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Revista de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0034-8910versão On-line ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.50  supl.1 São Paulo  2016  Epub 23-Fev-2016

http://dx.doi.org/10.1590/s01518-8787.2016050006698 

Artigo Original

ERICA: ingestão de macro e micronutrientes em adolescentes brasileiros

Amanda de Moura SouzaI 

Laura Augusta BarufaldiII 

Gabriela de Azevedo AbreuIII 

Denise Tavares GianniniIV 

Cecília Lacroix de OliveiraV 

Marize Melo dos SantosVI 

Vanessa Sá LealVII 

Francisco de Assis Guedes VasconcelosVIII 

IInstituto de Estudos em Saúde Coletiva. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

IIDepartamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Brasília, DF, Brasil

IIIPrograma de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Instituto de Medicina Social. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

IVDivisão de Nutrição. Hospital Universitário Pedro Ernesto. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

VDepartamento de Nutrição. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

VIDepartamento de Nutrição. Núcleo de Estudos em Saúde Pública. Universidade Federal do Piauí. Teresina, PI, Brasil

VIINúcleo de Nutrição. Centro Acadêmico de Vitória. Universidade Federal de Pernambuco. Vitória de Santo Antão, PE, Brasil

VIIIDepartamento de Nutrição. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC, Brasil

RESUMO

OBJETIVO

Descrever o perfil de consumo alimentar e de macronutrientes, e estimar a prevalência de inadequação da ingestão de micronutrientes em adolescentes brasileiros.

MÉTODOS

Foram avaliados dados de 71.791 adolescentes de 12 a 17 anos que participaram do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), realizado em 2013-2014. O consumo alimentar foi estimado por meio de recordatório alimentar de 24h; em uma subamostra dos adolescentes foi coletado um segundo R24h para a estimativa da variância intrapessoal e o cálculo de ingestão alimentar usual. Estimou-se prevalência de consumo de alimentos ou grupos de alimentos referidos pelos adolescentes. Para ingestão inadequada de sódio considerou-se valores acima do nível de ingestão máxima tolerável. Prevalências de inadequação foram calculadas pelo método da Necessidade Média Estimada (Estimated Average RequirementEAR) como ponto de corte. Todas as análises foram estratificadas segundo sexo, faixa etária e macrorregiões do País, e levaram em consideração o peso amostral e a complexidade do desenho do estudo.

RESULTADOS

Os alimentos mais consumidos pelos adolescentes foram arroz, feijão e outras leguminosas, sucos e refrescos, pães, e carne bovina. A ingestão média de energia dos adolescentes variou de 2.036 kcal (meninas de 12 a 13 anos) a 2.582 kcal (meninos de 14 a 17 anos). O consumo de ácidos graxos saturados e de açúcar livre ultrapassaram limites máximos recomendados da ingestão energética total (< 10,0%). Maiores prevalências de inadequação (> 50,0%) foram para cálcio e vitaminas A e E. O consumo de sódio foi acima dos limites máximos recomendados em mais de 80,0% dos adolescentes.

CONCLUSÕES

A dieta dos adolescentes brasileiros é caracterizada pelo consumo de alimentos tradicionais, como arroz e feijão, e ingestão elevada de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados. Esse padrão associa-se à elevada inadequação da ingestão de cálcio, vitaminas A e E e ao consumo excessivo de ácidos graxos saturados, sódio e açúcar livre.

Palavras-Chave: Adolescente; Consumo de Alimentos; Micronutrientes; Macronutrientes; Inquéritos sobre Dietas; Estudos Transversais; Inquéritos Nutricionais

INTRODUÇÃO

As doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) são a principal causa de morte em todas as regiões do Brasil19. O sobrepeso e a obesidade, fatores de risco importantes para a ocorrência dessas doenças, apresentam níveis de prevalência crescentes em todo o mundo e atinge todas as fases da vida, inclusive crianças e adolescentes9.

O aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, açúcar e sal, e o baixo consumo de legumes, verduras e frutas20, associados ao menor gasto energético diário, explicam as tendências crescentes de sobrepeso e obesidade2,a e alterações metabólicas na população infantil e adolescente. Também contribuem para as deficiências nutricionais características nessa fase da vida, como de ferro, zinco, cálcio, fósforo e vitaminas A, C, E21.

A adolescência é uma fase de intensa modificação corporalb, e hábitos alimentares inadequados estão associados ao risco elevado de obesidade e outras DNCT8, sendo importante o monitoramento do consumo alimentar dos adolescentes brasileiros para a implementação e avaliação de estratégias de intervenção. Diante disso, o objetivo do presente estudo foi descrever o perfil de consumo alimentar e de macronutrientes e estimar a prevalência de inadequação da ingestão de micronutrientes em adolescentes brasileiros.

MÉTODOS

Foram utilizados os dados do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) realizado no período de 2013 a 2014. O ERICA é um inquérito nacional de base escolar cujo objetivo foi avaliar a prevalência de fatores de risco cardiovasculares e síndrome metabólica em adolescentes de 12 a 17 anos que frequentavam escolas públicas e privadas localizadas em 124 cidades brasileiras. Informações detalhadas quanto ao processo de amostragem e a coleta de dados foram publicadas previamente3,23. Resumidamente, o ERICA adotou um plano de amostragem por conglomerado em três estágios. No primeiro estágio, foram selecionadas as escolas com probabilidade proporcional ao tamanho, previamente estratificadas em 32 estratos geográficos (27 capitais e cinco conjuntos com os demais municípios de cada macrorregião). No segundo estágio, foram selecionadas três combinações de turno (manhã e tarde) e ano (um dos três últimos anos do ensino fundamental ou de um dos três anos do ensino médio). No terceiro estágio, foi selecionada uma turma para cada uma das combinações descritas anteriormente15. Foram excluídos adolescentes fora da faixa etária de 12 a 17 anos que possuíam algum grau de deficiência que impossibilitassem a avaliação antropométrica e o preenchimento do questionário, e também as adolescentes gestantes.

