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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.47 no.5 São Paulo Oct. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-8910.2013047004817 

Artigos Originais

Utilização de medicamentos pela população quilombola: inquérito no Sudoeste da Bahia

Utilización de medicamentos por la población quilombola: pesquisa en el Suroeste de Bahia, Brasil

Danielle Souto de MedeirosI 

Cristiano Soares de MouraII 

Mark Drew Crosland GuimarãesIII 

Francisco de Assis AcurcioIV 

I Núcleo de Epidemiologia e Saúde Coletiva . Instituto Multidisciplinar em Saúde. Universidade Federal da Bahia. Vitória da Conquista, BA, Brasil

II Division of Clinical Epidemiology . McGill University Health Center. McGill University. Montrèal, Canada

III Departamento de Medicina Preventiva e Social. Faculdade de Medicina . Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG, Brasil

IV Departamento de Farmácia Social. Faculdade de Farmácia. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte , MG, Brasil

RESUMO

OBJETIVO

Analisar o uso de medicamentos pela população quilombola.

MÉTODOS

Estudo transversal de base populacional com 797 quilombolas adultos de Vitória da Conquista, BA, em 2011. Utilizou-se análise de variância para comparar as médias de medicamentos por indivíduo segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e de comportamentos relacionados à saúde. Foram estimadas as prevalências, razões de prevalência e os respectivos intervalos de confiança de 95%. Análise múltipla foi conduzida por meio de regressão de Poisson com variância robusta.

RESULTADOS

Os medicamentos mais consumidos pela população foram aqueles que atuam nos sistemas cardiovascular e nervoso. A prevalência de uso de medicamentos foi de 41,9%, significativamente maior nas mulheres (50,3%) do que nos homens (31,9%). Após análise ajustada, o uso de fármacos foi associado a sexo feminino, idade de 60 anos e mais, nível econômico mais alto, pior avaliação da saúde, maior número de morbidades autorreferidas e de consultas médicas.

CONCLUSÕES

Mulheres e idosos deverão ser os grupos de preferência para o desenvolvimento de estratégias específicas que garantam o uso racional dos medicamentos. É necessária a promoção de prescrição racional no cotidiano dos serviços de saúde.

Palavras-Chave: Grupo com Ancestrais do Continente Africano; Uso de Medicamentos; Fatores Socioeconômicos; Grupos de Risco; Vulnerabilidade em Saúde; Origem Étnica e Saúde; Estudos Transversais

RESUMEN

OBJETIVO

Analizar el uso de medicamentos por la población quilombola.

MÉTODOS

Estudio transversal de base poblacional con 797 quilombolas adultas de Vitória da Conquista, Bahia, Brasil, en 2011. Se utilizó análisis de varianza para comparar los promedios de medicamentos por individuo según variables demográficas, socioeconómicas y de conductuales relacionados con la salud. Se estimaron las prevalencias, tasas de prevalencia y los respectivos intervalos de 95% de confianza. El análisis múltiple fue realizado por medio de regresión de Poisson con varianza robusta.

RESULTADOS

Los medicamentos más consumidos por la población fueron aquellos que actúan en los sistemas cardiovascular y nervioso. La prevalencia de uso de medicamentos fue de 41,9%, significativamente mayor en las mujeres (50,3%) que en los hombres (31,9%). Posterior al análisis ajustado, el uso de fármacos estuvo asociado al sexo femenino, edad de 60 años y más, nivel económico más alto, peor evaluación de la salud, mayor número de morbilidades auto-referidas y de consultas médicas.

CONCLUSIONES

Mujeres y ancianos deben ser los grupos de preferencia para el desarrollo de estrategias específicas que garanticen el uso racional de los medicamentos. Es necesaria la promoción de prescripción racional en el cotidiano de los servicios de salud.

