnology" (: 1307-12); do Editorial (UFSC) (1971): "Herbert Baldus - In Memoriam - Baldus não apenas descrevia e interpretava fatos das culturas primitivas em face da sociedade nacional envolvente, mas preocupava-se constantemente pelo futuro dessas populações. Prova disso são os muitos artigos e conferências que deixou sobre política indigenista no Brasil" (: 144-5); do editorial (Museu Paulista): "Herbert Baldus (1899-1970)" - "Alemão de nascimento, Herbert Baldus continuou em nossos dias, como já se escreveu, toda uma tradição científica de raízes germânicas voltada para as culturas indígenas sul-americanas, tradição que vai de Martius a Kurt Nimuendajú, por ele continuada sob um enfoque tipicamente brasileiro, aperfeiçoando dessa perspectiva as rotas pioneiras de um Couto de Magalhães ou de um Teodoro Sampaio".

22 Evento realizado a 24 de outubro de 1980. Nessa oportunidade, em texto de Charles Wagley, este antropólogo depõe: "Herbert Baldus e eu estávamos ligados um ao outro durante mais de trinta anos pelo interesse que ambos mantínhamos pelo índio brasileiro e mais especificamente pelos estudos sobre uma pequena tribo: os Tapirapé do Brasil Central" (Gainesville, out. 1980).

23 Ver a exaustiva bibliografia de Herbert Baldus, um dos itens deste artigo.

 

Bibliografia

BECHER, H.
1964 "Beiträge zur Völkerkunde Südamerikas" (Festgabe für Herbert Baldus zum 65. Geburtstag), Völkerkundliche Abhandlungen, Hannover.
1972 "Herbert Baldus - 1899-1970", American anthropologist, vol. 74(5).         [ Links ]

EDITORIAL.
1968-69 "Herbert Baldus (1899-1970)", Revista do Museu Paulista, vol. XVIII.
1971 "Herbert Baldus - In Memoriam", Anais do Museu de Antropologia da UFSC, ano IV(4).         [ Links ]

FERNANDES, F.
1946 "Tiago Marques Aipoburéu: um Bororo marginal", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. CVII.
1960 "A 'Etnologia Histórica' no Brasil", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 23 out. 1960. Suplemento Literário.         [ Links ]
1963 Organização social dos Tupinambá, São Paulo, Dif. Européia do Livro.         [ Links ]
1970 A função social da guerra na sociedade Tupinambá, São Paulo, Liv. Pioneiro.         [ Links ]
1975 Investigação etnológica no Brasil e outros ensaios, Petrópolis, Vozes.         [ Links ]

FUERST, R.
1971 "Hommage à Herbert Baldus", Bulletin de la Societé Suisse des Américanistes, n. 35.

GALVÃO, E.
1960 "Áreas culturais indígenas do Brasil: 1900-1959", Boletim do Museu Paraense "Emílio Goeldi", Belém, n. 8.
1979 Encontro de sociedades, Rio de Janeiro, Paz e Terra.         [ Links ]

HARTMANN, T.
1984 Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira, vol. III. Völkerkundliche Abhandlungen, Band IX, Herausgegeben von Hans Becher, Dietric Reimer Verlag, Berlim.

IANNI, O.
1966 Raças e classes sociais no Brasil, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.

MELATTI, J. C.
1970 Índios do Brasil, Brasília, Coordenada.

OLIVEIRA, R. C. de
1964 O índio e o mundo dos brancos, São Paulo, Dif. Européia do Livro.

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1957 "Culturas e língua indígenas do Brasil", Educação e Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 2(6).
1979 "Prefácio", in GALVÃ0, E. (org.), Encontro de sociedades, Rio de Janeiro, Paz e Terra.         [ Links ]

SAMPAIO-SILVA, O.
1992 "Herbert Baldus: vida e obra - introdução ao indigenismo de um americanista teuto-brasileiro", Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, n. 2.

SOUZA, C. C.
1953 "O método Rorschach aplicado a um grupo de índios Kaingang", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. VII.

WAGLEY, C.
1980 Herbert Baldus: in memoriam, Florida/Gainnesville, University of Florida.

 

Bibliografia de Herbert Baldus*

1925 "Eduard Hörhan", Germania, Wochenbeilage zur Deutschen Zeitung, 47. Jahrgang, n. 38, São Paulo, 18-9-1925.

1927 "Os índios Chamacoco", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XV.

1929 "Ligeiras notas sobre os índios Guaranys do litoral paulista", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVI1.

1930 "Beim Oberhäuptling der Kaskihá-Indianer", Der Erdball, Berlin, vol. IV.

1931a "Notas complementares sobre os índios Chamacoco", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVII.

1931b "Kaskihá-Vokabular", Anthropos, Viena, vol. XXVI.

1931c "Ein Tag der Tumerehá-Indianer", Der Erdball, Berlin, vol. V.

1931d Indianerstudien in nordöstlichen Chaco, Forschungen zur Völkerpsychologie und Soziologie, Leipzig, vol. XI2.