Dos 102.327 adolescentes elegíveis para participarem do estudo, 73.160 responderam o recordatório alimentar de 24 horas (R24h) e 75.589 preencheram, em coletor eletrônico de dados (Personal Digital Assistant – PDA), o questionário do adolescente (com cerca de 100 questões divididas em 11 blocos, abordando aspectos sociodemográficos, de saúde e de estilo de vida). Os participantes do ERICA foram agrupados em subconjuntos de acordo com as partes do estudo para as quais se tinham informação, de forma que os pesos amostrais foram calculados para cada um dos subconjuntos definidos. No presente estudo foram, portanto, avaliados 71.971 adolescentes que tinham dados completos para o subconjunto de PDA e R24h. A taxa de não reposta para este subconjunto foi de 29,7%. Em uma subamostra de dois adolescentes por turma (cerca de 7,0% da amostra), foram coletados um segundo R24h, utilizado para estimativa da variância intrapessoal, o que possibilitou o cálculo ingestão alimentar usual dos adolescentes.

A ingestão alimentar foi estimada pela aplicação de R24h. Os adolescentes foram entrevistados por pesquisadores de campo devidamente treinados, que utilizaram um software específico para a entrada de dados de consumo alimentar, com registro direto das informações em netbooks. A técnica de entrevista utilizada foi o multiple-pass method5, que consiste em uma entrevista orientada em cinco etapas, com o objetivo de reduzir o subrelato do consumo alimentar. O software utilizado continha uma lista de alimentos provenientes da base de dados de aquisição de alimentos e bebidas da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002-2003 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)c. Os alimentos que não constavam na base de dados foram incluídos pelos entrevistadores.

A ingestão de energia e nutrientes foi estimada com base na Tabela de Composição Nutricional dos Alimentos Consumidos no Brasild e na Tabela de Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no Brasile.

Os dados de ingestão de nutrientes não incluíram o consumo de suplementos ou medicamentos. Para análise da ingestão de energia e nutrientes, considerou-se a adição de óleo de soja em todas as formas de preparação cozidas e refogadas de carnes e vegetais. O consumo usual de açúcar e adoçante foi avaliado a partir da seguinte questão: “utiliza com frequência”; com as seguintes opções de resposta: açúcar, adoçante, açúcar e adoçante, não utiliza. Padronizou-se a adição de 10 g de açúcar para cada 100 ml de suco de fruta, café, café com leite, chá e mate, quando os adolescentes reportaram o consumo usual de açúcar; e adição de 5 g de açúcar para cada 100 ml dessas bebidas, quando foi reportado o consumo usual de açúcar e adoçante. Os 1.626 itens alimentares disponíveis na lista de alimentos utilizada no software específico para coleta de dados do ERICA foram categorizados em 35 grupos com perfis similares de macronutrientes (Tabela 1). Um único dia de consumo fornece boas estimativas da média populacional da ingestão de nutrientes e alimentos22; portanto, as estimativas de prevalência de consumo dos alimentos e das médias populacionais de ingestão de energia e da contribuição percentual de macronutrientes foram calculadas com base em um R24h. Foram apresentados somente os 20 alimentos mais consumidos.

Tabela 1 Categorização dos alimentos citados pelos participantes do ERICA segundo perfil similar de macronutrientes. ERICA, Brasil, 2013-2014. 

Grupos de alimentos Descrição
Arroz Arroz, arroz com legumes, sushi e outras preparações à base de arroz
Milho Milho, farinha de milho, polenta e outras preparações à base de milho
Feijões e outras leguminosas Feijões, carne de soja e outras leguminosas
Hortaliças Vegetais folhosos e legumes
Tubérculos Batatas, exceto industrializadas (chips), mandioca, inhame e outros tubérculos
Frutas Frutas e salada de frutas
Oleaginosas Amendoim, castanha de caju, amêndoas e outros
Cereais matinais Aveia, sucrilhos, barra de cereais e outros cereais
Massas Macarrão, ravióli, lasanha e outras preparações à base de massas
Sopas Sopas e caldos
Pães Pães brancos e integrais e torradas
Bolos e tortas Bolos e tortas em geral
Biscoitos doces Biscoitos doces e recheados
Biscoitos salgados Biscoito salgados e tipo chips (batata ou milho)
Carne bovina Carne bovina e preparações à base de carne e outras carnes
Carne de porco Carne de porco e preparações à base de carne porco
Frango Frango e preparações à base de frango e outras aves
Peixes Peixe e preparações à base de peixe
Carnes processadas Presunto, salame, mortadela, linguiça, salsicha e outras carnes processadas
Ovos Ovos e preparações a base de ovos
Leite Leite integral e desnatado
Bebidas lácteas com sabor Bebidas lácteas adoçadas com aromas artificiais ou naturais, e leite fermentado
Bebidas à base de soja Leite de soja e bebidas à base de soja
Sucos e refrescos Sucos de frutas naturais e industrializados
Refrigerantes Refrigerantes normais
Refrigerantes diet ou light Refrigerantes dietéticos e light
Café Café, cappuccino, café com leite e outras bebidas à base de café
Chá Chás
Bebidas alcoólicas Vinho, cerveja e outros
Queijos e outros produtos lácteos Queijos e iogurtes
Doces e sobremesas Doces e sobremesas a base de frutas, chocolate e outras guloseimas
Açúcar, mel e geleias Açúcar, mel e geleias
Doces e sobremesas diet ou light Doces, sobremesas, bolos, tortas e biscoitos doces diet ou light
Óleos e gorduras Óleos vegetais, azeite de oliva, manteiga, margarina, molhos e condimentos
Pizza Pizzas e calzones
Salgados fritos e assados Coxinha, empadão, pão de queijo e outros salgados
Sanduíches Hambúrgueres e outros sanduíches

Os percentis das distribuições de ingestão e as prevalências de consumo inadequado de micronutrientes (cálcio, fósforo, ferro, sódio, zinco, vitaminas A, C, E e B12) foram estimados com base nos dados de R24h, corrigidos pela variabilidade intraindividual segundo método proposto pelo National Cancer Institute (NCI)7. Esse método consiste em um modelo misto não linear de duas partes: a primeira é baseada em um modelo de regressão logística com efeitos aleatórios para estimativa da probabilidade de consumo; a segunda estima a quantidade consumida por modelos de regressão linear com efeitos aleatórios aplicados após a transformação dos dados para normalidade. As cincos macrorregiões do País e a situação da escola (urbano ou rural) foram consideradas como covariáveis em todos os modelos utilizados.

As prevalências de inadequação foram estimadas como a proporção de adolescentes com ingestão do micronutriente inferior à necessidade média estimada9-16, utilizando o método da Necessidade Média Estimada (Estimated Average Requirement – EAR) como ponto de corte, conforme recomendado pelo Institute of Medicine (IOM)11. O cálculo da prevalência de inadequação considerou o peso amostral e a complexidade do desenho da amostra, usando a técnica de replicação Balanced Repeated Replication (BRR) com modificação de Fay1,6.

