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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.13  suppl.1 São Paulo Sept. 1979

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101979000500001 

Requerimentos de energia e nutrientes da população brasileira

 

 

Ignez Salas Martins

Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública Universidade de São Paulo

 

 


RESUMO

Foram estimados os requerimentos de energia, proteínas, vitamina A, B1, B2, C, D, B12, ácido fólico e dos minerais ferro e cálcio da população brasileira. Foi utilizada a metodologia recomendada nos relatórios técnicos dos Comitês de Peritos FAO/OMS. Partindo-se da pressuposição de que, até 19 anos de idade, o indivíduo tem um potencial de desenvolvimento a ser atingido, as recomendações de energia foram estabelecidas tomando-se como referência o percentil 97 da população. Os requerimentos dos adultos foram estimados para o homem-tipo e mulher-tipo representativos da população brasileira do percentil 50. As recomendações de proteínas e dos demais nutrientes foram calculadas para atender as necessidades de 95% da população.

Unitermos: Necessidades nutricionais. Proteínas. Vitaminas. Ácido fólico. Ferro. Cálcio.


ABSTRACT

The requirements for energy, proteins, vitamins — A, B1, B2, C, D, B12 — Folie acid, and iron and calcium were estimated and for this purpose the method recommended by the FAO/OMS committees was used. Based on the presupposition that an individual achieves a development potential by the age of 19, energy requirements were established using as references the 97th percentile of the population. Adult requirements were estimated for the typical-man and typical-woman, representative of the 50th percentile of the Brazilian population. The protein requirements and those of the other nutrients were calculated to meet the needs of the 95th percentile of the population.

Uniterms: Nutritional requirements. Proteins. Vitamins. Folic acid. Iron. Calcium.


 

 

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende apresentar uma estimativa dos requerimentos de energia, proteínas, vitaminas A, B1, B2, C, D, B12, ácido fólico e dos minerais cálcio e ferro para a população brasileira. Para tanto foram analisados os relatórios técnicos dos Comitês de Peritos FAO/OMS2,4,5 e a publicação do Instituto Nacional de Nutrición (INN/CONICIT)3 da Venezuela.

A importância de estimativas das necessidades de energia e outros nutrientes essenciais está no fato de que, a partir delas, pode-se ter elementos para avaliar a adequação de consumo de populações obtidos em inquéritos alimentares. Estas estimativas, também, podem fornecer subsídios para uma política nacional de alimentação e nutrição. Convém salientar que essas recomendações são dirigidas às coletividades e não a um indivíduo em particular; portanto, apenas podem servir como guia aproximado na análise de consumo individual.

Para o cálculo dos requerimentos energéticos partiu-se da pressuposição que até aos 19 anos de idade o indivíduo tem um potencial de desenvolvimento ideal a ser atingido. Assim, as recomendações foram estabelecidas tomando como base os pesos e alturas médios do percentil 97 da população. A partir dos 19 anos, os requerimentos foram estabelecidos tomando-se como referência os pesos e alturas médios do percentil 50 da população. Esse critério foi adotado por levar-se em consideração que tanto o déficit como o excesso de energia na alimentação trazem danos à saúde.

Os requerimentos de proteínas e dos demais nutrientes foram estabelecidos para satisfazer as necessidades de manutenção de quase toda a população. Foram tomadas as necessidades médias e somaram-se a elas 2 DS, assegurando-se, assim, a cobertura de 95% da população.

Este critério pode levar a uma superestimativa das necessidades. Ressalte-se que alguns nutrientes ingeridos em excesso podem trazer efeitos tóxicos, como é o caso das vitaminas A e D. Porém, as recomendações estabelecidas neste trabalho estão muito longe da possibilidade de atingir níveis de toxidez.

Os dados de peso e altura da população brasileira foram extraídos do Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF — IBGE 1).

 

2. REQUERIMENTOS DE ENERGIA

O organismo humano necessita de energia para os processos orgânicos quando em repouso e, também, uma quantidade suplementar para fazer frente às necessidades de trabalho exterior.

