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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.47 no.5 São Paulo Oct. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-8910.2013047004690 

Artigos Originais

Mobilidade social, estilo de vida e índice de massa corporal de adolescentes

Movilidad social, estilo de vida e índice de masa corporal en adolescentes

Marisa Luzia HackenhaarI 

Rosely SichieriII 

Ana Paula MuraroIII 

Regina Maria Veras Gonçalves da SilvaI 

Márcia Gonçalves FerreiraI 

I Programa de Pós-Graduação em Biociências. Departamento de Nutrição. Faculdade de Nutrição. Universidade Federal de Mato Grosso. Cuiabá, MT, Brasil

II Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Departamento de Epidemiologia. Instituto de Medicina Social. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

III Departamento de Saúde Coletiva. Instituto de Saúde Coletiva . Universidade Federal de Mato Grosso. Cuiabá, MT, Brasil

RESUMO

OBJETIVO

Analisar a associação entre mobilidade social, estilo de vida e índice de massa corporal de adolescentes.

MÉTODOS

Estudo de coorte com 1.716 adolescentes de dez a 17 anos de idade, de ambos os sexos. Os adolescentes eram participantes de um estudo de coorte e nasceram entre 1994 e 1999. Os adolescentes foram avaliados em escolas públicas e privadas entre 2009 e 2011. O estilo de vida foi avaliado por meio de entrevista e a antropometria foi utilizada para o cálculo do índice de massa corporal. Para a classificação econômica na infância e na adolescência foram utilizados critérios preconizados pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Mobilidade social ascendente foi considerada como aumento em pelo menos uma classe econômica no período de dez anos. Utilizou-se regressão de Poisson para estimar a associação entre a mobilidade social ascendente e os desfechos avaliados.

RESULTADOS

Dos adolescentes (71,4% de seguimento da coorte), 60,6% apresentaram mobilidade social ascendente. Destes, 93,6% pertenciam à classe econômica D e 99,9% à E. Maior prevalência de ascensão social foi observada para escolares de cor da pele preta (71,4%) e parda (61,9%), matriculados na escola pública (64,3%) e cujas mães apresentaram menor escolaridade na primeira avaliação (67,2%) e na reavaliação (68,7%). A mobilidade social ascendente mostrou-se associada apenas aos comportamentos sedentários (p = 0,02) após ajuste para variáveis de confusão. A classe econômica na infância mostrou-se mais associada aos desfechos avaliados do que a mobilidade social ascendente.

CONCLUSÕES

A mobilidade social ascendente não mostrou associação com a maioria dos desfechos avaliados, possivelmente por ter sido discreta e porque o período considerado no estudo pode não ter sido suficiente para refletir mudanças substanciais no estilo de vida e no índice de massa corporal dos adolescentes.

Palavras-Chave: Adolescente; Índice de Massa Corporal; Estilo de Vida; Mobilidade Social; Estudos de Coortes

RESUMEN

OBJETIVO

Analizar la asociación entre la movilidad social, estilo de vida e índice de masa corporal en adolescentes.

MÉTODOS

Estudio de cohorte con 1.716 adolescentes de diez a 17 años de edad, de ambos sexos. Los adolescentes participaban de un estudio de cohorte y nacieron entre 1994 y 1999. Los adolescentes fueron evaluados en escuelas públicas y privadas entre 2009 y 2011. El estilo de vida fue evaluado por medio de entrevista y la antropometría fue utilizada para el cálculo del índice de masa corporal. Para la clasificación económica en la infancia y en la adolescencia se utilizaron criterios recomendados por la Asociación Brasileña de Empresas de Investigación. La movilidad social ascendente fue considerada como aumento en al menos una clase económica en el período de diez años. Se utilizó regresión de Poisson para estimar la asociación entre la movilidad social ascendente y los resultados evaluados.

