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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682On-line version ISSN 1678-9849

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.35 no.3 Uberaba May/June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822002000300009 

ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO

Hepatite E

Hepatitis E

 

Raymundo Paraná1 e Maria Isabel Schinoni2

 

 

Resumo O vírus da hepatite E (VHE) é o segundo vírus de transmissão fecal-oral com hepatotropismo confirmado, após o vírus da hepatite A. As grandes epidemias de hepatite das décadas de 50 e 60 na Índia foram causadas pelo VHE. Observaram-se surtos da infecção na África Central, América Latina, Oriente Médio e Repúblicas independentes da ex-União Soviética. O quadro clínico da doença assemelha-se ao de outras hepatites virais. Não há casos descritos de hepatite E crônicas. Cerca de 20% das mulheres que adquirem a doença durante a gravidez desenvolvem formas graves, com insuficiência hepática fulminante. Confirma-se o diagnóstico quando se encontra no soro anticorpos (método de ELISA) das classes IgM (fase aguda) e/ou IgG (curados). O imunoblot e o PCR-RNA podem ser usados quando necessário. Não há tratamento específico. O uso de imunoglobulina hiperimune tem sido aconselhado por alguns autores. A prevenção se faz pelos cuidados higiênicos e dietéticos habituais. Não há vacina eficaz contra a doença.
Palavras-chaves: Hepatite E. Insuficiência hepática. Gravidez. Vírus.

Abstract Hepatitis E virus (HEV) is the second most frequent hepatotropic virus transmitted via fecal-oral route, following closely behind hepatitis A virus. The great epidemics of hepatitis described during the 50s and 60s, in India, were caused by this virus. Epidemic bursts have also been described in Central Africa, Latin America, Middle East and in the independent Republics of the ex-Soviet Union. The clinical features of the disease do not differ from those reported for other viral hepatitides. There have been no cases of chronic hepatitis E reported. Around 20% of women infected during pregnancy develop a severe form of hepatitis which courses to liver failure. Diagnosis of hepatitis is confirmed when antibodies (using ELISA) of the IgM class (acute phase) and/or IgG (infected and cured) are found in the serum. Immunoblot and PCR-RNA may be used as necessary. There is no specific treatment for hepatitis E. Hyperimmune serum has been tried by some authors. Prevention is achieved by following the habitual hygienic and dietetic recommendations valid for diseases transmitted by contaminated water. There is no effective vaccine against the disease.
Key-words: Hepatitis E. Liver failure. Pregnancy. Virus.

 

 

O vírus da hepatite E (VHE) é o segundo vírus de transmissão fecal-oral com hepatotropismo comprovado. Trata-se de um vírus RNA que se assemelha aos vírus da família Caliciviridae, sendo endêmico no Oriente Médio, Ásia e em algumas regiões da África, sobretudo na costa Mediterrânea Africana34.

Alguns autores questionam a inclusão do VHE na família Caliciviridae devido à semelhança que existe em região de leitura genômica do VHE (ORF1) com o vírus da rubéola e não com os calicivírus, causadores de diarréia no homem. Por outro lado, o vírus da rubéola possui envelope rudimentar, o que não acontece ao VHE22.

 

O AGENTE

A partícula viral mede entre 27 e 32 nm de diâmetro. O vírion apresenta forma esférica e não possui envelope como os baculovírus, outro vírus da família Caliciviridae .

Na microscopica eletrônica, usando-se o método rotacional das partículas de VHE, observam-se imagens que demonstram a simetria icosaedral do vírus (Figura 1)39.

 

 

O VHE possui genoma RNA composto de três regiões de leitura genômica (ORF1, ORF2 e ORF3). A primeira região de leitura (ORF1) possui 5079 nucléotidos de comprimento, é a maior delas, sendo responsável pela síntese de proteínas não-estruturais envolvidas na replicação viral. A ORF2 codifica o capsídio viral e contém epitopos que são alvo da resposta imunológica do hospedeiro. Esta proteína é sintetizada no retículo endoplásmico e, a seguir, transportada à superfície celular, diretamente ou através do complexo de Golgi. A ORF3 é a menor região e sua função ainda não encontra-se definida (Figura 2).

