SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 issue177ROSA MARIA TO THE ELITE, ROSA MARIA TO THE PEOPLE. BRAZILIAN AND PORTUGUESE CUISINES IN THE FIRST HALF OF THE 20TH CENTURYCHRONICLER OF A DISTANT CUSTODY: FRIAR MANUEL DA ILHA AND HIS NARRATIVA DA CUSTÓDIA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL (1621) author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista de História (São Paulo)

Print version ISSN 0034-8309On-line version ISSN 2316-9141

Rev. Hist. (São Paulo)  no.177 São Paulo  2018  Epub June 07, 2018

http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2018.133653 

Articles

QUEM ERAM OS SEGUIDORES DE PRISCILIANO DE ÁVILA? ARISTOCRACIAS, CONTROVÉRSIA RELIGIOSA E MONASTICISMO NA ESPANHA DO SÉCULO IV*

WHO WERE THE FOLLOWERS OF PRISCILLIAN OF AVILA? ARISTOCRACIES, RELIGIOUS CONTROVERSY AND MONASTICISM IN FOURTH-CENTURY SPAIN

Matheus Coutinho Figuinha1  **
http://orcid.org/0000-0002-2452-8008

1Universidade Estadual de Campinas. Campinas - São Paulo - Brasil

Resumo

Há duas teorias opostas acerca da posição social dos seguidores de Prisciliano de Ávila (†386): uma, certamente a mais aceita, considera-os aristocratas ricos e letrados; a outra, desenvolvida nos anos 1960 e 1970, retrata-os como camponeses pobres e injustiçados. Este artigo contribui para a discussão, ao apresentar um detalhado estudo prosopográfico de todos os seguidores de Prisciliano conhecidos. Argumenta-se que ele atraiu pessoas dos mais diferentes estratos sociais, de humildes clérigos a distintos senadores. Um estudo como este é importante para entendermos melhor as causas do acirrado antagonismo que Prisciliano sofreu e a difusão do monasticismo entre as aristocracias ocidentais no século IV.

Palavras-chave: Antiguidade tardia; monasticismo; controvérsia religiosa; Espanha; Prisciliano de Ávila

Abstract

There are two contrasting theories regarding the social position of Priscillian of Avila’s (†386) followers: one, certainly the most accepted, considers them wealthy and educated aristocrats; the other, developed in the 1960s and 1970s, depicts them as poor and wronged farmers. This paper contributes to the discussion by presenting a detailed prosopographical study of all the followers of Priscillian known to us. It argues that he attracted people from very different social positions, from humble clerics to distinct senators. Such a study is important to better understand the causes of the fierce antagonism Priscillian suffered and the diffusion of monasticism among Western aristocracies in the fourth century.

Keywords: Late Antiquity; monasticism; religious controversy; Spain; Priscillian of Avila

Introdução

Em 386, Prisciliano foi executado pelo imperador Máximo sob a acusação de magia.1 Prisciliano era um aristocrata letrado,2 que havia sido ordenado bispo de Ávila3 e recebido o apoio de homens e mulheres da Espanha, da Gália e, possivelmente, de Roma. Durante o seu julgamento, ele confessou, sob tortura, ter se dedicado a “doutrinas obscenas”, ter participado de reuniões noturnas com “torpes mulheres” e ter orado frequentemente nu,4 o que conferia maior credibilidade às acusações de magia. Mas a execução de Prisciliano não resolveu o acirrado conflito entre as igrejas espanholas. Após a morte do imperador Máximo, os bispos Hidácio e Itácio, os maiores opositores de Prisciliano, foram deportados por terem as mãos manchadas de sangue e, enquanto uns condenavam o bispo de Ávila como herege, outros o cultuavam como mártir, especialmente na Galícia.5

Desde o fim do século XIX, inúmeros trabalhos têm contribuído para a nossa compreensão da identidade de Prisciliano, da sua doutrina, dos motivos de sua execução, da difusão de seu culto como mártir e da construção de sua imagem como herege.6 Acerca da posição social de seus seguidores, esses trabalhos adotam duas teorias diferentes: a primeira, certamente a mais difundida, retrata-os como aquitanos e espanhóis ricos, poderosos e letrados; a segunda, desenvolvida especialmente nas décadas de 1960 e 1970, não nega que alguns deles tenham sido aristocratas, mas ressalta o suposto caráter popular e até mesmo revolucionário do movimento, pois Prisciliano teria canalizado as reivindicações econômicas e sociais dos camponeses pobres da Espanha contra o Estado romano e a Igreja.7

Nenhum desses estudos, todavia, examina os seguidores de Prisciliano de modo sistemático. O único a propor um amplo elenco dos supostos priscilianistas dos séculos IV e V é Diego Piay Augusto, que conclui que “o priscilianismo foi um movimento eminentemente aristocrático”, sendo composto majoritariamente por ricos e influentes proprietários de terras e bispos que, como tais, “costumavam ter uma preparação intelectual e uma origem social elevadas”.8 O trabalho de Piay Augusto, porém, apresenta uma série de problemas. Primeiramente, ele ignora personagens que são tidos por autores antigos e estudiosos modernos como priscilianistas.9 Além disso, o pressuposto de que a maioria dos bispos dos séculos IV e V pertencia às “classes altas”, que permite a Piay Augusto rotular como aristocratas todos os clérigos associados a Prisciliano ou acusados de priscilianismo à época, já foi superado há décadas.10 Os estudiosos têm notado que o episcopado espanhol manteve-se pobre até meados do século V e que os bispos eram pequenos proprietários de terras, cuja riqueza era muito inferior à dos mais importantes decuriões de suas sedes.11 Em terceiro lugar, Piay Augusto considera aristocratas personagens cuja identidade ou posição social ainda é muito debatida.12 Ele também inclui no seu elenco personagens que foram acusados de priscilianismo no século V sem se perguntar o que tais acusações denotavam e o quanto as fontes realmente nos informam acerca da difusão do priscilianismo à época.13 E, enfim, Piay Augusto rotula os supostos aristocratas de seu elenco como indistintamente oriundos das “classes altas” ou das “aristocracias provinciais”, como se não existissem diferenças sociais entre eles.14

O objetivo deste artigo é aprofundar o trabalho de Piay Augusto, pois, com um estudo mais preciso, podemos chegar a conclusões diferentes e mais nuançadas. Discutirei a seguir as principais teorias acerca da identidade dos seguidores de Prisciliano e indicarei, sempre que possível, sua posição social e a data de sua adesão ao grupo do bispo de Ávila. Por seguidores entendo aqueles que praticaram, ao menos em parte, o regime ascético recomendado por Prisciliano e aqueles que o apoiaram antes de sua execução. Diferencio-os, portanto, dos admiradores e dos que cultuaram o bispo de Ávila depois de 386. Esse esforço é importante por dois motivos: em particular, porque a associação de Prisciliano a ricos e poderosos proprietários de terras aparece nos estudos mais recentes como definidora de seu grupo, sendo assim usada para explicar o violento antagonismo de seus inimigos religiosos e as causas de sua execução;15 e, em geral, porque os seguidores de Prisciliano são mencionados como evidência da rápida difusão do monasticismo entre as aristocracias ocidentais no século IV.16

Agape

De acordo com Sulpício Severo, A. e Helpídio (→ Helpidius) foram discípulos de Marcos de Menfis, que teria introduzido na Espanha “a infame heresia dos gnósticos, uma superstição perniciosa ocultada por segredos misteriosos”, e mentores de Prisciliano.17 Sulpício acrescenta que A. era “uma mulher distinta” (non ignobilis mulier).18 Para Jerônimo, ela era esposa de Helpídio.19

Ernest-Charles Babut supõe que A. fosse o nome adotado por Eucrócia (→ Euchrotia). Analogamente a seu marido Delfídio, que teria adotado um nome que indicava a esperança cristã, Eucrócia teria adotado um nome que indicava a caridade. Ambos os casos remeteriam, direta ou indiretamente, à passagem em que Paulo menciona as virtudes cristãs: fé, esperança e caridade (1 Cor. 13.13).20 Tal suposição, porém, não tem fundamento e Henry Chadwick corretamente a rejeita.21

Virginia Burrus supõe que a menção de Sulpício de que Helpídio também foi condenado no sínodo de Zaragoza, em 380, seja um indício da historicidade de A. e Helpídio.22 De fato, as atas do dito sínodo proíbem a participação de mulheres em reuniões com homens que não fossem seus parentes ou maridos (uirorum alienorum) e o retiro em casas, uillae e montes entre 17 de dezembro e a epifania,23 o que sugere que Prisciliano, antes de 380, associou-se a uma ou mais mulheres que podiam ser proprietárias de casas e/ou uillae. Eucrócia e Prócula (→ Procula), as mais antigas discípulas de Prisciliano que conhecemos, associaram-se a ele somente em 381. Assim, A. pode ter seguido Prisciliano e ter sido representada como sua mentora por Itácio - que redigiu uma Apologia, uma das fontes de Sulpício - ou pelo próprio Sulpício para relacionar espiritualmente Prisciliano a Marcos de Menfis, retratado como um herege gnóstico por Irineu de Lyon, no século II.24

Amantia

Em 1885, Georg Schepss descobriu, na biblioteca da Universidade de Würzburg, um manuscrito em uncial que reproduz onze tratados anônimos. Porém, Johann Joseph Ignaz von Döllinger, a quem Schepss submeteu o manuscrito, logo percebeu que os tratados eram priscilianistas. A maioria dos estudiosos concorda que o manuscrito foi escrito na Itália dos séculos V ou VI e que sua primeira proprietária foi uma aristocrata chamada A., pois, ao fim do Tratado 3, encontra-se a frase: “Lê, beata Amância, com as tuas em Jesus Cristo, nosso senhor”.25 O nome A. foi apagado, mas as letras NTIA continuam legíveis e as letras AMA são deduzíveis.

Por causa do apagamento do nome e da posição da frase ao fim do Tratado 3, Chadwick supõe que A. tenha sido a pessoa para quem a obra foi originalmente escrita. “Uma vez que tinha associados”, ela poderia ter sido “uma personagem eminente de uma das irmandades de Prisciliano”, que havia sido atraída, como Eucrócia (→ Euchrotia), “pelos ensinamentos e pela personalidade” do bispo de Ávila.26 Chadwick corretamente rejeita a hipótese de Schepss, segundo a qual Amantia, que significa “amada”, era o modo como Prisciliano denominava Prócula (→ Procula), já que ambos, de acordo com Sulpício, foram amantes.27 Prisciliano, contudo, pregava uma ascese rígida. A acusação reproduzida por Sulpício de que ele engravidou Prócula era certamente falsa e foi feita pelos seus inimigos religiosos para arruinar sua reputação.28 Marco Conti, mais recentemente, sugeriu que A. foi “uma seguidora tardia do priscilianismo” e que a coleção de tratados foi-lhe preparada para ser usada “como um instrumento de meditação em sua irmandade”.29

As propostas de Chadwick e Conti são igualmente possíveis, mas, em minha opinião, precisam ser reajustadas. Acerca dos argumentos de Chadwick, devemos notar, em primeiro lugar, que a frase não se encontra exatamente ao término do Tratado 3. Ela é separada do mesmo pelas palavras “inicia-se o tratado da Páscoa” (incipit tractatus paschae), que anunciam o Tratado 4. Em segundo lugar, se o Tratado 3 - ou, se quisermos, o Tratado 4 - tivesse realmente sido composto para A., o mesmo deveria apresentar uma dedicatória ou um prefácio que a mencionasse.30 E, em terceiro lugar, a sugestão de que seu nome foi apagado do manuscrito porque havia perigo de que ela fosse descoberta como seguidora de Prisciliano é muito frágil. Tal sugestão faria mais sentido se o manuscrito fosse galego e do século IV, onde e quando foi promovida uma feroz perseguição aos seguidores e admiradores de Prisciliano. Notemos ainda que o apagamento foi parcial, pois não só as letras NTIA continuaram legíveis, como também uma marca que permite o reconhecimento de A. (ou de Amantius) foi acrescentada após “beata”.31 Não vejo como uma pessoa receosa de ser descoberta como herética e, consequentemente, de sofrer punições, não tenha apagado completamente o próprio nome. É mais provável que um dos proprietários do manuscrito ao longo dos séculos V-VIII tenha desejado apagar o nome de A. A proposta de Conti também é falha, porque, se A. tivesse de fato sido a aristocrata para quem a coleção dos tratados foi originalmente feita, a frase apareceria logo no início do manuscrito, não ao término de um folio, entre os Tratados 3 e 4.

