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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.21 no.2 São Paulo Apr. 1987

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101987000200007 

RESUMOS DE LIVROS BOOK REVIEWS

 

 

Anita Colli

Departamento de Pediatria - FM/USP

 

 

Clinical adolescent medicine: morbidity and mortality; edited by Robert B. Shearin and Raoul L. Wientzen. Boston, Mass., G.K. Medical Publ.,1983. 309 p.

O livro editado por R.B. Shearin e R.L. Wientzen representa mais uma importante fonte de referência para aqueles interessados na saúde do adolescente. Os editores colocam no prefácio claramente o seu objetivo, isto é, analisar as principais situações associadas com a morbidade e mortalidade da população adolescente constituindo um material suplementar para os livros de texto já existentes e que lidam com pediatria, medicina de família e medicina de adolescentes.

O livro é dividido em três grandes partes — aspectos clínicos, aspectos reprodutivos e aspectos psicossociais — para as quais contribuiram 20 autores.

A primeira parte - aspectos clínicos — contém uma série de condições clínicas que podem surgir no atendimento de adolescentes, a saber: doenças cardiovasculares, doenças pulmonares, distúrbios gastrintestinais, hepatite, afecções imunológicas, neoplasias e outras contidas num capítulo chamado de miscelánea. Chama a atenção nessa primeira parte a desproporção entre a extensão de alguns assuntos e a freqüência dos problemas citados. Assim é que, a hipertensão arterial só recebe algumas linhas no primeiro capítulo e a obesidade é um item do capítulo miscelánea. Isto talvez se deva à própria intenção dos editores que dizem no prefácio não pretenderem esgotar os problemas de saúde do adolescente procurando enfatizar tópicos previamente pouco presentes na literatura ou espalhados em várias fontes bibliográficas. Essa intenção parece evidente na amplitude e detalhamento do capítulo de Neoplasias do adolescente. De modo geral, a linguagem empregada é concisa e objetiva fornecendo abordagens interessantes sobre as doenças gastrintestinais, hepatite e problemas imunológicos. A grande lacuna nessa primeira parte é a não menção dos aspectos psicossociais ligados às patologias especificadas. De outro lado, há um grupo de afecções comuns na prática da medicina de adolescentes tais como acne, cefaléia, síncope, etc. e que ficam para o capítulo miscelânea.

A segunda parte - aspectos reprodutivos -abrange capítulos sobre contracepção, gravidez e doenças sexualmente transmitidas.

Apesar da complexidade, o capítulo sobre contracepção consegue ser abrangente e objetivo discutindo os principais métodos empregados. O capítulo sobre gravidez enfatiza os principais riscos e a abordagem da adolescente grávida, e o capítulo sobre doenças sexualmente transmissíveis fornece importantes subsídios para o tratamento das principais afecções (gonorréia, sífilis, herpes genital, infecções por clamídias e salpingites).

A terceira parte do texto - aspectos psicossociais - engloba capítulos sobre acidentes, uso e abuso de álcool, uso e abuso de drogas, doenças mentais, os meios de comunicação e o sistema judiciário juvenil. É interessante ler o capítulo sobre acidentes (que constituem a principal causa de mortalidade na adolescência) pois contém um importante guia para sua prevenção em adolescentes baseado nas suas características de desenvolvimento e nos conteúdos que podem ser passados para adolescentes e seus responsáveis. Há ainda nesse capítulo recomendações preventivas específicas para a prática de esportes na adolescência. O capítulo de doenças mentais coloca grande ênfase no problema da esquizofrenia, da anorexia nervosa, comportamento anti-social e suicídio. Esse capítulo contém 105 referências bibliográficas. Fica faltando aos iniciados o conjunto de problemas ligados às variações de desenvolvimento psicossocial. O capítulo 15 discute as inter-relações e influências entre aspecto da saúde do adolescente, características de desenvolvimento e os meios de comunicação com ênfase no papel da televisão. Finalmente, o último capítulo é específico e aborda a situação do adolescente no sistema de justiça juvenil nos Estados Unidos colocando o alcance da atuação dos profissionais de saúde nesse envolvimento.