1932 a "Die Allmutter in der Mytologie zweier südamerikanischer Indianerstämme", Archiv für Religionswissenschaft, Leipzig, vol. XXIX3.

1932 b "Njandutti", Welt und Wissen, Berlin, vol. XXI.

1932 c "Erland Nordenskiöld", Sociologus, Leipzig, vol. VIII.

1932 d "Beiträge zur Sprachenkunde der Samuku-Gruppe", Anthropos, Viena, vol. XXVII.

1933 "Völksüberlieferungen aus Paraguay. Die Geschichten von Pora und Pombero", Der Weltkreis, Berlin, vol. III.

1934 "Meine Forschungsreise im östlichen Südamerika", Anthropos, vol. XXIX, Viena.

1935 a "Die Erbfolge der Häuptlinge bei den Tereno", Ethnologischer Anzeiger, Stuttgart, vol. IV4.

1935 b "Sprachproben des Kaingang von Palmas", Anthropos, Viena, vol. XXX.

1935 c "Ligeiras notas sobre os índios Tapirapés", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. XVI.

1935 d "Conceito moderno de etnologia", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. XVIII.

1936 a "Ligeiras notas sobre duas tribos Tupis da margem paraguaia do alto Paraná", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XX5.

1936 b "Licocós", Espelho, Rio de Janeiro, n. 21.

1937 a Ensaios de etnologia brasileira, São Paulo, Editora Nacional, Biblioteca Pedagógica Brasileira6.

1937 b "Tereno-Texte", Anthropos, Viena, vol. XXXII7.

1937 c "As pinturas rupestres de Sant'Ana da Chapada (Mato Grosso)", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. XL.

1938 a "Kulturwandel bei Indianern in Brasilien", Archiv für Anthropologie und Völkerforschung, N.F., Bd. XXIV, Heft 3/4, Braunschweig8.

1938 b "Uma ponte etnográfica entre o Xingu e o Araguaia", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. XLIII.

1938 c "Die Doppelfolge", Archiv für Anthropologie und Völkerforschung, N.F., Dd. XXIV, Heft 3/4, Braunschweig9.

1938 d "A obra de Karl von den Steinen", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. L.

1939 a Dicionário de Etnologia e Sociologia (em co-autoria com Emilio Willems), São Paulo, vol. 17, Biblioteca Pedagógica Brasileira, série 4a, Iniciação Científica10.

1939 b "A necessidade do trabalho indianista no Brasil", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. LVII11.

1939 c "Herrschaftsbildung und Schichtung bei Naturvölkern Sudamarikas". Archiv für Anthropologie, Völkerforschung und Kolonialen Kulturwandel, N.F., Bd. XXV, Braunschweig.

1940 a "Instruções gerais para pesquisas etnográficas entre os índios do Brasil", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. LXIV12.

1940 b "O conceito do tempo entre os índios do Brasil", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. LXXI.

1940 c "Teoria e prática etnológicas", Sociologia, São Paulo, vol. II (4)13.

1941 a "Difusionismo, concentrismo e funcionalismo", Sociologia, São Paulo, vol. III (2).

1941 b "Maximiliano Príncipe de Wied-Neuwied", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. LXXIV.

1941c "Casas e túmulos japoneses no vale do Ribeira de Iguape" (em colaboração com Emilio Willems), Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. LXXVII.

1942 a "Aldeia, casas, móveis e utensílios entre os índios do Brasil", Sociologia, São Paulo, vol. IV(2).

1942 b "Cultural change among Japanese immigrants in Brazil" (em co-autoria com E. Willems), Sociology and Social Research, California, vol. XXVI(6).

1943 a "Sinopse de cultura Guayaki", Sociologia, São Paulo, vol. V(2).

1943 b "Ensaio sobre a história da etnologia brasileira", Boletim Bibliográfico da Biblioteca Pública Municipal de São Paulo, São Paulo, vol. I14.

1944 a "Novidades tupinológicas", Boletim Bibliográfico, São Paulo, ano I, vol. IV15.

1944 b "Problemas indigenistas do Brasil", América Indígena, México, vol. IV.

1944 c "Comunicação e comércio entre os índios do Brasil", Sociologia, São Paulo, vol. VI(3).

1944 d "O rio Tapirapé", Anais do IX Congresso Brasileiro de Geografia, Rio de Janeiro, vol. V16.

1944 e "Os Tapirapé, tribo tupi do Brasil Central", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. XCVI17, 18.

1945 a "Franz Boas e a Alemanha", Boletim Bibliográfico, São Paulo, vol. VII19.

1945 b "Curt Nimuendajú", Boletim Bibliográfico, São Paulo, vol. VIII20.

1945 c "Possibilidades de pesquisas etnográficas entre os índios do Brasil", Boletim Bibliográfico, São Paulo, vol. IX21, 22.

1946 Lendas dos índios do Brasil, São Paulo, Brasiliense23.

1946 a "The Guayaki" (em colaboração com A. Métraux), Handbook of South American Indians, Washington, vol. I.

1946 b "Almofariz de pedra encontrado no município de Cunha, Estado de S. Paulo", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. CVII24.

