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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682On-line version ISSN 1678-9849

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.31 n.5 Uberaba Sept./Oct. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86821998000500002 

ARTIGO

Leishmaniose tegumentar americana: flebotomíneos de área de transmissão, no município de Pedro de Toledo, região sul do Estado de São Paulo, Brasil

American tegumentary leishmaniasis: phlebotominae of transmission area in the Pedro de Toledo County, in the South region of São Paulo State, Brazil

 

Maria de Fátima Domingos, Glória Cristina Carreri-Bruno, Ricardo Mário de Carvalho Ciaravolo, Eunice Aparecida Bianchi Galati, Dalva Marli Valério Wanderley e Fernando Motta de Azevedo Corrêa

 

 

Resumo Considerado como área endêmica de leishmaniose tegumentar americana (LTA), o Vale do Ribeira, na região sul do Estado de São Paulo, teve 929 casos notificados nos últimos 15 anos. Com o objetivo de identificar a fauna flebotomínea, foram realizadas capturas quinzenais em área rural do município de Pedro de Toledo, durante um ano, a partir de maio de 1994. Foram utilizadas armadilhas de Shannon no peridomicílio e armadilhas luminosas, tipo CDC, nos ambientes: domiciliar (intra e peri) e florestal (margem e interior), instaladas a partir do crepúsculo vespertino. Foram coletadas 8 espécies de flebotomíneos, totalizando 11.096 exemplares, sendo Lutzomyia intermedia a espécie dominante (96,4%). Esta espécie mostrou-se mais freqüente na primeira metade da noite, ocorrendo o ano inteiro, preferencialmente no ambiente domiciliar, o que indica sua preferência por ambiente antrópico. Os dados do presente trabalho ratificam L. intermedia como importante espécie vetora de LTA no Vale do Ribeira.
Palavras-chaves: Phlebotominae. Fauna flebotomínea. Ecologia de vetores. Leishmaniose tegumentar americana.

Abstract Considered as an American tegumentary leishmaniasis (ATL) endemic area, Ribeira Valley, in the south region of São Paulo State, presented 929 notified cases in the last 15 years. Aiming to identify the phlebotomine fauna, captures were performed fortnightly in the rural area of Pedro de Toledo County during one year, from may 1994 onwards. Set at dusk Shannon traps were used in the peridomicile and CDC light traps both intra and peridomiciliarly and at the edge and in the forest. Eight species summing to 11096 specimens were caught, L. intermedia being the dominant one (96,4%). More frequent all over the year during the first half of the night preferably in the domicile surroundings this species clearly indicated its preference for the anthropic environment. The data presented in this paper ratify L. intermedia as an important ATL vector species in the Ribeira Valley.
Key-words: Phlebotominae. Phlebotomine fauna. Vector ecology. American tegumentary leishmaniasis.

 

 

A ocorrência de leishmaniose tegumentar americana (LTA) na região do Vale do Ribeira, sul do Estado de São Paulo, foi assinalada a partir de 1956 com a descrição dos primeiros casos autóctones por Forattini e Oliveira2. Atualmente, constitui importante área de transmissão no Estado pois, cerca de 30% dos casos de LTA notificados, em 1993, tiveram municípios dessa região como local provável de transmissão, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE (Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo).

Nessa região, a doença manifestou-se endemicamente, após décadas de colonização pelo homem, quando não mais existia a floresta primária nos níveis topográficos mais baixos. Não há evidências do padrão clássico de transmissão relacionado com colonização recente e deflorestamento, o que talvez possa ser explicado pela precariedade de condições favoráveis à transmissão de LTA ao homem, na floresta perenifólia higrófila do Sistema da Serra do Mar, sugerindo que a transmissão ocorra no ambiente extraflorestal8 12.

O conhecimento da fauna flebotomínea e de seu comportamento tem sido objeto de várias investigações. Lutzomyia intermedia, que apresenta comportamento antropofílico, hábito noturno e predomínio no comparecimento ao ambiente domiciliar em relação a outras espécies, vem sendo incriminada como principal vetor4 8 9 10 11.

Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a epidemiologia de LTA na região do Vale do Ribeira, desenvolveu-se o presente estudo que visou investigar a distribuição espacial, sazonal e o ritmo nictimeral da fauna flebotomínea, no município de Pedro de Toledo, o qual se destaca na incidência da doença.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A área de estudo localiza-se em zona rural do município de Pedro de Toledo (24o16' de latitude sul e 47o14' de longitude oeste), região do Vale do Ribeira, sul do Estado de São Paulo. Com uma área de 631km2 e altitude de 40m, limita-se com seis outros municípios paulistas: Itariri, Miracatu, Iguape, Itanhaém, Juquitiba e Peruíbe e dista aproximadamente 150km da capital5 (Figura 1).