2.1. Homem e mulher tipo brasileiros

Os Comitês de Peritos FAO/OMS tem utilizado o método da escolha do "homem e da mulher tipo" como representativos de uma população, com certas características definidas.4,5

O "homem-tipo" é um indivíduo entre 20 e 39 anos que pesa 65 kg. É isento de enfermidades e diariamente trabalha 8 horas numa atividade moderada, passa 8 horas na cama, 2 horas andando e 4-6 horas sentado ou em movimentos leves.

O gasto de energia do "homem-tipo" perfaz 3.000 Kcal por dia.

A "mulher-tipo" tem de 20 a 39 anos de idade e pesa 55 Kg. É saudável e se ocupa 8 horas por dia em atividades do lar ou trabalha na indústria leve ou em qualquer outra atividade moderada. Passa 8 horas por dia na cama, 4-6 horas sentada ou exercendo atividades leves e 2 horas andando.

A "mulher-tipo" requer 2.200 Kcal por dia para a sua manutenção.

Em repouso o gasto energético do "homem-tipo" corresponderá aproximadamente ao seu metabolismo basal (MB) e é 1 Kcal por minuto; o da "mulher-tipo" é um pouco menor.

Os gastos de energia variam de acordo com o estado de repouso e o tipo de atividades exercidas e com a idade (Tabelas 1 e 2). O último Comitê de Peritos FAO/OMS6, entretanto, recomenda que se utilize a idade de 25 anos para a formulação das recomendações dos adultos para todos os grupos de idade. No presente trabalho, entretanto, foram mantidas as médias dos pesos entre 20-39 anos, por estas não diferirem significantemente dos pesos médios do grupo etário entre 25-29 anos para ambos os sexos.

 

 

Na Tabela 3 tem-se os pesos e altura médios do "homem-tipo" e "mulher-tipo" da nossa população.

 

 

Levando-se em consideração a distribuição de atividades (Anexo I) da população brasileira os cálculos foram feitos tendo-se como base a atividade moderadamente ativa. Para casos individuais ou grupos restritos, entretanto, faz-se necessário um ajustamento de acordo com a atividade física do indivíduo ou da coletividade em questão.

2.2. Idade

As necessidades energéticas variam com a idade do indivíduo. Com o envelhecimento ocorre uma diminuição no metabolismo basal (MB), nas atividades físicas e, também, uma mudança na composição e pesos corporais.

A Tabela 4 indica a forma de cálculo dos requerimentos energéticos, segundo a idade, a partir de 40 anos.

 

 

Para as crianças menores de um ano as necessidades de energia foram estimadas tomando-se como base as ingestões observadas em lactantes que cresceram normalmente (Tabela 5).

 

 

2.3. Infância e adolescência

Há dificuldades nas medidas do consumo de energia em crianças, uma vez que as atividades infantis são bastante variáveis. A ingestão de energia na infância deve favorecer um crescimento e desenvolvimento físicos satisfatórios que permitam, plenamente, a realização de atividades características das crianças saudáveis.

Durante a adolescência, tanto o homem quanto a mulher crescem mais rapidamente do que em qualquer outra idade, excetuando-se a infância. Por isso, as necessidades calóricas são mais altas nessa fase da vida, em que se registra um aumento das necessidades metabólicas.

Levando-se em conta as peculiaridades da infância e da adolescência, as necessidades de energia foram estabelecidas, como já foi citado, tomando-se como referência os pesos e alturas do percentil 97 da população. (Tabela 6).

2.4. Gravidez e lactação

Durante a gravidez torna-se necessária uma suplementação energética para atender ao crescimento do feto, da placenta e dos tecidos maternos associados ao maior desgaste devido aos movimentos da mãe com seu novo peso. O metabolismo basal aumenta em 20% no último trimestre da gravidez.

O gasto de energia na gravidez representa um total de 80.000 Kcal. Estima-se, portanto, uma quantidade adicional de 350 Kcal por dia para satisfazer as necessidades desse estado fisiológico.

