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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910versão On-line ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.43  supl.2 São Paulo nov. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102009000900011 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Prevalência de excesso de peso e obesidade e fatores associados, Brasil, 2006

 

Prevalencia de exceso de peso y obesidad y factores asociados, Brasil, 2006

 

 

Denise Petrucci GiganteI; Erly Catarina de MouraII, III; Luciana Monteiro Vasconcelos SardinhaIII

IDepartamento de Nutrição. Programa de Pós-graduação em Epidemiologia. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, RS, Brasil
IINúcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde. Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil
IIICoordenação Geral de Doenças Crônicas não Transmissíveis. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, DF, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Estimar a prevalência de excesso de peso e obesidade e fatores associados.
MÉTODOS: Foram analisados dados referentes a indivíduos com idade >18 anos entrevistados pelo sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), realizado nas capitais brasileiras e Distrito Federal em 2006. Para 49.395 indivíduos, o índice de massa corporal (IMC) foi utilizado para identificar excesso de peso (IMC 25-30 kg/m2) e obesidade (IMC >30 kg/m2). Prevalência e razões de prevalência foram apresentadas segundo variáveis sociodemográficas, escolaridade e condição de saúde/comorbidades e auto-avaliação da saúde, estratificadas por sexo. Utilizou-se regressão de Poisson para análises brutas e ajustadas por idade.
RESULTADOS: A prevalência de excesso de peso foi de 47% para os homens e 39% para as mulheres, e de obesidade, 11% para ambos os sexos. Observou-se associação direta entre excesso de peso e escolaridade entre homens, e associação inversa entre mulheres. Obesidade foi mais freqüente entre os homens que viviam com companheira e não esteve associada com escolaridade ou cor da pele. As prevalências de excesso de peso e obesidade foram mais altas entre mulheres negras e que viviam com companheiro. A presença de diabetes, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemias, bem como considerar sua saúde como regular ou ruim, também foram referidas pelos entrevistados com excesso de peso ou obesidade.
CONCLUSÕES: Enquanto cerca de um de cada dois entrevistados foram classificados com excesso de peso, obesidade foi referida por um de cada dez entrevistados. Variáveis socioeconômicas e demográficas, bem como morbidades referidas, foram associadas com excesso de peso e obesidade. Esses resultados foram similares àqueles encontrados em outros estudos brasileiros.

Descritores: Obesidade, epidemiologia. Sobrepeso, epidemiologia. Fatores Socioeconômicos. Doença Crônica, prevenção & controle. Levantamentos Epidemiológicos. Brasil. Entrevista por telefone.


RESUMEN

OBJETIVO: Estimar la prevalencia de exceso de peso y obesidad y factores asociados.
MÉTODOS: Fueron analizados datos referentes a individuos con edad >18 años entrevistados por el Sistema de Vigilancia de Factores de Riesgo y Protección para Enfermedades Crónicas por Pesquisa Telefónica (VIGITEL), realizado en las capitales brasileras y Distrito Federal en 2006. Para 49.395 individuos, el índice de masa corporal (IMC) fue utilizado para identificar exceso de peso (IMC 25-30 kg/m2) y obesidad (IMC>30 kg/m2). Prevalencia y razones de prevalencia fueron presentadas según variables sociodemográficas, escolaridad y condición de salud/comorbilidades y auto-evaluación de la salud, estratificadas por sexo. Se utilizó regresión de Poisson para análisis brutos y ajustados por edad.
RESULTADOS: La prevalencia de exceso de peso fue de 47% para los hombres y 39% para las mujeres, y de obesidad, 11% para ambos sexos. Se observó asociación directa entre exceso de peso y escolaridad entre hombres, y asociación inversa entre mujeres. Obesidad fue más frecuente entre los hombres que vivían con compañera y no estuvo asociada con escolaridad o color de la piel. Las prevalencias de exceso de peso y obesidad fueron más altas entre mujeres negras y que vivían con compañero. La presencia de diabetes, hipertensión arterial sistémica y dislipidemias, bien como considerar su salud como regular o mala, también fueron referidas por los entrevistados con exceso de peso u obesidad.
CONCLUSIONES: Mientras cerca de uno de cada dos entrevistados fueron clasificados con exceso de peso, obesidad fue referida por uno de cada diez entrevistados. Variables socioeconómicas y demográficas, bien como morbilidades referidas, fueron asociadas con exceso de peso y obesidad. Estos resultados fueron similares a aquellos encontrados en otros estudios brasileros.


