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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.52  São Paulo  2018  Epub Feb 26, 2018

http://dx.doi.org/10.11606/s1518-8787.2018052000103 

Artigo Original

Quedas em idosos no Sul do Brasil: prevalência e determinantes

Luna S VieiraI 

Ana Paula GomesI 

Isabel O BierhalsI 

Simone Farías-AntúnezI 

Camila G RibeiroI 

Vanessa I A MirandaI 

Bárbara H LutzI 

Thiago G Barbosa-SilvaI 

Natália P LimaI 

Andréa D BertoldiI 

Elaine TomasiII 

IUniversidade Federal de Pelotas. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. Pelotas, RS, Brasil

IIUniversidade Federal de Pelotas. Faculdade de Medicina. Departamento de Medicina Social. Pelotas, RS, Brasil


RESUMO

OBJETIVO

Avaliar a prevalência e os fatores associados à ocorrência de quedas em idosos.

MÉTODOS

Estudo transversal com amostra representativa de 1.451 idosos residentes na zona urbana de Pelotas, RS, em 2014. Foi realizada análise descritiva dos dados e apresentada a prevalência de quedas no último ano. A análise de fatores demográficos, socioeconômicos, comportamentais e de saúde associados ao desfecho foi realizada por meio de regressão de Poisson com ajuste para variância robusta conforme modelo hierárquico. As variáveis foram ajustadas entre si dentro de cada nível e para as de nível superior. Aquelas com p ≤ 0,20 foram mantidas no modelo para controle de confusão e aquelas com p < 0,05 foram consideradas associadas ao desfecho.

RESULTADOS

A prevalência de quedas em idosos no último ano foi de 28,1% (IC95% 25,9–30,5), e a maioria ocorreu na própria residência do idoso. Entre os idosos que sofreram queda, 51,5% (IC95% 46,6–56,4) tiveram uma única queda e 12,1% (IC95% 8,9–15,3) tiveram fratura como consequência, sendo a de membros inferiores a mais relatada. A prevalência de quedas foi maior em mulheres, idosos com idade avançada, de menor renda e escolaridade, com incapacidade funcional para atividades instrumentais e portadores de enfermidades como diabetes, doença cardíaca e artrite.

CONCLUSÕES

A ocorrência de quedas atingiu quase um terço dos idosos, e a prevalência foi mais elevada em segmentos específicos da população em questão. Cerca de 12% dos idosos que caíram, fraturaram algum osso. Os fatores associados à ocorrência de quedas identificados neste estudo poderão nortear medidas que visem sua prevenção na população de idosos.

Palavras-Chave: Idoso; Acidentes por Quedas; Prevalência; Fatores de Risco; Estudos Transversais

ABSTRACT

OBJECTIVE

Evaluate the prevalence and the factors associated with the occurrence of falls among older adults.

METHODS

A cross-sectional study with a representative sample of 1,451 elderly residents in the urban area of Pelotas, RS, in 2014. A descriptive analysis of the data was performed and the prevalence of falls in the last year was presented. The analysis of demographic, socioeconomic, behavioral and health factors associated with the outcome was performed using Poisson regression with adjustment for robust variance according to the hierarchical model. The variables were adjusted to each other within each level and for the higher level. Those with p ≤ 0.20 were maintained in the model for confounding control and those with p < 0.05 were considered to be associated with the outcome.

RESULTS

The prevalence of falls among older adults in the last year was 28.1% (95%CI 25.9–30.5), and most occurred in the person’s own residence. Among the older adults who fell, 51.5% (95%CI 46.6–56.4) had a single fall and 12.1% (95%CI 8.9–15.3) had a fracture as a consequence, usually in the lower limbs. The prevalence of falls was higher in women, adults of advanced age, with lower income and schooling level, with functional incapacity for instrumental activities, and patients with diseases such as diabetes, heart disease, and arthritis.

CONCLUSIONS

The occurrence of falls reached almost a third of the older adults, and the prevalence was higher in specific segments of the population in question. About 12% of the older adults who fell fractured some bone. The factors associated with the occurrence of falls identified in this study may guide measures aimed at prevention in the older adult population.

Key words: Aged; Accidental Falls; Prevalence; Risk Factors; Cross-Sectional Studies

INTRODUÇÃO

O rápido envelhecimento populacional nos países de baixa e média renda determina uma importante modificação na morbimortalidade pelo aumento da prevalência das doenças crônicas não-transmissíveis1,2. Além do aumento de comorbidades, o uso de diferentes medicamentos, a marcha lentificada e a diminuição da acuidade visual e da audição tendem a gerar um processo incapacitante do idoso ao longo do tempo1,3. Como consequência dessas alterações funcionais, há um crescimento exponencial da ocorrência de trauma por causas externas, com destaque para as quedas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de correção em tempo hábil4. A queda é determinada por circunstâncias multifatoriais, em que fatores intrínsecos (alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, presença de morbidades, déficit no equilíbrio, visão, audição ou na marcha) e extrínsecos (riscos ambientais decorrentes de má iluminação ou piso escorregadio, comportamentos de risco, como subir em cadeiras ou escadas, e aqueles relacionados com as atividades do cotidiano) estão envolvidos. Na maioria das vezes, resulta da interação entre esses fatores5.

Em torno de 30% dos idosos sofrem quedas no período de um ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde1. Embora seja responsável pelo aumento do risco de ocorrência de lesões, problemas emocionais e óbito neste grupo populacional, representando, por conseguinte, um problema grave de saúde pública, não recebe a devida atenção da sociedade brasileira3,6–8. Dessa forma, avaliar os fatores que mais colocam o idoso em risco de ocorrência de quedas pode fornecer informações importantes para o planejamento de políticas públicas que visem prevenir a ocorrência desse incidente nessa população.

O objetivo deste estudo foi estimar a prevalência de queda autorreferida em idosos (60 anos ou mais) em uma cidade de médio porte, na região Sul do Brasil, e identificar seus principais fatores associados.

MÉTODOS

Estudo de base populacional realizado na zona urbana de Pelotas em 2014, cujo objetivo era conhecer as características de saúde da população com 60 anos ou mais. A pesquisa foi conduzida pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas por meio do consórcio de pesquisa de estudantes de mestrado9.

O cálculo do tamanho amostral para o estudo de prevalência considerou uma prevalência de quedas em idosos de 34,8%10, nível de 95% de confiança, margem de erro de quatro pontos percentuais e efeito de delineamento de dois. Com acréscimo de 10% para perdas, o tamanho amostral mínimo necessário seria de 1.198 idosos. A amostra mínima necessária para o estudo de associação foi estimada em 1.113 idosos, resultado da associação entre quedas e sexo, a partir dos seguintes parâmetros: nível de 95% de confiança, poder de 80%, razão de 40/60 entre não expostos e expostos, prevalência de quedas de 26,5% nos não expostos (sexo masculino)10, razão de prevalências de 1,5, efeito de delineamento de dois, adicional de 10% para perdas e recusas e de 15% para controle de possíveis fatores de confusão.

O processo amostral foi realizado em dois estágios. Inicialmente os setores censitários foram ordenados de acordo com a renda média de cada habitante com base no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 201011. O primeiro estágio do processo amostral compreendeu o sorteio aleatório dos setores– o que resultou em 133 setores selecionados. No segundo estágio, foi realizada a seleção de aproximadamente 30 domicílios em cada setor por meio de sorteio sistemático. Ao final do processo, foram eleitos 4.123 domicílios para a pesquisa. Com base em uma estimativa prévia do mesmo censo, que encontrou 0,43 idoso/domicílio, esperava-se encontrar, no mínimo, 12 idosos por setor, que resultaria em uma amostra de aproximadamente 1.700 idosos (todos os idosos do domicílio foram incluídos no estudo). Esse número foi considerado adequado para o desfecho, uma vez que, segundo o cálculo amostral seria necessária uma amostra mínima de 1.198 idosos.

A coleta de dados foi realizada de janeiro a agosto de 2014 no domicílio dos idosos, por entrevistadoras treinadas, por meio de questionário previamente testado e construído em formato digital, o qual foi aplicado com auxílio de netbooks.

O desfecho foi a prevalência de queda em idosos no último ano, investigado pela seguinte pergunta: “O(A) Sr.(a) caiu alguma vez desde <mês do ano passado> até agora?”. Aqueles idosos que referiram resposta afirmativa tiveram seu histórico de quedas do último ano investigado por duas perguntas adicionais, sobre o número de quedas ocorridas e se houve fratura de algum membro em decorrência da queda.

Foram examinadas como variáveis independentes, as características demográficas: sexo (feminino ou masculino), idade (categorizada em 60–69, 70–79 e 80 anos ou mais) e situação conjugal (com companheiro ou sem companheiro). As características socioeconômicas foram classe econômica (coletada segundo instrumento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP)11 e categorizado em classes A/B, C, D/E), escolaridade em anos completos de estudo (nenhum, 1 a 3, 4 a 7, 8 a 10, 12 ou mais), trabalho atual (não ou sim). Sobre as variáveis de saúde, estudou-se a presença das seguintes morbidades: hipertensão arterial sistêmica, diabetes, cardiopatias, artrite, osteoporose, mal de Parkinson, nefropatia, glaucoma e enfisema. Também foi investigada a ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC) em algum momento da vida. Considerando a presença dessas doenças, um escore de morbidade foi criado, categorizado em “nenhuma”, “1”, “2” ou “≥ 3” morbidades.

A presença de sarcopenia foi avaliada de acordo com os critérios propostos pelo European Working Group on Sarcopenia in Older People12. A perda de massa muscular foi determinada pela aferição com fita métrica inextensível (Cescorf, Brasil) da circunferência da panturrilha dos idosos, com base em pontos de corte estabelecidos na própria população estudada (≤ 34 cm para homens e ≤ 33 cm para mulheres foram indicativos de perda de massa muscular)13. A força muscular foi estimada com base na força de preensão manual, avaliada por dinamometria manual digital (Jamar Digital Plus + Hand Dynamometer; Simmons Preston, Canadá). Os pontos de corte para perda de força foram de < 30 kg para homens e < 20 kg para mulheres14. Por fim, a performance muscular foi avaliada pelo do teste da velocidade de marcha de 4 m, considerando como “perda” uma velocidade de percurso < 0,8 m/s14. A combinação desses testes permitiu a categorização dos indivíduos em sarcopênicos (presença de perda de massa muscular associada à perda de força muscular ou performance) ou não-sarcopênicos. A metodologia detalhada da coleta dos dados supracitados pode ser verificada em um artigo prévio originado do mesmo estudo13.

A utilização de medicamentos foi avaliada nos 15 dias anteriores à entrevista. Para melhor qualificar a informação, foi solicitado aos entrevistados que mostrassem a embalagem ou a receita dos medicamentos utilizados. Foi realizada uma classificação por grupos farmacológicos, de acordo com a classificação ATC (Anatomical Therapeutic Chemical Classification System) preconizada pela OMS15. Dentre os medicamentos, foram classificados aqueles potencialmente relacionados com a ocorrência de quedas entre os idosos: psicoanalépticos, psicolépticos, antiepilépticos, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos, relaxantes musculares e, dentre os medicamentos usados para terapia cardíaca, a digoxina.

A capacidade funcional foi avaliada a partir das atividades básicas (alimentar-se, tomar banho, vestir-se, usar o banheiro, deitar e levantar da cama ou cadeira e controlar as funções de urinar ou evacuar) por meio do índice de Katz16 e atividades instrumentais (usar o telefone, ir a locais distantes utilizando algum meio de transporte, fazer compras, arrumar a casa, lavar roupa, preparar a própria refeição, tomar medicamentos e cuidar do dinheiro) mensuradas pela escala de Lawton17. Para ambos os instrumentos, os idosos foram classificados em independentes (não necessitavam de ajuda para realizar nenhuma atividade) ou dependentes (necessitavam de ajuda parcial ou total para realizar, pelo menos, uma atividade).

Em relação às características comportamentais, avaliou-se o autorrelato de dependência de álcool (medido pelo método CAGE)18 positivo para a percepção da pessoa sobre sua dependência à bebida alcoólica (até uma resposta positiva – negativo, duas ou mais respostas positivas – positivo) e o nível de nível de atividade física, aferido por meio do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ)19, classificados como ativos aqueles que relataram praticar ≥ 150 minutos semanais de atividades físicas no lazer e deslocamento.

As razões de prevalência brutas e ajustadas foram obtidas por meio de regressão de Poisson, com ajuste robusto para a variância, com cálculo do valor-p para heterogeneidade ou de tendência linear para variáveis ordinais. A análise ajustada foi realizada respeitando os níveis hierárquicos: no primeiro, foram colocadas as variáveis demográficas, socioeconômicas e ocupacionais (sexo, idade, situação conjugal, escolaridade, classe econômica, situação de trabalho); no segundo, acrescentaram-se as variáveis comportamentais e relacionadas à saúde (nível de atividade física, autorrelato de dependência alcoólica, sarcopenia e escore de morbidades); no terceiro nível, foram acrescentados os medicamentos potencialmente causadores de quedas e no quarto e último nível, foram acrescentadas as variáveis de incapacidades. As variáveis foram ajustadas entre si dentro de cada nível e para as de nível superior. Aquelas com p ≤ 0,20 foram mantidas no modelo para controle de confusão e aquelas com p < 0,05 foram consideradas associadas ao desfecho. Em razão do desenho complexo, as análises foram ponderadas considerando o setor censitário (cluster). Para a análise de regressão de Poisson, o comando svy foi utilizado para corrigir para amostragem complexa.

