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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.40 no.3 São Paulo June 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000300010 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Fatores associados à doença pulmonar em idosos

 

 

Priscila Maria Stolses Bergamo FranciscoI; Maria Rita DonalisioI; Marilisa Berti de Azevedo BarrosI; Chester Luis Galvão CésarII; Luana CarandinaIII; Moisés GoldbaumIV

IDepartamento de Medicina Preventiva e Social. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil
IIDepartamento de Epidemiologia. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
IIIDepartamento de Saúde Pública. Faculdade de Medicina de Botucatu. Universidade Estadual Paulista. Botucatu, SP, Brasil
IVDepartamento de Medicina Preventiva. Faculdade de Medicina. USP. São Paulo, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Investigar a prevalência de doença pulmonar referida entre idosos segundo características sociodemográficas, econômicas, estilo de vida, mobilidade física e condições de saúde.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, do qual participaram 1.957 idosos (60 anos ou mais). As informações foram coletadas por meio de entrevistas. Os participantes foram selecionados a partir de amostragem probabilística, estratificada, por conglomerados e obtida em dois estágios em seis municípios do Estado de São Paulo, no período de 2001 a 2002. Foram utilizadas estatísticas descritivas, testes de associação pelo c2, razões de prevalência e intervalos de confiança de 95%. A análise ajustada foi conduzida por meio de regressão de Poisson.
RESULTADOS: Dos entrevistados, cerca de 7% referiram doença pulmonar. Não houve associação entre doença pulmonar referida e vacinação contra influenza. A partir da análise ajustada foi possível identificar os seguintes fatores independentemente associados à referência da doença: tabagismo (RP=2,03; IC 95%: 1,39-2,97); uso de medicamentos (RP=2,05; IC 95%: 1,11-3,79); auto-avaliação do estado de saúde atual como ruim ou muito ruim (RP=1,89; IC 95%:1,20-2,96); e depressão, ansiedade ou problemas emocionais (RP=1,86; IC 95%: 1,11-3,10).
CONCLUSÕES: Os achados do presente estudo reforçam a importância das doenças respiratórias em idosos, particularmente em grupos mais vulneráveis, justificando medidas preventivas e assistenciais específicas.

Descritores: Pneumopatias, epidemiologia. Saúde do idoso. Prevalência. Estudos transversais.


 

INTRODUÇÃO

No Brasil, no final de século XX, houve um acentuado crescimento da população idosa, sendo a faixa etária de 60 anos e mais a que mais cresceu em termos proporcionais, atingindo 14 milhões em 2002.16 De acordo com as projeções da Organização Mundial de Saúde, o crescimento da população idosa no País será cerca de três vezes maior do que o da população total entre 1950 e 2025, podendo ser considerado um dos mais acelerados do mundo.

Informações relevantes para a determinação das condições de saúde da população idosa têm sido obtidas a partir de estudos epidemiológicos de base populacional, e podem ser utilizadas no planejamento de políticas públicas voltadas para esse segmento populacional.17,22

Além do aumento na prevalência de doenças crônico-degenerativas, associado ao processo de envelhecimento, quadros com distintas etiologias se expressam com maior gravidade no idoso. Isso ocorre devido à sua maior susceptibilidade fisiológica e imunológica, particularmente às infecções,9 contribuindo para a redução da capacidade física e biológica e diminuindo sua autonomia.

Entre as causas de doença e óbito em idosos, a doença pulmonar obstrutiva crônica se destaca devido à sua alta prevalência e caráter progressivo. Compreende duas entidades: a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, sendo o tabagismo sua principal causa. A doença pulmonar obstrutiva crônica é ainda pouco diagnosticada no Brasil e os dados epidemiológicos acerca da doença são escassos.14

A infecção respiratória também vem sendo apontada como uma das principais causas de morbi-mortalidade entre os idosos,21 podendo estar associada à exacerbação clínica da doença pulmonar obstrutiva crônica. Do ponto de vista anatômico e funcional, com o envelhecimento ocorrem redução da mobilidade da caixa torácica, da elasticidade pulmonar e diminuição dos valores da pressão inspiratória e expiratória máximos. Conseqüentemente, há redução da eficiência de tosse, bem como a diminuição da mobilidade dos cílios do epitélio respiratório.9

Nas últimas décadas, a incidência de infecções agudas do trato respiratório e de suas complicações aumentou globalmente, bem como a taxa de incidência anual de pneumonia em indivíduos maiores de 65 anos em diversos países. Além disso, afecções respiratórias agudas são a principal causa de hospitalização de pacientes com condições médicas crônicas.10

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS) mostram que no Brasil, a proporção de óbitos por doenças do aparelho respiratório vem aumentando entre a população maior de 60 anos nas últimas décadas. No Estado de São Paulo, observa-se a mesma tendência: em 1980 os óbitos por tais afecções representaram 8,6% do total nesta faixa etária, aumentando para 13,2% e 15% nos anos de 1990 e 2002, respectivamente.

