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Revista de História (São Paulo)

Print version ISSN 0034-8309

Rev. Hist. (São Paulo)  no.168 São Paulo Jan./June 2013

http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9141.v0i168p414-442 

Artigos

Os hotéis nas proximidades das estações ferroviárias da cidade de São Paulo (1900-1917)

The hotels located in the vicinities of the rail stations in São Paulo City (1900-1917)

Lucília Siqueira

1Universidade Federal de São Paulo

RESUMO

Fazendo uso de processos-crime e jornais, este artigo procura examinar os estabelecimentos de hospedagem da cidade de São Paulo nas imediações das estações ferroviárias dos bairros da Luz e do Brás, nas duas primeiras décadas do século XX. O texto aborda principalmente quem eram os hóspedes desses hotéis e por quais razões aí se hospedavam.

Palavras-Chave: História urbana; história de São Paulo; história dos hotéis

ABSTRACT

Based on criminal lawsuits as well as on newspapers, this article aims at looking into the hotels located in the vicinities of the rail stations of the districts of Luz and Brás in São Paulo City, in the first two decades of the 20thcentury. The text shall focus particularly on the profile of the guests of such hotels and on the reasons that led them to stay in these places.

Key words: Urban history; history of São Paulo City; history of hotels

As estações de trem e os hotéis em São Paulo 1

Na última segunda-feira de agosto de 1904, o jornal O Estado de S.Paulotrazia um anúncio onde se lia:

GRANDE HOTEL ROMA Rua da Estação São Paulo Recommenda-se ás exmas familias e aos srs. viajantes.

Naquela altura, no começo do Novecentos, anúncios como este eram comuns nos periódicos da cidade e a rua onde ficava o Roma já contava com inúmeros hotéis desde a década anterior, entre eles: hotel Ítalo-Brazileiro, hotel Maçã de Ouro, hotel Federal, hotel da Estação, hotel do Estado de São Paulo, hotel Sorocabano. Ainda próximos ao Roma, no entorno da estação da Sorocabana e da estação da Luz, a um quilômetro ao norte do triângulo central da capital paulista, havia mais hotéis na rua Brigadeiro Tobias, na rua dos Gusmões e na rua da Conceição, como o hotel de Paris, o hotel de Sylvio Fantoni, o hotel Vianna, a pensão Hamburgo, o hotel Hespanha, o hotel Albion, entre muitos outros.2

O crescimento da atividade cafeeira no Sudeste brasileiro a partir dos meados do século XIX trouxe grande desenvolvimento para a cidade de São Paulo. Quanto mais se desenvolvia, mais a capital paulista ultrapassava o território que se convencionou chamar de "triângulo", marcado pelas três ruas: Direita, São Bento e do Rosário ou da Imperatriz, hoje Quinze de Novembro. Para o assunto que vamos tratar aqui - quem se hospedava e por que razão nos hotéis próximos das estações ferroviárias -, é importante lembrar que, nas últimas décadas do século XIX e nas do começo do XX, o tecido urbano expandiu-se, do lado oeste e do norte, ultrapassando o curso fluvial do Anhangabaú e adensando-se nas proximidades da estação da Luz, nos distritos da Luz, de Santa Efigênia, Campos Elíseos e Bom Retiro. Na outra face do triângulo, para os lados leste e sul, a cidade ultrapassou o rio Tamanduateí e se espraiou em volta das linhas e estações de trem do Pari, do Brás e da Mooca.3

Foi na proximidade das estações ferroviárias da Luz e do Brás que surgiram mais hotéis e pensões. Desde 1888, quando se inaugurou no Brás a hospedaria dos Imigrantes em conjunto com a estação, muitos estrangeiros chegados de Santos e os que viviam em torno das atividades da imigração instalavam-se nas redondezas. Além do trem, esses bairros eram servidos pelo bonde; portanto, era possível chegar pela ferrovia e, dali, deslocar-se de bonde para outras regiões da cidade. Com pouquíssimas exceções, os hotéis em torno das estações de trem estabeleciam-se nas ruas servidas por bonde, ou nas quadras mais próximas dessas linhas, para facilitar a chegada e a partida dos hóspedes. As ruas e o bonde também se alastraram por outras partes da capital nessas primeiras décadas do século XX, como Higienópolis, Consolação, Liberdade, Cambuci, Paraíso etc.; mas, onde não havia o trem, não surgia tamanha concentração de hotéis. Confirmando a rapidez com que os hotéis se instalavam na área das estações ferroviárias, a pesquisadora Raquel d'Alessandro Pires encontrou 22 novos estabelecimentos hoteleiros entre 1890 e 1897 na avenida Rangel Pestana, onde ficavam a estação do Brás e a estação do Norte.4

Na Europa, nos meados do século XIX, onde as grandes cidades também inchavam em proporção nunca vista anteriormente, as estações ferroviárias foram ganhando importância, tornando-se edificações monumentais e sendo compreendidas, em associação com hotéis, restaurantes e outros equipamentos, como fundamentais para atender as multidões em movimento. Como se viu em Paris, as estações de trem provocavam valorização imediata dos terrenos no seu entorno e criavam problemas seguidos para os gestores públicos, pois a atração de gente e de negócios mudava várias vezes a configuração da área da estação em curtos espaços de tempo, obrigando a obras constantes para novos arruamentos e implantação dos equipamentos urbanos tão necessários à cidade contemporânea.5

Em São Paulo, deu-se o mesmo, isto é, as áreas das estações de trem eram as mais movimentadas da cidade e estavam entre as que mais reformas sofreram nessas décadas de grande transformação urbana.6 Para isso muito contribuiu a mudança gradativa das ferrovias como transportadoras de passageiros e não apenas de cargas.7 Além do mais, as estações ferroviárias não eram apenas equipamentos do sistema de transporte; eram marcos na paisagem e no tecido urbano, lugares de sociabilidade onde se podia comprar jornal, engraxar os sapatos, estar sob iluminação à noite, encontrar conhecidos...

No seu trabalho de livre-docência, Ferrovias, cidades, trabalhadores, 1870-1920, Ana Lúcia Duarte Lanna recorre a Michele Lambert para apresentar a estação ferroviária como uma porta da cidade: "A estação é como um nó pelo qual a vida da cidade se insere numa vasta rede, nacional e internacional".8 Os hotéis eram também como portas da cidade, no sentido de que, no seu interior, podia-se conviver com o que chegava de fora da localidade, com os estrangeiros e com novas práticas, fossem as relacionadas à viagem, ao comer, ao dormir, aos laços de sociabilidade e às relações de trabalho no setor de serviços.

Os trens e os hotéis andavam em associação no mundo todo e, no território paulista, inseriam-se numa rede em que algumas práticas iam para além da cidade. Examinando a circulação das revistas que surgiam na capital paulista no começo do século XX, Ana Luiza Martins lembra que os hotéis paulistanos eram um dos lugares preferidos para ler e consultar jornais e revistas; segundo a historiadora, as publicações iam junto com a ferrovia, pelas cidades do interior, onde podiam ser encontradas nos hotéis de beira de estação.9

Como apontou Heloisa Barbuy no estudo da cosmopolitização por que passou o triângulo central paulistano entre os anos de 1860 e 1914: "A modernidade era então realizada na conjugação de dois de seus principais elementos: as estações de trem e os hotéis".10 Entretanto, vale manter a advertência de Ana Lúcia Lanna de que não é possível sustentar que as ferrovias tenham provocado as mesmas consequências em todas as cidades onde chegaram, já que "As condições prévias, as particularidades de cada localidade interferiram de forma decisiva nos significados que a ferrovia trouxe para a organização do mercado de trabalho e do espaço urbano (...)".11 Busquemos, então, compreender a especificidade do passado paulistano.

Na historiografia, os hotéis paulistanos emergem como exemplares da história da arquitetura na cidade.12 Em geral, foram examinados os hotéis que se instalaram em grandes edificações e que tinham destaque no cenário urbano a ponto de terem permanecido nas fotografias mais conhecidas da cidade e nas páginas dos memorialistas, como o hotel d'Oeste, o Grande Hotel, a rotisserie Sportsman e o Esplanada, por exemplo. Como esses hotéis de grande porte cobravam mais caro pelos serviços de hospedagem e recebiam os hóspedes mais endinheirados, foram também tomados pelos estudiosos como sintomas do aburguesamento ou europeização dos hábitos de consumo e de lazer por que passava a capital paulista cada vez mais rica.13 Vistos dessa maneira, os hotéis reverberam o progressivo desenvolvimento da cidade de São Paulo, onde a hospedagem se fazia nas casas de particulares e por indicação pessoal até a metade do Oitocentos, quando o crescimento da atividade cafeeira veio incrementar a economia e o consumo na cidade com mais esta oferta de serviços.14

Investigados sob outras abordagens, os hotéis revelam mais sobre a história da cidade de São Paulo. Como novas formas de empreendimento para grupos diferentes, os hotéis contavam com grande diversidade de proprietários, cujos patrimônios tinham dimensões bastante distintas; uns hoteleiros eram muito ricos e possuíam variados negócios na cidade e mesmo fora dela, outros viviam com folga somente dos rendimentos do seu estabelecimento e outros, ainda, trabalhavam no seu estabelecimento, tinham poucos empregados e morriam devendo aos fornecedores os gêneros que usavam na cozinha ou no bar.15

Outra perspectiva de investigação que justamente se realiza neste artigo é a do entendimento das diversas maneiras e motivações de hospedagem que existiam em São Paulo no começo do Novecentos, isto é, como se expressaram entre as distintas camadas sociais, dos indivíduos recém-chegados à cidade e daqueles que nela habitavam há mais tempo os novos costumes de dormir fora do domicílio, de comer fora de casa, de beber e conversar num espaço que não é o doméstico.

Por meio de inventários post mortem, processos criminais e jornais, há alguns anos estudamos os hotéis de São Paulo nas últimas décadas do Oitocentos e nas primeiras do Novecentos.16 Tomamos por pressuposto que a cidade que aumentou em quase dez vezes o número de seus habitantes entre 1890 e 1920, pois passou de algo em torno de 65 mil habitantes em 1890 para quase 600 mil em 1920, tinha nos hotéis um pulso, um ponto de condensação da velocidade de sua transformação. Nos hotéis, e também nas pensões, podemos apreender as experiências de transitoriedade que caracterizavam as gentes que passavam pela capital ou aqui residiam: uns vinham para tratamento médico, uns para comprar mercadorias que vendiam no interior paulista, alguns vinham do interior para passear na cidade grande e usufruir as novas oportunidades de entretenimento, alguns negociavam café, muitos chegavam do exterior e ainda não tinham domicílio. Uma parte dos estrangeiros que morava na capital era de gente que permanecia solitária e, por isso, continuava residindo nos hotéis; eram os solteiros e viúvos, ou gente que tinha deixado a família para trás. Sem falar nas incontáveis pessoas que, mesmo não se hospedando propriamente nesses estabelecimentos, buscavam-nos para fazer as refeições, tomar umas bebidas com os amigos, namorar, realizar festas e recepções nos salões, encontrar meretrizes.

Ao se anunciarem nos jornais, os hotéis distinguiam os hóspedes entre "famílias" e "viajantes", como vimos na abertura deste artigo. Nas histórias guardadas nos processos-crime,17 há muitos tipos de gente que se hospedava na capital paulista. Nos autos, as pessoas que se encontravam no interior dos estabelecimentos de hospedagem na altura do crime são designadas por "hóspedes", "passageiros", "inquilinos", "moradores", "fregueses" ou "pensionistas". Aos poucos, história a história, hotel a hotel, constitui-se o quadro da diversidade dos grupos que viviam em torno dos estabelecimentos de hospedagem e apreendem-se os traços característicos dessas vivências.

Neste texto, documentam-se as experiências de hospedagem que se deram nos estabelecimentos hoteleiros localizados nas proximidades das estações de trem mais centrais da cidade de São Paulo nas duas primeiras décadas do século XX, ou seja, analisa-se quem foram os hóspedes das regiões da Luz e do Brás e por quais razões estiveram nesses hotéis naquele período. Vamos fazê-lo em dois tempos: numa primeira tomada, examinaremos as estadas mais prolongadas dos hóspedes mais estáveis e daqueles que moravam nos hotéis, fossem seus proprietários e/ou "gerentes", seus empregados ou os chamados "inquilinos" e "moradores", gente que estava no hotel há mais de mês e não tinha data para sair. Num segundo tempo, tomaremos as estadas mais rápidas, daqueles que estavam de passagem pela capital e ficavam num hotel por dias, em geral menos de uma semana.

As estadas mais longas: os "moradores" e "inquilinos" dos hotéis

Em março de 1905, no jornal A Pátria: Orgam da Colonia Portugueza no Brazil, que saía às quintas e domingos, viam-se os anúncios do hotel dos Viajantes e do hotel e restaurant Vianna.18

O hotel dos Viajantes apresentava no anúncio as vantagens que tinha a oferecer; em primeiro lugar, "em frente á Estação do Norte e do Braz"; depois, "Os srs. viajantes encontrarão quartos com commodidade" e "Completo sortimento de bebidas nacionaes e estrangeiras". Abaixo do nome do proprietário, a frase: "Comida a toda hora, tudo com prontidão e asseio." O nome do proprietário é o que aparece em letras maiores e, além disso, lembra-se aos leitores que a Rangel Pestana, onde está o hotel, era "a antiga Rua do Braz".

Pegado, neste exemplar de domingo, vinha o anúncio do hotel e restaurant Vianna, que ficava na rua da Conceição e afirmava o mesmo que o anterior, de modo ainda mais claro: "este estabelecimento está em condições de bem servir seus fregueses porque é dirigido pelos próprios proprietários". O Vianna oferecia "quartos mobiliados para familias e viajantes" e também oferecia a vantagem de estar próximo às estações da Luz e Sorocabana.

Nos dois anúncios estava bem destacada a cidade onde os hotéis se localizavam, São Paulo, o que se explicava pelo jornal ser distribuído em várias localidades.19

Tanto no Vianna como no hotel dos Viajantes aceitavam-se "pensionistas". Por este e outros exemplos, vê-se que "pensionista" designava uma forma de se relacionar com um estabelecimento de hospedagem que podia ser um hotel ou uma pensão. Quando os hotéis aceitavam pensionistas era porque estabeleciam relações estáveis com certos fregueses, que podiam ser apenas para fazer as refeições, diariamente, ou ainda para hospedar-se sem data para saída, como "moradores" do hotel. "Pensão", por sua vez, denominava um tipo de estabelecimento que poderíamos caracterizar como um hotel de pequeno porte, em geral funcionando no interior de um domicílio e comandado por uma mulher - embora muitos hotéis, até de médio porte, também funcionassem na edificação em que moravam seus proprietários.

No dia 12 de agosto de 1907, Sylvio Fantoni, dono de uma casa de câmbio na rua Florêncio de Abreu e de um hotel situado no número 100 da rua Brigadeiro Tobias, requereu ao delegado do posto policial da Primeira Delegacia da cidade de São Paulo que apreendesse as malas e os baús do copeiro e do cozinheiro do seu hotel por conta de uma quantia em dinheiro - cerca de 8 contos de réis - que havia desaparecido no primeiro dia daquele mês.20 Quem primeiramente deu alarme pelo furto foi a mulher de Sylvio. Ao entrar no seu quarto, onde o marido deixara a malinha de dinheiro da casa de câmbio, como fazia todos os dias no final da manhã, ela notou a janela aberta. Assustada, buscou o dinheiro e não o encontrou. Naquela hora, só o copeiro estava "dentro de casa", isto é, no interior do hotel. Ela o mandou imediatamente chamar o patrão à estação da Luz, pois era ali que ele ficava todas as tardes com os agentes de seu hotel, a "catar passageiros".

Era desse modo que os hotéis recrutavam hóspedes, pagando agentes para ficar nas estações ferroviárias, sobretudo nos horários de chegada dos trens que vinham de Santos, do Rio de Janeiro ou do interior da província. O que acontecia com os agentes deste hotel da Brigadeiro Tobias repetia-se na maior parte dos hotéis que ficaram documentados nos processos-crime da capital paulista: cada hotel tinha mais de um agente, possivelmente para dar conta das diferentes estações, sendo que havia agentes que moravam no hotel para o qual trabalhavam e agentes que tinham sua residência noutro local da cidade.

Fantoni, o dono do hotel, era nascido em Florença e tinha 27 anos. Morava no estabelecimento com sua esposa Lucia, de 21 anos, oriunda da Bolonha, assim como o seu sócio na casa de câmbio e no hotel, Simoni Catandella, que ali também vivia com a mulher. Os quartos dos casais de proprietários eram pegados ao quarto onde dormiam o copeiro e o cozinheiro. Em geral, os sócios Sylvio e Simoni trabalhavam de manhã na casa de câmbio e à tarde iam para as estações de trem juntamente com seus agentes para atrair os hóspedes.

O copeiro do hotel de Sylvio Fantoni era Leonardi Guido, um italiano de Turim, solteiro, de 29 anos, que logo nas primeiras declarações, ainda no inquérito, apresentou-se como enfermeiro e informou que morava ali mesmo, no número 100 da Brigadeiro Tobias. Ele desembarcara em Santos há menos de dois meses, vindo da Itália. Andou por Campinas uns dois dias e, não encontrando uma pessoa que procurava, voltou para São Paulo em busca de serviço, desta feita hospedando-se num hotel do largo do Paissandu. Logo em seguida, no começo de julho de 1907, passou a trabalhar no hotel de Fantoni como copeiro, por 30 mil réis mensais. No hotel, Leonardi Guido dormia no mesmo quarto do cozinheiro Rosario, outro italiano já com 50 anos de idade.

Os "inquilinos" do hotel vieram depor no caso do sumiço do dinheiro. Primeiramente, veio a inquilina Maria Ferti Ferreira, uma alemã de 25 anos, casada; disse que, naquelas horas em que acharam falta do dinheiro de Fantoni, Guido ficou sozinho no interior do hotel - "em casa", como disseram todos os depoentes -, pois as patroas Lucia e Rosina encontravam-se na cozinha e no quintal e as demais pessoas tinham saído. O marido de Maria era o português Manoel Diogo Ferreira, igualmente com 25 anos, descrito como "agenciador de hotel". Também moradora do hotel e denominada "inquilina" era a italiana Thereza Nachini, de vinte e poucos anos, casada, que na manhã seguinte ao roubo viu Leonardi Guido no fundo do jardim.

Entre as testemunhas, apareceu ainda o italiano Francisco Visco, de 30 anos, solteiro, que desembarcara em Santos junto com Leonardi Guido. Em junho, Visco chegara ao Brasil pela segunda vez; já morara por aqui algum tempo antes e tinha viajado para a Itália no começo do ano. Na mesma ocasião de Guido, arranjou trabalho como agente no hotel de Fantoni; no momento, morava na rua Visconde de Parnahyba. Além de afirmar que acreditava possível ter sido o copeiro do hotel o autor do furto, Visco contou que Guido viajara de terceira classe no vapor Argentina e sempre demonstrara ter pouco ou nenhum dinheiro consigo.

Essas suspeitas fizeram com que a polícia desse busca no tal jardim onde todos viram Guido perambulando nos últimos dias e ali, nos fundos, "ao pé de uma touceira de bananeira", bem embrulhados e enterrados, encontraram três sacos com muitas notas e moedas de várias procedências: portuguesas, espanholas, francesas, italianas, britânicas, argentinas, belgas, norte-americanas e sérvias.

Assim, vemos que o hotel sem nome, que nos autos aparece como "hotel de família da Rua Brigadeiro Tobias 100", próximo das estações Luz e Sorocabana, empregava e hospedava sobretudo italianos. As testemunhas mencionam que, nos dias do furto, estava hospedada ali uma família austríaca que "não poude seguir viagem por falta de recursos"; provavelmente referindo-se a esta mesma família, o cozinheiro, em seu depoimento, apontou: "sendo certo que havião alguns colonnos hospedados ahi"; seguramente sem trabalho e sem dinheiro, esta família se acomodou no hotel enquanto procurava colocação na capital ou no interior. O hotel, portanto, abrigava os seus próprios donos e empregados, gente que estava por uns dias, que tinha chegado pelos trens, como quase sempre, e gente que já morava por ali, chamada o tempo todo de "inquilina". Além do mais, devia ser muito eficaz a estratégia de Fantoni de manter consigo um captador de hóspedes de fala portuguesa, já que todos os outros que trabalhavam no hotel, inclusive os proprietários, eram italianos.

No hotel Vianna do anúncio que vimos no jornal A Pátria, deu-se uma briga entre a proprietária do hotel, dona Olympia do Carmo, e sua criada.21 Segundo os depoimentos, o hotel tinha duas criadas ainda moças, portuguesas, analfabetas, que, num dia de outubro de 1908, pediram demissão e se arrependeram algumas horas depois. Ao receberem o dinheiro que acertava as contas e as liberava para partir, uma delas, Maria de Jesus, de 22 anos, jogou o pacote de notas no chão. Começou então a briga que terminou com Maria fugindo pelos muros do fundo do hotel, ferida pelo ferro de engomar que lhe fora arremessado pela patroa. No hotel Vianna, como também no hotel de Sylvio Fantoni, os proprietários moravam no estabelecimento; como já afirmava o anúncio de três anos antes: "este estabelecimento é dirigido por seus próprios proprietários".

Dona Olympia, a patroa, era casada com Abel da Cruz Cardoso, de 32 anos, que, no dia do ocorrido, tinha viajado para o interior. No depoimento, Abel caracteriza Maria como copeira do hotel, quando pelos outros e por si mesma é designada de "criada de servir". Além das duas criadas, aparece como empregado do hotel o português viúvo Abílio Rodrigues Redondo, de 40 anos, que também morava no estabelecimento; aliás, contou Abílio, eram mais de dez da noite quando estava no seu quarto de dormir e ouviu bem a discussão na cozinha; com segurança, podia afirmar que a criada tinha sido ferida por dona Olympia.

Testemunharam ainda um corretor de café português que morava no hotel e um sujeito de Muzambinho/Minas Gerais que viera à capital paulista em busca de tratamento médico para a esposa; naquele 13 de outubro de 1908, como sua mulher não estava bem, ele passou o dia no hotel Vianna e presenciou tudo, desde o bate-boca da tarde.

Há um padrão se repetindo nesses hotéis de porte médio para pequeno, próximos das estações de trem da Luz e do Brás: em muitos deles, os proprietários são um casal de europeus que reside e trabalha no estabelecimento. Sob os proprietários, trabalham e residem no hotel alguns dos seus agentes, os copeiros e outros empregados - cozinheiro e arrumadeira -, quase todos oriundos de uma mesma região europeia. Além dos que trabalhavam no hotel, os hóspedes mais estáveis, chamados de "inquilinos" ou "moradores", eram, em geral, homens solteiros ou viúvos cujo trabalho na cidade nos permitiria caracterizá-los como elementos das camadas médias, pois eram contadores, corretores de café, funcionários públicos, funcionários de banco etc. Vejamos mais alguns casos de gente que morava nos hotéis.

A Brigadeiro Tobias, a rua da Conceição e a rua dos Gusmões eram as ruas da região da Luz onde havia maior concentração de hotéis; as três artérias eram perpendiculares à via onde estava a principal estação da cidade e dali partiam no sentido da São João, da Vila Buarque. Num domingo de novembro de 1909, com temperatura alta na cidade, muita gente foi tomar cerveja na pensão Hamburgo, que ficava na rua dos Gusmões, 75. À uma hora da tarde, na "sala de jantar", estourou uma briga entre um estudante de Ribeirão Preto que morava na pensão e dois alemães que residiam a poucas quadras dali; um deles era Walter Fisher, funcionário do Museu Paulista. Jogando dado com o estudante nesta sala, estava outro morador da pensão: Pedro Kneib, brasileiro de 30 e poucos anos, empregado do comércio. Mais moradores do estabelecimento estavam fora do recinto: Paulo Kruger, o dono da pensão, estava no seu quarto; e Arminda Rosa, uma portuguesa de 18 anos, fazia a limpeza nos quartos dos hóspedes.

Na região do Brás, ao lado do hotel dos Viajantes, também anunciado no jornal A Pátria, ficava, na mesma calçada, na Rangel Pestana 227, o hotel das Famílias que apareceu entre os autos-crime da capital paulista mais de uma vez no período em questão. Examinemos um caso de 1914 para melhor compreender como a configuração deste hotel para os hóspedes mais estáveis se assemelhava ao que havia em outros estabelecimentos.

Em setembro de 1914, sumiu uma bolsa de mulher no hotel das Famílias.22 Na ocasião, o gerente do estabelecimento era o italiano Angelo Bottiglieri, de Salerno, que ali morava com a esposa. Quando se deu o sumiço da bolsa, Bottiglieri contratara um espanhol para pintar o hotel, para o que foi preciso remover hóspedes de uns aposentos para outros.

Ali hospedado estava o metalúrgico esmaltador Camillo Willmote, belga, com esposa e filho pequeno. Numa manhã de segunda-feira, o empregado francês do hotel, Edmundo Caen, avisou à senhora do belga que era preciso mudar de quarto e, inclusive, ajudou-a a levar as coisas para o novo aposento; no quarto antigo, ficaram apenas a cama, os colchões, as cobertas, as almofadas e o berço, que seriam removidos pelo próprio pintor. Por conta da trabalheira e da confusão com seus pertences, sem dispor das suas roupas, a mulher de Camillo Willmotte passou a manhã no hotel de penhoar. Pouco depois do meio-dia, a senhora deu por falta de uma bolsa de setineta azul, recheada com uns 800 mil francos, que costumava deixar sob o travesseiro.

Além daqueles diretamente envolvidos no furto, aparecem nos autos mais duas pessoas que trabalhavam no hotel: a portuguesa Izabel do Nascimento Gonçalves, de 20 anos, solteira, que no momento estava nos serviços de lavanderia, mas que havia começado a trabalhar no hotel das Famílias uns 10 meses antes, como arrumadeira. Morava ali também o brasileiro José Augusto Lourenço, solteiro de 21 anos, de Queluz, que trabalhava como agente do hotel. Como morador do hotel, sem trabalhar para o estabelecimento, apareceu Henrique Martins de Bidalez, de Valencia, casado, com 37 anos, apresentado como "artista".

Dois anos depois do roubo da bolsa azul neste hotel da Rangel Pestana, houve outro caso de sumiço de dinheiro de hóspedes no hotel Roma, estabelecimento de porte maior que os examinados até aqui, situado na rua da Estação, cujo anúncio vimos na abertura deste artigo. Na noite de 19 de agosto de 1916, chegou do Rio de Janeiro ao hotel Roma o fazendeiro Antonio Celestino Correa da Costa, residente em Aquidauana no Mato Grosso. Segundo uma empregada do hotel, ele, a esposa e uma criada instalaram-se num quarto do segundo andar antes das oito da noite. Em seguida, o fazendeiro desceu para jantar no salão; e as duas jantaram no quarto. Pelas nove horas da manhã seguinte, o trio foi-se embora de trem para Bauru.

Afirmava o fazendeiro que a passagem pelo hotel fora tão rápida que acabou por esquecer ali um embrulho com 2 contos de réis. Quando deu falta do dinheiro, Antonio Celestino retornou de Bauru diretamente para o hotel Roma. Suas declarações deixam evidente que ele suspeitava do proprietário do estabelecimento e da "arrumadeira portuguesa". De quem se trata? Dos mesmos que vimos dois anos antes no hotel das Famílias, na região do Brás: Angelo Bottiglieri e a portuguesa Isabel Gonçalves, que lá cuidava também da lavanderia e aqui era apenas arrumadeira. O que nos indica esta reincidência das pessoas? Em primeiro lugar, a rotatividade por que passava a propriedade dos hotéis entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do XX;23 em seguida, a manutenção da criada portuguesa sob o mesmo chefe ou patrão demonstra os laços de confiança que podiam existir em mercado de trabalho tão volátil; e por último, a aliança entre Isabel e Bottiglieri realça o que notamos em inúmeros processos: a preferência generalizada pelas portuguesas para as funções de "arrumadeira", sempre jovens e analfabetas. Certamente, uma moça de fala portuguesa encarregada dos ambientes e funções mais próximos da privacidade dos hóspedes era muito útil a esses proprietários de hotel que, boa parte das vezes, eram espanhóis, italianos, alemães, franceses etc. Aliás, com as arrumadeiras portuguesas afastavam-se as moças de ascendência africana que poderiam desagradar os hóspedes, principalmente aqueles vindos do exterior.

Para o foco deste texto, antes de tudo, o aparecimento de Bottiglieri e da criada Isabel em mais um processo-crime chama-nos a atenção para o fato de que o construir do processo-crime, como peça jurídica e como caminho para determinar um culpado, pode ter levado à recorrência dessas testemunhas: o proprietário, o copeiro, a arrumadeira, o agenciador e o hóspede-morador. Certamente, essas eram as pessoas mais confiáveis para o bom andamento da ação judicial, sem que o assunto inflasse e trouxesse ainda mais problema para o hoteleiro. Os outros indivíduos, hóspedes recém-chegados ou fregueses do salão de refeições ainda desconhecidos, poderiam ser pouco fiéis ao proprietário do estabelecimento e, principalmente, permanecendo pouco tempo no hotel, não estariam disponíveis para testemunhos e depoimentos futuros. Enfim, o quadro aqui configurado para a permanência mais estável de pessoas nesses estabelecimentos serve para apreender a natureza de sua estada - proprietários e empregados do hotel, homens de profissão solitários e estudantes -, mas não indicam, de modo algum, que só havia gente nessas condições, isto é, "inquilinos" e "moradores". Examinemos agora as estadas mais curtas, relações bem mais passageiras entre hóspedes e hotéis, como esta do fazendeiro de Aquidauana que apenas dormiu uma noite no hotel ao lado da estação ferroviária, entre chegar do Rio de Janeiro e partir para Bauru.

As estadas curtas: "hóspedes", "fregueses" e "passageiros" dos hotéis e pensões 24 27 36

O crescimento vertiginoso da capital paulista fazia pipocar pela cidade inúmeras formas de hospedar a quem chegava. Maria Inez Borges Pinto, em pesquisa da década de 1980, afirmava:

O fato de São Paulo funcionar como o centro de contratação de mão-de-obra para a lavoura cafeeira em expansão e as novas oportunidades ocupacionais criadas pelo progresso econômico da cidade geraram um campo enorme e fértil para o florescimento das pequenas pensões familiares baratas, que hospedavam trabalhadores rurais em trânsito, desempregados ou não, operários de baixa renda, na maioria das vezes homens, solteiros e sem família na cidade.

Borges Pinto lembrava as maneiras precárias que os pobres encontravam para ficar em São Paulo: havia os caipiras que, vindos dos sítios mais distantes para vender seus produtos na capital, hospedavam-se nos pousos da Penha, Guarulhos, Itaquera, Poá...25 Havia os que esmolavam e pernoitavam onde fosse possível, como um sujeito espanhol que, em 1904, percorria as ruas da cidade exibindo uma "criança defeituosa" e, por alguns dias, conseguiu se hospedar num restaurante, próximo da estação do Norte.26 Improvisavam-se muitos lugares para dormida e mesmo estabelecimentos oficialmente autorizados para hospedagem não garantiam aposentos limpos, como apontou Borges Pinto ao evocar o Correio Paulistano de 10 de fevereiro de 1893:

A fim de que no próximo verão não se tenha "de luctar com a terrível epidemia de febre amarela", o dr. Cunha Vasconcellos, médico responsável pelo serviço sanitarista em 1892, propõe o emprego de medidas severas, enérgicas e mesmo violentas contra o estado de imundície e insalubridade em que se acham diversas pensões, açougues, mercearias e botequins da cidade. Julga indispensável cassar a licença concedida a diversos proprietários "das casas que com o pomposo título de hotel", são verdadeiros focos de infecção, "pocilgas, onde em estreitos aposentos sujos e immundos pernoitam 10 a 12 indivíduos, espaço [em] que mal poderia pernoitar uma só pessoa" (...).

Os hotéis e pensões de que tratamos neste texto, no entanto, apesar de muitas vezes se constituírem em domicílios de seus proprietários e empregados e acolherem pessoas de passagem pela capital, eram estabelecimentos mais estáveis do que os apontados por Maria Inez Borges Pinto e mais próximos do que entendemos hoje por "meios de hospedagem", visto que, além de cobrarem pela estada, o que também podia se fazer nos pousos e locais mais precários, localizavam-se próximo às estações de trem, onde as autoridades e as leis estavam por perto. Assim, de um lado, os hotéis próximos das estações ferroviárias eram indicadores das tendências mais firmes do que a cidade seria - sobretudo no que diz respeito ao crescimento populacional e ao desenvolvimento dos serviços - e, de outro lado, abrigavam o que havia de mais transitório neste mesmo processo de crescimento, como as gentes que passavam rapidamente pela capital, os que estavam temporariamente empregados e os que viviam sem residência fixa, fosse no mundo dos negócios, do comércio ou das pequenas transgressões, como furtos e jogos.

Nos processos-crime, há um número expressivo de sujeitos que viviam na fluidez desta urbanização galopante, que usufruíam a chance de, mesmo sem conhecerem ninguém anteriormente e tampouco portarem carta de recomendação, poderem se hospedar na cidade em troca de pagamento. Em 1910, Manoel Fernandes, espanhol vindo do Rio de Janeiro, foi preso por vender objetos de procedência duvidosa, provavelmente roubados. O agravante para sua situação foi não estar empregado, o que o enquadrava no artigo de vadiagem, e ainda o fato de não ter residência fixa, ao que Manoel retrucou: "Não tem residência certa por isso não lhe convir, residindo ora em uma ora em outra hospedaria desta capital".28 Em setembro de 1916, o russo Max Julio, recém-chegado de Itu, foi preso pela terceira vez, sempre acusado de vadiagem e embriaguez. Para se livrar da acusação de vadio, Max Julio, de 46 anos, afirmou que tinha casa e família em Buenos Aires, que ganhava a vida "adivinhando a sorte com papagaios" - com realejo, supomos - e que quando estava em São Paulo comumente se hospedava no hotel Central, na avenida Rangel Pestana, onde muita gente o conhecia desde o tempo em que o hotel chamava-se Nápole.29

Este hotel, o antigo Bella Napoli, abrigou muita confusão no começo do Novecentos. No inverno de 1909, houve ali um defloramento. Os casos de defloramento e de suicídio nos hotéis mostram esta maneira efêmera de se relacionar com os estabelecimentos de hospedagem; além deles, os casos que trazem delitos cometidos nas salas de refeição também servem a este fim.

Num domingo do final de junho à tarde, Alexandre Laurenti, dono de uma fábrica de chapéus também localizada na Rangel Pestana, convidou Genésia Martins, de 19 anos, com quem andava de namoro há alguns meses, para irem a passeio, de bonde, até o Ipiranga. No final do dia, de volta ao Brás, Alexandre convidou Genésia e o outro casal que fora com eles ao Ipiranga para jantarem no hotel Bela Nápole.30 Depois do jantar pago pelo italiano, ficaram os quatro para pernoitar no hotel, cada casal num quarto. Como Genésia era solteira e menor de idade, a mãe denunciou Laurenti pelo defloramento assim que ficou sabendo do acontecido. Nos depoimentos, o empregado do hotel, o italiano Angelo Toscani, casado, com 28 anos, afirmou que mal se lembrava daqueles dois casais: "uma mulatinha baixa e um branco e um casal de mulatos", porque "o hotel sempre se acha cheio de passageiros", isto é, sempre com muita gente que chega pela ferrovia apenas para uma noite. Por sua vez, Zélia, a amiga de Genésia que gastara o dia com ela em passeio, já maior de idade, disse que pensava que Genésia fosse "como essas moças que dormem fora aos domingos com seus fregueses". Tentando escapar da pecha de "hotel de baixa nota", o empregado italiano afirmou que o hotel era sério e que "quando sabiam que as pessoas que pediam quartos tinham intenções ilícitas, eles os negavam". Dessa maneira, entende-se que o Bela Nápole não era como aqueles estabelecimentos que havia na rua Senador Feijó, onde as prostitutas residiam e trabalhavam, mas que este hotel comumente ofertava quartos para os que vinham "em busca de relações sexuaes com seus fregueses" e que isso era mais frequente aos domingos. No processo em tela, Genésia e Zélia não eram prostitutas, eram "criadas de servir" em casas de família, onde dormiam a semana toda e de onde só podiam sair aos domingos.

Nos meados de maio de 1913, houve outro defloramento em hotel, desta vez na rua da Conceição, número 109.31 No dia 16 de maio, pouco depois das sete horas da manhã, Avelino Gonçalves, moço solteiro de vinte e poucos anos, nascido na capital, manobrista da companhia São Paulo Railway, levou ao tal hotel sem nome comercial a namorada Alice Dillon, ainda com 17 anos, engomadeira como a mãe. Neste hotel, "desvirginou-a sob promessa de casamento". Poderíamos supor que Avelino tenha levado Alice para o hotel onde residia, já que trabalhava na São Paulo Railway e bem podia viver na rua da Conceição, pegado à estação da Luz; mas Alice, que morava com a mãe, contou que "desde então sempre o namorado mantinha relações com ela, ora neste mesmo hotel, ora noutro", ou seja, o casal não usou apenas este hotel da rua da Conceição para seus encontros, já que muitos outros hotéis ofereciam o mesmo serviço.

Dois anos depois, em 1915, outro defloramento no Bela Nápole virou processo judicial.32 Desta vez a vítima foi uma órfã de 16 anos, Adelina Gomes, que trabalhava numa fábrica de gravatas na ladeira do Ouvidor e morava na casa dos proprietários desta fábrica, de onde saía a cada quinze dias para ir ao Lageado - próximo a Guarulhos, na hoje chamada Zona Leste da metrópole paulistana -, visitar a família responsável por sua criação. Adelina namorava com Bento Pucci, solteiro de 23 anos, também nascido e criado no Lageado. Era com ele que ia e vinha do Lageado para a estação do Norte, no Brás, a cada duas semanas. Num desses retornos, num domingo, ele a convidou para um cinema na Liberdade; segundo a explicação dada por Adelina, terminada a sessão do filme, como estivesse tarde para voltarem até a ladeira do Ouvidor, Bento a levou para dormir no Bela Nápole, tendo dito anteriormente que arranjaria "uma casa de família" para que ela pernoitasse.

Á vista disso, esta resolveu acompanhal-o, mas Bento, em vez de fazer conforme disse, conduziu-a ao Bella Napoli, no largo do Braz, onde foram recebidos por um moço e uma senhora idosa que pareciam italianos, (...) havia muita gente embaixo no hotel e ninguém no andar em que dormiu, (...) obrigando-a a ficar com elle no mesmo commodo, e sob promessas reiteradas de casamento, praticou o seu defloramento (...).

Neste processo-crime, ao invés de os testemunhos centrarem-se no hotel, local do defloramento, todos os depoimentos referiam-se ao trem e à estação do Norte. Evidencia-se para o leitor de hoje que naquela época todos recriminavam o modo como Adelina vivia, sempre "pra lá e pra cá nos trens noturnos", acompanhada somente do namorado. Diante de tanta frouxidão, ninguém se espantou com o fato de ela praticar relações sexuais. Notemos que, naquele tempo, trens e hotéis eram, igualmente, lugares livres das normas familiais, lugares onde mulher correta não podia se expor sozinha, desacompanhada do pai ou do marido.

Os casos de suicídio também permitem investigar o uso rápido dos hotéis, as estadas mais curtas nos estabelecimentos de hospedagem. Tomemos o caso da moça Amélia no hotel Hespanha, onde emergem detalhes descritivos do hotel.33

O hotel Hespanha era de propriedade de Miguel Gutierrez - que viera de Granada -, ficava na região da Luz, na rua Brigadeiro Tobias, bem ao lado do hotel onde o copeiro Guido roubou o dinheiro do patrão e o escondeu no quintal, ao pé das bananeiras. Ali, na manhã do dia 3 de fevereiro de 1917, Amélia Boschianelli de Oliveira deu um tiro na cabeça. Segundo seu marido, um negociante de café, naquela altura, Amélia, com 19 anos, estava "soffrendo das faculdades mentaes" já há dois meses, por conta de um "parto laborioso"; foi justamente para tratar da enfermidade de Amélia que o casal viera à capital paulista.

Segundo o dono do hotel, no dia 2 à tarde, chegou o casal vindo de Dourados. Quem os trouxe da estação da Luz para o hotel foi José Martins, agenciador que trabalhava para o hotel Hespanha e que também viera de Granada, mas não morava no estabelecimento. Naquele 2 de fevereiro, o agente fizera como de costume: passara no hotel pela manhã e regressara no final da tarde com os "passageiros" que tinha recrutado na estação de trem ao longo do dia. Amélia e o marido acomodaram-se num "quarto interno", o de número 17. No final da tarde, o marido chamou um médico para visitar sua mulher.

Na noite daquele mesmo dia, o casal jantou no salão do hotel e, em seguida, foi para a sala de visitas; durante todo o tempo, "conversaram alegremente, gracejaram reciprocamente", o que fez Miguel Gutierrez achar que fossem casados há pouco tempo. Às nove da noite, recolheram-se para o quarto.

Na manhã seguinte, às oito horas, o marido de Amélia pediu água com açúcar para dar à esposa, que ainda não deixara o quarto; disse que ela dormira bem e que tomara café com leite e pão ao despertar. Em seguida, receberam um moço, designado "facultativo", que veio aplicar injeção de calmantes em Amélia. Pouco depois, o marido foi ao banheiro, que ficava a 3 metros de distância do quarto; ali chegando, teve que esperar, pois estavam banhando uma criança; no quarto, Amélia penteava-se "na toillete". Foi durante essa espera do marido para usar o banheiro que Amélia encontrou a arma deixada embaixo da cama e deu-se um tiro no ouvido direito.

O uso mais ligeiro dos estabelecimentos de hospedagem podia se dar ainda em razão das refeições. Vimos que, num domingo de junho de 1909, o italiano fabricante de chapéus convidara seus companheiros para jantar no hotel Bela Nápole quando retornavam de um passeio ao Ipiranga; e os dois casais ali jantaram antes de pedirem quartos para dormir.34 Como lembramos em nota acima, os autos-crime não nos importam na medida de sua veracidade, mas da plausibilidade dos acontecimentos que carregam. No caso em questão, não nos importa se o italiano pretendia mesmo jantar no hotel ou se apenas fez uso do convite para a refeição com a finalidade de atrair a moça para dormir consigo; para as perguntas que orientam esta análise dos hotéis paulistanos o que a fonte revela por meio do depoimento da namorada é que seria perfeitamente aceitável que os dois casais tivessem decidido jantar no hotel, ainda que não pretendessem passar a noite naquele estabelecimento.

Ademais, esse dia de passeio dos dois casais era um domingo. O dia em que Adelina foi ao cinema na Liberdade e depois dormiu no hotel Bela Nápole com o namorado também era um domingo. Com efeito, muitos dos crimes cometidos em São Paulo entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do XX ocorreram aos domingos. Neste dia, mais do que nos outros, a vasta população de trabalhadores - ou grande parte dela, pois muitos trabalhavam também neste dia da semana - podia gozar de um tempo livre, beber, passear pela cidade e frequentar lugares como cafés, botequins, hotéis, estações de trem, pensões, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais. Os autos criminais trazem narrativas de muitos passeios dominicais: parques, beiras de rio para pesca ou caminhada, piqueniques, espetáculos de teatro, cinema, enfim, há diversos casos de grupos ou casais que gastam o domingo em passeio, da manhã à noite, percorrendo vários lugares de São Paulo.

Poucos meses depois de o italiano fabricante de chapéus levar sua namorada "mulatinha" para jantar no Bela Nápole, também num domingo, no início da tarde, vimos muita gente tomando cerveja na "sala de chops" - como denominou o dono do estabelecimento - da pensão Hamburgo; entre os que testemunharam a briga envolvendo o estudante de Ribeirão Preto, estavam dois alemães que moravam quase em frente à pensão, ali mesmo na rua dos Gusmões.

Muitas pessoas tinham o costume de comer nos estabelecimentos de hospedagem não apenas aos domingos; eram chamados de "fregueses" ou "pensionistas", pois regularmente faziam suas refeições em algum hotel ou pensão. Os autos criminais estão lotados de referências a essa gente, que estava no local do crime como fazia todos os dias, no horário de comer.

Estabelecimentos de hospedagem de pequeno porte, as pensões eram comumente negócios de família, em geral tocadas pelas mulheres suas proprietárias, onde não encontramos empregados - nem agentes, nem cozinheiros e nem arrumadeiras; nesses locais vê-se que o freguês podia contar apenas com um lugar à mesa para comer e, caso fosse "hóspede" ou "pensionista interno", tinha também uma cama para dormir, no mais das vezes em quarto coletivo.

Em 1914, numa pensão no número 145 da rua Maria Marcolina, que ficava a poucas quadras da estação de trem no Brás, entrou bêbado um carroceiro português; trôpego, caiu e machucou-se.35 Pela investigação que daí decorreu conhecemos a proprietária do dito estabelecimento: era Josephina Augusta Martins, uma portuguesa analfabeta, de 33 anos, vinda de Trás-os-Montes. O marido de Josephina andava fora da cidade, em serviço. Com ela, ajudando na lida da pensão, vivia uma irmã solteira, também analfabeta e que há pouco chegara de Portugal.

Em geral, as pensões eram estabelecimentos tão semelhantes, no funcionamento, a uma unidade doméstica que não portavam nome comercial, como ocorria com os hotéis pequenos geridos por seus proprietários. Numa sexta-feira de novembro de 1916, na seção de anúncios do Correio Paulistano, aparecia:

PENSIONISTAS Em casa de familia, acceitam-se dois internos, alguns externos e marmitas. Só se empregam gêneros bons. Preços muito módicos. Rua Vitória, 148.

Pelo anúncio, a dita pensão era, acima de tudo, uma casa de família; o que quer dizer que ali não se aceitavam casais para passar a noite, por exemplo, mas principalmente que o estabelecimento era conduzido por seus proprietários, ficava numa edificação cujo programa original era o de uma unidade residencial e que ali se encontrava comida simples, barata e boa. O anúncio é até bastante preciso no que informa: a pensão está próxima à Luz, não acomoda muita gente para dormir - nesta altura, só há vaga para dois internos - e, além do mais, o seu serviço mais forte é o de refeições, pois vende marmita, isto é, as pessoas podem comprar a comida que se produz ali na pensão para comerem no local de trabalho ou em casa.

Considerações acerca dos significados da hospedagem naquele período 39 40

Na obra de ficção Memórias de um rato de hotel, editada em 1912, há narrativas de acontecimentos transcorridos entre 1889 e 1904, memórias de um sujeito nascido em família abastada no Rio Grande do Sul e que, tendo rompido com o pai, passa a viver em hotéis, no Rio de Janeiro e em outras cidades do país, sem endereço fixo, com cognomes e identidades variadas.37 Muito elegante, de boa prosa, mas sem ofício, o dr. Antonio, como ficou mais conhecido, ganhava a vida roubando os hóspedes dos hotéis onde se acomodava. Foi preso em algumas ocasiões, mas em geral conseguia escapar dos flagrantes.

Numa das vezes em que estava em São Paulo, dr. Antonio lembrou-se de um roubo que fizera anos antes no paulistano hotel de França, "no tempo em que as portas dos quartos estavam sempre abertas"; agora, segundo o gatuno, era preciso usar da "chave-bomba", que permitia abrir qualquer fechadura sem danos aparentes.38 Apesar de estar hospedado em hotel de alta categoria, muito diferente daqueles aqui examinados, o que o dr. Antonio nos conta indica, se não uma prática corrente, seguramente uma tendência que se verificava nos hotéis do começo do Novecentos: o manter trancados os quartos, pois se avolumavam os desconhecidos e as relações tornavam-se mais fortemente impessoais. Já não era possível conhecer e confiar em todos os hóspedes e tampouco nos funcionários, visto que os hotéis, como os outros locais de emprego, sofriam razoável rotatividade em meio a tanta gente nova e disponível para o trabalho.

Se no começo do Novecentos havia na capital paulista os grandes e luxuosos hotéis onde os serviços buscavam ser "chiques" e onde se recebiam os que podiam pagar caro pela hospedagem ou pelas refeições, indicando que a cidade enriquecia e os costumes iam se aburguesando, havia ainda os estabelecimentos de hospedagem próximos às estações ferroviárias que, sem dúvida, por seus serviços e pelas relações que estabeleciam entre as pessoas, indicavam também a modernização da cidade: gente oriunda de distintos lugares, com falas e hábitos diferentes convivendo no território urbano, encontrando lugar para dormir e para comer sem ser conhecido de ninguém, apenas em troca de pagamento, num ambiente que já não era doméstico.

Devido ao alto grau de transformações por que passou a cidade de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, sua análise requer o manejo de elementos múltiplos e complexos. Como mostrava Nicolau Sevcenko:

(...) Afinal, São Paulo não era uma cidade nem de negros, nem de brancos e nem de mestiços; nem de estrangeiros e nem de brasileiros; nem americana, nem europeia, nem nativa; nem era industrial, apesar do volume crescente das fábricas, nem entreposto agrícola, apesar da importância crucial do café; (...).

Segue o professor Sevcenko descrevendo quão enigmática era a capital paulista para seus habitantes, onde não encontravam quase nada estável, dada a rapidez com que tudo se transformava e o grau de ineditismo que em tudo aparecia.

Os estabelecimentos e as formas de hospedagem que vimos nas imediações das estações de trem da Luz e do Brás carecem ser examinados não apenas como sinal do progresso, da modernização e do enriquecimento. Se, de um lado, esses hotéis indicam o cosmopolitismo crescente na cidade, com um número cada vez maior de habitantes estrangeiros, de outro, revelam que os espanhóis buscavam se hospedar em hotéis de espanhóis, que italianos buscavam hotéis de italianos e, mais ainda, que os empregados desses estabelecimentos eram quase todos oriundos da mesma região que seus patrões. Os hotéis se constituíam em fronteiras da cidade, onde conviviam gentes chegadas de outras regiões paulistas, do Brasil e do mundo. Quem estava no interior desses hotéis estava em São Paulo, mas podia se expressar na língua da sua terra de origem. Ali, o estrangeiro estava e não estava em ambiente local.

Inspirado por Abdelmalek Sayad, procurando compreender as mudanças que se manifestam ao longo do tempo no território da cidade de São Paulo a partir das distintas levas de chegadas de estrangeiros, Odair da Cruz Paiva afirma:

(...) os territórios migrantes portam uma ambiguidade. Se por um lado eles expressam a reafirmação de necessidades e singularidades do "outro", do "não-nacional", por outro lado, eles expressam a necessidade de enraizamento na sociedade de destino; (...).

Além de não serem o espaço público da cidade, mas estabelecimentos particulares que funcionavam no interior de edificações, ofertando serviços de alimentação e de hospedagem, os hotéis paulistanos de médio e pequeno porte carregavam ambiguidade ainda mais forte: se expressavam a tendência de garantir o anonimato e a tolerância característicos da vida civil moderna, se modernamente significavam que era possível se hospedar em troca de pagamento, sem laços pessoais pré-existentes, se facultavam a quem vivia em São Paulo comer e dormir fora de um ambiente doméstico, com efeito, também eram em grande parte administrados como residências. Nesses hotéis misturava-se o privado com o público, a venda de serviços com o residencial, o hóspede ou o freguês pagava pela refeição e/ou pela hospedagem, mas dizia que estava "em casa" - em inúmeros processos-crime os depoimentos mencionam "foram pros fundos da casa", estava ou não estava "em casa", "entrou em casa por volta das oito da noite".

Assim, estamos de acordo com Sandoval-Strausz no seu estudo sobre a história dos hotéis nos Estados Unidos da América, em que afirma que o hotel foi uma das peças-chave de mudança na modernidade, pois garantiu a mobilidade, a tolerância, a civilidade e o anonimato característicos da vida urbana nas cidades após os meados do século XIX.41 É o que reivindicou o espanhol chegado do Rio de Janeiro no começo de outubro de 1910, Manoel Fernandes, que vimos algumas páginas atrás. Ao ser acusado de não ter endereço residencial fixo, Manoel alegou que mais lhe convinha hospedar-se em diferentes lugares; ou seja, para sua vida de vendedor ambulante, o mais adequado era poder movimentar-se com liberdade nesta cidade e entre cidades quando quisesse viajar, o que contrariava as autoridades de São Paulo.

Não deixa de ser paradoxal que a mobilidade e o anonimato característicos dos processos de modernização das grandes cidades ocidentais fossem objeto de preocupação das autoridades na capital paulista, que tudo faziam para controlar e sanear. Como muitos estudiosos já mostraram, o crescimento e a modernização da cidade de São Paulo no Oitocentos e no começo do Novecentos foram carregados de contradições;42 em verdade, os melhoramentos e as belezas da modernidade, assim como a possibilidade de ir e vir com maior fluidez, eram pensados pelos poderes constituídos para serem usufruídos apenas por certos grupos e em certas áreas da cidade, dos quais estavam excluídos os pobres descendentes de escravos, os trabalhadores estrangeiros recém-chegados e sem qualificação, as mulheres de vida fácil etc.

Para o caso de São Paulo nas primeiras décadas do século XX, portanto, é preciso matizar e reconhecer que a grande quantidade de hotéis, principalmente no entorno das estações de trem, concentrava, antes e acima de tudo, a transição por que passava a cidade; nesses hotéis havia o novo, o desconhecido chegado há pouco, mas havia também um jeito "caseiro" de fazer funcionar o estabelecimento, sem procedimentos estritamente planejados e tampouco registros burocráticos.

No ano de 1918, a cidade viveria uma inflexão perturbadora com as pragas dos "gês" - a gripe espanhola, a geada e os gafanhotos -, às quais se juntavam a guerra mundial iniciada em 1914 e as greves que vinham do ano anterior. Segundo o professor Nicolau Sevcenko, o ano de 1919 foi vivido pelos paulistanos como um recomeço depois da grande pausa de 1918.43

Declinou abruptamente, para o ano de 1918, a quantidade de processos criminais referentes à capital armazenados no Arquivo do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo;44 dessa maneira, não podemos perscrutar os hotéis da cidade neste ano como vínhamos fazendo até 1917, quando se encerra o período examinado neste artigo. As experiências que vimos aqui documentadas até 1917 reiteram que os estabelecimentos de hospedagem eram um ponto de condensação do transitório nesta cidade que passava por mudanças em ritmo acelerado e em escala nunca vista pelos que a habitavam e por aqueles que não paravam de chegar.

Entre as pragas de 1918, o maior castigo para São Paulo foi a gripe espanhola, que paralisou a cidade em muitos setores, por vários meses. Segundo as autoridades, entre os primeiros casos surgidos na capital paulista estavam alguns hóspedes do hotel d'Oeste, localizado no largo São Bento, no triângulo central. Ali, parece, a doença fora trazida por um time de futebol do Rio de Janeiro.45 Como indicamos desde o início, nos hotéis estava o pulso da cidade, nos hotéis era possível perceber as tendências para o futuro de São Paulo.

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1 O Estado de S.Paulo, São Paulo, 29 de agosto de 1904, p. 5.

2 PIRES, Raquel d'Alessandro. Hotéis da cidade de São Paulo: história e trajetória (1889-1971). Dissertação de mestrado, Turismo Ambiental e Cultural, Planejamento e Gestão, Centro Universitário Ibero-Americano, São Paulo, 2001. Sob a orientação do professor Paulo Garcez Marins, Raquel d'Alessandro Pires refletiu sobre a história dos hotéis na capital paulista, a partir do levantamento dos hotéis da cidade baseados em almanaques - anos 1890 a 1916 - e em listas telefônicas - 1917 a 1971.

3 A expansão da cidade de São Paulo a partir da segunda metade do século XIX foi estudada por inúmeros autores. Entre os mais importantes e centrados propriamente no desenvolvimento progressivo da cidade, ver: BRUNO, Ernani Silva. História e tradições da cidade de São Paulo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1953; LANGENBUCH, Juergen Richard. A estruturação da Grande São Paulo: estudo de geografia urbana. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia, 1971; MONBEIG, Pierre. Aspectos geográficos do crescimento de São Paulo. São Paulo: Anhembi, 1958; MORSE, Richard. Formação histórica de São Paulo. São Paulo: Difel, 1970; PRADO JR., Caio. A cidade de São Paulo: geografia e história. São Paulo: Brasiliense, 1989; TOLEDO, Benedito Lima de. São Paulo: três cidades em um século. São Paulo: Cosac & Naify/Duas Cidades, 2004. Mais recentemente, desde a década de 1980, produziram-se estudos que trataram o crescimento da capital paulista levando em conta principalmente suas tensões e contradições. Entre estes, ver: CAMPOS, Candido Malta. Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo: Senac, 2002; DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX - Ana Gertrudes de Jesus. São Paulo: Brasiliense, 1984; OLIVEIRA, Maria Luiza Ferreira de. Entre a casa e o armazém: relações sociais e experiências da urbanização: São Paulo, 1850-1900. São Paulo: Alameda, 2005; PADILHA, Marcia. A cidade como espetáculo: publicidade e vida urbana na São Paulo dos anos 20. São Paulo: Annablume, 2001; PAIVA, Odair da Cruz. Territórios da migração na cidade de São Paulo: afirmação, negação e ocultamentos. Rivista dell'Istituto di Storia dell'Europa Mediterranea, Torino, n. 6, Giugno 2011, p. 687-704; PINTO, Maria Inez Machado Borges. Cotidiano e sobrevivência: a vida do trabalhador pobre na cidade de São Paulo (1890-1914). São Paulo: Edusp/Fapesp, 1994; RAGO, Margareth. Os prazeres da noite: prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo (1890-1930). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991; SANT'ANNA, Denise Bernuzzi de. Cidade das águas: usos de rios, córregos, bicas e chafarizes em São Paulo (1822-1901). São Paulo: Senac, 2007; SANTOS, Carlos José Ferreira dos. Nem tudo era italiano: São Paulo e pobreza (1890-1915). São Paulo: Annablume/Fapesp, 2008; SEVCENKO, Nicolau. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

4 PIRES, Raquel d'Alessandro, op. cit., p. 59-61. Cf LANGENBUCH, Juergen Richard, op. cit., p. 96: "A cidade de São Paulo conhecia exatamente na década de 1890 a 1900 a sua fase de crescimento mais acelerado, tendo a população do município passado de 64.934 a 239.820 habitantes (...)".

5 Para entendimento das estações ferroviárias como parte da cidade, ver BOWIE, Karen. Polarisation du territoire et développement urbain: les gares du Nord et de l'Est et la transformation de Paris au XIXe siècle. Une étude sur l'instauration et l'évolution des rapports entre les acteurs des grands aménagements ferroviaires urbains, première étape (1830 - 1870).Disponível <http://urbamet.documentation.equipement.gouv.fr/documents/EQUTEX00005329/EQUTEX00005329.pdf>. Acesso em 7 de maio de 2012.

6 Para mais informações sobre as estações ferroviárias em São Paulo, ver: SOUKEF JUNIOR, Antonio. A preservação dos conjuntos ferroviários da São Paulo Railway em Santos e Jundiaí. Relatório de pós-doutorado, Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2010; MAZZOCO, Maria Inês Dias e SOUKEF JUNIOR, Antonio. Cem anos luz. Tradução de Christopher Ainsbury. São Paulo: Dialeto Latin American Documentary, 2000; CYRINO, Fábio Rogério Pedro. Café, ferro e argila: a história da implantação e consolidação da empresa The San Paulo (Brazilian) Railway Company Ltd. através da análise de sua arquitetura. Dissertação de mestrado, Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2000.

7 LANNA, Ana Lúcia Duarte. As cidades e a ferrovia. Ferrovias, cidades, trabalhadores, 1870-1920. Textos para a realização do concurso de livre-docência, Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2002, p. 161.