Sendo assim, suponho que tenham circulado coleções de tratados priscilianistas a partir das duas últimas décadas do século IV ou do início do século V, de modo que o manuscrito de Würzburg pode ser, na realidade, uma compilação de tratados e outras coleções menores e mais antigas. Nesse caso, A. pode ter sido a pessoa para quem os Tratados 4-11 ou 4, 6 e 10 foram reunidos.32 Com essa conclusão, retornamos à proposta de Chadwick de que A. foi galega e seguidora de Prisciliano, pois coleções de obras do bispo de Ávila devem ter começado a circular antes mesmo ou logo após sua morte. Na Galícia pós-386, de fato, Prisciliano foi cultuado como mártir e suas obras gozaram de ampla circulação.33 Mas é igualmente possível que os Tratados 4-11 ou 4, 6 e 10 tenham sido reunidos no século V em um lugar diferente da Galícia. Com efeito, os tratados de Prisciliano não apresentam nada que soasse herético e podem ter sido considerados adequados à formação religiosa de mulheres. Tanto é que, antes de chegar à biblioteca da catedral de Würzburg, no século VIII, o manuscrito pertenceu a Bilihild, fundadora e abadessa do monastério de Altmünster, em Mainz.34 O provável local de composição (Itália) e a circulação do manuscrito sugerem que as obras de Prisciliano suscitaram o interesse de grupos monásticos femininos em lugares muito distantes da Galícia e em épocas muito posteriores à morte do bispo de Ávila. Assim, parece-me inquestionável que A. tenha sido uma mulher rica, que reuniu outras mulheres ao redor de si, mas não podemos determinar quando e onde ela viveu e se ela praticou o regime ascético recomendado por Prisciliano.

Armenius

A. era clérigo e foi condenado à morte em 386 com Prisciliano.35 Não temos nenhuma outra notícia sobre ele.

Asarbus

No Tratado 1, Prisciliano diz ter a mesma fé e a mesma opinião de Tiberiano (→ Tiberianus), A. e outros, que haviam composto um libelo condenando “os dogmas de todos os heréticos”. No libelo, “todos os dogmas que parecem contrários a Cristo foram condenados e todos os que lhe são favoráveis foram aprovados”.36 A. foi decapitado por sua associação a Prisciliano.37 É muito provável que ele tenha sido capturado pelos tribunos que Máximo despachou à Espanha após a condenação do bispo de Ávila, pois seu julgamento ocorreu depois do de Prisciliano.38 Sulpício não diz que ele era de origem humilde, como no caso de Tertulo (→ Tertullus), Potâmio (→ Potamius) e João (→ Iohannes), mas também não conta que seus bens foram tomados, como no caso de Tiberiano.

Aurelius

A. era diácono e foi muito provavelmente preso pelos tribunos que Máximo enviou à Espanha após a condenação de Prisciliano. A. foi executado com Asarbo (→ Asarbus).39

Euchrotia

E. era esposa de Átio Tiro Delfídio40 e mãe de Prócula (→ Procula).41 Ela já era viúva42 quando, em 381, recebeu em sua propriedade (in agro), situada nas redondezas de Bordeaux, Prisciliano, Instâncio (→ Instantius) e Salviano (→ Saluianus). De acordo com Sulpício, ela compôs, com Prócula, “o séquito muito torpe e vergonhoso de esposas e outras mulheres” que acompanhou Prisciliano, Instâncio e Salviano a Roma para defender sua causa diante de Dâmaso, bispo da cidade.43 E. foi executada em 386 com Prisciliano.44 Ela é sem dúvida a matrona que, segundo Pacato, foi conduzida ao suplício por um gancho amarrado ao pescoço, tendo sido condenada por causa “da demasiada piedade e do culto muito diligente à divindade”.45 Em um de seus poemas, Ausônio consola-se pela morte de Delfídio, pois ele havia sido poupado “do erro da filha desviante e da pena da esposa”.46

Podemos inferir a posição social de E. a partir do que sabemos de Delfídio e de alguns de seus antepassados. Delfídio era neto de Febício que, como sacerdote do templo de Apolo Beleno, em Bayeux, não conseguiu ascender socialmente. Mas, para esconder suas origens humildes, ele dizia-se descendente de uma família druídica da Armórica.47 Átio Patera, filho de Febício e pai de Delfídio, foi o primeiro da família que se transferiu para Bordeaux, talvez por causa da diminuição dos subsídios imperiais aos templos pagãos, talvez por causa das maiores oportunidades de enriquecimento que um homem de talento como ele tinha na cidade.48 Como professor de retórica em Roma e Bordeaux, ele conquistou grande reconhecimento.49

Delfídio também alcançou notoriedade como professor de retórica50 e, em pouco tempo, passou a atuar como advogado. Sua intenção era destacar-se nos tribunais para obter um cargo público. Mas seus planos falharam, pois ele suscitou o ódio de pessoas poderosas, que não hesitaram em prejudicá-lo.51 Como alguns de seus compatriotas, ele aproveitou a oportunidade de embarcar na carreira palatina apoiando um tirano, Magnêncio ou Procópio.52 Foi somente por causa da intervenção de seu pai que, após a derrota de um ou de outro, ele foi perdoado e pôde retomar sua cadeira de retórica em Bordeaux.53

Patera, como professor renomado, conseguiu acumular um patrimônio considerável e Delfídio, como professor e colaborador de Magnêncio ou Procópio, certamente o aumentou. Tanto é que Alécio Minérvio, filho de Delfídio, foi celebrado não só pela promissora carreira de professor de retórica, mas também pelo nobre casamento e pela riqueza, herdada da esposa e do pai.54 Outro parente de Delfídio que conhecemos é Hedíbia. No início do século V, ela apresentou a Jerônimo doze questões que demonstram erudição e conhecimento das Escrituras. A partir da resposta de Jerônimo à primeira pergunta (quomodo perfectus esse quis possit, et quomodo uiuere debeat uidua, quae sine liberis derelicta est), podemos também inferir que ela era uma rica viúva.55

Considerando que Delfídio pertencia a uma família ambiciosa que, em pouco tempo, chegou a uma posição de destaque na cúria bordelaise e que seu pai era um renomado professor de retórica, seu casamento sem dúvida selou uma aliança profícua, com a qual as famílias envolvidas esperavam ascender socialmente e/ou ganhar prestígio. Assim, podemos supor que E. pertencia a uma família curial abastada e/ou prestigiosa.

Felicissimus

F. era clérigo e, em 386, foi condenado à morte com Prisciliano.56 Não temos outras notícias sobre ele.

Galla

A identidade de G. tem intrigado os estudiosos desde Le Nain de Tillemont. Ela é conhecida unicamente por uma misteriosa passagem da Carta 133 de Jerônimo, citada aqui na edição de Migne:

In Hispania Agape Elpidium, mulier virum, cæcum cæca duxit in foveam, successoremque qui Priscillianum habuit. Zoroastris magi studiosissimum, et ex mago Episcopum, cui juncta Galla non gente, sed nomine, germanam huc illucque currentem alterius et vicinæ hæreseos reliquit hæredem.57

Com a intenção de restabelecer o sentido original da passagem, Adhémar d’Alès acrescenta uma vírgula após Galla e elimina a vírgula entre nomine e germanam. De acordo com o estudioso, uma vírgula após Galla é necessária porque, no seu elenco de mulheres associadas a heresiarcas, Jerônimo teria indicado que Galla gente, que se uniu a Prisciliano, espelhava Ágape (→ Agape) que, com Helpídio (→ Helpidius), havia iniciado a “gnose espanhola”. Já a vírgula entre nomine e germanam deveria ser eliminada, porque, segundo d’Alès, ambas as palavras combinam-se.58

As correções propostas por d’Alès permitem-no reconhecer duas mulheres diferentes, uma originária da Gália (Galla gente) e outra chamada Gala (Galla non gente sed nomine). A primeira teria sido indubitavelmente priscilianista, pois Jerônimo disse que ela associou-se a Prisciliano, e a segunda teria sido muito provavelmente ariana, porque os godos, “depois de terem inundado a Gália, rompiam a Espanha”.59 Apesar das diferenças doutrinárias entre o priscilianismo e o arianismo, Jerônimo teria indicado com “próxima” a vizinhança geográfica entre ambas as heresias: no fim do século IV, o priscilianismo teria se difundido na Espanha e o arianismo, nas Gálias cisalpina e transalpina.

D’Alès propõe identificar Galla gente com Eucrócia (→ Euchrotia) e Galla nomine com a irmã de Valentiniano II. Ele argumenta que, com o termo “irmã”, Jerônimo não quis designar uma irmandade de sangue, mas uma irmandade formada “pela comunidade do nome”: uma teria sido Galla pela origem e a outra, pelo nome. Além disso, Eucrócia foi executada no fim de 386 e Gala (irmã de Valentiniano) casou-se com Teodósio após 12 de outubro de 386. Gala, portanto, “entrou em cena no momento preciso em que Eucrócia deixou o palco deste mundo”.60 E por causa das vicissitudes políticas da época, enfim, Gala fugiu de Milão para Tessalônica, retornou à Itália algum tempo depois e faleceu em Constantinopla. Assim, a herança que Eucrócia teria deixado a Gala foi “em matéria de heresia”: o papel que a primeira assumiu pelo priscilianismo, a segunda assumiu, imediatamente após sua morte e em diferentes lugares, pelo arianismo.

Em um pequeno, mas contundente artigo, Ferdinand Cavallera observa que a solução proposta por d’Alès apresenta sérios problemas. Ela pressupõe que Gala (irmã de Valentiniano), por meio unicamente de seu nome, formava uma irmandade com Eucrócia e, logo, com todas as mulheres nascidas na Gália, e que Eucrócia transmitiu a Gala uma herança de heresia simplesmente porque ambas eram heréticas. De acordo com Cavallera, o preciosismo com o qual d’Alès imagina que “essa dupla ideia, por ela mesma muito bizarra”, foi expressa não condiz com o estilo de Jerônimo. Além disso, não há indícios de que Gala tenha patrocinado o arianismo ou de que ela tenha se relacionado de algum modo com Eucrócia.