 

 

Em células transinfectadas, a proteína ORF3 parece servir de sítio de clivagem do cito-esqueleto, entretanto, a proteína ORF2 e o RNA podem unir -se para começar a nucleação do nucleocapsídio viral42.

Várias cepas do VHE foram isoladas em distintas regiões. A cepa isolada no México diferencia-se mais intensamente das cepas asiáticas isoladas na China, Burma, Pakistão e Rússia16.

Na Argentina isolou-se uma nova cepa de VHE, em pacientes que não viajaram para zona endêmica. Esta cepa revelou-se diferente das isoladas no México e de outras regiões. A análise filogenética indica que a cepa Argentina constitui novo genotipo de VHE, nomeado 8, diferente do de Burma tipo 1, Mexicano tipo 2, Norte-Americano tipo 3, Chinês tipo 4 e Europeu tipos 5, 6 e 737.

A despeito das diferenças genômicas entre as diversas cepas, o VHE possui um único serotipo o que explica a reatividade cruzada para os principais epitopos virais, permitindo o diagnóstico sorológico com Kits comerciais9 25.

 

EPIDEMIOLOGIA

A análise retrospectiva de soros estocados durante as grandes epidemias de hepatite da década de 50 e 60 em Bombaim e em Calcutá mostrou que o VHE foi o principal agente etiológico envolvido. Na década de 70, outras epidemias descritas na Tunísia, Marrocos e Argélia, também foram relacionadas a este agente etiológico36. Outro estudo retrospectivo realizado na Austrália nos anos 1971 a 1974, em pacientes hospitalizados por hepatite aguda, mostrou que 5,7% apresentavam anti-VHE IgG e que todos eles tinham morado ou nascido em paises em desenvolvimento6. Observaram-se ainda outros surtos de infecção na África Central, América Latina, Oriente Médio e Repúblicas independentes da ex-União Soviética (Figura 3).

 

 

Dentre as diversas regiões onde se estudou o VHE, o sudeste asiático revela elevada endemicidade. Este agente viral seria transmitido por água contaminada principalmente durante a época de grandes chuvas e inundações. Durante os períodos interepidêmicos as infecções acontecem muito freqüentemente, sugerindo a presença de reservatório perene ambiental permitindo manter a cadeia de transmissão. Identificou-se o VHE em porcos, ratos e galinhas, sugerindo que este vírus mantém-se como zoonose, com amplas possibilidades de disseminação ambiental32.

De forma semelhante ao vírus da hepatite A, baixas condições de higiene e o consumo de frutos do mar crus parecem importantes na transmissão da doença. Aparentemente, a transmissão do VHE necessita de grandes inoculo, o que dificulta a sua transmissão de pessoa a pessoa, contrariamente ao que acontece com o VHA7.

Há também evidências de transmissão do VHE por via parenteral, entretanto, esta deve ser considerada mais rara devido ao curto período de viremia4.

 

O VHE NA AMÉRICA LATINA

Na década de 90, descreveu-se uma epidemia de hepatite E no México41. Na América do Sul, anotaram-se casos esporádicos, sendo que os três primeiros foram relatados em Salvador, na Bahia30.

No Mato Grosso, em 1995, descreveram-se casos de infecção pelo vírus E em um grupo de mineiros que moravam em acampamentos que apresentavam condições sanitárias precárias27.

Os primeiros casos de hepatite aguda pelo vírus E na Amazônia Brasileira foram relatados em 1997, durante investigação de surto de hepatite em uma vila da região38.

Em estudo retrospectivo realizado no Rio de Janeiro, avaliou-se a prevalência da doença em diferentes grupos de risco. Encontrou-se o anti-VHE IgG em: 2,1% dos pacientes com hepatite aguda não B/não C; 6,2% dos pacientes em hemodiálise crônica; 4,3% dos doadores de sangue; 11,8% dos drogaditos; e 1% em mulheres grávidas40.

