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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.45 no.1 São Paulo Feb. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102011000100018 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Validação brasileira do Instrumento de Qualidade de Vida/espiritualidade, religião e crenças pessoais

 

Validación Brasileña del Instrumento Calidad de Vida relacionada con la Espiritualidad, Religión y Creencias Personales

 

 

Raquel Gehrke PanziniI, II; Camila MaganhaI; Neusa Sica da RochaI; Denise Ruschel BandeiraIII; Marcelo P FleckIV

IPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas: Psiquiatria. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil
IISecretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil
IIIDepartamento de Psicologia do Desenvolvimento e Personalidade. Instituto de Psicologia. UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil
IVDepartamento de Psiquiatria. Faculdade de Medicina. UFRGS. Porto Alegre, RS, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar propriedades psicométricas do Instrumento de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde - Módulo Espiritualidade, Religiosidade e Crenças Pessoais (WHOQOL-SRPB).
MÉTODOS: O WHOQOL-SRPB, a Escala de Coping Religioso/Espiritual Abreviada (CRE-Breve), o WHOQOL-Breve e o BDI foram consecutivamente aplicados em amostra de conveniência de 404 pacientes e funcionários de hospital universitário e funcionários de universidade, em Porto Alegre, RS, entre 2006 e 2009. A amostra foi estratificada por sexo, idade, estado de saúde e religião/crença. O reteste dos dois primeiros instrumentos foi realizado com 54 participantes. Análises fatoriais exploratórias do WHOQOL-SRPB pelo método dos componentes principais foram realizadas sem delimitar o número de fatores, solicitando oito fatores e em conjunto com os itens do WHOQOL-Breve.
RESULTADOS: O WHOQOL-SRPB em português brasileiro (Domínio SRPB-Geral) apresentou validade de construto, com validade discriminativa entre crentes de não-crentes (t = 7,40; p = 0,0001); validade relacionada ao critério concorrente, discriminando deprimidos de não-deprimidos (t = 5,03; p = 0,0001); validade convergente com o WHOQOL-Breve (com físico r = 0,18; psicológico r = 0,46; social r = 0,35; ambiental r = 0,29; global r = 0,23; p = 0,0001) e com o Domínio SRPB do WHOQOL-100 (r = 0,78; p = 0,0001); e validade convergente/discriminante com a Escala CRE-Breve (com CREpositivo r = 0,64; p = 0,0001/CREnegativo r = -0,03; p = 0,554). Observou-se excelente fidedignidade teste-reteste (t = 0,74; p = 0,463) e consistência interna (
α = 0,96; correlação intrafatorial 0,87 > r > 0,60, p = 0,0001). As análises fatoriais exploratórias realizadas corroboraram a estrutura de oito fatores do estudo multicêntrico do WHOQOL-SRPB.
CONCLUSÕES: O WHOQOL-SRPB em português brasileiro apresentou boas qualidades psicométricas, sendo válido e fidedigno para uso no Brasil. Sugerem-se novos estudos com populações específicas, como diferentes religiões, grupos culturais e/ou doenças.

Descritores: Qualidade de Vida. Religião. Espiritualidade. Questionários. Tradução (Produto). Organização Mundial da Saúde. Estudos de Validação. WHOQOL.


