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Revista de Saúde Pública

On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.50  supl.2 São Paulo  2016

https://doi.org/10.1590/s1518-8787.2016050006117 

Artigo Original

Prevalência da automedicação no Brasil e fatores associados

Paulo Sérgio Dourado ArraisI 

Maria Eneida Porto FernandesI 

Tatiane da Silva Dal PizzolII 

Luiz Roberto RamosIII 

Sotero Serrate MengueIV 

Vera Lucia LuizaV 

Noemia Urruth Leão TavaresVI 

Mareni Rocha FariasVII 

Maria Auxiliadora OliveiraV 

Andréa Dâmaso BertoldiVIII 

I Departamento de Farmácia. Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem. Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, CE, Brasil

II Departamento de Produção e Controle de Medicamentos. Faculdade de Farmácia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil

III Departamento de Medicina Preventiva. Escola Paulista de Medicina. Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

IV Departamento de Medicina Social. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil

V Departamento de Política de Medicamentos e Assistência Farmacêutica. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, RJ, Brasil

VI Departamento de Farmácia. Faculdade de Ciências da Saúde. Universidade de Brasília. Brasília, DF, Brasil

VII Departamento de Ciências Farmacêuticas. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC, Brasil

VIII Departamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, RS, Brasil


RESUMO

OBJETIVO

Analisar a prevalência e os fatores associados à utilização de medicamentos por automedicação no Brasil.

MÉTODOS

Este estudo transversal de base populacional foi realizado com dados da Pesquisa Nacional de Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de medicamentos (PNAUM), coletados de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, por meio de entrevistas em domicílio. Todas as pessoas que referiram usar qualquer medicamento sem prescrição por médico ou dentista foram classificadas como praticantes de automedicação. Foram calculadas razões de prevalência bruta e ajustada (regressão de Poisson) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% na investigação dos fatores associados ao consumo de medicamentos por automedicação. As variáveis independentes foram: aspectos sociodemográficos, de condições de saúde e de acesso e utilização de serviços de saúde. Adicionalmente, foram identificados os medicamentos mais consumidos por automedicação.

RESULTADOS

A prevalência da automedicação no Brasil foi de 16,1% (IC95% 15,0–17,5), sendo maior na região Nordeste (23,8%; IC95% 21,6–26,2). Após análise ajustada, automedicação mostrou-se associada a ser do sexo feminino, pertencer às faixas etárias 10-19 anos, 20-29 anos, 40-59 anos e 60 anos ou mais, residir na região Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, e ter uma ou duas ou mais doenças crônicas. Os analgésicos e os relaxantes musculares foram os grupos terapêuticos mais utilizados por automedicação, sendo a dipirona o fármaco mais consumido. No geral, a maioria dos medicamentos usados por automedicação foram classificados como isentos de prescrição (65,5%).

CONCLUSÕES

A automedicação é prática corrente no Brasil e envolve, principalmente, o uso de medicamentos isentos de prescrição, devendo os usuários ficarem atentos aos seus possíveis riscos.

Palavras-Chave: Automedicação; Uso de Medicamentos; Fatores Socioeconômicos; Farmacoepidemiologia; Inquéritos Epidemiológicos

ABSTRACT

OBJECTIVE

To analyze the prevalence and associated factors regarding the use of medicines by self-medication in Brazil.

METHODS

This cross-sectional population-based study was conducted using data from the PNAUM (National Survey on Access, Use and Promotion of Rational Use of Medicines), collected between September 2013 and February 2014 by interviews at the homes of the respondents. All people who reported using any medicines not prescribed by a doctor or dentist were classified as self-medication practitioners. Crude and adjusted prevalence ratios (Poisson regression) and their respective 95% confidence intervals were calculated in order to investigate the factors associated with the use of self-medication by medicines. The independent variables were: sociodemographic characteristics, health conditions and access to and use of health services. In addition, the most commonly consumed medicines by self-medication were individually identified.

RESULTS

The self-medication prevalence in Brazil was 16.1% (95%CI 15.0–17.5), with it being highest in the Northeast region (23.8%; 95%CI 21.6–26.2). Following the adjusted analysis, self-medication was observed to be associated with females, inhabitants from the North, Northeast and Midwest regions and individuals that have had one, or two or more chronic diseases. Analgesics and muscle relaxants were the therapeutic groups most used for self-medication, with dipyrone being the most consumed medicines. In general, most of the medicines used for self-medication were classified as non-prescriptive (65.5%).