Em conclusão, trata-se de uma obra importante de linguagem muito objetiva como referência para os que possam ter algum interesse pela assistência ao adolescente. Deve ser considerada como fonte suplementar para outros textos que abordem o problema, bem como para o encaminhamento para outros recursos bibliográficos.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Organizational development in health care organizations, by Newton Margulies and John D. Adams. Reading, Mass., Addison Wesley Publishing Company, 1982. 419 p.

Margulies e Adams explicam, no prefácio, a motivação para que reunissem em livro obras de vários outros autores - inclusive eles mesmos - sob o tema geral de "Organizational Development in Health Care Organization", reunião esta que consiste num leque de assuntos sobre aquele tema e que podem, inclusive, serem consultados separadamente. Para fins deste resumo, usarei a sigla D.O. para significar Desenvolvimento Organizacional.

Os autores estão na ativa, usando D.O. em várias formas e modelos, o que vem a permitir que a compilação de suas experiências descreva as questões e trabalhos pelos quais estão direta e imediatamente envolvidos como profissionais. Os trabalhos são destinados a um público da área de saúde, interessado em D.O., a fim de familiarizá-lo com seu manejo e efeitos potenciais no campo de assistência à saúde; são, também, representativos dos diferentes métodos e abordagens disponíveis sobre D.O., incluindo aspectos conceituais e exemplos práticos, visando ao entendimento teórico e pragmático da área.

O livro é apresentado em 4 partes:

Parte 1 - contém histórico do D.O., descrição das possibilidades de sua aplicação aos problemas e necessidades da área de saúde e um capítulo denominado "Ciências do comportamento aplicadas à Organizações de Assistência à Saúde". O capítulo inicial - Introdução ao Desenvolvimento Organizacional é também de Margulies e Adams.

Parte 2 — reúne trabalhos relativos à iniciação e manutenção de trabalhos de D.O., com descrição de casos para estudo. Nesta parte se destacam a aplicação de D.O. em um hospital de ensino (como uma experiência a ser utilizada), pesquisa-ação de longo prazo e delineamento dos passos necessários para implementação de melhorias na organização, conceitos adicionais e uma experiência de mudança pelo uso de D.O. Os capítulos específicos são: "Construção de um trabalho de D.O. em um Hospital de Ensino", "Pesquisa-Ação de longo prazo: a maneira mais efetiva para implementar organizações complexas de assistência à saúde", "Desenvolvimento Organizacional como cirurgia radical; uma experiência em dispensar melhor assistência aos pacientes", "Ciclos organizacionais e mudanças de gerenciamento em organizações de assistência à saúde".

Parte 3 — onde estão demonstradas as muitas e variadas abordagens de D.O., tendo os seguintes capítulos: "Desenvolvimento de um sistema modular de assistência primária: A experiência Kaiser", "Intervenções estruturais para desenvolvimento organizacional de sistema de saúde", "Um estudo de caso de colaboração abortiva. O projeto de trabalho/gerência sobre qualidade de vida no trabalho no Parkside Hospital", "Implementando colaboração entre curadores, administradores e médicos por meio do planejamento de sistemas abertos", "Implementando coordenação interdepartamental" e "Terapia de papéis como intervenção modal em organizações de assistência à saúde".

Parte 4 - em 3 capítulos, são encontradas as limitações e desafios da aplicação de técnicas de D.O. em organizações de saúde; os autores apresentam, inclusive, uma lista de possibilidades de ação e desafios extraídos de suas experiências. Capítulos específicos: "Limitações das técnicas tradicionais de intervenção nas organizações' de saúde", "Medidas de aplicação de D.O. em organizações de saúde" e "Pesquisa de avaliação como um instrumento de D.O. para organizações de saúde".