Para a estimativa da inadequação do ferro, foi utilizada a abordagem probabilística manualmente determinada, uma vez que a curva de distribuição da necessidade de ferro é considerada assimétrica entre as mulheres em idade fértil, não atendendo aos pressupostos necessários para que a EAR seja utilizada12. Para cada percentil (1, 5, 10, 15, 25, 40, 50, 75, 85, 90, 95, 99) da distribuição da ingestão usual de ferro foram estimadas probabilidade de inadequação de acordo com o sexo e grupo de idade com base nas recomendações do IOM12. A prevalência de inadequação consiste na soma do percentual dos adolescentes com inadequação em cada percentil.

Para ingestão de sódio, valores acima do nível de ingestão máximo tolerável (Tolerable Upper Intake Level) foram considerados inadequados, permitindo a estimativa da proporção de adolescentes em risco de efeito adverso à saúde10.

A idade foi categorizada em duas faixas etárias devido às diferentes recomendações para ingestão de micronutrientes segundo sexo e idade. As análises foram estratificadas segundo sexo, grupo etário (12 a 13 anos e 14 a 17 anos) e macrorregiões. Todas as estimativas foram calculadas utilizando o software SAS (Statistical Analysis System) versão 9.3 e levaram em consideração os fatores de expansão e a complexidade do desenho da amostra.

O ERICA foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro e de cada estado e do Distrito Federal. Todos os participantes assinaram termo de assentimento.

RESULTADOS

Os alimentos com maior prevalência de consumo entre os adolescentes foram arroz (82,0%), feijão (68,0%), sucos e refrescos (56,0%), pães (53,0%) e carne bovina (52,0%) nas duas faixas etárias (Figura 1). Observou-se alta prevalência de consumo de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, salgados fritos e assados, e biscoitos doces e salgados, sendo o refrigerante o sexto alimento mais referido (45,0%). A prevalência do consumo de frutas foi baixa, e esse grupo de alimentos ficou entre os 20 mais consumidos somente entre os meninos de 12 a 13 anos (18,0%).

Figura 1 Prevalência dos 20 alimentos mais consumidos entre os adolescentes brasileiros segundo sexo e faixa etária. ERICA, 2013-2014. 

As análises estratificadas segundo macrorregiões apresentaram diferenças importantes quanto à prevalência de consumo de alguns itens alimentares (Figura 2). O café (64,0%) ficou entre os cinco alimentos mais consumidos somente na região Norte. O feijão foi o segundo alimento mais consumido nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A região Sul apresentou a maior prevalência de consumo de refrigerantes (51,0%). As hortaliças (54,0%) configuraram entre os cinco alimentos mais consumidos somente na região Centro-Oeste.

Figura 2 Prevalência dos 20 alimentos mais consumidos entre os adolescentes brasileiros segundo macrorregiões. ERICA, 2013-2014. 

A ingestão média de energia dos adolescentes variou de 2.036 kcal entre meninas de 12 a 13 anos a 2.582 kcal entre meninos de 14 a 17 anos (Tabela 2). A ingestão energética total de acordo com a idade não diferiu para o sexo feminino. Para o sexo masculino, a ingestão de energia foi maior entre os meninos de 14 a 17 anos quando comparados aos meninos de 12 a 13 anos (2.582 kcal versus 2.281 kcal). As médias de ingestão energética foram similares entre as macrorregiões.

Tabela 2 Média e IC95% do consumo de energia e do percentual do consumo calórico total dos macronutrientes segundo sexo e grupo de idade, para o Brasil e macrorregiões. ERICA, 2013-2014. 

