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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.13 no.4 São Paulo Dec. 1979

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101979000400008 

Estudo da infecção esquistossomótica produzida pelas linhagens humana e silvestre do Vale do Rio Paraíba do Sul, SP (Brasil), em camundongos isogênicos*

 

Some results of schistosomiasis mansoni in inbred mice infected with human and wild rodent strains from the Paraiba do Sul River Valley, S. Paulo, Brazil

 

 

Othon de Carvalho BastosI; Luiz Augusto MagalhãesII; Gilda B. ParejaII

IDa Universidade Federal do Maranhão — Largo dos Ratos, 66 — 65000. São Luiz, MA — Brasil
IIDo Departamento de Parasitologia do Instituto de Biologia da UNICAMP — Caixa Postal 1170 — 13100 — Campinas, SP — Brasil

 


RESUMO

Foi estudada a influência da isogenicidade de camundongos de laboratório na capacidade de penetração de cercárias de Schistosoma mansoni de linhagem humana do Vale do Rio Paraíba do Sul, SP. Foram estudados, comparativamente, aspectos da biologia e da patogenia das linhagens humana e silvestre do S. mansoni do Vale do Rio Paraíba do Sul, SP (Brasil) em camundongos isogênicos. Foi vantajoso o uso de camundongos isogênicos devido a maior homogeneidade dos resultados e a maior penetração de cercárias pelo tegumento da cauda dos roedores.

Unitermos: Schistosoma mansoni. Esquistossomose mansônica. Camundongos.


ABSTRACT

The behavior of a human S. mansoni strain was studied in infected, outbred mice. A comparative study was carried out to evaluate the effects of the infection in inbred mice, employing human and wild rodent strains of S. mansoni. The use of inbred mice was advantageous in that it allowed greater uniformity in the results as well as greater penetration of surrounding areas through the caudal tegmentum.

Uniterms: Schistosoma mansoni. Schistosomiasis. Mice.


 

 

INTRODUÇÃO

A maior parte dos trabalhos referentes ao estudo da infecção produzida pelo Schistosoma mansoni tem sido realizada utilizando-se Mus musculus albinos. Estes animais são escolhidos por apresentarem vantagens de manuseio além de fornecerem patogenia esquistossomótica semelhante à observada no homem (Brener1, 1956). Entretanto, os roedores usados nestas experiências não são, na maior parte das vezes, isogênicos. Tendo em vista o recente emprego por vários pesquisadores (Warrens, 1969; Warren e col.4, 1967; Yoshimura e col.6, 1970) de animais isogênicos, avaliou-se, inicialmente numa primeira etapa do presente estudo, a influência da isogenicidade do hospedeiro vertebrado na capacidade de penetração e de desenvolvimento das larvas do S. mansoni da linhagem humana do Vale do Rio Paraíba do Sul, SP. Em uma segunda etapa, estudou-se comparativamente, em camundongos isogênicos, aspectos da biologia e da patogenicidade das linhagens humana e silvestre do S. mansoni do Vale do Rio Paraíba do Sul, SP.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Camundongos albinos não isogênicos foram expostos à infecção por linhagem humana (H) do S. mansoni isolada de fezes de doentes autóctones do Vale do Rio Paraíba do Sul, SP. Cada roedor foi exposto a cem cercárias, utilizando-se o método de infecção pela cauda. Este experimento foi realizado em nove grupos de dez camundongos.

Utilizando-se a mesma linhagem H e a mesma técnica, expuseram-se à infecção três grupos de cinco camundongos isogênicos.

Outros três grupos de cinco camundongos, também isogênicos, foram submetidos à infecção por cem cercárias de linhagem de S. mansoni isolada de fígados de roedores silvestres naturalmente infectados e capturados no Vale do Rio Paraíba do Sul (linhagem silvestre, S).

Em todos os grupos utilizados no experimento, após um período de duas horas durante o qual a suspensão cercariana, mantida a 28°C, esteve em contato com a cauda dos roedores, calculou-se a taxa de penetração das larvas, utilizando-se o método descrito por Magalhães2 (1969).

Sessenta dias após a infecção os camundongos foram sacrificados e seu plexo porta e mesentérico perfundidos para obtenção e contagem dos vermes adultos (Yolles e col.5 1947).

Os lotes de roedores isogênicos eram constituídos pelas linhagens C3H/B10A do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.