RESUMEN

OBJETIVO: Analizar propiedades psicométricas del Instrumento de Calidad de Vida de la OMS - Módulo Espiritualidad, Religiosidad y Creencias Personales (WHOQOL-SRPB).
MÉTODOS: El WHOQOL-SRPB, la Escala de Coping Religioso/Espiritual Abreviada (CRE-Breve), el WHOQOL-Breve y el BDI fueron consecutivamente aplicados en muestra de conveniencia de 404 pacientes y funcionarios de hospital universitario y funcionarios de universidad, en Porto Alegre, Sur de Brasil, entre 2006 y 2009. La muestra fue estratificada por sexo, edad, estado de salud y religión/creencia. La reevaluación de los dos primeros instrumentos fue realizada por 54 participantes. Análisis factoriales exploratorias del WHOQOL-SRPB por el método de los componentes principales fueron realizadas, sin delimitar el número de factores, solicitando ocho factores y en conjunto con los itens del WHOQOL-Breve.
RESULTADOS: El WHOQOL-SRPB en portugués-brasileño (Dominio SRPB-General) presentó validez de constructo, con validez discriminativa entre creyentes de no creyentes (t=7,40; p=0,0001); validez relacionada con el criterio concurrente, discriminando deprimidos de no deprimidos (t=5,03; p=0,0001); validez convergente con el WHOQOL-Breve (con físico r=0,18; psicológico r=0,46; social r=0,35; ambiental r=0,29; global r=0,23; p=0,0001) y con el Dominio-SRPB del WHOQOL-100 (r=0,78; p=0,0001); y validez convergente/discriminante con la Escala CRE-Breve (con CRE positivo r=0,64; p=0,0001/CRE negativo r=-0,03; p=0,554). Se observó excelente fidedignidad test-retest (t=0,74; p=0,463) y consistencia interna (
α=0,96; correlación intrafactorial 0,87>r>0,60, p=0,0001). Los análisis factoriales exploratorios realizados corroboran la estructura de ocho factores de estudio multicéntrico del WHOQOL-SRPB.
CONCLUSIONES: El WHOQOL-SRPB en portugués-brasileño presentó buenas cualidades psicométricas, siendo válido y fidedigno para uso en Brasil. Se sugieren nuevos estudios con poblaciones específicas, como diferentes religiones, grupos culturales y/o enfermedades.

Descriptores: Calidad de Vida. Religión. Espiritualidad. Cuestionario. Traducción (Producto). Organización Mundial de la Salud. Estudios de Validación. WHOQOL.


 

 

INTRODUÇÃO

Existe crescente valorização da perspectiva do paciente para compreensão do fenômeno saúde-doença. Espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais são dimensões extremamente valorizadas em diferentes culturas, particularmente com relação a pacientes. No Brasil, os crentes compõem 95,3% da população.ª Entretanto, por razões que envolvem preconceito, desinteresse ou dificuldades em medir variáveis tão complexas, essas dimensões têm seu estudo negligenciado, seja como desfecho, seja como variáveis preditivas de desfechos em saúde.

Estudos sugerem estreita relação entre espiritualidade/religiosidade e qualidade de vida (QV). Enquanto alguns mostram associações positivas da dimensão espiritual/religiosa com as dimensões social e psicológica de QV (bem-estar, satisfação de vida, estabilidade no casamento, valores pró-sociais), outros mostram associações negativas (ansiedade, depressão, suicídio e comportamentos de risco).10,12,13 Espiritualidade e religiosidade são freqüentemente citadas como fatores protetores à saúde,3,11,13 representam características adaptativas da vida, segundo a Psicologia Positiva.17 Contudo, a maioria dos instrumentos que avaliam QV não as incluem como um de seus domínios ou restringem-se à sua inclusão em outros domínios, como psicológico e social. Isso impossibilita a investigação de impacto ou da contribuição da espiritualidade para a QV.22 O Instrumento de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-100)5 é um dos instrumentos que inclui a dimensão Espiritualidade, Religião e Crenças Pessoais (SRPB, em inglês) como um domínio de QV. Embora a importância dessa dimensão tenha sido constatada por grupos focais em diferentes centros e culturas,9,18,21 sua representação é dada por uma única faceta,21 relacionada ao sentido na vida e crenças pessoais.22 Testes de campo do WHOQOL-100 e estudos posteriores5,16,18 mostraram que quatro itens eram insuficientes para mensurar essa variável/dimensão. Assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu o Módulo SRPB para o WHOQOL, numa perspectiva transcultural.22

Seguindo a metodologia WHOQOL, 18 centros em 15 países (incluindo o Brasil) distribuídos em quatro regiões (América, Oriente Médio, Europa e Ásia) realizaram 92 grupos focais para revisar as facetas SRPB propostas por especialistas e sua importância, e para sugerir novos itens. Foi realizado teste-piloto multicêntrico com 15 facetas e 105 itens, resultando num instrumento com oito facetas e 32 itens. Ao contrário de outros instrumentos desenvolvidos pelo Grupo WHOQOL, não foi realizado o teste de campo dessa versão piloto.22 Foram realizados 15 grupos focais com 142 pessoas (pacientes, profissionais de saúde, religiosos e ateus) que fizeram suas sugestões e consideraram adequadas as facetas sugeridas pela OMS. O instrumento piloto foi administrado junto com o WHOQOL-100 em duas cidades no sul do Brasil (Porto Alegre e Santa Maria, RS, 253 participantes em cada cidade), e os dados, enviados para a análise multicêntrica.8

Assim, o objetivo do presente artigo foi analisar as propriedades psicométricas do WHOQOL-SRPB.

