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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.53  São Paulo  2019  Epub Sep 02, 2019

http://dx.doi.org/10.11606/s1518-8787.2019053001054 

Artigo Original

Anos potenciais de vida perdidos por câncer de boca e faringe no Brasil: 1979 a 2013

Lillia Magali Estrada PereaI 
http://orcid.org/0000-0003-4156-9108

Alexandra Crispim BoingII 
http://orcid.org/0000-0001-7792-4824

Marco Aurélio PeresIII 
http://orcid.org/0000-0002-8329-2808

Antonio Fernando BoingII 
http://orcid.org/0000-0001-9331-1550

IUniversidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Florianópolis, SC, Brasil

IIUniversidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Saúde Pública. Florianópolis, SC, Brasil

IIIGriffith University. Menzies Health Institute Queensland and School of Dentistry and Oral Health. Gold Coast, Australia

RESUMO

OBJETIVO

Estimar os anos de vida perdidos pela população brasileira devido ao câncer de boca e faringe de 1979 a 2013 e analisar a tendências temporais no período estudado, segundo região do país, sexo e sítio anatômico.

MÉTODOS

Os registros de óbitos foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade e os dados referentes à população, dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 1980, 1991, 2000, 2010 e de estimativas intercensitárias para os demais anos. Foram calculadas as taxas de anos de vida potencialmente perdidos aplicando o método sugerido por Romeder e McWhinnie, e suas tendências foram calculadas usando o método de Prais-Winsten com correção para autocorrelação de primeira ordem. As séries históricas foram alisadas com técnica de média móvel central de ordem 3 para redução de ruído branco.

RESULTADOS

No período de 1979 a 2013 no Brasil, houve um total de 107.506 mortes prematuras devido ao câncer de boca e faringe, o que gerou um total de 1.589.501 anos potenciais de vida perdidos, equivalendo a uma taxa de 3,6 por 10.000 habitantes. O sexo masculino, com uma taxa seis vezes maior que a do sexo feminino, contribuiu com 85% dos anos perdidos. As tendências das taxas de anos de vida perdidos mostraram aumento anual de 0,72% nos homens, 1,13% nas mulheres e 1,05% para o câncer de faringe.

CONCLUSÕES

A taxa de anos potenciais de vida perdidos por câncer de boca e faringe no país mostrou tendência de aumento dentro do período estudado em ambos os sexos, assim como para o câncer de faringe e para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Palavras-Chave: Neoplasias Bucais, mortalidade; Neoplasias Faríngeas, mortalidade; Anos Potenciais de Vida Perdidos; Estudos de Séries Temporais

INTRODUÇÃO

O câncer de boca e de faringe é considerado um problema de saúde pública em todo o mundo. Estima-se que em 2015 tenham surgido 571.386 casos novos da doença e 316.168 pessoas tenham morrido em decorrência desses tumores em todo o mundo. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, espera-se que tais valores apresentem ascensão no quinquênio de 2016 a 2020, chegando a 350.000 óbitos e 639.171 casos novos em 20201 .

Na América Latina, o número estimado de mortes em 2015 foi de 33.925, sendo o Brasil o país com o maior número de casos na região1 . A taxa de mortalidade por câncer de boca e faringe no Brasil é de 5,91/100.000 habitantes, enquanto outros países da região, tais como Argentina, Chile, Colômbia e México, não superaram três óbitos por 100.000 habitantes1 . De 1979 a 2002, a taxa de mortalidade foi de 2,7 por 100.000 habitantes2 , mas em 2013, segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), a taxa chegou a 3,6 óbitos para cada 100.000 habitantes, indicando um aumento de 33% em relação ao ano anterior.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima um risco de incidência de 7,8 por 100 mil habitantes, sendo 11,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,21 a cada 100 mil mulheres3 . Estima-se que no ano 2020 o câncer de boca e faringe apresente mais de 21 mil casos novos e mate mais de 10 mil pessoas no Brasil1 .

