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Revista de Saúde Pública

versión impresa ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública v.41 n.1 São Paulo feb. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102007000100003 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Duração da amamentação em duas gerações

 

 

Bernardo L HortaI; Cesar G VictoraI; Denise P GiganteI; Janaina SantosI; Fernando C BarrosII

IPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, RS, Brasil
IICentro Latino-Americano de Perinatologia e Desenvolvimento Humano. Organização Pan-Americana de Saúde. Montevideo, Uruguai

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar o efeito intergeracional da duração da amamentação em uma coorte de mães adolescentes que tem sido acompanhada prospectivamente desde o nascimento.
MÉTODOS: Todos os nascimentos hospitalares ocorridos em 1982 na cidade de Pelotas (N=5.914) foram estudados prospectivamente. A coorte foi visitada em 1984 e 1986 e foi coletada informação sobre a duração da amamentação. Em 2001, foram identificados no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, os nascimentos ocorridos no período de janeiro de 1995 a março de 2001, cuja mãe havia nascido em 1982. As adolescentes que tiveram filho(s) nascido(s) vivo(s) foram visitadas e responderam um questionário detalhado sobre a gravidez e a duração da amamentação para cada filho. Para as multíparas, informação sobre o primeiro filho nascido vivo foi usada na análise. A regressão de Poisson com ajuste robusto da variância foi utilizada tanto na análise univariada como na multivariada.
RESULTADOS: Foram identificadas 446 adolescentes pertencentes à coorte de 1982, das quais 420 (94,2%) foram entrevistadas. Após controle para fatores de confusão, aquelas que não foram amamentadas apresentaram risco relativo de 1,34 (IC 95%: 0,35; 5,18) de não amamentar os seus filhos, comparado às que foram amamentadas. Similarmente, as adolescentes que foram amamentadas por menos de um mês apresentaram maior risco – não estatisticamente significativo – de não amamentar os seus filhos (RR=1,64; IC 95%: 0,70; 4,03). A proporção de adolescentes que interromperam a amamentação nos primeiros seis meses foi maior entre aquelas que foram amamentadas por menos de um mês (PR=1,29; IC 95%: 1,02; 1,62).
CONCLUSÕES: A duração da amamentação é discretamente maior entre as crianças cujas mães foram amamentadas.

Descritores: Aleitamento materno. Gravidez na adolescência. Relação entre gerações. Fatores de risco. Estudos de coortes. Efeito de coortes.


 

 

INTRODUÇÃO

A amamentação tem inúmeros benefícios para a saúde infantil, reduzindo a mortalidade e morbidade por doenças infecciosas, principalmente nos países em desenvolvimento.17 A promoção da amamentação é considerada como sendo uma das principais estratégias de sobrevivência infantil,8 mas apesar disto, em várias partes do mundo, a duração da amamentação, total e exclusiva, permanece abaixo do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde.9,*

É importante identificar os fatores associados à incidência e a duração da amamentação, para que sejam delineadas intervenções com o objetivo de promover o aleitamento materno. Existem inúmeras evidências sobre os principais determinantes sociodemográficos, psicossociais, ambientais e maternos da duração da amamentação.5,7,14 Por outro lado, as evidências a respeito do efeito intergeracional da amamentação são escassas, com os estudos relatando maior incidência da amamentação entre as crianças cujas mães foram amamentadas.6,10-13 No que diz respeito à duração da amamentação, as evidências são controversas. Em três estudos3,4,13 foi observado que a duração da amamentação era menor entre crianças cujas mães não foram amamentadas. Em outros dois estudos não foi observada tal associação, nestes estudos a própria mãe informou sobre a sua duração da amamentação, isto é, a partir do recordatório materno, sendo portanto suscetíveis a um viés de informação.11,16

Tendo em vista as evidências conflitantes e a importância para a saúde pública de serem identificados os fatores associados com a duração da amamentação, o presente estudo teve por objetivo avaliar o efeito intergeracional da duração da amamentação em uma coorte que tem sido acompanhada prospectivamente desde o nascimento.

 

MÉTODOS

O estudo foi realizado em Pelotas (população 320.000), cidade de porte médio localizada no extremo sul do Brasil, próximo à fronteira com o Uruguai, sendo a maior parte da população de descendência européia. A renda per capita média anual é de aproximadamente US$2,700, e em 1982 o coeficiente de mortalidade infantil foi de 38 por mil. As crianças que nasceram em 1982 foram acompanhadas inúmeras vezes2,15 O estudo começou como uma pesquisa sobre a saúde perinatal, incluindo todos os 5.914 nascidos vivos das três maternidades da cidade, representando mais do que 99% dos nascimentos. Nas visitas de acompanhamento, as crianças eram pesadas e as mães eram entrevistadas sobre variáveis socioeconômicas, demográficas e relacionadas à saúde.