RESULTADOS

De los adolescentes (71,4% de seguimiento de la cohorte), 60,6% presentaron movilidad social ascendente. De estos, 93,6% pertenecían a la clase económica D y 99,9% a la E. La mayor prevalencia de ascensión social fue observada en escolares con color de piel negra (71,4%) y parda (61,9%), matriculados en la escuela pública (64,3%) y cuyas madres presentaban menor escolaridad en la primera evaluación (67,2%) y en la reevaluación (68,7%). La movilidad social ascendente estuvo asociada sólo con los comportamientos sedentarios (p=0,02) posterior al ajuste para variables de confusión. La clase económica en la infancia se mostró más asociada con los resultados evaluados en comparación con la movilidad social ascendente.

CONCLUSIONES

La movilidad social ascendente no mostró asociación con la mayoría de los resultados evaluados, posiblemente por haber sido discreta y porque el período considerado en el estudio pudo no haber sido suficiente para reflejar cambios sustanciales en el estilo de vida y en el índice de masa corporal de los adolescentes.

Palabras-clave: Adolescente; Índice de Masa Corporal; Estilo de Vida; Movilidad Social; Estudios de Cohortes

INTRODUÇÃO

A mobilidade individual quanto ao nível socioeconômico durante a vida, denominada mobilidade social, é vista como possível fator relacionado à saúde. A mobilidade social parece ser acompanhada por melhora ou piora da saúde, dependendo da direção da mudança. 3,9

Estudos em países desenvolvidos avaliam o efeito da mobilidade social sobre o excesso de peso e hábitos de vida relacionados à saúde. Kendzor et al 11 (2012) observaram que crianças que se moveram para classes mais baixas ou estagnaram nas classes de menor renda ao longo do tempo apresentaram maior adiposidade comparadas às crianças com melhores trajetórias socioeconômicas. A mobilidade social em fases iniciais da vida pode estar relacionada a comportamentos inerentes à saúde, com implicações na vida adulta. Karvonen et al 10 (1999) observaram que comportamentos saudáveis entre adolescentes finlandeses foram mais frequentes entre aqueles que ascenderam e menos frequentes entre aqueles que descenderam socialmente, quando comparados com os que permaneceram na mesma classe de origem. São escassos os estudos que avaliam o impacto da mobilidade social sobre a saúde dos adolescentes em países em desenvolvimento.

O Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo, mesmo com os avanços no combate da pobreza. Entretanto, constatou-se novo formato na distribuição das classes socioeconômicas no País entre 2005 e 2010. Isso ocorreu devido ao ganho de renda que levou a grande mobilidade social. Cerca de 31 milhões dos brasileiros ascenderam socialmente em 2010. Desses, 19 milhões deixaram as classes D/E (mais baixas) e migraram para a classe C, e cerca de 12 milhões moveram-se para as classes A/B (mais elevadas). a

A situação socioeconômica do passado pode modificar a condição de vida atual do indivíduo. Barros et al 2 (2006), avaliando uma coorte desde o nascimento até os 19 anos, em Pelotas, RS, observaram que, aqueles que apresentaram nível socioeconômico mais elevado no nascimento, tinham maior estatura aos 19 anos, independentemente do nível socioeconômico. Aitsi-Selmi et al 1 (2012), avaliando a coorte de Ribeirão Preto, mostraram que mulheres que ascenderam socialmente ou se mantiveram na classe mais elevada, ao longo do tempo, foram protegidas do excesso de adiposidade na vida adulta.

Melchior et al 15 (2007) mostraram que condições socioeconômicas desfavoráveis na infância e adolescência determinaram maior dependência de álcool e tabaco e maiores fatores de risco cardiovascular na vida adulta na Nova Zelândia, mesmo que a situação socioeconômica atual fosse melhor que na vida pregressa.

Diante dos possíveis efeitos que a mobilidade social pode exercer sobre aspectos da saúde, o objetivo do presente estudo foi analisar a associação entre a mobilidade social, estilo de vida e índice de massa corporal de adolescentes.