1946 c "Os Tapirapé, tribo tupi do Brasil Central", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. CVII25.

1947 a "Os Kaingang do Ivaí", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. I.

1947 b "Chavante", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 1 e 4 jan.

1947 c "Cultura material", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 e 18 jun.

1947 d "Voltando do Araguaia", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 25 out., 5, 7 e 9 nov.

1947 e "Vocabulário zoológico Kaingang", Arquivo do Museu Paranaense, Curitiba, vol. VI.

1947 f "Aplicação do psico-diagnóstico de Rorschach a índios Kaingang" (co-autoria com Aniela Ginsberg), Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol I26.

1948 a "Aquisição de sustento entre os índios do Brasil", Sociologia, São Paulo, vol. X(4).

1948 b "Fontes primárias para o estudo dos índios do Brasil quinhentista", Publicação do Instituto de Administração, São Paulo, n. 2827.

1948 c "É belicoso o Chavante?", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 jul. e 6 ago.28.

1948 d "Novidades americanistas", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 out.

1948 e "Relatório da Secção de Etnologia", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. II29.

1948 f "Tribos da bacia do Araguaia e o Serviço de Proteção aos Índios", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. II30.

1949 a "Etno-Sociologia brasileira", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. III31.

1949 b "Georg Friederici 1866-1947", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. III.

1949 c "O problema da atração do indígena brasileiro ao contato com o branco", Folha da Manhã, São Paulo, 19 jun.32.

1949 d "Akkulturation im Araguaya - Gebiet", Anthropos, Freiburg/Schweiz, vol. XLI-XLIV, Heft 4-6.

1949 e "Novidades americanistas II", O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 ago.

1949 f "Sociedade Amigos do Índio", Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. CXXVIII33, 34.

1950 a "Kanaschiwuá und der Erwerb des Lichtes. Beitrag zur Mithologie der Karajá-Indianer". Beiträge zur Gesellungs-und Völkerwissenschaft, Festschrift zum achtezigsten Geburtstag von Professor Richard Thurnwald, Berlim35.

1950 b "A alimentação dos índios do Brasil", Sociologia, São Paulo, vol. XII(1).

1950 c "Bebidas e narcóticos dos índios do Brasil", Sociologia, São Paulo, vol. XII(2).

1950 d "Lendas dos índios Tereno", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. IV.

1950 e "A vida de Arthur Ramos e sua contribuição aos estudos indianistas", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. IV.

1951 a "Um indigenista do Brasil no sudeste norte-americano", América Indígena, México, vol. XI(1)36.

1951 b "Max Schmidt 1874-1950", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. V37.

1951/52 "Tonscherbenfunde in Nordparaná", Archiv für Völkerkunde, Viena, vol. VI/VII38.

1952 a "Periódicos etnológicos em língua alemã", Boletim Bibliográfico da Biblioteca Pública Municipal de São Paulo, São Paulo, vol. XX39.

1952 b "Breve notícia sobre os Mbyá-Guarani de Guarita", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. VI40.

1952 c "Caracterização da cultura tapirapé", Selected Papers of the XXIth. International Congress of Americanists, Chicago.

1952 d "Terminologia de parentesco Kaingang", Sociologia, São Paulo, vol. XIV(1)41.

1953 a "Karajá-Mythem", Tribus: Jahrbuch des Lindenmuseums, N.F., Stuttgart, vol. II-III (1952/53).

1953 b "Sinópse da história dos Kaingang paulistas", São Paulo em Quatro Séculos, I, Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, São Paulo42, 43.

1954 a Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira, São Paulo, Comissão do IV Centenário de São Paulo44.

1954 b Bibliografia comentada da Etnologia Brasileira (1943-1950), I, Rio de Janeiro, Série Bibliográfica de Estudos Brasileiros45.

1954 c "Richard Thurnwald 1869-1954", Revista de Antropologia, São Paulo, vol. II(1).

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1954 f "Publicações sobre os índios do Brasil nos últimos quinze anos (1939-1953)", Sociologia, São Paulo, vol. XVI(1)46.

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1958 b "Transformação cultural entre os japoneses do vale do Ribeira", Folha da Manhã, São Paulo, 18 jun.

1958 c "Contribuições à linguística gê", Miscellanen Paul Rivet octogenario dicata, México, vol. II.

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1959 b "Beiträge in deutcher Sprache zu Indianerforschung in Brasilien (1954-1958)", Mitteilungen aus dem Museum für Völkerkunde, Hamburg, vol. XXV59.

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1962 b "Escarificação e tatuagem entre os índios do Brasil", Humbold: Revista para o Mundo Luso-Brasileiro, Hamburgo, ano II, n. 368.

1962 c "Métodos e resultados da ação indigenista no Brasil", Revista de Antropologia, São Paulo, vol. X (1 e 2)69, 70.

1963 "Métraux e a Etnologia Brasileira", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XIV71, 72.

1964 a "Sinopse da bibliografia crítica da Etnologia Brasileira (1953-1960)", Arquivos do Instituto de Antropologia, Natal, vol. I(2)73.

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1964 d "O xamanismo na aculturação de uma tribo tupi do Brasil Central", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XV75, 76, 77.

1965 a "Rondon e o índio, no centenário de seu nascimento: 5 de maio de 1865", Humboldt: Revista para o Mundo Luso- Brasileiro, Hamburgo, ano 5, n. 1278.

1965 b "A contribuição de Anchieta ao conhecimento dos índios do Brasil", Anchietana, São Paulo79.

1965-66 "O xamanismo", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVI.

1965-66 "Harold Schultz 1909-1966", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVII80, 81.

1966-67 "Mondfinsternins bei den Tapirapé", Folk, Copenhagen, vol. VIII-IX.

1967 "Aspectos da organização social tapirapé: tripartição, dualidade e graus de idade", Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVII82, 83.

1968 a Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira, vol. II, Völkerkundliche Abhandlungen, Band IV, Hannover84.

1968 b "Zur Häuptlingsfrage bei den Tapirapé", Zeitschrift für Ethnologie, Band 93, Heft 1, n. 2, Braunschweig85.

1968-69 "Vertikale und horizontale Struktur in religiösen Weltbild südamerikanischer Indianer", Anthropos, vol. 63-64, St. Augustin.

1969 "Schweizer als Indianerforscher in Brasilien", Bulletin de la Societé Suisse des Américanistes, Génève, n. 3386.

1970 a Tapirapé: tribo tupi no Brasil Central, São Paulo, Ed. Nacional/Edusp, Brasiliana87.

1970 b Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira, vol. I., Kraus Reprint, Völkerkundliche Abhandlungen, Nendeln/Liechtenstein, vol. III88.

1971 a "Jaká-Rendy", Universitas - Revista de Cultura da Universidade Federal da Bahia, Salvador, n. 6-7.

1971 b "Einfürung" (Symposium Neue Engebnisse der Indianerforschung in Brasilien), Verhandlungen des XXXVII Amerikanistenkongresses (Stuttgart-München, 1968), München, Band III89.

1973 "Curt Nimuendajú (1883-1945)", Humboldt, München, n. 28.

1976 "O visitante", in Schaden, E. (org.), Leituras de Etnologia Brasileira, São Paulo, Ed. Nacional.

1979 Ensaios de Etnologia Brasileira, 2. ed., São Paulo, Ed. Nacional90.

 

Notas à bibliografia de H. Baldus

* Esta Bibliografia de Herbert Baldus é parte integrante deste artigo. Acompanha esta bibliografia uma série de notas explicativas, informativas e complementares. Estas notas também se referem a outros textos do autor publicados nos mesmos anos catalogados nesta bibliografia.

1 Republicado, em língua alemã, como apêndice de Indianerstudien im nordöstliche Chaco (1931).

2 Livro de 230 páginas. Nesse mesmo ano, Baldus publicou, na Alemanha, a novela Madame Lynch.

3 Traduzido para o francês - "La 'Mère commune' dans la mythologie de deux tribus sudaméricaines (Kágaba et Tumerehã)" - por Alfred Métraux, e publicado na Revista del Instituto de Etnología (Tucumán, vol. II, 1932). Também traduzido, em 1985, para o português - "A 'Mãe comum' na mitologia de duas tribos sulamericanas (Kágaba e Tumerehã)" - por Orlando Sampaio-Silva, como parte do presente estudo sobre a obra de Baldus.

4 Este artigo, em português - "A sucessão hereditária dos índios Tereno" -, foi publicado, também, na Revista do Arquivo Municipal (São Paulo, vol. XVII, 1935), e consta dos Ensaios de Etnologia Brasileira (1937).

5 Baldus trata, neste trabalho, dos índios Kaingá e Guaiaki. Sobre estes últimos, publicou outros artigos em 1943 e em 1946, tendo o autor destas notas encontrado referência a que estaria sendo publicado, post-mortem, o artigo "Die Guayaki", em Anthropos, St. Augustin (Revista do Museu Paulista, vol. 68-69), porém, não o localizou em volumes da Anthropos, a partir de 1970.

6 Livro de 346 páginas, em sua primeira edição, prefaciado por Affonso d'Escragnole Taunay, que contém diversos ensaios que também foram publicados em periódicos, como "Os grupos de comer e os grupos de trabalho dos Tapirapé", publicado, em alemão, em Pindorama (São Paulo, Jg., Heft 2/3, 1937).

7 Consta deste ensaio o comentário de Baldus à monografia "Guaná", de Max Schmidt (1937).

8 Publicado, em português - "A mudança de cultura entre os índios no Brasil" -, em Ensaios de Etnologia Brasileira (1937).

9 Também está contido, em português, no Dicionário de Etnologia e Sociologia (H. Baldus e E. Willems, 1939).

10 245 páginas.

11 Com pequenas modificações, foi publicado em América Indígena, (vol. IV, 1944), com o título: "Problemas indigenistas no Brasil", e no Boletim Geográfico (ano V, n. 54, 1947).