Em 1984 e 1986 todas as residências localizadas na área urbana da cidade foram visitadas com o objetivo de identificar as crianças pertencentes à coorte; 87% e 84% da coorte original foram localizadas. Foram realizadas entrevistas padronizadas em cada uma das visitas, incluindo a coleta de informação detalhada a respeito da alimentação na infância e duração da amamentação. Para minimizar o viés de recordatório, na análise dos dados foi utilizada a informação mais próxima do momento do desmame.

Em 2001, foi realizada uma busca nos arquivos do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e foram identificadas todas as mães que tiveram filhos em Pelotas no período de janeiro de 1995 a março de 2001. O sistema apresenta uma cobertura de aproximadamente 100%, pois não é possível registrar uma criança sem o formulário do SINASC. A informação sobre a data de nascimento da mãe não é coletada, apenas a idade materna. Por este motivo, todas as mulheres que tiveram filhos entre janeiro de 1995 e março de 2001 e cuja idade era compatível com o ano de seu nascimento, em 1982, foram identificadas. A seguir foram identificados nas maternidades os registros hospitalares das crianças. Diferentemente do SINASC, esses registros fornecem informação sobre a data e local de nascimento da mãe.

Aquelas adolescentes que foram identificadas por meio desse processo foram visitadas em casa e responderam a um questionário detalhado sobre variáveis relacionadas à gravidez, incluindo idade gestacional, morbidade perinatal, tipo de parto, peso e comprimento ao nascer, atenção ao parto, índice de Apgar e duração da amamentação para cada criança. Para as multíparas, foi utilizada a informação referente à primeira criança nascida viva. Além disso, as adolescentes e suas mães responderam a um questionário sobre variáveis sociodemográficas.

Os entrevistadores não sabiam os objetivos do estudo e o controle de qualidade incluiu a repetição de aproximadamente 5% de todas as entrevistas por um supervisor do trabalho de campo. Além disso, os dados foram codificados diariamente pelos entrevistadores e revisados pelo supervisor. A digitação dos questionários foi feita duas vezes.

A incidência da amamentação (recebeu qualquer quantidade de leite materno, independentemente da duração e da introdução de outros alimentos), e a proporção de crianças desmamadas (interrupção total da amamentação) com menos de seis meses são os desfechos do presente estudo.

Na avaliação da duração da amamentação foi utilizada a definição proposta pela Organização Mundial da Saúde.18 As seguintes variáveis explanatórias foram avaliadas:

  • incidência da amamentação materna (a mesma que foi utilizada para a amamentação da criança);
  • duração da amamentação materna (classificada como <1 mês; 1-2,9; 3-5,9; e >6 meses). Tendo em vista as evidências de erro de classificação entre as crianças que nunca foram amamentadas ou aquelas que foram amamentadas por apenas alguns dias, as mães que nunca foram amamentadas foram agrupadas com aquelas que foram amamentadas por menos de um mês.

Todas as análises estatísticas foram realizadas no pacote estatístico Stata 8.0. Uma vez que a proporção de crianças que foram desmamadas nos primeiros seis meses de vida foi elevada, e portanto, a razão de odds superestimaria a razão de prevalência, foi utilizada a regressão de Poisson com ajuste robusto da variância tanto na análise univariada como na multivariada, em vez da regressão logística.1

 

RESULTADOS

Foram identificadas 446 adolescentes que já tinham tido pelo menos um filho nascido vivo. Três adolescentes se recusaram a participar da pesquisa, enquanto que 23 não foram localizadas, resultando em uma amostra de 420 adolescentes (94,2% das identificadas) que tinham tido pelo menos um filho nascido vivo. Informação a respeito da incidência e prevalência de amamentação aos seis meses foi obtida para 405 e 372 crianças, respectivamente. O menor número de observações sobre o desmame aos seis meses é decorrente das observações que foram censuradas, isto é, crianças que tinham menos de seis meses de idade quando as suas mães foram entrevistadas.

A Tabela 1 mostra os resultados do estudo perinatal (1982). Cerca de seis em cada 10 crianças moravam em famílias cuja renda familiar era menor ou igual a três salários-mínimos. A escolaridade materna era baixa, 19,4% das mães tinham menos de cinco anos de escolaridade. Enquanto que a incidência da amamentação foi praticamente universal (95% da amostra de 1982 foi amamentada), a duração da amamentação decresceu rapidamente, e apenas uma em cada três crianças foram amamentadas por seis ou mais meses. A mediana da duração da amamentação foi de 3,3 meses.

 

 

Similarmente ao observado em 1982, a incidência da amamentação na próxima geração foi alta, mas a duração foi curta (Tabela 2). Enquanto 91,8% das crianças foram inicialmente amamentadas, apenas 35,5% ainda estavam mamando aos seis meses. A mediana da duração da amamentação foi de 4,7 meses.