8 LAMBERT, Michele. Les voies ferres et les gares dans les villes. Maitrise, École d'Architecture Paris-Belleville, 1989, p. 8. Apud: LANNA, Ana Lúcia Duarte, op. cit., p. 163.

9 MARTINS, Ana Luiza. Revistas em revista: imprensa e práticas culturais em tempos de República, São Paulo (1890-1922). São Paulo: Edusp/Fapesp, 2008, p. 234.

10 BARBUY, Heloisa. A cidade-exposição: comércio e cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914. São Paulo: Edusp, 2006, p. 111.

11 LANNA, Ana Lúcia Duarte, op. cit., p. 186.

12 Ver, entre outros: BARBUY, Heloisa, op. cit. e CAMPOS, Eudes. Os primeiros hotéis da cidade de São Paulo - Século XIX: Império e República. Informativo Arquivo Histórico Municipal. São Paulo, ano 4, n. 24, maio/jun.2009. Disponível em < http://www.arquivohistorico.sp.gov.br>. Acesso em: 26 de maio de 2010.

13 Outras iniciativas de construção da história dos hotéis no país também acabam por incidir sobre os grandes estabelecimentos hoteleiros; veja-se, por exemplo: BELCHIOR, Elysio d'Oliveira e outro. Pioneiros da hotelaria no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Senac, 1987 e PEREIRA, Viviane e outros. Memórias da hotelaria santista. São Paulo: Páginas e Letras, 1997. No campo da atividade turística, a abordagem da história da hotelaria (ou da "hospitalidade", como muitos preferem) tem caráter voltado para a gestão da qualidade dos serviços e, neste sentido, termina por mirar as diferentes formas de hospedagem do passado tendo como padrão os serviços ofertados pelos grandes hotéis ou grupos hoteleiros mais contemporâneos, como Ritz, Waldorf Astoria, Hilton, Meliá etc. No Brasil, uma tentativa de abordagem consistente do hospedar, ainda que mais voltada para o delineamento do campo de conhecimento e seus aspectos teóricos, pode ser encontrada nos textos de DIAS, Celia Maria de Moraes (org.). Hospitalidade: reflexões e perspectivas. São Paulo: Manole, 2002.

14 Para esta perspectiva histórica ver, sobretudo, CAMPOS, Eudes, op. cit. Neste estudo, Eudes Campos ressalta que, mesmo depois do surgimento dos hotéis, ainda existiam na cidade os pousos que recebiam homens, animais e suas cargas nas entradas da cidade.

15 SIQUEIRA, Lucília. Os hotéis na cidade de São Paulo na primeira década do século XX: diversidade no tamanho, na localização e nos serviços. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH, vol. 32, n. 63, 2012, p. 341-360. O artigo discute a multiplicidade de estabelecimentos de hospedagem existentes em São Paulo; para tanto, apresentam-se as balizas da história da hospedagem na cidade de São Paulo.

16 O estudo dos hotéis na cidade de São Paulo entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do XX insere-se nos trabalhos de um grupo de pesquisadores que, entre 2007 e 2010, digitalizou os processos-crime relativos à capital paulista entre 1870 e 1930 armazenados no Arquivo do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Sob a coordenação da profª Maria Odila Leite da Silva Dias, os pesquisadores eram, em sua maioria, da PUC-SP. Atualmente, permanecem no grupo: Lorena Féres, Maíra Rosin e Monique Borin, hoje na Universidade de São Paulo. No início desta investigação, Maria Luiza Ferreira de Oliveira generosamente indicou alguns processos de inventário post mortem de proprietários de hotel da cidade de São Paulo.

17 As narrativas que informam nosso estudo estão submetidas ao discurso jurídico, a uma forma processual e a uma lógica jurídica. No entanto, isso é atenuado porque o que se pretende examinar nada tem a ver com o delito cometido, com o mérito em torno do qual o processo se desenvolve; prescindimos, inclusive, de saber se na sentença o denunciado foi condenado ou absolvido. Na perspectiva e na abordagem aqui empreendidas, os acontecimentos que estão narrados nos autos têm plausibilidade suficiente para que pudessem ter ocorrido naqueles estabelecimentos de hospedagem que analisamos, isto é, aquelas práticas eram consideradas possíveis naquele novo cenário de sociabilidades.

18 A Pátria: Orgam da Colonia Portugueza no Brazil, São Paulo, 12/03/1905, p. 3.

19 O exemplar de que fizemos uso, por exemplo, estava perdido entre os processos-crime armazenados no Arquivo do Tribunal de Justiça de São Paulo e, no seu contexto original, fora entregue, conforme etiquetado na primeira página, ao assinante sr. Rodrigo Moura Dias, na rua Campos Salles em Campinas.

20 Summario de culpa. 03/09/1907. Juízo de Direito da 5ª Vara Criminal da Capital [São Paulo]. Réu: Leonardi Guido. Arquivo do Tribunal de Justiça de São Paulo (doravante ATJSP). Assim como este processo, os demais apontados neste texto constituíam parte do acervo do Arquivo do Tribunal de Justiça de São Paulo - ATJSP. Optamos por não apresentar sua classificação porque, na altura em que foi realizada a pesquisa, o Arquivo reorganizava e transferia seu acervo para o Arquivo Público do Estado de São Paulo, para o que se alteravam os indicadores de localização dos processos.

21 Exame de corpo de delicto. 13/10/1908. Secretaria da Justiça e da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Maria de Jesus. ATJSP. Este processo perdeu as folhas iniciais e, por isso, inicia-se no exame de corpo de delito.

22 Frederico Hidalgo. 1914. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal, art. 330, § 4. ATJSP. Este processo está bastante danificado; como o anteriormente referido, não tem capa regular.

23 Ver SIQUEIRA, Lucília, op. cit.

24 PINTO, Maria Inez Machado Borges, op. cit., p. 119.

25 Idem, p. 246.

26 Ibidem, p. 225.

27 Ibidem, p. 121.

28 Processo policial. 05/10/1910. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 3ª Vara Criminal, art. 399. Réu: Manoel Fernandes. ATJSP.

29 Processo Policial. 03/10/1916. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 3ª Vara Criminal, art. 399. Réu: Max Julio. ATJSP.

30 Summario de culpa. 28/07/1909. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal. Réu: Alexandre Laurenti. ATJSP.

31 Summario. 08/01/1915. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal. Réu: Avelino Jorge Gonçalves. ATJSP.

32 Summario. 25/02/1915. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal. Réu: Bento Pucci. ATJSP.

33 Autos de inquérito sobre a tentativa de suicídio de que foi vítima Amélia Boschianelli de Oliveira. 08/02/1917. 3ª Delegacia de Polícia. ATJSP.

34 Summario de culpa. 28/07/1909. Comarca da Capital [São Paulo]. Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal. Réu: Alexandre Laurenti. ATJSP.

35 Inquérito - Desastre. 20/11/1914. Primeira Delegacia de Polícia - São Paulo (Cidade). Antonio Rodrigues. ATJSP.

36 Correio Paulistano, São Paulo, 01/11/1916, p. 5.

37 Este livro foi composto por João do Rio e pelo sujeito personagem principal das memórias. O enigma quanto a sua autoria, no entanto, permanece, pois não se sabe em que medida as histórias nele contidas foram narradas a João do Rio, por ele inventadas ou mesmo escritas pelo dr. Antonio já no período final de sua vida, quando esteve preso. A respeito ver: RODRIGUES, João Carlos. Posfácio: Um mistério literário. In: MACIEL, Arthur Antunes. Memórias de um rato de hotel: vida do dr. Antonio narrada por ele mesmo. 2ª edição. Rio de Janeiro: Dantes, 2000, p. 283-291.

38 MACIEL, Arthur Antunes, op. cit., p. 258-260.

39 SEVCENKO, Nicolau, op. cit., 1992, p. 31.

40 PAIVA, Odair da Cruz, op. cit., p. 703.

41 SANDOVAL-STRAUSZ, Andrew. Why the hotel? Hotel: an American history. New Haven: Yale University Press, 2007, p. 3-6.

42 Ver os autores referidos acima, na segunda parte da nota 3.

43 SEVCENKO, Nicolau, op. cit., p. 24-ss.

44 Em nossa listagem de aproximadamente 600 processos criminais, havia mais de vinte unidades para cada um dos anos de 1915, 1916 e 1917. Para o ano de 1918 há apenas cinco processos; em nenhum dos cinco mencionam-se estabelecimentos de hospedagem.

45 BERTOLLI FILHO, Claudio. A gripe espanhola em São Paulo, 1918: epidemia e sociedade. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p. 153.

Recebido: 23 de Maio de 2012; Aceito: 19 de Fevereiro de 2013

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