 

MÉTODOS

A amostra foi obtida por conveniência, entre 2006 e 2009, segundo critérios da OMSb para o projeto WHOQOL-SRPB, e recrutada para obter 50% de indivíduos masculinos, 50% com idade inferior a 45 anos e 50% doentes. Além disso, deveria reproduzir os diferentes níveis educacionais e socioeconômicos e o perfil de crenças religiosas/espirituais de cada centro, assim como foi tomada por base a cidade de Porto Alegre, RS.

O grupo dos doentes foi composto por pacientes hospitalizados ou ambulatoriais de hospital universitário de Porto Alegre. Como "saudáveis" foram incluídos funcionários do hospital ou da universidade que responderam negativamente a três questões: uso de medicação regular, realização de consultas de saúde no último mês e presença de diagnóstico de doença clinicamente significativa; exceto: uso de anticoncepcionais, florais ou vitaminas autoprescritas; consultas de rotina, revisão ou avaliação de saúde laboral.

A proporcionalidade do tipo de crença religiosa ou espiritual (e.g. católico, afro-brasileiro, espírita e outras) na população do estado15 e da ausência dessas crenças foi reproduzida, com ajuste das necessidades estatísticas de número mínimo de indivíduos por grupo critério (Tabela 2). Os que não possuíam religião foram conceitualmente classificados em dois grupos distintos: espiritualizados sem religião (acreditam em Deus, mas não em uma religião específica) e ateus e agnósticos (não acreditam em Deus ou têm dúvidas quanto à Sua existência, respectivamente). Aqueles com mais de uma crença foram classificados segundo maior identidade e/ou freqüência religiosa/espiritual. Formaram-se 56 grupos critério de participantes (Tabela 2).

Foi aplicado um questionário geral sobre os seguintes aspectos: demográfico (idade, sexo, escolaridade, nível socioeconômico, situação conjugal, procedência e ocupação); estado de saúde (qualidade, categoria, problema atual, medicação, consultas, diagnóstico, tratamento); e religiosidade (crença ou não em Deus, religião ou crença do participante, ajuda da religião/espiritualidade para manejar situações estressantes, importância da religião, freqüência religiosa e freqüência de atividades religiosas privativas,11 como oração, meditação e leituras).

Os demais instrumentos aplicados foram:

Inventário Beck de Depressão (BDI4), composto por 21 questões de sintomatologia depressiva, cujo escore é obtido pela soma dos itens (0 a 63), com ponto de corte para depressão > 12. A consistência interna do inventário varia entre 0,70 e 0,92 para as amostras não-clínica, médico-clínica e psiquiátrica.

• Escala de Coping Religioso-Espiritual Abreviada (Escala CRE-Breve),14 que possui 49 itens divididos em duas dimensões (CRE Positivo, 34 itens, sete fatores; e CRE Negativo, 15 itens, quatro fatores), quatro índices gerais e 11 fatoriais pela média dos itens, resultados de 1 a 5 para utilização de CRE [nenhuma ou irrisória (1,00 a 1,50); baixa (1,51 a 2,50); média (2,51 a 3,50); alta (3,51 a 4,50); altíssima (4,51 a 5,00)]. Consistência interna α = 0,93 (CRE Positivo α = 0,95; CRE Negativo α = 0,79) e entre 0,60 e 0,89 para os fatores. Inclui questão descritiva sobre a maior situação de estresse dos últimos três anos, a partir da qual o participante responde à escala. Foram adicionadas duas questões: atribuição de valor ao grau de estresse percebido e classificação da situação de estresse vivenciada.

