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Revista de Saúde Pública

Print version ISSN 0034-8910On-line version ISSN 1518-8787

Rev. Saúde Pública vol.53  São Paulo  2019  Epub Sep 30, 2019

http://dx.doi.org/10.11606/s1518-8787.2019053001264 

Artigo Original

Vetores de arboviroses no estado de São Paulo: 30 anos de Aedes aegypti e Aedes albopictus

Dalton Pereira da Fonseca JúniorI 
http://orcid.org/0000-0002-0656-331X

Lígia Leandro Nunes SerpaI 
http://orcid.org/0000-0002-8951-3333

Gerson Laurindo BarbosaI 
http://orcid.org/0000-0002-5624-2354

Mariza PereiraI 
http://orcid.org/0000-0002-7065-9164

Marcia Moreira HolcmanI 
http://orcid.org/0000-0002-7626-1763

Júlio Cesar VoltoliniII 
http://orcid.org/0000-0002-4667-1278

Gisela Rita Alvarenga Monteiro MarquesI 
http://orcid.org/0000-0002-5030-7364

ISuperintendência de Controle de Endemias. Departamento de Controle de Vetores. São Paulo, SP, Brasil

IIUniversidade de Taubaté. Faculdade de Ciências Biológicas. Taubaté, SP, Brasil


RESUMO

OBJETIVO

Descrever a infestação dos municípios paulistas pelos vetores Aedes aegypti e Aedes albopictus , caracterizar a sazonalidade e analisar as temperaturas médias e as densidades larvárias.

MÉTODOS

Foram empregados mapas com informações sobre a infestação dos municípios entre 1986 e 2015. A análise da densidade larvária das espécies pelo teste de Wilcoxon utilizou os valores do índice de Breteau para Ae. aegypti e Ae. albopictus obtidos no banco de dados da Superintendência de Controle de Endemias. Na descrição sazonal, foram calculadas as médias aritméticas de cada um por mês e ano. As análises de temperaturas médias foram apresentadas em mapas com gradientes de cores.

RESULTADOS

O estado de São Paulo apresenta-se na atualidade quase totalmente infestado, com coocorrência das espécies em 93,64% dos municípios. A análise da sazonalidade evidenciou o primeiro trimestre como o período mais favorável para a abundância larval. Observou-se elevação das temperaturas médias em áreas geográficas coincidentes com a trajetória temporal da expansão territorial de Ae. aegypti . O valor médio da densidade larvária de Ae. aegypti foi maior do que o verificado para Ae. albopictus (p = 0,00).

CONCLUSÕES

Esses culicídeos apresentaram, inicialmente, ocupação em áreas distintas e opostas. Entretanto, no decorrer do tempo, a coocorrência mostrou quão grande é a capacidade de adaptação, mesmo em face de conjunturas sociais e urbanas diferentes. A elevação da temperatura média contribuiu para a expansão geográfica de Ae. aegypti , assim como para o perfil nitidamente sazonal de ambas as espécies. No geral, a infestação larvária por Ae. aegypti foi predominante, o que evidenciou sua superioridade competitiva. Tais dados propiciam maior entendimento da dinâmica de transmissão de arboviroses no estado de São Paulo e são subsídios para a vigilância e o controle desses vetores.

Palavras-Chave: Aedes; Mosquitos Vetores; Vetores de Doenças; Análise Espacial; Controle de Vetores

ABSTRACT

OBJECTIVE

To describe the infestation of the municipalities of São Paulo by the vectors Aedes aegypti and Aedes albopictus, characterize seasonality and analyze average temperatures and larval densities.

METHODS

We used maps with information on the infestation of municipalities between 1986 and 2015. The analysis of larval density of the species by the Wilcoxon test used the Breteau index values for Ae. aegypti and Ae. albopictus obtained from the Superintendency for Endemic Diseases Control database. In the seasonal description, arithmetic means of each vector were calculated by month and year. Mean temperature analyses were presented on maps with color gradients.

RESULTS

The state of São Paulo is currently almost totally infested, with co-occurrence of species in 93.64% of the municipalities. The seasonality analysis showed the first quarter as the most favorable period for larval abundance. The increase of mean temperatures in geographical areas coincided with the temporal trajectory of Ae. aegypti territorial expansion. The mean larval density found was higher for Ae. aegypti than for Ae. albopictus (p = 0.00).