MÉTODOS

Estudo realizado com adolescentes pertencentes a uma coorte de crianças nascidas entre 1994 e 1999. 5 O estudo de base foi desenvolvido em postos de saúde sorteados na cidade de Cuiabá, MT, de agosto de 1999 a janeiro de 2000. Foram avaliadas 2.405 crianças de zero a cinco anos. Quando adolescentes, os participantes do estudo de base foram localizados com o auxílio do censo escolar (EducaCenso) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram entrevistados 1.716 adolescentes de dez a 17 anos de ambos os sexos (taxa de seguimento de 71,4%). Mais informações sobre a busca e localização dos estudantes foi descrita por Gonçalves-Silva et al 6 (2012).

Foram obtidas informações sociodemográficas e econômicas das famílias, por meio de entrevistas com os pais ou responsáveis quando as crianças tinham entre zero e cinco anos. Os dados sobre a adolescência foram obtidos por entrevista, utilizando-se questionário com informações econômicas, sociodemográficas e de estilo de vida.

Os critérios preconizados pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) foram utilizados para avaliação da classe econômica b ,c (acumulação de bens materiais; poder aquisitivo; escolaridade do chefe da família). As famílias foram classificadas em níveis socioeconômicos (A: mais elevada a E: mais baixa). A variável mobilidade social foi gerada a partir da diferença entre a classe econômica das famílias em 1999/2000 b e 2009/2011, c analisada em duas categorias: mobilidade social ascendente e mobilidade social não ascendente. Foram consideradas famílias com mobilidade social ascendente aquelas com aumento de pelo menos uma classe econômica no período. Famílias que sofreram rebaixamento (3,3%) foram agrupadas com as que mantiveram a classe econômica, por não haver alteração substancial nos resultados.

A raça/cor foi autorreferida e classificada em: branca, preta, parda, amarela e indígena. d Os adolescentes de cor amarela e os indígenas foram agrupados pela baixa frequência observada. A escolaridade materna na infância, na adolescência e a escolaridade do chefe da família foi avaliada em anos completos de estudo e agrupadas em três categorias: ≤ 8, 9 a 11 e > 11.

Definiram-se como estilo de vida comportamentos que poderiam interferir na saúde dos adolescentes, como: exposição ao tabagismo no domicílio; experimentação de tabaco e bebidas alcoólicas; comportamentos sedentários; nível de atividade física; frequência de consumo de refeições e de alguns itens alimentares.

A informação sobre a exposição ao tabagismo no domicilio foi obtida por pergunta direta sobre a existência de fumantes no domicilio. As perguntas sobre experimentação de tabaco e bebidas alcoólicas foram extraídas do questionário da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). e

Os comportamentos sedentários foram avaliados pelas horas despendidas assistindo televisão ou utilizando computador e/ou videogame . Os adolescentes responderam às seguintes questões: (1) Em um dia de semana comum, quantas horas você assiste televisão? (2) Em um dia de semana comum, quantas horas você utiliza o computador e/ou videogame ? (Comportamento sedentário: uso de televisão e/ou computador e/ou videogame por período ≥ 4 horas/dia). 18

O nível de atividade física foi classificado segundo critérios adotados pela World Health Organization (2008) f e categorizado em dois grupos: inativos (prática de atividade física < 300 minutos/semana) e ativos (prática ≥ 300 minutos/semana).

A análise da frequência de consumo de refeições considerou as três principais do dia: desjejum, almoço, jantar. Adotou-se o ponto de corte de ≥ 5x/semana como frequência desejável. Considerou-se o ponto de corte > 2x/semana para a prática de substituição do jantar por lanche.

O consumo alimentar foi obtido por meio do Questionário de Frequência Alimentar qualitativo, adaptado para adolescentes. 17 Avaliou-se a frequência de consumo de alimentos considerados marcadores da alimentação dos adolescentes ou por serem alimentos saudáveis, e categorizada em ≤ 1x/semana e > 1x/semana.

