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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.46 no.2 São Paulo abr. 2012  Epub 03-Fev-2012

https://doi.org/10.1590/S0034-89102012005000008 

Tendência temporal de asma em crianças e adolescentes no Brasil no período de 1998 a 2008

 

Tendencia temporal de asma en niños y adolescentes en Brasil en el período de 1998 a 2008

 

 

Fernando César WehrmeisterI; Ana Maria Baptista MenezesI, II; Andreia Morales CascaesI; Jeovany Martínez-MesaI; Aluisio J D BarrosI, III

IPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia. Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Pelotas, RS, Brasil
IIDepartamento de Clínica Médica. Faculdade de Medicina (FM). UFPel. Pelotas, RS, Brasil
IIIDepartamento de Medicina Social. FM-UFPel. Pelotas, RS, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar as tendências de asma em crianças e adolescentes entre 1998 e 2008 no Brasil.
MÉTODOS: Foram analisados os dados de prevalência de asma da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, dos anos de 1998, 2003 e 2008. A amostra foi constituída por 141.402, 144.443 e 134.032 indivíduos em 1998, 2003 e 2008, respectivamente, e a análise foi ajustada pelo desenho amostral. As tendências de asma foram descritas por sexo, regiões do Brasil e local de residência, em crianças (zero a nove anos) e adolescentes (dez a 19 anos).
RESULTADOS: A prevalência de asma entre crianças foi 7,7% em 1998, 8,1% em 2003 e 8,5% em 2008, com um incremento anual de 1%. O maior aumento anual foi observado nas regiões Sudeste e Norte (1,4%). Entre o grupo de adolescentes, a prevalência de asma foi de 4,4% em 1998, 5,0% em 2003 e 5,5% em 2008, com aumento de 2,2% ao ano. Na região Nordeste, o aumento anual na prevalência de asma foi de 3,5%. Os maiores incrementos foram observados entre os meninos e entre moradores da zona rural.
CONCLUSÕES: Apesar de a asma apresentar um decréscimo em países emergentes, no Brasil os resultados apontam um incremento da asma entre crianças e adolescentes no período de 1998 e 2008, especialmente na zona rural.

Descritores: Criança. Adolescente. Asma, epidemiologia. Estudos de Séries Temporais.


RESUMEN

OBJETIVO: Analizar las tendencias de asma en niños y adolescentes entre 1998 y 2008 en Brasil.
MÉTODOS: Se analizaron los datos de prevalencia de asma de la Investigación Nacional por Muestra de Domicilios, de los años de 1998, 2003 y 2008. La muestra fue constituida por 141.402, 144.443 y 134.032 individuos en 1998, 2003 y 2008, respectivamente y el análisis fue ajustado por el diseño muestral. Las tendencias de asma fueron descritas por sexo, regiones de Brasil y lugar de residencia, en niños (cero a nueve años) y adolescentes (diez a 19 años).
RESULTADOS: La prevalencia de asma entre niños fue de 7,7% en 1998, 8,1% en 2003 y 8,5% en 2008, con un incremento anual de 1%. El mayor aumento anual fue observado en la región Sureste y Norte (1,4%). Entre el grupo de adolescentes, la prevalencia de asma fue de 4,4% en 1998, 5,0% en 2003 y 5,5% en 2008, con aumento de 2,2% al año. En la región Noreste, el aumento anual en la prevalencia de asma fue de 3,5%. Los mayores incrementos fueron observados entre los varones y entre habitantes de la zona rural.
CONCLUSIONES: A pesar de el asma presentar una disminución en países en desarrollo, en Brasil, los resultados señalan un incremento del asma entre niños y adolescentes en el período de 1998 y 2008, especialmente en la zona rural.

Descriptores: Niño. Adolescente. Asma, epidemiología. Estudios de Series Temporales.