Para Cavallera, non gente sed nomine não é uma antecipação a germanam, mas uma aposição a Galla. Dado que o termo galla podia indicar tanto uma mulher nascida na Gália quanto uma mulher chamada Galla, Jerônimo esclarece que se trata da segunda opção. Cavallera, assim, sugere que:

Gala, de origem espanhola, evidentemente - daí a nota Galla, non gente sed nomine -, tinha uma irmã, ela também envolvida em outra heresia, próxima à sua, e essa irmã é caracterizada por suas peregrinações. Essa irmã, tendo sobrevivido a Gala, recebeu como herança seu espírito de devoção à heresia, embora ela o tenha aplicado a outro tipo de erro. Esse erro é qualificado alterius et vicinae hereseos.61

Cavallera sugere que Jerônimo não mencionou o nome da irmã de G. (= Galla gente de d’Alès) porque ele, como em outras ocasiões, aludia a uma mulher ainda viva e pertencente a “uma família considerada”. Assim, a frase “também agora o mistério de iniquidade é perpetrado” (Nunc quoque mysterium iniquitatis operatur), que continua a passagem citada, poderia ser também uma alusão à irmã de G. Cavallera, contudo, prefere a hipótese de que Jerônimo aludia com a frase ao patrocínio que, no ano em que escreveu a carta (415), uma mulher que não a irmã de G. oferecia a uma heresia distante do priscilianismo. Nesse caso, Jerônimo pode ter se referido com meias palavras à proteção que mulheres da ilustre família dos Anícios davam a Pelágio em Roma.62

Os estudiosos tendem a concordar com Cavallera.63 Recentemente, porém, Burrus retornou à hipótese de que non gente sed nomine é um complemento de germanam. Segundo a historiadora, Jerônimo sabia que Eucrócia havia sido executada com Prisciliano e conhecia a narrativa de Sulpício. Mas, ao deixar de nomear Galla gente, Jerônimo teria evitado “associar explicitamente descendentes de Delfídio, como Hedíbia, a Prisciliano”.64

Concordo com Cavallera que o sentido da frase é direto e inequívoco se considerarmos non gente sed nomine um aposto de Galla. Como observa o estudioso, a necessidade de se inserir uma vírgula após Galla é óbvia para d’Alès, mas ele não consegue demonstrá-la.65 De fato, dizer simplesmente que Prisciliano e Galla non gente reproduzem Ágape e Helpídio não funciona como argumento. Em primeiro lugar, d’Alès parte do pressuposto de que Jerônimo fala de uma Galla gente, não de uma Galla non gente sed nomine. E, em segundo lugar, considerar non gente sed nomine um aposto de Galla não nos impede de pensar que Jerônimo tenha desejado estabelecer uma reprodução tipológica de comportamentos morais e doutrinais. Só que, no lugar de Galla gente, é Galla non gente sed nomine que, com Prisciliano, replica Ágape e Helpídio. É de fato estranho que Jerônimo, que certamente sabia do envolvimento de Eucrócia e Prócula (→ Procula) na controvérsia, tenha se lembrado de outra mulher que, por não ser mencionada em nenhuma outra fonte, muito provavelmente não desempenhou um papel tão enérgico quanto as duas. Porém, é justamente para evitar associar Hedíbia, sua correspondente, a Prisciliano que ele menciona outra discípula do bispo de Ávila, chamada G. Essa hipótese é perfeitamente lógica e não precisamos recorrer a uma exegese mirabolante para defendê-la.

A hipótese de que, com a frase “também agora o mistério de iniquidade é perpetrado”, Jerônimo aludisse ao patrocínio que mulheres da família dos Anícios ofereciam a Pelágio é sugestiva. De fato, o foco de Jerônimo na carta é o pelagianismo. Mas Cavallera considera G. espanhola e evita associar sua irmã a Proba, Juliana e Demétrias. Não temos o menor indício, contudo, da origem de G. Quando apresentou seu caso a Dâmaso, Prisciliano permaneceu em Roma por algum tempo. Durante esse período, ele pode ter entrado em contato com (ou mesmo convertido ao monasticismo) certa G. da família dos Anícios. Assim, ela pode ter sido parente de Proba, Juliana e Demétrias. O fato de G. ter sido romana ajuda-nos a entender porque ela não é mencionada em nenhuma outra fonte: quando o grupo de Prisciliano retornou à Aquitânia e à Espanha, ela permaneceu distante da controvérsia. É muito provável que os opositores de Prisciliano não soubessem dela, pois nunca foram a Roma. Mas Jerônimo, que chegou à cidade em 382, pode ter ouvido falar dela e do suporte que ela deu a Prisciliano durante sua estada na cidade.

Helpidius

De acordo com Sulpício, Ágape (→ Agape) e H. foram discípulos de Marcos de Menfis e mentores de Prisciliano.66 Sulpício acrescenta que H. era retórico e que ele foi condenado com Prisciliano no sínodo de Zaragoza, em 380.67 Jerônimo pensa que ele tenha sido marido de Ágape.68

Babut identifica H. com Delfídio, pois, no prefácio de sua carta a Hedíbia (Ep. 120), Jerônimo teria aludido “às pretensões exegéticas de Delfídio e aos seus erros”. Delfídio teria trocado seu cognomen (Attius), que derivava do culto familial a Apolo-Beleno, e seu nomen, que remetia ao santuário dedicado a Apolo em Delfos, para um nome que indicava a esperança cristã: Élpis era, na mitologia grega, a personificação da esperança.69 A suposição de Babut, porém, não tem fundamento e é corretamente rejeitada por Chadwick.70

É possível que Ágape e H. tenham se associado a Prisciliano e que Itácio ou Sulpício os tenha representado como seus mentores para relacionar espiritualmente o bispo de Ávila a Marcos de Menfis, retratado como um herege gnóstico por Irineu de Lyon.71 Se H. foi de fato retórico, ele devia ser decurião.72

Hyginus

H. era bispo de Córdoba. Sulpício conta que ele, “agindo na qualidade de bispo vizinho” (ex uicino agens), foi o primeiro a chocar-se com a atuação do grupo de Instâncio (→ Instantius), Salviano (→ Saluianus) e Prisciliano. Ele referiu o caso a Hidácio, bispo de Mérida, que se opôs veementemente ao grupo.73 Pouco tempo depois, contudo, H. passou a apoiar Prisciliano. Sulpício conta que, assim, ele foi excomungado pelos bispos reunidos em Zaragoza, em 380,74 mas a maioria dos estudiosos concorda com Babut que ele foi apenas advertido. Babut considera estranha a frase et maxime Hyginum extra communionem faceret, da edição de Halm das Crônicas.75 O historiador aponta que o único manuscrito da obra apresenta et maxime yginum communione faceret e argumenta que o termo original era commonefaceret (advertir). Um copista teria abreviado o termo para comonefaceret e outro o desenvolvido em communione faceret.76 Burrus, por sua vez, sugere que Sulpício pode ter simplesmente confundido a cronologia dos acontecimentos e, baseando-se no quinto cânone do sínodo de Zaragoza, antecipado a excomunhão de H. Em todo caso, a excomunhão de H. é unanimemente situada em 385.77

O grupo de Prisciliano consultou H. e Simpósio (→ Symposius) sobre as medidas a serem tomadas para manter “a paz das igrejas”, quando, logo após o sínodo de Zaragoza, acusações contra Hidácio começaram a circular em Mérida.78

Victoria Escribano defende que H. foi um dos bispos que, para manter sua posição, aderiu ao arianismo imperial no sínodo de Rimini, em 359, e que, após a promulgação do édito de Tessalônica, em 380, retornou à teologia trinitária. A autora propõe que H. teria ainda perseguido, sob a acusação de luciferianismo, os clérigos e laicos que, mantendo-se fiéis ao credo de Niceia, queriam que ele se submetesse a uma disciplina penitencial e abdicasse de sua sede. A favor de sua proposta, Escribano ressalta que foi H. quem denunciou Prisciliano a Hidácio e Lucioso quem leu as sentenças aprovadas no sínodo de Zaragoza e que, quatro anos mais tarde, os padres Marcelino e Faustino acusaram justamente H. e Lucioso de terem promovido uma brutal perseguição a um padre da Bética, Vicente, que havia se recusado a adotar o arianismo.79

A sugestão de Escribano é especulativa e, portanto, aberta a questionamentos. Em primeiro lugar, ela apoia-se em uma suposição de Chadwick de que Lucioso pode ter sido o Lúcio que leu as sentenças do sínodo de Zaragoza.80 Todavia, não há uma única variante em toda a tradição manuscrita das atas do concílio com o nome de Lucioso. O fato de não conhecermos Lúcio por outras fontes não nos autoriza a identificá-lo com Lucioso. Em segundo lugar, Escribano ignora a mudança de lado de H. e as suas condenações. A sua excomunhão, em especial, e o consequente risco de perder a sua sede - se é que ele de fato não a perdeu - sugerem um personagem que lutou a favor de Prisciliano e que, por isso, sofreu medidas punitivas, muito diferente do bispo que se curvou às crenças dos imperadores reinantes para manter a sua sede. É possível que H. não tenha se oposto a Prisciliano com a mesma virulência com a qual se opôs aos nicenos rigorosos, daí a sua mudança de lado. Mas, se esse foi realmente o caso, a tese central de Escribano perde muita força.81 Por tudo isso, suponho que o Higino denunciado por Marcelino e Faustino não tenha sido o H. que inicialmente denunciou Prisciliano, mas que depois passou a apoiá-lo.

H. foi muito provavelmente parente de Flávio Higino, um clarissimus celebrado em uma inscrição por causa do patronato que conferiu a Tipasa durante o governo da Mauritânia Cesariense. A inscrição, que contém um monograma cristão, foi encontrada em Córdoba, certamente porque Flávio Higino era natural da cidade.82 Considerando que Flávio Higino conseguiu tornar-se senador subindo os degraus da carreira pública - ele foi possivelmente recompensado com o governo da Mauritânia por causa de seus serviços na burocracia imperial -, podemos supor que H. pertencia a uma família curial e letrada de Córdoba.

Instantius

I. e Salviano (→ Saluianus) são apresentados por Sulpício como os primeiros bispos que apoiaram Prisciliano.83 A sede de I. é desconhecida, mas era certamente próxima a Córdoba, pois Sulpício relata que Higino (→ Hyginus), “agindo na qualidade de bispo vizinho”, foi o primeiro que se alarmou com a atuação do grupo de Prisciliano.84

Sulpício narra que I. foi condenado com Prisciliano no sínodo de Zaragoza, em 380. Mas, “para reforçar sua posição” (ad confirmandas uires suas), ele e Salviano ordenaram Prisciliano bispo de Ávila.85 Depois que Graciano permitiu que Hidácio banisse os supostos heréticos de suas sedes, I., Salviano e Prisciliano, acompanhados de um “séquito muito torpe e vergonhoso de esposas e outras mulheres”, entre as quais Eucrócia (→ Euchrotia) e Prócula (→ Procula), foram a Roma pedir o apoio de Dâmaso.86 Tanto Dâmaso quanto Ambrósio recusaram-se a recebê-los. Mas I. e Prisciliano, de acordo com Sulpício, subornaram Macêdonio, magister officiorum de Graciano, que lhes concedeu um rescrito que lhes restituía suas igrejas. Ambos, assim, retornaram à Espanha.87

No sínodo de Bordeaux, em 385, I. foi convocado a defender sua causa antes de Prisciliano, mas foi considerado indigno do episcopado.88 No ano seguinte, em Trier, quando do julgamento de Prisciliano, I. escapou à execução porque já havia sido condenado em Bordeaux. Ele foi, assim, deportado às ilhas Scilly.89

No Tratado 2, Prisciliano diz que, enquanto “alguns dos nossos já foram eleitos ao serviço de Deus nas igrejas, outros trabalham com suas vidas para que sejamos eleitos”.90 Com essa frase, Prisciliano certamente se referia a ele mesmo, pois ainda não havia sido ordenado bispo de Ávila, e a I. e Salviano, que já haviam sido ordenados.91 A expressão “trabalham com suas vidas”, assim, indica que I. e Salviano foram eleitos bispos porque eram reconhecidos como ascetas dedicados, não porque eram decuriões.