CONCLUSIONS

Initially, these Culicidae occupied distinct and opposing areas. Over time, however, co-occurrence showed how great their capacity for adaptation is, even in the face of different social and urban conjunctures. The increase of the mean temperature contributed to Ae. Aegypti ’s geographic expansion, as well as to the clearly seasonal profile of both species. In general, larval infestation by Ae. aegypti prevailed, which evidenced its competitive superiority. These data provide a better understanding of the dynamics of arboviral transmission in the state of São Paulo and can be used in vector surveillance and control.

Key words: Aedes; Mosquitos Vetores; Vetores de Doenças; Análise Espacial; Controle de Vetores

INTRODUÇÃO

Aedes ( Stegomyia ) aegypti e Aedes ( Stegomyia ) albopictus são importantes vetores de vírus causadores de doenças emergentes e reemergentes, como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela, e apresentam ampla distribuição geográfica global. A expansão geográfica desses mosquitos no mundo é influenciada por diferentes fatores e tem sido acompanhada, em alguns locais, pela diminuição de sua abundância, eliminação do outro vetor, ou pela coexistência em extensas regiões da América1 . No Brasil, essas espécies foram introduzidas em diferentes momentos: Ae. aegypti no período da colonização e Ae. albopictus no final do século XX2 , 3 .

No estado de São Paulo (ESP), no início da década de 1980, foi detectada a presença do Ae. aegypti na região portuária de Santos. Passados cinco anos, após amplo levantamento entomológico, foi identificada infestação domiciliar em nove municípios, todos situados na região noroeste do estado3 , 4 . Na sequência, em 1987, focos de Ae. albopictus foram registrados na região leste do ESP5 . A detecção dessas espécies desencadeou ações específicas de controle; contudo, os esforços mantêm-se direcionados na tentativa de manter baixos os índices de infestação desses vetores6 .

A dispersão desses mosquitos provavelmente foi favorecida pelo aumento da circulação de pessoas e intensificação de atividades comerciais, fatores que agravam o risco de arboviroses, mesmo em regiões indenes7 . Esse quadro pode ainda ter sido intensificado pelo efeito das mudanças climáticas, o que por sua vez provoca impacto na distribuição desses transmissores8 .

A presença desses mosquitos nos municípios paulistas tem sido identificada, nos últimos anos, de maneira crescente e acelerada, perfil que impõe dificuldades para os programas e ações de controle desses vetores. Isso reforça a importância da investigação entomológica, que pode ajudar a definir os limites espaciais da transmissão de vários arbovírus e compreender melhor seus processos ecológicos e de ocupação no espaço territorial, ao longo do tempo. Assim, o conhecimento da distribuição espaço-temporal e abundância dessesvetores constituem importantes objetivos da vigilância entomológica, pois permitem monitorar seu comportamento populacional, essencial para o planejamento em ações de saúde pública. Diante do exposto, pretendeu-se descrever a expansão geográfica de Ae. aegypti e de Ae. albopictus nos municípios paulistas, supondo-se que suas densidades populacionais sejam diferentes.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo da infestação do estado de São Paulo por Ae. aegypti e Ae. albopictus, de 1986 a 2015 . A área de estudo constitui-se no mais populoso estado da federação, com aproximadamente 44,85 milhões de habitantes e densidade populacional de 168 habitantes por km2. Localizado na região Sudeste do país, faz divisa com os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. É um dos mais importantes polos de desenvolvimento do Hemisfério Sul, representando 3% da superfície do Brasil, embora sua influência econômica ultrapasse muito seus limites territoriais9 . A classificação climática abrange sete tipos, a maioria de clima úmido. O tipo dominante é caracterizado pelo clima tropical de altitude, com chuvas no verão, seca no inverno e temperatura média anual de 20 °C a 22 °C, sendo a temperatura média do mês mais quente superior a 22 °C10 .

O processo de transformação do espaço geográfico paulista sofreu, ao longo dos últimos anos, transformações socioeconômicas acompanhadas por um intenso processo de redistribuição da população humana, o que resultou em uma concentração regionalmente diferenciada11 . O indicador entomológico analisado foi o índice de Breteau (IB), adotado para o acompanhamento das atividades de vigilância e controle, que possibilita a obtenção dos níveis de infestação larvária por Ae. aegypti e por Ae. albopictus para cada município6 .

