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Revista de Saúde Pública

On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.51  São Paulo  2017  Epub Sep 04, 2017

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2017051006863 

Artigos Originais

Uso de drogas ilícitas e binge drinking entre estudantes adolescentes

Jakelline Cipriano dos Santos RaposoI 

Ana Carolina de Queiroz CostaII 

Paula Andréa de Melo ValençaIII 

Patrícia Maria ZarzarIV 

Alcides da Silva DinizV 

Viviane ColaresVI  VII 

Carolina da FrancaVI 

I Departamento Acadêmico. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas. Rio Largo, AL, Brasil

II Hospital das Clínicas. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE, Brasil

III Programa Nacional de Pós-Doutorado. Programa de Mestrado em Hebiatria. Universidade de Pernambuco. Camaragibe, PE, Brasil

IV Departamento de Odontopediatria e Ortodontia. Faculdade de Odontologia. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG, Brasil

V Departamento de Nutrição. Centro de Ciência da Saúde. Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil

VI Faculdade de Odontologia. Universidade de Pernambuco. Recife, PE, Brasil

VII Departamento de Clínica e Odontologia Preventiva. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE, Brasil


RESUMO

OBJETIVO

Estimar a prevalência do uso de drogas ilícitas e sua associação com binge drinking e fatores sociodemográficos entre estudantes adolescentes.

MÉTODOS

Estudo transversal com amostra probabilística por conglomerado, envolvendo 1.154 estudantes, de 13 a 19 anos de idade, da rede pública de ensino, no município de Olinda, PE, 2014. Foi utilizado o questionário Youth Risk Behavior Survey, validado para uso com adolescentes brasileiros. Para análise dos dados foi utilizado o teste do Qui-quadrado (≤ 0,05) e análise de regressão de Poisson, para estimar razões de prevalência, com intervalos com 95% de confiança.

RESULTADOS

O uso na vida de drogas ilícitas foi quatro vezes mais prevalente entre os estudantes que relataram o binge drinking (IC95% 3,19–5,45). Estar na faixa etária de 16 a 19 anos, ser do sexo masculino e não ter religião também foram significativamente associados ao uso de drogas ilícitas.

CONCLUSÕES

A prevalência do uso de drogas ilícitas na vida foi superior a outros estudos realizados no Brasil e esteve fortemente associado ao binge drinking. Esse fator mostrou associação com gênero, idade e religião.

Palavras-Chave: Comportamento do Adolescente; Bebedeira, epidemiologia; Bebidas Alcoólicas; Drogas Ilícitas; Fatores de Risco; Fatores Socioeconômicos; Inquéritos e Questionários, utilização

ABSTRACT

OBJECTIVE

To estimate the prevalence of illicit drug use and its association with binge drinking and sociodemographic factors among adolescent students.

METHODS

This is a cross-sectional study with probabilistic conglomerate sampling, involving 1,154 students, aged 13 to 19 years old, from the public school system, in the city of Olinda, State of Pernambuco, Brazil, carried out in 2014. We used the Youth Risk Behavior Survey questionnaire, validated for use with Brazilian adolescents. The Chi-square test (≤ 0.05) and Poisson regression analysis were used to estimate the prevalence ratios, with 95% confidence intervals.

RESULTS

Use in life of illicit drugs was four times more prevalent among students who reported binge drinking (95%CI 3.19–5.45). Being in the age group of 16 to 19 years, being male, and having no religion were also significantly associated with illicit drug use.

CONCLUSIONS

The prevalence of use in life of illicit drugs was higher in this study than in other studies carried out in Brazil and it was strongly associated with binge drinking. This factor was associated with gender, age, and religion.