 

 

A Tabela 3 mostra o risco relativo bruto e ajustado para uma criança nunca ter sido amamentada. Apesar de não estatisticamente significativas, as associações foram na direção esperada. A proporção de crianças que nunca foram amamentadas foi 1,34 (IC 95%: 0,35; 5,18) vezes maior entre aquelas cujas mães nunca o foram. Similarmente, as mães amamentadas por menos de um mês também apresentaram maior risco de não amamentar os seus filhos (RR=1,64; IC 95%: 0,70; 4,03). Por outro lado, não foi observada tendência ao aumento da incidência da amamentação, à medida que aumentou a duração da amamentação materna.

A Tabela 4 mostra que aquelas crianças cujas mães foram amamentadas por menos de um mês apresentaram maior risco de não serem amamentadas aos seis meses de idade (RP=1,29; IC 95%: 1,02; 1,62). Mesmo após ajuste para possíveis fatores de confusão (idade materna, renda familiar e escolaridade materna) essa associação ainda foi observada. Além disso, a proporção de crianças que foram amamentadas por seis meses ou mais aumentou à medida que aumentou a duração da amamentação materna.

Foi avaliada a existência de interação entre a amamentação e várias características relacionadas ao nível socioeconômico (cor da pele, renda familiar e escolaridade materna), idade materna e presença da avó materna na casa onde a adolescente morava. Não houve evidência de que qualquer uma dessas variáveis modificasse o efeito da duração da amamentação materna sobre a incidência e a duração da amamentação (p>0,2).

 

DISCUSSÃO

O presente estudo é o primeiro a avaliar o efeito intergeracional da duração da amamentação usando um delineamento prospectivo. Informações sobre a duração da amamentação materna e fatores de confusão foram coletadas nas fases iniciais do estudo de coorte. Portanto, o presente estudo não é suscetível a viés de memória. No que concerne ao viés de seleção, os nascimentos foram identificados por meio do SINASC. A comparação entre o número de nascimentos registrados nesse Sistema e o número obtido pelas visitas diárias às maternidades mostra que a cobertura é de praticamente 100%. Finalmente, 94,2% das mães identificadas puderam ser entrevistadas. Por estes motivos, é pouco provável que tenha ocorrido viés de seleção.

Ao contrário dos estudos anteriores,6,10-13 não foi observada associação estatisticamente significativa entre amamentação materna e a incidência da amamentação na próxima geração. Por outro lado, a magnitude do risco relativo foi similar à relatada por outros estudos. Enquanto nos outros estudos variou entre 35% e 85%, no presente estudo a incidência da amamentação foi de aproximadamente 92%, fazendo com o que seu poder estatístico fosse consideravelmente menor. A consistência do risco relativo, em relação ao observado nos estudos anteriores suporta a hipótese de que a decisão materna de amamentar os seus filhos é influenciada pela própria experiência da mãe com a amamentação.

A associação entre a duração da amamentação materna e a proporção de crianças que foram desmamadas com menos de seis meses foi estatisticamente significativa, apesar da magnitude do efeito (razão de prevalências) ter sido menor do que a observada para a incidência da amamentação. As crianças cujas mães foram amamentadas por menos de um mês apresentaram um risco 27% maior de serem desmamadas nos primeiros seis meses de vida.

Não se observou qualquer evidência de interação entre amamentação (duração e incidência) e as condições socioeconômicas da família. No Brasil existe uma crença entre os pediatras de que se a avó não conseguiu amamentar sua filha, ela provavelmente irá interferir na amamentação do seu neto. No presente estudo, não houve evidência de que o efeito intergeracional da amamentação era maior nas famílias extensivas.

Os resultados encontrados apóiam a hipótese de que aquelas mães que foram amamentadas por um maior período, também amamentarão os seus filhos por mais tempo. Uma vez que a incidência da amamentação foi praticamente universal, o poder estatístico para detectar uma associação estatisticamente significativa foi limitado, mas a magnitude de um efeito positivo – ainda que não tenha sido estatisticamente significativo – foi similar ao observado em outros estudos.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Bernardo L Horta
Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia
Universidade Federal de Pelotas
Caixa Postal 464
96001-970 Pelotas, RS, Brasil
E-mail: blhorta@uol.com.br

Recebido: 16/8/2005
Revisado: 20/9/2006
Aprovado: 29/9/2006
Financiado pela Organização Mundial da Saúde; Wellcome Trust; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Programa Nacional de Núcleos de Excelência (PRONEX).

 

 

* World Health Organization. Global data bank on breastfeeding; 2003. Available from http://www.who.int/nutrition/databases/infantfeeding /en/index.html [access in 2006 Nov 10]