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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.8 no.6 Uberaba Nov./Dec. 1974

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86821974000600004 

Esquistossomose: 1.000 pacientes tratados *

 

 

Pedro Aquino Noleto I; Paulo F. NevesII; Octaviano MagalhãesII; José Maria Silva III

I Professor  Titular Interino. Professer-adjunto de Clínica Médica
IIAssistentes
III Clínico do INPS

 

 


RESUMO

Os autores relatam sua experiência com o hycanthone em 1.000 pacientes de esquistossomose mansônica, até agora tratados no Hospital de Clínicas da Universidade do Estado da Guanabara. São pacientes oriundos de áreas endêmicas do País, especialmente do nordeste e sudeste, 53,9% do sexo masculino e 46,1% do sexo feminino, de idade entre 5 e 63 anos. A forma clínica predominante da parasitose foi a hépato-intestinal (96,8%). O medicamento foi administrado em dose única, na razão de 3 mg/kg de peso corporal, a 33.6% de pacientes internados e a 66 4% em regime de tratamento ambulatorial. Os níveis séricos das transaminases, determinados, para confronto, antes e depois do uso do produto, em 60 dos pacientes internados, não se alteraram, ou apenas sofreram elevações inexpressivas. Não houve efeitos colateriais em 42,3% dos pacientes. Nos demais, esses efeitos foram de pequena e média intentidade, duraram apenas o 19 dia, na maioria das vezes, e consisfram, especialmente, de náuseas e de vômitos. O controle de cura parasitária estabelecido compreendeu 4 exames de fezes - aos 30, 60, 90 e 120 dias do emprego do medicamento, o que já se fez em 330 pacientes (33%), com 99% de cura. Incluída a biópsia retal, sempre que foi possivel, por ocasião do 4º exame de fezes, o esquema funcionou até agora em 97 pacientes (9,7%), dos quais 92 (94%) estão curados, segundo esse critério. O presente trabalho confirma a ação esquistossomicida do hycanthone, bem como sua boa tolerabilidade, inclusive no que se refere ao hepatócito. Os doentes, entretanto, devem ser criteriosamente selecionados, tendo-se em vista as contra-indicações conhecidas, de modo especial em relação ao fígado.


SUMMARY

The authors report hier experiment with Hycanthone in a thousand patients suffering from schistosomiaasti mansoni, who have been treated in the Clinical Hospital of Guanabara University so far. The patients come from the endemical areas of the country, specially from northeast and southeast, being 53,9% males and 46,1% females, aged between 5 and 63. The prevailing clinicai form of the parasitosis was the hepatic-intestinal (96,%). The medicine has been applied in a single dosage, at the rate of 3 mg/kg of body weight, 33 6%  in in-patients and 66,4% at the stage of ambulatorial treatment. The  serum leveis of the transaminases determined for comparison before and after the use the produet, in 60 of the in-patients, did not modify, or just suffered inexpressive raising. There were no side-effects in 42,3% of the patients. In . the others, thore effects were of little and medium intemily and lasted only the first day in most cases, and consisted specially of nauseas and  vomits. The parasitical cure control was performed through 4 stool examinations, at the end of 30, 60, 90 and 120 days of the medicine employment, and it has been done in 330 patients (33%), with 99% of cure. By including the rectal  biopsy whenever, it was possible, by the time of the 4th stool examination, the procedure had worked out well with 97 patiens (9,7%), and among them 92 (94%), are now cured, according to that criter on. This paper confirms  the schistosomicidal activity of the Hycanthone, as well as its good tolerance, including regarding the hepatic cells. The patients, however, must be carefully selected, taking into account the known counter-indications, mainly concerning  the liver.


 

 

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Recebido para publicação em 5-8-74.

 

 

* Trabalho do Departamento de Medicina do Hospital de Clínicas da UEG. Apresentado no X Congresso d: Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

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