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Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo

Print version ISSN 0036-4665

Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo vol.28 no.5 São Paulo Sept./Oct. 1986

http://dx.doi.org/10.1590/S0036-46651986000500009 

THERAPEUTIC ASSAYS

 

Double-blind therapeutical evaluation based on the quantitative oogram technique, comparing praziquantel and oxamniquine in human schistosomiasis mansoni

 

Avaliação terapêutica duplo-cega baseada na técnica do oograma quantitativo, comparando praziquantel com oxamniquine na esquistossomose mansônica humana.

 

 

Aloisio Sales da CunhaI; Roberto Coury PedrosaII

IHead Professor — Internal Medicine Department, Medical School, Universidade Federal de Minas Gerais. CEP 30000 Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
IICNPq Fellowship — Internal Medicine Department, Medical School, Universidade Federal de Minas Gerais. CEP 30000 Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

 

 


SUMMARY

A total of 54 adult patients with chronic intestinal or hepato-intestinal schistosomiasis mansoni were included into a double-blind clinical trial to compare praziquantel and oxamniquine. Following a randomized allocation, 27 patients received praziquantel — 65 mg/kg bwt — and 27 oxamniquine — 18 mg/kg bwt — in a single oral dose divided into two intakes. The incidence, severity and duration of side-effects were similar for the two drugs.
The assessment of therapeutical efficacy was based on the quantitative oogram technique via biopsy of the rectal mucosa, performed at the end of 1, 2, 4 and 6 months after treatment. At these same occasions, stool examinations according to Hoffman, Pons & Janer (HPJ) and Kato-Katz (K-K) methods were undertaken to confront their results with the oogram findings. In order to evaluate the immediate effect of the therapy upon the egg laying activity of the parasite, a limited number of patients was submitted to rectal biopsies on the 6th. and 18th. days subsequent to the drug administration.
Both drugs proved to be active anti-schistosomal agents as their coefficients of variation, determined from the oograms made immediatly following the treatment, were above 60%. Furthermore, out of 27 patients in each group, 24 treated with praziquantel and 22 with oxamniquine have completed the required six months parasitological follow up period. The respective cure rates in accordance with the oogram, HPJ and K-K findings were: 29.2%, 50% and 91.7% for praziquantel; 22.7%, 50% and 86.3% for oxamniquine. Despite a quite low cure rate, a sharp fall (-83%) in the mean number of living eggs per gram of tissue was observed in the post-treatment oograms.
These results indicated that both anti-schistosomal agents were similarly efficacious
On the other hand, a striking difference in the cure rates amongst the three parasitological control methods became evident. The oogram was the most accurate one, followed by HPJ and lastly by K-K. Since there was a direct correlation between the number of living eggs in the oogram and the positivity of the stool examinations, the percentage of false-negative results has augmented remarkably after treatment reaching 47.3% with HPJ and 92.9% with K-K. Prior to therapy they were 0% and 64,8%, respectively.
The authors infer that the different accuracy of the applied methodology to assess therapeutical efficacy may explain the discrepancy between the cure rate achieved in this clinical trial and those reported by other investigations with either praziquantel or oxamniquine.

Key words: Human schistosomiasis mansoni — Therapeutical evaluation — Quantitative oogram technique — Praziquantel — Oxamniquine.


RESUMO

Um total de 54 pacientes adultos, com esquistossomose mansônica crônica, nas formas intestinal ou hepatintestinal, participou de um ensaio clínico duplo-cego, para comparar o praziquantel com a oxamniquine. De acordo com uma distribuição aleatória, 27 casos receberam o praziquantel (65 mg/kg de peso corporal) e 27 a oxamniquine (18 mg/kg), administrados em dose oral única.
A incidência, intensidade e duração dos efeitos colaterais foram similares para os dois medicamentos A avaliação da eficácia terapêutica baseou se na técnica do oograma quantitativo por biópsia da mucosa retal, realizada ao final de um, dois, quatro e seis meses depois do tratamento. Nessas mesmas ocasiões foram feitos exames de fezes pelos métodos de HOFFMAN, PONS e JANER e de KATO-KATZ, com a finalidade de confrontar seu resultados com os achados do oograma. Para averiguar o efeito imediato do tratamento sobre a atividade ovipositora do parasito, um número restrito de pacientes foi submetido a biópsias retáis no 6,° e 18.° dias subsequentes a administração da medicação.
Ambas as drogas provaram ser ativas contra o esquistossoma, vez que os respectivos coeficientes de variação, determinados a partir de oogramas efetuados imediatamente após o tratamento, foram superiores a 60%. Ademais, dentre os 27 pacientes de cada grupo, 24 tratados com praziquantel e 22 com oxamniquine completaram o período de seis meses, requerido para controle parasitológico.
Os índices de cura, segundo os achados do oograma e dos exames de fezes pelos métodos de HPJ e KK, foram, respectivamente, 29%,— 50% e 92% com o praziquantel; 23%, 50% e 86% com a oxamniquine. Apesar do baixo percentual de cura, observou-se nos oogramas pós tratamento, uma pronunciada queda no número de ovos vivos por grama de tecido.
Esses resultados revelam que ambas as drogas foram semelhantemente eficazes, embora já se tenha comprovado que a susceptibilidade do S. mansoni não seja sempre igual para cada um desses medicamentos, pois linhagens resistentes à oxamniquine evidenciaram ser 100% sensíveis ao praziquantel.
Por outro lado, constatou-se uma nítida diferença nos percentuais de cura em função do método utilizado para controle parasitológico. O oograma foi o mais preciso, seguido pelo HPJ e, finalmente, pelo K-K. Tendo ocorrido uma correlação direta entre o número de ovos vivos no oograma e a positividade dos exames de fezes, a percentagem de resultados falso-negativos aumentou acentuadamente após o tratamento, alcançando 47,3% com o HPJ e 92,9% com o K-K. Antes da medicação esses índices eram, respectivamente, 0% e 64,8%.
Os autores depreendem que a diferença de precisão da metodologia aplicada para avaliar a eficácia terapêutica pode explicar a divergência encontrada entre o índice de cura obtido neste - ensaio clínico e os relatados por outros investigadores, tanto com o praziquantel quanto com a oxamniquine.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

 

 

ACKNOWLEDGEMENTS

We wish to express our thanks to Dr. Getulio L. de Rezende, Head of Drug R. & D., Merck Latin American Office, Rio de Janeiro, for the suggestions on the clinical trial design as well as for having provided the drugs and the scientific literature on praziquantel.

 

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Recebido para publicação em 24/10/1985.