Iohannes

I. era de origem humilde.92 Por ter confessado sua adesão aos ensinamentos de Prisciliano e denunciado seus companheiros antes de ser torturado, foi poupado da pena de morte, sendo condenado apenas a um degredo temporário “no interior das Gálias” (intra Gallias).93 I. foi muito provavelmente preso pelos tribunos que Máximo, após a condenação de Prisciliano, enviou à Espanha, pois seu julgamento ocorreu depois do de Prisciliano.94

Iulianus

I. é mencionado por Jerônimo no lugar de Felicíssimo (→ Felicissimus) e Armênio (→ Armenius) como um dos seguidores de Prisciliano condenados à morte, em 386.95 Sulpício não o menciona.

Latronianus

De acordo com Jerônimo, L. era um erudito poeta espanhol, autor de obras em diferentes métricas.96 Assim, ele devia pertencer à aristocracia letrada e proprietária da Espanha. Arnold Hugh Martin Jones, John Robert Martindale e John Morris pensam que L. possa ter sido descendente de Domício Latroniano, corrector da Sicília um pouco antes de 314 e procônsul da África durante o reinado de Constantino.97 Mas não temos nem como endossar, nem como refutar essa hipótese. Em todo caso, vale notar que não conhecemos o local de nascimento de Domício Latroniano, o que torna a identificação de L. como seu descendente mais azzardata.

Babut, diferentemente, sugere que L. possa ter sido aquitano, pois ele é mencionado por Próspero em uma notícia que supostamente retém do sínodo de Bordeaux apenas os fatos que concernem à cidade. Próspero, assim, teria mencionado somente personagens bordelais.98 Contudo, não temos motivos para duvidarmos de Jerônimo. E Próspero não se limita aos acontecimentos ou aos personagens que interessam a Bordeaux. Ele conta que Prisciliano apelou para o imperador em Trier e que o prefeito do pretório, Flávio Evódio, o condenou com Eucrócia (→ Euchrotia), L. e outros. L. foi executado em 386 com Prisciliano.99

Potamius

P. era de origem humilde100 e, por ter confessado sua adesão aos ensinamentos de Prisciliano e denunciado seus companheiros antes da tortura, foi poupado da pena de morte, sendo condenado apenas a um degredo temporário “no interior das Gálias”.101 P. foi muito provavelmente preso pelos tribunos despachados à Espanha após a condenação do bispo de Ávila, pois seu julgamento ocorreu depois do de Prisciliano.102

Procula

P. era filha de Delfídio e Eucrócia (→ Euchrotia).103 De acordo com Sulpício, ela e a mãe compuseram “o séquito muito torpe e vergonhoso de esposas e outras mulheres” que, em 381, acompanhou Prisciliano, Instâncio (→ Instantius) e Salviano (→ Saluianus) a Roma para defender sua causa diante de Dâmaso.104 Sulpício também conta que, à época, circulou o boato de que P. havia engravidado de Prisciliano e usado ervas para abortar.105 Para Ausônio, a morte de Delfídio foi “o menor dos males”, pois poupou-o “do erro da filha desviante e da pena da esposa”.106 P. certamente não foi decapitada com Eucrócia, pois Pacato não teria deixado de explorar, em seu panegírico de Teodósio, o horror que a execução de mãe e filha teria causado.107

Saluianus

De acordo com Sulpício, Instâncio (→ Instantius) e S. foram os primeiros bispos que apoiaram Prisciliano.108 Não sabemos qual era a sede de S. Mas Sulpício conta que Higino (→ Hyginus), “agindo na qualidade de bispo vizinho”, foi o primeiro que se chocou com a atuação do grupo de Prisciliano. S., portanto, devia ser bispo de uma cidade próxima a Córdoba.109

Sulpício conta que S. foi condenado com Prisciliano no sínodo de Zaragoza, em 380, e que, em seguida, ele e Instâncio, para reforçar sua posição, ordenaram Prisciliano bispo de Ávila.110 Depois que Graciano concedeu a Hidácio um rescrito para banir os heréticos de suas sedes, Instâncio, S. e Prisciliano, acompanhados de um “séquito muito torpe e vergonhoso de esposas e outras mulheres”, foram a Roma pedir o apoio de Dâmaso, bispo da cidade.111 S. morreu durante sua estada em Roma, em 381.112

No Tratado 2, Prisciliano conta que, enquanto “alguns dos nossos já foram eleitos ao serviço de Deus nas igrejas, outros trabalham com suas vidas para que sejamos eleitos”.113 Prisciliano certamente aludia a Instâncio e S., que já haviam sido ordenados bispos, e a ele mesmo, pois ainda não havia sido ordenado bispo de Ávila.114 Com a expressão “trabalham com suas vidas”, portanto, Prisciliano indica que Instâncio e S. foram eleitos bispos por causa de sua ascese rigorosa, não por causa de sua posição social.

Symposius

S. era bispo de Astorga, sendo mencionado em décimo lugar na lista dos bispos reunidos em Zaragoza, em 380, para julgar Prisciliano. O chamado Exemplar das decisões tomadas no concílio de Toledo contra a seita de Prisciliano, contudo, esclarece que S. participou apenas do primeiro dia do sínodo de Zaragoza e que ele não acatou a decisão dos bispos.115 S., portanto, manifestou-se inicialmente contra Prisciliano, mas, pouco antes da reunião de Zaragoza, passou a apoiá-lo, retirando-se da mesma por não concordar com as acusações ou com o modo como as discussões foram conduzidas.

Prisciliano apresenta S. a Dâmaso como um “homem religioso”. Higino (→ Hyginus) e S. foram consultados pelo grupo de Prisciliano sobre as medidas a serem tomadas para manter “a paz das igrejas”, quando, logo após o sínodo de Zaragoza, acusações contra Hidácio começaram a circular em Mérida.116

Após a morte de Prisciliano, S. e outros bispos galegos foram acusados por bispos espanhóis de serem priscilianistas.117 Por causa da seriedade das acusações, S. apelou para Ambrósio, que compôs algumas cartas aconselhando que os bispos suspeitos fossem readmitidos à comunhão “se condenassem o que haviam erradamente feito e se cumprissem as condições contidas nas cartas”. S. e seus associados, contudo, não acataram as condições, apesar de terem sido originalmente propostas a Ambrósio pelo próprio S.118 Os bispos galegos continuaram a acrescentar o nome de Prisciliano na lista dos mártires e a ler apócrifos condenados e obras de Prisciliano. Além disso, S. continuou a ordenar bispos. Em 400, um sínodo foi reunido em Toledo para julgar os clérigos galegos suspeitos. S. foi inocentado da leitura de apócrifos e obras de Prisciliano e negou peremptoriamente que o Filho é inascível, ideia supostamente defendida por Prisciliano e considerada herética.119 Sua profissão anti-priscilianista foi ouvida em 6 de setembro e repetida no dia seguinte, e ele foi então readmitido à comunhão.120

Tertullus

T. era de origem humilde.121 Ele confessou sua adesão aos ensinamentos de Prisciliano e denunciou seus companheiros antes de ser torturado, sendo então poupado da pena de morte e condenado apenas a um degredo temporário “no interior das Gálias”.122 É muito provável que ele tenha sido preso pelos tribunos de Máximo que chegaram à Espanha após a condenação do bispo de Ávila, pois seu julgamento ocorreu depois do de Prisciliano.123

Tiberianus

T. era natural da Bética.124 Prisciliano indica ter a mesma fé e a mesma opinião de T., Asarbo (→ Asarbus) e outros, que haviam composto um libelo condenando “os dogmas de todos os heréticos”. No libelo, “todos os dogmas que parecem contrários a Cristo foram condenados e todos os que lhe são favoráveis foram aprovados”.125 Quando foi acusado de heresia, T. defendeu-se com uma obra apologética.126 Mas ele não conseguiu escapar à condenação: seus bens foram confiscados e ele foi deportado às ilhas Scilly.127 É muito provável que ele tenha sido capturado pelos tribunos que Máximo enviou à Espanha após a condenação do bispo de Ávila, pois seu julgamento ocorreu depois do de Prisciliano.128

O fato de T. ser o único entre os condenados da segunda rodada de julgamentos que, segundo Sulpício, teve os bens confiscados e o fato de Jerônimo ter lhe reservado um lugar entre seus Homens ilustres sugerem que ele era um rico proprietário de terras, que pode ter se tornado senador subindo os degraus da carreira pública.

De acordo com Jerônimo, o “tédio” do degredo alterou o propósito de T. Ao retornar à Espanha, ele obrigou a filha, “virgem dedicada a Cristo”, a casar-se.129

Vrbica

Designada por Próspero como “certa discípula de Prisciliano”, V. foi lapidada por uma multidão em Bordeaux “por causa da tenacidade na impiedade”.130 Os estudiosos concordam que ela morreu em 385, durante o concílio reunido na cidade para julgar Prisciliano e Instâncio (→ Instantius).131 É muito provável que V. tenha começado a seguir o bispo de Ávila ao mesmo tempo que Eucrócia (→ Euchrotia) e Prócula (→ Procula), ou seja, quando ele, Instâncio e Salviano (→ Saluianus) passaram pela Aquitânia em direção a Roma.132

Jacob Bernays sugere que V. era parente do poeta e gramático Úrbico, elogiado por Ausônio no capítulo 21 dos Professores.133 Roger Green, porém, descarta essa hipótese e sustenta que V. foi, na realidade, Pompônia Úrbica, esposa de Juliano Censor e mãe do genro de Ausônio. Green observa que Ausônio comemorou Juliano e Pompônia nos Parentalia, mas que há um espaço insólito entre ambas as comemorações (capítulos 22 e 30, respectivamente). Ausônio, assim, teria acrescentado a notícia de Pompônia alguns anos depois de ter acabado o poema, daí o espaço. A obra teria sido iniciada após 379 e publicada entre 385/386 e 388, mas é provável que ela tenha sido concluída nos primeiros anos da década de 380, já que Professores é-lhe uma “adição posterior”. Assim, a notícia de Próspero, que situa a morte de V. em 385, concordaria com a inserção tardia de Pompônia. Ainda de acordo com Green, Ausônio pode ter aludido a um martírio com a sugestão de que Pompônia teria morrido no lugar do marido e pode ter acenado aos ensinamentos de Prisciliano com a associação de Pompônia a Teano. A favor dessa última sugestão, Green observa que Ausônio, alguns anos depois dos Parentalia, aludiu a Pitágoras e Belerofonte para criticar a conversão de Paulino, futuro bispo de Nola, ao monasticismo.134

Burrus, mais recentemente, endossou a proposta de Green e procurou responder a algumas questões que ele havia ignorado. Ausônio conta que Pompônia morreu logo após seu marido, Juliano Censor,135 que certamente morreu antes da conclusão dos Parentalia, situada por Green no início da década de 380. Dessa forma, a morte de V. não coincide com a de Pompônia, pois passaram-se alguns anos entre a morte de Juliano e a de V. Burrus sugere, contudo, que Ausônio teria ressaltado a “extrema brevidade” entre a morte de Pompônia e a de Juliano por causa do “seu embaraço com o modo em que ela morreu e da sua tentativa de apresentá-la como uma esposa devota, que se apressou para reunir-se com o marido na morte”.136 Burrus reconhece que Ausônio, ao associar Pompônia a Teano e Tanaquil, pode ter aludido a uma “virtude tradicional das esposas romanas”. Mas a historiadora sustenta que ele aludiu, mais provavelmente, a uma mulher corajosa e independente, pois tanto Teano quanto Tanaquil “assumiram papéis sociais e religiosos incomuns para uma mulher”: a primeira foi esposa de Pitágoras e membro de uma seita conhecida, à época de Ausônio, pelo sigilo, pelas práticas ascéticas e pela participação de mulheres, e a segunda foi uma poderosa rainha etrusca dedicada à política e à interpretação de profecias.