Variável Meninas Meninos


12-13 14-17 12-13 14-17




Média IC95% Média IC95% Média IC95% Média IC95%
Energia (kcal)
Brasil 2.036 1.981-2.090 2.124 2.086-2.161 2.281 2.192-2.370 2.582 2.511-2.653
Norte 2.121 1.990-2.253 2.155 2.103-2.206 2.261 2.135-2.387 2.573 2.499-2.648
Nordeste 2.100 1.924-2.277 2.257 2.188-2.326 2.502 2.349-2.657 2.668 2.568-2.767
Centro-Oeste 2.068 1.988-2.148 2.112 2.052-2.172 2.394 2.273-2.516 2.652 2.564-2.741
Sudeste 2.018 1.961-2.076 2.085 2.024-2.144 2.213 2.062-2.364 2.564 2.433-2.696
Sul 1.913 1.728-2.098 2.033 1.945-2.121 2.121 1.980-2.261 2.464 2.393-2.536
Carboidratos (%)
Brasil 54,0 53,4-54,3 53,7 53,4-54,1 53,4 52,9-53,9 53,4 52,8-54,0
Norte 54,8 53,9-55,7 53,8 53,5-54,4 54,7 53,6-55,9 54,8 54,2-55,5
Nordeste 54,6 53,5-55,6 54,0 53,5-54,6 54,4 53,5-55,2 54,6 53,7-55,4
Centro-Oeste 53,2 51,9-54,4 53,0 52,2-53,8 52,1 50,9-53,3 51,5 50,7-52,3
Sudeste 53,5 52,8-54,1 53,5 52,9-54,1 53,1 52,5-53-8 52,9 51,9-53,9
Sul 54,5 53,5-55,5 54,3 52,7-55,8 52,2 49,5-54,9 53,8 52,6-55,0
Proteína (%)
Brasil 15,4 15,1-15,7 15,4 15,2-15,6 16,2 15,9-16,4 16,3 16,0-16,6
Norte 15,6 15,1-16,1 15,6 15,4-15,9 16,3 15,8-16,9 16,2 15,9-16,5
Nordeste 15,1 14,7-15,4 15,1 14,7-15,6 15,9 15,2-16,6 15,7 15,5-16,0
Centro-Oeste 15,9 15,4-16,5 15,8 15,5-16,1 16,7 16,0-17,4 17,1 16,7-17,5
Sudeste 15,6 15,0-16,1 15,6 15,3-15,9 16,2 15,9-16,6 16,5 16,0-17,1
Sul 14,8 14,0-15,5 14,7 14,1-15,3 16,2 15,3-17,0 15,8 15,4-16,2
Lipídeos totais (%)
Brasil 30,9 30,5-31,3 31,1 30,7-31,5 30,6 30,2-31,0 30,2 29,8-30,6
Norte 29,5 29,0-30,0 30,6 30,0-31,2 28,8 28,1-29,5 28,7 28,2-29,1
Nordeste 30,6 29,7-31,4 31,0 30,4-31,6 29,8 29,1-30,5 29,6 28,7-30,5
Centro-Oeste 31,3 30,4-32,1 31,5 31,0-32,0 31,4 30,6-32,2 31,5 31,0-32,0
Sudeste 31,3 30,6-32,0 31,2 30,5-31,8 30,9 30,3-31,5 30,4 29,9-31,0
Sul 31,1 30,3-31,9 31,3 30,3-32,3 31,7 29,9-33,6 30,4 29,4-31,4
Ácidos graxos saturados (%)
Brasil 11,3 11,1-11,7 11,5 11,3-11,7 10,9 10,6-11,1 10,8 10,7-11,0
Norte 10,5 10,1-10,8 11,2 10,8-11,5 10,3 10,0-10,7 10,2 9,9-10,5
Nordeste 11,3 10,8-11,7 11,5 11,1-11,9 10,8 10,3-11,3 10,8 10,3-11,3
Centro-Oeste 11,5 10,9-12,2 11,4 11,1-11,7 11,1 10,7-11,5 10,9 10,7-11,2
Sudeste 11,6 11,1-12,0 11,5 11,2-11,9 10,9 10,6-11,2 10,9 10,7-11,1
Sul 11,2 10,7-11,6 11,4 11,0-11,9 11,0 10,3-11,8 10,9 10,5-11,3
Ácidos graxos monoinsaturados (%)
Brasil 10,5 10,3-10,7 10,6 10,4-10,7 10,3 10,0-10,5 10,2 10,0-10,6
Norte 10,3 10,0-10,6 10,3 10,2-10,5 10,0 9,7-10,2 9,9 9,7-10,0
Nordeste 10,8 10,6-11,0 11,0 10,8-11,1 10,4 10,2-10,6 10,4 10,3-10,5
Centro-Oeste 10,9 10,5-11,2 10,9 10,7-11,1 10,6 10,4-10,9 10,8 10,6-11,0
Sudeste 10,3 10,1-10,5 10,4 10,3-10,6 10,3 10,8-10,4 10,1 10,0-10,3
Sul 10,9 10,5-11,2 10,7 10,5-10,9 10,6 10,3-10,9 10,7 10,5-10,9
Ácidos graxos poli-insaturados (%)
Brasil 6,2 6,1-6,3 6,1 6,0-6,2 6,2 5,9-6,5 5,9 5,8-6,0
Norte 6,0 5,7-6,3 5,9 5,7-6,0 5,4 5,1-5,7 5,4 5,3-5,6
Nordeste 5,7 5,4-5,9 5,8 5,6-6,0 5,5 5,3-5,7 5,4 5,3-5,5
Centro-Oeste 5,9 5,7-6,2 6,2 6,0-6,3 6,1 5,8-6,4 6,1 6,0-6,3
Sudeste 6,4 6,2-6,6 6,2 6,0-6,4 6,7 6,1-7,2 6,1 5,9-6,3
Sul 6,5 6,1-6,9 6,4 6,1-6,7 6,6 6,3-6,9 6,2 5,9-6,5
Ácidos graxos trans total (%)
Brasil 1,0 0,9-1,0 1,0 0,9-1,0 1,0 0,9-1,0 1,0 0,9-1,0
Norte 1,1 1,0-1,2 1,1 1,0-1,2 1,1 1,0-1,1 1,1 1,0-1,2
Nordeste 1,0 0,9-1,1 1,0 0,9-1,0 1,0 0,9-1,2 1,0 1,0-1,1
Centro-Oeste 0,9 0,9-0,9 0,9 0,9-1,0 1,0 1,0-1,1 1,0 0,9-1,0
Sudeste 0,9 0,8-1,0 0,9 0,9-1,0 1,0 0,8-1,1 1,0 0,9-1,1
Sul 1,3 1,1-1,5 1,2 1,1-1,2 1,3 1,2-1,4 1,3 1,2-1,4
Açúcar total (%)
Brasil 24,7 24,1-25,3 24,7 24,2-25,1 21,8 21,0-22,5 21,9 21,4-22,4
Norte 21,3 19,6-22,9 21,5 20,9-22,1 19,2 18,0-20,4 19,1 18,4-19,7
Nordeste 24,1 23,3-24,9 24,7 23,7-25,6 22,3 21,3-23,4 22,0 21,3-22,8
Centro-Oeste 26,5 25,5-27,6 25,5 24,9-26,1 22,8 21,7-23,9 22,4 21,6-23,2
Sudeste 24,7 23,7-25,7 24,7 24,1-25,3 21,6 20,3-22,9 21,8 21,0-22,7
Sul 27,0 26,0-28,1 26,3 24,8-27,7 22,6 20,6-24,5 23,9 23,2-24,7

A contribuição percentual de carboidratos, proteínas e lipídeos para a ingestão energética total foi semelhante nos diferentes grupos de sexo e idade, bem como entre as macrorregiões. As médias de contribuição calórica de carboidratos, proteínas e lipídios foram de 54,0%, 15,0%, 31,0% entre as meninas e de 53,0%, 16,0% e 30,0% entre os meninos, respectivamente (Tabela 2). Para o açúcar livre (açúcar de adição e o presente nos sucos de frutas naturais), foram observados padrões distintos de consumo, sendo a contribuição energética proveniente do açúcar maior entre adolescentes do sexo feminino, com valores médios de aproximadamente 25,0% entre as meninas e 22,0% entre os meninos, ambos acima do recomendado (< 10,0%) pelo Ministério da Saúde15. Independentemente do sexo e da idade, a contribuição calórica dos ácidos graxos saturados ultrapassou o limite máximo recomendado de menos de 10,0% da ingestão energética total15, com média de aproximadamente 11,0%.