• Instrumento de Qualidade de Vida da OMS Abreviado (WHOQOL-Bref7), com 26 itens, quatro domínios, um índice global e quatro para os domínios pela média dos itens, resultados de 0 a 100. Consistência interna α = 0,91 e entre 0,69 e 0,84 para os domínios. O índice global não se refere à média de todos os domínios, e sim à de dois itens não pertencentes aos quatro fatores (saúde global e qualidade de vida global).

• Instrumento WHOQOL-SRPB22 (Tabela 1), com 32 itens, oito facetas, um índice geral do domínio e oito fatoriais pela média dos itens, resultados de 4 a 20. Consistência interna α = 0,91 e entre 0,77 e 0,95 para as facetas (resultados do teste piloto multicêntrico22). Utilizamos resultados de 0 a 100, facilitando a comparação com outros instrumentos WHOQOL. Adicionalmente, ao final desse instrumento foram acrescentadas as questões componentes do Domínio-6-SRPB do WHOQOL-100, para fins de comparação com o WHOQOL-SRPB.

 

 

Os critérios de inclusão eram: explícita voluntariedade na participação, ter 18 anos ou mais, possuir escolaridade mínima 2º ano do Ensino Fundamental, ter condições de responder aos instrumentos de auto-relato, sozinho ou com ajuda de pesquisador treinado (p. ex. deficiência visual, incapacidade física para escrever).

Os indivíduos foram consecutivamente convidados a participar, de acordo com a disponibilidade e os critérios de inclusão e o número mínimo de participantes em cada grupo critério. Casos excedentes preenchidos, coletados simultaneamente por diferentes pesquisadores, foram incluídos. Por questões de logística, deu-se preferência aos pacientes hospitalizados. Os coletadores foram instruídos a incluir pacientes com a maior diversidade diagnóstica nas diferentes especialidades atendidas no Hospital. Quanto aos indivíduos "saudáveis" optou-se por obter amostra diversificada incluindo diferentes hierarquias de funções com proveniência de diferentes setores do hospital e universidade. Em geral, os pacientes tiveram de um a três dias para devolver o protocolo preenchido; os funcionários, de uma a duas semanas para o preenchimento em casa, pelo tempo exíguo no trabalho. As recusas corresponderam a 7%. O reteste do WHOQOL-SRPB e Escala CRE-Breve14 foi realizado de duas a quatro semanas após a testagem inicial, via correio ou pessoalmente. Análises estatísticas foram conduzidas em nível de centro individual (Brasil), utilizando o software SPSS 16.0. Além de freqüências, utilizou-se a correlação de Pearson, consistência interna (α de Cronbach e correlação entre fatores) e testes t para amostras independentes e pareadas. Dados perdidos foram substituídos pela média do participante nos itens do fator ou faceta em que ocorreram. Adotou-se nível de significância de p < 0,05.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética do Grupo de Pesquisa e Pós-Graduação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, sob o nº 05-180, em 08/08/2005. Foi solicitada assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos participantes.

 

RESULTADOS

A amostra foi composta por 404 indivíduos, a maioria do sexo feminino, saudável, cor de pele branca, casada, católica, de classe econômica B, com ensino médio, com ocupação, procedentes da capital e sem depressão (Tabela 2). A idade variou entre 18 a 84 anos (média = 42,85 anos, desvio-padrão [DP]=13,91).

Dos participantes, 95% acreditavam em Deus, 3% disseram não acreditar e 2% tinham dúvida. Mais de uma crença foi declarada por 2,2% dos entrevistados. Independentemente de freqüentarem ou não encontros religiosos, 76% dos participantes descreveram a religião como "bastante" ou "muitíssimo" importante, mesma resposta apresentada para o papel da religião/espiritualidade no enfrentamento de situações estressantes (70,8%). A maioria relatou alta freqüência de atividades religiosas privativas (50,8%), enquanto 43,5% apresentaram média freqüência religiosa e 42,1%, baixa. Dos doentes, 89,9% eram pacientes hospitalizados e 10,1%, ambulatoriais.