 

 

INTRODUÇÃO

A asma acomete aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo,12 com consequências negativas para os indivíduos e sociedade. Tais consequências, como dias e custos decorrentes de hospitalizações, ocasionam impacto econômico e social para o País.ª No Brasil, a asma constitui importante problema de saúde pública.8 Estudo brasileiro que avaliou atestados de óbito e contabilizou a asma como causa de morte indica uma taxa de mortalidade de 2,29 por 100.000 habitantes, padronizada para a população brasileira no ano 2000.18 A asma afeta todas as idades, com maior magnitude em crianças e adolescentes.6 Apesar de vários estudos sobre a prevalência de asma no mundo, não há consenso de uma medida precisa e única para definição da doença,ª a qual é geralmente avaliada por diagnóstico médico ou pela presença de seus sintomas.

As tendências temporais de asma mostram padrões diferentes conforme as regiões geográficas. Nos Estados Unidos, de 1980 a 2007, houve estabilização da prevalência de asma na infância, com redução das taxas de mortalidade no mesmo período.1 Estudo de Pearce et al,15 com dados do International Study of Asthma and Allergy in Childhood (ISAAC), mostra um declínio da asma nos países de língua inglesa e na Europa Oriental, enquanto em países nos quais a prevalência era considerada baixa houve aumento na proporção de asmáticos ao longo dos anos. Na América Latina, a prevalência de sintomas de asma está aumentando.15 Apesar disso, na América do Sul, uma revisão sistemática apontou inconsistências quanto ao padrão de aumento ou declínio da prevalência de asma em estudos utilizando a metodologia do ISAAC.3

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), investiga periodicamente aspectos de saúde da população. É realizada com uma amostra representativa dos estados, das regiões brasileiras e do País. Já foram realizadas três pesquisas sobre a saúde dos brasileiros, incluindo a questão sobre diagnóstico médico de asma, o que permite estabelecer uma tendência temporal desse problema no Brasil, contribuindo no monitoramento do diagnóstico médico de asma ao longo dos anos e na implementação de políticas públicas.

O objetivo do presente estudo foi analisar as tendências de asma em crianças e adolescentes entre 1998 e 2008 no Brasil.

 

MÉTODOS

O estudo foi realizado com dados oriundos dos suplementos de saúde da PNAD referentes aos anos de 1998, 2003 e 2008.

O plano de amostragem da PNAD é realizado em três estágios (municípios, setores censitários e domicílios), representativa para o País, regiões, unidades da federação e algumas regiões metropolitanas.21 No ano de 1998, a amostra foi constituída de 344.975 indivíduos, de 384.834 em 2003 e 391.868 indivíduos em 2008. Mais informações sobre aspectos metodológicos podem ser obtidas no endereço eletrônico do IBGE.b

A população em estudo foram indivíduos com idade entre zero e 19 anos, caracterizando os períodos de infância e adolescência, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o Sistema de Informações em Saúde (Datasus), a faixa etária objeto deste estudo correspondeu a 42% da população do País em 1998, a 40% em 2003 e a 35% no ano de 2008.c

A pergunta "Algum médico ou profissional de saúde disse que (...) tem asma ou bronquite?" foi utilizada para definir as prevalências de asma em cada ano, com opções de resposta "sim" ou "não".

As análises foram realizadas para o País e também estratificadas por grupos de idade, regiões, e local de residência. Os grupos de idade foram dicotomizados em indivíduos de zero a nove anos e de dez a 19 anos. As prevalências de asma foram analisadas também por regiões brasileiras (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste). Por fim, o local de residência foi dicotomizado em "urbano" (cidade ou vila em área urbanizada, cidade ou vila em área não urbanizada e área urbana isolada) e "rural" (aglomerado rural de extensão urbana, aglomerado rural isolado e povoado, aglomerado rural isolado - núcleo, aglomerado rural isolado -, outros aglomerados, e zona rural exclusive aglomerado rural).

Os bancos de dados foram obtidos do IBGE. Os dados foram analisados no programa estatístico Stata 11.0, utilizando o comando svyset para definir os pesos amostrais e conglomerados, e o comando svy para todas as análises realizadas tendo em vista a complexidade do processo de amostragem. Foram obtidas as prevalências de asma no Brasil e por regiões, assim como as variações percentuais por ano. Além disso, essas informações foram estratificadas por local de residência e por sexo.

A variação percentual anual média das prevalências observadas foi calculada utilizando os valores observados em 1998 e 2008. A variação percentual total foi calculada, sendo a variação anual média estimada como a raiz décima:

em que p1998 e p2008 são as prevalências calculadas para 1998 e 2008, respectivamente. O teste de Wald para tendência linear foi utilizado para verificar a tendência temporal.

 

RESULTADOS

A amostra de crianças e adolescentes pesquisados nos anos de 1998, 2003 e 2008 foi, respectivamente, 141.402, 144.443 e 134.032 indivíduos. Essa faixa etária, da infância e adolescência, correspondeu a 41% da amostra em 1998, a 35% em 2003 e no ano de 2008 a 34% da amostra.

As características da amostra, em cada ano da PNAD, são apresentadas na Tabela 1. Em todos os anos estudados, houve ligeira predominância do sexo masculino entre as crianças, assim como entre os adolescentes. O local de residência predominante foi a zona urbana em todos os anos estudados. Observa-se aumento de aproximadamente 5,0 pontos percentuais nas crianças moradoras na zona urbana em 2008 em relação ao ano de 1998. Já entre os adolescentes, esse incremento foi de 2,5 pontos percentuais no mesmo período. Houve também diminuição na proporção de crianças e adolescentes moradores das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, enquanto nas regiões Norte e Centro-Oeste houve aumento na proporção de moradores com idade entre zero e 19 anos (Tabela 1). A renda familiar média per capita aumentou no período estudado, chegando, no ano de 2008, a R$ 359,30 (dp = R$ 580,90) no grupo de zero a nove anos e R$ 407,20 (dp = R$ 606,70) no grupo de dez a 19 anos.

A Figura 1 apresenta as prevalências de asma conforme a zona de residência e sexo em crianças de zero a nove anos de idade, de acordo com o ano de realização da PNAD. Independentemente do local de residência, houve incremento na prevalência no período estudado. Na zona urbana, as prevalências variaram de 8,6% em 1998 para 8,7% em 2003 e 9,1% em 2008. Já na zona rural variou de 4,9% a 5,9%, de 1998 a 2008. A prevalência de asma foi maior entre as crianças do sexo masculino, tanto na zona rural quanto na zona urbana.

 

 

A Tabela 2 descreve a prevalência de asma e a variação anual entre crianças de zero a nove anos, no geral e por região brasileira. A prevalência de asma em crianças variou de 7,7% a 8,5% em 1998 e 2008, respectivamente. Com exceção da região Centro-Oeste, onde houve declínio que variou de 0,7% (quando avaliado o sexo feminino) a 3,0% (na zona rural), em todas as outras regiões brasileiras, assim como no País como um todo, houve incremento na prevalência de asma, embora em algumas regiões esse incremento não tenha sido estatisticamente significativo. No Brasil, o incremento anual foi menor na zona urbana (0,6%, p = 0,006) do que na rural (1,8%, p = 0,002). Na zona rural, os incrementos anuais foram 3,5% (p < 0,001) na prevalência de asma na região Nordeste e 2,2% (p = 0,035) na região Sudeste.

 

 

A tendência de asma em adolescentes segundo área de residência e sexo está apresentada na Figura 2. Assim como em crianças de zero a nove anos, a prevalência de asma aumentou no período estudado, mas as diferenças entre os sexos não foram tão marcadas quanto em crianças, exceto no ano de 2003 na zona urbana, onde os adolescentes do sexo masculino tiveram 6,1% de asma, enquanto as adolescentes tiveram prevalência de 4,7% aproximadamente. Na zona urbana, as prevalências variaram de 4,9% a 5,9% de 1998 a 2008, enquanto na zona rural essa oscilação correspondeu a 2,5% no ano de 1998 e a 3,5% no último ano estudado.

 

 

As prevalências e variações anuais para adolescentes estão apresentadas na Tabela 3. A variação na prevalência de asma foi de 4,4% a 5,5%. Embora com prevalências menores, os adolescentes tiveram maiores variações percentuais do que as crianças. A variação percentual no País aponta um crescimento anual de 2,2% (p < 0,001) na prevalência de asma na faixa etária de dez a 19 anos. Esse incremento correspondeu a 1,9% (p < 0,001) na zona urbana e a 3,5% (p < 0,001) na zona rural. Apesar de a região Norte apresentar um declínio anual de 0,5% na prevalência de asma nessa faixa etária, na zona urbana, essa mesma região aponta um crescimento de 0,9%, ambos não significantes estatisticamente. Destaca-se novamente o incremento anual na prevalência de asma na zona rural, que foi 4,8% (p < 0,001) na região Nordeste e 4,3% (p = 0,005), 4,4% (p = 0,010) e 2,1% (p = 0,268) nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, respectivamente.

 

 

DISCUSSÃO

Nossos resultados apontam um incremento, de forma geral, no diagnóstico da asma na população pediátrica de 1998 a 2008, nas diferentes regiões brasileiras, em ambos os sexos e também tanto na zona rural como na urbana. Os maiores incrementos foram no sexo masculino e entre aqueles moradores da zona rural.

Apesar da abrangência nacional, com representatividade para estados e regiões e do rigor metodológico, análises a partir de dados da PNAD podem ter algumas limitações. Uma delas é a possível subestimativa da prevalência de asma, tendo em vista que está condicionada ao diagnóstico por médico ou profissional de saúde. Caso o critério de mensuração da doença tivesse levado em conta os sintomas de asma, como chiado no peito, é possível que as prevalências tivessem sido mais elevadas em todos os anos estudados. Outro ponto a ser considerado como limitação é que o desfecho foi medido de forma retrospectiva em todos os anos, o que pode levar também a uma subestimativa da magnitude.

Uma das principais dificuldades na comparação de resultados é a forma de mensuração da doença, que pode variar desde a presença de sintomas de chiado no peito nos últimos 12 meses, diagnóstico médico até a realização de exames, como o teste de broncoprovocação com metacolina realizado em ambiente hospitalar. Por exemplo, as prevalências de asma costumam ser maiores nos estudos que utilizam a presença de sintomas como definição do desfecho,22 podendo ser explicado, em parte, pelo maior acesso aos serviços de saúde.

A literatura recente sobre tendências de asma mostra a grande utilização da comparação das fases I e III do ISAAC2,5,11,15,16,20 que verificaram essa prevalência nos grupos etários de seis a sete anos, de 13 a 14 anos ou em ambos. Entretanto, a maioria desses estudos foi realizada na Europa e Ásia. Apenas três deles foram realizados na América Latina, especificamente um no Chile11 e dois no Brasil.16,20 No ISAAC são investigadas como desfechos de asma as prevalências de chiado no peito nos últimos 12 meses, bem como asma autorreferida na vida. Todavia, os estudos do ISAAC fazem a comparação entre dois períodos e, portanto, caracterizam a evolução e não uma tendência temporal, para a qual são necessários no mínimo três pontos no tempo.

O presente trabalho mostra o aumento da prevalência de asma em crianças e adolescentes em um período de dez anos (1998 a 2008). Esse resultado é semelhante ao de outras pesquisas, mas que avaliaram o desfecho de forma diferente. Anthracopoulos et al,4 na Grécia, encontraram aumento de 8,0% em 1991 para 12,4% em 2003 avaliando o diagnóstico médico em crianças de oito a dez anos de idade. Nos EUA, dados do Centers for Disease Control and Prevention apontaram crescimento de 4,6% de 1980 até 1996, com manutenção estável entre 1997 e 2007 da prevalência de asma em indivíduos na faixa etária de zero a 17 anos.1

Ao analisar as informações de todos os países que participaram do ISAAC, Pearce et al15 verificaram incremento anual na prevalência de asma entre adolescentes, que variou de 0,07% na África até 0,93% na Oceania. Apenas no subcontinente indiano houve decréscimo anual de 0,01%. Já em crianças de seis a sete anos, o incremento anual variou de 0,12% no lado asiático do oceano Pacífico até 0,74% na América do Norte. Na África, Leste do Mediterrâneo e na América Latina houve decréscimo anual na prevalência na ordem de 0,01%, 0,05% e 0,15%, respectivamente.

