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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.37 no.5 São Paulo Oct. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102003000500020 

COMUNICAÇÕES BREVES BRIEF COMMUNICATIONS

 

Registro da ocorrência de Aedes albopictus em área urbana do município de Manaus, Amazonas

 

 

Nelson Ferreira Fé; Maria das Graças Vale Barbosa; Wilson Duarte Alecrim; Marcus Vinitius de Farias Guerra

Fundação de Medicina Tropical do Amazonas. Manaus, AM, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A partir de exemplares de Aedes albopictus coletados em área urbana no município de Manaus, AM, Brasil, e das informações sobre a presença desse mosquito em vários municípios do Estado do Amazonas, registra-se pela primeira vez a introdução dessa espécie nesse Estado.

Descritores: Aedes. Dengue. Distribuição geográfica. Aedes albopictus.


 

 

Originário da Ásia, onde é um importante vetor de arboviroses, o Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse, 1894) teve sua dispersão incrementada para outras parte do mundo a partir de 1980.2 Encontrada pela primeira vez na América em 1985 e no Brasil em maio de 1986,1 essa espécie tem-se disseminado pelo Brasil, tendo sido encontrada em diversos de seus Estados.2

No Estado do Amazonas, foi encontrada pela primeira vez em junho de 1996, especificamente nas imediações de Tabatinga (Figura), conforme informações da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SUSAM), de onde foi eliminada temporariamente. Desde então, foi implementado um serviço de vigilância entomológica para essa espécie, mediante larvitrampas colocadas em diferentes lugares da cidade de Letícia, fronteira entre Brasil e Colômbia.5 Entretanto, em 1997, essa espécie foi encontrada novamente tanto em Tabatinga quanto no Distrito de Letícia.5

 

 

Atualmente, a dispersão de Ae. albopictus já atinge nove municípios (Figura), incluindo Manaus, cuja ocorrência ora se registra pela primeira vez. Partiu-se da informação de que havia sido capturado um adulto de Ae. albopictus no dia 5 de agosto de 2002, na área externa da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, por uma servidora.

Em 15.8.2002, foi feita uma busca de formas imaturas e adultas na área em questão. Foram capturados dois exemplares, exercendo a hematofagia em um dos coletores. Desse material conseguiu-se ovipostura de onde emergiram larvas, chegando a uma segunda geração. Como não houve registro natural de formas imaturas durante essas buscas, no dia 3.9.2002, foram colocados recipientes que serviram de larvitrampas na área onde os adultos haviam sido coletados, conseguindo-se dessa forma registrar a ovipostura e emergência de larvas, pupas e adultos.

Apesar de não ter sido ainda incriminada como vetor de arboviroses no Brasil, essa espécie pode se tornar uma ponte entre os ciclos silvestres e urbano da febre amarela ou outras arboviroses devido a sua capacidade de adaptação em ambientes diversos.2 De acordo com os poucos estudos realizados sobre a sua progressiva dispersão, o Ae. albopicus tem demonstrado elevada capacidade para utilizar criadouros artificiais no território brasileiro, sem abandonar ecótopos naturais.2 Sua importância epidemiológica na transmissão do vírus da dengue é reconhecida em áreas rurais e urbanas na Ásia, bem como sua participação na transmissão da encefalite asiática.4

Embora ainda não esteja claro o efeito que a presença de Ae. albopictus pode ter na dinâmica de transmissão do vírus da dengue nas Américas, a sua interação com Aedes aegypti requer atenção, pois ambas são espécies que se desenvolvem essencialmente nos mesmos criadouros artificiais de ambientes rurais, urbanos e peri-urbanos.3 Suas competências vetoriais para transmitir doenças como dengue e febre amarela e vírus da encefalite equiina venezuelana são comprovadas em condições laboratoriais.3 Dessa forma, faz-se necessário que se acompanhe de maneira vigilante a evolução de sua presença às novas condições em que está submetido na região neotropical e a sua convivência com o Aedes aegypti, isto porque aumenta o risco de uma epidemia urbana, em razão do aumento da densidade vetorial, distribuição dessas espécies nas áreas urbanas próximas da ocorrência de casos esporádicos de febre amarela silvestre, e circulação de pessoas infectadas com o vírus amarílico.3

 

REFERÊNCIAS

1. Forattini OP. Identificação de Aedes (Stegomyia) albopictus (Skuse) no Brasil. Rev Saúde Pública 1986;20:244-5.        [ Links ]

2. Gomes AC, Bittencourt MD, Natal D, Pinto PLS, Mucci LF, Paula MB de et al. Aedes albopictus em área rural do Brasil e implicações na transmissão de febre amarela silvestre. Rev Saúde Pública 1999;33:95-7.        [ Links ]

3. Johnson BW, Chambers TV, Crabtree MB, Filippis AMB, Vilarinhos PTR, Resende MC et al. Vector competence of Brazilian Aedes aegypti and Ae. albopictus for a Brazilian yellow fever virus isolate. Trans Royal Soc Trop Med Hyg 2002;96:611-3.        [ Links ]

4. Moore CG, Mitchel CJ. Aedes albopictus in the United States: tem-year presence and public health implications. Emerg Infect Dis 1997;3:329-34.        [ Links ]

5. Velez ID, Quinones ML, Suarez M, Olano V, Murcia LM, Correa E et al. Presencia de Aedes albopictus en Leticia Amazonas, Colombia. Biomédica 1998;18:192-8.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Nelson Ferreira Fé
Subgerência de Entomologia, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas
Av. Pedro Teixeira, 25
69040-000 Manaus, AM, Brasil
E-mail: nelson@fmt.am.gov.br

Recebido em 21/12/2002
Reapresentado em 12/6/2003
Aprovado em 30/6/2003