 

 

INTRODUÇÃO

Problemas crônicos associados com obesidade podem ser agrupados em: doenças cardiovasculares, condições associadas com resistência à insulina, alguns tipos de câncer e doença da vesícula.14 Indivíduos obesos apresentam pelo menos o dobro da chance de desenvolver diabetes, resistência à insulina, dislipidemia, apnéia, doença da vesícula, hipertensão, doença coronariana, osteoartrite e gota.14 Essas associações e o crescente aumento na prevalência de obesidade, bem como de outros fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como inatividade física, tabagismo, pressão e colesterol elevados são responsáveis por grande parcela dos gastos em saúde.15

A prevalência de obesidade tem aumentado em países de renda alta e baixa, entre adultos, adolescentes e crianças. Nos países de renda alta, a obesidade atinge principalmente a população menos privilegiada;13 já em países em desenvolvimento, a prevalência da obesidade é maior na população de maior renda.6 No entanto, na população brasileira, mais recentemente vem sendo observada maior ocorrência de obesidade entre os mais pobres.7

No Brasil, pesquisas de abrangência nacional mostram que as prevalências de excesso de peso e obesidade aumentaram na população adulta de forma diferenciada entre os sexos. No período entre 1974-75, a obesidade entre os homens triplicou e na população feminina com prevalência mais elevada no início do período, houve aumento de 50% em 2002 - 03. Esse aumento na prevalência de obesidade nas mulheres concentrou-se no período de 1974-75 a 1989, quando foram realizadas as duas primeiras pesquisas de abrangência nacional (Estudo Nacional da Despesa Familiar e Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição). Em relação ao excesso de peso, as mulheres também iniciaram o período com prevalência mais elevada, mas em 2002-03 a freqüência de excesso de peso foi semelhante em homens e mulheres. Ao analisar a evolução dessas prevalências em relação ao nível socioeconômico, houve aumento na ocorrência de obesidade para todas as categorias de renda entre os homens e somente entre as mulheres mais pobres. Por outro lado, entre indivíduos de maior renda, houve um declínio nas prevalências de obesidade e excesso de peso. A associação entre esses desfechos e menor escolaridade também tem sido observada em outras populações de diversos países.3

O objetivo do presente estudo foi estimar as prevalências de excesso de peso e obesidade, avaliando os fatores associados e o efeito do IMC sobre a ocorrência de morbidade referida.

 

MÉTODOS

Estudo transversal que utilizou dados do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), baseado em amostra probabilística da população de adultos (>18 anos) residentes em domicílios servidos por telefone fixo nas capitais brasileiras e Distrito Federal. O tamanho da amostra foi calculado para estudar a prevalência dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. Para assegurar 95% de nível de confiança e erro máximo de dois pontos percentuais para as estimativas foi necessário estudar pelo menos 2.000 indivíduos em cada cidade.

A partir do cadastro eletrônico das linhas residenciais, fornecido pelas empresas de serviço telefônico, foram sorteadas, sistematicamente 5.000 linhas telefônicas, por estratificação segundo região ou prefixo. Essas linhas foram re-sorteadas e divididas em 25 réplicas, reproduzindo a mesma proporção de linhas por região ou prefixo telefônico, utilizadas integralmente em número suficiente até se obter as entrevistas necessárias em cada cidade. Para cada linha telefônica elegível foram listados todos os moradores do domicílio com idade >18 anos e um deles foi sorteado para responder a entrevista. Outras informações sobre o procedimento amostral e métodos empregados nesse mencionado inquérito estão descritos em outras publicações.8,b

As entrevistas telefônicas foram realizadas entre agosto e dezembro de 2006. A aplicação do questionário foi feita mediante uso de computadores para leitura das perguntas e registro das respostas. Esse questionário abordou informações sobre características demográficas e socioeconômicas; características do padrão de alimentação e de atividade física; peso e altura referidos; freqüência de consumo de cigarros e bebidas alcoólicas; auto-avaliação do estado de saúde e referência de diagnóstico médico anterior de algumas doenças, entre outras questões.

Nas 27 cidades estudadas foram entrevistados 54.369 indivíduos pelo VIGITEL. A exclusão de 487 grávidas na ocasião da entrevista e de 4.487 pessoas que não informaram peso e/ou altura, resultou em 49.395 entrevistas válidas para o presente estudo, 20.622 (41,7%) homens e 28.773 (58,3%) mulheres. Do total, 61% tinham menos de 45 anos de idade.

Peso e altura auto-referidos foram utilizados para cálculo do índice de massa corporal (IMC - peso em quilogramas dividido pela altura em metros ao quadrado). Os desfechos analisados foram: excesso de peso (IMC>25 kg/m2); obesidade (IMC>30 kg/m2); e IMC em três categorias (<25; 25 a 29,9; e >30 kg/m2).

As variáveis explanatórias são: idade (18 a 24, 25 a 34, 35 a 44, 45 a 54, 55 a 64; >65 anos); escolaridade (até 4, 5 a 8, 9 a 11 ou >12 anos); cor da pele (branca ou não branca); união estável (sim/não); diabetes (sim/não); hipertensão arterial (sim/não); infarto, derrame ou acidente vascular cerebral (sim/não); dislipidemia (sim/não); osteoporose (sim/não); auto-avaliação da saúde como sendo ruim ou regular (sim/não).

Análises brutas e ajustadas foram estratificadas por sexo, exceto para a associação das categorias de IMC com morbidades referidas. Foram calculados a prevalência de excesso de peso e obesidade, e os respectivos intervalos de confiança por idade. Para analisar as associações de excesso de peso e obesidade com escolaridade, cor da pele e estado civil utilizou-se regressão de Poisson bruta e ajustada para sexo, idade e escolaridade entre as categorias de IMC. As morbidades referidas também foram analisadas por regressão de Poisson, considerando-se a ausência de doença como categoria de referência. Todas as análises consideraram o fator de ponderação atribuído aos entrevistados para corrigir as seguintes condições: maior chance de sorteio de um indivíduo residente em domicílio com mais de uma linha telefônica; menor chance de sorteio de um indivíduo residente em domicílio com maior número de moradores; e aumentar a representatividade da amostra em relação à composição sociodemográfica de cada município.10

Por se tratar de entrevista por telefone, o termo de consentimento livre e esclarecido foi substituído pelo consentimento verbal obtido por ocasião dos contatos telefônicos com os entrevistados. O VIGITEL foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Ministério da Saúde.

 

RESULTADOS

O excesso de peso foi mais prevalente entre homens e a prevalência de obesidade foi semelhante entre homens e mulheres. No entanto, excesso de peso e obesidade foram mais prevalentes entre mulheres mais velhas (55 anos ou mais). Prevalências de excesso de peso e obesidade aumentaram com a idade até os 54 anos entre homens, e 64 anos entre mulheres (Tabela 1).

Ao analisar a associação entre algumas variáveis sociodemográficas com excesso de peso, observou-se que menor escolaridade protegeu homens contra excesso de peso. Inversamente, prevalências mais altas de excesso de peso foram observadas entre mulheres com menor escolaridade (Tabela 2). Não houve associação bruta entre excesso de peso e cor da pele para ambos os sexos. No entanto, após ajuste para idade, a prevalência de excesso de peso foi 12% mais elevada entre mulheres não brancas, quando comparadas às brancas (p=0,001). Homens e mulheres que viviam em união estável tiveram maior chance de apresentar excesso de peso (Tabela 2).

A Tabela 3 mostra as associações entre obesidade e variáveis sociodemográficas. Entre homens, somente o estado conjugal mostrou associação com obesidade. Viver em união estável representou um risco cerca de duas vezes maior de obesidade. Embora esse efeito tenha sido menor quando ajustado para idade, a associação permaneceu significativa. Entre as mulheres, os efeitos da menor escolaridade e da cor da pele não branca foram maiores para obesidade do que para excesso de peso, enquanto o risco de viver em união estável foi semelhante para os dois desfechos.

A relação entre as categorias de IMC e morbidades referidas é apresentada na Tabela 4. As prevalências referidas de diabetes, hipertensão arterial sistêmica (HAS), infarto, derrame ou acidente vascular cerebral (AVC), dislipidemia e osteoporose foi maior entre indivíduos com IMC mais elevado. Todavia, após ajuste para sexo, idade e escolaridade, não se observou diferenças quanto à freqüência de infarto, derrame ou AVC e osteoporose entre as categorias de IMC. Após o ajuste, para entrevistados com IMC>35 kg/m2, a freqüência de diabetes referida foi mais de três vezes maior do que naqueles com IMC inferior a 25 kg/m2. A prevalência de HAS foi cerca de três vezes maior no grupo de IMC>35 kg/m2 em relação ao grupo de IMC inferior a 25 kg/m2, e de dislipidemia foi duas vezes maior. Também entre indivíduos com IMC elevado observou-se maior referência de saúde regular ou ruim: essa chance foi 26% maior para os indivíduos com IMC entre 25 e 29,9 kg/m2, versus 80% entre os entrevistados com IMC>35 kg/m2, comparados àqueles com IMC< 25 kg/m2 (Tabela 4).

 

DISCUSSÃO

O presente estudo apresenta a freqüência de excesso de peso e obesidade segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e algumas morbidades crônicas a partir de informações do VIGITEL. Esses resultados servirão de linha de base para analisar a evolução dessa morbidade na população adulta residente em capitais brasileiras.

As prevalências de excesso de peso e obesidade encontradas foram semelhantes àquelas obtidas pela POF em 2002/2003.ª Entre os homens estudados, essas prevalências foram mais elevadas nos diferentes grupos etários. Por outro lado, as freqüências de excesso de peso e obesidade entre mulheres estudadas foram mais baixas do que aquelas observadas na POF 2002/2003, com diferenças entre grupos etários. Em mulheres com até 34 anos, prevalência de excesso de peso foi menor do que aquela obtida em 2002-2003. Entre mulheres com 35 anos ou mais, a freqüência referida de excesso de peso foi mais elevada do que a freqüência medida pela POF. Para obesidade, os resultados do presente estudo foram semelhantes, com prevalência mais alta referida pelas mulheres de 65 anos ou mais. Essas diferenças podem ser decorrentes da forma de obtenção dos dados, medidos diretamente na POF, enquanto que o IMC calculado por peso e altura referidos é subestimado somente pelas mulheres.10

Em relação às variáveis socioeconômicas e demográficas, e a relação inversa entre escolaridade e os desfechos nutricionais haviam sido observadas na população feminina residente nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil.4 Entre os homens, uma análise da evolução da obesidade nessas regiões do País mostrou diminuição na relação positiva entre escolaridade e risco de obesidade.5 Embora nenhuma associação tenha sido observada entre escolaridade e obesidade nos homens do presente estudo, observou-se menor risco de excesso de peso nos grupos de menor escolaridade.

Diferenças nas prevalências de obesidade e excesso de peso em relação à cor da pele dos indivíduos estudados têm sido descritas em inquérito telefônico realizado nos Estados Unidos.2 No Brasil, entretanto, estudo com funcionários de uma universidade mostrou maior ganho de peso a partir dos 20 anos em mulheres negras com idade entre 30 e 70 anos, e nenhuma associação entre cor da pele e ganho de peso entre homens.1 Os resultados do presente estudo corroboram esses achados: as prevalências de excesso de peso e obesidade, ajustadas para a idade dos entrevistados, foram mais elevadas entre as mulheres não brancas, sem que qualquer diferença tenha sido observada entre os homens.

A relação entre união estável e a ocorrência de obesidade ou excesso de peso é consistente com resultados de estudos representativos da população dos Estados Unidos9,12,13 e o maior risco em indivíduos brasileiros que vivem em união estável está sendo apresentado pela primeira vez.

A influência da obesidade sobre doenças crônicas está bem estabelecida.14 Os resultados do presente estudo confirmam resultados sobre magnitude do efeito do IMC sobre diabetes, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, com riscos relativos de 2 ou mais, mesmo com base em morbidade auto-referida em inquérito por telefone. Para infarto, derrame ou AVC nenhuma associação foi observada com IMC. Sendo assim, baixas freqüências desses eventos poderiam ser conseqüência de viés de informação, ou ainda, do viés de sobrevivência, no qual pessoas com essas doenças que foram a óbito ou apresentavam seqüelas graves não foram incluídas no estudo. Pela baixa prevalência de infarto, derrame ou AVC, ou também de osteoporose, pequenas diferenças em magnitude poderiam não ter sido detectadas, ao contrário da constatação de diferenças no risco de ocorrência de diabetes entre indivíduos com obesidade ou excesso de peso.

Assim como para a população dos Estados Unidos entrevistada por telefone,2 os resultados do presente estudo mostraram associação entre IMC e maior chance de referir a saúde como ruim ou regular, indicando risco cerca de duas vezes maior do indivíduo obeso avaliar sua saúde ruim ou regular.

A similaridade entre prevalência de excesso de peso e obesidade obtida no presente estudo e em amostra representativa da população adulta brasileira, pesada e medida em outro estudo,ª sugere a validade desse tipo de inquérito na avaliação da freqüência de fatores de risco para doenças crônicas. Embora as diferenças em relação ao último inquérito possam ter decorrido de viés de informação, elas podem estar relacionadas a aumentos reais nas prevalências entre os homens e certa estabilidade nas mulheres. Estudos locais, com populações específicas, em diferentes regiões do País, podem contribuir para o esclarecimento dessa questão. Por outro lado, avaliação de tendência e evolução dessas prevalências pode ser realizada com a aplicação periódica dos inquéritos telefônicos.

Concluindo, o presente estudo permitiu a identificação de fatores associados à obesidade e sobrepeso, possibilitando o estabelecimento de medidas de prevenção e controle por meio de políticas públicas propostas com base na periodicidade e curto intervalo para obtenção dessas informações por meio de inquéritos telefônicos.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência | Correspondence:
Denise Petrucci Gigante
Universidade Federal de Pelotas
Caixa-Postal: 354
96010-900 Pelotas, RS Brasil
E-mail: denise.gigante@terra.com.br

Recebido: 28/11/2008
Revisado: 28/7/2009
Aprovado: 28/8/2009

 

 

Artigo submetido ao processo de julgamento por pares adotado para qualquer outro manuscrito submetido a este periódico, com anonimato garantido entre autores e revisores. Editores e revisores declaram não haver conflito de interesses que pudesse afetar o processo de julgamento do artigo.
Os autores declaram não haver conflito de interesses.
a Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2002-2003. Análise da disponibilidade domiciliar de alimentos e do estado nutricional no Brasil. Rio de Janeiro; 2004.

b Ministério da Saúde. VIGITEL Brasil 2006. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre freqüência e distribuição sócio-demográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2006. Brasília; 2007.

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