12 Republicado no Boletim Geográfico (Rio de Janeiro, n. 47, 1947).

13 Baldus publicou, ainda, em 1940, "Nos sertões do Brasil de Fritz Krause" (Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. LXVI) e "A viagem pelo Brasil de Spix e Martius" (idem, ibidem, LXIX).

14 Publicado anteriormente em O Estado de S. Paulo (9, 11 e 16 set. 1943) e, posteriormente, no Manual bibliográfico de estudos brasileiros (Rio de Janeiro, 1949). Em 1943, foi também publicado, em espanhol, na Revista Mexicana de Sociologia (México, vol. V(2)), e, ampliado, veio integrar a "Introdução" ao primeiro volume da Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira (1954).

15 Também foi publicado em O Estado de S. Paulo (22 jun. 1944).

16 Esta comunicação, sendo mais ampla, contém o Capítulo I de Tapirapé: tribo tupi no Brasil Central, livro editado em 1970.

17 Sob esse título, Baldus publicou, nos anos subseqüentes, até 1949, ensaios na Revista do Arquivo Municipal (vols. XCVI a CXXVII - exceto os vols. CVI, CXXV e CXXVI), os quais foram reunidos, mais tarde, "com modificações e acréscimos", em seu livro com o mesmo título já referido.

18 Contribuiu à área de Etnologia da 5a edição do Pequeno dicionário brasileiro da Língua Portuguesa, de 1944, tendo sua colaboração sido reimpressa nas edições subseqüentes do Dicionário.

19 Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo, (22 nov. 1945), e, mais tarde, em versão em alemão, no Deutsche-Blatter (Santiago do Chile, vol. XXIX, 1946).

20 Este necrológio foi publicado também em O Estado de S. Paulo (6 jan. 1946), com acréscimos, em Sociologia (vol. VIII(1), 1946); na versão em inglês (tradução de Charles Wagley), no American Anthropologist (vol. XLVIII(2), 1946); em alemão, em Deutsche-Blatter, vol. XXXI, (Santiago do Chile, 1946), tendo sido reeditado, em 1960, 1962 e 1973, "com ligeiras modificações".

21 Publicado originalmente em Acta Americana, vol. III(4) (México, 1945); posteriormente, no Boletim Geográfico (Rio de Janeiro, ano V, n. 53, 1947), e, atualizado e com complementações, sob o título "Indianerforschung in Brasilien", Sociologus (Berlim, vol. I(1), 1951).

22 Em 1945, Baldus publicou a "Introdução" e "Notas", em Os Caduveo, de Guido Boggiani.

23 Livro de 121 páginas.

24 Em 1946, pronunciou o discurso de paraninfo à turma de bacharéis em Ciências Políticas e Sociais, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o qual foi publicado no Anuário da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, em São Paulo, em 1946.

25 Grande parte deste artigo veio a ser publicada, mais tarde, com modificações, em Tapiraté: Tribo tupi no Brasil Central (São Paulo, Ed. Nacional/Edusp, 1970).

26 Em 1947, publicada sua "Introdução" a Índios de Mato Grosso, de Erich Freundt.

27 Republicado em Manual bibliográfico de estudos brasileiros (Rio de Janeiro, 1949) sob o título "Etnologia".

28 Republicado em Revista do Arquivo Municipal (São Paulo, vol. CXLII, 1951).

29 Os relatórios da Secção de Etnologia do Museu Paulista, estando esta sob a direção de Herbert Baldus, foram publicados naquele mesmo veículo de divulgação, nos volumes dos anos: 1949, 1950, 1951, 1952, 1953, 1954, 1956-58, 1959 e 1960.

30 Em 1948, Baldus publicou, também:

• "Revista do Museu Paulista" (O Estado de S. Paulo, São Paulo, 17 abr.).

• "Introdução" e "Notas" a Contribuições para a Etnologia do Brasil, de Paul Ehrenreich (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. II).

• Comentário à Bibliografia morfológica humana da América do Sul, de Juan Comas (ibidem).

• Comentários a Prehistoric Ceramic Styles of Lowland South America, de George D. Howard (ibidem).

31 Prefácio à Organização social dos Tupinambá, de Florestan Fernandes (1949). Foi também publicado em O Estado de S. Paulo, em 20 e 30 mar. 1949.

32 Publicado novamente na Revista do Arquivo Municipal (São Paulo, vol. CXLII, 1951).

33 Publicado anteriormente em O Estado de S. Paulo (1 dez. 1948).

34 Resenhas de autoria de Baldus publicadas em 1949:

• "Zwischen Anden und Atlantic", de Hans Krieg (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. III).

• "Gangewartsprobleme Berliner Familien", de Hilde Thurnwald (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. III).

35 Publicada a versão em português sob o título: "Kanaschiwua" (Cultura, Rio de Janeiro, vol. IV, 1951). Esta matéria complementa o ensaio "Mitologia Karajá e Tereno", publicado em Ensaios de Etnologia Brasileira (1937).

36 No mesmo ano foi editado em Anhembi (São Paulo, vol. I(2)) sob o título "Entre índios norte-americanos".

37 Reeditado no Boletim Bibliográfico de Antropologia Americana (México, vol. XIII, parte I, 1951), e, em alemão, no Zeitschift für Ethnologie (Braunschweig, vol. LXXVI, Heft 2, 1951).