Os micronutrientes que apresentaram as maiores prevalências de inadequação (> 50,0%) foram cálcio, fósforo e vitaminas E e A. A inadequação do consumo de vitamina E e cálcio atingiram 100% dos adolescentes, independentemente de sexo, idade e região (Tabelas 3 e 4). Em relação ao sódio, mais de 80,0% dos adolescentes apresentaram ingestão superior ao valor de ingestão máximo tolerável, sendo que para os meninos esse valor foi de quase 100%. A inadequação do consumo de ferro foi maior entre o sexo feminino, especialmente na faixa etária de 14 a 17 anos (14,0% das meninas com inadequação contra 0,9% dos meninos). A prevalência de inadequação do consumo de fósforo também foi maior nas meninas, atingindo 60,0% das adolescentes de 14 a 17 anos, ao passo que nos meninos da mesma faixa etária a prevalência de inadequação foi de 26,0%. Já para vitamina C, os valores de inadequação foram maiores entre os adolescentes do sexo masculino, sendo de 23,0% para os meninos de 14 a 17 anos e 8,0% para as meninas da mesma faixa etária. A vitamina B12 e o zinco foram os nutrientes com as menores prevalências de inadequação. A ingestão de zinco foi adequada para 99,0% dos adolescentes do sexo masculino de 14 a 17 anos e a de B12 foi adequada para 100% das meninas de 12 a 13 anos. As prevalências de inadequação foram em geral similares entre as macrorregiões.

Tabela 3 Recomendação nutricional (RN)a, percentis 10, 50 e 90 e prevalências (%IN) de inadequação do consumo de micronutrientes para adolescentes do sexo feminino segundo faixa etária, para o Brasil e macrorregiões. ERICA, 2013-2014. 

Micronutrientes por macrorregiões Faixa etária

12-13 anos (N = 10.971) 14-17 anos (N = 28.941)


RN 10 50 90 %IN RN 10 50 90 %IN
Cálcio (mg)
Brasil 1.100 332 519 781 99,0 1.100 344 538 805 99,0
Norte 329 517 774 99,0 331 519 778 99,0
Nordeste 335 522 789 99,0 336 525 781 99,0
Centro-Oeste 349 545 812 99,0 351 545 817 99,0
Sudeste 340 529 793 99,0 341 533 800 99,0
Sul 342 537 802 99,0 347 540 808 99,0
Fósforo (mg)
Brasil 1.050 709 963 1.284 65,0 1.050 736 997 1.325 60,0
Norte 734 998 1.329 59,0 734 996 1.326 60,0
Nordeste 728 991 1.320 61,0 728 990 1.320 61,0
Centro-Oeste 718 976 1.302 63,0 716 975 1.300 63,0
Sudeste 723 984 1.313 62,0 723 984 1.313 62,0
Sul 719 975 1.307 63,0 719 977 1.304 63,0
Ferro (mg)
Brasil 5,7 8,3 11,6 16,0 2,5b 7,9 8,6 12,1 16,6 14,1
Norte 8,4 11,8 16,2 2,1 8,4 11,8 16,2 14,6
Nordeste 8,4 11,8 16,2 2,1 8,4 11,9 16,3 14,6
Centro-Oeste 8,5 11,9 16,4 2,3 8,5 12,0 16,4 14,6
Sudeste 8,5 12,0 16,4 2,1 8,5 11,9 16,4 14,6
Sul 8,5 12,0 16,5 2,4 8,6 12,0 16,5 14,6
Sódio (mg)
Brasil 2.200 2.048 2.831 3.820 84,0c 2.300 2.154 2.831 3.820 85,0
Norte 2.220 3.049 4.095 91,0 2.202 3.021 4.064 87,0
Nordeste 2.173 2.987 4.014 89,0 2.152 2.957 3.980 85,0
Centro-Oeste 2.047 2.819 3.813 84,0 2.028 2.791 3.769 79,0
Sudeste 2.128 2.932 3.945 88,0 2.103 2.901 3.397 82,0
Sul 2.089 2.871 3.876 86,0 2.058 2.840 3.837 80,0
Zinco (mg)
Brasil 7,0 8,1 11,0 14,7 3,0 7,3 8,3 11,3 15,1 3,0
Norte 8,1 11,1 14,9 3,0 8,2 11,1 14,9 4,0
Nordeste 8,2 11,1 15,0 3,0 8,2 11,1 14,9 4,0
Centro-Oeste 8,3 11,3 15,2 2,0 8,3 11,3 15,2 3,0
Sudeste 8,2 11,2 15,0 3,0 8,2 11,2 15,0 4,0
Sul 8,3 11,2 15,0 3,0 8,3 11,3 15,1 4,0
Vitamina A (mg)
Brasil 420 194 350 624 66,0 485 208 374 665 72,0
Norte 207 373 664 60,0 207 372 662 72,0
Nordeste 205 368 655 61,0 204 368 655 73,0
Centro-Oeste 202 364 648 63,0 202 364 647 74,0
Sudeste 203 365 649 62,0 201 363 647 74,0
Sul 201 363 639 63,0 200 360 645 74,0
Vitamina B12 (mcg)
Brasil 1,5 2,6 4,1 6,3 0,0 2,0 2,7 4,3 6,6 1,0
Norte 2,7 4,2 6,5 0,0 2,7 4,2 6,5 2,0
Nordeste 2,7 4,2 6,5 0,0 2,7 4,2 6,5 2,0
Centro-Oeste 2,7 4,2 6,5 0,0 2,7 4,2 6,5 2,0
Sudeste 2,7 4,2 6,5 0,0 2,7 4,2 6,5 2,0
Sul 2,7 4,2 6,5 0,0 2,7 4,2 6,4 2,0
Vitamina E (mg)
Brasil 9,0 2,8 3,9 5,4 100,0 12,0 2,9 4,0 5,4 100,0
Norte 2,6 3,6 4,9 100,0 2,6 3,7 5,0 100,0
Nordeste 2,7 3,7 5,1 100,0 2,8 3,8 5,2 100,0
Centro-Oeste 3,0 4,2 5,6 100,0 3,1 4,3 5,7 100,0
Sudeste 2,8 3,9 5,3 100,0 2,9 4,0 5,4 100,0
Sul 3,0 4,1 5,5 100,0 3,0 4,1 5,6 100,0
Vitamina C (mg)
Brasil 39 54,7 93,2 155,1 2,0 56 59,2 100,4 167,0 8,0
Norte 61,2 104,0 172,4 1,0 60,5 103,0 171,3 7,0
Nordeste 59,2 100,9 167,8 1,0 58,8 100,0 166,2 8,0
Centro-Oeste 56,6 96,6 161,0 2,0 56,2 95,6 159,3 10,0
Sudeste 57,2 97,4 162,5 1,0 56,6 96,3 160,9 10,0
Sul 55,4 94,9 158,0 2,0 55,0 93,9 157,5 11,0

a Recomendação nutricional com base na EAR (Estimated Average Requirements).

b Estimado pelo método da abordagem probabilística para qual não foi possível estimar o erro-padrão.

c Estimado com base no nível de ingestão máxima tolerável.