A avaliação antropométrica foi realizada segundo técnicas preconizadas por Gordon et al 7 (1988). Aferiu-se o peso em balança eletrônica, marca TANITA (modelo UM-080), com variação de 0,1 kg e capacidade de 150 kg. Para a mensuração da estatura, utilizou-se antropômetro portátil da marca Sanny, com variação de 1 mm e extensão de 210 cm. Foram realizadas duas mensurações de estatura, admitindo variação máxima de 0,5 cm entre elas. A média das duas medidas foi utilizada nas análises.

O Índice de Massa Corporal (IMC) foi avaliado segundo sexo e idade e expresso em z-score, 16 adotando-se a classificação: baixo peso (< -2); eutrofia (≥ -2 e ≤ +1); sobrepeso (> +1 e ≤ +2) e obesidade (> +2). As categorias sem excesso de peso (baixo peso e eutrofia) e com excesso de peso (sobrepeso e obesidade) foram utilizadas nas análises.

Na análise bivariada, o teste do Qui-quadrado de Pearson foi aplicado nas comparações entre as proporções. A correção de Bonferroni foi empregada para localizar as diferenças estatisticamente significativas entre as comparações das múltiplas proporções nos diferentes grupos. A análise de regressão de Poisson foi utilizada para o controle das variáveis de confusão em modelos construídos para cada variável resposta e teve como variável explicativa principal a mobilidade social ascendente. Foram construídos dois modelos para cada desfecho: o primeiro ajustado para a escolaridade materna e classe econômica na infância; o segundo ajustado para a classe econômica na infância. Foi estabelecido em 5% o limite de rejeição da hipótese de nulidade para todos os testes estatísticos (p ≥ 0,05).

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário Júlio Muller/UFMT (Protocolo n o 651/CEP-HUJM/2009). Os pais ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes da coleta de dados.

RESULTADOS

Foram avaliados 1.716 adolescentes com média de idade de 12,2 anos (desvio padrão = 1,5 ano). A mobilidade social ascendente entre a infância e adolescência foi observada para 60,6% dos adolescentes.

A mobilidade social mostrou-se predominantemente ascendente. Adolescentes que pertenciam às classes econômicas D (93,6%) e E (99,9%) na infância apresentaram as maiores prevalências de ascensão.

A mobilidade ascendente ocorreu em todos os grupos de raça/cor e atingiu maior percentual entre escolares de cor de pele preta (71,4%) e parda (61,9%) e foi mais expressiva (64,3%) entre os da escola pública (Tabela 1). Aqueles cujas mães apresentaram menor escolaridade na infância (67,2%) e na adolescência ascenderam socialmente com maior frequência (Tabela 1).

Tabela 1 . Mobilidade social ascendente segundo características sociodemográficas dos adolescentes, 2009 a 2011. (N = 1.716) 

Variável Total Mobilidade social ascendente a p f

n % n %

Sexo         0,71
  Masculino 870 50,7 531 61,0  
  Feminino 846 49,3 509 60,2  
Idade (anos)         0,16
  10 105 6,1 59 56,2  
  11 603 35,1 345 57,2  
  12 443 25,8 280 63,2  
  13 236 13,8 146 61,9  
  14 ou + 329 19,2 210 63,8  
Raça/cor g         < 0,001 h
  Preta 259 5,1 185 71,4  
  Parda 1.005 58,6 622 61,9  
  Branca 371 21,6 189 50,9  
  Amarela/Indígena 81 4,7 44 54,3  
Tipo de escola b         < 0,001
  Pública 1.357 79,1 873 64,3  
  Privada 358 20,9 166 46,4  
Escolaridade materna na infância (anos de estudo) c         < 0,001 h
  ≤ 8 1.069 62,8 718 67,2  
  9 a 11 480 28,2 251 52,3  
  > 11 153 9,0 63 41,2  
Escolaridade materna na adolescência (anos de estudo) d         < 0,001 h
  ≤ 8 563 33,9 387 68,7  
  9 a 11 841 50,6 506 60,2  
  > 11 259 15,6 115 44,4  
Escolaridade do chefe de família na adolescência (anos de estudo) e         < 0,001 h
  ≤ 8 659 39,2 432 65,6  
  9 a 11 764 45,4 454 59,4  
  > 11 258 15,3 137 53,1  