Testes foram realizados para estimar a validade de construto do WHOQOL-SRPB, analisando padrões de convergência e divergência e validade relacionada ao critério, conforme recomendado pela perspectiva atual de validade.19,20,c

Análise fatorial exploratória (método dos componentes principais, rotação varimax, normalização Kaiser, cargas excluídas < 0,30) do WHOQOL-SRPB versão português brasileiro resultou em quatro fatores, que explicaram 63,5% da variância. Considerando a nomenclatura dos fatores do instrumento piloto,16,22 os itens agruparam-se da seguinte forma: Fator 1 Conexão Espiritual, Fé, Força Espiritual; Fator 2 Paz Interior, Totalidade & Integração; Fator 3 Sentido na Vida, Esperança & Otimismo; Fator 4 Admiração.

Análise fatorial exploratória com oito fatores nos mesmos parâmetros explicou 74,1% da variância: Fator 1 Fé, Força Espiritual; Fator 2 Paz Interior; Fator 3 Conexão Espiritual; Fator 4 Esperança & Otimismo; Fator 5 Sentido na Vida; Fator 6 (metade dos itens) Admiração; Fator 7 (metade dos itens) Totalidade & Integração; (metade dos itens Admiração); Fator 8 (metade dos itens) Totalidade & Integração.

Análise fatorial exploratória conjunta do WHOQOL-SRPB e do WHOQOL-Breve com os mesmos parâmetros resultou em dez fatores, que explicaram 63,6% da variância. O WHOQOL-SRPB agrupou-se em quatro fatores (F1, F3, F4, F7) distintos dos seis em que se agruparam os itens do WHOQOL-Breve. Quando acrescentado o Domínio SRPB do WHOQOL-100, este agrupou-se no quarto fator, junto com Sentido na Vida.

Comparações entre grupos foram realizadas segundo sexo, idade, estado de saúde, crença, escolaridade (Tabelas 3 e 4) e classe socioeconômica para estimar a validade discriminativa do WHOQOL-SRPB. Essas comparações resultaram em média significativamente mais alta no fator Conexão Espiritual de qualidade de vida, relacionada à espiritualidade (QVRE) em mulheres, e nos domínios Psicológico e Social de QV em homens.

 

 

As médias nas facetas Totalidade & Integração e Paz Interior de QVRE e no domínio Ambiental de QV foram significativamente mais elevadas entre mais velhos (> 45 anos). Entre os saudáveis, as facetas Sentido na Vida e Totalidade & Integração de QVRE foram significativamente mais elevadas, bem como os domínios Físico, Psicológico, Ambiental e Global de QV do WHOQOL-bref. O Domínio SRPB do WHOQOL-100 obteve valor limítrofe (p = 0,06) nesta comparação entre saudáveis versus doentes. Quando os indivíduos com crença religiosa/espiritual foram comparados com ateus e agnósticos, ambos os domínios SRPB do WHOQOL-100 e SRPB-Geral do WHOQOL-SRPB e todas as suas facetas de QVRE (exceto Paz Interior) tiveram escores significativamente mais elevados.

Houve diferenças significativas entre as médias de escolaridade nas facetas Conexão Espiritual, Força Espiritual e Fé de QVRE e nos domínios Físico, Ambiental e Global de QV; testes post hoc mostraram que o Ensino Fundamental apresentou médias mais altas que o Superior + Pós nas facetas de QVRE e mais baixas nos domínios de QV mencionados, e o Ensino Médio, média mais alta que o Superior + Pós na faceta Fé e que o Fundamental no domínio Físico.

Classes mais baixas (C, D e E) tiveram média significativamente mais alta no fator Fé de QVRE, enquanto nas classes mais altas (A e B), as médias foram maiores nos domínios Físico, Ambiental, Psicológico e Global de QV.

WHOQOL-SRPB e WHOQOL-1005 (Domínio-SRPB) apresentaram correlação significativa de moderada a robusta (0,48 < r < 0,78), com validade convergente. Da mesma forma, todas as facetas e o domínio do WHOQOL-SRPB correlacionaram-se significativamente com os domínios do WHOQOL-Breve7 em níveis fracos a moderados (0,13 a 0,54) (Tabela 5), exceto Conexão Espiritual, que se correlacionou somente com domínio Psicológico; Fé, se correlacionou apenas com domínios Psicológico e Social, com significância limítrofe com o Ambiental (p = 0,055) e Força Espiritual não se correlacionou com domínio Físico.