Apesar do esforço, Burrus não conseguiu solucionar a diferença cronológica que há entre a data da morte de V. e o curto período que separa a morte de Pompônia da de Juliano. Não entendo qual é a relação entre o suposto embaraço de Ausônio diante da conduta e do destino de Pompônia e sua decisão de encurtar tal período. Ausônio estaria certamente embaraçado se Pompônia e V. fossem a mesma pessoa, pois ele fala da execução de Eucrócia e do “erro” de Prócula com desgosto. Assim, se Pompônia e V. fossem de fato idênticas, suponho que Ausônio não teria nem mesmo acrescentado sua comemoração nos Parentalia. Por mais que ele possa ter escondido com eruditas alusões fatos dos quais sentia embaraço, a comemoração de uma pessoa considerada herege e assassinada por uma multidão certamente relembraria aos seus leitores sua associação a ela.

Por causa desse insolúvel problema cronológico, penso que V. tenha sido mais provavelmente parente de Úrbico. Se esse foi realmente o caso, ela pertencia a uma modesta família curial, pois Úrbico era filho de um liberto e, muito provavelmente por causa de sua condição, não pôde ir além da cadeira de gramática em Bordeaux.137 Mas é igualmente possível que ela tenha sido outra pessoa, cujos ancestrais e cuja posição social não conhecemos, pois Vrbicus/Vrbica era um nome comum à época.138

Anonymus

Prisciliano tinha A. como “caríssimo” (carissime), de modo que ambos eram amigos íntimos.139 Por causa da falta de informações sobre A., não sabemos se ele era um dos seguidores de Prisciliano, que conhecemos graças a outras fontes, ou alguém diferente. Suponho, em todo caso, que A. tenha sido clérigo, pois ele estava envolvido na luta ativa contra supostos heréticos: ele pediu a Prisciliano que

encontrasse nas divinas Escrituras, por meio de uma investigação sagaz, a mais válida defesa contra a falácia dos heréticos (…), que tentam interpretar os testemunhos os mais verdadeiros que lhes são expostos através de sua opinião a mais depravada ou negam aquilo que foi escrito.140

Para atender ao pedido de A., Prisciliano endereçou-lhe os Cânones sobre as cartas do apóstolo Paulo.

Conclusões

Muitas incertezas ainda circundam os seguidores de Prisciliano, embora tenhamos conseguido avançar algumas conclusões e corroborar algumas teorias acerca de sua identidade e sua posição social. Nosso elenco conta vinte e dois personagens associados a Prisciliano. Desses, quatorze eram certamente seus seguidores (Armênio, Asarbo, Eucrócia, Felicíssimo, Gala, Higino, Instâncio, Latroniano, Prócula, Salviano, Simpósio, Tiberiano, Úrbica e Anônimo). Eucrócia, Gala, Higino, Latroniano, Prócula e Tiberiano eram aristocratas. Também Úrbica pode ter sido aristocrata, mas, como desconhecemos sua identidade, não podemos assegurá-lo. De Armênio, Asarbo, Felicíssimo, Instâncio, Salviano, Simpósio e Anônimo, não conhecemos a posição social.

Não há certeza de que os oito personagens restantes (Ágape, Amância, Aurélio, Helpídio, João, Juliano, Potâmio e Tertulo) tenham sido seguidores de Prisciliano. Os tribunos que Máximo despachou à Espanha após a condenação do bispo de Ávila podem ter reconhecido Aurélio, João, Potâmio e Tertulo como priscilianistas simplesmente por causa de seu ascetismo,141 embora não possamos saber se eles eram de fato ascetas. (Asarbo e Tiberiano também foram presos pelos tribunos de Máximo, mas podemos confirmar sua associação a Prisciliano pelo Tratado 1 de Würzburg). É provável que também Ágape e Helpídio tenham se associado ao bispo de Ávila e que Itácio ou Sulpício os tenha representado como seus mentores para estabelecer uma genealogia espiritual de Marcos de Menfis, apresentado como um mago gnóstico por Irineu de Lyon, no século II, a Prisciliano. Mas não podemos descartar totalmente a hipótese de que Itácio ou Sulpício tenha inventado Ágape e Helpídio. Não sabemos quem era Amância e nem mesmo em que época e em que lugar ela viveu. E Juliano, enfim, não é mencionado por Sulpício. É Jerônimo quem o apresenta como um dos que foram executados com Prisciliano, em 386, mas, por causa da escassez das fontes, não podemos julgar a credibilidade da notícia. Acerca da posição social desses oito personagens, podemos supor que Amância, Ágape e Helpídio (considerando os dois últimos personagens históricos) tenham sido aristocratas. João, Potâmio e Tertulo eram certamente de origem humilde. E de Aurélio e Juliano, não conhecemos a posição social.

Até onde podemos saber, portanto, Prisciliano pode ter tido dez seguidores aristocratas. Eucrócia e Prócula pertenciam certamente a uma rica família curial de Bordeaux. Se nossa identificação de Gala estiver correta, ela era parente de Proba, Juliana e Demétrias. Higino, Latroniano e Tiberiano eram muito provavelmente membros de importantes famílias curiais e letradas - é possível que Tiberiano tenha chegado à ordem senatorial subindo os degraus da carreira pública. Sobre Úrbica, se ela foi de fato parente de Úrbico, professor de gramática em Bordeaux, ela pertencia a uma modesta família curial. Mas pode ser que ela tenha sido alguém cujos ancestrais e cuja posição social não conhecemos. Ágape pode ter sido uma proprietária de terras, de família curial, assim como Helpídio, que era retórico. E de Amância, enfim, não podemos saber o estrato aristocrático, mas ela possuía propriedades que lhe permitiram reunir mulheres em comunidade e sustentá-las.

Diferentes estratos aristocráticos, assim, aparecem representados. Quatro personagens podem ter sido modestos ou ricos curiais (Ágape, Helpídio, Latroniano e Úrbica) e três certamente pertenciam a importantes famílias curiais (Eucrócia, Higino e Prócula). Um proprietário de terras pode ter sido senador (Tiberiano) e outra personagem pode ter pertencido a uma das mais ricas e poderosas famílias do Império, a dos Anícios (Gala). Uma última personagem (Amância), enfim, pode ter pertencido a qualquer um desses estratos ou mesmo a um estrato curial ou senatorial intermediário.

Mas não podemos esquecer-nos dos outros possíveis seguidores de Prisciliano. Apenas dez de vinte e dois personagens conhecidos podem ter sido aristocratas, três eram certamente humildes e a posição social dos nove restantes é-nos desconhecida. O elenco dos possíveis seguidores de Prisciliano sugere, portanto, que ele atraiu pessoas dos mais diferentes estratos sociais. A asserção de Sulpício de que Prisciliano atraiu “muitos nobres e um número maior ainda de populares” reforça essa impressão.142 Com efeito, a mensagem ascética de Prisciliano não se restringia a determinados estratos sociais. O grupo que se reuniu ao seu redor era estritamente religioso e, nele, todas as pessoas podiam, sem distinções, praticar a ascese e alcançar a salvação.143 São os estudiosos modernos que se esforçam para rotulá-lo como aristocrático ou popular, esforço que limita e distorce sua mensagem e sua ação.

A associação de Prisciliano a ricos aristocratas, além disso, não foi definidora do seu grupo. É claro que ela pode ter suscitado a inquietação de alguns bispos espanhóis, que eram humildes decuriões e dirigiam sedes com poucos recursos.144 Contudo, restringir as razões do acirrado antagonismo contra Prisciliano à atração de ricos aristocratas é desconsiderar não só os seus seguidores pobres, mas também o impacto do seu regime ascético entre os bispos da época. Os adversários de Prisciliano não eram ascetas e podem ter de fato pensado que o rigoroso regime que ele pregava reproduzia práticas esotéricas e maniqueístas, consideradas heréticas.145 É importante notarmos, ainda, que ressaltar os ricos seguidores de Prisciliano para explicar a violência da controvérsia ignora seu desenvolvimento, pois pelo menos metade dos aristocratas que podemos associar a ele passou a apoiá-lo só depois das primeiras manifestações de antagonismo de Hidácio. Eucrócia e Prócula começaram a seguir Prisciliano em 381, quando ele, Instâncio e Salviano passaram pela Aquitânia em direção a Roma. É muito provável que Úrbica, que era de Bordeaux, tenha entrado para o grupo na mesma época. Se Gala pertencia de fato à família dos Anícios, ela associou-se a Prisciliano durante o período em que ele permaneceu em Roma, em 381. Higino, o primeiro opositor de Prisciliano, passou a apoiá-lo antes do sínodo de Zaragoza, mas, em todo caso, depois de referir o seu caso a Hidácio. Ágape e Helpídio são os personagens que com maior probabilidade compuseram o grupo de Prisciliano antes que Hidácio tomasse conhecimento dele. Com relação a Amância, Latroniano e Tiberiano, finalmente, não podemos datar sua possível associação ao bispo de Ávila.

Prisciliano e seus seguidores são também mencionados como argumento da rápida difusão do monasticismo entre as aristocracias ocidentais a partir de 370. De fato, onze possíveis monges-aristocratas (contando o próprio Prisciliano)146 são um número excepcional. Podemos encontrar tantos aristocratas convertidos ao monasticismo à época somente em Roma.147 Mas não podemos generalizar a partir de Prisciliano. Um levantamento prosopográfico de todos os aristocratas conhecidos que se converteram ao monasticismo no século IV sugere que os seguidores aristocratas de Prisciliano aderiram ao monasticismo em boa parte por causa da sua personalidade carismática e concentraram-se, consequentemente, nos anos e nos lugares em que ele atuou. Ou seja, além dos casos dos personagens que se associaram a Prisciliano, na Espanha e na Aquitânia, e dos que se associaram a Jerônimo, em Roma, podemos encontrar no Ocidente poucos aristocratas que se converteram ao monasticismo no século IV. Em todo caso, se pensarmos em todos os membros das aristocracias senatoriais e curiais da Espanha e da Aquitânia na época, onze é certamente um número muito pequeno.