IB = nº de recipientes positivos para a presença da espécienº de imóveis pesquisados x 100

Os dados foram obtidos do sistema de informação on-line da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), compartilhado pelo estado e seus municípios. Os valores do IB mensuram os criadouros por meio da contagem dos recipientes com larvas de cada espécie em grupos de 100 imóveis pesquisados. O valor obtido indica a intensidade da infestação domiciliar, o que possibilita a estimativa da densidade.

A descrição dos municípios infestados para cada uma das espécies, no tempo e no espaço, foi apresentada em mapas anuais. Município infestado é aquele no qual a espécie apresenta-se estabelecida, ou seja, presente mesmo após a realização de ações de controle, com registros de seu desenvolvimento e reprodução, albergando em sua extensão formas imaturas desses vetores3 .

Para caracterizar a sazonalidade e analisar as densidades populacionais, foram calculadas as médias aritméticas dos valores de IB de cada uma das espécies por mês e ano do período de estudo. Os dados foram tratados pelo software Bioestat 5.3, comparados pelo teste de Wilcoxon ( Wilcoxon matched pairs test ou Wilcoxon signed-ranks test ). Foram considerados significativos os valores de p < 0,05.

Para analisar as temperaturas médias no estado de São Paulo, foram utilizados dados das estações meteorológicas do Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa, do Instituto Nacional de Meteorologia13 . Os dados foram apresentados em mapas para os anos de 1986, 1990, 1995, 2000, 2005, 2010 e 2015. As cores representaram os diferentes gradientes de temperatura, com o maior deles indicado pelo tom vermelho escuro e o menor pelo mais claro.

RESULTADOS

A série histórica de 30 anos da infestação dos municípios paulistas por Ae. aegypti ou Ae. albopictus é apresentada na Tabela 1 . Entre os anos de 1986 e 1996, pode-se verificar o aumento do número de municípios, passando de 572 para 645, número que se mantém até os dias atuais.

Tabela 1 Distribuição do número de municípios infestados por Ae. aegypti ou Ae. Albopictus . Estado de São Paulo, Brasil, 1986–2015. 

Número de municípios

Ano Existentes Infestados por Ae. aegypti Infestados por Ae. albopictus Infestação mista* Total de infestados % com infestação
1986 572 65 0 0 65 11,36
1987 572 133 6 0 139 24,30
1988 572 186 19 0 205 35,84
1989 572 227 23 6 256 44,76
1990 572 257 38 35 330 57,69
1991 582 282 48 48 378 64,95
1992 625 262 91 88 441 70,56
1993 625 227 147 159 533 85,28
1994 637 170 174 236 580 91,05
1995 637 162 178 255 595 93,41
1996 645 105 179 321 605 93,80
1997 645 77 182 368 627 97,21
1998 645 74 165 389 628 97,36
1999 645 73 154 401 628 97,36
2000 645 72 150 406 628 97,36
2001 645 72 142 414 628 97,36
2002 645 48 132 450 630 97,67
2003 645 42 126 462 630 97,67
2004 645 40 124 466 630 97,67
2005 645 40 117 473 630 97,67
2006 645 40 107 483 630 97,67
2007 645 39 96 495 630 97,67
2008 645 39 87 504 630 97,67
2009 645 37 74 519 630 97,67
2010 645 37 59 535 631 97,83
2011 645 39 36 566 641 99,38
2012 645 38 34 569 641 99,38
2013 645 38 22 581 641 99,38
2014 645 36 14 591 641 99,38
2015 645 35 4 604 643 99,69

* Infestados por ambas espécies.

A infestação por Ae. aegypti teve início em 1986, enquanto a por Ae. albopictus , em 1987, em áreas geográficas distintas e opostas. No primeiro ano, a dispersão desses Aedes atingiu respectivamente 133 (23,25%) e seis (1,05%) dos municípios existentes à época. Nos anos seguintes, observa-se um aumento do número de municípios infestados por uma ou outra espécie, com maior dispersão de Ae. aegypti e crescimento superior em relação ao Ae. albopictus . A infestação do número de municípios na primeira metade do estudo (1986 a 2000) foi maior do que na segunda metade. Em 1994, a infestação alcançou o patamar de 91,05%. No último ano do estudo, 2015, quase a totalidade do território paulista (99,69%) encontrava-se infestado.