CONCLUSIONS

Self-medication is common practice in Brazil and mainly involves the use of non-prescription medicines; therefore, the users of such should be made aware of the possible risks.

Key words: Self Medication; Drug Utilization; Socioeconomic Factors; Pharmacoepidemiology; Health Surveys

INTRODUÇÃO

Medicamentos são importantes bens sociais. Sua utilização pela população brasileira é alta4 e influenciada por vários fatores. Dentre estes, o aumento da expectativa de vida da população e o consequente aumento da carga de doença crônica, o surgimento de novas e velhas doenças transmissíveis, o aumento da prevalência dos transtornos de humor, as doenças resultantes da degradação do meio ambiente, da poluição ambiental e das mudanças climáticas, e os crescentes investimentos financeiros por parte do governo brasileiro para garantir o acesso universal aos serviços de saúde17.

Apesar dos avanços, persistem dificuldades de acesso, demora e baixa qualidade do atendimento nos serviços de saúde, tanto do setor público quanto do privado. Soma-se a esses aspectos, a veiculação de propagandas de medicamentos isentos de prescrição na mídia, a presença da farmacinha caseira nos domicílios e a crença de que os medicamentos resolvem tudo, constituindo fatores importantes para a prática da automedicação16.

A Organização Mundial da Saúdea (1998) define automedicação como a seleção e o uso de medicamentos sem prescrição ou supervisão de um médico ou dentista. A automedicação é um fenômeno mundial e sua prevalência difere em função da população estudada, do método e do período recordatório utilizado: na Alemanha9, a prevalência de uso de medicamentos por automedicação foi de 27,7%; em Portugal14, foi de 26,2%; na Espanha7, 12,7%; em Cuba8, 7,3%; em Atenas-Grécia2, 23,4%; na região da Catalunha-Espanha20, 34,0% entre os homens e 25,0% entre as mulheres; e em Puducherry-Índia22, foi igual a 11,9%.

No Brasil, poucos estudos de base populacional traçaram o padrão de consumo de medicamentos da população brasileira como um todo5,6. No estudo de Carvalho et al.4 (2005), a prevalência geral de utilização de medicamentos pela população maior de 18 anos, nos 15 dias anteriores a entrevista, foi de 49,0% e a automedicação, de 24,6%. Outros estudos enfocam as populações de municípios brasileiros. Entre os moradores de São Paulo, SP, com idade acima de 40 anos21, a prevalência da automedicação variou entre 27,0% e 32,0%; já no estudo de Bambuí, MG, com pessoas de idade maior ou igual a 18 anos12, a prevalência de consumo exclusivo de medicamentos não prescritos foi de 28,8%. Em Santa Maria, RS, 76,1% das pessoas entrevistadas afirmaram ter se automedicado pelo menos uma vez24.

Nesse contexto, considerando os poucos estudos publicados com representatividade nacional, a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), desenvolvida pelo Ministério da Saúde, possibilita avaliar a situação da automedicação no País como temática relevante, dado os riscos inerentes à sua prática (intoxicações medicamentosas e reações adversas) e o possível aumento dos gastos em saúde13,18,19.

Portanto, o presente trabalho teve por objetivo analisar a prevalência e os fatores associados à utilização de medicamentos por automedicação no Brasil.

MÉTODOS

Neste estudo transversal de base populacional, foram utilizados dados da PNAUM. O inquérito foi realizado no Brasil, de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, por meio de sorteio de amostras probabilísticas em oito domínios demográficos segundo faixa etária e sexo, de pessoas residentes em áreas urbanas de cada região brasileira, incluindo as capitais, com amostragem por conglomerados em três estágios. No primeiro, foram sorteados os municípios (n = 60 por região); no segundo, os setores censitários (dois em cada município); e no terceiro, os domicílios. No total, foram entrevistadas 41.433 pessoas. Mais informações sobre o plano de amostragem e o tamanho da amostra estão descritas no artigo metodológico da PNAUM15.

O questionário estruturado foi elaborado pela equipe de pesquisadores da PNAUM e testado previamente. As entrevistas foram realizadas nos domicílios selecionados por pesquisadores treinados, que utilizaram equipamento eletrônico (tablet) para coleta dos dados.

Informações relativas às pessoas com idade inferior a 15 anos e pessoas incapacitadas foram dadas por seus responsáveis (proxies). Para este subgrupo populacional, o questionário foi modificado, excluindo alguns blocos de perguntas que necessitavam do julgamento do entrevistado (ver artigo metodológico15).

O estudo tem a utilização de medicamentos por automedicação como desfecho. A informação sobre o consumo de medicamentos foi obtida de três formas: a primeira, por meio de perguntas diretas sobre o uso de medicamentos com indicação médica para tratar doenças crônicas de alta prevalência (hipertensão; diabetes; doenças do coração; colesterol alto; acidente vascular cerebral; doença pulmonar crônica; artrite, artrose ou reumatismo; depressão) e outras doenças com mais de seis meses de duração, no momento da entrevista. A segunda, por meio de pergunta sobre o uso de medicamentos eventuais para tratar doenças agudas (infecção; medicamento para dormir ou para os nervos; problemas no estômago ou intestino; febre; dor; gripe; resfriado ou rinite alérgica; para náusea e vômito ou outro problema agudo), nos 15 dias anteriores à entrevista. A terceira perguntava sobre o uso de contraceptivos (orais e injetáveis), no momento da entrevista. Na segunda e terceira, foi perguntado quem indicava o medicamento (médico ou dentista; enfermeiro; farmacêutico; outro profissional da saúde; por conta própria; parente, amigo ou vizinho; esposo(a) ou companheiro(a); parceiro ou namorado; balconista de farmácia; outro). Dessa forma, todas as pessoas que afirmaram consumir pelo menos um medicamento sem prescrição médica ou de dentista, nos 15 dias anteriores à entrevista, incluindo contraceptivos, foram classificadas como praticantes da automedicação.

Os entrevistadores solicitaram a todos os entrevistados que lhes apresentassem os medicamentos de uso contínuo ou utilizados nos últimos 15 dias, no momento da entrevista. Os medicamentos foram classificados de acordo com o Anatomical Therapeutical Chemical Classification System, classificação ATC (nível 1, órgãos ou sistemas; nível 2, grupo terapêutico; nível 5, fármaco)25 e, conforme sua categoria legal, em medicamento isento de prescrição (MIP)b, de venda sob prescrição médica e medicamento controladoc.

As variáveis exploratórias foram as seguintes: características sociodemográficas, descritores da condição de saúde, do acesso e da utilização de serviços de saúde. As variáveis sociodemográficas foram: sexo; idade em anos completos; cor da pele (branca, negra, amarela, parda, indígena); região do Brasil (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul, Sudeste); escolaridade em anos completos (0-8 anos, 9-11, 12 ou mais anos de estudo); classificação econômica (A/B, C, D/E), segundo o Critério Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (CCEB 2013/ABEP – http://www.abep.org). Os descritores da condição de saúde foram: número de doença crônica referida pelo indivíduo (nenhuma; uma; duas ou mais). O descritor de acesso aos serviços de saúde foi: cobertura de plano de saúde (sim; não). O descritor de utilização de serviços de saúde foi: internação hospitalar nos 12 meses anteriores à entrevista (sim; não). No estudo, obteve-se a distribuição da prevalência da automedicação nas cinco regiões do País, segundo os aspectos sociodemográficos.

Realizou-se análise descritiva exploratória de todas as variáveis envolvidas no estudo e apresentação das frequências relativas e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Utilizou-se modelo de regressão de Poisson para estimar razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas e IC95%. Essas análises foram realizadas no programa estatístico Stata versão 12, utilizando o conjunto de comandos svy apropriado para a análise de amostras complexas e garantindo a necessária ponderação, considerando-se o desenho amostral. Variáveis com p < 0,20 foram incluídas no modelo múltiplo e adotou-se nível de significância de 5% para permanência das variáveis no modelo, com seleção backward das variáveis. A significância estatística das razões de prevalências obtidas nos modelos de regressão de Poisson foi avaliada pelo teste de Wald.

O presente trabalho foi conduzido conforme as recomendações da Declaração de Helsinque e legislação brasileira de ética em pesquisa e aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Parecer 398.131, de 16/9/2013).

RESULTADOS

Das 41.433 pessoas entrevistadas, foram excluídas 600 por ausência de informação sobre quem indicou o medicamento em uso.

A prevalência de automedicação na população brasileira foi de 16,1% (IC95% 15,0–17,5); maior no sexo feminino, na faixa etária entre 20-39 anos, entre os indivíduos que declararam ser de raça indígena e amarela, com nível de escolaridade igual ou maior que 12 anos de estudos, moradores da região Nordeste, entre os que tinham uma e duas ou mais doenças crônicas e os que foram hospitalizados uma ou mais vezes no último ano (Tabela 1).

Tabela 1 Prevalência da utilização de ao menos um medicamento por automedicação, segundo os aspectos demográficos, socioeconômicos, indicadores das condições de saúde e Indicadores de acesso aos serviços de saúde. PNAUM, Brasil, 2014. (N = 40.833) 

Variável Prevalência (%)a IC95% p
Sexo < 0,001
Feminino 19,0 17,4–20,5
Masculino 13,1 11,7–14,6
Faixa etária (anos) < 0,001
0-9 6,6 5,5–8,0
10-19 12,6 10,7–14,7
20-39 21,6 19,6–23,7
40-59 17,7 16,2–19,4
≥ 60 14,3 12,9–15,8
Cor < 0,001
Branca 15,4 14,1–16,9
Negra 18,4 16,0–21,0
Amarela 25,2 19,1–32,6
Parda 17,2 15,5–19,1
Indígena 29,8 17,6–45,7
Escolaridade (anos) < 0,001
0-8 14,7 13,4–16,0
9-11 19,0 17,1–21,0
≥ 12 19,4 16,8–22,3
Classificação econômicab 0,866
A/B 16,3 14,4–18,5
C 16,3 14,8–17,8
D/E 15,8 14,1–17,7
Região < 0,001
Norte 17,8 15,0–21,0
Nordeste 23,8 21,6–26,2
Sudeste 12,8 10,9–14,9
Sul 11,4 10,1–12,9
Centro-Oeste 19,2 17,3–21,3
Nº doenças crônicas < 0,001
0 14,6 13,3–15,9
1 18,8 16,8–21,1
2 + 20,4 18,6–22,3
Cobertura plano de saúde 0,709
Sim 16,5 14,5–18,7
Não 16,1 14,7–17,5
Hospitalizado no último ano < 0,001
Sim 20,6 18,2–23,3
Não 16,0 14,7–17,3

Total 16,7 15,4–18,0

a Percentuais ajustados por pesos amostrais e por pós-estratificação segundo idade e sexo.

b A variável de classificação econômica segundo o Critério de Classificação Econômica do Brasil 2013 da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Disponível em: www.abep.org

Com relação à distribuição da prevalência da automedicação, segundo aspectos sociodemográficos, pelas cinco regiões do Brasil (Tabela 2), mulheres e pessoas que se encontravam na faixa etária de 20 a 39 anos tiveram maior consumo de medicamentos por automedicação em todas as regiões do País, em relação aos homens. Em ambas as situações, a maior prevalência ocorreu no Nordeste e no Centro-Oeste. Em todas as regiões, a prevalência aumentou gradativamente da faixa etária de 0-9 anos até 20-39 anos e depois diminuiu. A prevalência também aumentou com a escolaridade e o melhor nível socioeconômico, com exceção da região Norte.

Tabela 2 Prevalência da utilização de pelo menos um medicamento por automedicação, segundo aspectos demográficos e socioeconômicos por região geográfica. PNAUM, Brasil, 2014a. (N = 40.833) 

Variável Prevalência de automedicação

Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste





% IC95% % IC95% % IC95% % IC95% % IC95%
Sexo
Feminino 19,2 15,9–23,0 27,5 25,1–30,0 15,3 13,0–18,0 13,1 11,6–14,8 22,9 20,3–25,6
Masculino 16,3 13,4–19,6 19,6 16,9–22,6 9,9 7,8–12,4 9,5 8,1–11,2 15,5 13,1–18,4
Faixa etária (anos)
0-9 10,9 8,1–14,5 11,9 9,2–15,2 2,5 1,4–4,3 3,6 2,3–5,6 8,7 6,5–11,5
10-19 15,5 10,8–21,7 19,6 15,6–24,3 9,3 6,7–12,8 5,6 3,7–8,2 17,0 12,6–22,7
20-39 23,1 19,5–27,0 31,2 27,5–35,2 17,4 14,4–20,9 15,1 12,8–17,8 24,3 20,9–28,0
40-59 18,9 15,4–22,9 25,6 23,1–28,3 14,8 12,3–17,7 13,8 12,0–15,8 20,0 17,7–22,5
≥ 50 14,3 11,9–17,1 21,4 18,8–24,2 11,3 9,3–13,7 11,9 10,0–14,1 19,6 16,9–22,6
Escolaridade (anos)
0-8 17,3 14,3–20,7 21,8 19,6–24,3 11,0 9,2–13,0 10,5 9,1–12,1 18,0 15,8–20,5
9-11 19,9 16,1–24,3 29,4 23,7–31,4 16,0 13,2–19,4 13,1 11,0–15,6 20,5 17,9–23,3
≥ 12 16,1 10,9–23,2 32,9 28,1–38,2 16,1 12,1–21,0 13,5 10,4–17,4 22,7 18,2–28,0
Classificação econômicab
A/B 17,7 13,1–23,5 26,6 20,8–32,6 15,0 12,1–18,6 12,2 10,3–14,4 20,5 17,2–24,3
C 18,8 15,6–22,5 24,5 21,9–27,4 12,6 10,5–15,0 11,3 9,7–13,1 19,0 17,0–21,2
D/E 15,7 12,5–19,6 22,2 19,7–24,9 10,1 7,7–13,1 10,2 7,5–13,7 18,0 14,5–22,0