As análises foram conduzidas no programa Stata 12.1.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (Protocolo 472.357/2013). Os participantes do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

Foram identificados 1.844 idosos elegíveis e, após sucessivas tentativas de contato, foram contabilizadas 393 perdas e recusas (21,3%). Do conjunto de 1.451 idosos entrevistados, 1.448 apresentaram informação completa para o desfecho avaliado, constituindo a amostra final deste estudo.

A maior parte dos idosos era do sexo feminino (63,0%) e cerca de 50,0% tinham idade entre 60 e 69 anos. Aproximadamente 53,0% dos entrevistados referiram ter companheiro(a) e 56,8% eram de classe econômica C. Com relação à escolaridade, 31,0% tinham de quatro a sete anos de estudos e 80,4% não estavam tralhando no período da entrevista. A prevalência de três ou mais morbidades foi de 38,0% e de sarcopenia cerca de 14,0%. Apenas 1,0% dos idosos apresentou dependência de álcool, cerca de 60,0% eram insuficientemente ativos no lazer e deslocamento. Quase 70,0% dos idosos estavam utilizando algum medicamento potencialmente causador de quedas e cerca de 35,0% eram dependentes para as atividades básicas e para as instrumentais da vida diária (Tabela 1).

Tabela 1 Descrição da amostra segundo variáveis demográficas, socioeconômicas, comportamentais e de saúde. Pelotas, RS, 2014. (n = 1.448) 

Variável n %
Sexo
Masculino 537 37,0
Feminino 914 63,0
Idade (anos completos)
60–69 756 52,3
70–79 460 31,8
80 ou mais 230 15,9
Situação conjugal
Com companheiro(a) 763 52,7
Sem companheiro(a) 684 47,3
Classe econômica (ABEP)
A/B 384 27,9
C 781 56,8
D/E 201 15,3
Escolaridade (anos completos de estudo)
Nenhum 196 13,6
1–3 337 23,4
4–7 445 31,0
8–11 143 10,0
12 ou mais 316 22,0
Trabalho atual
Não 1.084 80,4
Sim 264 19,6
Morbidadea
Nenhuma 174 12,2
1 348 24,3
2 366 25,5
3 ou mais 545 38,0
Sarcopenia
Não 1.112 86,1
Sim 179 13,9
Autorrelato de dependência de álcool (CAGE)
Não 1.436 99,0
Sim 15 1,0
Uso medicamentos potencialmente causadores de quedasb
Não 409 31,3
Sim 896 68,7
Nível de atividade física (IPAQ)
Insuficientemente ativo 824 60,1
Ativo 548 39,9
Capacidade funcional (Katz)
Independente 920 63,9
Dependente 520 36,1
Capacidade funcional (Lawton)c
Independente 837 66,0
Dependente 432 34,0

ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas; CAGE: Cut down, Annoyed by criticism, Guilty e Eye-opener; IPAQ: International Physical Activity Questionnaire

a Hipertensão, diabetes, problema no coração, acidente vascular cerebral, artrite, osteoporose, Parkinson, Insuficiência renal crônica, glaucoma, enfisema.

b Psicoanalépticos, psicolépticos, antiepilépticos, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos, relaxantes musculares e digoxina.

c Maior número de missing: 182.

A prevalência de quedas no último ano foi de 28,1% (IC95% 25,9–30,5). Com relação ao número de quedas, 51,5% (IC95% 46,6–56,4) dos idosos sofreram uma única queda, 25,2% (IC95% 21,0–29,5) caíram duas vezes e 23,3% (IC95% 19,1–27,4) caíram três ou mais vezes no último ano (dados não apresentados em tabela). A maioria dos idosos que caíram teve a queda na própria casa (56,4%) ou na rua (46,6%) (Tabela 2). Como consequência da queda, 12,1% (IC95% 8,9–15,3) dos idosos referiram ter fraturado algum osso (dados não mostrados), e os locais mais acometidos foram os membros inferiores (4,9%) e os membros superiores (3,9%).

Tabela 2 Descrição do local das quedas e ocorrência de fraturas entre os idosos residentes em Pelotas, RS, 2014. 