Palabras-clave: Grupo de Ascendência Continental Africana; Utilización de Medicamentos; Factores Socioeconómicos; Grupos Vulnerables; Vulnerabilidad en Salud; Origen Étnico y Salud; Estudios Transversales

INTRODUÇÃO

Medicamentos são importantes instrumentos terapêuticos utilizados no processo saúde/doença. Estão entre as intervenções mais utilizadas e de grande valor no tratamento de doenças, aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida. 6 Seu uso é influenciado pela estrutura demográfica, fatores socioeconômicos, comportamentais e culturais. 2 - 6 , 10 - 12 A utilização de medicamentos prescritos ou não é maior entre mulheres e idosos, o que os tornam mais suscetíveis a interações medicamentosas e ao uso inadequado. 3 , 10 - 12 Grande parte dos estudos sobre o tema foi desenvolvida no Sul e Sudeste do Brasil, 5 - 8 , 10 - 12 na zona urbana 1 , 2 , 4 , 5 , 7 , 8 e restrita a uma faixa etária específica. 4 , 6 , 8 , 10 - 12

A literatura disponível carece de estudos epidemiológicos que caracterizem a situação e utilização de medicamentos em populações específicas, rurais e de outras regiões do Brasil, particularmente no Nordeste. Há diferença nos padrões de uso de medicamentos que se modificam no decorrer do tempo em função das mudanças do perfil de doenças e das políticas de saúde. São necessárias investigações locais e periódicas que permitam identificar, monitorar e produzir informações sobre uso de medicamento em populações específicas.

A obtenção de informações sobre a utilização de medicamentos em população quilombola é importante para a identificação de problemas existentes nesse âmbito e de fatores associados ao uso. Essa população apresenta um contexto caracterizado pela exclusão, pela negação do direito natural de pertencimento e, por se localizarem principalmente em áreas rurais, pela dificuldade geográfica. 9 , 15 Esse contexto determina condições especiais de vulnerabilidade e de iniquidade em saúde e subsidia o desenvolvimento e a implementação de políticas afirmativas específicas para comunidades negras e quilombolas. a , b , c

O presente estudo teve por objetivo descrever o uso de medicamentos pela população de comunidades quilombolas.

MÉTODOS

Estudo transversal de base populacional utilizando os dados do Projeto COMQUISTA (Comunidades Quilombolas de Vitória da Conquista: Avaliação de Condicionantes de Saúde), em Vitória da Conquista, BA, em 2011. d

Os 797 participantes do estudo foram selecionados por amostragem probabilística em dois estágios: i) partilha proporcional entre os cinco distritos que continham comunidades quilombolas, de acordo com a população e seleção de cada comunidade, e de sua escolha, por meio de seleção aleatória simples; ii) seleção aleatória dos domicílios de acordo com sua distribuição proporcional por distrito. Os residentes do domicílio selecionado com 18 anos ou mais foram convidados a participar da pesquisa.

No cálculo do tamanho da amostra foi considerada a estimativa de prevalência de 50%, dada a heterogeneidade dos eventos mensurados, precisão de 5%, intervalo de confiança de 95% (IC95%) e efeito de desenho de 2. Foram acrescidos 30% ao número obtido, para perdas, o que resultou numa amostra de 884 indivíduos. Detalhes do procedimento de amostragem do inquérito encontram-se publicados. d Foi encontrada uma proporção de perdas (15,5%) inferior à prevista no início do estudo, mas significativamente maior no gênero masculino e em indivíduos mais jovens (18 a 34 anos). Os principais motivos para as perdas foram ausência no domicílio e recusas.

As informações foram obtidas por meio de questionários semiestruturados, adaptados a partir da Pesquisa Nacional de Saúde. e Estudo piloto foi realizado para verificar a dinâmica de recrutamento, testar os instrumentos de coleta de dados e confirmar a viabilidade da investigação. As entrevistas foram individuais e domiciliares e aplicadas por meio de computadores portáteis de setembro a outubro de 2011 (HP Pocket Rx5710).