No que se refere à morbidade por tais afecções no País, de acordo com o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), ocorreram 65.194 internações hospitalares devido a doenças respiratórias, sendo 26.456 por pneumonia e destas, 18.240 (69,0%) entre idosos, no ano de 2000 no Estado de São Paulo.

Estudos sobre tendência temporal das taxas de mortalidade por doenças respiratórias, padronizadas por idade e sexo, indicam aumento na última década, particularmente entre os maiores de 75 anos. Os idosos têm vivido mais, e têm tido maior risco de adoecer e morrer por pneumonias e outras causas respiratórias.7,8

No Estado de São Paulo em 2001, as doenças respiratórias foram a segunda causa mais importante de internação entre a população de 60 anos e mais. Dentre as principais causas destacaram-se as pneumonias, bronquite, enfisema e doenças pulmonares obstrutivas crônicas, outras doenças do aparelho respiratório e outras infecções agudas das vias aéreas superiores, em ordem de importância.

Variáveis sociodemográficas, econômicas, comportamentais, particularmente o tabagismo, e comorbidades podem predispor o idoso a doenças pulmonares, em adição às alterações no status imune associado à idade.18 Portanto, torna-se relevante identificar tais fatores, já que a redução da morbidade é essencial para a manutenção da capacidade funcional e autonomia do idoso.

O presente estudo teve por objetivo investigar a prevalência de doença pulmonar referida por idosos não institucionalizados, segundo características sociodemográficas e econômicas, estilo de vida, mobilidade física e condições de saúde.

 

MÉTODOS

O estudo é do tipo transversal de base populacional, incluindo 1.957 idosos (60 anos e mais) não albergados, no período de 2001 e 2002. Os participantes eram residentes em área urbana nos municípios de Itapecerica da Serra, Embu, Taboão da Serra, Campinas, Botucatu e no distrito de Butantã (Município de São Paulo). Os dados são provenientes do estudo multicêntrico3 – "Inquérito de saúde de base populacional em municípios de Estado de São Paulo" (ISA-SP), realizado em colaboração por universidades públicas paulistas e a Secretaria Estadual da Saúde.

Os participantes do estudo foram selecionados por meio de amostragem probabilística, estratificada, por conglomerados e obtida em dois estágios. A partir de dados colocados à disposição pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1996, os setores censitários foram classificados e agrupados em três estratos segundo o nível de escolaridade dos chefes de família. Foram amostrados 10 setores censitários de cada estrato, dos quais uma amostra sistemática simples de domicílios foi selecionada.

As informações foram obtidas por meio de questionário, composto por questões fechadas, semi-abertas e abertas, organizadas em blocos temáticos.

A variável dependente utilizada foi a doença pulmonar referida (sim ou não) e as variáveis independentes selecionadas foram: sociodemográficas e econômicas: sexo, idade, situação conjugal, escolaridade, atividade ocupacional, número de moradores e de crianças no domicílio e renda per capita (em salários-mínimos). Estilo vida: dependência alcoólica avaliada por meio do teste Cut down, Annoyed by criticism, Guilty e Eye-opener (CAGE),5 tabagismo, índice de massa corporal (IMC), calculado com dados de peso e altura referidos, e mobilidade física: dificuldade para realização de atividades cotidianas apresentadas. Condições de saúde: percepção da própria saúde, atual e comparada há um ano, morbidade referida, internação hospitalar nos últimos 12 meses, uso de medicamentos nos três dias anteriores à pesquisa, número de doenças crônicas, status vacinal contra influenza. Inclui o relato da presença das seguintes doenças: hipertensão arterial, diabetes, anemia, doença da coluna/costas, artrite/reumatismo/artrose, doença renal crônica, acidente vascular cerebral, depressão/ansiedade/problemas emocionais, osteoporose e doença do coração.

A associação entre as variáveis e a referência de doença pulmonar foi verificada na análise bivariada pelo teste c2 com nível de significância de 5%. Foram utilizadas razões de prevalência e intervalos de confiança de 95% e a análise ajustada foi conduzida por meio de regressão de Poisson. No modelo múltiplo foram consideradas as variáveis que tiveram um p valor inferior a 0,20 na análise bivariada, e permaneceram no modelo apenas aquelas com p<0,05.

Em todas as análises considerou-se o efeito do desenho amostral para análise de inquéritos baseados em delineamentos complexos. Utilizou-se o programa Stata 7.0, que permite incorporar os pesos distintos das observações.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp sob o parecer nº 369/2000.