Já a coocorrência desses Stegomyia , ou seja, infestação mista, foi constatada em seis municípios em 1989, elevando-se para 37,05% em 1994, momento a partir do qual o número de municípios infestados exclusivamente por Ae. albopictus também aumenta, porém em área geográfica diferente da ocupada por Ae. aegypti . A infestação mista, embora tenha se modificado ao longo do tempo e de região para região, passou a dominar o espaço geográfico estadual, sendo registrada em 604 (93,64%) dos municípios existentes. Dos 41 municípios restantes, 35 ainda registravam infestação exclusiva por Ae. aegypti e seis por Ae. albopictus. Localizados em áreas geográficas diferentes, os municípios infestados por Ae. aegypti encontravam-se na região centro-oeste paulista, enquanto os infestados por Ae. albopictus , na Região da Grande São Paulo e Vale do Paraíba. Apenas os municípios de Campos do Jordão, na região do Vale do Paraíba, e de Ribeirão Grande, na região de Sorocaba, não registravam infestação por essas espécies.

A Figura 1 exibe a trajetória geográfica dessa infestação. Verifica-se que a ocupação não se deu de forma homogênea no tempo e espaço, porém foi de rápida expansão geográfica. No primeiro ano, 1986, observa-se o estabelecimento de Ae. aegypti na região noroeste, metade superior do ESP. No ano seguinte, 1987, têm-se os primeiros registros de Ae. albopictus, em municípios situados às margens da rodovia Presidente Dutra (BR-116), no sentido RJ-SP. Essa é uma área denominada Vale do Paraíba, na região leste do ESP, oposta à ocupada por Ae. aegypti . Na sequência, em 1988, aquela espécie estabeleceu-se em número reduzido de municípios na região nordeste do estado. A coocorrência dessas espécies foi registrada na região norte-nordeste, até então ocupada somente por Ae. albopictus .

Figura 1 Municípios infestados por Ae. aegypti, por Ae . albopictus e por ambas espécies. Estado de São Paulo, 1986–2015. 

Nos anos que se seguiram, observa-se grande ampliação da área infestada, de maneira que, na primeira metade da década de 1990, foi possível diferenciar três padrões na expansão geográfica das espécies. Mais a noroeste do estado, a infestação deu-se por Ae. Aegypti ; a sul-sudeste, por Ae. albopictus ; no sentido nordeste a sudoeste, uma faixa central, com infestação mista.

Cronologicamente, a coocorrência avançou mais rápido no sentido noroeste-oeste, do que na região sul-sudeste, até então ocupada somente por Ae. albopictus . Tal quadro não se manteve por muito tempo, já que, a partir de 2001, o Ae. aegypti expandiu-se por quase toda a Região do Vale do Paraíba, última do estado a se infestar por essa espécie. Como é possível observar, em 2015 poucos municípios permanecem sem o registro da coocorrência das espécies.

A Figura 2 apresenta os valores médios mensais de IB para Ae. aegypti e para Ae. albopictus , nos 30 anos de estudo. Observa-se um comportamento sazonal semelhante, porém com valores de densidades larvárias diferentes. Embora com frequências distintas, observa-se o registro das espécies em todos os meses do ano. Os resultados mostraram que a maior abundância dos vetores foi no primeiro trimestre, meses de verão (janeiro a março). No segundo trimestre (abril a junho), observa-se queda dos índices de densidade das duas espécies e na sequência, meses de julho a outubro, Ae. albopictus em valores bastante reduzidos. Por outro lado, Ae. aegypti reduz sua densidade até agosto (valores de IB próximos de 1,0), porém retoma seu crescimento populacional nos demais meses do ano (outubro a dezembro), com índices médios próximos a 3,0.

Figura 2 Distribuição mensal dos valores médios de índice de Breteau (IB) de Ae. aegypti e de Ae. Albopictus. Estado de São Paulo, 1986–2015. 

A Figura 3 mostra o perfil da temperatura média em grau Celsius (°C) para o estado de São Paulo. Os sete mapas mostram a sequência cronológica de ampliação da faixa geográfica com temperaturas médias mais elevadas. Observa-se que essa elevação é crescente ao longo dos anos, deslocando-se para o interior do estado, a partir do alinhamento planáltico, e para o litoral, junto às serras de Paranapiacaba, do Mar e da Mantiqueira.

Figura 3 Perfil das temperaturas médias, segundo ano. Estado de São Paulo, Brasil, 1986, 1990, 1995, 2000, 2005, 2010 e 2015. 

Os valores médios do IB são apresentados na Tabela 2 . Observa-se que variaram segundo ano e espécie; todavia, os indicadores de Ae. aegypti sempre foram superiores aos verificados para Ae. albopictus . No período de estudo foram realizadas, em média, 416 avaliações de densidade larvária por ano, resultado de 26.910.205 imóveis pesquisados no período de estudo.

Tabela 2 Distribuição anual dos valores médios do índice de Breteau (IB) e percentagem de recipientes com cada espécie. Estado de São Paulo, Brasil, 1986–2015. 

Ano IB Ae. aegypti IB Ae. albopictus IB total % de recipientes com Ae. aegypti % de recipientes com Ae. albopictus
1986 2,28 0,01 2,29 99,56 0,44
1987 2,18 0,01 2,19 99,54 0,46
1988 2,73 0,19 2,92 93,52 6,48
1989 2,96 0,10 3,06 96,68 3,32
1990 3,60 0,19 3,79 94,98 5,02
1991 1,84 0,21 2,05 89,59 10,41
1992 2,35 0,44 2,79 84,20 15,80
1993 2,76 0,02 2,79 99,18 0,82
1994 2,40 1,61 4,02 59,87 40,13
1995 2,30 1,55 3,85 59,77 40,23
1996 3,68 1,38 5,07 72,68 27,32
1997 3,17 1,03 4,20 75,48 24,52
1998 3,42 1,42 4,83 70,72 29,28
1999 2,39 0,91 3,30 72,52 27,48
2000 3,43 1,53 4,96 69,25 30,75
2001 2,34 0,97 3,31 70,71 29,29
2002 1,15 0,45 1,60 72,14 27,86
2003 1,23 0,39 1,62 75,96 24,04
2004 1,54 0,40 1,95 79,28 20,72
2005 1,98 0,33 2,30 85,81 14,19
2006 1,59 0,22 1,80 87,96 12,04
2007 1,38 0,20 1,58 87,31 12,69
2008 1,02 0,17 1,19 85,75 14,25
2009 1,41 0,14 1,54 91,09 8,91
2010 0,98 0,21 1,19 82,50 17,50
2011 0,97 0,15 1,11 86,82 13,18
2012 1,08 0,11 1,19 90,65 9,35
2013 1,26 0,14 1,40 90,30 9,70
2014 1,05 0,09 1,13 92,38 7,62
2015 1,11 0,12 1,23 89,87 10,13
Média 2,05 0,48 2,54 83,54 16,46
Erro-padrão 0,16 0,11 0,23 2,06 2,06

A média do IB dos 30 anos de estudo foi de 2,05, com erro padrão (EP) = 0,16, e 0,48 (EP = 0,11) para Ae. aegypti e para Ae. albopictus , respectivamente. Do total de recipientes pesquisados, a presença da primeira espécie foi registrada em 83,54% e a da segunda em 16,46%. A comparação dos valores médios de IB de Ae. aegypti e de Ae. albopictus mostrou diferença estatística significativa (n = 30; T = 0,00; Z = 4,78; p < 0,001), o que indica que a densidade larvária média da primeira foi nitidamente superior à verificada para a segunda espécie, 4,27 vezes maior, se traduzindo na maior percentagem de recipientes positivos com presença de formas imaturas de Ae. aegypti .

DISCUSSÃO

A avaliação descritiva e retrospectiva dos 30 anos da infestação do estado de São Paulo por vetores Ae. aegypti e Ae. albopictus mostrou abrangência praticamente total do território (99,69%). Com trajetórias de infestação inicialmente antagônicas e abundâncias larvárias desiguais, Ae. aegypti predominou em relação ao Ae. albopictus . Esse desempenho pode estar relacionado às diferenças de comportamento e de aspectos ecológicos de cada uma das espécies1 , 13 , 14 .

O início da infestação por Ae. aegypti no estado de São Paulo foi observado nos municípios a noroeste do estado, apontada como resultante da influência de infestações nos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná15 . Opostamente, os primeiros registros de Ae. albopictus se deram no Sudeste do pais, região onde se concentra o maior contingente populacional do Brasil. Tal informação é importante, uma vez que se trata de espaço muito próximo de importantes complexos industriais, comerciais e financeiros do estado e do país. É uma área de importantes eixos rodoviários e intenso fluxo populacional, facilitadores na disseminação desses vetores16 . A expansão de Ae. albopictus na região do Vale do Paraíba, nos primeiros 15 anos analisados, pode ser atribuída à ausência de Ae. aegypti , uma vez que são espécies homólogas e, portanto, disputam o mesmo nicho ecológico1 , 14 .

As ações de vigilância e controle de Ae. aegypti nos países em desenvolvimento, mesmo em situações em que os recursos destinados ao controle do vetor tenham sido apropriados, muitas vezes não alcançaram o sucesso desejado3 , 4 , 16 . Por outro lado, embora Ae. albopictus não tenha sido espécie-alvo dessas ações, esteve constantemente sujeito a sua influência em áreas infestadas por Ae. aegypti , o que possivelmente pode ter provocado pressão seletiva. O estado de São Paulo registra sua infestação desde 19865 , inicialmente em áreas com elevada densidade demográfica e intenso fluxo populacional, fator que possibilitou sua dispersão. Todavia, outra pesquisa em São Paulo não demonstrou a relação entre o padrão de expansão geográfica e a densidade demográfica na dispersão de Ae. albopictus . Os autores sugeriram a influência de outros fatores determinantes4 .

O problema de uma infestação é localizado, e a compartimentalização da região em municípios, distritos e até mesmo quadras propicia o sucesso do controle, pois cada setor ou bairro de uma cidade pode apresentar uma realidade nos diferentes tipos de imóveis e criadouros frequentados por Ae. albopictus e Ae. aegypti, que constituem área de risco para a colonização4 , 17 . Outro estudo sobre a influência de diferentes estratos urbanos na ocupação da cidade de São Paulo, SP, por Ae. aegypti mostrou evidências de que o gradiente de urbanização atua no processo de expansão populacional desse vetor, evidenciando a influência da heterogeneidade ambiental de cada estrato no qual o mosquito é encontrado18 .

As trajetórias antagônicas mencionadas anteriormente sofreram alterações no tempo e espaço, na medida em que uma das espécies se estabelecia em cidades primeiramente infestadas pela outra. Assim, a dispersão avançou e culminou na coocorrência de Ae. aegypti e Ae. albopictus em grande número de municípios (94%) em 2015. Outros autores já observaram a associação desses Stegomyia em diversos tipos de criadouros, mencionando que, embora seja clara a relação de coexistência em áreas verdes urbanas e residenciais, foi observada uma separação espacial de hábitats, e sugeriram a ocorrência da competição interespecífica por sítios de oviposição19 , 20 . Vale ressaltar que aqui a coocorrência não foi uma situação transitória, uma vez que permanece até os dias atuais.

A dispersão desses vetores foi consequência do aumento da conexão global, e sua distribuição foi influenciada por vários fatores, dentre os quais a temperatura é apontada como importante na biologia e comportamento dessas espécies7 , 15 , 21 . Nosso estudo mostrou perfil sazonal nítido e semelhante para as espécies, com presença em todos os meses do ano, porém com densidades larvárias diferentes. As maiores abundâncias verificadas nos meses de verão foram coincidentes com as temperaturas mais elevadas. A temperatura parece ser um dos fatores abióticos estritamente relacionados às atividades de Ae. aegypti . Num estudo realizado no ESP, os autores evidenciaram os efeitos da temperatura na expansão geográfica dessa espécie, enquanto para Ae. albopictus tais implicações não ficaram claras15 .

No Sul do Brasil, a preponderância da temperatura na longevidade e fecundidade dessas espécies foi comprovada, com correlação positiva entre o aumento populacional e a temperatura média mensal22 , 23 . Isso pode ser agravado mediante o aumento da temperatura média do planeta que, por sua vez, deve contribuir para ampliar no Brasil a área de distribuição de outros vírus transmitidos por mosquitos, como oropouche, mayaro, rocio e o vírus da encefalite de Saint Louis23 .

No presente estudo, a ampliação das faixas de temperaturas médias mais elevadas ocorreu no sentido noroeste-sudeste, direção coincidente com a trajetória geográfica de infestação do Ae. aegypti, o que pode ter propiciado condições para sua expansão no estado. Deduz-se que a temperatura retardou a dispersão desse vetor para a região sudeste do estado , porém não a impediu e tampouco estabeleceu limites para a disseminação das espécies estudadas.

Análises das séries anuais de temperatura mínima do ESP de 1951 a 2006 mostraram tendências de elevação24 . No mesmo sentido, a cidade de São Paulo já apresenta alteração na série histórica de temperatura, indicando a urbanização como fator que afeta o microclima por criar ilhas de calor na cidade8 , 25 .

A vigilância entomológica no estado de São Paulo5 , estruturada a partir de indicadores, permitiu análise dos valores de IB, rotineiramente empregados para estimar a densidade larvária desses mosquitos. Não constituiu propósito discutir se o referido índice larval é ou não bom indicador, presumível limitação do estudo, mas sim analisá-lo, uma vez que é utilizado desde 1985. Embora os valores médios do IB tenham variado ao longo dos anos e entre as espécies, constatou-se que a percentagem de recipientes com larvas de Ae. aegypti foi 4,27 vezes maior que a de Ae. albopictus .

Glasser et al.26 , estudando formas imaturas dessas espécies na Baixada Santista, região de elevada densidade demográfica do litoral sul do estado de São Paulo, também observaram que os níveis de infestação de Ae. albopictus eram muito inferiores aos encontrados para Ae. aegypti , e que Ae. aegypti estava presente na maioria desses recipientes.

A maior percentagem de recipientes com Ae. aegypti observada em nosso estudo permite inferir que sua abundância larvária se encontra superior à de Ae. albopictus, informação importante sobre a ecologia dessas espécies, uma vez que fornece evidências de um efeito competitivo atuante entre esses mosquitos. Esse achado requer atenção, dados os hábitos semisselváticos desta espécie, pois sua coocorrência larval se dá em criadouros artificiais muito comuns em áreas de grande concentração humana20 , 26 .

Os padrões de abundância relativa das duas espécies podem variar amplamente. Diferentemente do observado no presente estudo, no sul da Flórida (EUA), foi verificado declínio na abundância de Ae. aegypti após a invasão de Ae. albopictus 28 . Assim entende-se que, dependendo das circunstâncias ecológicas, geográficas, ambientais e epidemiológicas, o êxito de uma espécie pode variar.

Os achados do nosso estudo revelaram perfil estadual de predomínio de Ae. aegypti , porém com frequente presença de Ae. albopictus em áreas densamente urbanizadas . Em que pese tratar-se de espécie predominantemente peridomiciliar, reitera-se uma possível seleção de populações com base numa evolução para a domiciliação29 .

Embora com menores densidades, a presença de Ae. albopictus nessas áreas aumenta o risco de transmissão de vários arbovírus, o que, por sua vez, reforça a necessidade da manutenção e incremento do monitoramento de suas populações como parte imprescindível da vigilância entomológica. Esses dados são inéditos e, portanto, constituem informação valiosa que contribui para o melhor entendimento da dinâmica de transmissão de arboviroses, além de oferecer subsídios para o controle de vetores.

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Errata

No artigo. “Vetores de arboviroses no estado de São Paulo: 30 anos de Aedes aegypti e Aedes albopictus” Rev. Saude Publica [online]. 2019, vol.53:84, ISSN 1518-8787, http://dx.doi.org/10.11606/s1518-8787.2019053001264, a RSP corrige o sobrenome do autor.

Onde se lia:

Marcia Moreira Holcmam

Leia-se:

Marcia Moreira Holcman

Recebido: 10 de Outubro de 2018; Aceito: 27 de Janeiro de 2019

Correspondência: Dalton Pereira da Fonseca Júnior. Superintendência de Controle de Endemias - Sucen. Rua Paula Souza, 166. 01027-000 São Paulo, SP, Brasil. E-mail: dalton@sucen.sp.gov.br

Contribuição dos Autores: Concepção, planejamento do estudo, elaboração e redação do projeto, coleta dos dados, análise, interpretação, discussão e elaboração do manuscrito: DPFJ, GRAMM. Planejamento do estudo, coleta, análise, interpretação dos dados e revisão do manuscrito: LLNS. Coleta, análise e interpretação dos dados e revisão do manuscrito: GLB, MP, MMH, JCV.

Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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