Na lactação a produção diária de leite é cerca de 850 ml e correspondem a um valor energético de aproximadamente 600 Kcal. Como se estima em 80% o rendimento calórico durante a lactação, a mãe deverá receber em sua alimentação 750 Kcal adicionais para satisfazer as necessidades da lactância. Assim a suplementação de energia durante toda lactação será de 100.000 Kcal o que corresponde a 550 Kcal por dia.

2.5. Clima

O efeito do clima sobre os requerimentos de energia é ainda um assunto controvertido. Acredita-se que apenas em condições extremas haja alguma influência da temperatura sobre as necessidades energéticas.

2.6. Requerimentos de energia da população brasileira

Depois de colocados os fatores que condicionam as necessidades energéticas tem-se na Tabela 7 os requerimentos da população brasileira.

2.7. Unidades de energia

As unidades energéticas vinham sendo expressas em Kcal. Uma Kcal é definida como a quantidade de calor que se requer para elevar a temperatura de um litro de água de 15 a 16°C.

O terceiro Comitê FAO/OMS, entretanto, passou a considerar o joule como medida mais apropriada de energia. O joule é definido como a quantidade de energia gasta quando 1 Kg é deslocado de um metro com a força de 1 Newton.

Um Newton é a força que comunica a uma massa de 1 Kg uma aceleração de 1 metro por segundo.

Quando o conteúdo energético de uma dieta exceder de 1.000 Kcal deve ser expresso megajoules (MJ).

2.8. Fontes de energia

Os carboidratos, as gorduras, as proteínas e o etanol podem servir de fontes de energia ao organismo.

Os valores energéticos das fontes de energia são os seguintes:

 

3. REQUERIMENTOS E PROTEÍNAS

3.1. Considerações gerais

As proteínas são constituintes indispenpensáveis do protoplasma vivo e assim participam de todos os processos vitais. Das proteínas da dieta provêm os aminoácidos necessários tanto para a síntese protéica, que leva à formação de novos tecidos, quanto para a restituição das proteínas que foram catabolizadas.

Quando os requerimentos energéticos do indivíduo não são satisfeitos os aminoácidos da proteína da dieta serão utilizados, primordialmente, como fonte de energia, não cumprindo, assim, sua função na síntese protéica. Por isso, convém ressaltar, que as recomendações de proteínas são válidas unicamente quando a ingestão calórica for adequada.

Dos 22 aminoácidos conhecidos na atualidade como fisiológicamente importantes, o organismo é capaz de sintetizar alguns que são conhecidos como aminoácidos não essenciais. Os aminoácidos não sintetizados pelo organismo são chamados de essenciais e são em número de oito: leucina, isoleucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina.

A eficiência de utilização das proteínas dos alimentos depende, fundamentalmente, de seu conteúdo de aminoácidos essenciais e de sua digestibilidade.

As proteínas do ovo e do leite de vaca são as de mais alta eficiência de utilização pelo homem e, porisso, foram tomadas como referência para fins de comparação com aquelas provenientes das dietas normais.

Define-se como dose inócua de ingestão de proteínas a quantidade necessária para atender as necessidades fisiológicas e manter a saúde de quase todos os indivíduos de um grupo específico de idade e sexo.

3.2. Estimativa dos requerimentos da proteína de referência.

Os Comitês de Peritos FAO/OMS basearam suas recomendações em um método fatorial que leva em conta as perdas inevitáveis de N pelo organismo que são as seguintes:

a) Perdas de N na excreção urinária
b) Perdas cutâneas de N
c) Eliminação de N nas fezes
d) Outras perdas inevitáveis

Na estimativa dos requerimentos os Comitês levaram em conta, também, a variabilidade individual e as necessidades específicas de aminoácidos4,5.

A Tabela 8 apresenta as estimativas dos requerimentos da proteína de referência para o brasileiro.

 

 

As populações, via de regra, alimentam-se com misturas de origem vegetal e animal, cujo valor nutritivo são mais baixos que os das proteínas usados como referência para o cálculo das doses inócuas.

Assim, quando se utilizam níveis de inocuidade das proteínas dietéticas, para o cálculo das necessidades, é necessário uma correção quanto à qualidade protéica através da seguinte fórmula:

Como os requerimentos da Tabela 8 dizem respeito à proteína de referência que tem uma utilização ideal, usando-se a fórmula acima pode-se calcular requerimentos protéicos das dietas normais das populações.