 

RESULTADOS

As respostas obtidas em 1.916 (97,7%) entrevistas foram fornecidas pelos próprios idosos. Com relação ao sexo, 1.028 (57,3%) eram mulheres. A média de idade foi de 69,7 anos (IC 95%: 69,0-70,4) e 1.092 (55,9%) tinham idade inferior a 70 anos (Tabela 1). A prevalência estimada de doença pulmonar auto-referida foi de 6,9% (IC 95%: 5,2-8,7%). Entre as doenças mencionadas, incluídas na composição da variável resposta, destacaram-se as bronquites (52,6%), enfisema pulmonar (15,8%), asma (12,8%), pneumonia (4,2%), doença pulmonar obstrutiva crônica (2,6%) e transtornos pulmonares e respiratórios não especificados (2,4%).

Não houve associação estatística significativa entre as variáveis sociodemográficas e econômicas e doença pulmonar referida. Porém, a maior proporção da doença ocorreu nos grupos de idade mais avançada, entre os homens, nos que vivem sozinhos, nos de menor escolaridade e entre os que atualmente não exercem qualquer atividade de trabalho, seja ela remunerada ou não (Tabela 1).

Quanto às variáveis relacionadas ao estilo de vida e à mobilidade física apresentadas na Tabela 2, apenas o hábito de fumar, atual e passado, apresentou significância estatística na associação com a doença pulmonar.

No que se refere às condições de saúde, a prevalência de doença pulmonar revelou-se significativamente mais elevada entre os idosos que consideraram sua saúde ruim ou muito ruim; entre os que referiram qualquer sintoma e uso de medicamento nos 15 e três dias anteriores à pesquisa. Do mesmo modo, registrou-se maior prevalência de doença pulmonar entre aqueles que referiram presença de uma ou mais comorbidades, bem como nos que relataram as seguintes doenças crônicas: anemia, doença renal e depressão, ansiedade ou problemas emocionais. Não houve associação estatística significativa entre doença pulmonar referida e vacinação contra influenza (Tabela 3).

A partir da análise de regressão múltipla de Poisson, os fatores independentemente associados à doença pulmonar foram: tabagismo, consumo de medicamentos, pior percepção da saúde e depressão auto-referida (Tabela 4).

 

DISCUSSÃO

Entre as limitações do presente estudo deve-se considerar que a morbidade auto-referida pode subestimar a prevalência da doença ou condição crônica, mediante problemas de memória e/ou ausência de diagnóstico.17 No entanto, alguns autores11,19,20 chamam a atenção para a validade de auto-referência de sintomas respiratórios, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica em inquéritos. Eles afirmam que esses dados apresentam sensibilidade e especificidade adequadas em rastreamentos populacionais, podendo refletir indiretamente a prevalência real na comunidade.

Além disso, em estudo4 envolvendo seleção de conglomerados, as estimativas das proporções tendem a ser menos precisas do que aquelas obtidas a partir de amostragem aleatória simples. Os efeitos do desenho (Tabela 4) maiores que 1 indicaram que mais informações seriam necessárias para garantir a mesma precisão que seria obtida por meio de um sorteio por amostragem aleatória simples com reposição.

Apesar da ampla utilização de regressão logística na análise de estudos transversais com desfechos binários, no presente estudo utilizou-se da regressão de Poisson. Por meio dessa análise se estima diretamente a razão de prevalência, medida mais conservadora e interpretável que a razão de odds.2

Os resultados mostraram prevalência de doença pulmonar referida entre idosos de 6,9%, semelhante à presença de asma e bronquite referidas por 7,8% dos idosos em pesquisa nacional.17 Nos Estados Unidos a prevalência de bronquite crônica referida é de 2,1% a 3%, e de asma, 4,5 a 8,2%.13 Dados de cidade finlandesa registraram prevalências de 4,2% para doença pulmonar (bronquite crônica, enfisema pulmonar, doença pulmonar intersticial crônica, seqüela de tuberculose, bronquiectasia severa e câncer de pulmão) e de 3,5% para asma brônquica.12

No presente estudo não houve associação estatística significativa entre as características sociodemográficas e econômicas e a referência de doença pulmonar, como mostram outros autores.1 A composição da variável "doença crônica de pulmão" pode incluir um conjunto de doenças pulmonares e, além disso, a percepção de doença pode ser diferente entre os sexos e estratos sociais na população de estudo, dificultando a interpretação das respostas obtidas. Estudo realizado em Pelotas, por Menezes et al18 (1994) identificaram prevalência de 12,7% de bronquite crônica entre adultos de 40 anos ou mais e encontraram associação entre sexo masculino e bronquite crônica na análise bivariada. Porém, apenas renda familiar, pior nível de escolaridade, tabagismo e referência de bronquite como principal enfermidade na infância, estiveram significativamente associadas à bronquite crônica no modelo de regressão logística múltiplo.