38 Em 1951, Baldus publicou, na Revista do Museu Paulista (São Paulo, vol. V), fragmentos referentes a resenhas de:

• "Der Mensch geringer Naturbeherrschung", de Richard Thurnwald;

• "Mythe , Mensch und Umwelt", de Ad. E. Jensen;

• "Nomads of the long bow", de Allan R. Holmberg;

• "Culture in crisis", de Laura Thompson.

39 No mesmo ano foi reeditado na Revista do Museu Paulista (São Paulo, vol. VI).

40 Transcrito na Revista do Museu Júlio de Castilhos e Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, n. 8, 1957), com omissão da bibliografia constante da primeira publicação.

41 Baldus publicou ainda, em 1952:

• Uma apresentação ao Cenas da vida indígena, álbum dos índios do Xingu, de Manuel Rodrigues Ferreira.

• Resenha de Mythos und Kult bei Naturvölkern, de Ad. E. Jensen (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. VI).

• Resenha de Des Menschengeites Erwachen, Wachsen und Irren, de Richard Thurnwald (ibidem).

• Resenha de Personality and Government, de Laura Thompson (ibidem).

• Resenha de The Race Question in Modern Science, de Juan Comas (ibidem).

42 Reproduzido em Revista do Museu Júlio de Castilhos e Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, n. 8, em 1957.

43 Outras publicações de Baldus, em 1953:

• "Psicologia Ética", em Psicologia Moderna, de Otto Klineberg e cols.

• Prefaciou o Mitos e lendas dos índios Taulipang e Arekuna, de Koch-Grünberg (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. VII).

• Resenha de Tupari, de Franz Gaspar (ibidem).

• Resenha de Magic Books from Mexico, de C. A. Burland (ibidem).

• "Fragmento sobre Julius F. Glück und F. Jäger-Tribus" (ibidem).

44 Livro de 859 páginas, na 1a edição. Saiu em 2a edição em 1970.

45 Trata-se de um suplemento ao Manual bibliográfico de estudos brasileiros (1949). Esta bibliografia está contida no Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira (1954).

46 Este trabalho é um resumo que complementa a Bibliografia crítica da Etnologia Brasileirra (1954).

47 Reimpresso em Südamerika (Buenos Aires, vol. IV, 1954).

48 Em 1954, saiu à lume o "Prefácio" de Baldus a com o Vinte e três índios resistem à civilização, de Harold Schultz.

49 Editado em inglês: "The Ethnographical Study of the Brasilian Indian" (Ethnos, Stockholm, vol. XX, 1955).

50 Foram também publicados:

"Der 31 Internationale Amerikanistencongress" (Sociologus, N.S., Berlim, vol. V(12) 1955). A edição italiana deste mesmo artigo saiu na Rivista di Etnografia (Napoli, vol. XIII-IX, 1955);

Resenhas:

• "Maximiliam Prinz zu Wied", de Röder e Trimborn (Anhembi, Sào Paulo, n. 60, 1955);

• "Allgemeine Völkerkunde", de Kuntz Dittner (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. IX, 1955);

• "Wild und Buschgeiter in Südamerika" (ibidem);

• "Las Poblaciones Indigenas de la Argentina, su origen, su pasado, su presente", de S. Canals Frau (idem).

51 Em 1956, ainda publicou: "Der 32 Internationale Amerikanistencongress" ( Sociologus, N.S., Berlim, vol. VI.(2)), tendo sido publicada a versão em português, em Sociologia (São Paulo, vol. XVIII(4)), e a versão italiana, na Rivista di Etnologia (Napoli, vol. X).

52 Versão abreviada, em alemão: "Maximilian Prinz zu Wied in seiner Bedeutung für die Indianer Forschung in Brasilien", Proceedings of the Thirty-second International Congress of Americanists (Copenhagen, 1956), Copenhagen, 1958.

53 Este artigo foi publicado em versão para o alemão, em Sociologus (Berlim, vol. VIII, 1958).

54 A revista Anhembi (São Paulo, n. 88) reeditou este artigo.

55 Na Revista do Museu Paulista (São Paulo, vol. X, 1956-58), Baldus publicou as seguintes resenhas:

• "Wörterbuch der Soziologie", de Bernsdorf e Büllow;

• "Poesias", de José de Anchieta;

• "Die Wiener Schule der Völkerkunde", de J. Hackel.

56 O artigo sobre Rivet, no ano seguinte, foi novamente publicado: Actas del XXXIII Congresso Internacional de Americanistas (San José da Costa Rica, 1958), I, San José da Costa Rica, 1959, e na Revista do Museu Paulista (São Paulo, vol. XI, 1959).

57 Saiu publicado, também, nos Anais da III Reunião Brasileira de Antropologia (1958), Recife, 1959, e, em inglês - "The Fear in Tapirapé Culture" -, em Selected Papers of the Fifth International Congress of Anthropological and Ethnological Sciences (Philadelphia, 1956), Philadelphia, 1960.