Na falta de valores do UPN* da dieta habitual da população brasileira recomenda-se que se use o valor 55**.

3.3. Clima

Não há provas de que as perdas de N pela sudorese, devido a altas temperaturas do meio ambiente aumentam as necessidades dos indivíduos adaptados a tais condições climáticas.

3.4. Influência de infecção e enfermidades parasitárias

Os Comitês de Peritos FAO/OMS estimaram os requerimentos de proteínas para populações sadias e insistiram, entretanto, que não se faça ajustes devido às enfermidades parasitárias e infecciosas.

O INN/CONICIT 3 na estimativa dos requerimentos de proteínas para a população venezuelana, admite a necessidade de usar-se um fator de correção, que leve em conta os fatores infecciosos e parasitários. Enfatiza, também, que os valores recomendados pelos Comitês são insuficientes para cobrir as necessidades de uma população com tais problemas. Assim, provisoriamente, recomendam que se aumente de 20% os requerimentos de crianças até 6 meses de idade; em 10% nos indivíduos de 7 a 19 anos e em 5% naqueles acima de 20 anos.

Como o Brasil encontra-se entre os países em vias de desenvolvimento, torna-se prudente o uso dos fatores de correção que considerem o aumento dos requerimentos devido às enfermidades infecciosas e parasitárias.

3.5. Atividades físicas

Não existem provas conclusivas de que as atividades físicas aumentem as necessidades de proteínas. Sabe-se, entretanto, que elas aumentam as necessidades de energia, e um consumo maior de alimentos corresponde sempre a uma ingestão maior de proteínas.

3.6. Crianças e adolescentes

As necessidades protéicas durante a lactância, a infância e a adolescência, para o organismo manter um ritmo de crescimento sadio, são maiores do que na idade adulta.

3.7. Gravidez e lactação

Sabe-se que o baixo peso ao nascer está relacionado com a probreza e, como conseqüência dela, as baixas ingestões de proteínas durante a gravidez.

O conteúdo de nitrogênio no feto, membranas fetais e os tecidos maternos aumentam com o desenvolvimento da gravidez. Assim torna-se necessária uma suplementação de 6,0 g da proteína de referência para atender as necessidades de N decorrentes da gestação.

A proteína suplementar para a lactante é calculada pelo volume e composição do leite secretado. Para satisfazer as necessidades de N durante a lactação é necessário um adicional de 17 g da proteína de referência.

A Tabela 9 traz os requerimentos protéicos, com as correções necessárias, para o indivíduo brasileiro nos diferentes grupos etários.

 

 

Os requerimentos para população brasileira são apresentados na Tabela 10.

 

4. REQUERIMENTOS DE VITAMINAS

4.1. Vitamina A

A vitamina A pode ser identificada em duas formas: A1 e A2. O retinol (vitamina A1) é um álcool que, na forma de aldeido, é um elemento essencial da púrpura visual.

O retinol é encontrado somente nos alimentos de origem animal. Entretanto, pode ser fabricado no organismo a partir dos pigmentos chamados carotenos que estão presentes nas plantas.

A absorção do retinol é completa enquanto que a dos carotenos é variável. Estima-se que apenas 1/3 do caroteno é absorvido nos intestinos.

As equivalências são as seguintes:

1 µg de Beta-caroteno = 0,167 µg de retinol
1 µg de outros carotenos = 0,083 µg de retinol

Antes que se conhecesse a natureza da vitamina A era necessário expressar-se a atividade desta vitamina em unidades biológicas. Assim, até muito recentemente, os requerimentos de vitamina A eram expressos em Unidades Internacionais (U.I.) de atividades de vitamina A.

1 U.I. = 0,3 µg de retinol
1 U.I. = 0,6 µg de Beta-caroteno
1 U.I. = 1,2 µg de outros carotenos

4.1.1. Adultos

Para o adulto do sexo masculino ou feminino, estima-se que os requerimentos de vitamina A sejam de 750 µg de retinol ou 2.500 U.I.

