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Revista de Saúde Pública

On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.51  São Paulo  2017  Epub Mar 30, 2017

http://dx.doi.org/10.1590/s1518-8787.2017051006528 

Artigos Originais

Gravidez na adolescência e transição para a vida adulta em jovens usuárias do SUS

Elisabeth Meloni VieiraI 

Aylene BousquatII 

Claudia Renata dos Santos BarrosIII 

Maria Cecilia Goi Porto AlvesIV 

I Departamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina. Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, SP, Brasil

II Departamento de Política, Gestão e Saúde. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil

III Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Universidade Católica de Santos. Santos, SP, Brasil

IV Instituto de Saúde. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil


RESUMO

OBJETIVO

Contextualizar a gestação em adolescentes a partir de marcos associados ao processo de transição da juventude para a vida adulta.

MÉTODOS

Estudo transversal realizado com 200 adolescentes usuárias do Sistema Único de Saúde. O tamanho da amostra para a estimação de proporções foi calculado considerando uma proporção populacional de 0,50, e nível de confiança de 95%. As variáveis dependentes – gestação planejada, morar com o parceiro e ter saído da casa dos pais – foram consideradas marcadores da transição da dependência para a independência, da juventude para a vida adulta. Na análise dos fatores associados, utilizou-se o modelo de Poisson com variância robusta.

RESULTADOS

A idade média foi 17,3 anos, a maioria coabitava com o companheiro; aproximadamente metade engravidou do primeiro parceiro e a idade média da primeira relação sexual foi 14,6 anos. Apenas 19% das jovens estudavam e o abandono escolar foi, na maior parte, anterior ao início da gestação. Nas análises bivariadas e na análise múltipla, observou-se que relacionar-se com o parceiro há mais de dois anos se associou às três variáveis dependentes.

CONCLUSÕES

O caminho de transição para a vida adulta foi o estabelecimento de um vínculo com um parceiro e consequente maternidade, sugerindo padrão claro de tutela masculina. A mudança do papel da mulher na sociedade observada nos últimas décadas, que implica optar por uma carreira profissional, definir número de filhos e escolher o(s) parceiro(s),não chegou a parcela dessas jovens.

Palavras-Chave: Gravidez na Adolescência; Adulto Jovem; Gênero e Saúde; Apoio Social

ABSTRACT

OBJECTIVE

The objective of this study is to contextualize adolescent pregnancy from milestones associated with the process of transition from youth to adulthood.

METHODS

This is a cross-sectional study conducted with 200 adolescents, users of the Brazilian Unified Health System. The sample size for the estimation of proportions has been calculated assuming a population ratio of 0.50 and 95% confidence level. The dependent variables – planned pregnancy, living with a partner, and having left the parents’ house – have been considered as markers of transition from dependence to independence, from youth to adulthood. In the analysis of the associated factors, we have used the Poisson model with robust variance.

RESULTS

Average age was 17.3 years, and most adolescents lived with a partner; approximately half of the adolescents got pregnant from their first partner and the average age of first sexual intercourse was 14.6 years. Only 19% of the adolescents were studying and most dropped out of school before the beginning of the pregnancy. In the bivariate and multiple analysis, we could see that the relationship with a partner for more than two years was associated with the three dependent variables.

CONCLUSIONS

The path of transition to adulthood has been the establishment of a link with a partner and consequent pregnancy, suggesting a clear pattern of male guardianship. The changing role of women in society observed in recent decades, which means choosing a professional career, defining the number of children, and choosing their partner(s), has not reached these young persons.

Key words: Pregnancy in Adolescence; Young Adult; Gender and Health; Social Support

INTRODUÇÃO

A gestação na adolescência é frequentemente abordada como um fenômeno único, uniforme e quase atemporal8; um evento precoce associado às camadas mais pobres e menos escolarizadas da população20. Essa homogeneização impede que as inúmeras realidades e diferenças vivenciadas pelas jovens mães possam ser compreendidas20. Questões centrais na vida destas jovens, tais como o desejo de engravidar, a constituição de famílias nucleares e a mudança no seu status social muitas vezes são desconsiderados25.

No Brasil, a fecundidade das jovens entre 15 e 19 anos cresceu até o final do século XX, começando a declinar nos primeiros anos do século XXI. Porém, mesmo com esta recente queda, pode-se afirmar que há rejuvenescimento da fecundidade no País4. Em termos absolutos, foram registrados 559.991 nascimentos de mães com menos de 19 anos em 2013, magnitude que reforça a importância de estudos sobre o tema.

A adolescência, essa nova e moderna idade entre a infância e vida adulta, é um momento de transição, no qual se esperaria a passagem da dependência para a independência em relação à família de origem. Os primeiros estudos voltados a esse tema partiam da concepção de que essa transição seria processual e poderia ser confirmada a partir dos marcos das histórias de vida12, que ocorreriam de forma sequencial e unidirecional (término dos estudos, entrada no mercado do trabalho, saída da casa dos pais, casamento, primeiro filho). Diversos autores7,13 consideram o nascimento do primeiro filho o estágio final dessa transição. Essa concepção linear de transição foi elaborada a partir da realidade dos países capitalistas centrais após a Segunda Guerra, período marcado por alto crescimento econômico e grande oferta de empregos11.

No entanto, essa abordagem sequencial e unidirecional da transição para a vida adulta tem sido considerada insuficiente para responder a complexidade das relações sociais e econômicas presentes nas sociedades contemporâneas11,26. Camarano e Mello11 indicam duas ordens de fatores envolvidos na mudança no processo de transição. Por um lado, o aumento da escolarização e crescentes dificuldades de entrada no mercado de trabalho; por outro, mudanças no padrão sexual e desvinculação entre atividade sexual, união conjugal e parentalidade.

Galland17 destaca que uma característica contemporânea no processo de transição para a vida adulta é a reversibilidade e o entrelaçamento entre esses marcos, decorrentes das mudanças na estruturação do mundo do trabalho e das novas relações intergeracionais. Assim, é possível identificar novos encadeamentos nos marcos de transição para a vida adulta, entre os quais o nascimento do primeiro filho, isoladamente, não indicaria o fim desta transição por si só.

Analisando a realidade brasileira, Camarano e Mello11 demonstram uma nova configuração dessa transição no Brasil, na qual padrões sequenciais de transição convivem com diferentes modos de entrada na vida adulta. Pode-se afirmar que atualmente diferentes processos de transição são vivenciados pelos jovens brasileiros, mediados pelas distintas realidades sociais e históricas, como diferenças de classe e gênero20. Dessa forma, se reveste de especial importância identificar e contextualizar as diferentes formas da transição da juventude para a vida adulta, especialmente em uma sociedade marcada pela desigualdade social, como a brasileira. Dentre as muitas possibilidades de análise desse processo, o presente artigo se debruça sobre um grupo particular: jovens de até 19 anos que são mães.

O nascimento de um filho é um marco importante na transição para a vida adulta, mas como esse se inseriu na vida dessas jovens? Foi realmente o marco final do processo de transição? Como o trabalho e a escola foram incorporados no cotidiano dessas jovens? Uma nova família nuclear foi constituída ou a família de origem foi ampliada? Qual o padrão da união conjugal? As respostas a essa série de questões pode identificar diferentes sequências e formas no processo de transição para a vida adulta.

A partir dessas constatações, o presente artigo analisa as características sociodemográficas e do comportamento sexual e reprodutivo de jovens mães, usuárias de serviços públicos de saúde e os fatores associados a marcos das histórias de vida que caracterizariam a transição para a vida adulta.

O propósito deste estudo é contribuir para melhorar as informações sobre a gravidez na adolescência de forma que se possam estabelecer políticas públicas que contemplem os direitos reprodutivos e sociais desse grupo populacional, considerando sua heterogeneidade.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal realizado em Ribeirão Preto. Este município localiza-se no interior do estado de São Paulo e figura entre as cidades paulistas mais populosas, com 649.556 habitantes. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Ribeirão Preto, considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,800. A escolha desse município decorreu exatamente de suas boas condições sociais e baixos índices de gestação em mães com menos de 19 anos em relação ao estado de São Paulo e demais municípios paulistas com mais de 100.000 habitantes22.

Foram entrevistadas 200 adolescentes grávidas, com idade gestacional a partir da 36ª semana ou puérperas que utilizaram serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no período de agosto a outubro de 2009, em Ribeirão Preto. As três principais maternidades que atendem usuárias do SUS no município foram incluídas; entre elas a do serviço universitário, que é referência para pré-natal de alto risco. Todas as maternidades foram contatadas e concordaram em participar do estudo, liberando o acesso às pacientes internadas e ambulatoriais. As entrevistadoras compareciam em todos os horários de ambulatórios agendados. Além disso, os livros de registros de nascimento eram checados diariamente para busca de puérperas adolescentes.

Foram consideradas elegíveis todas as adolescentes internadas para o parto ou que foram à maternidade para consulta pré-natal nesse período; todas foram convidadas a participar do estudo. As entrevistas face a face foram realizadas por entrevistadoras treinadas enquanto as jovens aguardavam suas consultas de pré-natal, ou no período que estavam internadas após o parto. Não houve recusas.

O tamanho da amostra para a estimação de proporções foi fixado em 200, considerando uma proporção populacional de 0,50, erro de amostragem de 10 pontos percentuais e nível de confiança de 95% na construção de intervalos de confiança.

Esta investigação faz parte do estudo Multicêntrico “Gestação na adolescência e uso do espaço urbano: vivências, expectativas e constituição de redes de apoio”, financiado pelo CNPq. O questionário aplicado continha questões fechadas e semiabertas em diversos domínios de interesse do projeto. Para o presente artigo, foram analisadas as características sociodemográficas, estrutura familiar, escolaridade, vida e experiência sexual e aceitação da gravidez. Foi realizado pré-teste com 36 jovens, com posterior modificação das questões, principalmente para adequação das perguntas e respostas ao universo das jovens.

As variáveis independentes analisadas foram: idade (categorizada em 12 a 15 anos e 16 a 19 anos); cor de pele autorreferida, conforme metodologia usada no Censo Brasileiro; classificação econômica da família a partir da aplicação do Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB/ABEP – http//www.abep.org) que agrega indicadores de escolaridade do chefe da família e de posse de bens de consumo; estudar no momento da pesquisa; trabalhar no ano anterior à gestação; idade do início da vida sexual (categorizada em até 15 anos e acima de 15 anos); tempo com o atual parceiro, agrupado em: menos de um ano, de um a dois anos e acima de dois anos; e ter tido outro parceiro sexual.

As variáveis dependentes podem ser consideradas como marcadores da transição da dependência para a independência, da juventude para a vida adulta. São elas: gestação planejada; morar com o parceiro; e ter saído da casa dos pais. Considerou-se o planejamento da gestação um indicador importante, pois expressa o desejo da jovem e que não é utilizado com frequência em estudos com mães e pais adolescentes8. É uma forma de se explorar as diferenças entre as gestantes adolescentes, contribuindo para romper com uma visão homogênea deste fenômeno. As outras duas variáveis são também consideradas marcos na transição para a vida adulta por diversos autores7,12.

As respostas semiabertas foram grupadas por similaridade para possibilitar a análise. O teste de normalidade utilizado foi Shapiro-Wilk. As variáveis quantitativas foram descritas por meio de medianas, valores mínimos e máximos, e as qualitativas em frequências absolutas e relativas. Realizou-se também análise de correlação entre a idade da primeira relação sexual e a idade da gestação atual. Na análise dos fatores associados, utilizamos o modelo de Poisson com variância robusta. No modelo múltiplo, foram incluídas todas as variáveis que apresentaram p < 0,20 na análise bivariada. O nível de significância adotado foi de 5%.

Para o modelo bivariado e o múltiplo, a variável cor de pele foi reorganizada nas categorias “branca” e “não branca” e a classificação econômica agrupada em classes “A ou B”, “C” e “D ou E”.

As entrevistas face a face foram realizadas por entrevistadoras treinadas em privacidade e confidencialidade após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana (Processo 03/2008) e do Hospital Universitário de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

RESULTADOS

A idade média encontrada foi 17,3 anos (DP = 1,57); 18,5% tinham entre 13 e 15 anos. Em relação à cor de pele, a maioria relatou a cor parda (41,5%), seguida da cor branca (36,5%). A classificação econômica predominante das famílias destas jovens foi a faixa C. A maioria (68%) coabitava com um companheiro e 10% eram casadas legalmente (Tabela 1).

Tabela 1 Frequências e proporções das características sociodemográficas das entrevistadas. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2009. 

Característica n %
Idade (anos)
13-15 37 18,5
16-17 69 34,5
18-19 94 47,0
Cor de pele
Branca 73 36,5
Preta 32 16,0
Parda 83 41,5
Outras 12 6,0
Classificação econômica*
A ou B 34 17,0
C 137 68,5
D ou E 29 14,5
Estado civil
Solteira 180 90,0
Casada 20 10,0
Situação conjugal (n = 199)
Mora com o companheiro 136 68,0
Tem namorado, mas não mora junto 37 18,5
Sozinha 26 13,0
Estudo
Sim 38 19,0
Parou antes de ficar grávida 97 48,5
Parou em gravidez anterior 11 5,5
Parou na gravidez atual 54 27,0
Trabalho antes da gravidez
Não 97 48,5
Ocupação informal 97 48,5
Emprego formal 6 3,0
Escolaridade (anos)
0-4 3 1,5
5-8 90 45,0
≥ 9 107 53,5

* Conforme o Critério de Classificação Econômica Brasil 2013 – ABEP. Disponível em: http//www.abep.org

Quanto à escolaridade, mais da metade possuía nove ou mais anos de estudo; no entanto, 21,0% tinham concluído o ensino médio e 0,5% cursava o ensino superior. Trinta e oito (19%) das jovens estudavam no momento da pesquisa. O abandono escolar foi anterior ao início da gestação para 48,5% das adolescentes (Tabela 1). Maior proporção das que referiram não estar mais na escola havia concluído o ensino médio. Neste último caso, a afirmação “terminado os estudos” foi a preponderante quando perguntadas do motivo de não estarem mais estudando. Das jovens que ainda estudavam, pouco mais da metade morava com os pais. O trabalho informal em ocupações que demandam baixa qualificação profissional (babás, empregadas no comércio, entre outras) foi realizado por 48,5% das jovens no ano anterior à gravidez (Tabela 1).

No momento da entrevista, 143 jovens (71,5%) estavam no puerpério imediato e as demais nas últimas semanas de gestação. A idade média na primeira relação sexual foi de 14,6 anos, correlacionada positivamente (r = 0,54) com a idade na gestação atual (p < 0,01).

As conversas sobre as mudanças corporais e sexualidade foram relatadas por 135 (67,5%) jovens; a maioria com membros da família; a escola e os serviços de saúde foram os locais menos citados (6,5% e 2,5%, respectivamente). A gestação na adolescência por outras mulheres da família foi citada por 74,5% das entrevistadas.

Aproximadamente metade engravidou do primeiro parceiro; o tempo mediano de relacionamento com o pai do bebê foi de 12 meses e cerca de 1/4 das jovens se relacionava com o mesmo parceiro há mais de dois anos (Tabela 2).

Tabela 2 Frequências e proporções das características da vida sexual e gestação. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2009. 