 

 

O clima na área é quente e úmido: Tropical de Altitude, segundo Köppen, com temperaturas médias nos meses mais quentes, superiores a 22oC e nos meses mais frios, superiores a 18oC. A pluviosidade anual é elevada, acima de 1500mm. A Mata Atlântica (tipo perenifólia higrófila) permanece luxuriante na região e cobre pelo menos 2/3 do município, porém, em alguns pontos, esta cobertura foi quase completamente substituída por pastagens e pela agricultura, com destaque para a bananicultura, base econômica de Pedro de Toledo6 13.

As investigações foram realizadas em duas moradias habitadas, distantes 850m uma da outra, situadas nas localidades Parada Anchieta (casa 1) e Martim Afonso (casa 2), localizadas a cerca de 30m da mata e, respectivamente, a 5,8km e 6,7km da área urbana do município (Figura 1).

Durante um ano, com início em maio de 1994, periodicidade quinzenal e a partir do crepúsculo vespertino, foram efetuadas capturas de flebotomíneos adultos nos dois sítios de coleta, utilizando-se os seguintes procedimentos:

. ambiente domiciliar: instalou-se simultâneamente no intradomicílio uma armadilha luminosa tipo CDC operando por 12 horas ininterruptamente e no peridomicílio, da casa 1, em curral e da casa 2, em pocilga, uma armadilha CDC, funcionando durante 12 horas, observados porém dois períodos de 6 horas para troca dos recipientes coletores. Ainda no peridomicílio de cada uma das casas, com armadilhas do tipo Shannon, realizaram-se coletas durante 6 horas, sendo que, a cada 3 meses, com início em agosto, o período foi ampliado para 12 horas. Em cada armadilha de Shannon, empregando tubos mortíferos embebidos em clorofórmio, dois indivíduos realizaram as capturas, sendo os exemplares acondicionados em caixas entomológicas a intervalos regulares de uma hora.

. ambiente florestal: foi empregada uma armadilha CDC no interior e outra na margem da mata com a mesma metodologia utilizada no peridomicílio.

As informações sobre a temperatura média mensal foram aquelas registradas para a área localizada a 24o43' de latitude sul e 47o53' de longitude oeste, pela Estação Experimental de Pariquera-Açu do Instituto Agronômico da Secretaria de Estado da Agricultura de São Paulo referentes a Região do Vale do Ribeira. As alturas pluviométricas mensais foram obtidas do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) da Secretaria de Estado de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado de São Paulo. Foram selecionadas as informações referentes ao município de Itariri, por ser o mais próximo a Pedro de Toledo, uma vez que para este município os dados encontravam-se incompletos, impossibilitando a análise no período.

 

RESULTADOS

Foram coletadas oito espécies de flebotomíneos: Lutzomyia intermedia (Lutz & Neiva, 1912), L. fischeri (Pinto, 1926), L. migonei (França,1920), L. ayrozai (Barretto & Coutinho, 1940), L. pascalei (Coutinho & Barretto, 1940), L. geniculata (Mangabeira, 1941), L. pestanai (Barretto & Coutinho, 1941), L. firmatoi (Barretto, Martins & Pellegrino, 1956), totalizando 11.096 exemplares, sendo 4.173 machos (37,6%) e 6.923 fêmeas (62,4%). A espécie dominante foi L. intermedia com 96,4% do total de flebotomíneos coletados (Tabela 1).

 

 

Os resultados obtidos com armadilhas CDC, segundo ambiente, apontam o peridomicílio com maior diversidade de fauna flebotomínea, com sete espécies. Quatro delas ocorreram no intradomicílio: L. intermedia, L. fischeri, L. migonei e L. ayrozai (Tabela 2). L. intermedia foi a única espécie coletada em todos os ambientes, tanto domiciliar como florestal, com maior freqüência no primeiro e predominância no peridomicílio. No ambiente domiciliar houve maior proporção de machos em relação às fêmeas, destacando-se o intradomicílio da casa 1, cuja razão macho/fêmea foi de 3,7 em relação aos demais ambientes que foi cerca de 1,5. Já no ambiente florestal, a mesma foi de cerca de 0,6 (Tabela. 2).

 

 

A distribuição horária de L. intermedia, no primeiro período, segundo a média de Williams, mostrou-se diferente entre as 2 casas. Na casa 1, a maior expressividade deu-se na primeira hora, com decréscimo na segunda e manteve-se com valores próximos ao desta até a quinta hora, diminuindo na sexta hora. Já na casa 2, ocorreu aumento gradativo com pico na quinta hora e ligeiro decréscimo na sexta hora (Figura 2).