Os resultados foram submetidos a tratamento estatístico mediante a utilização de testes de homogeneidade de variâncias. A análise de variância entre os roedores isogênicos realizou-se segundo uma estrutura de "split-plot", sendo que as observações oriundas do mesmo camundongo foram correlacionadas. Foram feitas provas t para a comparação das médias e F para se testar a heterogeneidade das variâncias. Como as variâncias das diferentes localizações dos vermes mostraram-se heterogêneas, utilizamos teste aproximado de Cochran para testar as diferenças entre as médias.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Comparando-se os resultados contidos nas Tabelas de 1 a 3 tratou-se, inicialmente, de estudar a influência da isogenicidade do hospedeiro definitivo na capacidade de penetração das cercárias pelo tegumento da cauda.

Testando-se a homogenicidade das variâncias, verificou-se que a variação dos dados, de penetração das cercárias das linhagens H e S pelo tegumento da cauda dos camundongos isogênicos não é significativamente diferente. Entretanto, a variância de penetração das cercárias da linhagem H foi significativamente maior nos camundongos não isogênicos.

Quanto ao número de cercárias que penetraram, a análise estatística dos dados mostrou que com relação ao fator isogenicidade, as cercárias da linhagem H penetraram significativamente mais no tegumento dos camundongos isogênicos.

Nos camundongos isogênicos houve diferença significante no número de cercárias penetradas das linhagens H e S, penetrando mais as da linhagem humana.

As cercárias da linhagem H mostraram maior capacidade de desenvolvimento (relação número de cercárias penetradas e número de vermes adultos).

Os dados das Tabelas 4 e 5 forneceram, após analisados, os resultados a seguir:

A linhagem humana apresentou número significativamente maior de vermes do que a linhagem silvestre, e isto aconteceu quer com o total de vermes, quer com vermes de cada sexo tomados separadamente.

O número de vermes no mesentério foi significativamente maior na linhagem humana do que na silvestre, enquanto que o número de vermes na veia porta e no fígado não foi significativamente diferente nas duas linhagens, Na linhagem humana obteve-se número significativamente maior de vermes no mesentério do que na veia porta e no fígado, enquanto que na linhagem silvestre o número de vermes no mesentério, na veia porta e fígado não foi significativamente diferente.

Na linhagem humana, tanto os machos quanto as fêmeas situavam-se significativamente em maior número no mesentério do que na veia porta e fígado, enquanto que na linhagem silvestre os machos situavam-se significativamente em maior número na veia porta e fígado do que no mesentério sendo que as fêmeas se distribuiram por igual.

Tanto na linhagem "H" como "S", o número de vermes machos e fêmeas não foi significativamente diferente no mesentério enquanto que na veia porta e fígado contou-se significativamente mais machos do que fêmeas.

Houve maior número de esquistossomos machos que fêmeas, e isto observou-se tanto na linhagem silvestre quanto na humana.

Analisando-se comparativamente os dados sobre o número de granulomas hepáticos e número de vermes das linhagens "H" e "S", verificamos que a linhagem humana apresentou maior número de granulomas hepáticos do que a linhagem silvestre.

 

CONCLUSÃO

Verificamos ser vantajoso o uso de camundongo isogênico não só devido a maior homogeneidade dos dados obtidos como também a maior penetração de cercárias pelo tegumento da cauda dos roedores.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BRENER, Z. Observações sobre a infecção do camundongo pelo Schistosoma mansoni. Rev. bras. Malar., 8:565-75, 1956.        [ Links ]

2. MAGALHÃES, L. A. Técnica para avaliação da viabilidade de penetração de cercárias de Schistosoma mansoni em Mus musculus. Hospital, Rio de Janeiro, 75:137-40, 1969.        [ Links ]

3. WARREN, K. S. Inhibition of granuloma formation around Schistosoma mansoni eggs. V. "Hodgkin's-Like Lesion" in SJL/J mice. Amer. J. Path., 36: 293-303, 1969.        [ Links ]

4. WARREN, K. S. et al. Granuloma formation around schistosome eggs as a manifestation of delayed hypersensitivity. Amer. J. Path., 51:735-56, 1967.        [ Links ]

5. YOLLES, T. K. et al. A technique for the perfusion of laboratory animals for the recovery of schistosomes. J. Parasit., 33:419-26, 1947.        [ Links ]

6. YOSHIMURA, K. et al. Further studies on the differences in susceptibility for four strains of inbred mice to infection with Schistosoma japonicum. Res. Bull. Meguro Parasit. Mus., 4:21-5, 1970        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 20/06/1979
Aprovado para publicação em 30/07/1979

 

 

* Realizado com o auxílio do CNPq. Processo TC. 7372.