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Revista de História (São Paulo)

versão impressa ISSN 0034-8309versão On-line ISSN 2316-9141

Rev. Hist. (São Paulo)  no.176 São Paulo  2017  Epub 08-Jan-2018

http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2017.122711 

Articles

DIMENSIONANDO O PROBLEMA SIDERÚRGICO NACIONAL: A DEMANDA POR PRODUTOS SIDERÚRGICOS NO BRASIL (1901-1940)*

ASSESSING THE NATIONAL STEEL-MAKING PROBLEM: THE DEMAND FOR STEEL PRODUCTS IN BRAZIL (1901-1940)

Gustavo Barros1  **

1Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil

Resumo

Este artigo examina a demanda por produtos siderúrgicos no Brasil entre 1901 e 1940, levando em consideração a sua dimensão, a sua composição, a sua evolução no tempo, bem como a percepção dos contemporâneos sobre o assunto. Para tanto, o artigo faz uso de abrangente conjunto de fontes primárias, incluindo dados desagregados originais de comércio exterior. A partir dessas fontes, observamos que a dimensão potencial do mercado doméstico exibiu certa estabilidade ao longo das mais de três décadas durante as quais se desenrolou o debate siderúrgico, e que isso se refletiu nas estimativas contemporâneas do tamanho do mercado. Essa relativa estabilidade do tamanho do mercado foi acompanhada por um processo de diversificação da demanda por produtos siderúrgicos.

Palavras-chave: Siderurgia; desenvolvimento setorial; demanda

Abstract

This paper examines the demand for steel products in Brazil between 1901 and 1940, considering its dimension, its composition and its evolution, as well as the contemporaries’ perception on the issue. In order to do this, a wide array of primary sources is used, including original disaggregated foreign exchange data. Based on these sources, it is observed that the dimension of the potential domestic market exhibited certain stability along the more than three decades during which the steel-making debate took place, and that this reflected on the contemporary estimates of the size of the market. This relative stability of the market size was accompanied by a diversification process of the demand for steel products.

Keywords: Steel-making; Brazilian steel industry development; demand

Introdução

Este artigo examina a demanda por produtos siderúrgicos no Brasil entre 1901 e 1940, levando em consideração a sua dimensão, a sua composição e a sua evolução no tempo. Ao longo desse período, o desenvolvimento e a organização do setor siderúrgico brasileiro foram marcados por duas circunstâncias fundamentais. Em primeiro lugar, ao longo desses anos, o setor viveu um importante processo de expansão baseado em empreendimentos privados, ainda que com apoio governamental em muitos casos, mas configurando uma estrutura produtiva algo distinta da que prevaleceria no período posterior - tanto em termos da escala e diversificação da produção, quanto em termos da propriedade das empresas. Em segundo lugar, durante esse período, o Brasil foi palco de um longo e acalorado debate sobre o seu “problema siderúrgico nacional”, que seria dado por resolvido apenas com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional pelo governo federal em 1941.

O problema siderúrgico nacional tinha, certamente, múltiplas dimensões. No entanto, do ponto de vista material, a questão básica que se colocava era a da insuficiência da oferta doméstica de produtos siderúrgicos para atender as necessidades do país, vale dizer, a sua demanda interna. Ou, posto de outra forma, da precariedade de se depender das importações para esse fim. Muita tinta se gastou sobre o assunto tanto à época quanto posteriormente na historiografia, mas comparativamente pouco se discutiu sobre essa dimensão material, quantitativa, do problema. Não que o assunto não viesse à tona entre os contemporâneos. Vinha, até mesmo com certa frequência, como veremos. Mas uma discussão mais detida a respeito raramente aflorava. A historiografia, por sua vez, deu atenção pouco mais do que superficial à questão.1 Reconhecia-se que essa insuficiência da oferta existia e que era um problema. E para sanar esse problema o país precisava da “grande siderurgia”. E ponto. Em outras palavras, o problema siderúrgico nacional foi de certa forma tratado como um absoluto.

Esse artigo visa, justamente, preencher essa lacuna, endereçando a questão da dimensão quantitativa do problema siderúrgico nacional. Pretendo dar conta desse objetivo através do tratamento de três aspectos distintos, mas relacionados, da questão. Primeiramente, por intermédio de uma compilação de estimativas contemporâneas da dimensão do mercado doméstico de produtos siderúrgicos ao longo do período. Assim, o artigo examina as intervenções no debate sobre o problema siderúrgico, com destaque para as propostas apresentadas ao governo deste ponto de vista. Em segundo lugar, procuro avaliar a dimensão, a estrutura e a evolução da demanda doméstica por produtos siderúrgicos ao longo do período entre 1901 e 1940. Para tanto, utilizo dados de produção e dados de importação e exportação desagregados previamente indisponíveis na literatura, compilados a partir das estatísticas brutas de comércio exterior do Brasil, procurando estimar o consumo aparente doméstico da forma mais precisa e detalhada possível. Em terceiro lugar, trato da evolução da participação dos produtos siderúrgicos na pauta de importações do país, o que constituía, por si só, um aspecto relevante da dimensão material do problema. Nessa chave, discuto finalmente como a restrição externa influenciou a evolução da forma como os contemporâneos concebiam o “problema siderúrgico nacional”, bem como os limites que ela impunha, e impõe, para o dimensionamento do mercado siderúrgico doméstico com os dados disponíveis.

As estimativas contemporâneas da dimensão do problema siderúrgico nacional

As pouco mais de três décadas ao longo das quais se estendeu o debate sobre o “problema siderúrgico nacional” foram marcadas por uma verdadeira profusão de propostas e intervenções de empresários, técnicos, especialistas e figuras públicas, tipicamente formuladas por ocasião de determinadas ações no âmbito governamental - quer a promulgação de decretos concedendo favores ao setor, quer discussões públicas em torno de contratos assinados pelo governo, quer chamadas de propostas pelo mesmo. De fato, podemos encontrar na documentação contemporânea intervenções ou propostas com certa regularidade ao longo de todo o período.

Ainda que a questão da dimensão do mercado doméstico e a forma como os contemporâneos estimaram essa dimensão não estejam desligadas - como de resto não poderiam estar - do teor dessas intervenções e propostas, a análise detalhada desse debate foge ao escopo desse trabalho.2 Concentraremos aqui nossa atenção nas propostas ou intervenções que tenham procurado estimar quantitativamente o tamanho do mercado doméstico para produtos siderúrgicos - ou, para usar uma expressão frequente à época, as “necessidades do país” em relação a esses produtos. Vista a questão de outro ângulo, tratava-se de avaliar (também) a capacidade de absorção desses produtos pelo mercado doméstico. Essas propostas ou intervenções que continham estimativas desse tipo não são todas, mas elas não deixam de constituir um conjunto representativo.

O levantamento realizado, sumariado no gráfico 1, foi feito com base numa ampla gama de fontes primárias, com destaque para as intervenções e propostas feitas em torno do debate sobre o “problema siderúrgico nacional” ao longo do período.3 Essas estimativas incluem todos os documentos contemporâneos compulsados que cercavam a questão da dimensão do mercado doméstico e que, de duas uma, ou realizavam diretamente essa estimativa ou forneciam informações completas que permitissem o cálculo dela. Apenas estimativas do mercado corrente foram consideradas, não projeções, que serão objeto de discussão adiante. Um total de 37 estimativas pôde ser encontrado cobrindo regularmente, ainda que não homogeneamente, todo o período do debate sobre o problema siderúrgico nacional, que se estendeu de 1909 a 1941 e, mesmo, extravasando um pouco os seus limites.

Fontes: A tabela com os dados utilizados, as fontes correspondentes, bem como comentários mais detalhados sobre cada uma das estimativas, incluindo os meios e critérios de estimação e a base de informação utilizada por cada autor e a lista de nomes correspondentes às siglas no gráfico está disponível na tabela A-1 do apêndice.

Gráfico 1 Estimativas contemporâneas da dimensão do mercado corrente para produtos siderúrgicos (1905-1944) (mil t/ano) 

Dois aspectos se destacam na análise dessas estimativas tomadas em conjunto e de sua evolução no tempo. Em primeiro lugar, a sua grande dispersão e, em segundo, a ausência de uma tendência clara de crescimento ao longo do período.

A grande dispersão das estimativas advém de fatores diversos, em boa medida compreensíveis numa amostra como esta. Estimativas realizadas por diversos autores, com interesses e perspectivas diferentes, em diferentes momentos, por distintos meios e usando critérios particulares, tenderiam, inevitavelmente, a gerar resultados divergentes, como geraram de fato. Apesar disso, é possível termos, com base nelas, uma boa ideia da forma como conceberam os contemporâneos a dimensão material do problema siderúrgico nacional. A este respeito, vale notar que 29 das 37 estimativas da amostra estão entre 250 mil t/ano e 600 mil t/ano, o que já delimita a questão numa faixa mais específica. A média geral é de 426,7 mil t/ano.

O segundo aspecto ressaltado acima diz respeito à evolução dessas estimativas contemporâneas ao longo das mais de três décadas ao longo das quais se desenrolou o debate siderúrgico, nomeadamente a ausência de uma tendência clara de crescimento. Essa já é uma proposição que requer uma discussão mais ponderada.

O gráfico 1 apresenta, juntamente com as estimativas contemporâneas da dimensão do mercado doméstico de produtos siderúrgicos, duas linhas de tendência obtidas através de regressão linear. Uma delas (a linha cheia) considera a amostra completa das estimativas apresentadas no gráfico e a outra (a linha pontilhada) considera um subconjunto da amostra, com a exclusão de três estimativas discrepantes.4 A linha de tendência da amostra completa apresenta uma inclinação levemente positiva, enquanto a linha de tendência com a exclusão dos outliers apresenta uma inclinação levemente negativa.

Em que pesem os motivos ponderáveis contrários à exclusão de observações discrepantes baseados em critérios puramente estatísticos, no caso das três observações em questão, existem motivos não estatísticos que poderiam justificar a sua exclusão da amostra. Vale observar ainda que a exclusão de qualquer uma dessas três observações individualmente torna o coeficiente de inclinação da reta estimada negativo. Note-se, ademais, que a média das estimativas contemporâneas na década de 1930 foi claramente inferior à das feitas na década de 1920 (405,1 mil t/ano na década de 1930, frente a 548,8 mil t/ano na década de 1920) ou mesmo à média das estimativas das décadas de 1910 e 1920 tomadas conjuntamente (478,2 mil t/ano).

Não cabe, porém, exagerar no peso atribuído a essas considerações de ordem estatística que, no caso em pauta, têm claras limitações. Há bons motivos para desconfiarmos da aleatoriedade da amostra, por mais que possamos considerá-la representativa. Já enfatizamos acima também a heterogeneidade dos critérios e métodos utilizados pelos diferentes autores para chegarem às suas estimativas. Do ponto de vista do argumento aqui conduzido, o importante é admitirmos a proposição - já enunciada acima - de ordem mais qualitativa e aproximada, da ausência de uma tendência clara de crescimento das estimativas contemporâneas da dimensão do mercado doméstico de produtos siderúrgicos ao longo do período em consideração, cobrindo mais de três décadas.

Contudo, apesar de justificada, essa proposição nos coloca um problema: ela é francamente contraintuitiva. Afinal, o consumo de produtos siderúrgicos é, na história econômica, tradicionalmente um importante indicador de desenvolvimento, e do desenvolvimento industrial em particular. Tendo isso em vista, como compreender a circunstância de que as estimativas contemporâneas quanto à dimensão do mercado doméstico de produtos siderúrgicos estagnaram ao longo de três décadas, entre as quais as décadas de 1920 e, particularmente, a de 1930, se outros indicadores sugerem o rápido crescimento da economia brasileira no período?

O tratamento mais adequado dessa questão pressupõe o exame das estatísticas subjacentes a estas estimativas, dado de natureza mais objetiva do que estas, que será objeto da próxima seção deste artigo. E envolve ainda, como veremos na quarta seção, também uma discussão a respeito das implicações da restrição externa sobre essas estimativas.

Evolução e estrutura da demanda por produtos siderúrgicos

A base de informação utilizada na maior parte das estimativas feitas pelos contemporâneos, discutidas na seção anterior, era constituída sobretudo pelas importações de produtos siderúrgicos realizadas pelo país. Ao longo do período, à medida que a produção doméstica foi ganhando maior importância, ela também passou a ser considerada nas estimativas das necessidades do país em relação a esse tipo de produto. O termo “consumo aparente” não chega a ser utilizado nos documentos da época, mas era este o conceito visado por essas estimativas calculadas dessa forma, no caso, definido como “importações + produção doméstica”.

O uso de dados de consumo para estimar a demanda é, evidentemente, uma aproximação. Ao conceito de demanda subjaz a ideia de uma curva que relaciona quantidades demandadas a determinados preços num mercado específico. Os dados de consumo aparente nos oferecem a informação sobre o quanto da demanda teve condições de se efetivar no mercado num dado momento, nas circunstâncias vigentes, circunstâncias estas que incluem os preços correntes, mas não se resumem a eles. Em particular, como veremos adiante, o comportamento do consumo aparente durante o período não esteve sujeito apenas às oscilações de preços, mas foi bastante influenciado por restrições da oferta, particularmente da oferta externa.

Apesar dessas limitações, os dados de consumo aparente são bastante ricos e são particularmente úteis para iluminar um determinado aspecto da demanda que nos interessa especialmente aqui. Podemos chamar de demanda potencial do mercado à quantidade que seria demandada na ausência de restrições da oferta - em particular, em condições normais do setor externo - e em condições de preço que, de alguma forma, sejam consideradas também normais. É o que já viemos chamando anteriormente neste trabalho de tamanho ou dimensão do mercado. E, como veremos, na medida em que a restrição externa gerava um comportamento marcadamente cíclico do consumo de produtos siderúrgicos, são os dados de pico do consumo aparente que nos oferecem a melhor aproximação a esse respeito.

Como é natural, a historiografia sobre o setor siderúrgico brasileiro também fez uso do conceito de consumo aparente - definido daquela forma: “importações + produção doméstica” - como indicador geral da demanda e como base para o cálculo da evolução do coeficiente de importações setorial. O principal exemplo é o trabalho de Werner Baer, que é um dos mais detalhados da literatura em termos de levantamento e compilação de estatísticas históricas sobre o setor no Brasil no período.5 Contudo, os dados de Baer, por amplos que sejam, possuem três limitações no que diz respeito ao seu uso para avaliar a dimensão da demanda doméstica por produtos siderúrgicos.6

A primeira delas é que o autor faz uso de séries de importação previamente agregadas e divulgadas pela Fundação Getúlio Vargas.7 Baer não especifica o que está sendo agregado em cada uma das séries de importação. No caso do ferro-gusa, há pouca diferença com os dados utilizados neste artigo, mas não no caso das séries “lingotes de aço” e “produtos de aço laminados”. Particularmente no que diz respeito à série “lingotes de aço”, só é possível presumir que alguns laminados mais simples estavam aí incluídos, pois as importações consignadas nessa série por Baer são claramente superiores às que pudemos obter para “ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido)” a partir das estatísticas desagregadas de comércio exterior. Em suma, Baer não trata de garantir a adequada comparabilidade - no sentido de agregarem os mesmos tipos de produtos siderúrgicos - entre as séries de importação e produção, para obter as cifras de consumo aparente.

