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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.22 no.3 São Paulo June 1988

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101988000300001 

Relatório da Revista de Saúde Pública, 1984 - 1987

 

 

Maria Teresinha Dias de AndradeI; Oswaldo Paulo ForattiniII

IRedator Secretário e Membro da Comissão de Publicações
IIPresidente da Comissão de Publicações

 

 

Criada em 1967, com a finalidade de divulgar o conhecimento produzido na área da saúde pública, no Brasil, a REVISTA DE SAÚDE PÚBLICA completou, em 1987, 21 anos de publicação. Decorrido este período de tempo, é com satisfação que se observa que a Revista de Saúde Pública constitui um dos mais importantes periódicos especializados no campo da saúde pública, no país. É bastante gratificante verificar que sua meta, de se tornar Revista de abrangência nacional, e não apenas mais uma revista de uma escola, foi atingida, alcançando também prestígio além fronteiras. Este caráter de abrangência nacional da Revista está refletido na origem das contribuições publicadas.

O campo Saúde Pública tem sua dinâmica própria, fazendo com que as atividades de pesquisa apresentem aspectos múltiplos, podendo ser carecterizadas tanto como de produção de conhecimentos básicos, como teóricos e práticos. É um campo cujo desenvolvimento está estreitamente ligado a soluções de problemas regionais. Daí a necessidade de se produzir conhecimentos de interesse direto da comunidade, ou seja, que apontem caminhos para a solução de problemas humanos e sociais, bem como para o avanço da Ciência.

Este quadro influi diretamente no conteúdo da Revista de Saúde Pública, dando-lhe aspecto "multicolorido". Esta característica tem sido discutida na Comissão de Publicações, preocupada com a publicação de trabalhos, por exemplo, sobre taxonomia de Culicidae e outro de integração docente-assistencial, muitas vezes publicados num mesmo fascículo, lado a lado. Algumas soluções já foram apresentadas, inclusive a possibilidade de se estabelecer política de publicação mais restrita, tornando-a, por exemplo, revista dedicada a assuntos da área de epidemiologia em decorrência da tendência que vem se delineando. Mas, chega-se sempre à conclusão de que, para a Saúde Pública no Brasil, ainda temos que ter "revistas generalistas" que alberguem a produção da área. O que se tem procurado fazer é melhorar a qualidade do que é produzido, através de processo sistemático de avaliação dos trabalhos com a colaboração de especialistas de reconhecida experiência.

Outro fator que também é bastante discutido na área da Saúde Pública, é o idioma em que os trabalhos devem ser publicados. Embora o inglês seja a "língua da comunicação científica", os cientistas brasileiros devem comunicar-se, em português, com seus colegas. Entretanto, não se pretende com esta afirmativa descartar a publicação de trabalhos em inglês, e mesmo em outros idiomas. Isto vai depender do interesse do tema, se para nível preponderantemente interno ou se externo, ou ambos. Mas é importante estar presente o fato de que o português deve ser o idioma da comunicação em Saúde Pública, no Brasil, a fim de possibilitar maior desenvolvimento da área, evitando-se o estabelecimento prévio de barreira do idioma.

Estes e outros espectos, de uma maneira ou de outra, têm sido objeto de preocupação e reformulação da política editorial da Revista. O último "Relatório da Revista de Saúde Pública" publicado, ocorreu em 1983 (RSP, 18 (2) 1984). A partir daí foram introduzidas algumas modificações na política da Revista, levando-se em conta os aspectos acima assinalados.

No período de 1984-1987 foram submetidos a julgamento 385 trabalhos. Destes, 218 foram publicados e cuja distribuição geográfica pode ser observada na Tabela 1. Nota-se, também, que o número de trabalhos de autores do Estado de São Paulo é percentualmente superior ao das demais regiões do país (65,6%). Um dos fatores, mas não o único, está associado à contribuição da Faculdade de Saúde Pública que representa 32,0%.

 

 

Quanto à contribuição de autores estrangeiros, verifica-se que a Revista, embora timidamente, começa a atrair o interesse desse grupo. Foram 9 os trabalhos recebidos do estrangeiro, no período.

 

 

Quanto aos aspectos dos temas dos artigos, a distribuição, conforme observa-se na Tabela 2, mostra tendência para trabalhos da área de epidemiologia (55,0% no período).

 

 

Para aperfeiçoamento da qualidade da Revista, e para garantir maior rigor na seleção dos trabalhos, foi estabelecido processo de avaliação pelo sistema de assessores ("referees"), aperfeiçoado continuamente, conforme nota publicada (RSP, 21 (5) 1987). A aplicação deste processo, que prevê, no mínimo, dois assessores por trabalho, mas recomendando-se 3, teve o resultado que se observa no gráfico. O percentual de rejeição foi de 40,9%, no período. Colaboraram para este resultado a cuidadosa análise feita pelos membros da Comissão de Publicações, que decidem sobre a publicação dos trabalhos, e que por sua vez baseiam-se na opinião de especialistas de seu Grupo de Assessores e de mais 227 especialistas cadastrados, conforme publicação nominal no fascículo de dezembro de cada ano.

O total de trabalhos publicados nos 24 fascículos (mais um suplemento), editados no período, foi de 218, num conjunto de 2.215 páginas impressas. Sua distribuição, por seção, foi de 75,7% para "Artigos Originais", 0,4% para "Revisões"; 9,2% para "Atualização"; 7,3% para "Notas e Informações"; 5,5% para "Atualidades"; 1,8% para "Cartas ao Editor". Além dos artigos, a Revista de Saúde Pública publicou 148 páginas contendo informações sobre livros editados e respectivas resenhas, editoriais, notas epidemiológicas, entre outros.

Quanto ao idioma em que os trabalhos foram publicados, o português teve a predominância. Este resultado era esperado, não somente em razão do interesse da Saúde Pública para problemas locais, como já mencionado, mas, também, porque só recentemente, em 1984, a política da Revista sob este aspecto foi modificada, dando-se maior abertura a trabalhos publicados em inglês, e mesmo permitindo a publicação simultânea em inglês e português quando o tema do artigo for considerado relevante tanto a nível interno como externo (ver nota publicada no vol. 21 (2) 1987). O número de artigos publicados em inglês, no período, foi de 8 e em espanhol 4.

A ampla indexação de seus artigos garante à Revista de Saúde Pública maior penetração no meio internacional, aumentando, inclusive, o intercâmbio entre autores e leitores através de pedidos de separatas das mais distantes regiões. São 17 as bases de dados/fontes bibliográficas especializadas que indexam a Revista de Saúde Pública.

Quanto ao período de tempo em que um trabalho leva para ser aprovado, após submetido à apreciação é, com maior freqüência, de dois a quatro meses, e de quatro a seis quando o trabalho sofre reformulações (Tabela 3). Quanto ao período gasto entre aprovado ou reformulado e aprovação final, até sua publicação, observou-se que, mais freqüentemente, um trabalho leva de 3 a 5 meses (Tabela 3). Conclui-se, portanto, que um manuscrito submetido à publicação e aprovado pode levar de 5 a 9 meses ou mais para ser editado; se houver reformulação, este tempo aumenta para 7 a 11 meses ou mais. A principal causa de atraso está ligada ao processo de avaliação dos manuscritos. Nem sempre os prazos dados aos "referees" são cumpridos, o que, de certa forma é compreensível. Esta atividade, embora dentro daquelas que lhes são inerentes, representa sempre uma tarefa a mais.

 

 

Os recursos para publicação da Revista de Saúde Pública têm sido garantidos pelo CNPq/ FINEP, FAPESP e pela Reitoria da Universidade de São Paulo. Agradecemos a esses órgãos, esperando continuar a merecer a confiança de seus dirigentes e, assim, manter a publicação da Revista de Saúde Pública.

Ao final, destacamos a colaboração do "Grupo de Assessores" e dos demais especialistas, agradecendo-lhes pelo trabalho realizado. Graças à seriedade com que se propuseram a avaliar os manuscritos, muito contribuíram para que a Revista de Saúde Pública tenha podido divulgar para a comunidade científica, acadêmica e profissional de Saúde Pública, o resultado de pesquisas de autores que se propõem a melhorar a qualidade de vida da população brasileira.

Agradecemos também à equipe de auxiliares, técnicos e administrativos, da Biblioteca, pelo esforço desenvolvido para se editar a Revista de Saúde Pública e mantê-la em dia.

Há muito ainda a ser feito para o aperfeiçoamento cada vez maior da Revista de Saúde Pública, mas estamos certos de que a escolha feita há 21 anos, de se editar um periódico científico de qualidade, no campo da Saúde Pública, foi acertada.

São Paulo, abril, 1988.