No que se refere às variáveis relacionadas ao estilo de vida e mobilidade física, houve maior prevalência da doença entre os que referiram dificuldade de realizar atividades cotidianas. Porém, apenas o tabagismo esteve estatisticamente associado a essa condição e permaneceu como fator independente associado à doença no modelo final. O fumo tem sido apontado como a principal causa associada à bronquite crônica e enfisema pulmonar.1,13 Meyer19 (2001) destaca o declínio da resposta imune com o avanço da idade como fator para aumento na suscetibilidade à infecção pulmonar.

As doenças respiratórias crônicas são completamente reversíveis se o indivíduo deixa de fumar antes do início da obstrução das vias aéreas.1 Campanhas educativas contra o tabagismo têm relevante impacto na evolução dessa doenças.

Não houve associação estatística entre status vacinal contra influenza e doença pulmonar. Tanto a bronquite quanto a asma e as demais condições pulmonares referidas pelos idosos podem apresentar exacerbações decorrentes de infecções virais ou bacterianas. Estudo realizado em Melbourne, na Austrália,25 descreveu forte associação entre infecção recente do trato respiratório e exacerbação aguda severa de asma em adultos requerendo hospitalização. Além disso, 79% das infecções foram virais e a incidência de infecção por influenza foi de 19%, apoiando a indicação de vacina para pessoas com asma.

Pneumonias virais primárias e bacterianas secundárias são as principais complicações decorrentes de uma infecção por influenza em idosos com condições médicas crônicas,10 daí a recomendação formal da vacina neste grupo de risco. A vacinação é benéfica na prevenção de influenza severa, pneumonia, exacerbação de condições crônicas e mortes naqueles indivíduos de grupos de alto risco, como os portadores de doença pulmonar crônica.10,11 Também a vacina polissacarídica anti-pneumococcica tem sido indicada em portadores de doenças crônicas para prevenção de doença invasiva pelo Streptococcus pneumoniae.6

No modelo multivariado, permaneceram o tabagismo, uso de medicamentos, auto-avaliação do estado de saúde atual como ruim ou muito ruim e depressão, ansiedade ou problemas emocionais. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD-1998) mostraram maior morbidade referida e observada e pior auto-avaliação do estado de saúde nos idosos, além de maior proporção de restrição de atividades habituais por motivos de saúde nos 15 dias que antecederam à pesquisa, em relação a outros grupos etários.26

Nesse segmento etário, a maioria das pessoas apresenta múltiplas morbidades crônicas. Já a auto-percepção da saúde tem se mostrado um indicador robusto do estado de saúde e preditor consistente da sobrevida da população idosa.15

O tabagismo apresentou-se como importante causador e/ou agravante de doença pulmonar nos indivíduos idosos. Esses indivíduos compõem uma coorte que sobreviveu a diferentes exposições durante o ciclo de vida, entre elas o hábito de fumar, comum nessas gerações.

Apesar do desenho transversal não permitir o esclarecimento da relação causa-efeito, enfermidade física e incapacidade são fatores de risco conhecidos para transtornos psicológicos.24 A depressão, ansiedade e/ou problemas emocionais entre os que referiram doença pulmonar podem decorrer das limitações trazidas pela doença à vida do indivíduo. As limitações aumentam proporcionalmente, à medida que os sintomas se intensificam e se tornam mais freqüentes. Além disso, as exacerbações inesperadas podem contribuir para a insegurança e ansiedade dos pacientes.

Pessoas com doença pulmonar crônica destacam a dificuldade para manter suas atividades cotidianas o que, segundo Silva et al23 (2005) influencia o declínio gradual das atividades físicas causando irritabilidade e frustração. Para esses autores, o indivíduo incapaz de cuidar de si mesmo tem sua auto-estima e confiança abaladas.

Os achados do presente estudo apontam a importância das doenças respiratórias neste grupo de risco, associadas a transtornos psicológicos, auto-percepção da saúde precária e uso de medicamentos. Considerando a tendência de aumento das doenças crônico-degenerativas entre os idosos, devido à crescente longevidade da população, o diagnóstico precoce dos casos e a necessidade de abordagem psicossocial do paciente são de extrema importância para sua qualidade de vida. Medidas de promoção e prevenção à saúde do idoso podem ter impacto na qualidade e sobrevida desse grupo etário, visando a reduzir complicações de doenças pulmonares e prevenir infecções comuns virais e bacterianas.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Maria Rita Donalisio
Departamento de Medicina Preventiva e Social
FCM/Unicamp
Caixa Postal 6111
13083-970 Campinas, SP, Brasil
E-mail: donalisi@fcm.unicamp.br

Recebido: 10/8/2005
Revisado: 20/1/2006
Aprovado: 7/2/2006
Estudo financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp - Processo n. 14099-7), Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e auxílio produtividade pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

 

Francisco PMSB foi bolsista pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Nível Superior (CAPES).