A segunda limitação é que Baer desconsidera as exportações de produtos siderúrgicos no cálculo do consumo aparente. De fato, uma definição mais rigorosa do consumo aparente seria “produção doméstica + importações − exportações”. A hipótese implícita aí - assumida, aliás, por toda a historiografia e por praticamente todos os contemporâneos8 - é que essas exportações, no caso brasileiro e no período em questão, eram negligenciáveis. A hipótese é bastante razoável e conduz de fato a uma boa aproximação, mas gera alguma distorção nos resultados a partir do final da década de 1930.9

A terceira limitação das estatísticas disponíveis para o setor, entre as quais as de Baer se destacam, diz respeito a uma peculiaridade do setor siderúrgico que gera certas dificuldades na análise do seu comportamento agregado. Isso porque o setor siderúrgico gera três tipos de produtos principais: ferro-gusa, aço e laminados. Os três são de fato produtos do setor, na medida em que são vendidos para outros setores da economia e para a demanda final, os dois primeiros na forma de produtos fundidos ou noutras formas, e o terceiro diretamente, na forma de produtos laminados. Mas o ferro-gusa e o aço são também importantes insumos para as etapas posteriores de produção: o ferro-gusa é utilizado na produção de aço e o aço na produção de laminados. Além disso, grande parte da produção desses dois produtos destina-se antes ao próprio consumo interno do setor e, mesmo, ao próprio consumo interno de cada empresa do que ao consumo intermediário de outros setores produtivos ou à demanda final. Resultado disso é que, tomadas individualmente, as séries para ferro-gusa, aço ou laminados não são uma boa medida do comportamento agregado do setor - no que diz respeito tanto à produção quanto às importações quanto ao consumo aparente. Por outro lado, a simples soma dessas séries geraria dupla ou mesmo tripla contagem significativa.

Os dados utilizados nesse artigo procuram dar conta dessas limitações na medida em que as séries de importação e exportação foram compiladas a partir dos dados brutos desagregados de comércio exterior e, posteriormente, agregadas tendo em vista a sua adequada comparabilidade com as séries de produção.10 Além disso, consideramos aqui as exportações no cálculo do consumo aparente. Por fim, realizamos uma estimativa do consumo intermediário de produtos siderúrgicos pelo próprio setor, o que nos permite o cálculo de uma medida agregada do consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos da economia - definido como “produção + importação − exportação − consumo intermediário do setor siderúrgico”. Os dados aqui compilados permitem também um exame mais desagregado da composição das importações, o que não era possível com base nas estatísticas previamente disponíveis na literatura. A evolução do consumo aparente extrassetorial ao longo do período em estudo é apresentada no gráfico 2.

Fonte: Tabela A-2 do apêndice.

Gráfico 2 Consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos (1901-1940) (mil toneladas) 

Um primeiro aspecto que chama a atenção no comportamento desses dados é que os laminados consistem na maior parte, de longe, do consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos. De fato, entre 1901 e 1940, os laminados responderam em média por 90% do consumo em quantidade e 96% em valor. Como vemos, havia efetivamente um consumo de ferro-gusa e aço na forma de produtos fundidos, mas essa era uma parcela pequena do total. O núcleo do setor siderúrgico - no Brasil, como em outros lugares - residia nos produtos resultantes da conformação mecânica do aço, tipicamente feita por laminação. Os laminados predominam claramente na composição do consumo e da demanda de produtos siderúrgicos. Tendo isso em vista, examinaremos adiante mais detalhadamente a composição das importações de laminados.

Por falta de uma estimativa do consumo de produtos siderúrgicos pelo próprio setor em seu processo de produção e, portanto, de uma medida agregada do consumo de produtos siderúrgicos pelo resto da economia, a historiografia não foi capaz de apreciar apropriadamente essa enorme importância dos laminados no problema siderúrgico. Sem dúvida que, dado que se trata de uma cadeia produtiva, é necessário o aço para a produção de laminados e, por sua vez, é necessário o ferro-gusa (normalmente combinado com sucata) para a produção do aço. Contudo, como veremos adiante, particularmente no que diz respeito aos problemas de escala de produção, o não reconhecimento desse predomínio dos laminados na composição da demanda desviou a atenção da historiografia para aspectos menos críticos da questão.

Um segundo ponto a ser destacado a respeito do comportamento do consumo aparente de produtos siderúrgicos ao longo do período é que a sua evolução exibiu movimentos de oscilação de grande amplitude, de acordo com a situação do setor externo. Em momentos em que o setor externo se encontrava numa situação favorável, o consumo crescia e, em conjunturas em que a restrição externa se manifestava, o consumo tendia a se contrair rapidamente. Considerando, como vimos, que a maior parte do consumo de produtos siderúrgicos era composta de laminados e considerando ainda que os coeficientes de importação de laminados continuaram bastante elevados no período,11 fica evidente a enorme importância da oferta externa no suprimento da demanda brasileira. Essa relação entre os movimentos do setor externo e as oscilações do consumo aparente de produtos siderúrgicos tem o seu fundamento, portanto, nessa dependência material da oferta externa para o suprimento da demanda interna. Mas, mesmo levando isso em consideração, há que se observar que a amplitude das oscilações era bastante grande, sendo as contrações particularmente abruptas. O caso mais crítico ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial: em apenas dois anos, entre 1913 e 1915, a queda do consumo aparente foi de 82,8%, caindo ainda mais nos anos seguintes, e acumulando uma redução de 89,4% entre 1913 e 1918.

Há ainda um terceiro aspecto a ressaltar sobre os dados apresentados no gráfico 2. É certo que, como acabamos de observar, ao longo do período como um todo, o consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos exibiu três grandes ciclos de expansão e contração. Contudo, apesar dessas amplas oscilações, num determinado sentido, a demanda potencial do mercado de produtos siderúrgicos brasileiro indicada por esses dados possuía certa estabilidade. De fato, a série do consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos entre 1901 e 1940 apresenta três picos nos momentos de altas cíclicas: um em 1913, outro em 1927-29 e um terceiro em 1937-40.

E estes picos têm dimensão bastante próxima, sendo os de 1913 e 1937-40 praticamente equivalentes. Em 1913, o consumo chegou a quase 520 mil t. O segundo momento de alta foi atingido entre 1927 e 1929, tendo sido o consumo de 448 mil t em 1928. E um novo período de alta ocorreu entre 1937 e 1940, tendo o consumo chegado a 536 mil t em 1937 e ficado em torno das 480 mil t em 1939 e 1940, valor ainda 7,7% abaixo do pico de 1913. Esse comportamento dos dados teve marcada influência nas estimativas contemporâneas da dimensão do mercado siderúrgico brasileiro. Tipicamente, os períodos de base escolhidos pelos contemporâneos para as suas estimativas recaía nesses picos ou em anos ao redor deles.12 Em particular, o pico de 1913 exerceu enorme atração aos que procuraram avaliar o tamanho do mercado doméstico ao longo do restante da década de 1910 e de grande parte da década de 1920.

Esse tipo de seleção não é propriamente arbitrário. Era, como ainda é, bastante plausível atribuir as fortes contrações eventuais do consumo aparente a circunstâncias extraordinárias e, em boa medida, também exógenas. A Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão, sem dúvida alguma, são eventos que podem ser enquadrados nesses termos. A expressão utilizada em 1916 por Gonzaga de Campos para justificar a seleção das estatísticas dos anos pré-guerra em sua estimativa é direta e denota claramente o raciocínio geral empregado por tantos outros. Em seu entender, 1912 e 1913 haviam sido os “últimos anos normais” e é por esse motivo que ele os toma como a referência mais adequada para avaliação da dimensão do mercado doméstico.13

Nesse sentido, a melhor forma de compreender a relativa estabilidade - ou, como formulamos acima, a ausência de uma clara tendência de crescimento - das estimativas contemporâneas do tamanho do mercado siderúrgico brasileiro, tomadas em seu conjunto, é justamente observar essa relativa estabilidade dos picos de consumo aparente de produtos siderúrgicos, e a atração que esses anos de pico exerceram sobre as estimativas da época. Tendo isso em vista, e considerando que o pico de 1913 foi algo maior do que o atingido em 1928, fica mais fácil entender também por que - ainda que isso seja algo contraintuitivo - a média das estimativas feitas nos anos 1920 foi claramente maior do que a das estimativas dos anos 1930.

Na ausência de uma análise global do comportamento do consumo aparente e de um levantamento sistemático das estimativas contemporâneas do tamanho do mercado, como aqui realizados, a historiografia passou ao largo dessa questão. A ideia de que a dimensão do mercado teria permanecido praticamente estável ao longo dos mais de trinta anos durante os quais se desenrolou o debate sobre o problema siderúrgico nacional é estranha à historiografia sobre o tema. Ao contrário, com frequência transparece nela um maior senso de urgência da questão à medida que o debate se alongava, sobretudo a partir da década de 1930, em alguns casos assumindo-se implicitamente a hipótese intuitiva de que isso se dava em função de um consumo crescente de produtos siderúrgicos.14 Em parte, a historiografia ecoa com isso a percepção dos contemporâneos que, como veremos adiante, não deixaram de exibir certo otimismo com relação ao potencial desse mercado no país e, durante a década de 1930, viram o problema ganhar relevância não propriamente devido a um aumento percebido da demanda, mas sobretudo em função do agravamento da restrição externa. Com efeito, como teremos ocasião de discutir na próxima seção, as importações de produtos siderúrgicos pesavam cada vez mais no valor total das importações ao longo dessa última década, o que por si só dava à questão uma importância econômica maior do que anteriormente, mesmo que as estimativas do tamanho do mercado, que nos dão a medida da dimensão material do problema, não estivessem crescendo.

No entanto, a despeito dessa relativa estabilidade do tamanho do mercado de produtos siderúrgicos em termos quantitativos, a evolução do consumo desses produtos durante o período em exame era acompanhada de certas mudanças em seu significado. Entre 1901 e 1913, o movimento de expansão do consumo de produtos siderúrgicos ocorreu em circunstâncias favoráveis. A situação do setor externo não apresentava maiores restrições, nem do ponto de vista da balança comercial, nem do lado dos investimentos estrangeiros. Além disso, a conjuntura era de expansão global da economia brasileira. Na década de 1930, a situação era praticamente a inversa.

Além disso, a estrutura da demanda por produtos siderúrgicos sofreu alguns desenvolvimentos qualitativos importantes ao longo do período em exame que não podem ser devidamente avaliados pelo simples exame do consumo agregado de produtos siderúrgicos. Podemos ter uma visão melhor a respeito com base no gráfico 3 que apresenta a composição das importações de laminados15 desagregada entre os seus principais produtos.

Fonte: Tabela A-4 do apêndice.

Gráfico 3 Participação dos principais produtos no valor das importações de laminados (1901-1947) 

O gráfico nos mostra que, ao longo do período como um todo, apenas quatro tipos de produtos eram responsáveis pela grande maioria das importações de laminados: trilhos, arame, tubos e folhas de Flandres. Já tivemos a ocasião de observar que os laminados compunham a maior parte do consumo total de produtos siderúrgicos e também que a oferta externa era de grande relevância para o suprimento desses produtos. Tendo isso em vista, o primeiro aspecto a destacar dessa composição é que uma grande parcela das importações de laminados se destinava a usos fora do setor industrial. Os trilhos, em particular, eram o produto individual com mais ampla participação, tendo mesmo, durante o ciclo de expansão das importações de produtos siderúrgicos entre 1901 e 1913, respondido por quase 40% do valor das importações de laminados. Tubos e arame encontram algum uso industrial, sem dúvida, mas presumivelmente encontravam emprego sobretudo na construção civil e em cercamentos. Entre 1913 e 1940, o arame farpado é responsável por mais da metade da quantidade total de arame importado e, evidentemente, também se pode fazer cerca com arame liso.

No entanto, ao longo do período em exame, a participação da importação de laminados com uso mais claramente industrial sistematicamente aumentou. Embora tenha continuado a ser muito relevante, a participação dos trilhos, por exemplo, reduziu-se significativamente, ficando abaixo dos 20% no final da década de 1930 (14% em média entre 1935 e 1939). Inversamente, aumentava a participação das importações de folhas de Flandres e sobretudo as de outros produtos laminados - compostos principalmente por chapas, lâminas e placas, mas também por perfis (cantoneiras, tês etc.), tiras e arcos. Assim, do ponto de vista do setor siderúrgico, o processo de desenvolvimento industrial em andamento no país não se manifestava tanto no volume global de produtos siderúrgicos demandado pela economia, mas sobretudo em alterações na composição da demanda. Portanto, a evolução da demanda ao longo do período correspondia a uma diversificação da sua composição com a manutenção da dimensão agregada, quantitativa, do mercado.

A compreensão dessa evolução em seu conjunto passa por observar que havia um duplo movimento em operação. De um lado, o processo de desenvolvimento industrial e o crescimento global da economia refletiam-se numa tendência à expansão da demanda por produtos siderúrgicos e na diversificação de sua composição. De outro lado, a demanda pelo principal produto individual desse tipo de produto - os trilhos - se contraía ao longo do período, em função do arrefecimento do ritmo de crescimento ferroviário depois do seu surto de expansão ocorrido até o início da Primeira Guerra Mundial. De fato, a malha ferroviária brasileira cresceu a taxas bem mais lentas a partir de então: entre 1895 e 1915, a extensão da rede ferroviária brasileira cresceu em média 684 km/ano, enquanto, entre 1915 e 1940, a média de expansão foi de menos de metade desse ritmo, ficando em 304 km/ano.16 A combinação desses dois fatores responde, em boa medida, por essa evolução de diversificação da demanda com estabilidade da dimensão agregada do mercado que observamos.

Outro aspecto relevante desses dados desagregados é que o confronto entre a composição das importações de laminados e os equipamentos produtivos das empresas siderúrgicas existentes no país, com suas respectivas possibilidades de produção, permite ainda uma avaliação mais qualitativa da insuficiência da oferta doméstica para atender as necessidades do país.17 Apesar do ritmo de crescimento que o setor siderúrgico doméstico vinha sendo capaz de sustentar ao longo do período, concretamente ele simplesmente não podia produzir os principais itens laminados que vinham sendo importados. Pelo menos até 1942, a produção de trilhos com maior densidade linear esteve fora das possibilidades produtivas de qualquer empresa em operação no país. A primeira empresa a começar a produção de arame farpado foi a Belgo-Mineira em 1940. Havia empresas que fabricavam tubos, mas apenas tubos feitos por centrifugação de ferro fundido, e não outros tipos de tubos, o que restringia as possibilidades de aplicação da produção doméstica desses produtos. Até meados da década de 1940, nenhuma empresa no país produzia quer chapas, quer folhas de Flandres, quer perfis que não os mais leves. Portanto, o gargalo produtivo do setor, tanto quantitativa quanto qualitativamente, residia na produção de laminados. Ou seja, apesar do desenvolvimento do setor desde a década de 1920, uma das principais limitações do setor siderúrgico nacional para atender às necessidades do país consistia na insuficiente diversificação dos produtos que era capaz de produzir. Ainda no início da década de 1940, os tipos de produtos laminados que compunham a maior parcela do consumo simplesmente não podiam ser supridos pelo setor produtivo doméstico.

Agravava essa situação a circunstância de que uma consequência do processo de diversificação da composição da demanda por produtos siderúrgicos com a manutenção da dimensão global do mercado, que observamos acima, é que a escala de produção dos produtos finais individuais que o mercado nacional era capaz de absorver tornava-se correspondentemente menor. Claro, existe uma relação entre, por um lado, o volume global de produção e o tamanho do mercado e, por outro, a diversificação que é possível ao setor oferecer, operando através da escala econômica de produção. Essa articulação e os problemas a ela associados não passaram despercebidos aos contemporâneos. Em que pese todo o alarde em torno da “grande siderurgia” no país ao longo do período, mesmo então era claro que o mercado doméstico não comportava sequer uma única usina de grandes dimensões, se por grandes dimensões se entendessem os padrões internacionais à época. De fato, já em 1910, o general Francisco M. de Souza Aguiar foi enviado por Nilo Peçanha ao exterior para observar métodos e técnicas de produção do setor siderúrgico nos Estados Unidos e na Europa, tendo se preocupado, em particular, com a capacidade de produção das maiores usinas dos principais países produtores.18 Segundo o seu relatório, as grandes usinas internacionais à época distribuíam-se numa faixa que girava em torno de 500 mil t/ano a 2,5 milhões de t/ano,19 isto é, grosso modo de uma a cinco vezes o tamanho do mercado brasileiro inteiro de produtos siderúrgicos que, como vimos, permaneceu em torno das 500 mil t/ano ao longo das três décadas seguintes. Em outras palavras, a situação que se configurava para o setor no país era a de um monopólio natural.

É certo, porém, que essas grandes usinas internacionais não eram o melhor ponto de comparação para avaliar as possibilidades de operação, em escala suficientemente econômica, mesmo que não a mais econômica, de uma usina no Brasil. Mesmo nos mercados consolidados, existiam usinas menores - em alguns casos com uma produção mais especializada, mas nem sempre - e que conviviam com essas grandes num mesmo mercado. Raul Ribeiro da Silva ressaltou esse ponto no início da década de 1920. Segundo ele, das 242 fábricas existentes no setor nos Estados Unidos em 1916, cerca de 160 não atingiam as 500 mil t/ano de produção.20 Ademais, alguma margem nos diferenciais de custo de produção devido à menor escala produtiva poderiam ser compensados por outros fatores de ordem local, como os custos de transporte e mesmo os custos dos insumos e dos fatores de produção.21

Ainda assim, a dimensão do mercado doméstico, relativamente à escala de produção econômica do setor, impunha limites concretos às possibilidades de expansão e organização da produção siderúrgica no país. Essa circunstância gerava, por exemplo, um trade-off entre a escala de produção e o combate ao (potencial) poder de mercado das empresas do setor. Durante as discussões na década de 1910, as opiniões parecem ter tendido a sacrificar a escala de produção em favor de uma maior competição entre os produtores domésticos.22 De fato, muito das críticas à concessão feita em dezembro de 1910 aos empresários Carlos Wigg e Trajano de Medeiros dirigiu-se à extensão dos mesmos favores a outras empresas “para evitar o monopólio”. O que se vislumbrava então era a divisão do mercado entre três empresas com capacidade de 150 mil t/ano cada uma. Já ao final da década de 1930, a questão da escala de produção passou a pesar mais na balança. As propostas que gozaram de maior influência nesse período convergiam para a ideia de complementar o parque produtivo doméstico - que havia crescido significativamente desde 1910, atingindo então uma capacidade produtiva em torno de 180 a 200 mil t/ano23 - com a construção de uma única usina de capacidade em torno de 300 mil t/ano.24 Sobre isso, Edmundo de Macedo Soares observava: “Aliás, uma usina de 300 mil toneladas não pode ser considerada muito grande; é uma boa usina média”.25 Ainda assim, isso deixaria a empresa em questão no controle de cerca de 60% do mercado brasileiro. Essa ideia de complementar o parque produtivo já existente no país com uma única usina, aliás, se materializaria com a constituição da Companhia Siderúrgica Nacional em 1941, cujo plano de produção seria formulado manifestamente a partir desse critério - na expressão do relatório da Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional, talvez ainda mais explícita, de “completar a produção do nosso atual parque siderúrgico”.26 A capacidade de produção programada para a usina de Volta Redonda pela Comissão Executiva era, não surpreendentemente, de 300 mil t/ano.

A questão da escala de produção foi efetivamente um dos principais focos de conflito entre os contemporâneos durante o debate siderúrgico e manifestou-se em torno da conhecida polarização entre a “grande siderurgia” e a “pequena siderurgia” ou, mais explicitamente, do ponto de vista daqueles que observavam o problema antes da criação da Companhia Siderúrgica Nacional, “a nossa pequena siderurgia”. A discussão sobre a escala de produção, nestes termos, estava ainda diretamente associada a uma determinada escolha tecnológica quanto ao agente redutor (à época frequentemente chamado de “combustível”) mais apropriado para a produção siderúrgica no país. As usinas siderúrgicas existentes no país no período usavam todas o carvão vegetal como agente redutor, o que impedia a construção de altos-fornos maiores, em função da menor resistência à compressão do carvão vegetal. A “grande siderurgia” utilizaria como agente redutor o coque, produzido a partir do carvão mineral, o que permitiria o emprego de altos-fornos maiores. Ou seja, a dimensão mais visível de toda essa discussão sobre tecnologia e escala de produção no período esteve basicamente vinculada à primeira etapa de produção siderúrgica, a redução do minério de ferro no alto-forno para a produção de ferro-gusa. Contudo, se de fato havia uma aspecto técnico e econômico nessa discussão, essa era uma disputa essencialmente política, no plano federativo, na medida em que essa escolha tecnológica, dada a disposição geográfica dos insumos produtivos requeridos, tinha implicações diretas e conhecidas sobre a localização mais adequada para a produção siderúrgica.27

A historiografia, não sem razão, incorporou esse contraponto entre a “grande” e a “pequena” siderurgia como uma dimensão central de suas interpretações sobre o debate siderúrgico. Contudo, tomou isso como um problema sobretudo técnico e econômico e, na falta de informações mais detalhadas e sistemáticas sobre a composição da demanda, deixou de observar que os problemas mais críticos associados à escala de produção siderúrgica no país estavam ligados à etapa final de produção - a laminação - e não à redução do minério em ferro-gusa, ou no tamanho dos altos-fornos.28

De fato, como vimos acima, a proposta de complementar o parque produtivo existente no país com uma única usina, que veio a se concretizar com Volta Redonda, representava uma concessão feita à escala de produção, priorizando as economias de escala em relação à competição no mercado interno. Contudo, mesmo isso não colocava a usina planejada em condições de atender propriamente toda a diversidade da demanda doméstica, em função do descompasso entre consumo doméstico e a escala de produção economicamente adequada para produtos laminados individuais. Com efeito, se tomarmos os programas de produção propostos por Edmundo de Macedo Soares e Silva em 1938 e 1939 como os antecessores mais imediatos do que viria a ser a usina de Volta Redonda,29 observaremos que ela quase ficou sem uma seção de chapas por este motivo. Durante as discussões no Conselho Técnico de Economia e Finanças, em 1938, Macedo Soares foi categórico a respeito. O país importava uma média anual de “apenas (...) 22.600 [toneladas] de chapas simples, o que é muito pouco para compensar a instalação, no momento, dos laminadores para esse serviço”.30 Se o governo tivesse um programa naval e de construção de vagões e se fosse ampliada a indústria de caldeiraria no país “teríamos vasto campo a explorar para as chapas”. Contudo, esse consumo não existia correntemente, “precisa[va] ser criado”. Em 1939, ao ser enviado pelo ministro da Viação Mendonça Lima à Europa e aos EUA para tratar de questões associadas à exportação de minério de ferro e à organização de uma nova usina siderúrgica, a questão das chapas ainda o preocupava.31 De fato, predominava no país o ceticismo quanto à possibilidade de fabricação de apenas 50 mil t de chapas por ano, que era o que então se projetava que o mercado brasileiro comportaria. Do ponto de vista técnico, o problema consistia em que a aquisição de um trem laminador esboçador - máquina que prepara os esboços chatos para chapas (os slab-blooms, com seção transversal retangular) - dedicado apenas à produção dessa pequena quantidade de chapas seria claramente pouco econômico. A usina já precisaria contar, de qualquer forma, com um trem laminador esboçador para os esboços para perfis (os blooms, com seção transversal quadrada ou próxima disso). Mas o volume de perfis requerido era maior. Um trem laminador esboçador era, ao mesmo tempo, um equipamento de custo bastante elevado e de alta capacidade de produção. Macedo Soares estimava o custo desse laminador em £ 300.000, o que correspondia a em torno de 7% dos gastos totais a serem realizados no exterior para a construção da usina inteira.32 Cada trem esboçador tinha capacidade para produzir entre 1.500 e 2.000 t/24h. Em suma, adquirir um esboçador só para chapas, para produzir 150 t/24h, “seria mau emprego para uma grande soma”. Mas as visitas técnicas e os contatos realizados na Europa haviam lhe permitido encontrar uma boa solução intermediária. A firma alemã Sack, de Düsseldorf, havia recentemente fornecido a uma usina inglesa um trem esboçador capaz de produzir, alternadamente, tanto esboços para perfis (com dimensões entre 7 x 7 pol a 5 x 5 pol) quanto esboços para chapas (com dimensões entre 16 x 4 pol a 12 x 2 pol). Com um esboçador desse tipo, sugeria Macedo Soares, seria possível à usina trabalhar por dois meses no ano preparando os esboços para chapas, e o restante do tempo preparando os esboços para perfis. Portanto, na ausência dessa solução técnica viabilizada pela Sack, com um trem esboçador que permitia o uso alternado para esboços para perfis e esboços para chapas, possivelmente Volta Redonda não incluiria, ao menos inicialmente, a produção de chapas. De fato, a aquisição de um equipamento desse custo para ser utilizado em 10% ou menos da sua capacidade de produção não se justificava. E mesmo nesse uso alternado do trem esboçador, o equipamento ainda estaria operando com elevado grau de ociosidade. Segundo Macedo Soares, o esboçador seria capaz de absorver nada menos que a triplicação da produção de chapas, com pequenos ajustes operacionais.

Em outras palavras, o problema de escala mais grave que se colocava frente à solução do “problema siderúrgico nacional” era menos de limite do seu tamanho agregado global com relação à escala necessária à produção econômica de ferro-gusa e mais da pequena dimensão da demanda por produtos laminados individuais, vale dizer, da estrutura da demanda mais do que do seu tamanho.33 Questão que ficou praticamente ausente da historiografia sobre o tema.

Esses problemas associados à insuficiência do mercado brasileiro para dar vazão à produção doméstica em escalas mais econômicas eram ainda agravados pela falta de padronização dos produtos fabricados e consumidos no país, o que gerava uma fragmentação adicional do mercado em variedades de produtos similares, mas não compatíveis ou substituíveis entre si.34

Portanto, se é certo que o parque produtivo siderúrgico doméstico tinha limitações concretas, quantitativas e qualitativas, para o adequado atendimento da demanda. Por outro lado, se consideradas a sua dimensão absoluta, o seu fraco crescimento ao longo do período e a sua diversificação, o mercado brasileiro impunha os seus limites no que diz respeito à escala de produção siderúrgica que era capaz de absorver.

A restrição externa

Se há bons motivos para considerarmos a evolução do consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos como o melhor indicador objetivo disponível da demanda por esses produtos e os picos do consumo aparente como o melhor indicador da dimensão desse mercado no período em análise, por outro lado, não podemos deixar de discutir algumas de suas limitações. Não só porque a questão tem importância metodológica para a nossa análise, mas também porque é apenas tendo claros esses limites que podemos entender mais precisamente como os contemporâneos se basearam em dados de consumo aparente para obter medidas práticas da variável de interesse.

De fato, a forma como os autores contemporâneos viam o problema sofreu uma evolução ao longo das mais de três décadas do debate siderúrgico, sobretudo no que diz respeito à importância das restrições de ordem cambial ou, mais especificamente, da importância da ausência de restrições às importações para o adequado suprimento da demanda interna de produtos siderúrgicos. Já apontamos acima o quão fundamental era a oferta externa para o suprimento da demanda interna nesse setor ao longo do período, e isso apesar de todo o desenvolvimento que experimentou a produção doméstica. Do ponto de vista das estimativas da dimensão do mercado doméstico, a contrapartida disso é que o reconhecimento de que as importações estavam sujeitas a restrições externas, de origem propriamente cambial ou por restrições da oferta externa, introduz uma cunha no uso do consumo aparente corrente como medida direta do tamanho do mercado doméstico. Afinal, se a produção doméstica é limitada e as importações estavam sujeitas a algum tipo de restrição, cumpre concluir que as necessidades domésticas, nessas circunstâncias, poderiam não estar sendo plenamente atendidas. Isto é, que o consumo aparente corrente poderia ser, em alguma medida, menor do que o tamanho do mercado.

Além disso, cabe ainda observarmos que, a despeito da relativa estabilidade do tamanho do mercado de produtos siderúrgicos, a importância econômica do setor crescia. Por um lado, a participação da produção siderúrgica doméstica no produto ampliou-se ao longo do período. De fato, o setor siderúrgico cresceu a taxas bastante elevadas - 20,4% a. a. em média entre 1919 e 1940 - claramente superiores às da economia como um todo e mesmo superiores às do setor industrial em seu conjunto. Esse processo de expansão foi acompanhado de uma correspondente queda nos coeficientes de importação de produtos siderúrgicos. No caso dos laminados que, como vimos, compunham a maior parte da demanda, o coeficiente de importação em valor caiu de 100% em 1919 para 76,1% em 1940.35

Por outro lado, e mais importante do ponto de vista da análise sendo aqui conduzida, apesar do esforço substitutivo em andamento, a pressão das importações siderúrgicas seguia montando. De fato, a participação do valor das importações de produtos siderúrgicos no valor nas importações totais, em meio a oscilações, mostrava uma visível tendência de crescimento ao longo do período, como podemos notar no gráfico 4. Como vemos, a participação dos produtos siderúrgicos no valor das importações totais fora de menos de 3% em 1901, atingindo pouco mais de 8% no pico de importações de 1913. Na década de 1930, em contrapartida, uma vez a economia emergida da crise, as importações de produtos siderúrgicos nunca responderam por menos de 8% do valor das importações totais no período 1934 a 1941, atingindo por vezes picos próximos dos 11%.

Fonte: Calculado a partir de dados de importação de produtos siderúrgicos na tabela A-4, no apêndice, e dados das importações totais em BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República. Tese de doutorado, Departamento de Economia, FEA-USP, São Paulo, 2011, p. 215-216.

Gráfico 4 Participação dos produtos siderúrgicos no valor das importações totais (1901-1947) 

O reconhecimento pelos contemporâneos da importância da restrição externa para o problema siderúrgico foi algo que foi ganhando consistência ao longo do período. Concretamente, uma maior clareza a esse respeito só transparece nas fontes contemporâneas no decorrer da década de 1930. Por exemplo, o relatório final da Comissão Nacional de Siderurgia de 1933 é um caso claro de um reconhecimento mais incisivo do papel da restrição externa para o “problema”:

A média anual das importações brasileiras de produtos siderúrgicos, durante o quinquênio 1926-1930, foi de 453.498 toneladas, no valor de 560.958:246$000. (…)

O valor médio das nossas importações totais, durante o mesmo quinquênio, foi de 3.109.030:000$000; os produtos siderúrgicos representaram assim 18,4% dessa importância. É a maior parcela das nossas importações; só o trigo e os combustíveis e lubrificantes com, aproximadamente, 415.302:400$000 e 365.278:000$000 respectivamente dela se aproximam.

Produtos siderúrgicos, trigo e combustíveis e lubrificantes constituem cerca de 50% do valor das importações do Brasil. São os problemas básicos da nossa economia, de que figura, em primeiro lugar, a “siderurgia”.36

No início da década de 1940, a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional retomaria a questão, enfatizando que essa participação havia passado de 18,4% no quinquênio 1926-1930 para 29,6% no quadriênio 1935-1938.37

Outra faceta da questão são as limitações dos dados de consumo aparente para a estimativa da demanda, em função das restrições cambiais e, mesmo, para a estimativa do tamanho do mercado. Em 1938, Francisco Campos, em relatório a Getúlio Vargas sobre a Itabira Iron Ore Co., ao comentar a estimativa do tamanho do mercado siderúrgico doméstico da Comissão Nacional de Siderurgia, articulava com clareza o problema: “o nosso consumo, limitado pelas nossas disponibilidades no estrangeiro, não poderia corresponder, evidentemente, às nossas necessidades efetivas, - éramos forçados a um consumo inferior às nossas exigências”.38 No ano seguinte, Edmundo de Macedo Soares e Silva, em relatório apresentado ao Ministério da Viação, elaborava o problema de forma similar:

O consumo do País (produção nacional mais importação) é de cerca de 450.000 t/ano. Esse consumo corresponde ao que o País pode, atualmente, produzir e adquirir no estrangeiro; ele não corresponde às necessidades; essas são muito maiores e podem ser avaliadas, segundo estudos feitos cuidadosamente, em cerca de 600.000 t (…).39

Ao final da década de 1930, portanto, pelo menos nos círculos especializados, reconhecia-se explicitamente tanto a importância da restrição externa na definição do problema siderúrgico nacional como a insuficiência do uso do consumo (aparente) como indicador das necessidades de produtos siderúrgicos do país. Ainda que os acontecimentos e a experiência tenham levado os envolvidos na discussão a essa decantação conceitual da questão, de certa forma, ao menos implicitamente, esses aspectos do problema já faziam parte desde cedo das considerações dos contemporâneos em suas estimativas de mercado de forma algo difusa. O uso recorrente dos picos de consumo aparente nas estimativas do tamanho do mercado doméstico, que observamos acima, é testemunho desse fato.

Mas a restrição externa não era tampouco a única limitação à adequada estimativa da capacidade de absorção potencial de produtos siderúrgicos do mercado brasileiro. Francisco Campos, por exemplo, é enfático a esse respeito. Além de apontar que a consideração de anos de crise por parte da Comissão Siderúrgica Nacional implicava uma subestimativa da “nossa capacidade de consumo”, como acabamos de observar, ele enfatizava que a estimativa da Comissão desconsiderava ainda outro elemento essencial, a questão das necessidades futuras da economia, para além das correntes.40

Isso, aliás, nos traz a uma questão interessante, na medida em que os contemporâneos não adotaram uma perspectiva de longo prazo ao dimensionar o mercado, como as séries disponíveis neste artigo permitem. Pois, apesar disso, era muito frequente que os contemporâneos enfatizassem a tendência de crescimento do mercado de produtos siderúrgicos doméstico.41 Mais raramente, alguns arriscavam projeções para prazo mais longo.42 O que se pode inferir do exame dessas projeções é que, em que pese o comportamento efetivo do tamanho do mercado ao longo do debate siderúrgico, a perspectiva dos contemporâneos encontrava claramente espaço para certo otimismo quanto ao setor e para assumir uma tendência de crescimento desse mercado. Não se tratava propriamente de uma dissonância cognitiva. O fato apontado nesse artigo de que tanto o tamanho do mercado de produtos siderúrgicos quanto a percepção dos contemporâneos sobre o tamanho desse mercado praticamente não cresceram nas mais de três décadas ao longo das quais o debate siderúrgico se desenrolou não deve nos levar à conclusão de que esse mercado não tinha potencial de crescimento. Uma composição entre a restrição externa e a redução do ritmo da construção ferroviária pode, a meu ver, dar conta desse arrefecimento prolongado do crescimento do mercado doméstico de produtos siderúrgicos ao longo dessas décadas,43 sem necessariamente estabelecer uma tendência a prazo ainda mais longo. De fato, em retrospecto, o crescimento do setor no período pós-Segunda Guerra testemunha esse potencial. A crescente internalização da produção do setor e a continuidade do processo de industrialização levariam o consumo aparente de laminados em 1960 a 2,1 milhões de toneladas e a produção doméstica de laminados em 1967 a 2,9 milhões de toneladas.44

Em suma, a despeito desse otimismo com o potencial do mercado no longo prazo, reconhecia-se que a restrição externa resultava numa eventual compressão do consumo aparente de produtos siderúrgicos, com relação ao que se daria na sua ausência. Se isso de fato impõe limitações e nos obriga a qualificações no uso das séries de consumo aparente extrassetorial aqui apresentadas para fins de estimação da demanda corrente e da dimensão do mercado de produtos siderúrgicos à época, na prática é também difícil substituí-las nesse papel. Pois qualquer outra estimativa de demanda ou de mercado recairá, necessariamente, no requisito de realizar uma estimativa contrafactual de qual teria sido esse consumo na ausência da restrição externa. Diante disso, o expediente de avaliar o potencial do mercado doméstico a partir dos anos de pico do consumo aparente, introduzido e sancionado pelos contemporâneos, parece ser ainda a melhor alternativa prática.

Considerações finais

Este artigo passou em revista a demanda brasileira por produtos siderúrgicos no período entre 1901 e 1940, tendo examinado distintos aspectos desse objeto: i) sua dimensão, tanto em quantidade, como em valor, como em participação no valor das importações; ii) sua composição; e iii) sua evolução no tempo ao longo do período. Na medida em que a insuficiência da oferta interna e os inconvenientes da oferta externa para atender essa demanda constituíam a essência mesma do “problema siderúrgico nacional”, que foi objeto de um longo debate entre o final da década de 1900 e o início da década de 1940, dedicamos especial atenção a como os contemporâneos conceberam essa dimensão material do problema. Para tanto, fizemos uso de ampla base de fontes primárias, incluindo diversas propostas e intervenções contemporâneas que procuravam estimar a dimensão do mercado doméstico desses produtos e também dados de importação e exportação compilados a partir de dados brutos desagregados previamente indisponíveis na historiografia.

A partir desse conjunto de fontes, pudemos observar que, ao longo das pouco mais de três décadas durante as quais se desenrolou o debate siderúrgico no Brasil, a principal medida disponível da dimensão do mercado de produtos siderúrgicos doméstico, o consumo aparente, oscilou bastante ao sabor da conjuntura do setor externo, mas os seus picos, que representam talvez o melhor indicador do potencial do mercado, apresentaram certa estabilidade. As estimativas contemporâneas da dimensão do mercado, apesar da grande dispersão, também refletiam esse comportamento dos picos de consumo aparente.

Por outro lado, em paralelo com essa relativa estabilidade quantitativa do tamanho do mercado, a demanda por produtos siderúrgicos se diversificava e, globalmente, esses produtos também ampliavam sua participação no valor total das importações. Essa diversificação respondia também ao desenvolvimento da economia brasileira em geral e ao processo de industrialização em particular, na medida em que a composição das importações e do consumo de produtos siderúrgicos, especialmente o de laminados, evoluía ao longo do período no sentido de uma maior participação de produtos com usos mais propriamente industriais, em detrimento de outros, como trilhos e arame. Além disso, a dimensão absoluta do mercado, o seu fraco crescimento ao longo do período e a sua diversificação conjuntamente impunham certas restrições quanto ao que seria possível produzir no país em escala minimamente econômica, sobretudo no que diz respeito a produtos laminados individuais.

Ademais, foi marcante a importância da restrição externa na definição dos contornos do mercado siderúrgico brasileiro ao longo do período e, portanto, também no que se entende, e se entendia então, por “problema siderúrgico nacional”. A restrição externa claramente pesou sobre a evolução do consumo de produtos siderúrgicos no período tendo em vista tanto a frequência quanto a força com que se apresentou no período em análise, tanto mais se consideradas a importância da oferta externa para o suprimento da demanda doméstica por produtos siderúrgicos e a significativa participação destes na pauta global de importações. A relevância dessa questão transparece inclusive numa evolução do pensamento sobre o problema siderúrgico nacional ao longo do período, tornando as formulações a respeito cada vez mais claras e precisas e, eventualmente, assumindo mesmo a centralidade na definição do problema.

Por fim, cumpre reconhecer que essa importância da restrição externa implica em certas limitações para o uso do consumo aparente como indicador da demanda e da dimensão do mercado interno. Contudo, embora os dados aqui apresentados mereçam essas qualificações e a análise com base neles deva levar isso em consideração, eles claramente constituem as medidas mais adequadas das variáveis de interesse, entre as objetivamente disponíveis.

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1No tratamento da questão siderúrgica e do longo debate a seu respeito, que se desenrolou entre o final da década de 1900 e o início da década de 1940, destacam-se na historiografia os trabalhos de BAER, Werner. The development of the Brazilian steel industry. Nashville, TN: Vanderbilt University Press, 1969; BAER, Werner. The steel industry. In: BERGSMAN, Joel. Brazil: Industria lization and trade policies. Londres: Oxford University Press, 1970; MARTINS, Luciano. Pouvoir et développement économique: formation et évolution des structures politiques au Brésil. Paris: Antrophos, 1976; SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. O ferro na história e na economia do Brasil. Rio de Janeiro: Comissão Executiva Central do Sesquicentenário da Independência do Brasil, 1972; WIRTH, John D. The politics of Brazilian development, 1930-1954. Stanford, CA: Stanford University Press, 1970; RADY, Donald E. Volta Redonda: A steel mill comes to a Brazilian coffee plantation. Albuquerque, New Mexico: Rio Grande Publ., 1973; CALLAGHAN, William Stuart. Obstacles to industrialization: the iron and steel industry in Brazil during the Old Republic. Ph.D. diss., University of Texas at Austin, 1981; TRINER, Gail D. Mining and the State in Brazilian development. Londres: Pickering & Chatto Ltd., 2011; BASTOS, Humberto. A conquista siderúrgica no Brasil. São Paulo: Livraria Martins Edi tora, 1959; GOMES, Francisco M. História da siderurgia no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983; PELÁEZ, Carlos Manuel. História da industrialização brasileira: Crítica à teoria estruturalista no Brasil. Rio de Janeiro: Apec, 1972; SUZIGAN, Wilson. Indústria brasileira: origem e desenvolvimento. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 256-278; BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República. Tese de doutorado, Departamento de Economia, FEA-USP, São Paulo, 2011; e BARROS, Gustavo. Discurso e contexto: política siderúrgica no primeiro governo Vargas (1930-1937), 2014: Disponível em: <https://mpra.ub.uni-muenchen.de/57656/>. Dentre estes, os trabalhos de Werner Baer, Edmundo de Macedo Soares e Silva e Gustavo Barros são os mais aprofun dados na reconstrução do processo de desenvolvimento do setor siderúrgico no período.

2Para uma visão mais geral sobre o debate siderúrgico e sobre as diversas propostas e inter venções feitas no período, ver os trabalhos citados na nota 1.

3Informações detalhadas sobre os resultados do levantamento podem ser encontradas na tabela A-1 do apêndice. O conjunto de fontes utilizado para os levantamentos aqui consolidados é bastante mais amplo do que os que foram selecionados para análise – vale dizer, do que os que continham alguma estimativa quantitativa da dimensão do mercado doméstico. Os arquivos consultados de forma mais sistemática incluem o Arquivo Nacional (especialmente Fundos do Conselho Nacional de Economia e do Gabinete Civil da Presidência da República), o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) (com destaque para as coleções de Edmundo de Macedo Soares, Getúlio Vargas e Juarez Távora) e a Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro (Biblioteca Domingos Marques Grello). Para mais detalhes sobre as fontes subjacentes a este levantamento ver BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República, op. cit.

4A seleção dos outliers em questão foi feita com base no método sugerido por GREENE, William H. Econometric analysis. 5a edição. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall, 2003, p. 60-61.

5BAER, Werner. The development of the Brazilian steel industry, op. cit.; BAER, Werner. The steel in dustry, op. cit.

6É justo que se diga que, a meu ver, o principal interesse de Baer era com a evolução do coe ficiente de importação, para o que o consumo aparente era uma conta subsidiária. Contudo, essas limitações aqui discutidas também têm, em alguma medida, implicações para as séries de coeficiente de importação.

7BAER, Werner. The development of the Brazilian steel industry, op. cit., p. 61; BAER, Werner. The steel industry, op. cit., p. 205. Não tive acesso direto à fonte de dados dele. De fato, o autor não cita nenhuma publicação específica, diz apenas que são dados da FGV. As críticas que faço a seguir não querem dizer que esses dados tenham, em si mesmos, problemas. Se o objetivo das séries da FGV era simplesmente utilizá-las como indicadores macroeconômicos gerais, elas seriam bastante adequadas para o fim em vista. Na verdade, podemos dizer muito pouco a respeito, na ausência de maiores informações sobre métodos, critérios e utilização dos dados. Contudo, para os objetivos deste artigo, os dados merecem os reparos aqui feitos.

8A única exceção que conheço é a estimativa da Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional, que leva as exportações de ferro-gusa em consideração. Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório. Rio de Janeiro, 1940-1941, p. 5-9.

9Ver a tabela A-5 do apêndice.

10Estatísticas detalhadas estão disponíveis no apêndice.

11O coeficiente de importações de laminados em quantidade foi, em 1928, de 92,8% e, em 1937, ainda era de 82,9%. O coeficiente em valor, nesses mesmos anos, foi respectivamente de 90,7% e 86,8%.

12Ver a tabela A-1 do apêndice.

13Informações sobre a industria siderurgica pelo Dr. Gonzaga de Campos, [1916]. Boletim do Serviço Geologico e Mineralogico do Brasil, no 2, 1922, p. 17.

14Esse destaque à década de 1930 como um momento de intensificação dos debates sobre o problema siderúrgico no país é um traço generalizado na historiografia, tipicamente associado às posições mais incisivas sobre a questão siderúrgica adotadas pelo novo governo instalado após a revolução e ao processo de industrialização intensificado pela conjuntura econômica do período. Werner Baer, por exemplo, é explícito em associar a “ansiedade” de Vargas e sua entourage em “promover a construção de uma usina siderúrgica integrada” dado que os pro dutores existentes “não conseguiam suprir o crescente consumo de produtos pesados de aço de que dependiam as ferrovias, a indústria naval e mesmo uma grande parte da construção civil”. BAER, Werner. The development of the Brazilian steel industry, op. cit., p. 64. Em direção similar, ver também WIRTH, John D. The politics of Brazilian development, 1930-1954, op. cit., p. 72; e RADY, Donald E. Volta Redonda: A steel mill comes to a Brazilian coffee plantation, op. cit., p. 116.

15Não possuímos dados desagregados por produto para a produção doméstica de laminados. Mas, na medida em que, como observamos acima, os laminados compunham a maior parte do consumo total de produtos siderúrgicos e que os coeficientes de importação desse tipo de produto eram bastante elevados, o exame da composição das importações de laminados nos dá um bom indicador a respeito.

16Calculado a partir de dados de SAES, Flávio Azevedo Marques de. As ferrovias de São Paulo, 1870- 1940. São Paulo: Hucitec, 1981, p. 24. Flávio Saes trata detalhadamente do processo de declínio das principais estradas de ferro paulistas durante o período (ver, em particular, p. 29, 49-54). Para uma fundamentada reconstrução desse processo de redução do ritmo de crescimento ferroviário do ponto de vista do também importante caso mineiro, ver BATISTA, Felipe Al varenga; BARBOSA, Lidiany Silva; GODOY, Marcelo Magalhães. Transportes, modernização e formação regional – Subsídios à história da era ferroviária em Minas Gerais, 1870-1940. Revista de História Regional, vol. 17, n. 1, 2012, p. 162-203.

17Para uma descrição detalhada das empresas existentes e criadas no período em análise, bem como das suas possibilidades produtivas, ver BARROS, Gustavo. O desenvolvimento do setor siderúrgico brasileiro entre 1900 e 1940: Criação de empresas e evolução da capacidade pro dutiva. Revista de História Econômica e Economia Regional Aplicada (Heera), vol. 8, n. 14, jan-jun 2013; e SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. O ferro na história e na economia do Brasil, op. cit., p. 85-89.

18AGUIAR, Francisco M. de Souza. A industria siderurgica: Relatorio apresentado ao exmo. sr. presidente da Republica pelo general F. M. de Souza Aguiar. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910.

19Para as capacidades das diversas usinas por ele referidas, ver Idem, op. cit., p. 82, 110-111, 160, 162, 165, 167, 170, 175.

20SILVA, Raul Ribeiro da. O problema da siderurgia no Brasil e o contracto da Itabira Iron Ore Company Limited. Rio de Janeiro, 1922, p. 31-34. Ele acrescenta ainda: “Com mais detalhe, diremos que, dessas 242 fabricas, apenas 10 produziram mais de 1 milhão de toneladas; 9 produziram de 500 a 1 milhão, 88 de 100 a 500.000 e 77 dessas fábricas produziram menos de 100.000 toneladas durante aquele ano” (p. 31). Infelizmente, a soma dele não fecha, e de maneira que é difícil saber onde está o equívoco. Em todo caso, as 77 mais as 88 dos dois estratos de usinas menores se aproximam das “cerca de 160” mencionadas.

21Raul Ribeiro da Silva não as menciona, mas evidentemente os fatores incluem também as tarifas de importação.

22Sobre o debate siderúrgico nessa década e sobre a concessão a Wigg e Medeiros em particular, bem como sobre a reação que suscitou, ver BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República, op. cit., cap. 3.

23SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Relatório sobre exportação de minérios de ferro e orga nização de uma nova usina siderurgica apresentado pelo major Edmundo de Macedo Soares e Silva, 1939. CPDOC - EMS pi Soares, E. 1939.07.10, p. 49; Companhia Brasileira de Usinas Metallurgicas. Memorial apresentado pela Companhia Brasileira de Usinas Metallurgicas ao Conselho Technico de Economia e Finanças em 31 de maio de 1938. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, Rodrigues & Cia, 1938, p. 4-7, e anexos 2 a 4. Sobre a evolução da ca pacidade produtiva do setor ver BARROS, Gustavo. O desenvolvimento do setor siderúrgico brasileiro entre 1900 e 1940: Criação de empresas e evolução da capacidade produtiva, op. cit.

24Ver, por exemplo, SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Exportação de minérios e siderurgia. Exposição ao Conselho Técnico de Economia e Finanças em 27-V-938, AN-35, lata 507, 1939, p. 32-33, 36, 39, 55; e Idem. Relatório sobre exportação de minérios de ferro..., op. cit., CPDOC - EMS pi Soares, E. 1939.07.10, p. 11, 30, 32. Nesses trabalhos, os planos de produção das usinas propostas por Macedo Soares visavam a construção de uma usina para atender praticamente a totalidade das importações correntes, ainda que com expansões futuras já previstas. Visto de outra forma, a usina estava sendo dimensionada para atender o “consumo aparente – pro dução doméstica”, isto é, complementar o parque produtivo existente. Sobre outras propostas no período ver Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda. A grande siderurgia e a exportação de minério de ferro brasileiro em larga escala. Rio de Janeiro, 1938; e Conselho Federal de Comércio Exterior. Dez anos de atividade. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944.

25SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Exportação de minérios e siderurgia, op. cit., AN-35, lata 507, 1939, p. 20.

26“Fixado o dimensionamento da usina, tal como está enunciado na ‘Memória’ anexa, o programa de produção foi estabelecido com o objetivo de instalar-se uma usina siderúrgica que vem completar a atual produção nacional. (...) O problema foi encarado tecnicamente, como devia ser, visando-se obter uma produção barata que virá completar a produção do nosso atual parque siderúrgico”. Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório, op. cit., p. xi, ver também p. vii, 3-9.

27Para uma discussão sobre essa articulação entre a escolha tecnológica e a localização da(s) usina(s) siderúrgica(s) visada(s) no debate ver BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República, op. cit., especialmente as Considerações finais.

28Ver, por exemplo, SUZIGAN, Wilson. Indústria brasileira: Origem e desenvolvimento, op. cit., p. 256-278; BAER, Werner. The development of the Brazilian steel industry, op. cit.; WIRTH, John D. The politics of Brazilian development, 1930-1954, op. cit.; RADY, Donald E. Volta Redonda: A steel mill comes to a Brazilian coffee plantation, op. cit.; e PELÁEZ, Carlos Manuel. História da industrialização brasileira..., op. cit.

29Ver nota 24, acima. Macedo Soares veio a ser efetivamente o responsável pela elaboração do programa de produção da usina de Volta Redonda. Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório, op. cit., p. 3-37.

30SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Exportação de minérios e siderurgia, op. cit., AN-35, lata 507, 1939, p. 11.

31SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Relatório sobre exportação de minérios de ferro e or ganização de uma nova usina siderurgica..., op. cit., CPDOC - EMS pi Soares, E. 1939.07.10.

32Macedo Soares havia solicitado orçamentos para a Brassert e para a Demag, cujos valores totais se aproximavam bastante, e previam ambos gastos no exterior de em torno de £ 4,2 milhões.

33Sobre essa questão, ver ainda Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório, op. cit., especialmente “Relatório dos engenheiros-consultores Arthur G. McKee & Co., de Cleve land, Ohio, E.U., sôbre os estudos da Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional para a instalação de uma usina siderúrgica no Brasil”, p. 108-109; e “Memória sôbre a organização de uma usina siderúrgica no Brasil (relator: tte. cel. E. Macedo Soares e Silva)”, p. 31-32.

34Essa questão preocupou, por exemplo, a Comissão Nacional de Siderurgia e Juarez Távora. Relatório final da Comissão Nacional de Siderurgia, [jul./1933]. Boletim do Serviço Geologico e Mi neralogico do Brasil, no 75, 1935, p. 170; e TAVORA, Juarez. O contrato da Itabira Iron Ore Co. Ltd. em face dos interesses da economia nacional e do problema da siderurgia brasileira. Mineração e Metallurgia, vol. 2, no 10, Rio de Janeiro, nov.-dez. 1937, p. 263.

35Para uma discussão detalhada do processo de crescimento e substituição de importações do se tor no período, incluindo uma discussão sobre a evolução dos coeficientes de importação e um exame do crescimento da produção siderúrgica doméstica em confronto com o restante do setor industrial, ver BARROS, Gustavo. O desenvolvimento do setor siderúrgico brasileiro entre 1900 e 1940: Crescimento e substituição de importações. Estudos Econômicos, vol. 45, n. 1, jan.-mar. 2015.

36Comissão Nacional de Siderurgia. [Estudo sobre o problema siderúrgico], 22/jun/1933. Boletim do Serviço Geologico e Mineralogico do Brasil, no 75, 1935, p. 151-71. A citação é da p. 152.

37Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório, op. cit., p. 8. Evidentemente, nessas cifras, ambas as comissões estão considerando um escopo consideravelmente mais abrangente de “importações de produtos siderúrgicos” do que o que utilizamos neste trabalho.

38CAMPOS, Francisco. Itabira Iron Ore Co., Rio de Janeiro 14/4/1938, CPDOC - GV confid 1938.04.14, p. 12-3.

39SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Relatório sobre exportação de minérios de ferro..., op. cit., CPDOC - EMS pi Soares, E. 1939.07.10, p. 49.

40CAMPOS, Francisco. Itabira Iron Ore Co., op. cit., CPDOC - GV confid 1938.04.14, p. 12-3.

41Ver as observações da tabela A-1 do apêndice.

42Ver, por exemplo, BRAGA, Cincinato. Projecto n. 263 – 1919, Fixa a despeza do Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio para o exercicio de 1920, 15/8/1919. Diario do Congresso Na cional, ano XXX, n. 99, 2/9/1919, p. 1914-17; Julian Kennedy, Sahlin & Co. Limited., Engineers. Proposal for Brazilian Iron & Steel Industry projected by Messrs. Carlos Wigg and Trajano S. V. de Medeiros, setembro de 1911, CPDOC - EMS d 1911.09.00, doc I-1, p. 25-28; Indústria siderúrgica no Brasil. Relatório conjunto das Comissões Brasileira e Americana, 20/10/1939. In: SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. O ferro na história e na economia do Brasil, op. cit., p. XXXIX; SILVA, Raul Ribeiro da. Industria siderurgica e exportação de minerio de ferro: Estudo, projecto e proposta, apresentados ao governo federal. Rio de Janeiro, 1938, p. 42; BRAGA, Cincinato. Magnos problemas econômicos de São Paulo. 2a edição. São Paulo: Zenith, 1924 [1a edição, 1921], p. 254; Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório, op. cit., p. 5-9.

43Contudo, uma avaliação formal da proposição é de difícil realização, uma vez que envolveria uma estimativa de qual teria sido o consumo aparente na ausência da restrição externa.

44BAER, Werner. The development of the Brazilian steel industry, op. cit., p. 85.

Apêndice

Tabela A-1 Estimativas contemporâneas da dimensão do mercado corrente de produtos siderúrgicos (1905-1944)  