Key words: Adolescent Behavior; Binge Drinking, epidemiology; Alcoholic Beverages; Street Drugs; Risk Factors; Socioeconomic Factors; Surveys and Questionnaires, utilization

INTRODUÇÃO

As drogas ilícitas são substâncias que, por seu risco à saúde da sociedade, não são permitidas pela legislação para a comercialização e consumo. Contudo, estima-se que seis em cada cem pessoas no mundo já tenham usado algum tipo de droga ilegal5. Dentre essas drogas, as mais utilizadas são maconha, inalantes e cocaína, as quais estão associadas a diversos agravos à saúde, dependendo da frequência e da quantidade de uso5,11.

Os adolescentes são um grupo vulnerável para o uso de drogas visto que, nessa fase, os níveis do neurotransmissor de dopamina aumentam, principalmente no córtex pré-frontal e sistema límbico2. Esse aumento da dopamina está associado ao uso de drogas aditivas e desempenha um papel importante no sistema de recompensa2,21. O uso da maconha, cocaína e inalantes pode afetar diretamente o desenvolvimento físico, mental e social dos adolescentes, sendo associado a transtornos mentais, criminalidade, dependência, suicídio e morte2,5.

Apesar de ser lícito, o consumo de álcool pode ser uma “porta de entrada” para as drogas ilícitas13. Além disso, o uso associado do álcool com drogas ilícitas pode intensificar os efeitos deletérios dessas substâncias consumidas de forma isolada16. O álcool pode ser consumido em vários padrões; um deles é particularmente nocivo, o binge drinking, que corresponde à ingestão de cinco ou mais doses para homens e quatro para mulheres em um intervalo curto de tempo1. O consumo em binge, especialmente quando associado a drogas ilícitas, ainda é um tema pouco investigado entre adolescentes no Brasil1,7,18.

Diante do exposto, o objetivo desta pesquisa foi estimar a prevalência do uso de drogas ilícitas por adolescentes e sua associação com binge drinking e fatores sociodemográficos entre estudantes do ensino médio.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo de corte transversal, com amostra probabilística de adolescentes de baixa renda, matriculados em escolas públicas da cidade de Olinda, PE. Aproximadamente 75% dos alunos de ensino médio de Olinda estão matriculados nas 32 escolas públicas estaduaisa. O município de Olinda tem 390 mil habitantes, alto índice de desenvolvimento humano (IDH = 0,735) e alta densidade demográfica (9.063,58 hab./km2), sendo a quinta maior do paísa.

Para o dimensionamento do tamanho amostral, utilizou-se uma estimativa da prevalência (p) de 15% do uso de drogas ilícitas na vida, a partir de dados obtidos no estudo-piloto, com uma margem de erro (d) de 3% e um nível com 95% de confiança (z = 1,96). Considerando-se que o delineamento amostral não foi do tipo aleatório simples, mas por conglomerado, procedeu-se a uma correção do efeito do desenho (c) de 2,1. Utilizando-se a fórmula amostral9 [n = (z2 x p x 1 - p x c) / d2], o tamanho amostral mínimo a ser trabalhado foi 1.143 unidades amostrais. Com o objetivo de corrigir eventuais perdas, o tamanho amostral foi acrescido de 2% [100 / (100 - 2)] totalizando 1.167 estudantes.

O procedimento na seleção dos conglomerados foi feito em duas etapas. Na primeira etapa houve o sorteio de 22 escolas (69% de todas as escolas públicas) e, na segunda, o sorteio das turmas. Os critérios de elegibilidade deste estudo foram: estudantes adolescentes de ambos os sexos, com idade de 13 a 19 anos e estarem regularmente matriculados no ensino médio das escolas públicas estaduais do município. Foram excluídos os estudantes com alguma deficiência ou disfunção que impossibilitasse o autopreenchimento do questionário e aqueles com 20% ou mais de questões não respondidas.

Os dados foram coletados no período de abril a agosto de 2014 nas salas de aula, sem a presença do professor. O tempo de aplicação do instrumento variou de 30 a 60 minutos, dependendo da quantidade de alunos na turma, que variou de 20 a 50 alunos. Os objetivos da pesquisa foram explicitados em todas as salas, assim como a garantia do anonimato dos pesquisados.

O instrumento utilizado foi uma versão validada do Youth Risk Behavior Survey (YRBS) – Brasil8. Esse questionário foi desenvolvido pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e apresenta 10 módulos de condutas de risco entre adolescentes e jovens. Para este estudo foram utilizados três módulos: o de álcool, com três questões; o módulo sobre maconha, com duas questões; e o módulo sobre outras drogas, com duas perguntas sobre cocaína e uma sobre inalantes. Além desse questionário, foram coletadas informações demográficas e socioeconômicas para identificar sexo, idade, escolaridade da mãe e regime de ensino.

Os dois pesquisadores e assistentes foram orientados e treinados por um membro do grupo de pesquisa para aplicação do questionário, com o objetivo de padronizar a coleta de dados em todas as turmas. Um estudo-piloto foi realizado em cinco escolas públicas da cidade de Olinda para subsidiar dados para o cálculo amostral e avaliar a calibração dos pesquisadores. A reprodutibilidade das respostas obtidas na aplicação do questionário no estudo-piloto foi calculada por módulos e variou de 0,642 a 1,00 e não houve necessidade de alterar os métodos.

A variável dependente foi o uso de drogas ilícitas durante a vida, definido como o uso, ao menos uma vez na vida, de maconha, cocaína ou inalantes. As variáveis independentes foram divididas em demográficas (idade e sexo); socioeconômica (nível de escolaridade da mãe); relacionada à escola (regime de ensino); e binge drinking, que foi definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas em uma mesma ocasião.

As variáveis demográficas e socioeconômicas foram dicotomizadas: a idade (13–15 e 16–19 anos)17 e escolaridade da mãe (≤ 8 e > 8 anos de estudo). O binge drinking foi avaliado nos 30 dias anteriores à pesquisa e dicotomizado em sim e não12. O regime de ensino foi considerado regular, quando as escolas apresentavam aulas em apenas um turno, manhã ou tarde; semi-integral, quando havia aulas nos dois turnos, manhã e tarde, em dois dias da semana; e integral, quando havia aulas nos dois turnos, manhã e tarde, nos cinco dias da semana.

Os dados foram tabulados em dupla entrada no software Epidata 3.1, e os erros encontrados na validação foram corrigidos. Na descrição das proporções, procedeu-se a uma aproximação da distribuição binomial à distribuição normal pelo intervalo de confiança de 95%. O teste de Qui-quadrado (p ≤ 0,05) foi utilizado para verificar a associação entre a variável dependente e as independentes.

A regressão de Poisson foi aplicada a fim de estimar a razão de prevalência (RP) entre o uso na vida de drogas ilícitas (dependente) e as variáveis independentes. Foram incluídas na regressão de Poisson, dentre as variáveis consideradas independentes, aquelas que apresentaram o valor de p < 0,20. A análise dos dados foi realizada utilizando-se o programa estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS) para Windows, versão 21.0 (SPSS Inc, Chicago, IL, USA).

A aprovação do estudo foi obtida pelo Comitê de Ética da Universidade de Pernambuco (CAAE 13800813.7.0000.5207) e está de acordo com a Declaração de Helsinki. Todos os participantes assinaram declaração de consentimento por meio do termo de assentimento, e seus pais consentiram através de consentimento passivo.

RESULTADOS

A amostra final correspondeu a 1.154 estudantes, o que representou uma perda de 1,1%, em decorrência de recusas e questionários incompletos. Pouco mais da metade (53,9%) era do sexo feminino e com nível de escolaridade da mãe maior que oito anos de estudo (53,3%). A maioria estava matriculada no ensino regular (65,2%), encontrava-se na faixa etária de 16 a 19 anos (72,3%) e era afiliada a alguma religião (72,7%). A prevalência do uso de drogas ilícitas (maconha, inalantes ou cocaína) foi 15,8% (IC95% 13,7–18,0), enquanto o consumo em binge drinking foi 23,1% (IC95% 20,5–25,4).

Na Tabela 1 estão distribuídos os participantes de acordo com o uso de drogas ilícitas, os fatores sociodemográficos e o regime de ensino. O uso de drogas ilícitas não foi associado com a escolaridade da mãe e regime de ensino.

Tabela 1 Uso de drogas ilícitas (maconha, cocaína ou inalantes) de acordo com o consumo de álcool em binge, variáveis sociodemográficas e relacionadas à escola entre estudantes do ensino médio. Olinda, PE, 2014. (n = 1.154) 

Variável Drogas ilícitas p

Sim Não


n % n %
Sexoa 0,014
Feminino 81 13,1 535 86,9
Masculino 97 18,4 429 81,6
Idade (ano) < 0,001
13–15 23 7,2 297 92,8
16–19 159 19,1 675 80,9
Religiãob < 0,001
Sim 114 13,6 725 86,4
Não 68 22,2 238 77,8
Regime de ensino 0,263
Regular 112 14,9 640 85,1
Semi-integral/Integral 70 17,4 332 82,6
Escolaridade maternac 0,797
> 8 anos 64 15,0 362 85,0
≤ 8 anos 76 15,6 410 84,4
Binge drinkingd < 0,001
Sim 107 39,5 164 60,5
Não 75 8,5 804 91,5

Valores de missing (a) 12 (1%); (b) 9 (0,7%); (c) 242 (20,9%); (d) 4 (0,3%).

Na Tabela 2 estão os resultados da análise bruta e ajustada da regressão de Poisson para o uso na vida de drogas ilícitas (maconha, cocaína ou inalantes) de acordo com as variáveis independentes. Os estudantes que relataram consumir álcool em binge apresentaram uma prevalência 317% maior de referir uso de drogas ilícitas em comparação aos que não consumiram em binge. Estar na faixa etária de 16 a 19 anos aumentou a prevalência do uso de drogas ilícitas em 120% em comparação com os de faixa etária de 13 a 15 anos. Não ter afiliação religiosa aumentou em 37% a prevalência de usar drogas quando comparados aos estudantes que informaram ter religião. Ser do sexo masculino também aumentou a prevalência do uso de drogas ilícitas.

Tabela 2 Razão de prevalência bruta e ajustada da associação entre o uso de drogas ilícitas e as variáveis independentes do estudo. Olinda, PE, 2014. (n = 1.130) 

Variável RP (bruta) IC95% p RP (ajustada) IC95% p
Sexo
Feminino 1 - - 1 - -
Masculino 1,40 1,07–1,84 0,014 1,33 1,03–1,72 0,028
Idade (ano)
13–15 1 - - 1 - -
16–19 2,65 1,75–4,03 < 0,001 2,21 1,47–3,31 < 0.001
Religião
Sim 1 - - 1 - -
Não 1,64 1,25–2,14 < 0.001 1,37 1,06–1,77 0.016
Binge drinking
Sim 4,63 3,56–6,01 < 0.001 4,17 3,19–5,45 < 0.001
Não 1 - - 1 - -

DISCUSSÃO

A prevalência de uso de drogas ilícitas (maconha, cocaína ou inalantes) foi 15,8%, superior ao encontrado em outros estudos do país (2,4% em cidade da região Sul20, 6,9%, no estado de Pernambuco4 e 7,3% no Brasil10).

A variável que esteve mais fortemente associada ao uso de drogas ilícitas (maconha, cocaína ou inalantes) entre adolescentes foi o binge drinking, semelhante aos achados de outros estudos com amostras representativas de estudantes adolescentes que investigaram drogas ilícitas separadamente7,18,19. Estudo longitudinal realizado nos Estados Unidos mostrou o binge drinking como preditor (OR = 1,91; IC95% 1,39–2,63) para o início do uso de maconha19. No Brasil, o binge aumentou o risco de uso de inalantes (OR = 5,02; IC95% 2,57–9,81)18 e esteve associado ao consumo de cocaína e maconha (p < 0,001)7.