58 Neste artigo, o autor comenta o livro de Florestan Fernandes, A Etnologia e a Sociologia no Brasil (1958), o que provocou a publicação, pelo autor comentado, de um artigo em resposta está referido no texto (cf. texto).

59 Em 1959, Baldus publicou, na Revista do Museu Paulista (São Paulo, vol. XI), os seguintes fragmentos e resenhas:

• "S. P. I. - 1954";

• "Zwettler-Codex 420", de Pauke;

• "Das Alte Amerika", de Hermann Trimborn;

• "Culturas e línguas indígenas do Brasil", de Darcy Ribeiro;

• "Arte plumária dos índios Kaapor", de Darcy Ribeiro e Berta G. Ribeiro;

• "Das Indianerbuch", de Eva Lips;

• "Tristes trópicos", de Claude Lévi-Strauss;

• "Mundurucu Religion", de Robert F. Murphy;

• "Lehrbuch der Völkerkunde", de Adam e Trimborn;

• "Völksdichtung der Ketschua", de J. Lara;

• "Sonderbauten südamerikanischer Naturvölker", de Immina Schömig;

• "De passagem pelo Brasil e Portugal", de Johan Brelin;

• "Cott muss Peruaner sein", de Hans-Dietrich Disselhoff;

• "Volksdichtung der Keschua", de L. Flachskampf e M. Trimborn;

• "Les céramiques précolombiennes", de H. Lekmann;

• "Die sozialökonomischen Verhältnisse bei den Azteken im 15 und 16. Jahrhundert", de Friedrich Katz;

• "Grundfragen menschlicher Gesellung", de R. Thurnwald;

• "Lehrbuch der Völkerkunde", Leonard Adam und M. Trimborn;

• "Etnografia de México".

60 Trata-se de publicação, com pequenas modificações, do artigo já divulgado em 1945 e 1946, sendo novamente editado em Humboldt: Revista para o Mundo Luso-Brasileiro (Hamburg, ano 2, n. 5, 1962).

61 Notas etnográficas - referentes principalmente aos Kaingang - ao Diário de uma viagem pelo sertão de São Paulo, realizada em 1904, de Cornelio Schmidt (Anais do Museu Paulista, São Paulo, vol. XV, 1961).

62 Em 1960, Baldus fez acréscimos etnográficos à 10a edição do Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. No mesmo ano, publicou notas e resenhas diversas:

• "O XXXIV Congresso Internacional de Americanistas" (Sociologia, São Paulo, vol. XX(4));

• "Die amerikanische 'Cultural Anthropology' und das Westproblem", de Wolfgang Rudolf (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XII);

• "História da Cultura", de Birket-Smith (ibidem);

• "Ethnographic Interpretations", de A. L. Kroeber (ibidem);

• "Xingu", de Wustmann (ibidem);

• "Compêndio alemão de etnologia" (Anhembi, São Paulo, n. 111);

• "Homenagem a Paul Rivet" (Anhembi, São Paulo,n. 118).

63 Republicado em Akten des 34 Internacionalen Amerikanistenkongress (Wien, 1960), Viena, 1962, e no Bulletin of the International Committee on Urgent Anthropological and Ethnological Research (Viena, n. 5, 1962).

64 Baldus foi o compilador e selecionador de estórias e lendas de autoria de diversos autores, tendo os textos sido adaptados por Afonso Schmidt, os quais foram publicados com Introdução de autoria de nosso autor em Antologia ilustrada do folclore brasileiro (I, São Paulo, 1960), sob o título "Estórias e lendas dos índios".

65 Um resumo deste substancioso ensaio foi publicado em língua alemã: "Die Stempel der Indianer Brasiliens" (Anthropos, St. Augustin, vol. LVII, 1962) (Festschift für P. Martin Gusinde).

66 Resenhas e comentários de Baldus publicados:

• "Chiliasmus und Nativismus", de Wilhelm E. Mühlmann (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XIII, 1961/62), que saiu, mais tarde, também, publicado no Jornal Brasileiro de Psicologia (I, n. 1, 1964);

• "Grundprinzipien einer Periodizierung der Urgeschichte", de Irmgard Sellnow (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XIII, 1961/62);

• "Kinder der Erdgöttin", de Hans-Dietrich Disselhoff (ibidem);

• comentário a Luiz Pericot y Garcia, América Indígena, tomo I (Revista do Museu Paulista, Sào Paulo, vol. XIII, 1961/62).

67 Também publicado em Humboldt: Revista para o Mundo Luso-Brasileiro (Hamburg, n. 4, 1962), e, também, no Brasilianisch Tage (Ingelheim am Rhein, 25 abr. 1970).

68 Este trabalho se constitui da maior parte do artigo "Os Tapirapé, tribo tupi no Brasil Central" (Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, vol. CVII, 1946), o qual, posteriormente, veio a integrar o livro Tapirapé: Tribo tupi no Brasil Central (São Paulo, Cia. Ed. Nacional/Edusp, 1970).