Constatou-se a validade convergente/discriminante do WHOQOL-SRPB com a Escala CRE-Breve14 (Tabela 5). O WHOQOL-SRPB correlacionou-se significativamente com o CRE Positivo (0,32 < r < 0,68); com o CRE Negativo as correlações foram negativas, fracas ou não significativas; com o CRE Total foram positivas (0,41 a 0,64); com a Razão CRE Negativo/CRE Positivo (quanto menor o índice, maior o uso proporcional de CRE Positivo em relação ao Negativo) foram negativas (-0,38 e -0,61).

A validade relacionada ao critério concorrente depressão4 do WHOQOL-SRPB indicou que os deprimidos apresentaram médias significativamente mais baixas que os não-deprimidos em todos os domínios de QV e domínio e facetas de QVRE, exceto Conexão Espiritual (Tabela 4).

Análises de consistência interna atestaram fidedignidade e validade de construto do WHOQOL-SRPB. O α de Cronbach para todas as facetas do WHOQOL-SRPB foi de 0,72 a 0,95 (quatro itens cada), para o índice domínio SRPB-Geral foi r = 0,96 (32 itens) e para o Domínio-SRPB do WHOQOL-100 r = 0,84 (quatro itens). Calcularam-se as correlações entre as facetas do WHOQOL-SRPB (0,24 < r < 0,90) (Tabela 5).

Dos 54 participantes que realizaram o reteste, dez foram excluídos por ocorrência de fato significativo (positivo ou negativo) em suas vidas no intervalo. Teste t para amostras pareadas não mostrou diferença significativa entre as médias teste-reteste do WHOQOL-SRPB (SRPB-Geral t = 0,74; p = 0,463), o que comprova a precisão do instrumento. A correlação entre as facetas do teste e do reteste foram significativas (p = 0,0001), variando entre 0,60 (Paz Interior) e 0,87 (Força Espiritual). O Domínio-SRPB do WHOQOL-100 mostrou os mesmos resultados e r = 0,77.

Das 32 questões do WHOQOL-SRPB, 14 apresentaram dados perdidos (de 0,2% a 1,7% dos sujeitos; Domínio-SRPB do WHOQOL-100=0,5%).

 

DISCUSSÃO

O WHOQOL-SRPB apresentou validade de construto19,20,c por meio das análises fatoriais exploratórias; do cálculo de coeficientes α e pela presença de validade discriminativa a partir da variável crença, de validade convergente com WHOQOL-Breve7 e WHOQOL-1005 (Domínio-SRPB), de validade convergente/discriminante com Escala CRE-Breve14 e de validade relacionada ao critério concorrente depressão. A fidedignidade foi confirmada pelos métodos teste-reteste e de consistência interna (α e correlação entre fatores).

Os resultados das análises fatoriais exploratórias do WHOQOL-SRPB sustentaram a estrutura de oito fatores da versão do teste piloto multicêntrico,22 pois os quatro itens componentes de cada fator original permaneceram agregados em um fator, separadamente ou em conjunto com outra faceta, apoiando a transculturalidade do instrumento. As facetas mais consistentes das análises fatoriais exploratórias do WHOQOL-SRPB foram Fé e Força Espiritual, pois se agruparam sempre no primeiro fator, que explicou grande parte da variância. Na análise fatorial exploratória conjunta dos itens do WHOQOL-SRPB, WHOQOL-Breve6 e WHOQOL-1005 (Domínio-SRPB), os itens do WHOQOL-SRPB mantiveram basicamente a mesma organização de quatro fatores de quando analisados sozinhos, o que mostra sua consistência estrutural, e agruparam-se em fatores distintos, separadamente dos itens do WHOQOL-Breve. Isso confirma dados dos testes piloto brasileiro16 e multicêntrico,22 e contribui empiricamente para o entendimento do SRPB como um domínio independente e distinto de outros de QV, e que merece ser mensurado separadamente para o estudo de seus efeitos. Os itens do Domínio-SRPB do WHOQOL-100, ao se agruparem aos da faceta Sentido na Vida, confirmaram a correspondência entre os conceitos do domínio e essa faceta do WHOQOL-SRPB.