Característica n %
Primigesta 173 86,5
Idade da primeira relação (anos)
≤ 12 16 8,0
13-15 116 58,0
≥ 16 68 32,0
História familiar de gestantes adolescentes 149 74,5
Métodos anticoncepcionais
Utilização de método anticoncepcional 73 36,5
Conhecimento sobre a pílula do dia seguinte 135 67,5
Utilização prévia de pílula do dia seguinte 67 33,5
Tempo com o pai do bebê (anos)
≤ 1 71 35,5
1-2 80 40,0
≥ 2 49 24,5
Número de parceiros sexuais
1 102 51,0
2 37 18,5
3 28 14,0
≥ 4 33 16,5
Desejo de engravidar 63 31,5
Planejamento da gestação 50 25,0
Conversas sobre sexualidade e mudanças corporais
Sim 135 67,5
Reação com a notícia da gestação
Felicidade 88 44,0
Reações negativas (medo, tristeza) 71 35,5
Surpresa 39 19,5

Para a maioria, este era o primeiro filho. A gestação foi planejada por 25% das entrevistadas. Independentemente do planejamento, a maior parte das jovens relatou felicidade com a notícia da gravidez, seguida por reações negativas como nervosismo, medo, tristeza e 19,7% referiram reação de surpresa (Tabela 2). Do total, 2% das jovens pensaram em abortar.

Aproximadamente 1/3 usava algum método anticoncepcional quando engravidou, embora com diversos e evidentes relatos de uso irregular. Dentre essas, 70,3% usava métodos anticoncepcionais hormonais; 28,4%, o preservativo masculino; e 1,4%, esses dois métodos combinados. A pílula do dia seguinte era conhecida por 67,5% das jovens e foi utilizada por 33,5% destas.

Na análise bivariada (Tabela 3), verificamos associação positiva entre estar com parceiro há mais de dois anos (p < 0,001) e não estar estudando (p = 0,02) com a gestação planejada. Após o ajuste das variáveis, tempo com parceiro a partir de um ano e classe econômica C foram associados positivamente com a gestação planejada. O tempo de parceria foi ampliado nessa análise, mantendo maior magnitude com mais de dois anos. A variável sobre o estudo, observada na análise bivariada, perdeu a significância e não ajustou as demais variáveis, sendo retirada do modelo final (Tabela 3).

Tabela 3 Proporção, razão de prevalências bruta e ajustada dos fatores associados à gestação planejada entre jovens de 12 a 19 anos. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2009. 

Variável Gestação planejada

Sim Não RP bruta RP ajustada




RP IC95% RP IC95%
Tempo com o parceiro (anos)a
≤ 1 11,3 88,7 1 1
1-2 23,8 76,3 2,11 0,9–4,5 2,18 1,0–4,6b
≥ 2 46,9 53,1 4,16 2,0–8,6b 4,16 2,0–8,5b
Estudoa
Sim 10,5 89,5 1 -
Não 28,4 71,6 2,7 1,0–7,0b - -
Faixa etária
12-15 13,5 86,5 1 -
16-19 27,6 72,4 2,04 0,9–4,8 - -
Classificação econômica*
A ou B 11,8 88,2 1 1
C 28,5 71,5 2,42 0,9–6,3 2,59 1,0–6,7b
D ou E 24,1 75,9 2,05 0,7–6,3 2,46 0,8–7,4
Trabalho
Sim 28,9 71,1 1 1
Não 21,4 78,6 0,74 0,4–1,2 0,77 0,5–1,2

* Conforme o Critério de Classificação Econômica Brasil 2013 – ABEP. Disponível em: http//www.abep.org

a p < 0,05 nas diferenças entre proporções.

b p < 0,05 no modelo para fatores associados.

Em relação a morar com parceiro, as variáveis associadas positivamente na análise bivariada foram: gestação planejada, estar com parceiro acima de dois anos, raça/cor branca e não ter tido outros parceiros (Tabela 4). Na análise múltipla deste desfecho, mantiveram-se associadas positivamente as mesmas variáveis observadas na análise bivariada, com exceção de raça/cor, com os respectivos ajustes da magnitude (Tabela 4).

Tabela 4 Proporção e razão de prevalência bruta e ajustada dos fatores associados a viver com companheiro entre jovens de 12 a 19 anos. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2009. 

Variável Morar com parceiro

Sim Não RP bruta RP ajustada




% % RP IC95% RP IC95%
Gestação planejadaa
Não 84,0 16,0 1 1
Sim 62,7 37,3 1,34 1,1–1,6b 1,24 1,0–1,5b
Tempo com o parceiro (anos)a
≤ 1 56,3 43,7 1 1
1-2 68,8 31,2 1,22 0,9–1,6 1,18 0,9–1,5
≥ 2 83,7 16,3 1,48 1,2–1,9b 1,32 1,0–1,7b
Outros parceirosa
Sim 59,4 40,6 1 1
Não 75,5 24,5 1,27 1,0–1,6b 1,22 1,0–1,5b
Estudoa
Sim 52,6 47,4 1 -
Não 71,6 28,4 1,36 0,9–1,9 - -
Raça/Cora
Branca 76,7 23,3 1 -
Não branca 63,0 37,0 0,82 0,7–0,9 - -
Faixa etária (anos)
12-15 56,8 43,2 1 -
16-19 70,6 29,4 1,24 0,9–1,7 - -

a p < 0,05 nas diferenças entre proporções.

b p < 0,05 no modelo para fatores associados.

No que concerne a sair da casa dos pais, na análise bivariada observou-se associação positiva a: gestação planejada, classificação econômica C, estar com parceiro há mais de dois anos, não ter tido outros parceiros e não estar estudando (Tabela 5). Na análise múltipla, não ter tido outro parceiro e não estar estudando perderam a significância estatística. Assim, continuou associada positivamente a sair da casa dos pais: gestação planejada, classe econômica C e estar com parceiro há mais de dois anos (Tabela 5).

Tabela 5 Proporção e razão de prevalência bruta e ajustada dos fatores associados a sair da casa dos pais entre jovens de 12 a 19 anos. Ribeirão Preto, SP, Brasil, 2009. 

Variáveis Sair da casa dos pais

Sim Não RP bruta RP ajustada




% % RP IC95% RP IC95%
Gestação planejadaa
Não 66,0 40,0 1 1
Sim 33,3 66,7 1,8 1,3–2,5b 1,41 1,0–2,0b
Classificação econômica*
A ou B 14,7 85,3 1 1
C 48,2 51,8 3,27 1,4–7,5b 3,1 1,3–7,0b
D ou E 31,0 69,0 2,11 0,8–5,6 2,05 0,8–5,2
Tempo com o parceiro (anos)a
≤ 1 31,0 69,0 1 1
1-2 37,5 62,5 1,21 0,8–1,9 1,19 0,8–1,8
≥ 2 57,1 42,9 1,84 1,2–2,8b 1,63 1,0–2,5b
Outros parceirosa
Sim 31,3 68,8 1 -
Não 47,1 52,9 1,5 1,0–2,2b - -
Estudoa
Sim 23,7 76,3 1 -
Não 43,8 56,2 1,85 1,0–3,4b - -
Faixa etária (anos)
12-15 32,4 67,6 1 -
16-19 41,7 58,3 1,29 0,8–2,1 - -

* Conforme o Critério de Classificação Econômica Brasil 2013 – ABEP. Disponível em: http//www.abep.org

a p < 0,05 nas diferenças entre proporções.

b p < 0,05 no modelo para fatores associados.

DISCUSSÃO

Em relação à amostragem, deve ser considerado o fato de a amostra não ter sido sorteada, tendo sido convidadas a responder o questionário todas as adolescentes atendidas (consulta pré-parto e parto) nos serviços de saúde do SUS em um período de três meses. Na etapa de análise de dados, esse conjunto de adolescentes foi tomado como sendo uma amostra das adolescentes atendidas no ano de 2009, com base na suposição de que os desfechos estudados não sofrem interferência do mês de ocorrência do parto. As inferências foram feitas, portanto, à população de adolescentes usuárias do SUS no município de Ribeirão Preto, que tiveram seus filhos naquele ano. Vale ressaltar que o número total de partos no período, incluindo as maternidades do setor privado, foi de 1.037. Ademais, esse procedimento assegurou a comparabilidade com outros estudos sobre gestação na adolescência.

Mudanças no perfil reprodutivo e sexual das populações são, no geral, processos geracionais. Desse modo, a coleta dos dados em 2009 não implica em limitação dos resultados aqui apresentados. Adicionalmente, nesse mesmo município, observou-se estabilidade no percentual de adolescentes que deram à luz entre 2009 e 2013a.

a DATASUS - Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Brasília (DF); c2016 [citado 2014 jun 30]. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php

O perfil sociodemográfico das jovens entrevistadas tem algumas particularidades frente aos resultados de pesquisas conduzidas em importantes capitais brasileiras1,19 e cidades de porte semelhante no estado de São Paulo3. O predomínio de adolescentes pardas seguidas de brancas, com abandono importante da vida escolar e maior entrada no mercado de trabalho, embora de forma informal, antes da gestação, pode ser explicado por algumas das características do desenvolvimento socioeconômico da região, na qual a modernização da agropecuária provocou mudanças tanto no espaço rural como no desenvolvimento de outros setores econômicos16. Esse processo se assentou por diversas vezes na precarização das relações trabalhistas, tanto no campo como na cidade15. Se, por um lado, Ribeirão Preto constitui-se como polo de atração de mão de obra qualificada, por outro há um crescente espaço para as ocupações não formais, à margem das relações de trabalho formal. Essas jovens, com baixa escolaridade, até ingressam no mercado de trabalho, mas de forma informal e em posições bastante desqualificadas. Pode-se supor que, com esse perfil de inserção, não consigam vislumbrar uma ascensão profissional no leque de possibilidades para o futuro.

Embora no presente estudo só tenham sido entrevistadas jovens que optaram por manter a gestação, chama atenção que apenas quatro referiram ter pensado na possibilidade de um aborto. Bell et al.2 observaram, em país onde o aborto é legalizado, que jovens com mais planos para o futuro, especialmente de trabalho e com foco na carreira, tendem a optar mais pelo aborto.

As adolescentes no presente estudo provêm de famílias nas quais a gestação na adolescência é uma experiência comum, fato relatado frequentemente na literatura em distintas realidades16. A idade média da primeira relação sexual (14,6 anos) foi semelhante aos resultados encontrados por Doreto e Vieira14 em pesquisa realizada com o mesmo tipo de população na mesma cidade. A idade ao engravidar esteve associada à idade da primeira relação, tal como verificado em outras realidades1,24. Esta aparece em vários estudos associadas também à menor escolaridade e ao menor poder aquisitivo.

A utilização de métodos anticoncepcionais é semelhante ao observado em capitais brasileiras1,19. Chama atenção o relato de uso de preservativo masculino apenas por 11% dos parceiros, sugerindo que o julgamento da contracepção como uma responsabilidade exclusiva das mulheres é comum entre as jovens10. O evidente uso irregular ou o não uso desses métodos pode ser entendido pela não publicização do início de suas vidas sexuais e da gestão da sexualidade às suas famílias9. Ademais, o início das atividades sexuais também envolve as negociações de gênero e as próprias dificuldades no uso desses métodos9. Apesar de a maioria conhecer a pílula do dia seguinte, apenas um terço já havia recorrido ao método.

A maioria das repostas positivas em relação ao fato de estar grávida mostra que este evento, mesmo quando não planejado, pode ser bastante desejado. No caso das sociedades latinas em geral e na brasileira em particular, observa-se que a maternidade tem um papel central na vida e na valorização da mulher na sociedade5,12,23 e incide sobre uma mudança de status social, carregada de significância positiva, como o estabelecimento de novas redes sociais. Nos EUA, uma entre cada sete jovens sexualmente ativas expressa atitudes positivas em relação à gestação, sendo esta proporção ainda maior em jovens de camadas mais excluídas da sociedade21.

Nota-se que mais da metade das entrevistadas teve relações sexuais apenas com um parceiro. Se por um lado sugere concordância com as mudanças de comportamento sexual no Brasil como em outras sociedades ocidentais, segundo as quais a iniciação sexual pode ocorrer antes do casamento20, por outro, expressa um padrão de gênero claro, em que as mulheres tendem a ter menos parceiros. Para essas jovens, isto fica mais evidente quando engravidam do primeiro parceiro, muitas vezes em relações duradouras, considerando suas idades20.