Ano Estimativa (t/ano) Autor Sigla Base da estimativa Observações
1905 85.000 João Pandiá Calógeras JPC - Consumo de fonte em aproximadamente 25 mil t/ano e o consumo de ferro e aço em cerca de 60 mil t/ano.
1910 340.000 Francisco M. de Souza Aguiar FMAS Importações de 1909 Afirma que, na verdade, importações de material de ferro de 1909 foram superiores à cifra de 340 mil t. “Para substituir toda a importação atual seria necessário que os fornos altos produzissem desde logo cerca de 1.000 toneladas de ferro por dia (...)”. Além disso, destaca que o mercado está em franco crescimento, tendo crescido em torno de 80% de 1904 a 1908.
1911 295.0484 Julian Kennedy, Sahlin & Co., Limited (Engineers) JKS Importações de 1907-1908 Consideram importações desagregadas, inclusive tratando do mercado para a usina em questão a partir de um subgrupo dessas importações que estavam previstos no plano de produção. Mencionam que as importações nos anos de 1907-08 foram anos de crise e, portanto, as importações nesses anos estariam em seu ponto mais baixo. Além disso, consideram que “the fact of these articles being obtainable in the country at a presumably reduced price, and with greater facility, would rapidly increase demand”.
1912 450.000 Clodomiro de Oliveira CO Importações de 1912 O autor considera e analisa importações no período 1902-1912, mas ao se manifestar sobre “a produção necessária ao consumo do país”, ele recai implicitamente na cifra aproximada das importações de 1912. Ressalta também o rápido crescimento das importações no período examinado. O autor não tem os dados completos para 1912 e simplesmente dobra a cifra do primeiro semestre, que dá exatamente 455.706.420 kg.
1916 500.000 Gonzaga de Campos GC Importações (nos últimos anos normais) Por “últimos anos normais” subentendem-se 1912 e/ou 1913. O autor também afirma que “as necessidades de consumo do país, que são três vezes maiores do que a produção marcada no contrato de 1911”, vale dizer, que são de 450 mil t/ano.
1919 359.836 Cincinato Braga CB Importações entre 1904 e 1913 O autor ressalta que o “progresso foi lentíssimo” nesses anos. O autor usa esses dados e apreciações qualitativas sobre a economia para realizar projeções de longo prazo.
1919 359.836 Elysio de Carvalho EC Importações entre 1904 e 1913 O autor considera inicialmente as importações na última década (1909-1918), cuja média foi de cerca de 280 mil t/ano. Mas, tendo em vista que os anos entre 1914 e 1918 foram excepcionais por conta da guerra, ele toma então a década entre 1904 e 1913, obtendo a cifra média indicada. Ele ainda destaca que, nessa década, “a nossa debilidade econômica foi notável”. (Na verdade ele está seguindo de perto Cincinato Braga, ao qual teve acesso).
1920 534.000 Clodomiro de Oliveira CO Importações em 1913 O autor apresenta dados de importação de trilhos pelos portos do Rio e São Paulo em 1909, e pelo do Rio em 1913. Esta última foi de 267 mil t, que são “cerca de metade da importação total de produtos siderúrgicos”.
1921 670.000 Clodomiro de Oliveira CO Importações em 1913 O autor apresenta dados desagregados de importação para 1913, 1915-1918 e 1920-1921, mas usa em seu argumento apenas a cifra de 1913. Ele ainda acrescenta certo número de produtos siderúrgicos, somando cerca de 90 mil t de importações em 1913.
1922 541.000 Raul Ribeiro da Silva RRS Importações de 1913 “Durante o último lustro que precedeu a guerra, a nossa importação de artigos de ferro e aço cresceu de uma maneira animadora para o progresso do país.” A cifra para as importações de 1913 consideram apenas “artigos de produção elementar” (aço e ferro em barras, chapas, vergas, fundido e gusa, arame farpado, superestrutura para edifícios, pregos, postes, trilhos e acessórios, tubos diversos).
1924 800.000 Clodomiro de Oliveira CO Importações de 1913 e necessidades de setores importantes na demanda de siderúrgicos Importações de 1913 em torno de 780 mil t. Além disso, partindo de uma conta em torno das necessidades de expansão das ferrovias e do saneamento, ele chega à necessidade de 400 mil t/ano. Incluindo outros produtos básicos, ele “arredonda” para 500 mil e incluindo ainda outros produtos, já não tão básicos, chega a 800 mil t/ano, que é uma cifra próxima das importações de 1913. O autor também enfatiza que a importação do Brasil, entre 1902 e 1913, vinha duplicando a cada quinquênio.
1924 541.000 Nelson de Senna NS Importações de 1913 O autor argumenta que 1913 foi o último ano de comércio regular antes da Grande Guerra. Dados agregados para 1919-21 são fornecidos apenas em valor. Dados para produtos selecionados, para o período 1915-1921. Dados para 1913 são tomados para produtos propriamente siderúrgicos, não incluídas manufaturas mais elaboradas.
1925 450.000 Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia CBMM - A companhia faz proposta para produção de 150 mil t/ano de laminados, que corresponderiam a um terço do consumo total do país.
1926 554.534 José Pires do Rio JPR Importações de 1913 Antes da guerra, em 1913, o Brasil importou 774.587 t de ferro em trilhos, barras e máquinas. Mas “tomando-se, como faz o relatório, somente o peso do ferro de manufatura elementar (trilhos, barras, chapas) chegaríamos a 554.534 toneladas”. Mesmo em 1922, o peso do ferro importado montou em 268.149 t. Os dados são todos de um relatório de 1924, do Serviço Geológico e Mineralógico.
1928 300.000 Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional CEPSN Importações e produção entre 1926 e 1930 As importações médias no quinquênio 1926-30 foram de 260 mil t/ano e a produção média no mesmo período de 40 mil t/ano. 1928 foi especificado como o ano central do período.
1930 680.000 Euzébio Paulo de Oliveira EPO Importações de 1929 Oferece dados das importações entre 1925 e 1929, mas toma 1929 como base. Não entra em maiores detalhes sobre o que está incluído nessa soma (mas confronte com a segunda estimativa dele no mesmo ano).
1930 475.000 Euzébio Paulo de Oliveira EPO - Mais precisamente é “mais ou menos 450.000 a 500.000 toneladas por ano”. Não oferece nenhuma referência específica para a estimativa.
1932 200.000 Comissão Nacional de Siderurgia (relator Edmundo de Macedo Soares e Silva) CNS Importações selecionadas (sem referência a ano específico) Segundo o relatório, o Brasil importa, de acordo com as estatísticas oficiais, mais de 600 mil toneladas de ferro e aço por ano. No entanto, aí está incluída enorme variedade de artigos siderúrgicos importados: do simples ferro-gusa até as mais possantes locomotivas. A parte simples, que poderia desde já ser suprida pela nossa indústria, não chega a 200 mil toneladas. O resto é de “produtos técnico-econômicos”.
1933 364.344 Comissão Nacional de Siderurgia (relator Edmundo de Macedo Soares e Silva) CNS Importações e produção doméstica no período 1926-30 A estimativa é baseada em exame detalhado das importações de produtos de ferro e aço desagregadas, com seleção das categorias de produtos que podem ser produzidos por uma usina siderúrgica ou com pequenas transformações adicionais, e considerando também a produção doméstica, ambos no quinquênio pré-crise. As necessidades de produtos siderúrgicos assim estimadas estavam compostas por: i) 264.989 t de produtos da usina siderúrgica (importados), ii) 59.355 t de produtos de pequena transformação (importados) e iii) 40.000 t de produtos atualmente produzidos no país.
1934 200.000 Comissão dos Onze (relator Alcides Lins) C11 Estimativa da Comissão Nacional de Siderurgia Cita a CNS (parecer de 1932) literalmente nessa questão.
1936 260.000 Athos Rache AR Importações de 1934-1935 O autor parte das importações totais de ferro e aço (matérias primas e manufaturas) em 1934 e 1935, que estiveram em torno das 300 mil t/ano. Porém, “[d]estas 300.000 toneladas, somente umas duzentas mil poderiam ser fabricadas atualmente no Brasil, com sucesso, em vista da variedade de produtos ora importados e das condições conhecidas e que nos são peculiares”. Por fim, ele consigna a produção das usinas no país no ano anterior, de 64.445 t de gusa, 64.232 t de aço e 52.358 t de laminados. Embora o autor não faça, ele mesmo, essa soma, sendo esta, portanto, uma estimativa implícita, consideramos a produção interna como em torno de 60.000 t e somamos às importações que “poderiam ser fabricadas atualmente no Brasil” para obter a cifra indicada.
1936 1.000.000 Henrique Lage HL - O autor simplesmente afirma que necessidades nacionais sobem a centenas de milhares de toneladas e que não haveria exagero em estimá-las em cerca de um milhão de toneladas de ferro e aço por ano.
1937 300.000 Juarez Távora JT - A afirmação do autor é a de que o mercado interno “é inapto, no momento atual, para absorver a produção siderúrgica de uma grande usina (250.000 a 300.000 toneladas anuais)”, mas isso em função da falta de padronização dos produtos. Assim, assumimos a cifra indicada como o limite superior mencionado pelo autor.
1937 289.152 Alpheu Diniz Gonsalves ADG Importações e produção entre 1932-1936 O autor apresenta tabela que inclui dados de importação e produção, somando o consumo, entre 1927 e 1936. Na maior parte das análises ao longo do volume, ele assume o período 1932-1936 como o relevante; tomamos a média desse período como a cifra indicada.
1938 200.000 Pedro Demosthenes Rache PR Importações selecionadas Consumo atual de ferro e aço do Brasil excede as 500 mil t/ano. Mas esse consumo está disperso em grande variedade de produtos. Aqueles artigos de fabricação mais simples, que seria possível produzir “em condições aceitáveis”, são estimados em 200 mil t. Em suma, o autor implicitamente está seguindo a estimativa da CNS.
1938 312.000 Guilherme Guinle GG Importações e produção correntes Segundo o autor, a importação corrente de ferro e aço em produtos elementares atinge cerca de 200.000 toneladas. Já a produção atual das usinas do país é de 112 mil t de ferro-gusa e 62 mil t de laminados. Assumimos a produção de gusa como a doméstica corrente e a cifra indicada é a soma desta com as importações.
1938 458.483 Mário A. Ramos MR Importações e produção em 1936-1937 A produção das usinas existentes em 1936 foi de 77.690 t de ferro-gusa, 73.667 t de aço e 62.946 t de laminados. O autor estima que essa produção cresceu numa proporção entre 25% e 35% em 1937. As importações médias em 1936-37 de produtos de ferro e aço (matérias primas e manufaturas) foi de 369.139 t/ano. Assumimos a produção média de gusa (com crescimento de 30%) e somamos a essas importações para obter a cifra indicada.
1938 287.268 Pedro Demosthenes Rache PR Produção e importações selecionadas correntes A produção corrente de aço das empresas nacionais soma 44 mil t. As importações dos principais itens siderúrgicos 243.268 t.
1938 355.269 Companhia Brasileira de Usinas Metalúrgicas CBUM Importações entre 1928-36 e produção corrente A companhia considera importações médias no período 1928-36, mas seleciona os 11 principais itens delas (entre 65 no total) que compõem 85% das importações totais. As importações desses itens selecionados foram de 243.269 t/ano em média no período. A produção corrente das empresas siderúrgicas é considerada individualmente, totalizando 112 mil t de ferro-gusa e 62 mil t de laminados. Assumimos a produção de gusa como representando o total da produção siderúrgica e somamos a ela as importações para obter a cifra indicada.
1938 264.495 Francisco Campos PC Importações selecionadas e produção doméstica em 1936 O autor apresenta dados de produção e importação entre 1932 e 1936, enfatizando o rápido crescimento do consumo. Nesse sentido, ele destaca o ano de 1936, sempre sublinhando que o problema deve ser equacionado em perspectivas mais amplas do que apenas o consumo corrente, tendo em vista a expansão futura também. Somamos as importações e a produção de gusa para 1936 para obter a cifra indicada.
1938 600.000 Sociedade Mineira de Engenheiros SME - Os autores julgam que “o país comporta 4 usinas de 150.000 toneladas”.
1938 400.000 Getúlio Vargas GV - Apesar da cifra apresentada, o autor ressalta, como Francisco Campos, que o problema da nossa siderurgia “não pode ser posto em quadro tão restrito, limitado às exigências do momento”.
1939 600.000 Edmundo de Macedo Soares e Silva EMS Ver observações “O consumo do País (produção nacional mais importação) é de cerca de 450.000 t/ano. Esse consumo corresponde ao que o País pode, atualmente, produzir e adquirir no estrangeiro, ele não corresponde às necessidades; essas são muito maiores e podem ser avaliadas, segundo estudos feitos cuidadosamente, em cerca de 600.000 t, afora a tonelagem que será necessária para a execução do atual plano quinquenal do Governo.”
1939 450.000 Comissões Brasileira e Americana CBA - Desse consumo, cerca de 15% são produzidos no país, enquanto cerca de 85% (sejam 380 mil t) são importadas.
1940 500.000 Lysimaco F. da Costa LFC Importações entre 1927-36 e produção corrente, com outras considerações As importações médias entre 1927 e 1936 foram de 321.850 t/ano. Em 1937, as usinas existentes fabricaram 98.000 t de gusa, 76.500 t de aços e 71.500 t de laminados. Além disso, o autor considera que essas importações foram impostas pelas possibilidades das nossas cambiais, vale dizer, menores do que o mercado comportaria, na ausência de restrições. Assim, o autor estima em 500 mil t/ano a “base atual das necessidades de consumo do país”. (A data do documento, determinada por uma dedicatória, é de 1940, mas é bastante provável que ele tenha sido produzido em 1938, por ocasião das discussões no CTEF ou no CFCE).
1941 405.800 Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional CEPSN Importações selecionadas entre 1920 e 1938 e produção nacional em 1940 São consideradas as importações de produtos siderúrgicos mais relevantes no período de 1920 a 1938 ou 1930 a 1938 (conforme o produto) que perfazem uma média de 261.800 t/ano. Os dados para a produção por empresa para 1939, mas para o cálculo do consumo total foi considerada uma estimativa da produção para 1940, de 144 mil t.
1944 405.800 Conselho Federal de Comércio Exterior CFCE Importação e produção doméstica Reproduzindo dados do Relatório da Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional.

Observações: As estimativas aqui listadas são as encontradas nas fontes quanto à dimensão quantitativa do mercado corrente, vale dizer, não são projeções. Os anos são aqueles aos quais as estimativas se referem (normalmente a data de escrita do documento, mas nem sempre). Em alguns casos, uma cifra fechada não é diretamente apresentada pelas fontes, mas na medida em que a dimensão do mer-cado estava sendo visada pelo respectivo autor e os dados para uma estimativa estavam diretamente disponíveis, fizemos os cálculos a partir desses dados para chegar às cifras indicadas, explicitando isso nas observações. Fontes: CALÓGERAS, João Pandiá. As minas do Brasil e sua legislação, vol. 2. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1905, p. 265; AGUIAR, Francisco M. de Souza. A industria siderurgica: Relatorio apresentado ao exmo. sr. presidente da Republica pelo general F. M. de Souza Aguiar. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910, p. 230-232; Proposal for Brazilian Iron & Steel Industry projected by Messrs. Carlos Wigg and Trajano S. V. de Medeiros, report by Julian Kennedy, Sahlin & Co. Limited., Engineers, setembro de 1911, CPDOC - EMS d 1911.09.00, doc. I-1, p. 25-28; OLIVEIRA, Clo-domiro de. Industria siderurgica. Ouro Preto: Officinas da Casa Mattos, 1914 [1912], p. 25-7, 86, 109; Informações sobre a industria siderurgica pelo dr. Gonzaga de Campos, [1916]. Boletim do Serviço Geologico e Mineralogico do Brasil, no 2, 1922, p. 17, 42; CARVALHO, Elysio de. Brasil, potencia mundial: Inquerito sobre a industria siderurgica no Brasil. Rio de Janeiro: Monitor Mercantil, 1919, p. 98-101; BRAGA, Cincinato. Projecto N. 263 - 1919. Fixa a despeza do Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio para o exercicio de 1920, 15/8/1919. Diario do Congresso Nacional, ano XXX, n. 99, 2/9/1919, p. 1914, ver também p. 1914-17; OLIVEIRA, Clodomiro de. Parecer do secretário da Agricultura sobre as bases da 2a proposta, [1920]. In: Idem. A concessão Itabira Iron. Belo Horizonte, 1934, p. 74-5; OLIVEIRA, Clodomiro de. [Réplica do secretário da Agricultura à 6a proposta apresentada ao governo de Minas, 1921]. In: Idem. A concessão Itabira Iron. Belo Horizonte, 1934, p. 239-242; SILVA, Raul Ribeiro da. O problema da siderurgia no Brasil e o contracto da Itabira Iron Ore Company Limited. Rio de Janeiro, 1922, p. 30-31; OLIVEIRA, Clodomiro de. Problema siderurgico. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, 1924, p. 76-8, ver também p. 41; SENNA, Nelson de. O problema da siderurgia nacional. Discurso pronunciado na Câmara Federal, em ses-são do dia 21 de novembro de 1923. Rio de Janeiro: Imp. Nacional, 1924, p. 40-41; Companhia Brasileira de Mineração e Metallurgia. Projecto sobre siderurgia apresentado ao exmo. snr. dr. Arthur da Silva Bernardes (...), 1925, CPDOC - HB vp 1932.02.00, doc. A, p. 2; PIRES DO RIO, José. O nosso problema siderurgico: Parecer do deputado Pires do Rio (...). Rio de Janeiro, 1926, p. 87; OLIVEI-RA, Euzebio Paulo de. Minerios de ferro e a industria siderurgica. Rio de Janeiro: Pap. Americana, 1930, p. 6; OLIVEIRA, Euzebio Paulo de. Mineral resources of Brazil. Rio de Janeiro: Typ. do Servi-ço de Informações do Ministerio da Agricultura, 1930, p. 8; Parecer da Comissão Nacional de Siderurgia (...), [fev./1932]. Boletim do Serviço Geologico e Mineralogico do Brasil, no 75, 1935, p. 12-5; [Relatório final da Comissão Nacional de Siderurgia, jul./1933]. Boletim do Serviço Geologico e Mineralogico do Brasil, no 75, 1935, p. 153-56; Revisão do contracto da Itabira Iron. Relatório e minuta de contracto organizado pela commissão nomeada de ordem do exmo. sr. dr. Getúlio Vargas (...). (Relatório da “Comissão dos Onze”), 1934, p. 31-32; RACHE, Athos. Discurso pronunciado pelo sr. Athos Rache na sessão de 28 de outubro de 1936, na Assembléa Legislativa de Minas Gerais. Diario do Poder Legislativo, ano III, n. 471, 14/nov./1936, p. 21077; LAGE, Henrique. Modo pelo qual foi concebido o plano de siderurgia do snr. Henrique Lage, 24/8/1936, AN-1U, lata 247, processo 702/38, doc. 5, p. 2; TAVORA, Juarez. O contrato da Itabira Iron Ore Co. Ltd. em face dos interesses da economia nacional e do problema da siderurgia brasileira. Mineração e Metallurgia, vol. 2, no 10, Rio de Janeiro, nov.-dez. de 1937, p. 263, 266; GONSALVES, Alpheu Diniz. O ferro na economia nacional. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1937, p. 89; RACHE, Pedro. Primeiro parecer do relator, sr. Pedro Rache, 17/5/1938. In: Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda. A grande siderurgia e a exportação de minério de ferro brasileiro em larga escala. Rio de Janeiro, 1938, p. 17-18; GUINLE, Guilherme. Os dois problemas, na opinião do sr. Guilherme Guin-le, 6/6/1938. In: Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda. A grande siderurgia e a exportação de minério de ferro brasileiro em larga escala. Rio de Janeiro, 1938, p. 45, 48; RAMOS, Mario A. Considerações do sr. Mario A. Ramos, 1/6/1938. In: Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda. A grande siderurgia e a exportação de minério de ferro brasileiro em larga escala. Rio de Janeiro, 1938, p. 84-85, 88-89; RACHE, Pedro. Relatório final e conclusões do conselheiro Pedro Rache, 22/6/1938. In: Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda. A grande siderurgia e a exportação de minério de ferro brasileiro em larga escala. Rio de Janeiro, 1938, p. 140-141; Memorial apresentado ao exmo. snr. ministro da Fazenda e dignissimos membros do Conselho Technico de Economia e Finanças pela Companhia Brasileira de Usinas Metallurgicas em 31 de maio de 1938, AN-1U, lata 248, processo 702/38 - vol. 6-A, doc. 11, p. 4-5; CAMPOS, Francisco. Itabira Iron Ore Co. Rio de Janeiro, 14/4/1938, CPDOC - GV confid 1938.04.14, p. 19-23, ver também p. 11-13; Siderurgia Nacional e Exportação de Minério de Ferro. Parecer do Conselho Técnico da Sociedade Mineira de Engenheiros. Revista Mineira de Engenharia, 1938, p. 27; VARGAS, Getulio. Entrevistas à imprensa do país, dadas, em Petrópolis, a 19 de feve-reiro e, em São Lourenço, a 22 de abril de 1938. In: Idem. A nova política do Brasil, vol. V: O Estado Novo, 10 de novembro de 1937 a 25 de julho de 1938. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, [1938], p. 179; SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. Relatório sobre exportação de minérios de ferro e organização de uma nova usina siderurgica apresentado pelo major Edmundo de Mace-do Soares e Silva, 1939, CPDOC - EMS pi Soares, E. 1939.07.10, p. 49; Indústria siderúrgica no Brasil. Relatório conjunto das Comissões Brasileira e Americana, 20/10/1939. In: SILVA, Edmundo de Macedo Soares e. O ferro na história e na economia do Brasil. Rio de Janeiro: Comissão Executiva Central do Sesquicentenário da Independência do Brasil, 1972, p. XXXIX; COSTA, Lysimaco F. da. O projeto de siderurgia do professor Lysimaco F. da Costa, CPDOC - LSL pi Costa, Lysimaco 1940.04.00, p. 21, ver também, p. 1, 9, 11; Comissão Executiva do Plano Siderúrgico Nacional. Relatório. Rio de Janeiro, 1940-1941, p. 5-9; Conselho Federal de Comércio Exterior. Dez anos de atividade. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1944, p. 52.

Tabela A-2 Consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos (1901-1940) 

Ferro-gusa ou fundido Ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido) Laminados Total ferro e aço
(t) (mil-réis) (t) (mil-réis) (t) (mil-réis) (t) (mil-réis)
1901 2.921 247.188 0 0 61.014 12.074.298 63.935 12.321.486
1902 4.241 338.324 0 0 92.107 19.099.137 96.348 19.437.461
1903 4.597 348.669 0 0 93.286 19.105.881 97.883 19.454.550
1904 5.884 392.810 0 0 108.934 21.428.586 114.818 21.821.396
1905 5.904 358.001 0 0 140.358 20.913.533 146.626 21.271.534
1906 11.506 888.319 0 0 178.850 27.070.774 190.356 27.959.093
1907 11.373 669.897 0 0 242.909 43.450.011 254.282 44.118.908
1908 9.810 790.413 0 0 237.330 40.851.606 247.140 41.642.019
1909 12.225 869.539 0 0 276.060 45.423.518 288.285 46.293.057
1910 14.849 1.059.805 0 0 315.376 47.859.426 330.226 48.919.231
1911 19.668 1.322.281 0 0 319.379 52.245.627 339.047 53.567.908
1912 17.277 1.353.999 0 0 439.968 69.413.532 457.244 70.767.531
1913 23.623 1.894.198 0 0 496.274 81.350.861 519.898 83.245.059
1914 6.966 544.223 0 0 170.542 29.580.641 177.508 30.124.864
1915 5.592 554.004 0 0 83.580 25.177.791 89.172 25.731.795
1916 6.684 878.370 0 0 87.014 41.820.185 93.698 .42.698.555
1917 9.170 1.648.421 0 0 77.083 55.429.153 86.253 57.077.574
1918 11.600 3.800.906 0 0 43.763 40.033.829 55.363 43.834.735
1919 13.543 3.277.485 0 0 139.508 91.014.786 153.050 94.292.271
1920 21.193 5.920.538 600 1.587.246 263.665 176.992.955 285.458 184.500.739
1921 18.250 4.433.832 0 0 185.517 152.356.347 203.767 156.790.179
1922 20.736 4.866.886 0 0 182.280 106.445.756 203.017 111.312.642
1923 30.284 6.982.548 0 0 192.498 155.891.266 222.782 162.873.814
1924 41.529 10.249.399 1.348 606.420 314.386 230.505.113 357.626 241.360.932
1925 41.506 10.008.815 2.220 1.073.413 341.937 203.288.823 385.664 214.371.052
1926 34.480 8.051.528 2.845 1.494.781 338.550 164.938.226 375.876 174.484.534
1927 23.916 7.172.033 2.318 1.295.358 384.892 231.173.173 411.126 239.640.564
1928 18.592 4.873.730 6.034 3.390.141 422.919 246.734.865 447.544 254.998.737
1929 26.805 6.637.288 7.408 4.026.948 390.049 231.122.121 424.261 241.786.358
1930 26.649 6.713.136 5.685 3.093.862 214.228 139.350.676 246.562 149.757.674
1931 11.403 2.650.036 7.444 3.732.375 129.876 112.625.374 148.722 119.007.785
1932 5.078 1.183.078 11.963 5.757.924 141.784 107.670.167 158.825 114.611.169
1933 23.052 5.863.302 13.065 6.039.719 255.717 187.684.219 291.834 199.587.239
1934 30.853 7.859.315 14.653 5.719.017 311.766 248.379.370 357.272 261.957.702
1935 36.311 8.646.643 14.953 6.169.148 313.453 350.278.651 364.717 365.094.442
1936 46.743 14.355.388 16.833 10.892.405 348.035 411.730.617 411.601 436.978.410
1937 61.992 21.701.295 17.093 13.275.239 456.560 624.935.268 535.644 659.911.802
1938 69.554 27.726.010 20.141 16.787.820 316.867 485.240.758 406.562 539.754.589
1939 68.442 25.496.655 23.964 20.318.925 391.374 572.449.877 483.781 618.265.454
1940 73.185 26.003.430 28.780 24.596.983 382.599 633.481.599 474.565 684.082.012

Observações: A tentativa de estimar o consumo doméstico envolve algumas especificidades no caso do setor siderúrgico. Isso porque as séries de produção siderúrgica são tipicamente fornecidas para três tipos de produtos principais do setor: ferro-gusa, aço e laminados. Contudo, os dois primeiros não são apenas um “produto” do setor, mas também um importante insumo das etapas posteriores de produção. Vale dizer, tomar três séries de consumo aparente - definidas de forma tradicional como “produção + importação - exportação” - e simplesmente somá-las geraria dupla ou mesmo tripla contagem significativa, na medida em que o setor siderúrgico é um dos grandes consumidores dos seus próprios produtos como bens intermediários. Por esse motivo, utilizamos aqui o consumo aparente “extrassetorial”, isto é, o consumo aparente de produtos siderúrgicos feito por outros setores da economia que não o próprio setor siderúrgico (tanto consumo intermediário como demanda final). O consumo aparente extrassetorial de produtos siderúrgicos aqui apresentado foi calculado como “produção + importação - exportação - consumo intermediário do setor siderúrgico”. Os dados de produção, importação e exportação são conhecidos com precisão a partir das estatísticas oficiais, listadas nas fontes. O consumo intermediário de produtos siderúrgicos pelo próprio setor foi estimado a partir de informações de produção e aparelhamento produtivo por empresa do setor. Mais especi-ficamente, o consumo intermediário de aço foi estimado a partir da produção de laminados, supondo-se uma perda de 5%. O consumo intermediário de ferro-gusa foi estimado pela produção de aço, deduzida do consumo de sucata pelo setor. Assu-mimos perda de 5% para o gusa e 23% (a taxa média de perda da Fundição de Aço São Paulo entre 1928 e 1932) para sucata na produção de aço. O consumo de sucata foi estimado por empresa, de acordo com o seu consumo médio de sucata entre 1928 e 1932 no Boletim do Serviço Geologico e Mineralogico do Brasil, no 75, 1935, p. 130. Essa decomposição do consumo é a mesma que foi utilizada para a estimativa do índice do valor da produção siderúrgica a valores constantes disponível em BARROS, Gustavo. O desenvolvimento do setor siderúrgico brasileiro entre 1900 e 1940: Crescimento e substituição de importações. Estudos Econômicos, vol. 45, n. 1, jan.-mar. 2015, p. 183. A série “Ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido)” visa captar o consumo aparente associado à série de produção de “aço”, mas foi assim denominada em função da forma como os produtos siderúrgicos eram classificados nas estatísticas de comércio exterior. A esse respeito, ver as observações da tabela A-3. Fontes: Calculado a partir de dados de produção por empresa em BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República. Tese de doutorado, Departamento de Economia, FEA-USP, São Paulo, 2011, p. 202-23, e de dados de importação e exportação nas tabelas A-3, A-4 e A-5.

Tabela A-3 Importações de ferro e aço (quantidade) (1901-1947) 

Ferro-gusa ou fundido (kg) Ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido) (kg) Laminados Total ferro e aço (kg)
Arame (kg) Barras e vergalhões (kg) Folhas de Flandres (kg) Trilhos (kg) Tubos (kg) Outros laminados (kg) Total laminados (kg)
1901 2.095.197 0 9.457.471 8.889.827 3.604.062 31.409.989 7.653.095 0 61.014.444 63.109.641
1902 2.982.893 0 14.683.824 15.656.795 7.271.492 38.507.325 12.777.958 3.209.454 92.106.848 95.089.741
1903 3.237.406 0 15.678.844 17.849.180 7.588.043 40.164.725 7.828.703 4.176.898 93.286.393 96.523.799
1904 4.173.639 0 17.073.376 20.253.830 7.898.729 48.818.670 10.170.631 4.719.030 108.934.266 113.107.905
1905 4.509.974 0 19.685.578 21.305.373 8.887.715 75.439.987 9.611.476 5.427.944 140.358.073 144.868.047
1906 9.851.886 0 19.091.777 22.349.095 8.422.560 95.244.004 26.770.429 6.971.768 178.849.633 188.701.519
1907 9.472.344 0 28.442.807 25.327.129 9.507.410 107.091.630 63.252.829 9.286.891 242.908.696 252.381.040
1908 7.941.881 0 26.760.233 22.407.591 8.844.488 117.869.457 54.116.315 7.331.880 237.329.964 245.271.845
1909 10.091.054 0 29.901.338 27.333.791 11.931.997 172.709.662 23.565.613 10.617.362 276.059.763 286.150.817
1910 12.190.761 0 37.771.689 37.236.877 17.589.481 172.039.705 38.215.297 12.523.387 315.376.436 327.567.197
1911 16.406.804 0 54.976.931 36.869.944 18.224.830 161.039.614 32.902.535 15.364.846 319.378.700 335.785.504
1912 13.813.283 0 48.947.323 51.244.741 15.010.988 234.718.782 64.083.633 25.962.284 439.967.751 453.781.034
1913 19.623.405 0 57.309.414 47.757.352 21.371.756 261.547.201 73.461.259 34.827.452 496.274.434 515.897.839
1914 4.784.703 0 28.039.912 15.917.497 10.241.665 52.676.894 49.695.257 13.970.767 170.541.992 175.326.695
1915 2.332.986 0 26.533.894 7.059.845 16.118.565 5.312.456 19.687.611 8.867.478 83.579.849 85.912.835
1916 2.416.642 0 28.251.989 11.233.480 17.491.324 8.887.086 10.098.038 11.052.480 87.014.397 89.431.039
1917 1.572.189 0 31.829.050 10.386.078 14.919.622 5.527.413 6.286.653 8.133.864 77.082.680 78.654.869
1918 228.165 0 10.770.719 6.893.045 11.049.550 1.745.535 8.061.763 5.272.687 43.793.299 44.021.464
1919 2.744.505 0 47.900.665 24.413.798 19.499.242 15.989.529 14.813.379 16.891.118 139.507.731 142.252.236
1920 6.993.645 0 70.637.310 48.732.757 29.775.745 71.093.079 17.645.392 25.780.350 263.664.633 270.658.278
1921 1.078.578 0 20.987.118 27.372.188 6.206.723 100.276.819 16.123.711 14.550.296 185.516.855 186.595.433
1922 3.056.213 0 40.300.154 22.114.914 13.766.434 65.744.462 19.600.347 20.753.937 182.280.248 185.336.461
1923 5.256.508 0 44.063.986 33.576.694 20.148.109 51.003.721 17.498.807 26.207.192 192.498.509 197.755.017
1924 16.493.509 0 82.006.182 56.061.246 27.494.112 78.928.289 35.442.834 31.571.981 311.504.644 327.998.153
1925 11.714.525 0 72.596.444 49.017.884 25.491.069 110.595.836 43.270.290 35.641.796 336.613.319 348.327.844
1926 16.230.589 0 51.470.974 61.838.449 16.191.582 127.600.397 40.198.619 34.887.137 332.187.158 348.417.747
1927 10.459.072 37.595 65.671.678 62.647.980 32.083.294 108.825.403 39.674.943 70.934.563 379.837.861 390.334.528
1928 2.929.227 110.836 82.859.520 67.234.936 33.466.915 113.399.468 56.222.363 55.208.897 408.392.099 411.432.162
1929 4.667.121 182.996 77.775.329 70.350.234 25.689.669 82.427.091 54.962.728 60.255.292 371.460.343 376.310.460
1930 1.953.680 82.662 42.089.166 26.251.761 24.165.946 54.177.094 22.490.806 30.443.726 199.618.499 201.654.841
1931 642.194 50.249 27.943.520 8.803.487 23.293.458 20.086.445 9.419.314 20.192.832 109.739.056 110.431.499
1932 677.146 22.065 25.611.788 10.737.007 23.816.161 11.808.388 13.800.766 22.193.559 107.967.669 108.666.880
1933 1.201.144 33.928 41.967.420 24.860.968 32.858.742 54.373.305 20.646.088 42.705.080 217.411.603 218.646.675
1934 723.852 23.159 46.412.771 40.607.626 29.975.566 89.498.989 21.799.947 38.991.263 267.286.162 268.033.173
1935 499.789 431.253 49.761.147 35.884.846 31.810.233 53.669.520 28.795.317 66.533.806 266.454.869 267.385.911
1936 1.251.491 1.144.925 55.493.255 37.565.218 42.865.096 51.433.637 33.439.119 72.580.103 293.376.428 295.772.844
1937 1.212.328 1.707.995 62.490.867 51.049.188 56.395.601 83.848.770 50.510.123 94.979.122 399.273.671 402.193.994
1938 858.254 2.360.962 41.262.239 33.502.475 38.709.933 40.329.269 27.132.003 65.800.285 246.736.204 249.955.420
1939 357.905 2.098.195 49.512.369 19.924.400 51.049.067 74.583.958 31.854.855 77.538.350 304.462.999 306.919.099
1940 428.646 2.790.444 27.639.508 16.079.027 66.740.162 51.648.576 31.711.842 79.236.402 273.055.517 276.274.607
1941 69.072 2.862.061 15.178.634 7.944.048 59.468.524 51.910.267 29.180.178 64.441.769 228.123.420 231.054.553
1942 26.098 1.118.657 3.031.941 2.430.697 42.707.925 19.224.924 9.479.553 32.781.505 109.656.545 110.801.300
1943 2.082 573.149 4.903.912 5.352.720 41.399.860 65.936.142 12.845.205 35.168.475 165.606.314 166.181.545
1944 561.407 3.075.934 17.452.230 51.984.670 51.670.911 56.640.490 27.266.224 98.022.749 303.037.274 306.674.615
1945 266.365 2.771.115 16.907.878 32.141.505 52.174.296 83.975.815 24.815.811 76.061.531 286.076.836 289.114.316
1946 1.115.380 4.218.037 40.581.529 42.329.886 40.774.434 122.888.699 41.468.930 125.527.840 413.571.318 418.904.735
1947 632.444 3.243.987 65.517.132 51.558.157 77.874.318 72.019.489 52.118.139 123.401.195 442.488.430 446.364.861