Ainda que as taxas de mortalidade permitam a análise do risco de óbitos nas diferentes regiões do mundo, elas não incluem o impacto das mortes nas comunidades, uma vez que não consideram a idade do óbito (precoce ou não). O indicador anos potenciais de vida perdidos (APVP) apresenta a mortalidade prematura, a magnitude das causas e o impacto social das doenças, uma vez que a prematuridade afeta o potencial econômico e social do indivíduo na sociedade. Além disso, esse indicador é uma alternativa para o desenvolvimento das ações preventivas para o câncer, possibilitando intervenções em grupos específicos de risco e auxiliando no aprimoramento do uso dos recursos já existentes4 . A análise de tendência temporal potencializa a o entendimento da dinâmica, do monitoramento, da evolução das mortes que ocorreram ao longo dos anos, inclusive possibilitando fazer previsões, o que contribui de maneira efetiva para o planejamento de ações5 .

Uma busca realizada na base de dados da PubMed (Medline) em março de 2018 sobre “ oral cancer ” e “ potential years of life lost ” não identificou estudos recentes analisando as taxas de anos de vida perdidos por câncer de boca e faringe no Brasil. Diante dessa lacuna de conhecimento e da relevância do tema, realizou-se o presente estudo para analisar a tendência da mortalidade prematura de câncer de boca e faringe no Brasil, no período de 1979 a 2013.

MÉTODOS

Foram analisados os óbitos por câncer de boca e faringe no Brasil de indivíduos entre zero e 69 anos que ocorreram no país desde 1979, ano do início da coleta de dados em nível nacional pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, até o ano 2013. As observações com sexo ignorado, 26 no total (0,02% dos casos), não foram incluídas na análise das taxas segundo sexo.

O método de cálculo dos APVP é uma adaptação da proposta de Romeder e McWhinnie6 . Ele consiste na soma do número de mortes em cada faixa etária multiplicado pelo número de anos faltantes para a idade-limite, que foi de 69 anos no presente estudo. Existem diferentes pontos de corte para definir essa idade-limite na literatura. Os autores argumentam que, ao se incluir as mortes de pessoas com idades maiores, seria dado um grande peso no cálculo às causas naturais de morte, e a mortalidade prematura não seria devidamente identificada.

Os óbitos ocorridos entre 1979 e 1995 foram classificados segundo a nona revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID), e os ocorridos entre 1996 e 2013, segundo a décima revisão. Para permitir a comparabilidade dos dados de todo o período segundo a causa principal de morte, os códigos 140.0 a 145.9 da CID-9 e C00.0 a C8.9 da CID-10 foram classificados como óbitos por câncer de boca, e os códigos 146.0 a 149.9 da CID-9 e C09 a C14.8 da CID-10 como óbitos por câncer de faringe, no intuito de neutralizar a influência que a mudança da codificação poderia ter nos resultados. Os óbitos foram categorizados segundo macrorregião de residência, sexo e faixa etária (a cada cinco anos).

Os valores da população residente necessários para o cálculo das taxas foram obtidos por meio dos censos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1980, 1991, 2000, 2010 e de estimativas intercensitárias para os demais anos, disponíveis no site do Datasus.

Os critérios para estabelecer a idade-limite usada no cálculo dos anos potencias de vida perdidos varia de autor para autor. Uma ampla discussão com respeito à inclusão ou exclusão das mortes em menores de um ano e sobre a idade a ser considerada como limite superior pode ser encontrada na literatura4 . Considerando que a análise do presente estudo inclui apenas o câncer de boca e faringe e que a mortalidade devido a essa doença em menores de um ano também é de interesse dos autores, não foram excluídas as 50 mortes nessa faixa etária (0,04% dos casos).

O método original para o cálculo dos APVP utiliza a equação 1, onde d i representa o número de mortes entre as idades i e i + 1, e a i representa o número de anos faltantes para a idade limite quando a morte ocorre entre as idades i e i + 1.

i=069aidi (1)

Usando grupos de cinco anos, o cálculo do APVP pode ser simplificado, conforme mostrado na equação 2, com divergência de menos de 2% nos resultados6 .

i=069AqDq (2)

Nesse caso, D q representa o número de mortes em cada quinquênio q , e A q representa a diferença entre a idade média do quinquênio q e a idade limite estabelecida.

A fim de comparar os APVP entre sexos, sítio anatômico e regiões, foram calculadas a taxas de APVP7 por 10.000 habitantes, posteriormente padronizadas pelo método direto da equação 3. A população brasileira de 2012 foi utilizada como população-padrão.

q=014AqDqPq * PqrNr*10.000 (3)

Nessa equação, P q = número de pessoas cujas idades estão compreendidas no quinquênio q na população atual; P qr = número de pessoas cujas idades estão compreendidas no quinquênio q na população de referência; e N r = número de pessoas com idade entre zero e 69 na população de referência.