A mobilidade social ascendente mostrou associação direta com o tabagismo no domicílio e inversa com a experimentação de bebidas alcoólicas e com o excesso de peso na análise bivariada (Tabela 2). Não foi observada associação significativa da mobilidade social ascendente com a experimentação de tabaco, com os comportamentos sedentários e com o nível de atividade física (Tabela 2).

Tabela 2 . Estilo de vida e o índice de massa corporal segundo a mobilidade social ascendente dos adolescentes, 2009 a 2011. (N = 1.716) 

Variável Mobilidade social ascendente a
Sim Não p c p d p e

n % n %

Tabagismo no domicílio         0,01 0,12 0,28
  Sim 311 29,9 165 24,4      
Experimentação de tabaco         0,67 0,97 0,86
  Sim 41 3,9 24 3,6      
Experimentação de bebidas alcoólicas         < 0,01 0,42 0,31
  Sim 376 36,2 292 43,2      
Comportamentos sedentários b         0,98 0,02 0,02
  ≥ 4 horas/dia 473 45,5 307 45,4      
Atividade física         0,11 0,23 0,14
  ≥ 300 minutos/semana 540 51,9 324 47,9      
Classificação do índice de massa corporal         0,04 0,94 0,84
  Sem excesso peso 771 74,1 470 69,5      
  Com excesso de peso 269 25,9 206 30,5      

Houve menor frequência do hábito de almoçar e de substituir o jantar por lanches, bem como maior frequência de realização do jantar entre os adolescentes que apresentaram mobilidade social ascendente (Tabela 3). A frequência de consumo de salgados em pacote, açúcar e frutas foi maior para os adolescentes que ascenderam socialmente e o consumo de achocolatado em pó foi menor nesse grupo (Tabela 4).

Tabela 3 . Consumo de refeições segundo a mobilidade social ascendente dos adolescentes, 2009 a 2011. (N = 1.716) 

Variável Mobilidade social ascendente a
Sim Não p b p c p d

n % n %

Desjejum         0,59 0,97 0,90
  ≥ 5x/semana 716 68,8 457 67,6      
Almoço         0,03 0,99 1,00
  ≥ 5x/semana 977 93,9 651 96,3      
Jantar         0,03 0,61 0,51
  ≥ 5x/semana 775 74,5 472 69,8      
Lanche ao invés de jantar         < 0,01 0,91 0,74
  > 2x/semana 213 20,5 180 26,6      

Tabela 4 . Frequência de consumo de alimentos segundo a mobilidade social ascendente dos adolescentes, 2009 a 2011. (N = 1.716) 

Variável Mobilidade social ascendente a
Sim Não p b p c p d

n % n (%)

Refrigerantes         0,11 0,28 0,40
  ≤ 1x/semana 295 28,4 216 32,0      
  > 1x/semana 745 71,6 460 68,0      
Macarrão instantâneo         0,20 0,87 0,64
  ≤ 1x/semana 812 78,1 510 75,4      
  > 1x/semana 228 21,9 166 24,6      
Biscoito recheado         0,59 0,73 0,73
  ≤ 1x/semana 560 53,8 737 55,2      
  > 1x/semana 480 46,2 303 44,8      
Salgados em pacote         0,02 0,82 0,97
  ≤ 1x/semana 619 59,5 442 65,4      
  > 1x/semana 421 40,5 234 34,6      
Batata frita         0,25 0,12 0,14
  ≤ 1x/semana 789 75,9 529 78,3      
  > 1x/semana 251 24,1 147 21,7      
Açúcar         0,009 0,72 0,81
  ≤ 1x/semana 170 16,3 144 21,3      
  > 1x/semana 870 83,7 532 78,7      
Balas, caramelos, chicletes         0,58 0,77 0,58
  ≤ 1x/semana 299 28,8 186 38,4      
  > 1x/semana 741 71,3 490 72,5      
Achocolatado em pó         0,001 0,51 0,41
  ≤ 1x/semana 382 36,7 197 29,1      
  > 1x/semana 658 63,3 479 70,9      
Leite         0,45 0,33 0,30
  ≤ 1x/semana 222 21,3 134 19,8      
  > 1x/semana 818 78,7 542 80,2      
Feijão         0,90 0,73 0,72
  ≤ 1x/semana 63 6,1 42 6,2      
  > 1x/semana 977 93,9 634 93,8      
Frutas         0,01 0,87 0,87
  ≤ 1x/semana 15 1,4 22 3,3      
  > 1x/semana 1.025 98,6 654 96,7      
Hortaliças/legumes         0,09 0,82 0,80
  ≤ 1x/semana 30 2,9 30 4,4      
  > 1x/semana 1.010 97,1 646 95,6      

A mobilidade social ascendente associou-se com os comportamentos sedentários no modelo ajustado para a escolaridade materna e classe econômica na infância, e no modelo ajustado somente para a classe econômica na infância após ajuste para variáveis de confusão (Tabela 2). Quando a mobilidade social ascendente foi ajustada pela escolaridade materna e classe econômica na infância, esta explicou o tabagismo no domicílio, o nível de atividade física, a frequência da realização do jantar, a substituição do jantar por lanche e a frequência de consumo de achocolatado em pó. A escolaridade materna na infância apresentou associação positiva com o excesso de peso na adolescência. Quando a mobilidade social ascendente foi ajustada exclusivamente pela classe econômica na infância, as mesmas associações foram observadas, além de associação adicional com o consumo de salgados em pacote (associação inversa), com o consumo de leite e com o excesso de peso (associação direta).

DISCUSSÃO

A classe econômica na infância mostrou-se mais associada aos desfechos analisados do que a mobilidade social ascendente no período avaliado. A grande proporção de ascensão social observada principalmente entre as famílias de menor classe econômica concorda com a importante mudança na estrutura social brasileira ocorrida de 2005 a 2008. A participação da população no estrato de renda baixa encolheu 22,8% nesse período, resultado direto da mobilidade ascendente de 11,7 milhões de pessoas para estratos de renda mais elevados. a

Maior proporção de adolescentes apresentou mobilidade social ascendente entre os de cor preta e parda. Esses resultados confirmam aqueles publicados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a que mostrou aumento da população negra nos estratos de renda média e, sobretudo, superior (25,6% em 1998 para 33,7% em 2008).

A mobilidade social ascendente entre os participantes deste estudo foi mais frequente para aqueles que apresentavam condições mais desfavoráveis na primeira avaliação (1999/2000), por pertenceram a uma classe econômica mais baixa e por serem filhos de mães com menor escolaridade. Estudo com homens finlandeses mostrou que a escolaridade pode contribuir para a melhoria da classe social. Mesmo entre indivíduos de origem social pobre, mas que tinham concluído pelo menos o ensino médio, a chance de apresentar ascensão social era maior do que os com educação primária. 12

No Brasil, segundo o IPEAa (2011), a escolaridade do segmento populacional com 11 anos e mais de estudo cresceu sua participação relativa no estrato de maior renda (40% em 1998 para 55% em 2008) e na base da pirâmide social (3,7% em 1998 para 12,4% em 2008). Essa tendência quanto à escolaridade materna foi observada nesse estudo, havendo redução de 29% na frequência de mães com escolaridade ≤ 8 anos de estudo.

Os adolescentes de escola pública foram os que mais ascenderam socialmente no período, reforçando a hipótese de que os mais pobres tiveram maior ascensão. Esses resultados confirmam a melhoria das condições sociais no País para as classes menos favorecidas da população.

Mobilidade social ascendente mostrou associação independente com os comportamentos sedentários. Uma das hipóteses para esse resultado é que o período avaliado pode não ter sido suficiente para que ocorressem mudanças significativas, tanto no estilo de vida quanto no IMC dos adolescentes. Não foi possível identificar o momento exato em que ocorreu a mudança da classe econômica das famílias. No entanto, um padrão persistente de desigualdade social pode contribuir para a adoção de estilos de vida pouco saudáveis e para o aumento da prevalência de obesidade em algumas populações. 4

A redução da desigualdade social observada nos últimos anos no Brasil deve-se, em parte, à criação de programas sociais de redistribuição de renda pelo governo, como o Programa Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada, além da maior oferta de linhas de crédito. Essa queda pode representar apenas a redução da extrema pobreza, não sendo suficiente para promover mudanças significativas nas condições de vida da população.

Não foi observada associação da experimentação de tabaco e bebidas alcoólicas com a classe econômica na infância. Outros fatores podem ser mais relevantes para a experimentação de álcool e tabaco, uma vez que essas práticas estão mais associadas às características próprias da idade, como curiosidade, necessidade de aceitação pelo grupo, presença de conflitos psicossociais e conquista de algum grau de independência. 19

A classe econômica desfavorável na infância mostrou-se importante fator associado ao tabagismo no domicílio na primeira avaliação dessa coorte 5 e na adolescência. Segundo a World Health Organization, g a prevalência de tabagistas é maior entre os grupos populacionais mais desfavorecidos economicamente. O menor grau de escolaridade e de acesso às informações entre os que pertencem às classes econômicas mais baixas são fatores que podem explicar a maior prevalência de tabagismo.

O nível de atividade física dos adolescentes mostrou associação inversa com a classe econômica na infância. Esse resultado pode estar associado ao critério utilizado para mensurar o nível de atividade física, pois considerou o deslocamento para a escola a pé ou de bicicleta, práticas mais comuns entre os adolescentes de menor renda. Os níveis de participação na atividade física de lazer podem ser limitados por fatores relacionados à falta de segurança, à redução do tempo ou mesmo ausência das aulas de educação física nas escolas em países emergentes. 18

O tipo de atividade física pode variar em função do nível socioeconômico. Rapazes de nível socioeconômico mais baixo são induzidos ao mercado de trabalho mais precocemente, reduzindo o tempo para atividades de lazer ativo e prática de esportes. Rapazes pertencentes ao nível socioeconômico mais elevado frequentam clubes esportivos e academias de ginástica, e participam de atividades fisicamente mais intensas. Moças pertencentes ao nível socioeconômico mais baixo com frequência precisam assumir tarefas domésticas que envolvem trabalho manual de moderada intensidade, enquanto moças pertencentes ao nível socioeconômico mais elevado não necessitariam realizar essas atividades. 8

Os comportamentos sedentários mostraram associação com a mobilidade social ascendente e com a classe econômica na infância. Mesmo que a ascensão social tenha sido discreta, foi suficiente para que os adolescentes desfavorecidos economicamente tivessem maior acesso aos equipamentos eletrônicos (TV, videogame , computadores), o que pode ser explicado pela maior oferta de linhas de crédito. Comportamentos sedentários são mais comuns entre jovens pertencentes a famílias economicamente privilegiadas, 8 provavelmente pela maior facilidade de aquisição de produtos eletrônicos. No entanto, Malta et al 14 (2010) observaram maior prevalência de tempo gasto assistindo televisão entre os escolares de escolas públicas, mostrando que podem existir diferenças nas associações encontradas a depender do comportamento sedentário em questão.

Não foi observada associação significativa entre mobilidade social ascendente e excesso de peso após ajuste para classe econômica na infância. A escolaridade materna e a classe econômica na infância mostraram associação direta com o excesso de peso na adolescência. Melhores condições econômicas são fatores que contribuem para o excesso de peso em adolescentes de países de baixa e média renda. 13 A Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF (2008/2009) mostrou maiores prevalências de obesidade em adolescentes de escolas privadas brasileiras. h O maior poder de compra das famílias de classes econômicas mais elevadas pode explicar esses resultados pela maior disponibilidade de alimentos e maior possibilidade de adoção de comportamentos sedentários.

Classe econômica na infância associou-se com o consumo de refeições. O hábito de jantar foi mais frequente entre os adolescentes de menor nível socioeconômico na infância; em contrapartida, a substituição do jantar pelo lanche foi mais frequente entre aqueles pertencentes às classes econômicas mais elevadas. Resultados da POF (2008/2009) i mostraram que a dieta tradicional brasileira é mais consumida na população de menor renda. Alimentos processados e prontos para consumo, utilizados em lanches, são mais consumidos nas classes econômicas mais altas por apresentarem custo mais elevado.

Uma limitação deste estudo foi o critério utilizado para medir a mobilidade social. A classificação econômica das famílias adotada pela ABEP considera a acumulação de bens, que podem ter sido adquiridos pelo aumento das linhas de crédito e não necessariamente por um ganho real de poder aquisitivo. Apesar de esse critério não ter sido proposto originalmente para utilização em estudos que avaliam desfechos relacionados à saúde e bem-estar social, seu emprego em estudos epidemiológicos é de grande utilidade.

A continuidade de seguimento dessa coorte e o refinamento metodológico para medir a mobilidade social poderão contribuir para avaliações futuras do efeito da redução das desigualdades sociais nos eventos relacionados à saúde.

Em conclusão, este estudo não mostrou associação da mobilidade social ascendente com a maioria dos desfechos avaliados, possivelmente por ter sido discreta ou porque o período avaliado pode não ter sido suficiente para refletir mudanças substanciais no estilo de vida e no IMC dos adolescentes. Contudo, a ascensão social pode influenciar o nível de saúde e a qualidade de vida, embora não assegure, por si só, a adoção de um estilo de vida saudável. São necessárias políticas públicas de incentivo à alimentação saudável, à prática de atividade física e à redução dos comportamentos sedentários.

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Artigo baseado na dissertação de mestrado de Hackenhaar M.L., intitulada: “Mobilidade social, estilo de vida e índice de massa corporal de adolescentes”, apresentada à Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso, em 2013.

a Castro JA, Vaz FM, organizadores. Situação social brasileira: monitoramento das condições de vida 1. Brasília (DF): IPEA; 2011 [citado 2012 jun 23]. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=10201

b Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Códigos e guias: CCEB – Critério de Classificação Econômica Brasil. São Paulo: ABEP; 2003 [citado 2012 mar 10]. Disponível em: http://www.abep.org/novo/Content.aspx?ContentID=302

c Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Códigos e guias: CCEB – Critério de Classificação Econômica Brasil. São Paulo: ABEP; 2008. [citado 2012 mar 10]. Disponível em: http://www.abep.org/novo/Content.aspx?ContentID=302

d Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Tendências demográficas: uma análise dos resultados da amostra do censo demográfico 2000. Rio de Janeiro; 2004. (Estudos e Pesquisas. Informação Demográfica Socioeconômica, 13). [citado 2012 out 21]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/tendencias_demograficas/tendencias.pdf

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Recibido: 14 de Diciembre de 2012; Aprobado: 1 de Julio de 2013

Correspondência | Correspondence : Marisa Luzia Hackenhaar - Rua 3100 Quadra 14 Casa 9 Jardim Imperial - 78075-735 Cuiabá, MT, Brasil - E-mail: Marisa.nutri@hotmail.com

Estudo financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – Processo n o 471063/2009-6), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT – Processo nº 446298/2009) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES – Processo nº 23038.042868/2008-11).

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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