 

 

Considerando somente as quatro capturas de 12 horas verificou-se que a espécie apresentou, nas primeiras horas, na casa 1 comportamento semelhante ao das coletas quinzenais e na casa 2 houve aumento até a 6ª hora, com pequenas oscilações. Houve, em ambas as casas, declínio acentuado na segunda metade da noite (Figura 3). Nas capturas realizadas com armadilha CDC, também foi verificada maior atividade desta espécie no primeiro perÌodo da noite (Tabela 3).

 

 

 

A freqüência mensal de L. intermedia capturada em armadilha de Shannon, segundo a média de Williams, foi distinta nas duas casas. Na casa 1 mostrou-se freqüente no inverno com o maior pico no mês de agosto. Na casa 2, pôde-se observar uma tendência de ciclicidade bimensal, porém, assinalou-se um pico em janeiro (Figura 4). A Figura 5 apresenta distribuição mensal das alturas de chuva e temperaturas médias.

 

 

 

 

DISCUSSÃO

Das oito espécies identificadas neste estudo (Tabela 1), somente L. firmatoi foi assinalada pela primeira vez na região. L. pestanai foi citada como L. shannoni (Dyar, 1929) por Gomes e Galati11 (informações pessoais de um dos colaboradores E.A.B.G.), sendo que tal equívoco deu-se em função das fêmeas de ambas espécies serem muito próximas, e machos, que são facilmente distinguíveis, não terem sido coletados, embora, erroneamente, constem da Tabela 1 do referido artigo. L. geniculata vem sendo assinalada para a área como L. guyanensis (Floch & Abonnenc, 1941) pois Forattini3 a considera como sinônimo dessa espécie, sendo a mesma restrita à Guiana Francesa, segundo Young & Duncan 199414.

Foi nítida a predominância de L. intermedia tanto no ambiente domiciliar (98,7%) como no florestal em relação às demais espécies (Tabelas 1 e 2) com maior densidade no primeiro, tal como observado por Forattini et al4. Essa elevada densidade em ambiente modificado, no qual se inclui o domiciliar, tem contribuído para incriminá-la como vetor da LTA1 9.

A maior proporção de machos de L. intermedia nas coletas domiciliares com armadilhas tipo CDC (Tabela 2) pode ser interpretada como uma necessidade biológica essencial de assegurar a fecundação das fêmeas que seriam cortejadas durante seus deslocamentosl9.

No intradomicílio da casa 1 a razão macho/fêmea foi maior que o dobro da dos demais ambientes domiciliares, isto parece indicar a presença de criadouros da espécie próximos ao domicílio, provavelmente associados a área de escoamento de dejetos da pocilga. Reforça este ponto de vista a freqüência muito mais elevada para ambos os sexos na primeira hora de coleta na casa 1, em relação aos horários seguintes. Na casa 2, a espécie teve comportamento oposto ao da casa 1, o que parece indicar que os criadouros encontravam-se mais distantes (Figura 2).

Tendo em vista o maior rendimento de L. intermedia nas coletas com armadilhas de Shannon no peridomicílio da casa 1, seria de se esperar que o mesmo se desse com o da CDC instalada neste ambiente. Todavia, tal fato não ocorreu, provavelmente devido a mesma ter sido instalada atrás de uma parede de alvenaria da pocilga, que formava efetiva barreira à atração luminosa da armadilha, ao se considerar que os criadouros estivessem na direção do escoamento dos dejetos da pocilga.

A exemplo do anteriormente observado por Forattini et al4, tanto nas coletas com CDC como na armadilha de Shannon L. intermedia revelou maior atividade na primeira metade da noite (Tabela 3 e Figura 3).

L. intermedia esteve presente durante o ano inteiro de forma irregular, assim como observado por Gomes et al9, e apresentou picos no verão e inverno, também apontados por Forattini3 (Figura 4).

Durante e após períodos intensos de precipitação pluviométrica a população de L. intermedia tende a reduzir sensivelmente como se pôde depreender pelos resultados obtidos nas coletas de março e abril (Figuras 4 e 5), possívelmente devido ao impacto que as chuvas ocasionam nos criadouros da espécie, os quais parecem estar associados ao solo sob dossel compacto da mata.

A dominância de L. intermedia no ambiente domiciliar, sua atividade durante todo o período noturno e presença contínua ao longo do ano, ratificam esta espécie como vetora de LTA na região do Vale do Ribeira.

 

AGRADECIMENTO

A Gerson Laurindo Barbosa pelo auxílio na elaboração do banco de dados do presente estudo.

 

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Recebido para publicação em 17/09/97.

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