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Revista de Saúde Pública

versión impresa ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública v.34 n.6 São Paulo dic. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102000000600014 

Notas e Informações

Notes and Information

 

Primeiro encontro de Lutzomyia longipalpis (Lutz & Neiva, 1912) na área urbana de Campo Grande, MS, Brasil*
First record of finding Lutzomyia longipalpis (Lutz & Neiva, 1912) in the urban area in Brazil

Alessandra Gutierrez de Oliveiraa, Alda Lima Falcãob e Reginaldo P Brazilb

aCentro de Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde de Campo Grande, MS, Brasil. bCentro de Pesquisas René Rachou/Fiocruz. Belo Horizonte, MG, Brasil

 

DESCRITORES
Leishmaniose visceral, transmissão#. Psychodidae#. Ecologia de vetores. ¾ Lutzomyia longipalpis.
RESUMO:
Relata-se a ocorrência, pela primeira vez, do vetor da leishmaniose visceral, Lutzomyia longipalpis, na área urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Discute-se a importância deste encontro na transmissão da doença nessa área.
KEYWORDS
Leishmaniasis, visceral, transmission#. Psychodidae#. Ecology, vectors. ¾
Lutzomyia longipalpis.
ABSTRACT:
This is a report of the first finding of visceral leishmaniasis' vector Lutzomyia longipalpis in the urban area of Campo Grande, State of Mato Grosso do Sul. The importance of this finding regarding the transmission of the disease in this area is discussed.

 

 

Lutzomyia longipalpis (Lutz & Neiva) é o principal vetor da Leishmania chagasi (Cunha & Chagas), agente etiológico da leishmaniose visceral americana. Este flebotomíneo está bem adaptado ao ambiente peridomiciliar, alimentando-se em uma grande variedade de hospedeiros, entre aves, o homem e outros animais silvestres e domésticos.2,4

Uma outra espécie, Lutzomyia cruzi (Mangabeira), foi, recentemente, incriminada como vetora da doença em Corumbá, Mato Grosso do Sul, onde L. longipalpis não está presente.3,5

De acordo com informações obtidas diretamente no Sinan (Sistema de Informações de Agravos de Notificação), da Secretaria de Saúde, MS, no período de janeiro de 1999 a maio de 2000, 87 casos humanos autóctones de leishmaniose visceral foram notificados no Estado. Durante os estudos da fauna de flebotomíneos de Campo Grande, vários espécimes de L. longipalpis foram capturados, sendo então assinalado pela primeira vez na área urbana de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul.

O município de Campo Grande, com 8.118,4 km², está geograficamente localizado na parte central do Estado, ocupando 2,27% da área total desse Estado, nas proximidades das bacias dos rios Paraná e Paraguai, definido pelas coordenadas 20°26'34" latitude sul e 54°38'47" longitude oeste. O clima predominante de Campo Grande, de acordo com a classificação de Kopper, é do tipo de savana chuvoso tropical, subtipo AW, caracterizado por má distribuição anual das chuvas, com a ocorrência bem definida de um período chuvoso durante os meses de verão (novembro-março). A temperatura média anual é de 23°C, com uma média máxima de 25°C, em dezembro, e mínima de 18°C, em junho.

As capturas foram feitas semanalmente com armadilhas luminosas CDC (Center for Disease Control) em cinco diferentes áreas da zona urbana de Campo Grande. A área norte inclui o Jardim Botânico, a sul a Chácara das Palmeiras, a leste a Mata do Zé Pereira, a oeste a Reserva Ecológica do Parque dos Poderes e um quintal na área central da cidade.

Dos 1.245 flebotomíneos capturados, 71 foram identificados como Lutzomyia longipalpis, capturados na Chácara das Palmeiras e no peridomicílio na área central da cidade. Próximo a um canil, no peridomicílio, foram capturados nas bananeiras, 36 machos e 18 fêmeas. Embora não haja nenhum relato de leishmaniose visceral nessa área, ressalta-se que ela está localizada no centro da cidade, e L. longipalpis pode apresentar seus criadouros em área similares na cidade. Em um galinheiro, na citada Chácara, foram capturados 16 machos e 1 fêmea de L. longipalpis. Nessa mesma área foi diagnosticado o primeiro caso autóctone de leishmaniose visceral canina pelo Centro de Controle de Zoonoses, em 1998.

Embora em Campo Grande não haja ainda relato de leishmaniose visceral humana, a doença já está sendo diagnosticada em cães da cidade,6 o que reforça as medidas de controle a serem tomadas antes que a doença se estabeleça em toda a cidade, como vem acontecendo em outras regiões do Brasil.1

 

REFERÊNCIAS

1. Arias JR, Monteiro PS, Zicker F. The re-emergence of visceral leishmaniasis in Brazil. Emerg Infect Dis 1996;2:145-6.         [ Links ]

2. Deane LM, Deane MP. Visceral leishmaniasis in Brazil: geographical distribution and transmission. Rev Inst Med Trop São Paulo 1962;4:198-212.         [ Links ]

3. Galati EAB, Nunes VLB, Rego Jr. FA, Oshiro ET, Chang MR. Estudo de flebotomineos (Diptera:Psichodidae) em foco de leishmaniose visceral no Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Rev Saúde Pública 1997;378-90.         [ Links ]

4. Grimaldi Jr G, Tesh RB, MeMahon-Pratt D. A review of the geographic distribution and epidemiology of leishmaniasis in the New World. Am J Trop Med Hyg 1989;41:687-725.         [ Links ]

5. Santos SO, Arias J, Ribeiro AA, Hoffmann MP, Freitas RA, Malacco MAF. Incrimination of Lutzomyia cruzi as a vector of American Visceral Leishmaniasis. Med Vet Entomol 1998;12:315-7.         [ Links ]

6. Silva ES, Carvalho FG, Silva EA, Fiozi E, Oliveira AG, Brazil RP. Primeiro relato de leishmaniose visceral canina em área urbana do município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. 2000. Resumos do Congresso Brasileiro de Medicina Tropical; 2000 fev; São Luís, Maranhão. p. 318.         [ Links ]

 

Correspondência para/Correspondence to:
Reginaldo P. Brazil
Centro de Controle de Zoonoses
Av. Augusto de Lima, 1.715

30190-002 Belo Horizonte, MG, Brasil
E-mail: rpbrazil@cpqrr.fiocruz.br
Recebido em 10/7/2000. Reapresentado em 4/9/2000. Aprovado em 22/9/2000.

*Apresentado no III International Symposium on Phlebotomine Sand Flies, Montpellier, França, 1999.