Variável Total de idosos Idosos que caíram
n % IC95% n % IC95%
Local da queda
Casa/Pátio 230 15,9 14,0–17,7 230 56,4 51,5–61,2
Rua 190 13,1 11,4–14,8 190 46,6 41,7–51,4
Casa/Pátio de outra pessoa 23 1,6 9,4–2,2 23 5,6 3,4–7,9
Outro local 31 2,1 1,4–2,9 31 7,6 5,0–10,2
Osso fraturado
Membros superiores 16 1,1 0,6–1,6 16 3,9 2,0–5,8
Tronco 9 1,4 0,8–2,0 9 2,2 0,8–3,6
Quadril 2 0,1 0,0–0,3 2 0,5 0,2–1,2
Membros inferiores 20 0,6 0,2–1,0 20 4,9 2,8–7,0
Outro 1 0,1 0,0–2,0 1 0,3 0,2–0,7

Autorrelato de dependência de álcool e o uso de medicamentos não estiveram significativamente associados ao desfecho na análise bruta. Na análise ajustada, a ocorrência de quedas em idosos esteve associada ao sexo, idade, classe econômica, escolaridade, trabalho atual, morbidade e capacidade funcional pela escala de Lawton. As mulheres apresentaram uma prevalência de quedas quase 1,5 vezes maior quando comparadas aos homens. Com relação à idade, observou-se tendência linear, e a maior prevalência de quedas foi entre aqueles com 80 anos ou mais (RP = 1,27; IC95% 0,97–1,66), ao comparar com aqueles de 60 a 69 anos. Os idosos pertencentes às classes C e D/E apresentaram maior prevalência de quedas quando comparados com idosos com classe econômica A/B, com uma tendência linear. Para a escolaridade, também foi observada tendência linear, e os idosos sem escolaridade apresentaram uma prevalência 47,0% maior de quedas quando comparados com idosos com alta escolaridade. A prevalência de quedas foi 50,0% menor entre os idosos com uma doença crônica quando comparados aqueles sem doença crônica. Entretanto, a proteção diminuiu com o aumento do número de doenças crônicas. Idosos que não estavam trabalhando tiveram prevalência 30,0% maior de quedas comparados àqueles que estavam trabalhando. Idosos dependentes para as atividades instrumentais da vida diária (Lawton) também apresentaram maior prevalência de quedas em relação aos idosos independentes (RP = 1,38; IC95% 1,10–1,73) (Tabela 3).

Tabela 3 Fatores associados à ocorrência de quedas em idosos. Pelotas, RS, 2014. (n = 1.448) 

Nível Variável RP bruta IC95% p RP ajustada IC95% p
1 Sexo < 0,001 < 0,001
Masculino 1,00 1,00
Feminino 1,57 1,30–1,90 1,49 1,22–1,82
1 Idade (anos completos) < 0,001a 0,040a
60–69 1,00 1,00
70–79 1,32 1,07–1,61 1,23 0,99–1,52
80 ou mais 1,50 1,19–1,88 1,27 0,97–1,66
1 Situação conjugal 0,001 0,380
Com companheiro(a) 1,00 1,00
Sem companheiro(a) 1,37 1,14–1,65 1,10 0,89–1,37
1 Classe econômica (ABEP) 0,001a 0,017a
A/B 1,00 1,00
C 1,33 1,05–1,69 1,29 1,01–1,65
D/E 1,62 1,22–2,14 1,45 1,06–1,99
1 Escolaridade (anos completos de estudo) 0,001a 0,02a
Nenhum 1,70 1,22–2,39 1,47 1,08–1,98
1–3 1,36 1,00–1,87 1,30 0,98–1,72
4–7 1,42 1,06–1,91 1,40 1,09–1,80
8–11 1,31 0,88–1,94 1,35 0,94–1,94
12 ou mais 1,00 1,00
1 Trabalho atual 0,001 0,048
Não 1,60 1,23–2,09 1,33 1,00–1,76
Sim 1,00 1,00
2 Morbidadeb < 0,001 0,002
Nenhuma 1,00 1,00
1 0,69 0,49–0,97 0,48 0,32–0,72
2 0,94 0,69–1,28 0,63 0,43–0,90
3 ou mais 1,44 1,09–1,89 0,89 0,62–1,26
2 Sarcopenia 0,016 0,270
Não 1,00 1,00
Sim 1,34 1,06–1,70 1,18 0,88–1,57
2 Dependência de álcool (CAGE) 0,682 0,905
Não 1,00 1,00
Sim 1,19 0,52–2,69 0,92 0,23–3,74
2 Nível de atividade física (IPAQ) 0,003 0,918
Insuficientemente ativo 1,31 1,10–1,56 0,99 0,80–1,23
Ativo 1,00 1,00
3 Uso de medicamentosc 0,121 0,979
Não 1,00 1,00
Sim 1,16 0,96–1,41 1,00 0,76–1,32
4 Capacidade funcional (Katz) < 0,001 0,307
Independente 1,00 1,00
Dependente 1,70 1,47–1,98 1,13 0,89–1,43
4 Capacidade funcional (Lawton)d < 0,001 0,006
Independente 1,00 1,00
Dependente 1,81 1,49–2,20 1,38 1,10–1,73

ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas; CAGE: Cut down, Annoyed by criticism, Guilty e Eye-opener; IPAQ: International Physical Activity Questionnaire

a Teste de tendência linear.

b Hipertensão, diabetes, problema no coração, acidente vascular cerebral, artrite, osteoporose, Parkinson, insuficiência renal crônica, glaucoma, enfisema.

c Psicoanalépticos, psicolépticos, antiepilépticos, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos, relaxantes musculares e digoxina.

d Maior número de missing: 182.

Diabetes, problema cardíaco, AVC, artrite, osteoporose e doença de Parkinson estiveram associados à ocorrência do desfecho na análise bruta. As associações com osteoporose, sarcopenia e doença de Parkinson perderam significância estatística na análise ajustada. A prevalência de quedas foi superior entre idosos com diabetes (RP = 1,24; IC95% 1,03–1,50), problema cardíaco (RP = 1,24; IC95% 1,02–1,51), que sofreram AVC (RP = 1,44; IC95% 1,14–1,81) e que tinham artrite (RP = 1,25; IC95% 1,06–1,48), quando comparados aqueles sem essas enfermidades (Tabela 4).

Tabela 4 Principais problemas de saúde relacionados à ocorrência de quedas em idosos. Pelotas, RS, 2014. (n = 1.448) 

Morbidades RP bruta IC95% p RP ajustada* IC95% p
Diabetes < 0,001 0,023
Não 1,00 1,00
Sim 1,37 1,16–1,63 1,24 1,03–1,50
Hipertensão 0,633 0,082
Não 1,00 1,00
Sim 1,04 0,88–1,23 0,85 0,71–1,02
Problema cardíaco < 0,001 0,029
Não 1,00 1,00
Sim 1,46 1,23–1,74 1,24 1,02–1,51
AVC < 0,001 0,002
Não 1,00 1,00
Sim 1,49 1,20–1,85 1,44 1,14–1,81
Artrite < 0,001 0,010
Não 1,00 1,00
Sim 1,51 1,27–1,78 1,25 1,06–1,48
Osteoporose < 0,001 0,392
Não 1,00 1,00
Sim 1,50 1,27–1,77 1,08 0,90–1,30
Doença de Parkinson 0,039 0,283
Não 1,00 1,00
Sim 1,64 1,03–2,62 1,35 0,78–2,33
Insuficiência renal 0,949 0,703
Não 1,00 1,00
Sim 0,99 0,65–1,49 0,92 0,58–1,44
Glaucoma 0,207 0,896
Não 1,00 1,00
Sim 1,21 0,90–1,64 0,98 0,73–1,32
Enfisema pulmonar 0,244 0,515
Não 1,00 1,00
Sim 1,19 0,88–1,61 1,10 0,82–1,48

AVC: acidente vascular cerebral

* Ajuste para variáveis demográficas e socioeconômicas e demais doenças crônicas do modelo.

DISCUSSÃO

Um em cada três idosos sofreu ao menos uma queda no último ano e 12,0% desses idosos fraturaram algum osso como consequência dessa queda. O agravo ocorreu principalmente na própria residência dos idosos. A prevalência de quedas foi maior em mulheres, indivíduos com idade mais avançada, de menor escolaridade e classe econômica, que não estavam trabalhando e que apresentavam incapacidade funcional para atividades instrumentais. A prevalência de quedas também foi maior em portadores de diabetes, doença cardíaca, artrite e naqueles idosos que referiram ter sofrido AVC.

A prevalência de quedas no último ano encontrada neste estudo (28,1%) é semelhante à encontrada em outros estudos brasileiros, cujas prevalências variam de 28% até 37,5%10,20–22, assim como as encontradas em estudos realizados em países da América Latina e do Caribe, onde as prevalências variaram de 21,0% até 34,0%23,24. As diferenças nas prevalências entre os estudos devem ser interpretadas com cautela, uma vez que podem ser devido ao delineamento dos estudos e às metodologias adotadas ou por serem estimativas pontuais que possuem margens de erro25.