Observações: “Ferro-gusa ou fundido” contém os valores para ferro-gusa ou ferro fundido. A categoria “ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido)” inclui aço especial para ferramentas, eixos, molas e semelhantes, ferro e aço em limalha e ferro e aço para solda. Não encontramos a categoria “aço em lingotes” entre as importações brasileiras, exceto em 1901, quando estava agregada com aço em barra e chapas (e, por esse motivo, foi incluída aqui entre os laminados). Os “laminados” agregam os diversos produtos siderúrgicos desse tipo, incluindo ferro e aço em barras, vergalhões, verguinhas, arcos, tiras, lâminas ou placas, ferro e aço perfilado, ferro pudlado, chapas simples, galvanizadas ou corrugadas, folhas de Flandres em lâminas (até 1906 inclui folhas de Flandres em obras não especificadas), arame, inclusive farpado, trilhos e tubos. Arame e tubos são dois tipos de produtos que não são, em geral, propriamente “laminados”. A produção de tubos pode ser feita por diversos processos, inclusive a laminação. Estes são, contudo, produtos frequentemente realizados pelo próprio setor siderúrgico e, por esse motivo, foram agregados aqui. A agregação dos dados de importação utilizada aqui não é exatamente a mesma apresentada em BARROS, Gustavo. O problema siderúrgico nacional na Primeira República. Tese de doutorado, Departamento de Economia, FEA-USP, São Paulo, 2011, p. 215- 18, em que alguns dos produtos laminados mais simples haviam sido incluídos na categoria “ferro e aço brutos”. Aqui procurei ser mais rigoroso nessa distinção de forma a tornar compatíveis as séries de importação, exportação e produção, tendo em vista obter uma medida do consumo aparente por tipo de produto mais consistente. Portanto, o critério aqui adotado foi o de que se, por exemplo, barras e vergalhões estão incluídos nas cifras de produção de laminados - e estão - então devem ter também a mesma classificação nas importações. E assim por diante. Esse critério nos parece suficientemente claro e operacional, ainda que não seja de aplicação totalmente isenta de algum julgamento, pois a lógica da classificação das estatísticas de comércio exterior não é bem a mesma lógica da produção. Por exemplo, o “ferro pudlado”, se tomado estritamente pelo nome, poderia ter sido classificado na categoria “ferro e aço brutos” e não em laminados, como fizemos. Contudo, o “ferro pudlado” é uma categoria que só teve volumes significativos de importação entre 1927 e o início dos anos 1930 e que, a tomar pelas fontes contemporâneas, se tornou notória nesse período por ser uma categoria utiliza-da pelos importadores para contornar a incidência de impostos de importação, já que estava sujeita a uma alíquota menor. Na medida em que, nas estatísticas oficiais, o “ferro pudlado” é uma subcatego-ria de “ferro em barras e vergalhões” e também na medida em que a sua agregação em “ferro e aço brutos” geraria um surto de difícil explicação econômica das importações dessa categoria no final da década de 1920, sem continuidade posterior, julgamos mais correta a sua agregação entre os laminados. Em todo caso, a orientação geral na agregação dos dados tanto de importação quanto de exporta-ção foi essa aqui apontada.

Fontes: Comércio Exterior do Brasil, vários números.

Tabela A-4 Importações de ferro e aço (valor) (1901-1947) 

Ferro-gusa ou fundido (mil-réis) Ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido) (mil-réis) Laminados Total ferro e aço (mil-réis)
Arame (mil-réis) Barras e vergalhões (mil-réis) Folhas de Flandres (mil-réis) Trilhos (mil-réis) Tubos (mil-réis) Outros laminados (mil-réis) Total laminados (mil-réis)
1901 193.752 0 2.244.747 2.148.783 1.271.430 4.485.703 1.923.635 0 12.074.298 12.268.050
1902 261.201 0 3.496.248 3.274.822 2.705.394 5.947.850 2.713.180 961.643 19.099.137 19.360.338
1903 269.460 0 3.464.960 3.782.830 2.493.883 6.162.389 1.939.268 1.262.551 19.105.881 19.375.341
1904 305.261 0 3.834.441 4.077.831 2.818.754 6.913.476 2.452.025 1.332.059 21.428.586 21.733.847
1905 294.320 0 3.377.213 3.489.007 2.488.859 8.355.667 1.946.955 1.255.832 20.913.533 21.207.853
1906 794.902 0 3.530.931 4.003.093 2.512.020 10.750.006 4.415.603 1.859.121 27.070.774 27.865.676
1907 586.519 0 6.167.830 5.069.590 3.232.771 14.336.906 11.819.710 2.823.204 43.450.011 44.036.530
1908 678.657 0 5.501.399 4.195.038 2.618.015 15.488.726 10.999.565 2.048.863 40.851.606 41.530.263
1909 757.417 0 5.851.553 4.529.723 3.317.952 23.336.288 5.410.710 2.977.292 45.423.518 46.180.935
1910 919.449 0 7.264.685 5.907.543 4.814.458 19.913.902 6.857.740 3.101.098 47.859.426 48.778.875
1911 1.160.754 0 10.497.892 6.067.528 5.296.293 19.703.538 6.987.822 3.692.554 52.245.627 53.406.381
1912 1.151.839 0 8.902.462 8.473.336 4.393.230 29.000.773 12.277.624 6.366.107 69.413.532 70.565.371
1913 1.657.681 0 10.490.605 7.967.946 6.347.288 34.705.949 13.882.093 7.956.980 81.350.861 83.008.542
1914 412.578 0 5.082.651 2.704.211 2.971.710 7.172.498 8.293.916 3.355.655 29.580.641 29.993.219
1915 280.105 0 7.517.024 1.685.902 6.199.396 1.263.803 5.656.976 2.854.690 25.177.791 25.457.896
1916 392.836 0 13.700.549 4.397.329 10.384.055 2.535.615 5.189.074 5.613.563 41.820.185 42.213.021
1917 377.605 0 19.489.875 6.175.145 15.880.686 3.021.876 4.691.878 6.169.693 55.429.153 55.806.758
1918 105.770 0 8.437.977 5.489.715 12.704.197 1.405.696 6.905.224 5.094.315 40.037.124 40.142.894
1919 794.845 0 28.988.172 12.899.911 17.891.590 7.278.109 12.861.569 11.095.435 91.014.786 91.809.631
1920 2.661.398 0 47.685.612 32.503.396 29.334.044 29.486.507 14.964.171 23.019.225 176.992.955 179.654.353
1921 502.722 0 19.761.719 22.711.911 9.169.802 66.747.423 17.721.115 16.244.377 152.356.347 152.859.069
1922 797.796 0 26.018.393 11.148.666 12.307.419 25.042.505 17.511.458 14.417.315 106.445.756 107.243.552
1923 2.001.548 0 39.217.587 23.399.383 24.802.915 23.594.245 20.821.762 24.055.424 155.891.316 157.892.864
1924 5.061.069 0 63.457.390 30.101.644 32.479.165 37.219.924 34.865.682 29.934.764 228.058.569 233.119.638
1925 3.111.664 0 46.648.342 23.591.135 27.223.395 41.289.768 34.654.842 26.658.168 200.065.650 203.177.314
1926 3.217.220 0 26.136.999 21.647.741 14.100.459 44.964.096 27.292.800 23.613.512 157.755.607 160.972.827
1927 3.628.458 104.718 39.679.014 26.877.848 32.714.001 46.635.548 30.704.093 48.229.640 224.840.144 228.573.320
1928 775.380 394.164 46.966.096 27.827.602 30.233.963 47.781.547 41.015.948 38.754.166 232.579.322 233.748.866
1929 1.083.748 486.209 44.185.202 29.422.136 23.348.703 38.706.858 41.368.711 36.896.004 213.927.614 215.497.571
1930 514.360 196.604 23.056.709 12.011.632 23.192.898 26.605.051 21.842.755 19.901.484 126.610.529 127.321.493
1931 276.413 194.509 18.692.435 6.356.319 26.483.240 15.253.131 13.688.410 16.563.816 97.037.351 97.508.273
1932 242.393 95.991 18.692.970 6.675.346 20.719.609 6.602.140 13.317.281 14.384.842 80.392.188 80.730.572
1933 531.678 131.984 33.180.530 13.967.736 31.527.411 27.341.335 22.820.297 27.934.902 156.772.211 157.435.873
1934 411.613 130.342 38.473.677 26.324.311 35.816.983 51.178.896 28.579.439 32.376.622 212.749.928 213.291.883
1935 421.648 1.398.938 57.886.343 31.586.155 58.314.562 45.351.134 51.158.644 71.680.315 315.977.153 317.797.739
1936 908.470 3.099.394 67.260.936 36.207.269 82.005.070 43.835.814 51.196.724 79.637.372 360.143.185 364.151.049
1937 1.319.587 5.023.807 91.915.630 62.901.658 114.807.540 79.611.289 86.558.624 132.237.082 568.031.823 574.375.217
1938 933.383 6.866.508 67.077.417 51.438.572 91.059.680 44.571.517 62.201.789 102.749.432 419.098.407 426.898.298
1939 326.949 8.356.350 73.065.805 27.452.722 110.384.672 86.938.198 70.170.599 111.284.268 479.296.264 487.979.563
1940 529.506 9.914.753 51.162.332 27.911.886 165.191.391 70.310.498 72.295.317 144.346.590 531.218.014 541.662.273
1941 163.354 10.489.304 36.165.049 18.690.379 158.569.572 65.163.303 79.920.644 151.145.558 509.654.505 520.307.163
1942 58.822 4.906.951 10.761.640 7.813.818 121.685.959 31.274.512 31.618.308 85.718.277 288.872.514 293.838.287
1943 26.815 4.442.038 15.387.396 18.546.022 125.493.276 103.136.636 44.269.972 86.171.244 393.004.546 397.473.399
1944 861.092 13.779.823 50.677.651 98.917.326 147.348.002 87.407.398 92.563.367 226.056.982 702.970.726 717.611.641
1945 671.637 12.998.310 47.247.243 70.655.701 142.198.130 135.083.670 79.958.592 165.197.978 640.341.314 654.011.261
1946 1.502.916 18.731.765 131.331.883 110.865.500 117.223.224 216.129.652 145.276.258 292.251.811 1.013.078.328 1.033.313.009
1947 1.195.367 18.683.005 257.425.081 153.285.227 272.073.097 156.770.145 200.508.461 401.078.648 1.441.140.659 1.461.019.031

Obs: A partir de 1941, os dados estão em Cr$, mas a série não sofre descontinuidade por esse motivo, dado que a reforma monetária de 1942 estabeleceu a equivalência de Cr$1 = Rs 1$000 na mudança do padrão monetário. As observações da tabela A-3 também se aplicam a esta.

Fontes: Comércio Exterior do Brasil, vários números.

Tabela A-5 Exportações de ferro e aço (1901-1947) 

Ferro-gusa ou fundido Ferro e aço burtos (exceto gusa ou fundido) Laminados
(kg) (mil-réis) (kg) (mil-réis) (kg) (mil-réis)
1901 0 0 0 0 0 0
1902 0 0 0 0 0 0
1903 0 0 0 0 0 0
1904 0 0 0 0 0 0
1905 0 0 0 0 0 0
1906 0 0 0 0 0 0
1907 0 0 0 0 0 0
1908 0 0 0 0 0 0
1909 0 0 0 0 0 0
1910 0 0 0 0 0 0
1911 0 0 0 0 0 0
1912 0 0 0 0 0 0
1913 0 0 0 0 0 0
1914 0 0 0 0 0 0
1915 0 0 0 0 0 0
1916 0 0 0 0 0 0
1917 50.000 15.000 0 0 0 0
1918 376.238 117.062 0 0 30.180 3.295
1919 10.000 3.200 0 0 0 0
1920 85.420 26.410 0 0 0 0
1921 346.705 98.030 0 0 0 0
1922 102.800 21.000 0 0 0 0
1923 160.000 56.400 0 0 40 50
1924 0 0 0 0 0 0
1925 0 0 0 0 0 0
1926 0 0 0 0 0 0
1927 0 0 0 0 0 0
1928 0 0 0 0 0 0
1929 0 0 0 0 0 0
1930 0 0 0 0 0 0
1931 6.390.000 1.496.558 0 0 0 0
1932 3.540.000 744.283 0 0 0 0
1933 0 0 0 0 0 0
1934 0 0 0 0 0 0
1935 0 0 0 0 0 0
1936 0 0 0 0 8.000 4.800
1937 120.850 47.445 0 0 0 0
1938 2.328.000 746.428 0 0 0 0
1939 23.413.520 8.739.556 2.000 9.348 0 0
1940 22.147.472 11.321.604 88.979 237.839 8.457.779 9.277.871
1941 34.946.613 20.846.383 635.733 2.381.169 25.310.563 38.768.841
1942 6.135.662 7.275.305 1.671.000 10.174.100 5.925.100 9.895.448
1943 17.958.146 28.454.442 2.522.967 15.866.143 10.951.063 22.552.880
1944 4.241.771 6.554.116 1.789.776 11.237.378 10.122.923 27.832.280
1945 16.832.965 24.985.856 2.558.345 15.627.362 16.235.594 68.834.580
1946 23.013.520 24.478.521 7.775 59.928 3.256.905 13.511.836
1947 29.464.412 41.928.430 38.021 234.507 2.502.342 10.593.766

Observações: A partir de 1941, os dados estão em Cr$, mas a série não sofre descontinuidade por esse motivo, dado que a reforma monetária de 1942 estabeleceu a equivalência de Cr$1 = Rs 1$000 na mudança do padrão monetário. “Ferro-gusa ou fundido” contém os valores para ferro-gusa ou ferro fundido. A categoria “ferro e aço brutos (exceto gusa e fundido)” inclui ligas, como ferro manganês, ferro níquel, ferro silício e ferro cromo bem como solda. Os “laminados” agregam ferro e aço em barras, vergalhões, verguinhas, tiras, placas, discos, perfis, tubos, arame liso, farpado, polido e em tela bem como maté-rias primas de ferro e aço não especificadas. Sobre os critérios gerais de agregação utilizados, ver as observações da tabela A- 3.

Fontes: Comércio Exterior do Brasil, vários números.

Recebido: 09 de Novembro de 2016; Aceito: 19 de Junho de 2017

Contato: Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Economia, Rua José Lourenço Kelmer, s/n, 36036-900 - Juiz de Fora - MG, gustavo.barros@ufjf.edu.br, https://gustavo.barros.nom.br/

Contact: Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Economia, Rua José Lourenço Kelmer, s/n, 36036-900 - Juiz de Fora - MG, gustavo.barros@ufjf.edu.br, https://gustavo.barros.nom.br/

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Agradeço aos comentários e sugestões de Renato Colistete, de Michel Deliberali Marson, de Fernando Perobelli, dos pareceristas anônimos, assim como dos participantes do V Congresso Latino Ameri cano de História Econômica, do XXI Encontro Nacional de Economia Política, do XVII Seminário sobre a Economia Mineira (Diamantina), do 44o Encontro Nacional de Economia (Anpec) e dos Seminários em Desenvolvimento Econômico e História da FEA-USP. Durante a pesquisa para meu doutoramento, da qual este trabalho depende substantivamente, contei com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico - DAAD, aos quais também agradeço.

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Doutor em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Professor da Faculdade de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

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