Depois do binge drinking, o fator associado com maior força foi a idade no uso de drogas ilícitas. O início do uso de drogas ilícitas geralmente ocorre na adolescência intermediária (de 13 aos 15 anos) enquanto o início do uso de álcool ocorre na inicial (de 10 aos 12 anos)15,20. Isso explica parcialmente o maior relato de uso, na vida, de drogas ilícitas (maconha, cocaína ou inalantes) pelos estudantes na faixa etária de 16 a 19 anos no presente estudo, reforçando a importância das ações de prevenção ao uso de drogas na adolescência inicial.

O terceiro fator associado ao consumo de drogas ilícitas foi a religião. O maior consumo entre os adolescentes que relataram não ter religião pode ser considerado semelhante a outros estudos que identificaram a religião como fator protetor para o uso de drogas entre estudantes adolescentes3,6, possivelmente em razão das normas de conduta disseminadas pela maioria das religiões.

A maior prevalência (33%) de consumo de drogas entre adolescentes do sexo masculino observada no presente estudo mostra que este grupo ainda está em maior risco4,10,11, embora estudos também indiquem alguns comportamentos de risco semelhantes entre os sexos7,18,20.

Outro fator investigado foi o regime de ensino. No Brasil, assim como no município investigado no presente estudo, foi implementado nas escolas de regime integral o Programa Mais Educação em 2007, que visa oferecer diversas atividades de prevenção a condutas de risco, entre elas o uso de álcool, tabaco e outras drogas14. No entanto, os alunos de escolas com regime semi-integral ou integral não apresentaram diferenças significativas dos alunos do regime regular. Esse resultado traz uma preocupação, pois se espera que a permanência dos adolescentes por mais tempo no ambiente escolar proteja esses estudantes do uso de drogas.

Algumas limitações da pesquisa devem ser consideradas. Uma delas é o ponto de corte do consumo em binge, que pode ter sido subestimado para o sexo feminino, pois sua medida desse consumo deveria ser de quatro doses ou mais e, no presente estudo, foram consideradas cinco doses ou mais para ambos os sexos. Outra limitação foi a baixa variabilidade dos dados socioeconômicos, pois apesar de ter sido realizada uma amostragem probabilística por conglomerados, todos os pesquisados eram matriculados em escolas públicas onde, em sua maioria, apresentam status econômico baixo. A superlotação de alunos por sala em algumas turmas (50 alunos) também pode ter sido uma limitação porque pode ter inibido as respostas, ou ter contribuído para uma homogeneidade das respostas.

Pode-se concluir que a prevalência do uso de drogas ilícitas (maconha, cocaína e inalantes) foi alta em comparação com outros estudos no país. O hábito do binge drinking, ser do sexo masculino, ter idade entre 16 e 19 anos e não ter religião foram variáveis que apresentaram uma associação independente, cada uma delas, com o uso de drogas ilícitas. O binge foi a variável que mais influenciou o uso de maconha, cocaína e inalantes; contudo, por se tratar de um estudo transversal, não é possível afirmar o seu efeito preditor para o uso dessas drogas.

Dessa forma, são importantes estudos longitudinais que respondam a essa questão em contextos socioeconômicos e culturais distintos, assim como o desenvolvimento, implementação e monitoramento de políticas e ações de prevenção e redução de danos com foco no consumo do álcool.

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Recebido: 7 de Dezembro de 2015; Aceito: 5 de Outubro de 2016

Correspondência: Carolina da Franca. Av. General Newton Cavalcanti, 1650 Tabatinga 54756-220 Camaragibe, PE, Brasil. E-mail: carolina.franca@upe.br

Contribuição dos Autores: Planejamento do estudo: JCSR, ACQC, VC, CFBFS. Coleta de dados: JCSR, ACQC. Análise e interpretação dos dados: JCSR, ACQC, VC, CFBFS. Redação do artigo: JCSR, ACQC, PAMV, VC, CFBFS. Revisão crítica do manuscrito: JCSR, PMZ, ASD, VC, CFBFS.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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