Heilborn et al.19 identificaram três grandes grupos de trajetória afetivo-sexuais entre jovens, de 18 a 24 anos, moradores em metrópoles brasileiras: jovens com relacionamento estável com um ou no máximo dois parceiros; jovens com diversos relacionamentos estáveis com diferentes parceiros; e jovens sem história de relacionamentos estáveis. Apesar da diferença da faixa etária analisada, é possível identificar que parcela das jovens mães aqui entrevistadas pertence ao primeiro grupo. Para essas, o relacionamento estável com o parceiro se configura como denominador comum na efetivação dos diversos marcos de transição da dependência para a independência aqui analisados (planejamento da gestação, vida marital e constituição familiar nuclear).

As jovens do universo popular tendem a ser mais cobradas a assumir papéis restritos ao lar e ao filho, sobretudo se vivem com um companheiro12,18. Identifica-se aqui um padrão de tutela masculina que conduz a entrada da jovem no universo adulto, como mãe e dona de casa. O alto percentual de abandono do mercado de trabalho após a gestação confirma essa tendência. Essa trajetória indica que, para parcela destas jovens, a gravidez não é consequência de um namoro ocasional, mas um caminho esperado; são situações cumulativas e não simultâneas19. Consequentemente, observa-se alto percentual de reações positivas à notícia da gestação. É a exclusividade, o único parceiro, que as identifica como moças “que são para casar”, retomando os conceitos tradicionais da educação para as mulheres presentes no Brasil até a década de 1940 (respeito, obediência, honestidade, trabalho, submissão, delicadeza no trato, pureza, capacidade de doação, prendas domésticas e habilidades manuais)6. Os resultados aqui encontrados sugerem que o padrão sequencial de transição da juventude para a vida adulta pode ser assumido como modelo explicativo para esse primeiro grupo. A mudança do papel da mulher na sociedade observada nas últimas décadas, que implica optar por uma carreira profissional, definir número de filhos e escolher o(s) parceiro(s), não chegou a esse grupo de jovens.

Outra parcela das adolescentes, mesmo após ser mãe, mantém em sua história de vida traços característicos de manutenção da dependência em relação à família de origem. Para essas jovens, o modelo sequencial de transição certamente não é o mais apropriado. Como indica Galland17, o nascimento do filho não sugere o fim da transição.

Identificou-se a existência de distintos padrões de transição da juventude para a vida adulta a partir dos diferentes marcos de vida analisados (planejamento da gestação, morar com o companheiro e saída da casa dos país) em jovens mães moradoras em cidade do interior do estado de São Paulo. Camarano12, analisando o conjunto da juventude brasileira, também observou a coexistência do padrão sequencial e do não sequencial da transição.

As políticas públicas para a juventude em geral, e particularmente para as jovens mães, devem considerar as diferenças nas histórias de vida dessas adolescentes. Como exemplo, a geração de renda se configura como política importante para parcela que já iniciou a vida adulta, enquanto a vida escolar ainda pode ser central para as demais. Garantir a ampliação do leque dos “futuros possíveis” para todas as jovens brasileiras é central para a construção de uma sociedade mais justa e equânime.

REFERÊNCIAS

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Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – bolsa auxílio pesquisa – Processo 551.337/2007-9).

Recebido: 4 de Julho de 2015; Aceito: 25 de Fevereiro de 2016

Correspondência: Aylene Bousquat. Departamento de Política, Gestão e Saúde - FSP. Av. Dr. Arnaldo, 715 01246-904 São Paulo, SP, Brasil. E-mail: aylenebousquat@usp.br

Contribuição dos Autores: Desenho do estudo, análise dos dados e redação do manuscrito: EMV, AB. Análise dos dados e redação do manuscrito: CRSB. Cálculo amostral, análise dos dados e redação do manuscrito: MCGPA.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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