4.1.2. Gravidez e lactação

Durante a gravidez estimou-se as recomendações de 850 µg de retinol6.

Estima-se que a quantidade de vitamina A, secretada no leite durante a lactação, seja de 49 µg por 100 ml. Portanto, a recomendação de retinol durante esse período é de 1.200 µg de retinol por dia.

Na lactação acredita-se que o leite materno possa satisfazer as necessidades do infante.

4.1.3. Infância e adolescência

Através de observações de ingestão e crescimento, em diferentes regiões para diferentes idades, chegou-se às seguintes recomendações de vitamina A6:

Nos países em que a população ingere acima de 3.000 U.I. não se observaram manifestações de deficiência de vitamina A. Entretanto, nos países em que a ingestão deste nutriente esteve entre 1.000 e 1.500 U.I., foram encontradas formas clínicas de deficiência, principalmente oculares.

A Tabela 11 apresenta os requerimentos de vitamina A da população brasileira.

4.2. Riboflavina

A riboflavina desempenha um papel importante nos mecanismos oxidativos nas células de todos os tecidos do organismo.

Os requerimentos de riboflavina estão relacionados com o conteúdo energético da dieta.

O Comitê de Peritos FAO/OMS estimou que a necessidade deste nutriente é de 0,55 mg por 1.000 Kcal por dia.6

4.3. Tiamina (Vitamina B1)

Todos os tecidos animais e vegetais dependem da tiamina que é um componente essencial do mecanismo celular para a utilização dos carboidratos.

Os requerimentos de tiamina foram estabelecidos como sendo 0,40 mg por 1.000 Kcal.6

4.4. Niacina

Os requerimentos desta vitamina estão relacionados com o teor energético da dieta. A niacinamida (nicotinamida) desempenha um papel essencial nos mecanismos oxidativos através dos quais a energia química presente nas moléculas de carboidratos, gorduras e de proteínas se libera.

O cálculo dos requerimentos se baseiam em niacina equivalentes que representa a soma dos valores de niacina propriamente dita e as do triptofano. Estima-se que 60 mg de triptofano representa 1 mg de niacina.

A ingestão de niacina que o Comitê de Peritos FAO/OMS 6 recomenda é de 6,6 mg de niacina equivalente por 1.000 Kcal.

A Tabela 12 apresenta os requerimentos de riboflavina, tiamina e niacina do brasileiro.

4.5. Ácido fólico

A anemia causada pela deficiência de ácido fólico é conhecida como anemia megaloblástica. As hortaliças são alimentos ricos em folatos.

Os requerimentos de ácido fólico estimados pelo Comitê de Peritos FAO/OMS é de 200 microgramos diários para o adulto 6.

Na gravidez os requerimentos de ácido fólico são de 400 microgramos por dia, no período de lactação as necessidades são 300 microgramos por dia.

A Tabela 13 apresenta os requerimentos de ácido fólico para a população brasileira.

 

 

4.6. Vitamina B12

A deficiência de vitamina B12 também causa a anemia megaloblástica.

As únicas fontes desta vitamina são os alimentos de origem animal, Uma vez que os vegetais não podem sintetizá-la. O fígado é um órgão de reserva desta vitamina.

Os requerimentos de vitamina B12 recomendados pelo Comitê de Peritos FAO/ OMS6 constam da Tabela 14.

 

 

4.7. Ácido ascórbico

A ingestão recomendada de ácido ascórbico por dia pelo Comitê de Peritos FAO/OMS6 é de 30 mg para o adulto e 20 mg para os indivíduos menores de 13 anos.

Não há necessidade de suplementação deste nutriente na gravidez e na lactação. As crianças menores de 1 ano recebem através do leite materno, as quantidades necessárias de ácido ascórbico.

O escorbuto é a enfermidade causada pela deficiência de ácido ascórbico. Não se reveste de importância em nenhuma parte do mundo. Entretanto, em quase todos os países, aparecem alguns casos dessa doença.