a Percentuais ajustados por pesos amostrais e por pós-estratificação segundo idade e sexo.

b Segundo o Critério de Classificação Econômica do Brasil 2013 da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Disponível em: www.abep.org

Na análise multivariável (Tabela 3), o consumo de medicamentos por automedicação apresentou associação positiva para sexo feminino (RP 1,33; IC95% 1,21–1,47), as faixas etárias de 10 a 19 anos (RP 2,03; IC95% 1,66–2,47), 20 a 39 anos (RP 3,46; IC95% 2,94–4,08), 40 a 59 anos (RP 2,68; IC95% 2,26–3,17) e 60 ou mais anos (RP 1,95; IC95% 1,63–2,34), residir na região Norte (RP 1,76; IC95% 1,44–2,16), Nordeste (RP 2,33; IC95% 2,00–2,72) e Centro-Oeste (RP 1,74; IC95% 1,49–2,04), e ter uma (RP 1,17; IC95% 1,06–1,29) e duas ou mais doenças crônicas (RP 1,33; IC95% 1,18–1,50).

Tabela 3 Razão de prevalência bruta e ajustada da utilização de pelo menos um medicamento por automedicação, segundo aspectos demográficos, socioeconômicos, indicadores das condições de saúde e indicadores de acesso aos serviços de saúde. PNAUM, Brasil, 2014. (N = 40.833) 

Variável RP bruta IC95% p RP ajustada IC95% p
Sexo < 0,001 < 0,001
Masculino 1 1
Feminino 1,44 1,31–1,59 1,33 1,21–1,47
Faixa etária (anos) < 0,001 < 0,001
0-9 1 1
10-19 1,89 1,54–2,33 2,03 1,66–2,47
20-39 3,25 2,72–3,89 3,46 2,94–4,08
40-59 2,68 2,22–3,21 2,68 2,26–3,17
≥ 60 2,15 1,78–2,59 1,95 1,63–2,34
Cor < 0,001 0,045
Branca 1 1
Negra 1,19 1,04–1,37 0,93 0,81–1,07
Amarela 1,63 1,25–2,13 1,11 0,88–1,40
Parda 1,11 1,00–1,23 0,90 0,82–1,00
Indígena 1,93 1,18–3,16 1,37 0,89–2,12
Escolaridade (anos) < 0,001
0-8 1
9-11 1,30 1,17–1,43
≥ 12 1,32 1,15–1,52
Classificação econômica* 0,858
D/E 1
A/B 1,03 0,90–1,20
C 1,03 0,93–1,13
Região < 0,001 0,001
Norte 1,56 1,27–1,92 1,76 1,44–2,16
Nordeste 2,10 1,79–2,44 2,33 2,00–2,72
Sudeste 1,12 0,92–1,36 1,18 0,97–1,42
Sul 1 1
Centro-Oeste 1,68 1,44–1,98 1,74 1,49–2,04
Nº doenças crônicas < 0,001 < 0,001
0 1 1
1 1,33 1,20–1,48 1,17 1,06–1,29
≥ 2 1,33 1,20–1,47 1,33 1,18–1,50
Cobertura plano de saúde 0,708
Não 1
Sim 1,03 0,90–1,18
Hospitalizado no último ano < 0,001
Não 1
Sim 1,29 1,14–1,47

* Segundo o Critério de Classificação Econômica do Brasil 2013 da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Disponível em: www.abep.org

Os entrevistados referiram uso de 57.424 medicamentos, dos quais 8.545 (17,0%) caracterizavam-se por automedicação. Para 3.258 medicamentos, não foi possível caracterizar a indicação, sendo considerados perdas.

Os medicamentos mais consumidos de acordo com o primeiro nível da classificação ATC foram os utilizados para sistema nervoso central (34,3%), seguido dos produtos utilizados para o aparelho músculo-esquelético, trato alimentar e metabolismo, sistema respiratório, sistema geniturinário e hormônios sexuais, anti-infecciosos para uso sistêmico e outros. Quanto à distribuição dos medicamentos por grupo terapêutico da classificação ATC (segundo nível), os mais frequentes foram: os analgésicos (33,4%; IC95% 31,4–35,4), seguidos dos relaxantes musculares e anti-inflamatórios ou antirreumáticos, perfazendo 58,9% dos medicamentos consumidos (Tabela 4).

Tabela 4 Distribuição dos medicamentos utilizados na automedicação, segundo a classificação ATC (2º nível). PNAUM, Brasil, 2014. (N = 8.545) 

Subgrupo terapêutico % IC95%
Analgésicos 33,4 31,4–35,4
Relaxantes musculares 13,8 12,5–15,3
Antiinflamatórios e antirreumáticos 11,7 10,4–13,2
Preparações para tosse e resfriado 5,9 5,0–6,9
Suplementos (nutrientes gerais) 3,9 3,3–4,6
Medicamentos para transtornos relacionados à acidez 3,8 3,1–4,6
Hormônios sexuais e moduladores do sistema genital 3,1 2,5–3,7
Medicamentos para transtornos gastrointestinais funcionais 2,8 2,3–3,3
Plantas 2,7 2,2–3,4
Vitaminas 2,4 1,8–3,1
Antibacterianos para uso sistêmico 2,3 1,9–2,8
Outros 14,3 13,1–15,6

Total 100

Os fármacos mais consumidos por automedicação (Tabela 5) foram: dipirona, associação em dose fixa cafeína-orfenadrina-dipirona e paracetamol. No geral, a maioria dos medicamentos foram classificados como isentos de prescrição (65,5%), seguidos dos de venda sob prescrição médica (24,4%) e os de controle especial (0,5%) (Tabela 5). Entre os 12 fármacos mais utilizados na prática da automedicação, 48,5% eram medicamentos isentos de prescrição.

Tabela 5 Distribuição dos 12 fármacos mais utilizados por automedicação, segundo a classificação ATC (5º nível) e categoria legal. PNAUM, Brasil, 2014a. (N = 8.545) 

Fármaco % IC95% MIPb MPc
Dipirona 15,4 13,9–17,1 X
Cafeína + orfenadrina + dipirona 12,1 10,8–13,6 X
Paracetamol 11,4 10,2–12,8 X
Cafeína + carisoprodol + diclofenaco + paracetamol 3,6 3,0–4,4 X
Diclofenaco 3,5 2,7–4,5 X
Cafeína + dipirona + isometepteno 3,3 2,5–4,2 X
Etinilestradiol + levonorgestrel 2,5 2,0–3,0 X
Ibuprofeno 2,3 1,8–3,0 X
Fenilefrina + clorfeniramina + paracetamol 2,2 1,6–2,9 X
Omeprazol 1,8 1,4–2,4 X
Cafeína + clorfeniramina + dipirona 1,8 1,4–2,5 X
Nimesulida 1,6 1,2–2,1 X

a Corresponde a 61,4% dos medicamentos utilizados por automedicação.

b Medicamento isento de prescrição.

c Medicamentos de venda com prescrição ou retenção da receita (tarja vermelha + tarja preta).

DISCUSSÃO

A prevalência da automedicação no Brasil foi menor do que a encontrada por Carvalho et al.4 (2005), em estudo realizado no Brasil, e por Knopf e Grams9 (2013), na Alemanha. Entretanto, foi maior do que a encontrada no Sri Lanka26, em Cuba8 e na Espanha7. Apresentou variações entre as cinco regiões do Brasil – as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte apresentaram prevalências maiores que a prevalência nacional.

Atualmente, o Brasil passa por muitas transformações na área da saúde, que possui investimentos financeiros e de infraestrutura para aumentar a oferta de serviços de saúde, principalmente na área da atenção primária, com a Estratégia Saúde da Família, e na área da assistência farmacêutica para garantir o acesso gratuito e uso racional dos medicamentos pelos profissionais e comunidade em geral17,23. Essas transformações ocorrem de forma diferente entre as regiões, mas, mesmo com as desigualdades regionais expostas, o maior acesso aos serviços médicos pode estar promovendo menor automedicação. Pode-se também considerar que a automedicação esteja dentro de uma faixa de magnitude considerada aceitávela, pois, conforme constatou-se no presente trabalho, o uso de medicamentos por automedicação limita-se a tratar doenças agudas autolimitadas, como problemas no estômago ou intestino, febre, dor, gripe, resfriado ou rinite alérgica, náusea e vômito, entre outros, e na maioria das vezes com produtos isentos de prescrição (65,5%). Esse resultado está de acordo com o estudo de Arrais et al.1 (1997), realizado no Brasil, no qual os sintomas dolorosos foram responsáveis por 24,3% dos motivos que levaram as pessoas a praticarem a automedicação e os quadros viróticos ou infecciosos (infecção respiratória alta e diarreia), por 21,0%. No estudo realizado por Vilarino et al.24, a cefaleia foi a principal queixa para a prática da automedicação, seguida por sintomas respiratórios e digestivos. No estudo de Carrera-Lasfuentes et al.3, a dor foi a situação mais relacionada.

A classificação econômica não apresentou associação significante com a prática da automedicação. Isso pode ser explicado pelo fato de os medicamentos mais consumidos serem de baixo custo, de fácil acesso e de prescrição frequente4,5, inclusive aqueles disponíveis tanto pelo Sistema Único de Saúde, de forma gratuita, como subsidiado na Farmácia Popular (como ocorre com a dipirona, o paracetamol e o ibuprofeno).

A constatação de que a automedicação é praticada pelas pessoas do sexo feminino também foi encontrada em outras publicações2,4,9, apesar de estudos nacionais11 e internacionais3,8,14,22,26 indicarem que a automedicação é maior entre os homens. O fato de as mulheres sofrerem mais com dores de cabeça, dores musculares e condições dolorosas crônicas, como a enxaqueca, e utilizarem desde muito cedo analgésicos e relaxantes musculares para o alívio da dor durante a menstruação ou dismenorreia2,19 pode ter influenciado nos resultados do presente trabalho.

A automedicação também esteve associada com as diversas faixas etárias do estudo, com maior destaque para os de idade entre 20 e 39 anos. De maneira geral, esse resultado pode ser atribuído ao tipo de problema de saúde que envolve doenças agudas autolimitadas, comuns a todas as idades, e ao tipo de medicamento consumido, sendo os analgésicos o principal grupo terapêutico utilizado na prática da automedicação,4,6,8,9,11,14,20-22,24 independentemente da população alvo investigada e do tempo recordatório.

Este fato também poderia explicar a associação positiva da prática da automedicação com as várias regiões do País e entre pessoas com doenças ou condições crônicas, já que, de maneira geral, os analgésicos/antipiréticos aparecem como o segundo medicamento mais utilizado no Brasil e nas cinco regiões do País, perdendo apenas para os anti-hipertensivos5.

No caso da associação da automedicação com a idade e a presença de doenças crônicas, os resultados do presente trabalho diferem do que foi encontrado em Bambuí, Minas Gerais12, onde foi encontrada associação negativa para a idade e a automedicação não apresentou associação com história de doenças ou condições crônicas selecionadas. O fato pode ser explicado pela diferença de época em que foram realizadas as pesquisas, já que o surgimento de novas e velhas doenças transmissíveis, como dengue, zika e chikungunya, o aumento da prevalência de doenças resultantes da degradação do meio ambiente, da poluição ambiental e das mudanças climáticas17 podem ter intensificado o aparecimento de quadros agudos autolimitados que favorecem a prática da automedicação.

Os fármacos mais consumidos foram a dipirona, a associação em dose fixa de dipirona, orfenadrina e cafeína, e o paracetamol. Dados semelhantes foram encontrados em estudos nacionais1,24 e internacionais8,11. De maneira geral, esses medicamentos são os mais encontrados nos estoques domiciliares10 e normalmente empregados para aliviar sinais e sintomas ou incômodos agudos11,12, menores ou autolimitados.

O elevado uso de analgésicos na prática da automedicação reflete a alta prevalência de dor na população em geral3, motivada por tensão, situação estressante ou demanda física, prejudicando a qualidade de vida das pessoas. O uso abusivo de analgésicos pode levar à cronificação da cefaleia. Estudo realizado na Colômbia19 mostrou que a prevalência de cefaleia por uso excessivo de analgésicos foi de 4,8%, superior à prevalência em países desenvolvidos. Por outro lado, o mesmo analgésico que alivia a dor é o que trata os quadros febris de doenças virais ou bacterianas ou inflamatórias. Os anti-inflamatórios não esteróides (AINES) também são atrativos por terem ação múltipla: analgésica, antipirética e anti-inflamatória. Outro aspecto que favorece e influencia esse consumo é a propaganda da indústria farmacêutica veiculada na mídia em geral16.