Fontes

ACC = Acta concilii Caesaugustani. RODRÍGUEZ, Félix (ed.). Concilio I de Zaragoza: texto crítico. In: FATÁS CABEZA, Guillermo (org.). I Concilio Caesaraugustano: MDC aniversario. Zaragoza: Institución Fernando el Católico, 1981, p. 9-25. [ Links ]

Amm. Marc. = AMMIANUS MARCELLINUS. Rerum gestarum libri. SELEM, Antonio (ed.). Le storie. Turim: Utet, 2007. [ Links ]

Aus. Par. = AUSONIUS. Parentalia. In: GREEN, R. P. H. (ed.). The works of Ausonius. Oxford: Clarendon Press, 1991. [ Links ]

Aus. Prof. = AUSONIUS. Commemoratio professorum Burdigalensium. In: GREEN, R. P. H. (ed.). The works of Ausonius. Oxford: Clarendon Press, 1991. [ Links ]

Coll. Auell. = Collectio Auellana. GUENTHER, Otto (ed.). Epistulae imperatorum pontificum aliorum inde ab a. CCCLXVII usque a. DLIII datae. Auellana quae dicitur collectio. 2 volumes (CSEL 35). Viena: F. Tempsky, 1895-1898. [ Links ]

Exemplar = Exemplar professionum habitarum in concilio Toletano contra sectam Priscilliani aera CCCCXXXVIII. In: CHADWICK, Henry (ed.). Priscillian of Avila: the occult and the charismatic in the early Church. Oxford: Clarendon Press, 1976, p. 234-239. [ Links ]

Hier. Ep. = HIERONYMUS. Epistulae. In: MIGNE, Jean-Paul (ed.). Patrologia latina, t. 22. Turnholt: Brepols, 1983. [ Links ]

Hier. Vir. ill. = HIERONYMUS. Liber de uiris illustribus. In: MIGNE, Jean-Paul (ed.). Patrologia latina, t. 23. Turnholt: Brepols, 1983. [ Links ]

Hier. Chron. = HIERONYMUS. Eusebii Pamphili in librum II chronicorum S. Hieronymo interprete. In: MIGNE, Jean-Paul (ed.). Patrologia latina, t. 27. Turnholt: Brepols, 1983. [ Links ]

Hier. Ep. = HIERONYMUS. Epistulae. LOBOURT, Jérôme (ed.). Correspondance. 8 volumes. Paris: Les Belles Lettres, 2003. [ Links ]

Hyd. = HYDATIUS. Chronicon. TRANOY, Alain (ed.). Chronique. 2 volumes (SC 218-219). Paris: Les Éditions du Cerf, 1974. [ Links ]

ILS = Inscriptiones Latinae selectae, vol. 2.1. DESSAU, Hermannus (ed.). Berlim: Apud Weidmannos, 1902. [ Links ]

Ir. Aduer. haer. = IRENAEUS. Aduersus haereses. ROUSSEAU, Adelin & DOUTRELEAU, Louis (ed.). Contre les hérésies: livre I. 2 volumes (SC 263-264). Paris: Les Éditions du Cerf, 2008. [ Links ]

Is. Vir. ill. = ISIDORUS. De uiris illustribus liber. In: MIGNE, Jean-Paul (ed.). Patrologia latina, t. 83. Turnholt: Brepols, 1989. [ Links ]

Pacat. Pan. Lat. = LATINIUS PACATUS DREPANIUS. Panegyricus Theodosio Augusto dictus. In: Panegyrici Latini. In: GALLETIER, Édouard (ed.). Panégyriques latins, vol. 3. Paris: Les Belles Lettres, 2003. [ Links ]

Prisc. Tr. = PRISCILLIANUS. Tractati. SCHEPSS, Georg (ed.). Priscilliani quae supersunt (CSEL 18). Viena: F. Tempsky, 1889. [ Links ]

Prisc. Can. = PRISCILLIANUS. In Pauli apostoli canones a Peregrino episcopo emendati. In: CONTI, Marco (ed.). Priscillian of Avila: the complete works. Oxford/Nova York: Oxford University Press, 2010. [ Links ]

Prisc. Tr. = PRISCILLIANUS. Tractati. In: CONTI, Marco (ed.). Priscillian of Avila: the complete works. Oxford/Nova York: Oxford University Press , 2010. [ Links ]

Prosp. Chron. = PROSPERUS. Epitoma de chronicon. In: MOMMSEN, Theodorus (ed.). Monumenta Germaniae historica. Auctori Antiquissimi, t. 9. Berlim: Apud Weidmannos, 1892, p. 341-499. [ Links ]

Sulp. Sev. Chron. = SULPICIUS SEVERUS. Chronica. In: HALM, Carolus (ed.). Sulpicii Seueri libri qui supersunt (CSEL 1). Viena: Apud C. Geroldi Filium Bibliopolam Academiae, 1866. [ Links ]

Sulp. Sev. Chron. = SULPICIUS SEVERUS. Chronica. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine (ed.). Chroniques (SC 441). Paris: Les Éditions du Cerf, 1999. [ Links ]

Sulp. Sev. Dial. = SULPICIUS SEVERUS. Dialogi. FONTAINE, Jacques; DUPRÉ, Nicole (ed.). Gallus: Dialogues sur les vertus de saint Martin (SC 510). Paris: Les Éditions du Cerf, 2006. [ Links ]

Bibliografia

BABUT, Ernest-Charles. Priscillien et le priscillianisme. Paris: Librairie Honoré Champion, 1909. [ Links ]

BERNAYS, Jacob. Über die Chronik des Sulpicius Severus: ein Beitrag zur Geschichte der klassichen und biblischen Studien. Berlim: Verlag von Wilhelm Hertz, 1861. [ Links ]

BOOTH, Alan D. Notes on Ausonius’ Professores. Phoenix, vol. 32, 1978, p. 235-249. [ Links ]

BOWES, Kim. “Une coterie espagnole pieuse”: Christian archaeology and Christian communities in fourth- and fifth-century Hispania. In: BOWES, Kim & KULIKOWSKI, Michael (org.). Hispania in late Antiquity: current perspectives. Leiden: Brill, 2005, p. 189-258. [ Links ]

BROWN, Peter. Through the eye of a needle: wealth, the fall of Rome, and the making of Christianity in the West, 350-550 AD. Princeton/Oxford: Princeton University Press, 2012. [ Links ]

BURRUS, Virginia. The making of a heretic: gender, authority, and the Priscillianist controversy. Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1995. [ Links ]

CAVALLERA, Ferdinand. Galla non gente sed nomine. Bulletin de littérature ecclésiastique, vol. 38, 1937, p. 186-190. [ Links ]

CHADWICK, Henry. Priscillian of Avila: the occult and the charismatic in the early Church. Oxford: Clarendon Press , 1976. [ Links ]

D’ALÈS, Adhémar. Priscillien et l’Espagne chrétienne à la fin du IVe siècle. Paris: Gabriel Beauchesne et ses Fils, 1936. [ Links ]

ESCRIBANO, Victoria. Heresy and orthodoxy in fourth-century Hispania: Arianism and Priscillianism. In: BOWES, Kim & KULIKOWSKI, Michael (org.). Hispania in late Antiquity: current perspectives. Leiden: Brill , 2005, p. 121-149. [ Links ]

FIGUINHA, Matheus Coutinho. O monasticismo de Martinho de Tours e as aristocracias na Gália do século IV. Revista Brasileira de História, vol. 36, 2016, p. 13-33. Disponível em: <Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbh/v36n71/en_1806-9347-rbh-2016v36n71_001.pdf >. Acesso em: 22/06/2016. doi: Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1806-93472015v36n71_001 . [ Links ]

FONTAINE, Jacques. L’affaire Priscillien ou l’ère des nouveaux Catilina: observations sur le “sallustianisme” de Sulpice Sévère. In: BRANNAN, Patrick T. (org.). Classica et Iberica: a festschrift in honor of the reverend Joseph M.-F. Marique, S. J. Worscester (MA): Institute for Early Christian Iberian Studies, 1975, p. 355-392. [ Links ]

__________. L’aristocratie occidentale devant le monachisme aux IVème et Vème siècles. Rivista di Storia e Letteratura Religiosa, vol. 15, 1979, p. 28-53. [ Links ]

GILLIARD, Frank D. Senatorial bishops in the fourth century. Harvard Theological Review, vol. 77, 1984, p. 153-175. [ Links ]

GREEN, Roger P. H. Prosopographical notes on the family and friends of Ausonius. Bulletin of the Institute of Classical Studies, vol. 25, 1978, p. 19-27. [ Links ]

JONES, Arnold Hugh Martin. The later Roman Empire, 284-602: a social, economic, and administrative survey. 2 volumes. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1992. [ Links ]

JONES, Arnold Hugh Martin; MARTINDALE, John Robert; MORRIS, John. The prosopography of the later Roman Empire, AD 260-395, vol. 1. Cambridge: Cambridge University Press, 1971. [ Links ]

KAJANTO, Iiro. The Latin cognomina. Helsinki: Keskuskirjapaino, 1965. [ Links ]

LOWE, Elias Avery. Codices Latini antiquiores: a paleographical guide to Latin manuscripts prior to the ninth century, vol. 9. Oxford: Clarendon Press , 1959. [ Links ]

MATTHEWS, John Frederick. Western aristocracies and imperial court, AD 364-425. Oxford: Clarendon Press , 1990. [ Links ]

OLIVARES GUILLEM, Andrés. Prisciliano a través del tiempo: historia de los estudios sobre el priscilianismo. Madri: Fundación Pedro Barrié de la Maza, 2004. [ Links ]

PIAY AUGUSTO, Diego. Acercamiento prosopográfico al priscilianismo. Antigüedad y Cristianismo (Murcia), vol. 23, 2006, p. 602-604. Disponível em: <Disponível em: http://revistas.um.es/ayc/article/view/50111/48011 >. Acesso em: 23/09/2016. [ Links ]

PIETRI, Luce & HEIJMANS, Marc. Prosopographie chrétienne du Bas-Empire: la Gaule chrétienne (314-614). 2 volumes. Paris: ACHCByz, 2013. [ Links ]

SANCHEZ, Sylvain Jean Gabriel. L’historiographie du priscillianisme (1559-2012). Disponível em: <Disponível em: http://sjgsanchez.free.fr/historiogsanchez.pdf >. Acesso em: 05/06/2017. [ Links ]

SIVAN, Hagith. Ausonius of Bordeaux: genesis of a Gallic aristocracy. Londres/Nova York: Routledge, 1993. [ Links ]

THURN, Hans. Die Handschriften der Universitätsbibliothek Würzburg: die Pergamenthand-schriften der ehemaligen Dombibliothek. Wiesbaden: Harrassowitz, 1984, vol. 3.1. [ Links ]

*Agradeço aos pareceristas ad hoc deste artigo as correções e sugestões, que me permitiram aprimorá-lo. Esta pesquisa foi desenvolvida, em momentos diferentes, nos departamentos de História da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

1Sulp. Sev. Chron. 2.50.3 e 51.2. (Os dados completos dessa e das demais fontes citadas nas notas estão nas referências ao final deste artigo). Sulpício Severo era um aristocrata aquitano, que nasceu em 352/353 e aderiu ao monasticismo em 394, pouco tempo depois da morte da esposa. Ele compôs a fonte mais importante de que dispomos acerca de Prisciliano, as Crônicas, de modo que será frequentemente citado ao longo deste artigo. Sulpício também é o autor da primeira Vida e de outras obras sobre Martinho, bispo de Tours de 371 a 397.

2Sulp. Sev. Chron. 2.46.2.

3Sulp. Sev. Chron. 2.47.2.

4Sulp. Sev. Chron. 2.50.3.

5Cf. CHADWICK, Henry. Priscillian of Avila: the occult and the charismatic in the early Church. Oxford: Clarendon Press, 1976, p. 148-233; BURRUS, Virginia. The making of a heretic: gender, authority, and the priscillianist controversy. Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1995, p. 102-159.

6Para análises recentes da historiografia e abundantes referências, cf. OLIVARES GUILLEM, Andrés. Prisciliano a través del tiempo: historia de los estudios sobre el priscilianismo. Madri: Fundación Pedro Barrié de la Maza, 2004, p. 135-243; SANCHEZ, Sylvain Jean Gabriel. L’historiographie du priscillianisme (1559-2012). Disponível em: <http://sjgsanchez.free.fr/historiogsanchez.pdf>. Acesso em: 05/06/2017.

7Como já notou PIAY AUGUSTO, Diego. Acercamiento prosopográfico al priscilianismo. Antigüedad y cristianismo (Murcia), vol. 23, 2006, p. 602-604. Disponível em: <http://revistas.um.es/ayc/article/view/50111/48011>. Acesso em: 23/09/2016.

8 PIAY AUGUSTO, Diego. Acercamiento, op. cit., p. 617-619.

9Piay Augusto ignora → Amantia; Galla; Anonymus.