Comparados a pesquisas realizadas na América do Sul, há discordâncias entre os achados. No Chile,11 estudo derivado do projeto ISAAC apontou redução da prevalência de 12,5% em 1994 para 10,7% em 2002 no grupo de seis a sete anos, apesar de estatisticamente não significante. Já em adolescentes de 13-14 anos, houve aumento de 10,2% para 14,9% no mesmo período. No Brasil,20 também como parte do ISAAC, a prevalência de asma manteve-se estável em indivíduos de 13-14 anos (14,9% em 1994 para 14,7% em 2002). Entretanto, cabe ressaltar que os estudos que utilizaram a metodologia do ISAAC fornecem a prevalência autorreferida de asma, e não o diagnóstico médico da doença, como na PNAD.

A prevalência de asma aumentou em pelo menos dez vezes nas últimas décadas, especialmente em países desenvolvidos, mas também naqueles emergentes, incluindo alguns países da América Latina, entre eles o Brasil.8 Algumas explicações podem ser atribuídas à ampliação dos serviços de atenção básica e ao aumento do número de equipes de saúde da família em todas as regiões brasileiras. Por exemplo, a expansão de equipes de saúde da família de 1999 a 2004 foi maior na região Nordeste quando comparada à região Sul.9 Tendo em vista que o desfecho foi avaliado pela pergunta referida de diagnóstico médico, supõe-se que o aumento no acesso e utilização de serviços de saúde pode explicar, em parte, o aumento nas prevalências de asma, principalmente na zona rural.

Outro fator que poderia explicar o incremento da asma em populações rurais seria a maior exposição aos agrotóxicos e pesticidas dos indivíduos que residem nessas localidades. Mesmo sendo essa apenas uma hipótese, no plano teórico e da especulação científica consideramos um importante aspecto a ser abordado em futuros estudos nacionais.

As maiores prevalências de asma para o sexo masculino coincidem com o descrito em publicações prévias. Estudo de Osman et al14 realizado com escolares nos anos 1984, 1994, 1999 e 2004 encontrou maiores prevalências e tendências para asma nos meninos. Nas crianças, assim como encontrado em nosso estudo, as maiores prevalências de asma do sexo masculino em relação ao feminino podem ser explicadas por desvantagens fisiológicas.23 Meninos dessa idade tendem a ter maiores concentrações de IgE do que meninas19 e também menores taxas de fluxo respiratório.10,17

As condições de manejo da asma no Brasil ainda estão aquém do ideal. Considerando que a asma é uma doença sensível ao manejo pela atenção primária, as internações por essa doença são consideradas evitáveis.13 Estudo de tendência de diagnóstico médico de asma nos Estados Unidos7 aponta que, além de medicamentos, um bom treinamento para automanejo da asma é também necessário. Assim, torna-se importante melhorar a cobertura de atenção básica no nosso País, com políticas públicas voltadas ao controle e manejo da asma.

 

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Correspondência | Correspondence:
Fernando César Wehrmeister
R. Marechal Deodoro, 1160 - 3º piso
Centro
96020-220 Pelotas, RS, Brasil
E-mail: fcwehrmeister@yahoo.com.br

Recebido: 17/5/2011
Aprovado: 9/10/2011

 

 

Os autores declaram não haver conflito de interesses.
a Global Strategy for Asthma Management and Prevention: updated 2009. Cape Town: University of Cape Town Lung Institute; 2009.
b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. [citado 2012 jan 13]. Disponível em: http://www.ibge.com.br/home/estatistica/populacao /trabalhoerendimento/pnad2008/default.shtm para o ano de 2008; http://www.ibge.com.br/home/estatistica /populacao/trabalhoerendimento/pnad2003/default.shtm para o ano de 2003; o ano de 1998 não está disponível para acesso na rede mundial de computadores.
c DATASUS. Sistema de Informações em Saúde. Brasília (DF) [citado 2011 fev 22]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?ibge/cnv/popuf.def

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