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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública v.19 n.1 São Paulo fev. 1985

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101985000100012 

NOTAS EPIDEMIOLÓGICAS

 

Surto de toxinfeccão alimentar por Salmonella bredeney

 

 

Mariza LandgrafI; José Ângelo GonçalvesII; Deise Pasetto FalcãoIII

IDo Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP) - "Campus" de Araraquara - Caixa Postal 131-14800 -Araraquara, SP - Brasil
IIMédico do trabalho. Araraquara, SP - Brasil
IIIDo Departamento de Ciências Bio-Clínicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP) - "Campus" de Araraquara - 14800 - Araraquara, SP -Brasil

 

 

Um surto de toxinfecção alimentar por S. bredeney ocorreu na cidiade de Araraquara em 1983. A partir da madrugada do dia 7 de abril até o final da tarde desse mesmo dia, 561 operários de uma indústria apresentaram problemas gastrintestinais. A refeição suspeita de ser a causadora do surto foi servida para 922 pessoas, no refeitório da indústria, durante o almoço do dia anterior. Tal refeição constava de carne assada com molho, lingüiça assada, salada, arroz, feijão, pão, abacaxi, bem como água e leite. A sintomatologia clínica e a ocorrência de febre sugeriram um quadro de gastrenterite por Salmonella.

Os sintomas predominantes foram diarréia, dores abdominais, vômito e febre (38oC em média). O período da doença foi, em média, 3 dias, quando a maioria dos pacientes esteve incapacitada para o trabalho. Aproximadamente 7,5% dos pacientes precisaram ser hospitalizados, mas não ocorreu qualquer óbito.

O laboratório de Microbiologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP) foi solicitado a realizar coproculturas e análise microbiológica de alimentos servidos durante a refeição, provavelmente relacionada ao surto.

Realizaram-se 17 coproculturas e análise de porções de alguns alimentos servidos na refeição suspeita: carne assada com molho, maionese, bacon (que havia sido cozido no feijão), leite, pimenta do reino, lingüiça crua pois a assada havia sido toda consumida), e de água potável e água do banho-maria utilizado no aquecimento dos alimentos. Porções dos demais alimentos não se encontravam disponíveis.

As coproculturas foram realizadas segundo as técnicas usuais1, empregando no enriquecimento os caldos de tetrationato de Kauffmann e selenito. As colônias suspeitas relativas a 17 coproculturas foram identificadas bioquímica e sorologicamente através de soros polivalentes O e H anti-salmonela, quando se confirmou a presença de Salmonella sp. Nos meios seletivos diferenciadores isolou-se Salmonella praticamente em cultura pura, o mesmo ocorrendo após a semeadura direta. Todas as amostras de Salmonella sp., após tipagem, foram identificadas como S. bredeney.

As amostras de alimentos, água e especiaria foram cultivadas segundo as técnicas preconizadas, pela American Public Health Association2 , sempre utilizando como enriquecimento o caldo de tetraionato de Kauffmann e caldo selenito cistina. As culturas foram realizadas em duplicata e em alguns casos em triplicata. Não foi isolada S. bredeney a partir de qualquer das amostras examinadas. Da lingüiça crua isolou-se Salmonella 4, 5, 12:i:-monofásica,diferente portanto do sorotipo isolado das fezes dos doentes.

Por motivos alheios à nossa vontade nío foi possível fazer um levantamento dos alimentos ingeridos por todas as 922 pessoas que tomaram a refeição, provavelmente relacionada ao surto, mas apenas com parte dos doentes. Assim, não foi possível realizar o traçado epidemiológico do surto.

Deve ser ressaltado que as 17 coproculturas foram positivas para Salmonella bredeney e que para todos os pacientes a fonte de infecção foi, provavelmente, a mesma, ou seja, o restaurante da indústria. Assim, pode ser considerado então que o veículo do agente etiológico envolvido no surto deve ter sido um ou mais alimentos servidos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. EDWARDS, P.R. & EWING, W.H. Identification of Enterobacteriaceae. 3rd ed. Minneapolis, Burgess Publishing, 1972.        [ Links ]

2. POELMA. P.L. & SILLIKER, J.H. Salmonela. In: Speck. M.L., ed. Compendium of methods for the microbiological examination of foods. Washington, D.C., American Public Health Association, 1976. p. 301-28        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 31/07/1984
Reapresentado em 07/01/1985
Aprovado para publicação em 10/01/1985