10Não é claro o que exatamente Piay Augusto entende por “clases altas”. Em um estudo publicado originalmente em 1964, JONES, Arnold Hugh Martin. The later Roman Empire, 284-602: a social, economic, and administrative survey, vol. 2. Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1992, p. 920-929, aponta que “The great majority of the higher clergy, the urban deacons and priests and the bishops, were drawn from the middle classes, professional men, officials and above all curiales” (p. 923-924). GILLIARD, Frank D. Senatorial bishops in the fourth century. Harvard Theological Review, vol. 77, 1984, p. 153-175, endossa a percepção de Jones com um estudo sistemático, argumentando “that when the identification of fourth-century bishops with imperial senators is cross-examined, it seldom carries conviction, and that the episcopal lists of the fourth century contain surprisingly few names from senatorial families”. De acordo com Gilliard, a maioria dos bispos do século IV era de fato curial. Para um panorama recente, cf. BROWN, Peter. Through the eye of a needle: wealth, the fall of Rome, and the making of Christianity in the West, 350-550 AD. Princeton/Oxford: Princeton University Press, 2012, p. 31-52. Mas, como argumento a seguir, alguns bispos que se associaram a Prisciliano podem ter sido ordenados por causa de seu ascetismo, não por causa de seu pertencimento às aristocracias locais.

11 BOWES, Kim. “Une coterie espagnole pieuse”: Christian archaeology and Christian communities in fourth- and fifth-century Hispania. In: BOWES, Kim & KULIKOWSKI, Michael (org.). Hispania in late Antiquity: current perspectives. Leiden: Brill, 2005, p. 193-234.

12 PIAY AUGUSTO, Diego. Acercamiento, op. cit., p. 607-608: apesar de reconhecer que a rotulação de Latroniano como parente de Domício Latroniano é só uma hipótese, diz que “No parece cuestionable (…) su pertenencia a las clases altas de la sociedad”. Uma simples hipótese, assim, ganha status de certeza. À p. 608, Piay Augusto conjectura acerca de Asarbo e Aurélio: “Las informaciones que poseemos sobre el afán de Máximo de hacerse con las posesiones y riquezas de los priscilianistas nos llevan a pensar que pertenecían a la oligarquía provincial”. A identificação de Asarbo e Aurélio como membros da “oligarquía provincial” é muito frágil para que o autor possa adicioná-los ao grupo dos aristocratas. É importante notar também que Piay Augusto, à p. 606, conta entre os aristocratas Delfídio, que já havia morrido quando Prisciliano passou pela Aquitânia.

13Piay Augusto cita a carta de Zózimo aos bispos da África, da Gália e da Espanha (Ep. 4), as atas do concílio de Toledo de 400, a carta de Consêncio a Agostinho (Aug. Ep. 11*), uma carta de Bráulio de Zaragoza a Frutuoso de Braga (Ep. 44) e a Crônica de Hidácio. Na análise de Piay Augusto, transparece a ideia de que o priscilianismo restringiu-se aos personagens mencionados por essas fontes. Mas devemos perguntar-nos: esses personagens eram de fato devotos de Prisciliano? O que acusações de priscilianismo denotavam e por quem eram feitas? A devoção a Prisciliano teria se limitado aos personagens que essas fontes mencionam? Sobre as atas do concílio de Toledo e a carta de Consêncio, remeto ao estudo de BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 102-125, que argumenta convincentemente que “a close reading suggests that the proceedings of the Council of Toledo provide only sketchy evidence for a localized Galician form of Christianity that honored Priscillian and his teachings, while the record of the investigation at Tarragona offers no reliable evidence of Priscillianist Christianity at all. The sources do, however, clearly attest to the establishment of a heresiological category of Priscillianism by which a publicly defined orthodoxy sought to discredit various forms of Christian community that remained rooted in the private sphere” (p. 103). Sabemos que Bráulio, que diz na carta a Frutuoso que Paulo Orósio foi priscilianista antes de ser corrigido por Agostinho, equivoca-se, como o próprio Piay Augusto reconhece à p. 616. Sobre a Crônica de Hidácio, enfim, vale mencionar que são alguns estudiosos modernos que reconhecem determinados personagens como priscilianistas, não Hidácio. É Piay Augusto, apoiando-se em um estudo de Escribano Paño, quem identifica Pastor e Siágrio como priscilianistas, enquanto que Alain Tranoy, em seus comentários à Crônica (vol. 2, p. 68-69), sugere que Agréscio de Lugo, opositor de Pastor e Siágrio, é que era priscilianista. Ospínio e Ascânio são identificados como priscilianistas também por Tranoy, mas apenas hipoteticamente (vol. 2, p. 114).

14Para a diversidade das aristocracias ocidentais nos séculos IV e V, cf. MATTHEWS, John Frederick. Western aristocracies and imperial court, AD 364-425. Oxford: Clarendon Press, 1990.

15Cf. BOWES, Kim. “Une coterie”, op. cit., p. 234-257; BROWN, Peter. Through the eye, op. cit., p. 211-215.

16Cf. especialmente FONTAINE, Jacques. L’aristocratie occidentale devant le monachisme aux IVème et Vème siècles. Rivista di Storia e Letteratura Religiosa, vol. 15, 1979, p. 40-41.

17Sulp. Sev. Chron. 2.46.1 (ed. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine, p. 332): “infamis illa gnosticorum haeresis intra Hispanias deprehensa, superstitio exitiabilis arcanis occultata secretis”.

18Sulp. Sev. Chron. 2.46.1.

19 Hier. Ep. 133.4.

20 BABUT, Ernest-Charles. Priscillien et le priscillianisme. Paris: Librairie Honoré Champion, 1909, p. 51-52.

21 CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 37.

22 BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 135.

23 ACC, c. 1, 2 e 4.

24 Ir. Aduer. haer. 1.13.1-16.3. A Apologia de Itácio não chegou até nós. Sabemos que ele compôs a obra graças a Is. Vir. ill. 15. É BABUT, Ernest-Charles. Priscillien, op. cit., p. 33-56, quem sustenta que Sulpício e Jerônimo basearam-se na Apologia. Para uma reavaliação de sua teoria, cf. BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 126-159.

25Universitätsbibliothek Würzburg, codex Mp. th. q. 3, fol. 74v (ed. SCHEPSS, Georg, p. 56): “Lege felix Amantia cum tuis in Christo Iesu domino nostro”. Para a data e a origem do manuscrito, os estudiosos baseiam-se na autoridade de LOWE, Elias Avery. Codices Latini antiquiores: a paleographical guide to Latin manuscripts prior to the ninth century, vol. 9. Oxford: Clarendon Press, 1959, p. 54 (no 1431), que concorda com Schepss. Cf. também THURN, Hans. Die Handschriften der Universitätsbibliothek Würzburg: die Pergamenthandschriften der ehemaligen Dombibliothek, vol. 3.1. Wiesbaden: Harrassowitz, 1984, p. 87-88.

26 CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 62.

27 SCHEPSS, Georg (ed.). Priscilliani quae supersunt (CSEL 18). Viena: F. Tempsky, 1889, p. xi; CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 62-63.

28Cf. BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 95.

29 CONTI, Marco (ed.). Priscillian of Avila: the complete works. Oxford/Nova York: Oxford University Press, 2010, p. 26.

30Devemos notar que o início do Tratado 3 perdeu-se. CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 63, argumenta que o copista do manuscrito de Würzburg confrontou-se com a lacuna em seu modelo, pois ele deixou o folio 55 em branco e iniciou a cópia do tratado no folio 56. Nesse caso, porém, não vejo motivo para o copista ter deixado o folio 55 em branco. De qualquer modo, a menção a Amância ao fim do Tratado 3 é incompatível com uma possível dedicatória a ela no início, pois a menção é separada do texto do tratado pelo anúncio do Tratado 4 (incipit tractatus paschae). Prisciliano compôs o Tratado 3 – que argumenta que os textos apócrifos não podem ser simplesmente abandonados, porque, apesar das interpolações de heréticos, contêm informações que concordam com os textos canônicos – para defender-se de acusações de seus inimigos. Ele, portanto, não escreveu a obra por causa ou para Amância, de modo que dificilmente a homenageou em um prólogo.

31 SCHEPSS, Georg (ed.). Priscilliani, op. cit., p. xi.

32 CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 62. Há certa relação entre os Tratados 1-3 e 4-11. CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 64-65, observa que os Tratados 1-3 são uma defesa da ortodoxia de Prisciliano e seus seguidores, enquanto os Tratados 4-11 são homilias para a quaresma. A autoria dos onze tratados é muito discutida e até hoje não se chegou a um consenso. Mas os estudiosos que reconhecem diferentes autores separam os Tratados 1-3 dos restantes ou ao menos dos Tratados 4-10. Conti, o editor mais recente das obras, sugere que os Tratados 1-3 foram escritos por Prisciliano. Os Tratados 4, 6 e 10 seriam de um mesmo autor e os Tratados 5 e 7 de outro, ambos, porém, diferentes de Prisciliano. Os Tratados 8 e 9 estão muito fragmentados para permitir a formulação de hipóteses. E o Tratado 11, enfim, seria também de Prisciliano. Conti observa, além disso, que há diferenças estilísticas significativas entre o Tratado 3 e os Tratados 4-10. Cf. CONTI, Marco (ed.). Priscillian, op. cit., p. 14-17, 25 e 278.

33Sulp. Sev. Chron. 2.51.4; Hyd. 16 (anno 387). Cf. BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 103-126.

34Como sugere o nome “bilihilt” gravado no primeiro folio no século VIII/IX. Cf. SCHEPSS, Georg (ed.). Priscilliani, op. cit., p. x.

35Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

36Prisc. Tr. 1.5-8 (ed. CONTI, Marco, p. 32): “hereticorum omnium docmata (…) cuncta docmata quae contra Christum uideantur esse damnata sint et probata quae pro Christo”.

37Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

38Sulp. Sev. Chron. 2.51.2 (ed. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine, p. 345): “Itum deinde in reliquos sequentibus iudiciis”; Dial. 3.11.4: os tribunos tinham a tarefa de encontrar os ditos “heréticos”, executá-los e tomar-lhes os bens.

39Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

40Prosp. Chron. 1187 (anno 385).

41Sulp. Sev. Chron. 2.48.1.

42 BOOTH, Alan D. Notes on Ausonius’ Professores. Phoenix, vol. 32, 1978, p. 238-239; PIETRI, Luce; HEIJMANS, Marc. Prosopographie chrétienne du Bas-Empire: la Gaule chrétienne (314-614), vol. 1. Paris: ACHCByz, 2013, p. 552 e 663.

43Sulp. Sev. Chron. 2.48.1 (ed. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine, p. 336/338): “turpi sane pudibundoque comitatu, cum uxoribus atque alienis etiam feminis”.

44Sulp. Sev. Chron. 2.51.2; Prosp. Chron. 1187 (anno 385).

45Pacat. Pan. Lat. 12.29.2 (ed. GALLETIER, Édouard, p. 95-96): “Sed nimirum graues suberant inuidiosaeque causae ut unco ad poenam clari uatis matrona raperetur. Obiciebatur enim atque etiam exprobrabatur mulieri uiduae nimia religio et diligentius culta diuinitas”.

46 Aus. Prof. 5.35-38 (ed. GREEN, R. P. H., p. 46): “minus malorum munere expertus dei, / medio quod aeui raptus es, / errore quod non deuiantis filiae / poenaque laesus coniugis”.

47 Aus. Prof. 10.22-28. Cf. BOOTH, Alan D. Notes, op. cit., p. 236.

48 SIVAN, Hagith. Ausonius of Bordeaux: Genesis of a Gallic aristocracy. Londres/Nova York: Routledge, 1993, p. 91.

49 Hier. Chron. anno 340; Ep. 120 praefatio.

50 Hier. Chron. anno 360.

51 Amm. Marc. 18.1.4, conta que Delfídio acusou veementemente de peculato Numério, ex-governador da Narbonense, no processo movido contra ele em 358.