Apesar de a grande maioria dos medicamentos consumidos serem isentos de prescrição, não se pode menosprezar as possíveis intoxicações e efeitos adversos que eles podem causar a seus usuários. No caso dos analgésicos e AINES, pode-se citar, entre outros, os distúrbios gastrointestinais, reações alérgicas e efeitos renais14. No estudo de Martinez et al.13 (2014), os autores evidenciaram que a prática da automedicação, entre os entrevistados, resultou em uma prevalência de efeitos adversos igual a 15,1%; já o estudo de Paula, Bochner e Montilla18 (2012), que avalia as internações de idosos por intoxicação e efeito adverso a medicamentos no Brasil, os analgésicos, antitérmicos e antirreumáticos não opiáceos relacionaram-se a 37,0% das internações por autointoxicação, ocuparam a quarta posição nas internações de acordo com essas situações e foram os mais relacionados aos casos de traumatismo.

Neste estudo, não foi analisado o local de aquisição dos medicamentos utilizados na prática da automedicação, mas é provável que a grande maioria tenha sua origem nas compras realizadas nas farmácias ou drogarias ou na utilização das sobras de tratamento ou reservas encontradas nas farmácias caseiras, como atesta Laste et al.10 (2012).

Outras limitações do estudo estão relacionadas com os diferentes períodos recordatórios utilizados para investigar o uso de medicamentos e a possibilidade de viés de memória. Isso ocorre sobretudo no caso do uso de medicamentos eventuais nos 15 dias que antecederam a entrevista e também nas informações dadas pelos responsáveis pelos menores de 15 anos ou pelos que apresentaram algum distúrbio cognitivo ou incapacidade para responder as perguntas. A época de realização do estudo também pode ter subestimado o uso de alguns medicamentos, como os utilizados para tratar problemas respiratórios, de uso comum durante o inverno, principalmente no sul do País.

Em conclusão, a população brasileira é adepta da prática da automedicação, havendo algumas diferenças regionais. Essa prática aparece influenciada pelo sexo feminino, por residir nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, e pela presença de doenças ou condições crônicas. A maioria dos medicamentos consumidos são isentos de prescrição, mas não são isentos de risco, o que merece maior atenção por parte dos gestores e profissionais da saúde, pois as possíveis intoxicações e efeitos adversos podem aumentar os gastos com a saúde. Considerando o exposto, a prática da automedicação responsável, incentivada pela Organização Mundial da Saúdea, o maior investimento por parte do governo na área da promoção do uso racional de medicamentos e o emprego de suas estratégias na formação dos futuros profissionais de saúde devem ser aspectos a serem dado continuidade ou colocados em prática pelo Ministério da Saúde no Brasil.

Agradecimentos

Aos Departamentos de Ciência e Tecnologia (Decit) e de Assistência Farmacêutica (DAF) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde (MS), pelo financiamento e apoio técnico para a realização da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos e, em especial, à equipe que trabalhou na coleta de dados, aqui representada pela Profa. Dra. Alexandra Crispim Boing, e à equipe de suporte estatístico do projeto nos nomes de Amanda Ramalho Silva, Andréia Turmina Fontanella e Luciano S. P. Guimarães.

REFERÊNCIAS

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cMinistério da Saúde. Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria nº 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o regulamento técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Diario Oficial Uniao. 1 fev 1999.

Financiamento: Departamentos de Ciência e Tecnologia (Decit) e de Assistência Farmacêutica (DAF) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde (MS – Processo 25000.111834/2).

Recebido: 14 de Janeiro de 2015; Aceito: 25 de Fevereiro de 2016

Correspondência: Paulo Sérgio Dourado Arrais Rua Nunes Valente, 1427/802 60125-070 Fortaleza, CE, Brasil E-mail: parrais@ufc.br

Contribuição dos Autores: Contribuíram na concepção, análise e interpretação dos resultados e revisão crítica do conteúdo intelectual: PSDA, MEPF, ADB, SSM. Todos os autores participaram da redação, aprovaram a versão final do manuscrito e declaram ser responsáveis por todos os aspectos do trabalho, garantindo sua precisão e integridade.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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