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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910

Rev. Saúde Pública vol.47  supl.1 São Paulo Feb. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102013000700001 

EDITORIAL

 

 

Aluísio Jardim Dornellas de Barros

Editor Científico

 

 

Este número da Revista de Saúde Pública (RSP) é marcado pela novidade de um suplemento encartado. Seis dos artigos originais que fazem parte deste fascículo compõem o suplemento sobre a alimentação do brasileiro, baseado em inquérito alimentar adicionado à Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada periodicamente pelo IBGE.

A associação entre as pesquisas regulares do IBGE e levantamentos relevantes para a saúde pública no Brasil é antiga e se intensificou a partir de 1998 com o suplemento de saúde anexado à PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Esse suplemento foi repetido em 2003 e 2008, e agora se transforma em uma pesquisa independente, na forma de um inquérito nacional de saúde. Mas a associação entre as pesquisas econômicas do IBGE e questões de saúde não são apenas trampolim para uma pesquisa independente. A riqueza de informações disponíveis nesses inquéritos, em especial a POF, que levanta de forma detalhada os gastos domiciliares, e a PNAD, que coleta informações sobre características domiciliares, pessoais, emprego, renda e migração, oferece oportunidades imperdíveis. Essas pesquisas se baseiam em grandes amostras, com representatividade nacional e regional, que permitem inferências quase impensáveis em situações de estudos epidemiológicos independentes. Os dados são públicos e imediatamente disponíveis pela internet. Chega a ser surpreendente que um número muito maior de pesquisadores não esteja publicando análises baseadas nesses dados.

Este suplemento apresenta trabalhos que exploram a riqueza das informações disponíveis. De forma semelhante a outras análises baseadas em inquéritos com amostragem complexa, é essencial que o desenho amostral seja levado em conta. Em especial, quando as quantidades estimadas fogem de proporções e médias de variáveis coletadas de forma direta, a tarefa se torna mais complicada. A estimativa da quantidade de calorias, nutrientes ou micronutrientes consumidos por cada indivíduo da amostra é feita a partir de uma manipulação complexa da informação original coletada. Assim, estimar sua variabilidade não é tarefa trivial, e técnicas de reamostragem tornam-se necessárias. Os autores do suplemento mostram seu compromisso com a saúde pública e com a qualidade metodológica ao adaptarem e utilizarem técnicas sofisticadas para extrair as melhores estimativas dos dados disponíveis.

Finalmente, ressalto a importância dos resultados apresentados e os desafios que a investigação na área de alimentação e nutrição tem que vencer. O panorama que se apresenta nessa coleção é de valor inestimável para a compreensão da situação brasileira na área, com consequências imediatas para políticas econômicas, da agroindústria, da indústria alimentar, da saúde e do ambiente. De outro lado, o contraste entre o evidente progresso do Brasil e dos brasileiros, do ponto de vista social e da saúde, e as deficiências na ingesta, em particular dos micronutrientes, enfatiza a necessidade de uma compreensão ampla do fenômeno nutricional, da capacidade adaptativa do ser humano e da superação das estratégias políticas que se limitem a prescrições nutricionais e comportamentais. As motivações humanas são baseadas em decisões altamente complexas que englobam aspectos da saúde, da economia, do lazer, do prazer, do social e do individual. Intervenções comportamentais têm se mostrado, em grande parte, frustrantes do ponto de vista da saúde pública. As informações que apresentamos neste suplemento, junto com outras tantas, precisam servir de base para intervenções inovadoras, criativas e corajosas que possam realmente significar uma mudança de trajetória em relação àquilo que tem sido observado em países de alta renda, e que parece ser nosso destino - altíssimas prevalências de excesso de peso e de sedentarismo.

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