52Há uma grande discussão sobre qual tirano Delfídio apoiou. Cf. SIVAN, Hagith. Ausonius, op. cit., p. 197-198, para as referências.

53 Aus. Prof. 5.13-24 e 31-34.

54 Aus. Prof. 6.

55 Hier. Ep. 120.1.

56Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

57 Hier. Ep. 133.4 (ed. MIGNE, Jean-Paul, col. 1153); “Na Espanha, Ágape guiou Helpídio, a esposa guiou o marido, a cega guiou o cego à fossa. Seu sucessor foi Prisciliano, grande estudioso do mago Zoroastro, e de mago tornou-se bispo. A ele juntou-se Gala, não de nascimento, mas de nome, que deixou a irmã, correndo de um canto a outro, herdeira de outra, mas próxima heresia”.

58 D’ALÈS, Adhémar. Priscillien et l’Espagne chrétienne à la fin du IV e siècle. Paris: Gabriel Beauchesne et ses Fils, 1936, p. 177.

59 D’ALÈS, Adhémar. Priscillien, op. cit., p. 175.

60Ibidem, p. 178.

61 CAVALLERA, Ferdinand. Galla non gente sed nomine. Bulletin de littérature ecclésiastique, vol. 38, 1937, p. 189.

62 CAVALLERA, Ferdinand. Galla, op. cit., p. 190.

63Cf. CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 38.

64 BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 140.

65 CAVALLERA, Ferdinand. Galla, op. cit., p. 188.

66Sulp. Sev. Chron. 2.46.1.

67Sulp. Sev. Chron. 2.46.1 e 47.1.

68 Hier. Ep. 133.4.

69 BABUT, Ernest-Charles. Priscillien, op. cit., p. 49-51 e 86-89.

70 CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 37.

71 Ir. Aduer. haer. 1.13.1-16.3.

72Cf. SIVAN, Hagith. Ausonius, op. cit., p. 74-93, para uma análise da posição social dos gramáticos e retóricos de Bordeaux à época.

73Sulp. Sev. Chron. 2.46.3.

74Sulp. Sev. Chron. 2.47.1.

75Sulp. Sev. Chron. 2.47.3 (ed. HALM, Carolus, p. 100).

76 BABUT, Ernest-Charles. Priscillien, op. cit., p. 138.

77 BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 28.

78Prisc. Tr. 2.120-126.

79 ESCRIBANO, Victoria. Heresy and orthodoxy in fourth-century Hispania: Arianism and Priscillianism. In: BOWES, Kim & KULIKOWSKI, Michael (org.). Hispania in late Antiquity: current perspectives. Leiden: Brill, 2005, p. 122-123 e 138-139; Coll. Auell. 2.73-76.

80 CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit., p. 13; ACC, l. 18-22 (ed. RODRÍGUEZ, Félix, p. 17): “Cesaragusta in secretario residentibus episcopis Fitadio, Delfino, Euticio, Ampelio, Augentio, Lucio, Itacio, Splendonio, Valerio, Simposio, Carterio et Idacio (…). Lucius episcopus legit”.

81 ESCRIBANO, Victoria. Heresy, op. cit., esp. p. 127 e 149, defende que a desproporcionalidade da reação de Hidácio e Itácio resultou da ferrenha disputa entre nicenos e arianos na Espanha depois do concílio de Rimini.

82 JONES, Arnold Hugh Martin; MARTINDALE, John Robert; MORRIS, John. The prosopography of the later Roman Empire, AD 260-395, vol. 1. Cambridge: Cambridge University Press, 1971, p. 446; ILS 6116 (ed. DESSAU, Hermannus, p. 536): “Fl(auio) Hygino, u(iro) c(larissimo), comiti | et praesidi p(rouinciae) M(auretaniae) C(aesariensis) | ob merita iustitiae | eius tabulam patro | natus post decursam | administrationem | ordo Tipasensium | obtulit”.

83Sulp. Sev. Chron. 2.46.3.

84Sulp. Sev. Chron. 2.46.3. Cf. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine (ed.). Chroniques (SC 441). Paris: Les Éditions du Cerf, 1999, p. 474.

85Sulp. Sev. Chron. 2.47.2.

86Sulp. Sev. Chron. 2.47.2-48.1.

87Sulp. Sev. Chron. 2.48.2.

88Sulp. Sev. Chron. 2.49.3.

89Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

90Prisc. Tr. 2.17-18 (ed. CONTI, Mario, p. 68): “alii nostrum iam in eclesiis electi deo, alii uita elaborantes ut eligeremur”.

91 BABUT, Ernest-Charles. Priscillien, op. cit., p. 83-84.

92Sulp. Sev. Chron. 2.51.2 (ed. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine, p. 345): “Tertullus, Potamius et Iohannes, tamquam uiliores personae”.

93Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

94Sulp. Sev. Chron. 2.51.2 e Dial. 3.11.4.

95 Hier. Vir. ill. 122.

96 Hier. Vir. ill. 122.

97 JONES, Arnold Hugh Martin; MARTINDALE, John Robert; MORRIS, John. The prosopography, vol. 1, op. cit., p. 496.

98 BABUT, Ernest-Charles. Priscillien, op. cit., p. 182; Prosp. Chron. 1187 (anno 385).

99 Hier. Vir. ill. 122; Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

100Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

101Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

102Sulp. Sev. Chron. 2.51.2 e Dial. 3.11.4.

103Sulp. Sev. Chron. 2.48.1.

104Sulp. Sev. Chron. 2.47.2-48.1.

105Sulp. Sev. Chron. 2.48.1.

106 Aus. Prof. 5.35-38.

107 BOOTH, Alan D. Notes, op. cit., p. 238-239.

108Sulp. Sev. Chron. 2.46.3.

109Sulp. Sev. Chron. 2.46.3.

110Sulp. Sev. Chron. 2.47.1-2.

111Sulp. Sev. Chron. 2.47.2-48.1.

112Sulp. Sev. Chron. 2.48.2.

113Prisc. Tr. 2.17-18.

114 BABUT, Ernest-Charles. Priscillien, op. cit., p. 83-84.

115 Exemplar 71-73.

116Prisc. Tr. 2.120-126.

117Cf. BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 105-106.

118 Exemplar 74-94.

119 Exemplar 27-30 e 34-51.

120 Exemplar 137-144.

121Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

122Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

123Sulp. Sev. Chron. 2.51.2 e Dial. 3.11.4.

124 Hier. Vir. ill. 123.

125Prisc. Tr. 1.5-8.

126 Hier. Vir. ill. 123.

127Sulp. Sev. Chron. 2.51.2.

128Sulp. Sev. Chron. 2.51.2 e Dial. 3.11.4.

129 Hier. Vir. ill. 123.

130Prosp. Chron. 1187 (anno 385) (ed. MOMMSEN, Theodorus, p. 462): “Burdigalae quaedam Priscilliani discipula nomine Vrbica ob impietatis pertinaciam per seditionem uulgi lapidibus extincta est”.

131 BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 82; PIETRI, Luce; HEIJMANS, Marc. Prosopographie, vol. 2, op. cit., p. 2006.

132 BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 82.

133 BERNAYS, Jacob. Über die Chronik des Sulpicius Severus: ein Beitrag zur Geschichte der klassichen und biblischen Studien. Berlim: Verlag von Wilhelm Hertz, 1861, p. 7-8.

134 GREEN, Roger P. H. Prosopographical notes on the family and friends of Ausonius. Bulletin of the Institute of Classical Studies, vol. 25, 1978, p. 22.

135 Aus. Par. 30.9-10 (ed. GREEN, R. P. H., p. 41): “Sed neque tu uiduo longum cruciata sub aeuo / protinus optato fine secuta uirum”.

136 BURRUS, Virginia. The making, op. cit., p. 82.

137 Aus. Prof. 21.27. Cf. SIVAN, Hagith. Ausonius, op. cit., p. 86.

138 KAJANTO, Iiro. The Latin cognomina. Helsinki: Keskuskirjapaino, 1965, p. 311.

139Prisc. Can. prologus 10.

140Prisc. Can. prologus 11-16 (ed. CONTI, Mario, p. 164/166): “Postulaueras enim, ut contra haereticorum uersatum fallaciam firmissimum aliquod propugnaculum in diuinis scripturis sagaci indagine reperiem, quod non tam prolixum uel fastidiosum esset quam concinnum ac uenustum existeret, per quod uelocius eorum prosterneretur inpudentia, qui obiecta sibi uerissima testimonia in suum prauissimum sensum ea interpretari nituntur aut certe negent haec esse scripta”.

141Sobre a confusão que os tribunos de Máximo podiam fazer entre supostos seguidores de Prisciliano e monges, cf. Sulp. Sev. Dial. 3.11.5.

142Sulp. Sev. Chron. 2.46.2 (ed. DE SENNEVILLE-GRAVE, Ghislaine, p. 332): “multos nobilium pluresque populares”.

143Para o regime ascético e a mensagem religiosa de Prisciliano, cf. CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit.

144Para a posição social dos bispos espanhóis e as condições materiais de suas sedes, cf. BOWES, Kim. “Une coterie”, op. cit.

145Concordo com CHADWICK, Henry. Priscillian, op. cit.

146Sulp. Sev. Chron. 2.46.2 diz que Prisciliano era familia nobilis e FONTAINE, Jacques. L’affaire Priscillien ou l’ère des nouveaux Catilina: observations sur le “sallustianisme” de Sulpice Sévère. In: BRANNAN, Patrick T. (org.). Classica et Iberica: a Festschrift in honor of the reverend Joseph M.-F. Marique, S. J. Worscester (MA): Institute for Early Christian Iberian Studies, 1975, p. 355-392, argumenta que o relato do “affaire priscillianiste” nas Crônicas e, especialmente, os retratos, apesar de moldados nas obras de Salústio e Tácito, apresentam um “noyau historique”. Prisc. Tr. 1.16.17 declara ser de origem distinta e ter sua erudição reconhecida (ed. CONTI, Marco, p. 33: “tamen non ita obscuro editi ad saeculum loco aut insipientes uocati sumus”), o que corrobora a tese de Fontaine. Mas notemos que o próprio Prisciliano não se apresentou como nobilis. Ele disse ser de origem distinta e letrado para corroborar sua ortodoxia, de modo que, se pudesse apresentar-se como nobilis, teria dado ainda mais peso às suas palavras. Ele devia ser, portanto, um proprietário de terras local, dono de um patrimônio que lhe permitiu completar os estudos, mas que era muito inferior ao de um rico senador romano.

147Acerca dos discípulos de Martinho, também mencionados como evidência da rápida difusão do monasticismo entre as aristocracias, cf. FIGUINHA, Matheus Coutinho. O monasticismo de Martinho de Tours e as aristocracias na Gália do século IV. Revista Brasileira de História, vol. 36, 2016, p. 13-33. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbh/v36n71/en_1806-9347-rbh-2016v36n71_001.pdf>. Acesso em: 22/06/2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1806-93472015v36n71_001.

Recebido: 14 de Junho de 2017; Aceito: 07 de Março de 2018

Contato Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH Departamento de História Rua Cora Coralina, 100 13083-896 - Campinas - São Paulo figuinha@yahoo.com Contact Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH Departamento de História Rua Cora Coralina, 100 13083-896 - Campinas - São Paulo figuinha@yahoo.com

**

Doutor em História pela Scuola Normale Superiore de Pisa, Itália, e pós-doutorando do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons