SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.34 número5Nota sobre o encontro de Aedes aegypti em broméliasAvaliação de programas, serviços e tecnologias em saúde índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910versão On-line ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública v.34 n.5 São Paulo out. 2000

https://doi.org/10.1590/S0034-89102000000500017 

Pachycrepoideus vindemiae (Hymenoptera: Pteromalidae) como parasita de Ophyra aenescens (Diptera: Muscidae) no Brasil
Pachycrepoideus vindemiae (Hymenoptera: Pteromalidae) as parasite of Ophyra aenescens (Diptera: Muscidae) in Brazil

Carlos H Marchiori, Claudio G Silva, Elza R Caldas, Cristiane IS Vieira, Kátia GS Almeida e Fábio F Teixeira

Departamento de Biologia do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara. Itumbiara, GO, Brasil

 

 

DESCRITORES
Dípteros#. Ecologia de vetores#. Insetos vetores#. Parasitos#. Controle de insetos. ¾ Ophyra aenescens. Pachycrepoideus vindemiae. Sinantropia. Parasitóide.
RESUMO
Relata-se a primeira ocorrência do parasitóide Pachycrepoideus vindemiae como inimigo natural de Ophyra aenescens, mosca de importância médico-sanitária. Para coleta dos insetos, foi utilizado como isca carcaça de suínos. Obtiveram-se 302 pupas de Ophyra aenescens (Wiedemann) (Diptera: Muscidae), das quais 6 emergiram parasitóides pertencentes à espécie Pachycrepoideus vindemiae (Rondani) (Hymenoptera: Pteromalidae), apresentando uma incidência de parasitismo de 1,98%.
KEYWORDS
Diptera#. Ecology vectors#. Insect vectors#. Parasites#. Insect control. ¾
Ophyra aenescens. Pachycrepoideus vindemiae. Synanthropy. Parasitoid.
ABSTRACT
The first occurrence of the parasitoid
Pachycrepoideus vindemiae on pupae of Ophyra aenescens, a fly of medical-sanitary importance, is reported. A swine carcass was used as bait to collect the insects. In the study, 302 pupae of Ophyra aenescens (Wiedemann) (Diptera: Muscidae) were obtained, 6 (1.98%) of them yielded the parasitoid Pachycrepoideus vindemiae (Hymenoptera: Pteromalidae).

 

 

Os dípteros caliptrados constituem modelo adequado para o estudo de sinantropia, não apenas pela sua importância ecológica, mas também pelo seu aspecto médico-sanitário, como vetores mecânicos de patógenos tais como cistos de amebas, ovos de helmintos, bactérias enteropatogências, vírus e fungos.2

As larvas do gênero Ophyra são saprófagas, coprófagas ou zoófagas. Já foram observadas em cadáveres humanos e de animais domésticos. Os adultos podem ser atraídos por substâncias em processo de fermentação, decomposição, sangue e feridas.5 As Ophyra são moscas sinantrópicas, regulam populações de outras moscas e transmitem doenças em regiões de clima temperado.5 Esses insetos assumem relevância em saúde pública, como potenciais vetores mecânicos de agentes etiológicos2. Como o controle de moscas por inseticidas sempre acaba selecionando populações resistentes, sendo um paliativo, Mendes & Linhares4 e Pamplona & Couri5 acreditam ser necessária a pesquisa de novas metodologias visando ao controle de moscas.

Como possibilidade de controle desses artrópodes, podem ser usados os reguladores naturais como os parasitóides, que são agentes responsáveis pela redução de populações de moscas sinantrópicas. A presente comunicação objetiva registrar a primeira ocorrência do parasitóide Pachycrepoideus vindemiae como inimigo natural de Ophyra aenescens, no Brasil.

O experimento foi realizado na Fazenda da Faculdade de Agronomia em Itumbiara (18º25'S e 49º13'O), Goiás, em área de cerrado em região urbana. Foi selecionada como isca carcaça de suíno Sus scrofa (L) de aproximadamente 10 kg. Utilizou-se, para esse experimento, carcaça de suíno em razão de sua similaridade com o modelo humano, considerando-se tanto a relação peso/área do tronco quanto as características fisiológicas.

A isca foi exposta às condições ambientais e utilizada com a proteção de uma gaiola de metal que permitiu a entrada de insetos, mas impediu o acesso de animais de grande porte. A carcaça permaneceu, ainda, sobre uma placa de metal fixa ao nível do solo, evitando contato direto com o mesmo. Sobre a placa depositou-se serragem, que serviu de substrato para a pupariação de larvas de dípteros.

As pupas foram coletadas por meio de peneiração freqüente dessa serragem, tendo sido colocadas em frascos de vidro (pupas semelhantes) até a emergência das moscas e/ou dos parasitóides. Os adultos obtidos por esse processo foram contados e identificados.

A identificação das moscas foi realizada utilizando-se o trabalho de Pamplona e Couri5 (1989) e os parasitóides foram identificados pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos, SP. A incidência de parasitismo foi calculada pela fórmula: número de pupas parasitadas/número total de pupas x 100.

Obtiveram-se 302 pupas de Ophyra aenescens (Wiedemann) (Diptera: Muscidae), das quais 6 emergiram parasitóides pertencentes à espécie Pachycrepoideus vindemiae (Rondani) (Hymenoptera: Pteromilidae), apresentando uma incidência de parasitismo de 1,98%. Outras moscas de importância médico-sanitária coletadas foram: Chryromya albiceps (Wiedemann) (Diptera: Calliphoridae), Fannia pusio (Wiedemann) (Diptera: Fanniidae), Megaselia sp. (Diptera: Phoridae) e Hermitia illucens (L.) (Diptera: Stratiomyidae).

Além de carcaça de suíno, Ophyra aenescens também já foi coletada em carcaça de rato e sobre camarão.1 Pode-se considerá-la uma importante espécie sob o ponto de vista da saúde pública, uma vez que é sinantrópica e comunicativa, ou seja, visitam substratos contaminados e alimentos ingeridos pelo homem4 e mostra-se abundante na região urbana. Em Campinas, SP, essa espécie apresentou um alto índice de sinantropia.3

Para a avaliação dessas espécies no controle de populações de moscas existe a necessidade da condução de estudos visando à identificação de espécies nativas encontradas infestando essas moscas, para sua utilização em futuros programas de controle.

 

AGRADECIMENTOS

A Angélica Maria Penteado-Dias, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos, SP, pela identificação dos parasitóides.

 

REFERÊNCIAS

1. D'Almeida JM. Capture of caliptrate flies with different breeding substrates on beaches in Rio de Janeiro, RJ, Brazil. Mem Inst Oswaldo Cruz 1993;88:215-20.         [ Links ]

2. Greenberg B. Flies and disease: ecology, classification and biotic association. New Jersey: Princeton University Press; 1971. v. l. p. 57-83.         [ Links ]

3. Linhares AX. Synanthropy of Muscidae, Fanniidae and Anthomyiidae (Diptera) in the city of Campinas, São Paulo, Brazil. Rev Bras Entomol 1981;35:383-92.         [ Links ]

4. Mendes J, Linhares AX. Atratividade por iscas, sazonalidade e desenvolvimento ovariano em várias espécies de Muscidae (Diptera). Rev Bras Entomol 1993;37:289-97.         [ Links ]

5. Pamplona D, Couri MS. Revisão das espécies neotropicais de Ophyra Robineau-Desvoidy, 1830 (Diptera, Muscidae, Azelinae). Mem Inst Oswaldo Cruz 1989;84:419-29.         [ Links ]

 

Correspondência para/Correspondence to:
Carlos Henrique Marchiori
Av. Beira Rio, 1001
75500-000 Itumbiara, GO, Brasil
E-mail: pesquisa@ns.itumbiara.com.br

 

Recebido em 10/2/2000. Reapresentado em 11/7/2000. Aprovado em 20/7/2000.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons