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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.44 no.5 São Paulo out. 2010 Epub 27-Ago-2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102010005000027 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Fatores associados à atividade física em adultos, Brasília, DF

 

Factores asociados con la actividad física en adultos, Brasilia, Brasil

 

 

Priscilla Marcondelli Dias ThomazI; Teresa Helena Macedo da CostaI; Eduardo Freitas da SilvaII; Pedro Curi HallalIII

IFaculdade de Ciências da Saúde. Universidade de Brasília (UnB). Brasília, DF, Brasil
IIDepartamento de Estatística. Instituto de Ciências Exatas. UnB. Brasília, DF, Brasil
IIIPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, RS, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Descrever a prática de atividade física por adultos e identificar fatores associados.
MÉTODOS: Estudo transversal com amostragem por conglomerados das quatro regiões de Brasília, DF, em 20062007. A amostra de 469 adultos foi obtida em 250 domicílios selecionados aleatoriamente. Dados sociodemográficos, peso e altura foram obtidos durante uma entrevista no domicílio. O questionário internacional de atividade física (Ipaq), versão curta, foi utilizado para a mensuração da atividade física. Para se avaliar o efeito do sexo, índice de massa corporal (IMC), classificação socioeconômica e estado civil sobre o escore de atividade física, foi realizada uma análise de regressão linear multivariável.
RESULTADOS: A maioria da amostra era composta por mulheres (57%). O percentual de indivíduos que atingiu 150 minutos semanais de prática de atividade física foi de 52% (IC 95%: 47; 56) e de inativos de 21,5% (IC 95%: 17,8;25,3). Somente nos homens foi observada uma associação inversa entre atividade física e IMC. Os tipos de atividades físicas relatados diferiram entre os sexos: entre mulheres, caminhar e fazer serviços domésticos; entre os homens, pedalar, correr, nadar e fazer exercícios com pesos. Houve uma forte interação entre sexo masculino e IMC para a associação com o escore de atividade física: quanto maior o IMC, menor o escore de atividade física.
CONCLUSÕES: A parcela de indivíduos inativos em Brasília pode ser considerada baixa, em contraste com estimativas de outras cidades brasileiras. Diferenças entre sexos em relação a IMC e escore de atividade física estão associadas ao tipo de atividade física praticada.

Descritores: Adulto. Atividade Motora. Índice de Massa Corporal. Fatores Socioeconômicos. Gênero e Saúde. Estudos Transversais.


RESUMEN

OBJETIVO: Describir la práctica de actividad física por adultos e identificar factores asociados.
MÉTODOS: Estudio transversal con muestreo por conglomerados de las cuatro regiones de Brasilia, Centro Oeste de Brasil, en 2006-2007. La muestra de 469 adultos fue obtenida en 250 domicilios seleccionados aleatoriamente. Datos sociodemográficos, peso y altura fueron obtenidos durante una entrevista en domicilio. El cuestionario internacional de actividad física (Ipaq), versión corta, fue utilizado para la medición de la actividad física. Para evaluarse el efecto del sexo, índice de masa corporal (IMC), clasificación socioeconómica y estado civil sobre el escore de actividad física, se realizó análisis de regresión lineal multivariable.
RESULTADOS: La mayoría de las muestras estaba compuesta por mujeres (57%). El porcentaje de individuos que alcanzó 150 minutos semanales de práctica de actividad física fue de 52% (IC 95%: 47;56) y de inactivos de 21,5% (IC 95%: 17,8;25,3). Solamente en los hombres se observó asociación inversa entre actividad física e IMC. Los tipos de actividades físicas relatados difirieron entre los sexos: entre mujeres, caminar y hacer servicios domésticos; entre los hombres, pedalear, correr, nadar y hacer ejercicios con pesos. Hubo una fuerte asociación con el escore de actividad física: cuanto mayor el IMC, menor el escore de actividad física.
CONCLUSIONES: La parcela de individuos inactivos en Brasilia puede ser considerada baja, en contraste con estimaciones de otras ciudades brasileras. Diferencias entre sexos con relación a IMC y escore de actividad física están asociadas al tipo de actividad física practicada.

Descriptores: Adulto. Actividad Motora. Índice de Masa Corporal. Factores Socioeconómicos. Género y Salud. Estudios Transversales.


 

 

INTRODUÇÃO

A prática de atividade física está relacionada à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e à melhoria da saúde em geral e da qualidade de vida.3 A prática regular de atividade física reduz em 35% o risco de morte por doenças cardiovasculares e em 33% a mortalidade por todas as causas.13

A atividade física é um comportamento complexo influenciado por vários fatores, dentre eles: idade, nível socioeconômico, educação e sexo. Contudo, existem controvérsias sobre a influência desses fatores nos níveis de atividade física da população brasileira, sobretudo pelo fato de a atividade física estar presente basicamente em quatro domínios (lazer, trabalho, serviços domésticos e deslocamentos). Os fatores associados à prática de atividade física em cada domínio são diferentes.1,2,6

Brasília é uma cidade que oferece a seus habitantes a opção de se exercitarem ao ar livre em vários parques, e em avenidas longas e planas. Porém, existe um número reduzido de pedestres em Brasília devido à arquitetura da cidade, que desfavorece os deslocamentos a pé. Por outro lado, tem havido aumento de academias de ginástica, que favorece a prática de atividade física mesmo em épocas de chuva. Apesar dessas opções, considera-se a hipótese de boa parte da população brasiliense ser sedentária. Uma característica de seus habitantes adultos é que grande parcela é de funcionários públicos com jornada de seis a oito horas diárias de trabalho, cuja atividade ocupacional é muito leve, permanecendo sentados a maior parte do tempo.

O objetivo do presente estudo foi descrever a prática de atividade física por adultos e identificar fatores associados.

 

MÉTODOS

Foi realizado estudo transversal de base populacional, com sorteio de domicílios por conglomerados. O cálculo de tamanho de amostra foi baseado nos 82.680 domicílios cadastrados na Companhia Energética de Brasília, cuja cobertura é de 100%.

No cálculo da amostra manteve-se o erro alfa em 5% e considerou-se a prevalência de atividade física abaixo de 150 minutos semanais de 80%, segundo estudo prévio com trabalhadores adultos do Distrito Federal.17 Nesses termos, o número amostral totalizou 250 domicílios, mantendo-se a proporcionalidade em cada uma das quatro regiões de Brasília: Asa Sul (113 domicílios, 45%), Asa Norte (117 domicílios, 47%), Vila Planalto (dez domicílios, 4%) e Setor Militar Urbano (dez domicílios, 4%). Em cada domicílio foram entrevistados todos os moradores com idade igual ou superior a 20 anos, no período de março de 2005 a novembro de 2006.

Houve a necessidade de substituir 53% dos domicílios sorteados por motivos como: residência sem morador, endereço comercial e recusa de todos os moradores em participar da pesquisa.

A recusa em responder à pesquisa foi de 13% dos indivíduos, com maior concentração na Vila Planalto. A partir dos 250 domicílios visitados, obteve-se amostra de 469 indivíduos entrevistados, sendo 57% do sexo feminino.

Aplicou-se um questionário para coleta de dados de identificação, demográficos e socioeconômicos, além de medidas antropométricas e informações sobre atividades rotineiras, como: horas de sono, tempo gasto sentado, comendo, assistindo televisão e no computador. Foi elaborada uma questão para o indivíduo apontar a razão para manter seu padrão de atividade física, composta por 14 respostas fechadas e uma aberta, com opção de apenas uma resposta. As respostas foram subdivididas em duas partes, descrevendo aspectos positivos e negativos relacionados com a prática de atividade física. Para analisar a atividade física durante o trabalho, lazer, serviços domésticos e deslocamento realizada na última semana, foi utilizado o questionário internacional de atividade física (Ipaq), versão curta.

O Ipaq é um questionário proposto pela Organização Mundial de Saúde e utilizado para estimar o nível da prática habitual de atividade física de populações de diferentes países e contextos socioculturais, tendo sido validado em âmbito internacional5 e no Brasil.11 O Ipaq possui coeficientes de validação e reprodutividade similares aos de outros instrumentos, com vantagem de ser prático, rápido e possibilitar levantamentos de grandes grupos populacionais, representando uma ótima alternativa para comparações entre estudos.11

Todos os questionários foram testados previamente em estudo piloto com 25 funcionários de um centro universitário de Brasília e ajustados quando necessário. Os entrevistadores envolvidos na pesquisa foram treinados visando à padronização dos procedimentos. Foram realizados cinco encontros com a equipe no período da coleta para avaliar a reprodutibilidade entre os equipamentos de antropometria (balanças e estadiômetros) e os avaliadores. Em relação aos equipamentos, não houve diferença significativa na análise de variância (p = 0,14) entre as balanças e entre os estadiômetros (p = 0,12). Na avaliação da reprodutibilidade entre os avaliadores não foi observada diferença estatisticamente significativa na análise de variância (p = 0,22).

Inicialmente, foi enviada uma correspondência aos moradores informando-os sobre os objetivos da pesquisa e a visita dos entrevistadores. No caso de moradores indecisos ou de difícil acessibilidade, os entrevistadores agendavam a visita conforme conveniência do entrevistado. Após assinatura do termo de consentimento, os entrevistadores aplicavam o questionário e aferiam peso e estatura dos moradores de acordo com a metodologia descrita por Jelliffe (1996).9 Foram utilizadas três balanças digitais com capacidade de 150 quilos e precisão de 100 gramas (Plenna, São Paulo, Brasil) e três estadiômetros portáteis (Alturexata, Belo Horizonte, Brasil), com 2,13 metros e precisão de 0,1 centímetro. Essas mensurações foram utilizadas para avaliar indiretamente o estado nutricional dos sujeitos pelo índice de massa corporal (IMC) e comparar os valores de peso e estatura medidos com os auto-referidos pelos participantes nos questionários.

Após a entrevista, os entrevistadores entregavam um folheto educativo sobre atividade física. Todos os dados do questionário eram preenchidos durante a entrevista e em casos de esclarecimentos utilizou-se o contato telefônico posteriormente. Todo o banco de dados foi revisto e eventuais erros de digitação e entrada de dados foram corrigidos.

Os níveis de atividades físicas foram analisados pelo tempo de atividade física de acordo com a recomendação de 150 minutos de atividade por semana.14,19 O tempo de atividade física semanal foi obtido somando-se os minutos despendidos em caminhadas e em outras atividades físicas moderadas, e com atividades físicas vigorosas multiplicando esses minutos por 2.6 Os entrevistados foram classificados em quatro diferentes níveis de atividade física, de acordo com o escore obtido em minutos: 0, inativo; 1 a 149, insuficientemente ativo; 150 a 499, ativo; e" 500, muito ativo.6 O tipo de atividade física mais praticado por cada sujeito foi classificado em cinco grupos: 1. caminhada (tanto como forma de transporte, lazer, prazer ou exercícios, acompanhado ou não); 2. pedalar, correr, nadar; 3. atividades em grupo (esportes coletivos); 4. musculação (exercícios com peso); e 5. serviços domésticos.

Em relação ao IMC, utilizou-se classificação da OMS.20

Para a avaliação do poder aquisitivo, utilizou-se o Critério de Classificação Econômica Brasil.ª

Os resultados foram inicialmente analisados por meio de estatísticas descritivas. Para se avaliar o efeito do sexo, IMC, classificação socioeconômica e estado civil sobre o escore de atividade física foi realizada uma análise de regressão linear multivariável.

O índice de inflação de variância indicou que as variáveis independentes não apresentavam colinearidade entre si, com valor aproximadamente igual a um para todas elas.

Para se avaliar a associação entre tipo de atividade com relação ao sexo, idade, classificação socioeconômica e IMC, foi utilizado o teste de qui-quadrado de Rao-Scott, o qual consiste em um teste de qui-quadrado de Pearson corrigido para o efeito do delineamento complexo utilizado no estudo.16

Todas as informações foram tabuladas em planilha eletrônica e analisadas no software SAS versão 9.1.3, utilizando nível de significância de p < 0,05.

O projeto foi aprovado pelo comitê de ética da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília em 9/12/2004 (Nº do protocolo 101/2004) e todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

 

RESULTADOS

A média de idade foi de 44 anos (DP = 16), variando de 20 a 91 anos. Quanto à classificação socioeconômica, 81% dos indivíduos pertenciam aos grupos com maior nível econômico (A e B), 12% ao grupo C e 7%, aos grupos D e E. A média de escolaridade foi de 13 anos, com variação entre 9 e 17 anos e mediana de 15 anos. Quanto ao estado civil, 57% era de casados, 30% solteiro, 10% divorciado e 3% viúvo. Quanto à prática semanal de atividades físicas, 22% dos indivíduos foram considerados inativos, 26% insuficientemente ativos, 35% ativos e 17% muito ativos (Tabela).

Dentre os cinco tipos de atividades físicas agrupados, a caminhada foi o tipo mais freqüente, seguido pelas atividades em grupo e exercícios com peso (Tabela). O teste de qui-quadrado de Rao-Scott mostrou associação entre o tipo de atividade física e o sexo (p = 0,0092), mostrando que os homens realizam mais atividades como correr, nadar, pedalar e fazer exercícios com peso, enquanto as mulheres, caminhar e realizar serviços domésticos.

Quando perguntados sobre a "razão para manter o padrão de atividade física", 55% dos indivíduos direcionaram a resposta para o principal motivo pelo qual praticam exercícios e 45% relatou a principal razão de se manterem sedentários. A grande maioria dos indivíduos (52,4%) afirmou praticar atividade física para promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida, 18% por fatores estéticos ou por obrigação, 16,8% por prazer e 12,8% por indicação médica. Em contrapartida, 51% dos indivíduos justificaram o comportamento negativo em relação à prática de atividade física pela falta de tempo; 27,4% por falta de disposição; 5,8% por problemas de saúde e 15,8% por outros motivos (não gosta, clima desfavorável, falta de hábito, falta de recursos financeiros e falta de local adequado).

Quanto aos valores de peso e estatura medidos e referidos, o peso medido tendeu a ser em média muito próximo ao peso referido e a altura tendeu a ser em média levemente inferior à altura referida (resultados não apresentados).

Em relação ao IMC, constatou-se que 52,7% dos indivíduos eram eutróficos (desses, 1,5% era de pessoas magras), 32,6% estava com sobrepeso e 14,7% foi considerado obeso. O sexo feminino apresentou-se associado a IMC mais baixo e o masculino a IMC mais alto (p < 0,0001) (Tabela).

Baseado no resultado da regressão linear multivariável, somente para o sexo masculino, a interação entre sexo e IMC mostrou-se significativa (p = 0,026): quanto maior o IMC, menor o escore de atividade física (Figura).

 

 

DISCUSSÃO

Os resultados do presente estudo mostram a associação de sexo e IMC relacionado com o escore de atividade física, sobretudo para os homens.

A explicação para esse achado pode estar relacionada à associação encontrada entre o tipo de atividade e o sexo, em que os homens realizam atividades vigorosas, como correr, nadar e pedalar, e exercícios com peso. As mulheres, por sua vez, realizam, com maior freqüência, caminhada e serviços domésticos. De modo semelhante, o estudo de McMurray et al,12 (1998) realizado com 1.664 indivíduos empregados, concluiu que, quanto maior o nível de atividade física, menor a gordura corporal e o peso dos indivíduos do sexo masculino, relação não observada entre as mulheres. Huang et al8 (1998) encontraram indivíduos mais ativos com menor IMC, de ambos os sexos, em uma amostra de 3.495 homens e 1.175 mulheres com mais de 40 anos. Em estudo de Lee et al10 (2001) com mulheres (n = 39.972), observa-se que as mais ativas possuíam média de IMC menor que as menos ativas. O reconhecimento das diferenças entre os sexos pode ser importante na elaboração de estratégias de intervenção na prática de atividade física na população brasiliense.

Os resultados encontrados diferem daqueles observados em outros estudos, sobretudo pelas diversas formas de operacionalização das variáveis relacionadas à prática de atividade física e pelos diversos instrumentos utilizados para esse fim. O Ministério da Saúde, em uma pesquisa de Vigilância em Saúde realizada por telefone em 2007,b relatou que a freqüência de adultos que praticam atividade física suficiente no lazer foi pequena em todas as cidades estudadas, variando de 11,3% em São Paulo (SP) a 20,5% em Vitória (ES). No DF foi observado um percentual de 17,2%, em que mais homens praticam atividade física suficiente no lazer do que mulheres.b Como nosso estudo avaliou as atividades realizadas em quatro domínios, seria inadequado comparar os achados. Na mesma pesquisa do Ministério da Saúdeb observou-se que a freqüência de adultos (de ambos os sexos) suficientemente ativos no lazer aumentou conforme a escolaridade.

Essa relação não foi observada no nosso estudo, provavelmente devido à pequena heterogeneidade de nível socioeconômico na amostra.

Segundo a pesquisa do Ministério da Saúde,b a maioria da população brasileira não possui níveis de prática de atividade física mínimos para garantir melhorias à saúde. Foi observada uma freqüência elevada de inatividade física entre adultos em todas as cidades estudadas, variando de 24,9% em Porto Velho (RO) a 32,8% em Recife (PE) e, em média, 29% dos indivíduos foram considerados inativos e quase metade acima do peso considerado normal.b Obesidade e inatividade são relevantes para a saúde, uma vez que estão relacionadas com várias doenças crônicas, sobretudo as cardiovasculares.4,15,18

Um estudo realizado por Hallal et al7 (2008) em Pelotas (RS), com 3.100 indivíduos, também utilizou o Ipaq e classificou os sujeitos em grupos com IMC "normal" (< 25,0 kg/m²), "sobrepeso" (25-29,9 kg/m²) e "obesos" (e" 30 kg/m²). Assim como no presente estudo, não houve diferença entre o IMC e o nível de atividade física. No entanto, mais indivíduos com IMC adequado foram considerados insuficientemente ativos (71,6%), em comparação com nosso estudo (48%). Uma hipótese para a divergência nos resultados pode estar relacionada a aspectos favoráveis a Brasília, como o elevado nível socioeconômico e alta escolaridade (média de 13 anos de estudo) da amostra estudada, variáveis relacionadas à compreensão e ao envolvimento em atividades físicas,b enquanto no estudo de Pelotas a escolaridade média foi de oito anos.

Além dos aspectos individuais, a cidade apresenta fatores próprios e arquitetônicos que favorecem a prática de atividade física, tais como: terreno plano em praticamente toda a cidade, parques amplos e acessíveis aos moradores, quadras e áreas equipadas para ginástica, grandes vias disponíveis aos domingos para o lazer e esporte, entre outros. Esses fatores facilitam intervenções a curto prazo visando ampliar o percentual de moradores praticantes de atividade física. As atividades de promoção de ginástica nas quadras de Brasília, passeios de bicicleta aos finais de semana e atividades de lazer nos parques da cidade podem, aos poucos, conscientizar a população sobre a importância de uma atividade física regular para a melhoria da saúde. Tais atividades, sobretudo de maior intensidade física, devem ser direcionadas para atrair homens e, em especial, mulheres.

Adicionalmente, medidas de mais longo prazo para favorecer a atividade física, sobretudo no deslocamento, seriam: aprimorar o sistema viário e de revitalização do comércio próximo às áreas residenciais e construir passagens mais acessíveis aos pedestres e ciclovias mais seguras. A cidade não favorece uma independência do indivíduo dos meios de transportes automotivos, o que acarreta o sedentarismo da população, além de aumentar a poluição ambiental.

Em conclusão, as diferenças de atividades físicas entre homens e mulheres de Brasília são úteis para direcionar ações de intervenção no sentido de aumentar a prática de exercícios nessa população.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência | Correspondence:
Priscilla Marcondelli Dias Thomaz
Departamento de Nutrição
Universidade de Brasília
70910-900, Brasília, DF
E-mail: priscilla.nutricionista@gmail.com

Recebido: 16/9/2009
Aprovado: 15/3/2010

 

 

Artigo baseado na tese de doutorado de Marcondelli PDT, apresentada à Universidade de Brasília, em 2009.
Os autores declaram não haver conflitos de interesses.
a Associação Nacional de Empresas de Pesquisa. Critério de classificação econômica Brasil. São Paulo, 1996.
b Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Vigitel Brasil 2007: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF; 2008.