 

Tabela 6

 

 

Tabela 7

 

Coerente com seu modelo teórico, o WHOQOL-SRPB não apresentou diferenças em relação a sexo, idade e estado de saúde, mas foram observadas em relação a crenças religiosas/espirituais, como apresentado por outros estudos. No estudo piloto multicêntrico,22 o domínio SRPB mostrou-se menos sensível a diferenças de sexo e estado de saúde, e diferentes estados de saúde não foram discriminados no teste piloto brasileiro do WHOQOL-SRPB.16 Na validação do WHOQOL-100,5 assim como no presente estudo, o Domínio-SRPB do WHOQOL-100 não destacou diferenças entre indivíduos saudáveis e doentes, embora apresentando p limítrofe. Fleck et al5 (1999) propuseram como hipóteses a essa questão: a falta de poder de discriminação do instrumento ou que as dimensões espiritualidade/religião/crenças pessoais não são afetadas pela condição doença. O poder de discriminação do WHOQOL-SRPB é superior ao do Domínio-SRPB do WHOQOL-100;5 portanto, acredita-se que a primeira hipótese é pouco provável. Quanto à segunda, a literatura mostra que as pessoas utilizam mais coping religioso-espiritual quando doentes,12 indicando possível associação. Neste e em outros estudos,16,22 observou-se que o domínio SRPB não é homogêneo em relação ao estado de saúde. Diferentemente dos domínios de QV do WHOQOL-Breve, nos quais os saudáveis apresentam médias mais altas em todos os domínios, no WHOQOL-SRPB há facetas em que os doentes apresentam médias superiores, resultado que pode ser clinicamente significativo, mas não estatisticamente. Outras hipóteses poderiam ser aventadas, como o maior emprego da religião/espiritualidade, para manejar o estresse na doença, mesmo que a condição de doente não modifique substancialmente a QVRE, o efeito da doença sobre apenas algumas facetas do WHOQOL-SRPB e a influência do tipo de doença sobre a QVRE.

Três facetas do WHOQOL-SRPB apresentaram validade discriminativa para escolaridade, sugerindo que, quanto menor educação, maior Conexão Espiritual, Força Espiritual e Fé - o que apóia os resultados do estudo piloto multicêntrico para Conexão Espiritual e Fé, as mesmas facetas em que ateus/agnósticos pontuaram menos. O WHOQOL-SRPB não discriminou classe socioeconômica, pois apenas uma das oito facetas de QVRE (Fé) apresentou validade discriminativa, ao contrário de outros domínios de QV (quatro de cinco domínios do WHOQOL-Breve).

As facetas do WHOQOL-SRPB em português brasileiro que demonstraram maior sensibilidade para detectar validade discriminativa neste estudo foram Totalidade & Integração e Fé, seguidos de Conexão Espiritual, Sentido na Vida e Força Espiritual.

O WHOQOL-SRPB apresentou validade convergente com o WHOQOL-1005 (Domínio-SRPB) e a correlação foi observada em níveis moderados a altos por se tratar do mesmo construto QVRE. Validade convergente foi também observada com o WHOQOL-Breve,6 com correlação moderada, pois, embora meçam QV, avaliam domínios diferentes. Os resultados mostram que o domínio SRPB está relacionado aos outros de QV, como apresentado pelo teste-piloto multicêntrico.22

O WHOQOL-SRPB apresentou validade convergente/discriminante com a Escala CRE-Breve,14 pois os instrumentos correlacionaram-se. Além disso, as facetas e índice geral do domínio WHOQOL-SRPB apresentaram correlação positiva em níveis moderado a alto com a dimensão positiva da Escala CRE-Breve14 e correlação negativa ou positiva baixa e/ou não-significativa com a dimensão negativa da Escala CRE-Breve14 - como era esperado, já que ambos os instrumentos são medidas de espiritualidade/religiosidade, de QV e de coping, respectivamente.

O WHOQOL-SRPB apresentou validade relacionada ao critério concorrente depressão. Estudos apontam que essa condição afeta negativamente a QV em diversos domínios.1,2,7 Observou-se nos resultados que a depressão está associada a menores escores de QV e de QVRE. Embora os deprimidos tenham apresentado menor QVRE que os não-deprimidos, a Conexão Espiritual parece estar preservada. Isso sugere que diferentes doenças ou condições de saúde possam estar associadas a domínios específicos do WHOQOL-SRPB. Investigações futuras podem estabelecer a natureza dessas associações, sua replicabilidade e seu potencial uso na prática clínica.

O WHOQOL-SRPB mostrou ser fidedigno. A consistência interna medida pelas correlações entre as facetas foi muito boa, e pelo α de Cronbach foi excelente, quer se tomem as oito facetas, quer o domínio SRPB-Geral. Três fatores ficaram abaixo do valor usualmente considerado ideal (0,80), e nenhum abaixo do mínimo desejável (0,70).20 Comparativamente ao Domínio-SRPB do WHOQOL-100, o SRPB-Geral apresentou α superior, indicando melhor consistência interna. Isso era esperado, pois instrumentos com maior número de questões tendem a ter coeficientes mais elevados,20 e o desenvolvimento do WHOQOL-SRPB ocorreu pelo Domínio-SRPB do WHOQOL-100 ter sido considerado insuficiente para abarcar a complexidade dos construtos espiritualidade/religiosidade.5,16,18 Na avaliação da fidedignidade teste-reteste, houve estabilidade temporal do instrumento e confirmação da homogeneidade dos itens.

A amostra de conveniência é a principal limitação do presente estudo e por isso os resultados não podem ser extrapolados para a população de Porto Alegre ou do Brasil. Por não se tratar de um estudo de normatização do WHOQOL-SRPB, as médias e desvio-padrão não podem ser usados como normas brasileiras. No entanto, a amostra de conveniência permite que se observe se o instrumento consegue obter um desempenho satisfatório diante de algumas condições e que possa ser usado e testado em outras diferentes condições experimentais por outros pesquisadores. Além disso, as análises realizadas neste estudo são dependentes do número e não do tipo da amostra. Outra limitação refere-se à exclusão dos indivíduos analfabetos. Mesmo que representem parcela relativamente expressiva da população brasileira, especialmente em algumas regiões e micro-regiões, a inclusão de indivíduos analfabetos traria o risco de respostas imprecisas e pouco confiáveis, por se tratar de um conjunto relativamente grande de instrumentos de auto-avaliação.

O WHOQOL-SRPBd em português brasileiro apresentou qualidades psicométricas satisfatórias, como precisão e validade de construto, com validade discriminativa, convergente, convergente/discriminante e relacionada ao critério concorrente em amostra ampla de homens e mulheres saudáveis e doentes, de variadas idades, crenças, escolaridades e classes socioeconômicas.

Novos estudos com populações específicas de diferentes religiões, grupos culturais ou doenças são necessários. Instrumentos necessitam de variados estudos, realizados por diferentes pesquisadores, para que se possa aumentar seu grau de validade.19,20

O presente estudo pretende disponibilizar um instrumento de base transcultural, desenvolvido a partir de um projeto multicêntrico da OMS, que contribua para o desenvolvimento de pesquisas sobre espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência | Correspondence:
Raquel Gehrke Panzini
R. Faria Santos, 267
Petrópolis
90670-150 Porto Alegre, RS, Brasil
E-mail: raquel-panzini@saude.rs.gov.br

Recebido: 6/11/2009
Aprovado: 16/6/2010
Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq - Processo nº: 142425/2005-2).

 

 

Artigo baseado na tese de doutorado de Panzini RG apresentada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2011.
Os autores declaram não haver conflitos de interesse.
a Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2000. Brasília; 2000[citado 2009 Jun 30]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/censo/
b World Health Organization. WHOQOL Analysis of the SRPB Domain. Geneva; 2002.
c American Educational Research Association, American Psychological Association and National Council on Measurement in Education. Standards for educational and psychological testing. Washington; 1999.
d Os instrumentos WHOQOL em português-brasileiro podem ser encontrados com sua sintaxe para o SPSS no site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (http://www.ufrgs.br/psiq/escalas.html).