A intenção dos autores foi que a compilação poderia ser útil a outros profissionais de D.O., bem como para gerentes em uma organização e profissionais de saúde que estivessem interessados em desenvolver as organizações nas quais trabalham. Sem dúvida é um livro de grande utilidade. Porém as condições com que se defronta a administração pública restringem um pouco sua aplicabilidade - já que o livro descreve uma realidade bem diferente da nossa, em que problemas externos e anteriores às organizações do setor público (políticas públicas de pessoal, administração financeira e de outros recursos) vão dificultar a ação de D.O. como técnica a ser usada como autonomia.

Recomendo o livro, preferencialmente, para os que estão cuidando de reformas de estrutura e redefinição das organizações de saúde e que necessitem do instrumental de D.O., e para as atividades docentes do novo modelo de curso de Administração Hospitalar que a Faculdade de Saúde Pública inaugura este ano.

As partes 1 e 2 e os capítulos 8 e 15 são recomendados especialmente para os docentes da área de Ciências Sociais por envolverem teoria das organizações e ações e exemplos de pesquisa-ação e de pesquisa operacional.

Os profissionais de saúde mais a nível das unidades, que recebem prontos os "pacotes" de reformas, infelizmente pouco poderiam utilizar dos ensinamentos do livro que fosse de aplicação imediata para solucionar os vários problemas de implantação com que se defrontam. Servirá para terem idéia de como deveriam ser feitas as reformas.

 


 

 

Augusta Thereza de Alvarenga

Departamento de Saúde Materno-Infantil - FSP/USP

 

 

The risk approach in health care: with special reference to maternal and child health including family planning, by E. Maurice Backett et al. Geneva. World Health Organization, 1984. 113 p. (OMS - Publ. health papers, 79)

Embora o emprego do conceito de risco na assistência à saúde e, em particular à saúde materno-infantil, tenha se apresentado na literatura especializada notadamente a partir da década de 60, do ponto de vista teórico-metodológico são duas obras, no entanto, que podem ser caracterizadas como propostas típicas da sistematização de um enfoque de risco no campo da saúde. São elas: "Risk Approach for Maternal and Child Health Care", publicado pela Organização Mundial da Saúde em 1978 (WHO, Offset Publication n9 39, Geneve) e a presente obra, ora em apreciação, "The Risk Approach in Health Care: with special reference to maternal and child health incluiding family planning", que é considerada, pelos seus próprios autores, como um avanço teórico da proposta já delineada na primeira delas.

Para indicar a relevância dessa obra basta mencionar que, ao lado de sua antecessora, esta se inscreve igualmente no interior da proposta internacional de promoção dos "Cuidados Primários de Saúde", definida e assumida como compromisso político entre vários países, na Reunião de Alma-Ata (1978), tendo em vista a meta estabelecida de saúde para todos no ano 2.000. Neste contexto é objetivo dos autores investir, sobretudo, na criação de "novo instrumental" visando formas alternativas de intervenção no campo da saúde como resposta à questão amplamente discutida das necessidades de aperfeiçoamento dos processos administrativos em relação à eficácia, à eficiência e às decisões relativas às prioridades nacionais e locais dos serviços de assistência primária à saúde, isto em particular, para os países do Terceiro Mundo.

Dadas as condições estruturais de subdesenvolvimento existentes nesses países, a preocupação básica dos autores é a de atrelar a este aspecto "técnico" o aspecto "político" da proposta, fato que permite não só imprimir-lhe força mas também determinar-lhe a característica básica de poder ser reconhecida como um instrumento (mais adequado) de ação para o planejamento e a administração de serviços no campo da saúde pública desses países ou, mais precisamente, na área da saúde da mulher e da criança. Este tipo de preocupação foi bem explicitado por Backett e cols., a nível do Prefácio da obra, quando dizem: "o objetivo desse enfoque é corrigir as desigualdades em saúde que afetam quase todas as sociedades e é pragmático na medida em que busca a justiça social em saúde. Os recursos humanos ou outros devem ser dirigidos para onde haja maior necessidade, e a avaliação do risco de doenças futuras, de acidentes ou mortes facilita a mensuração daquela necessidade, tanto com relação ao indivíduo como à comunidade. O enfoque de risco permite intensificar os cuidados à família propriamente dita, assegurando ao mesmo tempo que os indivíduos sejam encaminhados à pessoa ou instituição apropriada dentro da estrutura dos serviços de saúde. Ao mesmo tempo, esse enfoque oferece diretrizes para o treinamento e, por proporcionar um perfil da comunidade, serve também como guia, ainda que rudimentar, das políticas sociais em prol da saúde" (p.vii).

