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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.7 no.6 Uberaba Nov./Dec. 1973

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86821973000600008 

Estudo de uma cepa humana de Schistosoma mansoni resistente a agentes esquistossomicidas

 

 

Naftale Katz, E. P. Dias, Neusa Araújo e C. P. Souza

Pesquisador em Zoologia da SUCAM

 

 


RESUMO

Foi isolada uma cepa de Schistosoma mansoni proveniente de dois pacientes tratados com hycanthone, por duas vezes, na dose de 2,5mg/kg, i.m., em janeiro e em abril de 1970, e com niridazole (25mg/kg dia x 5 oral), em abril de 1971. O número de ovos por grama de fezes nestes pacientes antes do tratamento era de 2675 e 1025, respectivamente e, após o terceiro tratamento, em torno de 100 ovos/g.
Miracídios obtidos das fezes destes pacientes, infectaram caramujos (Biomphalaria glabrata), que passaram a eliminar cercárias (cepa WW). Estas foram utilizadas para infecção experimental de camundongos albinos. Os animais infectados foram tratados com esquemas múltiplos de hycanthone, niridazole e oxamniquine.
Estudos comparativos das cepas WW e LE (esta última mantida rotineiramente em nossos laboratórios) mostraram diferenças acentuadas quando à sensibilidade aos esquistossomicidas usados. De fato, com hycanthone, na dose de 80mg/kg, i.m. houve 100% de alteração do oograma nos camundongos infectados com a cepa L.E. e de 0,0% nos infectados com a cepa WW. Com a oxamniquine e niridazole as diferenças foram menores, mas, ainda assim, suficientes para indicar maior resistência da cepa WW a estes esquistossomicidas.
Esta é a primeira vez na literatura, que se demonstra resistência em cepas de S. mansoni provenientes de pacientes tratados.


ABSTRACT

There has been isolated a Schistosoma mansoni strain from two patients submitted to two courses of treatment with hycanthone (2,5mg/kg, i.m.), in January and April, 1970, and to one course with niridazole (25mg/kg/day x 5, per os), in April, 1971. Before treatment, the number of eggs in the faeces of those patients was, per gram, 2,675 and 1,025, respectively; after completion of treatment, such number had come down to around 100 eggs/gram.
Miracidia hatched from the patients faeces could infect Biomphalaria glabrata snails, which elimmated cercariae (WW strain) that were used for experimental infection of albino mice. The infected animais were, afterwards, treated with hycanthone, niridazole and oxamniquine under various schedules.
Comparative studies of WW and LE strains (the latter being routinely kept in our laboratories) revealed marked differences in their sensitivity to the schistosomicides employed. Actually, after treatment with hycanthone, at the dosage of 80 mg/kg, i.m., a 100% oogram changes were observed in the intestinal wall of mice inoculated with LE strain, whereas no alterations could be detected in the mice infected with WW strain. As regards oxamniquine and niridazole the changes were smaller although still quite sufficient to indicate greater resistance of WW strain to these schistosomicides.
It is worth while remembering that, in the pertaining literature, it is the first time that resistance in S. mansoni strains from treated patients has been demonstrated.


 

 

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Recebido para publicação em 20-7-1973.

 

 

Trabalho do Centro de Pesquisas "René Rachou", INERu - PIOCRUZ e Seção de Parasitoses da Prefeitura de Belo Horizonte, realizado com auxílio do Conselho Nacional de Pesquisas. Endereço: INERu - Caixa Postal, 1743 - 30000 B. Hte. - Brasil

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