Assim como em outros estudos, a maioria da amostra era feminina10,25–29, o que pode ser explicado pelo fato das mulheres viverem mais que os homens30. Além disso, a prevalência de quedas neste e em outros estudos foi maior entre as mulheres10,25–29, todavia os mecanismos subjacentes a essa associação ainda estão pouco claros. Alguns fatores apontados por outros autores dizem respeito à diferença na composição corporal das mulheres quando comparadas aos homens. Elas possuem massa magra e força muscular em menor quantidade e maior perda de massa óssea em virtude da redução dos níveis de estrogênio. Isso aumenta a probabilidade de osteoporose nesse grupo25,29,31 e, consequentemente, o risco de quedas.

A idade apresentou associação positiva com o desfecho, o que confirma o encontrado na literatura nacional e internacional10,25,32–34. Essa relação ocorre porque o processo de envelhecimento biológico envolve alterações estruturais e funcionais, como diminuição da força muscular e elasticidade, prejuízo da estabilidade e dinâmica articular, além de alterações do sistema sensorial e nervoso. Tais mudanças comprometem o controle postural e são capazes de alterar a marcha e o equilíbrio, culminando, por consequência, num risco elevado de ocorrência deste desfecho28,35.

A classe econômica e a escolaridade mostraram-se inversamente associadas com o risco de quedas, associação também encontrada em outros estudos10,36. Uma possível explicação para essa associação seria a maior dificuldade de indivíduos com baixo nível socioeconômico acessarem aos serviços de saúde e consequentemente prevenirem fatores que poderiam ocasionar as quedas36.

A prevalência de quedas foi maior em idosos que não estavam trabalhando. A literatura aponta associação inversa entre renda e risco de quedas6,36–38. É provável que os idosos que trabalham tenham melhor situação financeira, além de serem mais sadios, dado que estão aptos para o trabalho, e consequentemente terem menor risco de cair6.

A atividade física é indicada para prevenção de quedas em idosos, visto que determinadas atividades, como as que envolvem força e equilíbrio, promovem aumento da força muscular e óssea, coordenação, velocidade de marcha, habilidade funcional e qualidade de vida39. No entanto, o presente estudo não observou associação independente, talvez por não distinguir quais os tipos de atividade realizadas pelos idosos, apresentando apenas se os idosos eram ativos ou não.

Da mesma forma, não foi observada associação estatisticamente significativa entre quedas e sarcopenia após ajuste para diversos fatores, entre eles o sexo. Baumgartner, em 1998, ao estratificar a ocorrência de quedas por sexo, encontrou risco aumentado para quedas entre idosos sarcopênicos, mas tal associação também não se mostrou estatisticamente significante para o sexo feminino40. Ainda assim, mesmo quando a análise foi estratificada por sexo, nenhuma associação foi encontrada entre sarcopenia e ocorrência de quedas (dados não apresentados em tabela). A fraqueza muscular é citada como um dos fatores de risco para quedas em um guideline elaborado por diferentes Sociedades médicas41 e corroborada por Sayer em uma análise da coorte de Hertfordshire42. Porém, a fraqueza muscular não é um critério necessário ou suficiente para a sarcopenia – apenas colaborador. Talvez a combinação com os demais fatores diagnósticos para a síndrome (perda de massa muscular e performance muscular) influenciem essa associação a ponto de tirar-lhe a significância estatística. Portanto, apesar de, teoricamente, a associação entre quedas e sarcopenia ser plausível, ela não foi verificada neste trabalho.

A ocorrência de quedas associou-se à capacidade funcional, avaliada por meio das atividades instrumentais (escala Lawton), enquanto que a associação não foi observada para as atividades básicas (escala Katz). Esse resultado talvez se deva ao fato das atividades básicas serem mais ligadas ao cuidado pessoal e as atividades instrumentais avaliarem a capacidade do idoso de realizar atividades para gerir a sua vida e sua casa de forma independente. Algumas destas atividades envolvem locomoção (usar meio de transporte, fazer compras, arrumar casa, lavar roupas) e a incapacidade de realizá-las de forma eficiente pode aumentar o risco de quedas. Perracini et al. relatam que idosos com dificuldade para realizar entre uma a três atividades da vida diária possuem uma chance 2,37 vezes maior de sofrer quedas27. Porém, a relação entre quedas e incapacidade funcional está sujeita ao viés de causalidade reversa. As quedas em idosos podem ter como consequência a incapacidade funcional, seja devido à ocorrência de fraturas que impossibilitam a realização das atividades ou do medo de sofrer uma nova queda43. Já idosos com limitações funcionais que dificultam a realização de atividades diárias, o que pode ocorrer por falta de equilíbrio ou coordenação motora, têm risco aumentado de sofrer quedas.