Tabela 4 Recomendação nutricional (RN)a, percentis 10, 50 e 90 e prevalências (%IN) de inadequação do consumo de micronutrientes para adolescentes do sexo masculino segundo faixa etária, para o Brasil e macrorregiões. ERICA, 2013-2014. 

Micronutrientes por macrorregiões Faixa etária

12-13 anos (N = 8.983) 14-17 anos (N = 23.076)


RN 10 50 90 %IN RN 10 50 90 %IN
Cálcio (mg)
Brasil 1.100 333 558 898 97,0 1.100 371 617 982 95,0
Norte 335 563 728 97,0 341 573 919 96,0
Nordeste 344 576 926 96,0 349 586 943 96,0
Centro-Oeste 377 629 1005 94,0 385 638 1.016 93,0
Sudeste 353 592 949 96,0 358 599 961 95,0
Sul 363 608 971 95,0 365 613 979 95,0
Fósforo (mg)
Brasil 1.050 808 1.088 1.453 45,0 1.050 909 1.219 1.617 26,0
Norte 838 1.133 1.516 38,0 844 1.145 1.529 36,0
Nordeste 849 1.151 1.537 36,0 859 1.161 1.549 34,0
Centro-Oeste 900 1.215 1.620 27,0 911 1.227 1.638 26,0
Sudeste 863 1.170 1.560 33,0 871 1.175 1.567 32,0
Sul 877 1.187 1.576 31,0 885 1.196 1.594 29,0
Ferro (mg)
Brasil 5,9 10,1 13,7 18,1 0,6b 7,7 11,6 15,5 20,2 0,9
Norte 10,3 14,0 18,5 0,6 10,5 14,2 18,8 1,6
Nordeste 10,7 14,4 19,0 0,6 10,8 14,6 19,2 1,6
Centro-Oeste 11,5 15,5 20,3 0,6 11,7 15,7 20,5 0,9
Sudeste 11,0 14,8 19,5 0,6 11,1 15,0 19,7 1,3
Sul 11,4 15,1 19,9 0,6 11,4 15,3 20,2 0,9
Sódio (mg)
Brasil 2.200 2.572 3.432 4.506 97,0c 2.300 2.880 3.8174 4.995 99,0
Norte 2.715 3.637 4.802 98,0 2.722 3.649 4.817 98,0
Nordeste 2.717 3.651 4.828 99,0 2.736 3.668 4.837 98,0
Centro-Oeste 2.788 3.727 4.925 99,0 2.790 3.736 4.921 98,0
Sudeste 2.738 3.666 4.832 98,0 2.751 3.680 4.856 98,0
Sul 2.760 3.688 4.865 99,0 2.764 3.701 4.887 98,0
Zinco (mg)
Brasil 7,0 9,3 12,8 17,5 1,0 8,5 10,5 14,4 19,5 2,0
Norte 9,1 12,6 17,3 1,0 9,3 12,9 17,6 5,0
Nordeste 9,5 13,1 18,0 1,0 9,7 13,4 18,3 4,0
Centro-Oeste 10,9 15,0 20,4 0,0 11,2 15,3 20,9 1,0
Sudeste 9,9 13,7 18,6 0,0 10,1 14,0 19,0 3,0
Sul 10,3 14,2 19,3 0,0 10,6 14,6 19,8 2,0
Vitamina A (mg)
Brasil 445 217 369 617 68,0 630 238 403 676 87,0
Norte 238 406 681 59,0 237 405 679 86,0
Nordeste 234 398 668 61,0 233 397 665 87,0
Centro-Oeste 227 387 652 63,0 226 386 649 89,0
Sudeste 229 391 655 62,0 224 382 642 88,0
Sul 224 386 646 64,0 224 382 642 89,0
Vitamina B12 (mcg)
Brasil 1,5 2,6 4,4 7,3 1,0 2,0 3,0 5,0 8,3 1,0
Norte 2,6 4,4 7,3 1,0 2,7 4,5 7,5 3,0
Nordeste 2,7 4,6 7,6 0,0 2,8 4,7 7,8 2,0
Centro-Oeste 3,2 5,3 8,8 0,0 3,2 5,4 9,0 1,0
Sudeste 2,9 4,7 7,8 0,0 2,9 4,8 8,0 2,0
Sul 2,9 4,9 8,2 0,0 3,0 5,0 8,3 1,0
Vitamine E (mg)
Brasil 9,0 2,9 4,3 6,2 100,0 12,0 3,2 4,7 6,8 100,0
Norte 2,7 4,0 5,8 100,0 2,8 4,1 5,9 100,0
Nordeste 2,9 4,3 6,1 100,0 3,0 4,4 6,3 100,0
Centro-Oeste 3,5 5,0 7,1 99,0 3,6 5,2 7,3 100,0
Sudeste 3,1 4,5 6,5 100,0 3,2 4,7 6,7 100,0
Sul 3,3 4,8 6,9 99,0 3,4 5,0 7,0 100,0
Vitamina C (mg)
Brasil 39,0 37,2 91,7 210,0 11,0 63,0 42,9 104,6 236,0 23,0
Norte 42,5 104,8 240,0 8,0 42,5 104,0 237,0 23,0
Nordeste 41,4 102,5 233,0 9,0 41,2 101,7 233,0 24,0
Centro-Oeste 40,8 101,0 229,6 9,0 41,0 101,1 230,3 24,0
Sudeste 39,5 98,5 228,2 10,0 39,6 98,6 225,0 26,0
Sul 39,6 96,6 221,4 10,0 39,3 96,6 222,1 27,0

a Recomendação nutricional com base na EAR (Estimated Average Requirements).

b Estimado pelo método da abordagem probabilística para qual não foi possível estimar o erro-padrão.

c Estimado com base no nível de ingestão máxima tolerável.

DISCUSSÃO

A dieta dos adolescentes brasileiros caracterizou-se pela manutenção do consumo de alimentos tradicionais, como arroz e feijão, e elevada prevalência de consumo de bebidas açucaradas, como sucos e refrigerantes, e de alimentos ultraprocessados. Esse perfil dietético acompanhou o consumo excessivo de ácidos graxos saturados e açúcar livre, bem como a elevada prevalência de inadequação da ingestão de micronutrientes como cálcio, vitaminas A e E. Além disso, mais de 80,0% dos adolescentes apresentaram o consumo de sódio acima dos limites máximos recomendados.