Por fim, foi calculada a tendência temporal das taxas de APVP pelo método de Prais-Winsten com correção para autocorrelação de primeira ordem, conforme as equações 4 e 5:

1 + 10b = Δ (4)

Δ95%CI = 1 + 10(b ± t * se) (5)

onde “ b ” corresponde à taxa de crescimento anual, “ se ” é o valor do erro padrão, e o valor de “ t ” é fornecido pela tabela da distribuição t de Student. Para maiores detalhes sobre essa metodologia, o leitor pode consultar o trabalho desenvolvido por Antunes e Waldman8 .

A tendência de aumento, declínio ou estagnação foi expressa como variação percentual anual (VPA) e foi considerada estacionária quando o coeficiente de regressão não diferiu de zero (p > 0,05). As análises foram realizadas no programa Stata, versão 13 ( Stata Corp ., College Station , EUA).

Para facilitar a visualização da tendência da série histórica nos gráficos, foi realizado seu alisamento pela técnica das médias móveis centrais de ordem 3 para redução de ruído branco9 .

RESULTADOS

No período de estudo, foram registradas 146.925 mortes devido ao câncer de boca e faringe, sendo 73,2% delas de pessoas com menos de 70 anos de idade. Entre 1979 e 2013, um total de 1.589.501 anos potenciais de vida foi perdido no Brasil por essas mortes. Em termos populacionais, esse valor reflete uma taxa média de 3,6 APVP por 10.000 habitantes (dados não apresentados).

Observou-se expressiva disparidade na distribuição das mortes prematuras entre homens e mulheres. Do total de anos de vida perdidos, 1.342.939 foram atribuídos ao sexo masculino, com aproximadamente oito de cada 10 óbitos prematuros. A razão entre a taxa de APVP por 10.000 habitantes entre homens e mulheres foi de 6:1. O número de mortes e de anos de vida perdidos com as suas taxas, segundo sexo, pode ser observado na Tabela 1 . Vale salientar que essa tabela não apresenta os 26 casos com sexo ignorado, os quais representavam 0,02% da amostra e foram desconsiderados nos cálculos das taxas por sexo.

Tabela 1 Número de mortes de pessoas de 0–69 anos, número de anos potenciais de vida perdidos (APVP) e taxa de anos de vida perdidos (por 10.000 habitantes) por câncer de boca e faringe, segundo sexo. Brasil, 1979–2013. 

Ano Masculino Feminino Total Taxa



Mortes APVP Taxa Mortes APVP Taxa Mortes APVP
1979 1.329 21.576,0 5,85 208 2.999,5 0,76 1.537 24.575,5 3,28
1980 1.379 21.416,5 5,69 226 3.148,5 0,78 1.605 24.565,0 3,21
1981 1.381 21.812,0 5,67 276 4.165,0 1,00 1.657 25.977,0 3,31
1982 1.496 22.944,0 5,85 255 4.212,0 0,95 1.751 27.156,0 3,37
1983 1.479 22.361,5 5,52 247 3.827,0 0,86 1.726 26.188,5 3,16
1984 1.495 22.576,0 5,41 273 4.406,5 0,93 1.768 26.982,5 3,13
1985 1.599 23.712,0 5,59 253 3.967,5 0,85 1.852 27.679,5 3,18
1986 1.673 25.222,0 5,79 301 4.527,5 0,95 1.974 29.749,5 3,32
1987 1.759 26.985,5 5,94 286 4.339,5 0,85 2.045 31.325,0 3,34
1988 1.901 27.802,5 6,05 341 5.682,0 1,06 2.242 33.484,5 3,50
1989 1.956 29.040,0 6,13 343 5.676,5 1,03 2.299 34.716,5 3,52
1990 1.918 28.093,0 5,74 344 5.199,5 0,96 2.262 33.292,5 3,29
1991 2.064 29.928,0 5,95 340 5.529,5 0,98 2.404 35.457,5 3,40
1992 2.214 33.263,5 6,40 357 5.741,5 0,98 2.571 39.005,0 3,61
1993 1.562 22.554,0 4,22 265 4.572,5 0,75 1.827 27.126,5 2,43
1994 2.299 33.137,0 6,08 409 6.718,0 1,06 2.708 39.855,0 3,49
1995 2.339 34.162,0 6,03 422 6.299,0 0,99 2.761 40.461,0 3,43
1996 2.523 37.175,5 6,59 444 7.110,0 1,13 2.967 44.285,5 3,77
1997 2.569 38.352,5 6,69 419 6.556,0 1,02 2.988 44.908,5 3,76
1998 2.677 40.339,0 6,95 461 7.414,5 1,15 3.138 47.753,5 3,95
1999 2.833 41.942,5 7,20 484 8.008,5 1,21 3.317 49.951,0 4,10
2000 2.929 43.715,0 6,78 501 7.317,0 1,02 3.430 51.032,0 3,79
2001 2.959 44.511,5 6,82 532 8.400,0 1,16 3.491 52.911,5 3,88
2002 3.167 47.197,5 7,15 548 7.879,5 1,09 3.715 55.077,0 4,00
2003 3.426 51.500,0 7,71 532 8.225,0 1,10 3.958 59.725,0 4,28
2004 3.400 49.059,0 7,28 579 8.782,5 1,18 3.979 57.841,5 4,11
2005 3.585 52.895,5 7,63 612 9.549,5 1,24 4.197 62.445,0 4,31
2006 3.575 52.912,5 7,54 637 9.906,0 1,26 4.212 62.818,5 4,28
2007 3.682 54.342,0 6,79 631 9.616,5 1,09 4.313 63.958,5 3,81
2008 3.718 52.819,0 6,50 712 10.704,0 1,20 4.430 63.523,0 3,72
2009 3.956 56.078,0 6,72 745 10.607,5 1,16 4.701 66.685,5 3,81
2010 4.081 57.776,0 6,65 686 10.439,0 1,11 4.767 68.215,0 3,75
2011 4.143 58.380,0 6,67 779 12.002,0 1,26 4.922 70.382,0 3,84
2012 4.137 58.007,0 6,57 793 12.226,0 1,27 4.930 70.233,0 3,86
2013 4.311 59.351,0 6,33 751 10.806,5 1,07 5.062 70.157,5 3,56

Quando analisado o sítio anatômico, 46,3% das mortes prematuras corresponderam ao câncer de boca, apresentando uma taxa média de APVP de 1,7 por 10.000 habitantes e contribuindo, assim, com 719.238 anos potenciais de vida perdidos. Já o câncer de faringe ocasionou 53,7% das mortes prematuras, contribuindo com 846.136 APVP. A razão entre a taxa de APVP por 10.000 habitantes entre faringe e boca foi de 1,2:1, ou seja, a taxa de APVP por câncer de faringe foi 20% maior do que a taxa de APVP por câncer de boca. O número de mortes e de anos de vida perdidos com as suas taxas, segundo sítio anatômico, pode ser observado na Tabela 2 . Vale salientar que essa tabela apresenta o total de óbitos, incluídos aqueles com sexo ignorado, pois a informação de interesse é o sítio anatômico.

Tabela 2 Número de mortes de pessoas de 0–69 anos, número de anos potenciais de vida perdidos (APVP) e taxa de anos de vida perdidos (por 10.000 habitantes) por câncer de boca e faringe, segundo sítio anatômico. Brasil, 1979–2013. 

Ano Boca Faringe Total



Mortes APVP Taxa Mortes APVP Taxa Mortes APVP Taxa
1979 819 12.736,5 1,72 718 11.839,0 1,56 1.537 24.575,5 3,28
1980 861 13.031,0 1,72 745 11.556,5 1,50 1.605 24.575,0 3,22
1981 882 13.509,5 1,74 776 12.485,0 1,58 1.658 25.994,5 3,31
1982 907 13.937,5 1,75 844 13.218,5 1,61 1.751 27.156,0 3,37
1983 898 13.315,0 1,63 828 12.873,5 1,53 1.726 26.188,5 3,16
1984 895 13.551,0 1,58 873 13.431,5 1,55 1.768 26.982,5 3,13
1985 931 13.812,0 1,60 921 13.867,5 1,58 1.852 27.679,5 3,18
1986 931 14.157,0 1,59 1.043 15.592,5 1,74 1.974 29.749,5 3,32
1987 990 14.909,5 1,60 1.056 16.428,0 1,74 2.046 31.337,5 3,35
1988 1.009 15.432,0 1,61 1.234 18.065,0 1,89 2.243 33.497,0 3,50
1989 1.062 15.724,0 1,61 1.237 18.992,5 1,91 2.299 34.716,5 3,52
1990 1.068 15.773,5 1,56 1.195 17.521,5 1,73 2.263 33.295,0 3,29
1991 1.127 16.631,0 1,60 1.279 18.831,5 1,80 2.406 35.462,5 3,40
1992 1.178 17.515,0 1,65 1.395 21.540,0 1,97 2.573 39.055,0 3,62
1993 796 12.084,0 1,08 1.034 15.149,5 1,35 1.830 27.233,5 2,44
1994 1.305 19.230,5 1,69 1.407 20.659,5 1,81 2.712 39.890,0 3,50
1995 1.267 18.022,0 1,54 1.497 22.521,0 1,89 2.764 40.543,0 3,43
1996 1.333 20.147,5 1,73 1.634 24.138,0 2,04 2.967 44.285,5 3,77
1997 1.384 20.748,5 1,74 1.608 24.225,0 2,02 2.992 44.973,5 3,77
1998 1.395 21.046,0 1,75 1.744 26.710,0 2,20 3.139 47.756,0 3,95
1999 1.489 22.201,5 1,83 1.829 27.782,0 2,27 3.318 49.983,5 4,10
2000 1.517 22.096,5 1,65 1.914 28.938,0 2,14 3.431 51.034,5 3,79
2001 1.607 24.457,0 1,80 1.884 28.454,5 2,08 3.491 52.911,5 3,88
2002 1.645 23.732,5 1,73 2.070 31.344,5 2,27 3.715 55.077,0 4,00
2003 1.810 26.970,0 1,94 2.148 32.755,0 2,34 3.958 59.725,0 4,28
2004 1.778 26.254,5 1,87 2.201 31.587,0 2,24 3.979 57.841,5 4,11
2005 1.904 28.093,0 1,94 2.293 34.352,0 2,37 4.197 62.445,0 4,31
2006 1.861 27.582,0 1,89 2.351 35.236,5 2,39 4.212 62.818,5 4,28
2007 2.036 29.962,0 1,79 2.277 33.996,5 2,03 4.313 63.958,5 3,81
2008 2.054 29.108,5 1,71 2.376 34.414,5 2,02 4.430 63.523,0 3,72
2009 2.182 30.768,5 1,76 2.519 35.917,0 2,05 4.701 66.685,5 3,81
2010 2.099 29.771,5 1,64 2.668 38.443,5 2,11 4.767 68.215,0 3,75
2011 2.219 30.861,5 1,68 2.703 39.520,5 2,16 4.922 70.382,0 3,84
2012 2.295 31.971,0 1,73 2.635 38.262,0 2,07 4.930 70.233,0 3,80
2013 2.385 32.831,5 1,66 2.677 37.326,0 1,89 5.062 70.157,5 3,56

A região do país que apresentou o maior número de anos de vida perdidos foi a Sudeste (56,6%). A região Sul apresentou 19,7% dos APVP, a região Nordeste 15,6%, a região Centro-Oeste 5,6% e a região Norte apresentou o menor APVP, 2,5%. As regiões Sudeste e Sul tiveram as maiores taxas de APVP, com valores de 4,53 por 10.000 habitantes e 4,48 por 10.000 habitantes, respectivamente. A menor taxa foi observada na região Norte, com 1,50 por 10.000 habitantes.

A série histórica das taxas de APVP devido ao câncer de boca e faringe (conjuntamente) mostrou tendência ascendente em ambos os sexos. Nos homens a VPA foi de 0,72%, enquanto nas mulheres, cuja VPA foi de 1,13%, a tendência de aumento foi maior, como observado na Figura 1 .

* Taxas padronizadas pela população brasileira de 2012, com alisamento por médias móveis de ordem 3.

Figura 1 Série histórica das taxas de anos potenciais de vida perdidos* devido ao câncer de boca e faringe, segundo sexo. Brasil, 1979–2013. 

A série histórica das taxas de APVP devido ao câncer de faringe também mostrou tendência de aumento, com VPA de 1,05%, e pode ser observada na Figura 2 . A mortalidade prematura devido ao câncer de boca apresentou estabilidade.

* Taxas padronizadas pela população brasileira 2012, com alisamento por médias móveis de ordem 3.

Figura 2 Série histórica das taxas de anos potenciais de vida perdidos* devido ao câncer de boca e faringe, segundo sítio anatômico. Brasil, 1979–2013. 

Segundo a análise por regiões, a tendência de aumento nas taxas foi observada para as regiões Norte (VPA: 1,63%), Centro-Oeste (VPA: 2,63) e Nordeste (VPA: 3,23%), o que pode ser observado na Figura 3 e na Tabela 3 . Nas regiões Sudeste e Sul, as tendências da mortalidade prematura devido ao câncer de boca e faringe apresentaram estabilidade. Os coeficientes da regressão de Prais-Winsten, VPA das taxas de APVP por região, sexo e sítio anatômico podem ser observados na Tabela 3 .

* Taxas padronizadas pela população brasileira 2012, com alisamento por médias móveis de ordem 3.

Figura 3 Série histórica das taxas de anos potenciais de vida perdidos* devido ao câncer de boca e faringe, segundo região. Brasil, 1979–2013. 

Tabela 3 Coeficiente e erros obtidos na regressão de Prais-Winsten, variação percentual anual, valor de p e intervalo de confiança de 95% da análise de tendência das taxas de anos potenciais de vida perdidos por câncer de boca e faringe. Brasil, 1979–2013. 

Variável Coeficiente da regressão Erro-padrão p Variação percentual anual IC95%
Região
Norte 0,0070377 0,0018149 0,000 1,63 0,70–2,57
Nordeste 0,0138159 0,0017684 0,000 3,23 2,31–4,16
Sudeste -0,0000539 0,0008691 0,951 -0,01 -0,45–0,43
Sul 0,0012696 0,0009869 0,207 0,29 -0,21–0,79
Centro-Oeste 0,0112856 0,0015774 0,000 2,63 1,81–3,46
Sítio
Boca 0,0011698 0,0008179 0,162 0,27 -0,14–0,69
Faringe 0,0045502 0,0010925 0,000 1,05 0,49–1,61
Sexo
Masculino 0,0030967 0,0009166 0,002 0,72 0,25–1,18
Feminino 0,0048772 0,0005882 0,000 1,13 0,83–1,43
Global 0,0030144 0,0008302 0,001 0,71 0,32–1,11

DISCUSSÃO

A mortalidade prematura por câncer de boca e de faringe apresentou tendência de aumento no período entre 1979 e 2013 no Brasil. Foram identificadas diferenças de intensidade segundo sexo e região de residência, com maior ascensão no sexo feminino e na região Nordeste. A análise de carga da doença tem como objetivo descrever do modo mais preciso possível o impacto que determinada doença ou transtorno provoca na vida das pessoas quando as acomete e pode ser mensurada por vários indicadores, um deles sendo os anos potenciais de vida perdidos.

Ao incorporar a análise de tendências à série histórica das taxas para estudar o comportamento da mortalidade prematura em longo prazo, o presente trabalho observou variação percentual anual positiva para ambos os sexos na taxa de anos de vida perdidos devido ao câncer de boca e faringe. Segundo os resultados observados por Alves e Neto, essa realidade não é muito diferente do resto das neoplasias, que mostraram aumento na análise de tendência da mortalidade prematura abrangendo o período de 2000 a 201110 .

O comportamento das taxas de mortalidade prematura por câncer de boca e faringe em longo prazo é afetado, principalmente, pela exposição no passado aos principais fatores de risco do câncer de boca e faringe, o etilismo e o tabagismo. Estudos mostram que adolescentes começam a fumar cada vez mais cedo, especialmente os do sexo masculino11 . Observa-se que a prevalência de uso regular de serviços odontológicos foi diretamente proporcional à idade, ou seja, quanto mais jovem, menor o número de consultas ao profissional da saúde12 . No presente trabalho, a grande quantidade de anos de vida perdidos pela população masculina durante o período de estudo (85% do total), assim como a razão das taxas de AVPV, na qual o valor observado nos homens é 6 vezes maior do que o observado nas mulheres, evidencia uma grande perda na população masculina jovem e produtiva. Ainda assim, a análise de tendência mostrou aumento em ambos os sexos, com a variação percentual anual nas mulheres sendo o dobro da dos homens. O uso adequado dos serviços de saúde, entre outros fatores, como o diagnóstico precoce, influencia fortemente a mortalidade prematura.

A prevalência mundial de consumo de cigarro quase triplicou no período entre 1950 e 2009, mas começou a declinar a partir de 1980. No Brasil, observa-se uma redução da prevalência do consumo de cigarros entre adultos, com uma proporção de homens que usam cigarros mais de duas vezes maior do que a de mulheres13 . O consumo de cigarro é um dos principais fatores de risco para o câncer de boca e faringe. Espera-se que as modificações na prevalência de consumo estejam relacionadas com o comportamento das taxas de mortalidade por esses tipos de câncer.

A análise segundo sítio anatômico mostra que, embora a razão de taxas entre boca e faringe não difira significativamente, a taxa de APVP por câncer de faringe foi 20% maior do que a taxa de APVP por câncer de boca. Além disso, foi observado aumento de 1% na tendência de APVP devido ao câncer de faringe durante o período estudado. Esses achados sugerem ou maior dificuldade no diagnóstico oportuno dos casos de câncer de faringe ou aumento dos casos de câncer nessa região, fortemente associado à infecção por HPV.

As taxas de mortalidade devido ao câncer de boca e faringe têm sido sempre maiores nas regiões Sudeste e Sul quando comparadas com as outras regiões10 . Isso poderia estar associado ao fato de as regiões Sudeste e Sul estarem associadas à maior exposição a fatores de risco como o etilismo e o tabagismo14 . Segundo os dados do Datasus, a taxa de APVP na região Sul para 2013 foi de 4,7 por 100.000 habitantes, três vezes maior que a taxa da região Norte e duas vezes maior do que a da região Nordeste.

Considerando que o AVPV é um indicador afetado tanto pela idade da morte quanto pelo número de mortes, era de se esperar um alto número de APVP nas regiões Sudeste e Sul. Essas regiões, embora tenham tendências estáveis, apresentaram uma taxa de APVP em média três vezes maior do que a região Norte, cuja taxa foi a menor de todas.

Foi observado aumento na tendência das taxas de APVP nas regiões com as menores taxas de mortalidade (Norte, Nordeste e Centro-Oeste). O maior aumento foi observado na região Nordeste. A diferença nas tendências das taxas entre regiões obedece a diversas condições que influenciam na desigualdade. As regiões Norte e Nordeste têm as menores taxas de profissionais de saúde em atividade15 . Devido a sua relação com as desigualdades socioeconômicas, o câncer de boca e faringe tem uma alta carga de mortalidade, especialmente nos grupos populacionais socioeconomicamente mais vulneráveis.

A tendência global ascendente de câncer de boca e faringe encontrada neste estudo poderia parecer uma variação bastante próxima da estabilidade se não estivesse mascarando as diferenças entre os sexos. É importante considerar que essa é uma variação para cada ano de um período bastante longo, no qual não podemos esperar comportamento linear de desfechos desse tipo.

Devido à indisponibilidade de estudos semelhantes no Brasil, não foi possível comparar os achados com estudos anteriores. Entretanto, estudo desenvolvido por Ibayashi et al.16 no Japão mostrou que, no ano de 2005, os homens apresentaram 73% dos APVP devido ao câncer de boca e faringe. Esses resultados são similares aos observados no presente estudo, no qual se evidencia o impacto da mortalidade prematura no sexo masculino. Ibayashi et al.16 observaram que a taxa de APVP nos homens (3,16 por 100.000) foi quatro vezes maior do que nas mulheres (0,78 por 100.000 habitantes), concluíram que os sítios específicos responsáveis pela maior quantidade de APVP eram orofaringe e língua e lamentaram que o câncer de boca e faringe não tenha sido mais amplamente analisado através deste indicador tanto em nível nacional como internacional.

Como limitação deste artigo, pode ser citada a interpretação das tendências das taxas, especialmente no nível regional, que requer cautela, uma vez que devem ser consideradas as desigualdades regionais no registro dos dados sobre mortalidade e a qualidade dos sistemas de informação. Análises realizadas com base nos registros secundários dependem da qualidade do sistema de notificação dos óbitos. O sub-registro de mortes e a falta de acurácia na definição da causa de morte podem influenciar os resultados do estudo ao gerar taxas reduzidas que não refletem a realidade. Da mesma forma, a diminuição da subnotificação em regiões caracterizadas por baixa qualidade da assistência médica pode estar influenciando no aumento das tendências mais do que um aumento na mortalidade prematura em si.

Como aspecto positivo, ressalta-se que a qualidade dos dados de mortalidade fornecidos pelo SIM tem sido verificada em vários estudos17 , 18 . Esses trabalhos têm observado o aumento gradativo da abrangência do sistema desde a sua descentralização em 1992 e corroboram o adequado preenchimento dos dados em uma porcentagem ao redor de 90%.

Os sistemas de informação em saúde no Brasil têm mostrado grande avanço na cobertura dos registros. No caso do SIM, já foi atingida uma cobertura de 96,1% em 2011. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, essa cobertura é próxima de 100%, enquanto nas regiões Norte e Nordeste só quatro unidades federativas têm cobertura entre 80% e 90% e as demais têm cobertura acima de 90%. No que tange ao percentual de óbitos com causa básica mal definida, tem se observado uma queda através dos anos, passando de 7,2% para 6,7% no período de 2009 a 2011. As regiões Sul e Centro-Oeste são as que apresentam menor sub-registro, com percentuais de óbitos por causa básica mal definida de 4,5% e 4,4%, respectivamente19 .

Salienta-se a diminuição de óbitos por causas mal definidas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, como resultado do programa Redução do Percentual de Óbitos por Causas Mal Definidas desenvolvido pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde20 . A proporção de mortes por causa mal definida passou de 45,7% a 23,7% no período de 1979 a 2004, chegando a 17,0% em 2005 e a 8,0% em 200921 .

Poderia ser considerado também como limitação do estudo o uso de 69 anos como idade-limite, que pode parecer uma escolha arbitrária em um estudo analisando uma população com expectativas de vida discrepantes entre sexos. Entretanto, a idade considerada limite neste trabalho é a idade utilizada na metodologia de cálculo dos APVP proposta por Romeder e McWhinnie7 , que considera prematuras as mortes em menores de 70 anos. O uso da expectativa de vida de cada sexo é mais apropriado quando se quer conhecer os anos de vida perdidos durante o período produtivo de cada sexo (WYPLL)5 . Esse método favorece a análise das mortes prematuras com foco na expectativa de vida diferenciada e nas idades de aposentadoria de cada sexo para analisar a perda de produtividade devido a essas mortes.

Os resultados deste trabalho ressaltam a importância de estudos analisando o comportamento das doenças crônicas para posterior desenvolvimento de estratégias de prevenção. As altas taxas de anos de vida perdidos por câncer, assim como por outras doenças crônicas, se traduzem em um grande volume de incapacidades laborais, sobrecarga nos sistemas de saúde e impacto econômico para as famílias e para a sociedade. Tudo isso pode levar ao prejuízo social e empobrecimento10 .

A definição e o cálculo dos APVP implicam que maiores taxas correspondem a uma maior quantidade de mortes prematuras. Isso acaba impactando negativamente a economia, uma vez que as mortes prematuras afetariam a produção da população jovem e produtiva – sem contar as tentativas de tratamento antes da morte, que gera custos altos ao sistema de saúde22 , 23 .

Sugere-se que novos estudos sobre tendências das taxas de APVP sejam realizados, a fim de monitorar a situação. Só assim se poderá conhecer melhor o comportamento dessa doença e direcionar os recursos para estratégias de detecção precoce, assim como de diagnóstico e tratamento oportunos.

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Recebido: 5 de Julho de 2018; Aceito: 14 de Novembro de 2018

Correspondência: Lillia Magali Estrada Perea Universidade Federal de Santa Catarina, Campus Reitor João David Ferreira Lima Rua Delfino Conti, s/n Bloco H 88040-900 Florianópolis, SC, Brasil Email: estradaperea.magali@gmail.com

Contribuição dos Autores: Concepção e planejamento do estudo: LMEP, ACB. Coleta, análise e interpretação dos dados: LMEP, ACB, MAP, AFB. Elaboração ou revisão do manuscrito: LMEP, ACB, MAP, AFB. Aprovação da versão final: LMEP, ACB, MAP, AFB. Responsabilidade pública pelo conteúdo do artigo: LMEP, ACB, MAP, AFB.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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