Neste contexto o que se observa é que Backett e cols, buscam localizar o enfoque de risco como elemento inerente, ou seja, constitutivo mesmo do "cerne da assistência primária à saúde". Isto por considerarem, por um lado, a existência de possibilidades científicas (técnicas) de mensuração "precisa" das probabilidades de ocorrência de um evento e, por outro, que essa probabilidade, que se apresenta como característica definidora do termo risco, ao ser determinada aumenta não só o conhecimento do objeto (notadamente no relativo à previsibilidade de ocorrência futura do mesmo) mas fornece, igualmente, a ferramenta administrativa necessária aos processos de intervenção pertinentes. Partem, assim, nesse particular, da "idéia de que uma medida de risco é um estimador da necessidade de assistência promotora e preventiva, e do fato de que o conhecimento da situação antes de ocorrer o evento previsto proporciona tempo para uma resposta adequada" (p.vii).

Dentro desse propósito os autores estruturam a obra buscando analisar os vários aspectos envolvidos no tratamento do problema. Para tanto trabalham, num primeiro momento, em linhas gerais, alguns dos elementos teóricos definidores das características essenciais e acessórias do conceito de risco assim como o processo de articulação interna deste com vários outros conceitos que passam a compor o enfoque de risco; denominado também como "estratégia de risco" a ênfase de seu emprego passa a residir nas possibilidades de "promoção da saúde da mãe, e das crianças" considerados como o grupo mais vulnerável aos agravos de saúde (capítulos 1 e 2).

Tendo em vista que uma das questões básicas presentes para o uso desse enfoque como estratégia de intervenção prende-se às possibilidades concretas de mensuração dos níveis de risco, tendo em vista as tomadas de decisão por parte do administrador, os autores passam a tratar e a encaminhar, teórica e tecnicamente a questão, em termos da necessidade de adoção de "sistemas de escores" ou de "contagem de pontos" como instrumentos capazes de medir os diferentes graus de probabilidade de ocorrência de determinado dano (capítulos 3 e 4).

A partir do capítulo 5 o enfoque de risco passa a ser abordado como estratégia de intervenção propriamente dita. Neste são analisados os vários usos do enfoque seguido, no capítulo 6, da sua aplicação na seleção de processos de intervenção ao lado, no capítulo 7, de seu emprego como acompanhamento e avaliação desses processos.

E, finalmente, reafirmando os objetivos da obra, os autores a concluem no capítulo 8, com uma análise específica acerca das amplas possibilidades de aplicação do enfoque de risco a todo o campo da assistência primária de saúde vista como estratégia de melhoria dessa assistência.

Vale ainda destacar que o leitor conta também, nessa obra, com um conjunto de anexos onde são tratadas questões específicas como a "Seleção de metas entre problemas de saúde" (Anexo 1), "Nota sobre mensuração de riscos" (Anexo 2) assim como uma "Bibliografia Anotada" (Anexo 3), onde os autores resumem alguns dos trabalhos que consideram relevantes para o tratamento do assunto.

Dadas as características assumidas, a obra de Backett e cols. constitui-se em leitura obrigatória para todos aqueles que pretendem familiarizar-se ou aprofundar-se nessa área do conhecimento. No entanto, cumpre ressaltar a necessidade do leitor assumir uma postura crítica frente a esse modelo de enfoque do objeto risco uma vez que a proposta começa a ensejar uma polêmica no campo da saúde decorrente das possibilidades de "uso" mas também de "abuso" do emprego dessa abordagem. Isto, sobretudo, pelos problemas de natureza metodológica (teóricos e técnicos) que essa formulação encerra, atrelados à ordem de objetivos ("técnicos" e "políticos") a que se propõe como instrumento de ação no campo da administração dos serviços de saúde dos países do Terceiro Mundo.

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