A variável dependente foi uso de medicamentos, obtida a partir da pergunta: “Nos últimos 15 dias o (a) senhor(a) usou medicamentos?”, comprovada por meio de apresentação da embalagem ou prescrição. Para os que responderam sim, foram registrados nome, forma farmacêutica e dose de cada especialidade farmacêutica, e se prescrita ou não por profissional de saúde (médico, dentista ou enfermeiro). As especialidades foram classificadas de acordo com o Anatomical Therapeutic Chemical Classification System (ATC), f níveis 1 (anatômico) e 2 (terapêutico). Os medicamentos foram classificados pela presença ou não na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME) g vigente no período. As unidades de análise foram o indivíduo e os medicamentos. O número médio de medicamentos por entrevistado foi usado como indicador de intensidade de uso. Cada especialidade foi desdobrada em seus princípios ativos com auxílio do Dicionário de Especialidades Farmacêuticas h para o cálculo do número médio de princípios ativos por entrevistado.

As variáveis independentes foram idade, estado conjugal, escolaridade, situação de trabalho, nível econômico (classificação econômica definida pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), i autopercepção do estado de saúde, número de morbidades autorreferidas, frequência de visitas domiciliares de agente comunitário ou profissional de saúde e número de consultas médicas nos últimos 12 meses. O número de morbidades foi definido a partir do somatório das morbidades autorreferidas pelo entrevistado e relacionadas no questionário (hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia, doença cardíaca, acidente vascular cerebral, asma ou bronquite asmática, artrite, problema crônico na coluna, tuberculose, depressão, outra doença mental, doença pulmonar e osteoporose). Presença de hipertensão ou diabetes apenas na gravidez não foram consideradas.

As diferenças entre as médias de princípios ativos por entrevistado foram comparadas por análise de variância. A prevalência de uso de medicamentos foi calculada a partir do número de participantes que responderam ter utilizado pelo menos um medicamento nos 15 dias anteriores à entrevista, dividido pelo total de entrevistados. A Razão de Prevalência (RP) foi usada como estimativa de associação entre o uso de medicamentos e as variáveis explicativas de interesse. Essa medida e seu IC95% foram estimados por regressão de Poisson com variância robusta. Regressão de Poisson múltipla com variância robusta foi utilizada para obter estimativas das razões de prevalência para o uso de medicamento, ajustadas por potenciais fatores de confusão. Foram incluídas no modelo inicial as variáveis que apresentaram associação com uso de medicamentos em nível de significância < 20% na análise univariada. Utilizou-se nível de significância de 5% para os testes e para a permanência das variáveis no modelo final. Os modelos foram comparados pelos critérios de Akaike (AIC) e de informação Bayesiana (BIC). A adequação do modelo foi avaliada pelo qui-quadrado. O programa R, versão 2.11.1, foi utilizado na análise dos dados.

A pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisas da Faculdade São Francisco de Barreiras (CAAE 0118.0.066.000-10, de 29/10/2010) e da Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE 0118.0.066.203-10, de 13/7/2011), em consonância com o disposto na Declaração de Helsinque e na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Os participantes foram previamente informados sobre os objetivos da pesquisa, procedimentos e sigilo dos dados pela leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, expressando sua concordância em participar do estudo.

RESULTADOS

Dos 797 indivíduos adultos que responderam ao inquérito, 54,3% eram mulheres; a maioria tinha entre 35 e 59 anos (41,5%). Mais da metade (61,4%) vivia com companheiro e 72,4% tinha até quatro anos completos de estudo ( Tabela 1 ). A maioria não estava trabalhando e 85,6% pertencia aos níveis econômicos D ou E. Houve predominância de autopercepção de saúde boa ou muito boa e 41,2% dos entrevistados relataram não apresentaram as morbidades pesquisadas. Em relação à utilização dos serviços de saúde, metade dos participantes não consultou médico e 50,3% dos participantes teve visita mensal de agente comunitário ou profissional de saúde. A frequência de uso de medicamentos foi de 41,9% (IC95% 38,5;45,4).

Tabela 1 . Características da população quilombola estudada. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011. 

Variável Total
n %
Sexo    
Masculino 364 45,7
Feminino 433 54,3
Idade (anos)    
18 a 34 289 36,3
35 a 59 331 41,5
60 ou mais 177 22,2
Estado conjugal    
Sem companheiro(a) 308 38,6
Com companheiro(a) 489 61,4
Escolaridade (anos completos de estudo)    
0 274 34,6
1 a 4 299 37,8
5 ou mais 219 27,7
Situação de trabalho    
Não trabalha atualmente 408 51,2
Trabalha atualmente 389 48,8
Nível econômico    
E 275 34,8
D 401 50,8
C e B2 114 14,4
Autopercepção do estado de saúde    
Muito bom/Bom 356 44,8
Regular 337 42,4
Ruim/Muito ruim 101 12,7
Número de morbidades autorreferidas    
Nenhuma 328 41,2
1 280 35,1
2 ou mais 189 23,7
Frequência de visitas ACS ou profissional de saúde    
Mensal 393 50,3
1 a 6 vezes no ano 193 24,7
Nunca recebeu 195 25,0
Número de consulta médica (últimos 12 meses)    
Nenhuma 399 50,1
1 a 2 247 31,0
3 ou mais 151 18,9
Uso de medicamento (últimos 15 dias)    
Não 463 58,1
Sim 334 41,9
ACS: agente comunitário de saúde    

Os participantes utilizaram 714 medicamentos, correspondendo a 853 princípios ativos (média = 1,1 princípios ativos/indivíduo; desvio padrão = 1,7; amplitude = 0 a 15). A maioria dos medicamentos foi prescrita por médico, dentista ou enfermeiro (83,3%) e 70,0% deles constavam na REMUME.

As especialidades farmacêuticas mais utilizadas pertenciam aos sistemas cardiovascular, nervoso, aparelho digestivo e metabolismo e musculoesquelético ( Tabela 2 ), com médias de consumo superiores nesses grupos. Os diuréticos foram o subgrupo terapêutico mais consumido (média de 0,15/ indivíduo), seguidos pelos agentes com ação no sistema renina-angiotensina (0,13), analgésicos (0,08) e anti-inflamatórios e antirreumáticos (0,07). Fármacos utilizados para diabetes predominaram no aparelho digestivo e metabolismo.

Tabela 2 . Distribuição das especialidades farmacêuticas por grupos e subgrupos, segundo a classificação anatômica e terapêutica (níveis 1 e 2 da ATC),a e razão de número de medicamentos por indivíduo. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011. 

Grupo anatômico e terapêutico n % Número de medicamento por indivíduo
Aparelho digestivo e metabolismo 81 11,3 0,10
Fármaco para desordens acidogástricas 18 2,5 0,02
Antiemético e antinauseante 6 0,8 0,01
Fármaco utilizado para diabetes 33 4,6 0,04
Vitamina 13 1,8 0,02
Sangue e órgãos hematopoiéticos 27 3,8 0,03
Agente antitrombótico 18 2,5 0,02
Preparação antianêmica 8 1,1 0,01
Sistema cardiovascular 314 44,0 0,39
Cardioterápico 10 1,4 0,01
Diurético 118 16,5 0,15
β -bloqueadores 36 5,0 0,05
Bloqueador dos canais de cálcio 22 3,1 0,03
Agente com ação no sistema renina-angiotensina 102 14,3 0,13
Antilipidêmico 22 3,1 0,03
Sistema geniturinário e hormônios sexuais 26 3,6 0,03
Hormônios sexuais e moduladores do sistema genital 23 3,2 0,03
Anti-infecciosos de uso sistêmico 19 2,7 0,02
Antibacterianos para uso sistêmico 18 2,5 0,02
Sistema musculoesquelético 80 11,2 0,10
Produto anti-inflamatório e antirreumático 56 7,8 0,07
Relaxante muscular 23 3,2 0,03
Sistema nervoso 108 15,1 0,14
Analgésico 64 9,0 0,08
Antiepilético 17 2,4 0,02
Psicoléptico 13 1,8 0,02
Sistema respiratório 27 3,8 0,03
Fármaco para doença obstrutiva das vias aéreas 7 1,0 0,01
Preparação para tosse e resfriado 7 1,0 0,01
Anti-histamínico para uso sistêmico 13 1,8 0,02
Órgãos dos sentidos 11 1,5 0,01
Fármaco para uso oftalmológico 11 1,5 0,01
Total 714 100,0 0,90

A prevalência de utilização de medicamentos em mulheres foi significativamente superior à observada entre os homens (50,3% e 31,9%, respectivamente) ( Tabela 3 ). Uso de medicamentos associou-se positiva e significativamente ao sexo feminino, maior idade, melhor nível econômico (classes D, C e B2), pior estado de saúde autorreferido, maior número de doenças autorreferidas e maior número de consultas médicas nos 12 meses anteriores ( Tabela 3 ). Associação negativa e significativa foi observada com cinco anos completos de estudo ou mais e trabalho à época da entrevista.

Tabela 3 . Prevalência e razão de prevalência (RP) para uso de medicamentos, média e desvio padrão (DP) do número de princípios ativos, segundo variáveis avaliadas. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011. (N = 797) 

Variável Uso de medicamento
% RP IC95% média DP
Sexo       p b = 0,0057 a
Masculino 31,9 1   0,9 1,8
Feminino 50,3 1,58 1,32;1,89 1,2 1,7
Idade (anos)       p b = 0,0000 a
18 a 34 29,8 1   0,6 1,1
35 a 59 38,4 1,29 1,03;1,61 0,9 1,5
60 ou mais 68,4 2,30 1,87;2,82 2,1 2,4
Estado conjugal       p b = 0,6268
Sem companheiro(a) 38,0 1   1,0 1,8
Com companheiro(a) 44,4 1,17 0,98;1,39 1,1 1,7
Escolaridade (anos completos de estudo)       p b = 0,0001 a
Nunca estudou 49,3 1   1,3 2,1
1 a 4 42,1 0,86 0,71;1,02 1,1 1,7
5 ou mais 32,4 0,66 0,52;0,82 0,7 1,2
Situação atual de trabalho       p b = 0,0000 a
Não trabalha 50,2 1   1,3 1,8
Trabalha 33,2 0,66 0,56;0,78 0,8 1,7
Nível econômico       p b = 0,0062 a
E 33,8 1   0,9 1,6
D 45,1 1,33 1,10;1,63 1,1 1,7
C e B2 50,9 1,50 1,18;1,92 1,5 2,1
Autopercepção do estado de saúde       p b = 0,0000 a
Muito bom/Bom 28,7 1   0,6 1,3
Regular 50,4 1,76 1,45;2,14 1,4 2,0
Ruim/Muito ruim 60,4 2,11 1,68;2,65 1,6 1,9
Número de morbidade autorreferida       b p = 0,0000 a
Nenhuma 23,8 1   0,5 0,9
1 40,4 1,70 1,33;2,16 1,0 1,7
2 ou mais 75,7 3,18 2,58;3,93 2,3 2,2
Frequência de visitas ACS ou de profissional de saúde       p b = 0,6795 a
Mensal 41,5 1   1,0 1,7
1 a 6 vezes no ano 43,5 1,05 0,86;1,28 1,2 1,9
Nunca recebeu 41,5 1,00 0,82;1,23 1,0 1,6
Número de consulta médica (últimos 12 meses)       p b = 0,0000 a
Nenhuma 27,8 1   0,6 1,3
1 a 2 50,2 1,80 1,48;2,21 1,4 2,1
3 ou mais 65,6 2,36 1,94;2,87 1,7 1,8
ACS: agente comunitário de saúde        
a Valores significantes (p < 0,05)        
b p estimado por análise de variância        

A média de princípios ativos utilizados pelos entrevistados foi significativamente maior entre indivíduos do sexo feminino, com mais idade, menor escolaridade, que não trabalhavam, de melhor nível econômico, com pior avaliação de saúde, maior número de doenças relatadas e de consultas médicas ( Tabela 3 ).

Mostraram-se independentemente associados à maior frequência de utilização de medicamentos pela população quilombola: a) sexo feminino; b) idade de 60 anos ou mais; c) nível econômico mais elevado, com gradiente dose-resposta; d) avaliação ruim ou muito ruim do estado de saúde; e) maior número de morbidades autorreferidas, com gradiente dose-resposta; e f) maior número de consultas médicas, com gradiente dose-resposta ( Tabela 4 ). Os valores preditos pelos modelos mostraram-se adequados aos valores observados.

Tabela 4 . Razões de prevalências ajustadas para uso de medicamentos das variáveis incluídas no modelo final de regressão. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011. 

Variáveis RP IC95%
Sexo    
Masculino 1  
Feminino 1,53 1,31;1,79 a
Idade (anos)    
18 a 34 1  
35 a 59 1,05 0,85;1,29
60 ou mais 1,47 1,19;1,81 a
Nível econômico    
E 1  
D 1,26 1,06;1,49 a
C e B2 1,40 1,12;1,74 a
Autopercepção do estado de saúde    
Muito bom/Bom 1  
Regular   0,99;1,44
Ruim/Muito ruim 1,33 1,06;1,66 a
Número de morbidades autorreferidas    
0 1  
1 1,42 1,12;1,81 a
2 ou mais 2,18 1,73;2,75 a
Número de consultas médicas (últimos 12 meses)    
Nenhuma 1  
1 a 2 1,34 1,11;1,62 a
3 ou mais 1,64 1,36;1,99 a

DISCUSSÃO

A frequência de uso de medicamentos nessa população (41,9%) foi inferior à observada em estudos com adultos em Fortaleza, CE (49,7%), 1 Lorena, SP (51,3%), 7 Pelotas, RS (65,9%), 2 e no Brasil (49,0%). 3 Esse fato pode ser parcialmente explicado pelo menor acesso a medicamentos pelos quilombolas, uma vez que residem em áreas rurais, onde estão predominantemente restritos aos serviços públicos de saúde. Para indivíduos residentes em lugares mais distantes, desprovidos de transporte coletivo regular, deslocar-se do local de moradia para adquirir medicamentos pode ser difícil. 6 O percentual de medicamentos presentes na REMUME foi elevado, uma vez que é frequente maior prescrição de medicamentos disponíveis em farmácias da rede municipal de saúde em populações de baixa renda. Entre as menores prevalências de uso de medicamentos observadas em estudos brasileiros com idosos, encontram-se aquelas em municípios de pequeno porte localizados no interior (como Bambuí, MG, 69,1%), 10 em áreas de baixo nível socioeconômico (área periférica de Fortaleza, 60,7%) 4 e em zonas rurais (Carlos Barbosa, RS, 63,5%). 6 O uso de medicamentos nas comunidades quilombolas não parece diferir daquele observado em comunidades rurais e de baixa renda.

Houve maior prevalência de utilização de medicamentos entre as mulheres, em concordância com a literatura. 1 , 2 - 6 , 11 Sans et al 13 explicam que o consumo de medicamentos é superior entre as mulheres pela maior frequência em consultas médicas e consequentemente pela maior probabilidade de detecção e diagnóstico de problemas de saúde. Além disso, vários programas de saúde (pré-natal, prevenção de câncer de mama e de colo de útero) são voltados para mulheres, tornando-as mais propensas à medicalização. 2 Neste estudo, o número de consultas médicas foi significativamente maior entre as mulheres.

Os grupos de medicamentos mais utilizados foram aqueles que atuam nos sistemas cardiovascular, nervoso, aparelho digestivo e metabolismo e musculoesquelético, em concordância com outros estudos nacionais de base populacional 5 e em populações de idosos. 4 , 6 , 10 - 12 Outros estudos nacionais com a população adulta 2 , 3 mostraram dados semelhantes, embora o sistema ATC não tenha sido utilizado para a classificação dos medicamentos, o que limita as comparações.

Uma pesquisa na Catalunha, 13 Espanha, mostrou os mesmos grupos terapêuticos encontrados em diferente ordem de classificação: predominaram os fármacos utilizados no sistema nervoso. Não existe padrão fixo de prescrição, que depende das características do sistema de saúde e da população avaliada. Contudo, Ribeiro et al 11 afirmam ser possível que os prescritores assumam padrões de indicação em função da idade dos pacientes, de acordo com as pressões ideológicas e de mercado, o que poderia explicar as semelhanças observadas.

Houve grande consumo de analgésicos e anti-inflamatórios e antirreumáticos. Isso pode ser explicado pela maior tendência à automedicação, comum entre os usuários dessas classes terapêuticas, 14 em parte devido à venda livre e, muitas vezes, irregular. De fato, 65,6% dos analgésicos e 46,4% dos produtos anti-inflamatórios e antirreumáticos não haviam sido prescritos por profissional de saúde.

Observou-se utilização crescente de medicamentos dos mais jovens para os idosos, tendência consistente com a literatura 2 , 3 , 5 , 7 e que pode refletir a maior prevalência de morbidades com o avanço da idade. Esse efeito foi confirmado na análise ajustada, em que essa variável esteve independentemente associada à utilização de medicamentos.

A escolaridade influenciou negativamente a quantidade de medicamentos utilizados. Esse achado difere do encontrado em idosos em Belo Horizonte, MG, 11 e Rio de Janeiro, RJ, 12 na população de Fortaleza, CE, 1 e brasileira, 3 mas está de acordo com o da população de Pelotas, RS. 2 O efeito, entretanto, não foi mantido após ajuste pelas demais variáveis. As comunidades pesquisadas apresentaram homogeneidade quanto ao nível de instrução (mais de 70% tinha até quatro anos completos de estudo), o que fez com que o ponto de corte nessa variável fosse menor que o adotado em outros estudos, dificultando as comparações. Outros fatores pesquisados, como a idade, também poderiam confundir a associação. De fato, associação entre idade e escolaridade foi encontrada, indicando que a proporção de indivíduos com 60 anos ou mais, sem escolaridade, foi de 75,7% (contra 33,3% e 10,8% nos grupos etários de 35 a 59 e 18 a 34 anos, respectivamente), e, ao mesmo tempo, utilizaram mais medicamentos.

O maior uso de medicamentos entre os indivíduos de nível econômico mais alto foi consistente com o estudo de Bertoldi et al, 2 embora não tenham sido identificados os níveis A e B1 na população quilombola. Outros estudos que utilizaram renda familiar mensal como indicador do nível econômico 1 , 6 , 10 encontraram resultados semelhantes. Essa associação foi confirmada após análise ajustada.

O consumo de medicamentos foi menor em indivíduos que trabalhavam à época da entrevista, porém o efeito não foi mantido após ajuste pelas demais variáveis. O trabalho rural apresenta características que podem interferir na utilização dos fármacos. Dal Pizzol 6 ressalta em seu trabalho que trabalhadores rurais que permanecem o dia inteiro na lavoura podem desistir de utilizar um ou mais medicamentos com mais frequência do que os urbanos se o uso for dificultado pelas condições próprias do trabalho rural.

Observou-se tendência de aumento da frequência e de número de medicamentos com a piora do indicador da condição de saúde. A autopercepção de saúde mostrou-se negativamente associada ao uso, acompanhando os achados de outros estudos epidemiológicos. 1 , 3 , 7 , 10 - 13 O efeito dessa variável foi confirmado na análise ajustada. Outra variável indicadora da condição de saúde da população foi o número de morbidades autorreferidas, que mostra problemas crônicos de saúde dos indivíduos e que esteve associada ao uso de medicamentos mesmo após ajuste.

As variáveis relacionadas aos serviços, frequência de visitas domiciliares de agente comunitário ou profissional de saúde e número de consultas médicas mostraram comportamentos diferentes sobre o uso de medicamentos. A frequência de visitas domiciliares não se mostrou associada, mesmo a população de estudo sendo proveniente da zona rural e considerando essa visita como um momento em que poderia haver entrega de medicamentos.

As frequências de uso de medicamentos aumentaram com maior número de consultas médicas, mesmo após ajuste, seguindo o apontado em outros estudos. 1 , 11 , 12 Arrais et al 1 sugerem que isso pode estar relacionado à crescente medicalização da sociedade, em que a maioria das consultas é finalizada com uma prescrição. O sistema de saúde brasileiro enfrenta dificuldades para superar as práticas do modelo biomédico, visto que a população valoriza e prefere as práticas curativas, o atendimento individualizado e baseado na prescrição, às ações de promoção da saúde e de prevenção de agravos. Aliada a essa prática, é frequente a irracionalidade na utilização dos medicamentos, o que pode causar diversos problemas, como reações adversas, doenças iatrogênicas, resistência (antimicrobianos) e gastos desnecessários. 2

O trabalho apresenta limitações. A utilização de um período recordatório de 15 dias para a avaliação da utilização de medicamentos foi priorizada para possibilitar a comparação com outras pesquisas, visto que a maioria na área utiliza esse período. No entanto, essa estratégia pode resultar em viés de memória. Para contornar essa limitação, a análise foi restrita aos medicamentos para os quais houve comprovação de uso por meio de apresentação de embalagens e prescrições. A perda diferencial, observada em homens e indivíduos na faixa etária de 18 a 34 anos, pode ter causado superestimação do uso de medicamentos pela população total e por indivíduos do sexo masculino, uma vez que é esperado menor consumo nos grupos sub-representados.

A avaliação dos determinantes individuais de consumo em quilombolas indica que as mulheres, assim como os idosos, são os grupos mais propensos ao uso de medicamentos; portanto, deverão ser os grupos de preferência para o desenvolvimento de estratégias específicas para garantir o seu uso racional. O maior número de consultas médicas também aumentou expressivamente a utilização de medicamentos, o que reforça a necessidade de intensificação das estratégias de promoção no cotidiano dos serviços de saúde. O conhecimento do perfil de utilização de medicamentos pela população quilombola é o primeiro passo para compreender o acesso e discutir o seu uso racional. Aspectos como automedicação e polifarmácia, além do papel dos hábitos de vida, crenças e valores dos indivíduos quilombolas na procura por serviços de saúde e utilização de medicamentos necessitam investigação mais detalhada.

Agradecimentos

Aos pesquisadores do Projeto COMQUISTA pela participação no planejamento e supervisão da coleta dos dados.

REFERÊNCIAS

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Artigo baseado na tese de doutorado de Medeiros D.S., intitulada: “Estudo de Utilização de Medicamentos pela População de Comunidades Quilombolas de Vitória da Conquista/BA“, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, em 2013.

Trabalho apresentado no 10º Congresso de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Porto Alegre, RS, em 2012.

Recebido: 6 de Março de 2013; Aceito: 1 de Junho de 2013

Correspondência | Correspondence : Danielle Souto de Medeiros Instituto Multidisciplinar em Saúde Universidade Federal da Bahia Campus Anísio Teixeira Rua Rio de Contas, 58 Quadra 17 Lote 58 Candeias 45055-090 Vitória da Conquista, BA, Brasil E-mail: danielle.medeiros@ufba.br

Projeto COMQUISTA financiado pelo Ministério da Saúde/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia/Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, Termo de Outorga nº 00017/2010. Projeto de Doutorado Interinstitucional (DINTER) financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Edital 05/2009, Ação Novas Fronteiras.

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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