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Revista de História (São Paulo)

versão impressa ISSN 0034-8309

Rev. Hist. (São Paulo)  no.168 São Paulo jan./jun. 2013

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.v0i168p9-13 

Editorial

Editorial

Eduardo Natalino dos Santos


A edição número 168 da Revista de História está composta por dois conjuntos de textos. O primeiro é constituído pelo dossiê O Atlântico equatorial: sociabilidade e poder nas fronteiras da América portuguesa, selecionado entre as diversas propostas inscritas na chamada pública realizada entre março e maio de 2012. Organizado por Patrícia Melo Sampaio, da Universidade Federal do Amazonas, e por Mauro Cezar Coelho, da Universidade Federal do Pará, o dossiê conta com oito artigos produzidos por especialistas em história indígena, administração colonial, movimentos migratórios ou na atividade missionária cristã. Em seu conjunto, oferecem uma contribuição significativa não apenas para a história indígena e colonial da região amazônica, mas também para a história colonial de modo geral, pois participam de uma das mais importantes discussões historiográficas em curso sobre a história do Brasil. Trata-se do debate acerca dos limites e alcances explicativos dos diferentes modelos interpretativos aplicados à nossa história colonial: mais gerais ou mais particulares em termos de abrangência regional e cronológica, que consideram um maior ou menor número de grupos e atores sociais na construção da sociedade colonial, que empregam uma lente macro ou microscópica. Sendo assim, além de trazer a atuação das populações ameríndias e suas relações com os portugueses à cena historiográfica, os estudos contidos nesse dossiê também apresentam contribuições significativas para o entendimento geral da política colonial lusitana, sua maleabilidade e relação com práticas locais que, muitas vezes, eram bastante singulares e até se opunham às diretrizes gerais do regime colonial lusitano. Essa proposta geral e a contribuição de cada artigo para a sua realização estão expostas de forma detalhada na apresentação do dossiê, na qual seus organizadores nos oferecem também uma breve história da historiografia dedicada ao mundo colonial amazônico. Em muitos artigos desse dossiê, percebe-se a influência direta ou indireta dos trabalhos e estudos de história indígena do professor John Manuel Monteiro, orientador ou colega de trabalho de vários autores. Falecido recentemente, a Revista de História considera oportuno e justo fazer essa menção a modo de homenagem ao colega.

A segunda parte desta edição da Revista de História é composta por quatro artigos e duas resenhas. O artigo Um sepulcro grande, amplo e fundo: saúde alimentar no Atlântico, séculos XVI ao XVIII, de Jaime Rodrigues, da Universidade Federal de São Paulo, analisa a crônica colonial e os diários de viagem para compreender quais eram os papéis dos regimes alimentares e dos problemas de saúde daqueles que cruzavam o Atlântico na constituição do universo das relações sociais e da vida material a bordo das naus. O artigo de Eliane Cristina Deckmann Fleck, "La sangre de los mártires es la semilla de cristianos nuevos": a consagração póstuma de missionários jesuítas (província jesuítica do Paraguai, séc. XVII), analisa as cartas ânuas e as biografias dos jesuítas do Seiscentos para evidenciar o papel pedagógico dos chamados atos heroicos e de virtude dos missionários, fundamental para o entendimento da atuação dos jesuítas e daqueles que, nessa época, pretendiam a salvação de suas almas. O artigo Estilo de minerar ouro nas Minas Gerais escravistas, século XVIII, de Francisco Eduardo de Andrade e Dejanira F. de Rezende, ambos da Universidade Federal de Ouro Preto, analisa as relações entre o direito e as formas de trabalho, de um lado, e as técnicas empregadas na atividade mineradora, de outro, mostrando que aqueles foram fundamentais na escolha e nas transformações das técnicas minerárias praticadas no território da Vila do Carmo na segunda metade do século XVIII. O último artigo, de Lucília Siqueira, da Universidade Federal de São Paulo, Os hotéis nas proximidades das estações ferroviárias da cidade de São Paulo (1900-1917), analisa processos-crime e jornais para compreender as motivações, hábitos e origem social dos que viviam em estabelecimentos de hospedagem, chegando, a partir disso, ao entendimento dos significados sociais atribuídos à hospedagem naquele período. Encerram essa edição da Revista de História duas resenhas. A primeira, de Affonso Celso Thomaz Pereira, do Instituto Federal do Rio de Janeiro, analisa a obra organizada por Ivan Jaksic e Eduardo Posada Carbó, intitulada Liberalismo y poder. Latinoamérica en el siglo XIX, uma coletânea de artigos inéditos sobre história política e intelectual relacionadas com a região e época mencionadas no título da obra, publicada no Chile no final de 2011. A outra resenha, de Fábio Duarte Joly, da Universidade Federal de Ouro Preto, analisa a obra editada por Sinclair Bell e Teresa Rambsy, Free at last! The impact of freed slaves on the Roman empire, publicada em Londres em 2012 e que apresenta um conjunto de artigos sobre os libertos e as formas de assimilação desses indivíduos à comunidade cidadã nas sociedades grega e romana.

Boa leitura a todos!

Eduardo Natalino dos Santos Editor

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