4.8. Vitamina D (colecalciferol)

A vitamina D — um grupo de várias vitaminas afins — favorece a absorção do cálcio do intestino delgado e desempenha também uma parte essencial no mecanismo de mineralização dos ossos.

Na Tabela 15 consta os requerimentos de vitamina D do brasileiro de acordo com as recomendações do Comitê de Peritos FAO/OMS6.

Antes que se conhecesse a natureza química da vitamina D3, expressava-se a atividade desta vitamina em unidade internacional (U.I.). Assim uma unidade internacional de vitamina D equivale a 0,025 µg de vitamina D3 cristalina pura (colecalciferol).

 

5. REQUERIMENTOS DE MINERAIS

5.1. Ferro

O corpo do adulto contém 3 a 4 g de ferro, sendo que 2/3 desta quantidade está na hemoglobina, pigmento dos glóbulos vermelhos. O resto está presente no fígado, como reserva, e em menor quantidade nos rins, baço e outros órgãos.

O ferro é um componente da hemoglobina, mioglobina, citocromos, catalasa, peroxidasa e alguns outros sistemas de enzimas. Desempenha funções importantes no transporte de oxigênio e na respiração celular.

O ferro presente nos cereais, nas hortaliças e nas leguminosas, com exceção da soja, é absorvido em apenas 10%. A absorção do ferro presente na carne é de 30%. O ferro da soja é absorvido em 20% e do pescado em 15%.

Para estimativas da absorção do ferro em dietas costuma-se considerar que nas proteínas de origem animal e na soja este mineral é absorvido em 20%.

O Comitê de Peritos FAO/OMS propôs que a estimativa da absorção de ferro, no estudo de populações normais se faça de acordo com a percentagem de calorias provenientes dos alimentos de origem animal de sua dieta6.

As percentagens de absorção, segundo a percentagem de calorias, seriam as seguintes:

Em nossas dietas a percentagem de calorias de origem animal varia de 8-17%. Para efeito destas recomendações foi adotada a cifra de 10%.

A perda diária de ferro de um homem adulto é de 0,9 mg. Na mulher, com menstruações normais, a perda média é de 2 mg.

O aumento das necessidades de ferro na gravidez e na lactação é compensado pela ausência de menstruações. Por isso os requerimeitos são os mesmo em qualquer estado fisiológico em uma mulher normal. Entretanto, se as reservas de ferro no fígado forem insuficientes é necessário uma suplementação deste mineral para evitar que se desenvolva anemia na grávida ou na nutriz.

Os requerimentos de ferro para a população brasileira estão expressos na Tabela 16.

 

 

5.2. Cálcio

O esqueleto do homem adulto contém 1,2 Kg de cálcio (1,5 a 2% do seu peso corporal).

A um esqueleto de um adulto de 25 anos que contém 1,2 Kg de cálcio foi proporcionada uma retenção média diária de 130 mg deste mineral.

A absorção do cálcio é regulada pela vitamina D. Se a ingestão desta vitamina for insuficiente há uma deterioração na absorção do cálcio, provocando assim uma perda nas reservas dos ossos.

O Comitê de Peritos FAO/OMS, reunido em 1961, recomendou uma ingestão entre 400 - 500 mg diárias de cálcio para o adultos 6.

O crescimento do feto necessita de 30 g de cálcio até o término da gravidez. O leite materno pode fornecer até 300 mg de cálcio por dia. Assim, a recomendação entre 1.000 — 1.200 mg diárias de cálcio na gravidez e na lactação cobrem perfeitamente, as necessidades destes estados fisiológicos.

A estimativa dos requerimentos de cálcio para a população brasileira estão na Tabela 17.

 

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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3. INSTITUTO NACIONAL DE NUTRICION. Requerimentos de energia y de nutrientes de la población venezolana. Venezuela, 1976. (Série de Cuadernos Azules. Publ., 38).        [ Links ]

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Recebido para publicação em 01/12/1918
Aprovado para publicação em 22/03/1979

 

 

* UPN (Net Protein Utilization)
** Recomendação feita no Seminário sobre Desnutrição Protéico Energética realizado em Brasília, dezembro de 1977

 

Anexo II

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