69 Voltou a ser publicado: "Metodos y resultados de la acción indigenista en el Brasil". Actas y Memorias del XXXV Congreso Internacional de Americanistas, México, 1964. Foi comunicação apresentada neste congresso, no México, a 21 de agosto de 1962.

70 Prefaciou a História da cultura, de Birket-Smith (1962).

71 Proferiu discurso, na qualidade de Presidente da VI Reunião Brasileira de Antropologia, o qual foi publicado na Revista do Museu Paulista (São Paulo, XIV, 1963).

72 Prefaciou a 2a edição de A organização social dos Tupinambá (1962), de Florestan Fernandes.

73 Versão em inglês, sob o título: "Sinopsis of the Critical Bibliography of Brazilian Ethnology, 1953-1960" (Indians of Brazil in the Twentieth Century, Washington, 1967).

74 Este trabalho complementa o "Sinopse da bibliografia crítica da Etnologia Brasileira (1953-1960)" (1964). Foi publicado também no Bulletin of the International Committee on Urgent Anthropological and Ethnological Research (Viena, n. 7, 1965), sob o título: "Introdução ao simpósio sobre o estado atual da Etnologia na América Latina". Saiu ainda publicado na Actas y Memorias, III, do XXXVI Congresso Internacional de Americanistas, Sevilha, 1966.

75 Outras publicações do mesmo artigo: em Humboldt: Revista para o Mundo Luso-Brasileiro (Hamburg, vol. XIV, 1966); em Actas y Memorias del XXXVI Congresso Internacional de Americanistas, III, Sevilha, 1966; e, em inglês, em Natives South Americans, Ethnology of the Least Known Continent (Boston, Little, Brown and Co., 1974).

76 Prefaciou o Folclore Nacional (São Paulo, 1964), de A. Mainard de Araújo.

77 Resenhas e comentários:

• "Waika", de Otto Zerries (Revista do Museu Paulista, São Paulo, XV, 1964);

• "Die Tacana", de Hissink und Hahn (ibidem);

• H. Hartmann: Georg Catlin und Balduin Möllhausen (ibidem).

78 Publicado, em francês, no Bulletin de la Societé Suisse des Américanistes (Genève, n. 29, 1965); saiu, também, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (São Paulo, vol. LXII, 1966).

79 Reeditado no Suplemento Antropológico de la Revista del Ateneo Paraguayo (Assunção, vol. 3(1-2), 1968).

80 Este necrológio, traduzido para o inglês por David Maybury-Lewis, foi publicado em American Anthropologist (Menasha, vol. LXVIII(5), 1966); identicamente editado em Humboldt (Hamburg, n. 16, 1967).

81 Resenhas e fragmentos:

• "Aculturação Indígena", de Egon Schaden (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVI, 1965-66);

• "The use of some specific kinds of South American Indian Snuff and Related Paraphernalia", de S. Henry Wassen (ibidem);

• "Descrição do Estado de Maranham, Pará, Corupa, Rio das Amazonas", de Mauricio de Heriarte (ibidem);

• "Manual de Arqueologia", de José Alcina Franck (ibidem).

82 Este trabalho também foi publicado anteriormente em Actas y Memorias, XXXVII Congresso Internacional de Americanistas (Argentina, 1966), vol. III, Buenos Aires, 1968, e, posteriormente, veio constar do livro Tapirapé: Tribo Tupi no Brasil Central (1970).

83 Resenhas e comentários:

• "Akawê-Shavante Society", de David Maybury-Lewis (Revista do Museu Paulista, São Paulo, vol. XVII, 1967); esta resenha saiu também publicada em Sociologus (Berlim, vol. XVIII, 1968);

• "Material Culture of the Waiwái", de Jens Yde (ibidem);

• "Viaggi tra gli Indi", de Ettore Biocca (ibidem);

• P. Florian Paucke S.J. - Zwettler-Codex 420, II (ibidem).

84 Com 864 páginas.

85 Saiu publicado Viagem pelo Brasil (1968), de Spix e Martius, com "Introdução" de Baldus.

86 Publicado Viagens ao Brasil (1969), de Maximiliano, Príncipe de Wied, com "Introdução" de Baldus.

87 Contém artigos publicados sobre os índios Tapirapé, a partir de 1944, aumentados e modificados.

88 2a edição.

89 Trata-se da "Introdução" ("Einfürung") à Bibliografia crítica da Etnologia Brasileira (vol. II, 1968).

90 Apresentação de Egon Schaden.

 

 

ABSTRACT: Herbert Baldus was a German-Brazilian anthropologist who played an important role in the development of anthropological research and knowledge in Brazil. His scientific work was intimately linked to his own life, spent mostly in this country, where he devoted himself to teaching, to research and scientific divulgation, as well as to the establishment of an official Indian policy bent on the preservation of indigenous populations. His theoretical contributions ranged from initial investigations on material culture and non-material culture to functional and structural approaches, while he also established the foundations for the study of cultural change of Indian societies in contact situations.

KEY-WORDS: Life, work, indigenism, preservationism, contact situation, cultural change.

 

 

Recebido em outubro de 1999.

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