Idosos com artrite, sintomas depressivos, hipotensão ortostática, déficit cognitivo, de visão, de equilíbrio, de marcha ou de força muscular possuem risco aumentado para quedas44,45. Quanto ao diabetes, essa relação está bem estabelecida em diversos estudos46,47, tendo como principais causas as complicações decorrentes da neuropatia periférica, visão reduzida e diminuição da função renal. Problemas de equilíbrio, força e marcha são fatores intermediários prováveis em qualquer associação entre complicações do diabetes e risco aumentado de quedas46. Acidentes vasculares cerebrais podem levar a hemiplegia ou paresia dos membros inferiores, afetando a marcha do indivíduo, que assume uma posição ereta instável com comprometimento da base de apoio. Como consequência, também podem surgir disfunção visual e lesão espacial-visual, influenciando assim o equilíbrio do idoso e sua mobilidade47. Em relação aos problemas cardíacos, certas arritmias como os bloqueios atrioventriculares, alterações do nó sinusal e bradicardias também podem ocasionar quedas48. Além disso, a queda pode ser o primeiro sinal de um infarto agudo do miocárdio assintomático49.

Em relação ao uso de medicamentos considerados potenciais causadores de quedas, esse estudo não encontrou associação, embora haja diversos estudos demonstrando a plausibilidade dessa relação50–53. Entretanto, neste estudo, foram avaliados apenas aqueles medicamentos potencialmente causadores de quedas, enquanto que nos estudos que evidenciam associação, qualquer tipo de medicamento é considerado, o que, em parte, poderia explicar a divergência nos resultados.

Este estudo apresenta limitações. A prevalência de quedas encontrada pode estar subestimada, uma vez que, em razão do viés de sobrevivência, idosos que sofreram quedas e tiveram complicações de saúde mais graves em virtude dessa queda podem já ter falecido. O viés de memória também não é descartado, tendo em vista a população estudada. Todavia, espera-se que não tenha sido um problema tão grande uma vez que fatores como a ocorrência de quedas tendem a ser fortemente recordados em razão do impacto que geralmente acarretam à saúde. Como fortalezas do estudo, cabe mencionar a qualidade do método amostral, o qual permitiu analisar uma amostra representativa de idosos da zona urbana de Pelotas. Além disso, o controle de qualidade foi realizado nas diversas etapas do estudo, como treinamento de entrevistadores, testagem dos instrumentos, controle de qualidade dos dados, garantindo maior credibilidade aos dados analisados. O estudo também foi capaz de avaliar uma série de fatores que, conforme literatura prévia, poderiam estar relacionados à ocorrência de quedas, permitindo traçar um perfil de características predisponentes à ocorrência deste agravo.

A alta prevalência de quedas em idosos deixa claro que providencias devem ser tomadas para preveni-las. As estratégias de prevenção deveriam ser focadas nos grupos vulneráveis, ou seja, com maior risco para quedas, como idosos com idade mais avançada, com baixo nível socioeconômico, que não trabalham e dependentes em relação à capacidade funcional.

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Recebido: 2 de Março de 2017; Aceito: 20 de Abril de 2017

Correspondência: Luna S. Vieira. Rua Marechal Deodoro, 1160. Centro. Caixa Postal 464. 96020-220 Pelotas, RS, Brasil. E-mail: luna.vieira@ufpel.edu.br

Contribuição dos Autores: Concepção e planejamento do estudo: LSV, APG, IOB, SFA, CGR, VIAM, BHL, TGBS, NPL, ABB, ET. Coleta de dados: LSV, APG, IOB, SFA, CGR, VIAM, BHL, TGBS, NPL. Análise e interpretação dos dados: LSV, APG. Preparação e redação do manuscrito: LSV, APG, IOB, SFA, CGR, VIAM, BHL, TGBS, NPL. Revisão crítica do manuscrito: LSV, APG, IOB, SFA, CGR, VIAM, BHL, TGBS, NPL, ABB, ET. Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito e assumem a responsabilidade pública pelo seu conteúdo.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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