Em Campinas (SP), avaliou-se a prevalência de anticorpos anti-VHE IgG em 205 doadores de sangue sadios, em 214 mulheres em risco para HIV e em 170 empregados de Hospital de Campinas. Os resultados demostraram 3% de sero-positividade para o primeiro grupo, 17,7 % em mulheres em risco para o HIV, e de 2,6% em funcionários do hospital. Chamou-se a atenção para a elevada prevalência de anti-VHE no grupo de empregados de higienização que alcançou 13,2%15.

Recentemente, estudos de soro-prevalência do anticorpo contra o vírus E (anti-VHE) demonstraram o caráter endêmico desta virose em diversas regiões da América do Sul28 29 33.

Na Bolívia, por exemplo, em inquérito realizado em 574 doadores de sangue sadios, anotou-se a prevalência de anti-VHE IgG de 16,2% e de 1,7% para anti-VHE IgM19.

Outro estudo envolvendo três cidades chilenas e um total de 1.773 pessoas demonstrou anticorpos anti-VHE em 8% dos doadores de sangue, 12,5% dos trabalhadores da saúde, 7,5% dos presidiários, e 17% dos índios Araucaneos. Este estudo também revelou que o vírus E constitui infecção endêmica no sul do Chile, acometendo grupos étnicos e populações de baixo nível sociocultural17.

No Uruguai, de 252 doadores de sangue examinados, anotou-se a prevalência do anti-VHE de 1,2%10. Na Nicarágua, a prevalência de anti-VHE em indivíduos sadios variou de 4,6% a 8%31.

Alguns inquéritos soro-epidemiológicos revelaram a endemicidade do VHE em outros países Latino-Americanos, porém, curiosamente, não há relatos de epidemias nessas regiões1 5 23.

 

QUADRO CLÍNICO

O período de incubação do vírus varia entre 15 e 65 dias com a média de 40 dias. De maneira semelhante ao VHA, o VHE é excretado nas fezes durante a semana que precede a manifestação clínica da doença, diminuindo significativamente sua eliminação fecal após a primeira semana que se segue à icterícia8.

Durante a fase aguda não há peculiaridades clínicas que permitam diagnosticar a hepatite E sem a sorologia especifica. O quadro clínico assemelha-se ao de outras hepatites virais com a ressalva da existência de maior número de formas ictéricas, sobretudo em adultos.

Os conhecimentos adquiridos nas grandes epidemias Africanas e Asiáticas revelaram que cerca de 20% das mulheres grávidas infectadas desenvolvem uma forma grave da doença, principalmente as gestantes que se encontram no terceiro trimestre de gestação35.

Observou-se também que, as formas anictéricas predominam, dificultando o diagnóstico da infecção na fase aguda da doença26. As taxas de infecção clínica mais altas acontecem em adultos jovens. Há evidências sugerindo que os indivíduos com infecção subclínica e animais podem representar reservatórios para o vírus21.

Alguns estudos desenvolvidos no norte da Índia avaliaram a prevalência de VHE em crianças e demonstraram que a probabilidade de infecção mostra-se mais elevada na população urbana do que na rural, e que as crianças passam a ser susceptíveis à infecção a partir de um ano de idade24.

Não há casos descritos de hepatite E crônica. Habitualmente a doença apresenta resolução espontânea após 2 a 6 semanas, embora formas colestáticas prolongadas tenham sido descritas.

Na Tabela 1 resume-se alguns aspectos clínicos e epidemiológicos da hepatite pelo vírus E.

 

 

DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO

O diagnóstico sorológico da infecção pelo VHE se faz através da determinação do marcador anti-VHE (IgG e IgM). O anticorpo IgM encontra-se presente apenas na fase aguda da doença, constituindo-se no exame solorógico de escolha para o diagnóstico da hepatite aguda E (Figura 4).

 

 

O anti-VHE, IgG ou IgM, encontra-se disponível comercialmente. O anticorpo anti-VHE IgG mostrou-se neutralizante e permanece como memória imunológica após a cura20.

Devido à possibilidade de reação falso positiva, o anti-VHE pode ser confirmado pelo Imunoblot. O custo elevado desta técnica dificulta sua utilização universal.

Há controvérsia quanto à existência de imunidade prolongada nos casos de infecção pelo VHE. Há evidências de que os títulos de anti-VHE diminuem progressivamente, possibilitando nova infecção após a re-exposição13. Outros autores têm demonstrado imunidade prolongada após a infecção aguda, sugerindo a presença de memória imunológica 2.

O VHE-RNA pode ser detectado no soro ou nas fezes dos pacientes12. No primeiro caso, a detecção se dá no início do período de estado, entretanto, o VHE-RNA sérico desaparecerá rapidamente pois o período virêmico mostra-se curto. No segundo caso, a detecção se faz na fase prodrômica. O VHE-RNA não é rotineiramente utilizado devido ao alto custo e, ainda, pela falta de padronização do teste.

O estudo do VHE-RNA por PCR pode ser utilizado como método de diagnóstico rápido em epidemias, como aconteceu no Haiti onde diagnosticou-se a hepatite E em soldados da força de paz da ONU, procedentes de Bangladesh, em 1995. Este método diagnóstico permitiu controlar a infecção dentro do grupo, impedindo a sua disseminação11.

 

HISTOPATOLOGIA

A principal característica histopatológica da doença causada pelo VHE é a agressão canalicular, gerando colestase mais intensa que aquela habitualmente observada nas hepatites virais causadas por outros agentes hepatotrópicos. Pode-se encontrar degeneração gordurosa de hepatócitos, sofrimento celular, necrose de células isoladas, assim como o corpúsculo de Councilman. O infiltrado inflamatório revela-se rico em macrófagos, polimorfononucleares e linfócitos14.

 

TRATAMENTO

Não há tratamento especifico para a hepatite E. Quando não ocorre a forma fulminante, a doença evolui para a cura espontânea.

À semelhança da conduta adequada às outras hepatites virais, não há espaço para crendices e tabus dietéticos ou repouso exagerado. Deve-se permitir dieta livre de acordo com a aceitação do paciente.

Os antieméticos podem ser utilizados conforme a demanda, na fase aguda, enquanto os complexos vitamínicos não parecem influenciar a evolução da doença e não devem merecer prescrição rotineira.

 

PROFILAXIA

Melhorias na condição de vida, acesso a água tratada e esgotamento sanitário constituem as medidas ideais para prevenir a hepatite E. O consumo de frutos do mar crus deve ser evitado sobretudo em áreas carentes em saneamento básico, assim como em áreas portuárias.

O uso de imunoglobulinas, extraídas do soro de indivíduos provenientes de área endêmica, perece ter algum valor na prevenção ou atenuação da hepatite E nos contactantes. Embora alguns estudos estimulem o seu uso em regiões endêmicas, esta medida profilática ainda não obteve comprovação de sua eficácia 3 18.

Pelo fato de o anticorpo anti-VHE neutralizar todos os genótipos virais, o desenvolvimento de uma vacina de ampla utilização parece viável. Há estudos em andamento com esse objetivo. Ela encontraria indicação no caso dos viajantes que se dirigem a áreas endêmicas e, naturalmente, em gestantes.

Em macacos cynomolgus, a imunização com proteína recombinante do VHE conferiu imunidade. O animal imunizado produziu resposta anti-VHE e resistiu ao desafio de inoculação viral. Este modelo experimental demonstra a viabilidade de uma vacina eficaz, anti-VHE, em futuro próximo.

 

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1. Disciplina de Gastro-Hepatologia da Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil.2 Hospital General de Agudos Ramos Mejia, Buenos Aires, Argentina.
Endereço para correspondência:
Dr. Raymundo Paraná. Disciplina de Gastro-Hepatologia/UFBA. Av. Juracy Magalhães Junior 2096/sala 510, 41920-000 Salvador, BA.
e-mail:
rparana@ufba.br
Recebido para publicação em 10/01/2002.

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