Até o presente momento, somente dois inquéritos nacionais, ambos conduzidos pelo IBGE, avaliaram o consumo alimentar em adolescentes: a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)f e o Inquérito Nacional de Alimentação (INA)g. A PeNSE foi realizada nos anos de 2009 e 2012 em escolares do nono ano do ensino fundamental e avaliou a ingestão alimentar utilizando questões relativas à frequência de consumo de alimentos considerados marcadores de alimentação saudável e não saudável. O INA 2008-2009 foi um inquérito domiciliar que avaliou o consumo alimentar em indivíduos com 10 anos ou mais com base em dois registros alimentares. Contudo, apesar das diferenças metodológicas na avaliação da ingestão dietética, o padrão de consumo alimentar encontrado no ERICA foi similar ao observado entre os adolescentes avaliados no INA 2008-2009 e na última PeNSE de 2012.

No presente estudo, arroz, feijão, pães, sucos e refrescos e carne bovina foram os alimentos mais consumidos pelos adolescentes independentemente do sexo e faixa etária. Esses alimentos, exceto sucos e refrescos, também foram os mais consumidos entre os adolescentes do INA20. Em relação ao consumo de bebidas açucaradas, a prevalência de ingestão de sucos, refrescos e refrigerantes no ERICA foi maior do que a observada no INA. O consumo de sucos e refrescos foi reportado por mais de 50,0% dos adolescentes participantes do ERICA, ao passo que no INA a prevalência foi de cerca de 44,0%. Em relação à ingestão de refrigerantes, a prevalência de consumo foi quase duas vezes maior no ERICA quando comparado aos resultados do INA (45,0% versus 28,0%, respectivamente). A prevalência de ingestão de refrigerantes nos adolescentes do ERICA também foi superior ao valor observado na PeNSE 2012, onde aproximadamente 33,0% dos adolescentes reportaram a ingestão de refrigerantes em cinco dias ou mais da semana.

No ERICA, padrões alimentares distintos foram observados entre as macrorregiões brasileiras, com destaque para a maior prevalência de ingestão de refrigerantes na região Sul (51,0%). Já o consumo de hortaliças foi maior na região Centro-Oeste (54,0%), resultado similar ao observado na PeNSE 2012 (51,2%).

A ingestão média de energia observada entre os adolescentes do ERICA foi maior quando comparada às médias estimadas para os adolescentes do INA. No ERICA, os valores de energia variaram de 2.036 kcal a 2.124 kcal entre adolescentes do sexo feminino e de 2.281 kcal a 2.582 kcal entre adolescentes do sexo masculino, ao passo que no INA esses valores variaram de 1.869 kcal a 1.912 kcal entre as meninas e de 1.952 kcal a 2.198 kcal entre os meninos24. Essa diferença pode ser explicada pelo aumento do consumo de alimentos ultraprocessados de alta densidade energética como refrigerantes, sucos, biscoitos e salgados fritos e assados observados entre os inquéritos, bem como pela diferença dos métodos utilizados para a estimativa do consumo alimentar, já que no INA a estimativa de subrelato do consumo energético foi em média de 17,0%14.

Quanto à contribuição percentual dos macronutrientes para a ingestão energética total, as médias estimadas no presente estudo para carboidratos, proteínas e lipídios estão dentro dos limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde15. Não houve variação importante na contribuição calórica de macronutrientes entre as macrorregiões. Quando comparado aos resultados do INA, o consumo de carboidrato foi menor entre os adolescentes do ERICA (57,0% versus 54,0%), ao passo que a contribuição calórica dos lipídeos foi maior do que a observada nos adolescentes do INA (27,0% versus 31,0%).

No presente estudo, a média estimada para a contribuição calórica dos ácidos graxos saturados foi 11,0% e está acima do limite máximo de 10,0% do consumo energético total recomendado pelo Ministério da Saúde15. Esse valor foi ligeiramente superior ao encontrado no INA, que foi de aproximadamente de 10,0%. A média de contribuição calórica do açúcar livre entre os adolescentes avaliados no ERICA variou de 25,0% entre as meninas a 22,0% entre os meninos e foi duas vezes maior que o valor recomendado pelo Ministério da Saúde de menos de 10,0% do consumo calórico total. O consumo elevado de açúcar pode ser explicado pela alta prevalência de consumo de doces, sobremesas e bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos e bebidas lácteas. Os valores encontrados no presente estudo são similares aos observados no INA, sendo que a contribuição calórica do açúcar livre foi maior entre as adolescentes do sexo feminino avaliadas no ERICA (22,0% versus 25,0%, respectivamente). A participação calórica do açúcar livre foi maior na região Sul, atingindo a média de 27,0% do consumo calórico total entre as meninas de 12 a 13 anos. De fato, a região Sul apresentou a maior prevalência de consumo de refrigerantes, fonte de açúcar livre. Estudos internacionais de base populacional apresentam resultados semelhantes aos observados no ERICA quanto ao consumo de açúcar livre4,13. No Canadá, a contribuição calórica do açúcar de adição entre os adolescentes foi de 25,0%, sendo que o refrigerante foi a principal fonte de açúcar livre da dieta4.

Em relação aos micronutrientes, cálcio e sódio foram os minerais que apresentaram as maiores prevalências de inadequação: 99,0% das meninas com inadequação de cálcio, valor superior ao encontrado no INA (cerca de 97,0%). A inadequação do consumo de cálcio observada no presente estudo pode ser explicada, em parte, pela persistência da baixa prevalência de ingestão de leite e derivados entre os adolescentes. Quanto ao consumo de sódio, a prevalência de adolescentes com o consumo acima do nível máximo recomendado variou de 84,0% entre as meninas de 12 a 13 anos a 99,0% entre os meninos de 14 a 17 anos, refletindo a elevada ingestão de alimentos com alto teor de sódio pelos adolescentes, como biscoitos salgados e carnes processadas. Os valores de prevalência de inadequação de sódio foram maiores no ERICA quando comparados aos valores de inadequação obtidos no INA, cujo valor máximo observado foi de 89,0% entre os meninos de 14 a 18 anos.

Para o ferro, a prevalência de inadequação foi cerca de seis vezes maior nas adolescentes de 14 a 17 anos quando comparadas às adolescentes de 12 a 13 anos. Maior prevalência de inadequação do consumo de ferro entre meninas mais velhas também foi observada entre as adolescentes do INA; porém, a prevalência de inadequação foi maior que a observada no presente estudo (24,0% versus 14,0%, respectivamente)4.

As vitaminas A e E foram as que apresentaram maior prevalência de inadequação, com destaque para a vitamina E, cujo consumo inadequado atingiu 100% dos adolescentes. Os valores encontrados no presente estudo para esses micronutrientes são similares aos encontrados entre os adolescentes do INA. No entanto, as prevalências de inadequação de vitamina C entre os adolescentes do ERICA foram menores do que as obtidas no INA. Por exemplo, entre as meninas de 12 a 13 anos a prevalência de inadequação foi de 2,0% no ERICA, ao passo que no INA esta prevalência foi de 33,0% entre as meninas de 10 a 13 anos. Esses valores podem ser explicados em parte pelas diferenças na faixa etária e pela maior prevalência de consumo de sucos e refrescos entre os adolescentes do ERICA, apesar da manutenção do baixo consumo de frutas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS)h também estabelece EAR para ferro e vitaminas A e B12. Entretanto, quando comparados aos pontos de corte estabelecidos pelo IOM, as diferenças mais relevantes são para a vitamina A e o ferro. Os pontos de cortes propostos pela OMS para vitamina A (330-400 mg) são menores do que os estabelecidos pelo IOM; consequentemente, seriam encontrados valores de prevalência de inadequação mais baixos caso fosse utilizada a recomendação da OMS. A prevalência de inadequação de vitamina A seria de cerca de 40,0% e 30,0% para meninas e meninos, respectivamente, se considerado como ponto de corte o limite inferior da recomendação de vitamina A de 330 mg. Para o ferro, os valores de EAR para as faixas etárias mais velhas (15 a 17 anos) são superiores aos estabelecidos pelo IOM (9,0 versus 7,9 para meninas e 9,6 versus 7,7 para meninos), como consequência, maiores valores de prevalência de inadequação são esperados. No entanto, o método da EAR como ponto de corte não pode ser utilizado para avaliação da inadequação de ferro em mulheres em idade fértil, visto que as necessidades apresentam distribuição assimétrica. Nesse caso, deve-se optar pelo método da abordagem probabilística, o qual foi utilizado no presente estudo12. Contudo, ao compararmos os valores de EAR para o ferro propostos pela OMS com os percentis de consumo usual estimados para os adolescentes de faixa etária mais velha, conclui-se que provavelmente os valores de prevalência de inadequação estimados no presente estudo seriam semelhantes caso fossem utilizados os pontos de corte estabelecidos pela OMS. A prevalência de inadequação de ferro seria de aproximadamente 10,0% entre as meninas e cerca de 5,0% entre os meninos (dados não apresentados).

O ERICA é o primeiro inquérito nacional de base escolar que utilizou como método de avaliação do consumo alimentar o R24h, possibilitando a obtenção de estimativas da ingestão energética e de nutrientes, além de melhor caracterização da qualidade da dieta dos adolescentes. Esse método tem como vantagens o seu baixo custo, a aplicação rápida, e a não alteração do hábito alimentar do indivíduo avaliado25. Os erros do R24h estão relacionados principalmente à memória do entrevistado, por isso a aplicação de técnicas de entrevistas padronizadas como o Multiple-Pass Method são importantes para a redução do sub-relato do consumo alimentar5. No ERICA, um segundo R24h foi realizado em uma subamostra dos adolescentes, o que permitiu a aplicação de métodos estatísticos para a estimativa da variabilidade intraindividual utilizada para a correção da distribuição dos nutrientes e para o cálculo do consumo usual e das prevalências de inadequação de nutrientes7.

Nos cinco anos decorridos de 2008-2009 (INA) a 2013-2014 (ERICA) foi observado agravamento da inadequação de nutrientes como cálcio e vitaminas A e E, que desempenham papel importante para o crescimento e desenvolvimento adequado do adolescente. Essas inadequações coexistem com a elevada ingestão de nutrientes relacionados ao desenvolvimento de DCNT20,24, em especial o alto consumo de sódio, gordura saturada e açúcar livre, que refletem o aumento da prevalência de ingestão de alimentos ultraprocessados como refrigerantes, sucos, refrescos e biscoitos e a baixa participação de alimentos marcadores de alimentação saudável como leite e frutas na dieta deste grupo etário.

A redução do consumo de alimentos ultraprocessados é uma das recomendações do novo Guia Alimentar para População Brasileira16. Esses alimentos estão associados ao consumo excessivo de calorias e maior de risco de obesidade17,18. De fato, entre os anos 2008-2009 (INA) e 2013-2014 (ERICA), foram observados o aumento do consumo energético total e da prevalência de obesidade, quase duas vezes, entre os adolescentes (4,9% versus 9,0%, respectivamente). Portanto, os resultados do presente estudo reafirmam a importância de recomendações direcionadas para redução do consumo de alimentos ultraprocessados e de intervenções para promoção de hábitos alimentares saudáveis em adolescentes.

Agradecimentos

Ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pela cessão dos coletores eletrônicos de dados, o PDA (personal digital assistant), e à Fundação Universitária José Bonifácio (FUJB), pelo gerenciamento dos recursos do estudo.

REFERÊNCIAS

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h World Health Organization. Vitamin and mineral requirements in human nutrition. 2nd ed. Geneva: World Health Organization; 2004.

Financiamento: Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (Decit/SCTIE/MS), Fundo Setorial de Saúde (CT-Saúde) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) (Protocolos FINEP 01090421 e CNPq 565037/2010-2 e 405.009/2012-7); Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ – Processos E-26/201.926/2015 e E-26/201.933/2015).

Recebido: 18 de Setembro de 2015; Aceito: 16 de Novembro de 2015

Correspondência: Amanda de Moura Souza. Instituto de Estudos em Saúde Coletiva – UFRJ. Avenida Horácio Macedo, s/n. Ilha do Fundão – Cidade Universitária. 21941-598 Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: amandamoura@msn.com

Contribuição de autores: Concepção e planejamento do estudo: LAB e GAA; análise e interpretação dos dados: AMS, LAB e GAA; elaboração e aprovação da versão final do manuscrito: AMS, LAB, GAA, DTG, CLO, MMS, VSL e FAGV.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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