SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.37 número1Insuficiência hepática fulminante em crianças e adolescentes no Norte do BrasilCampylobacter upsaliensis isolado de cães jovens com e sem diarréia índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

versão impressa ISSN 0037-8682

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. v.37 n.1 Uberaba jan./fev. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822004000100020 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Freqüência de Serratia sp em Infecções Urinárias de pacientes internados na Santa Casa de Misericórdia em Fortaleza

 

Frequency of Serratia sp in urine infections of intern patients in the Santa Casa de Misericórdia in Fortaleza

 

 

Everardo Albuquerque MenezesI; Fabrizio Coelho CezafarI; Maria do Socorro de Sena AndradeII; Maria Valdenir Abreu de Paula RochaII; Francisco Afrânio CunhaI

IDepartamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Farmácia Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE
IILaboratório de Patologia Clínica Edilson Gurgel da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, Fortaleza, CE

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Atualmente a Serratia é considerada um importante patógeno humano, o qual tem sido encontrado como agente causal de infecções hospitalares principalmente infecções do trato urinário. Verificamos a freqüência da Serratia sp em amostras de urina, em pacientes internados. Foram estudadas 1197 amostras das quais 15 foram positivas para Serratia sp. As espécies encontradas foram: 7 Serratia liquefaciens (46,7%), 5 Serratia odorífera (33,3%) e 3 Serratia rubidaea (20%).

Palavras-chaves: Serratia. Infecção hospitalar. Infecção urinária.


ABSTRACT

In the present time the Serratia is considered an important human pathogen, which has been found as causal agent of nosocomial infections mainly urine infections. We verify the frequency of the Serratia sp in urine samples, in intern patients. Were studied 1197 urine samples, this study show 15 positive for the Serratia sp. The species found were: 7 Serratia liquefaciens (46,7%), 5 Serratia odorífera (33,3%) and 3 Serratia rubidaea (20%).

Key-words: Serratia. Nosocomial infection. Urine infection.


 

 

A Serratia é reconhecida como um patógeno importante, com propriedades invasivas e alta resistência a muitos antibióticos utilizados na atualidade. Em determinada ocasião, essa bactéria foi utilizada como comensal inócuo para detectar contaminação, a princípio devido à característica pigmentação vermelha de algumas cepas, de fácil detecção em meios de cultura5.

A Serratia sp faz parte da família Enterobacteriaceae que podem ser implicadas em várias doenças infecciosas e podem ser isoladas de qualquer amostra recebida em laboratório clínico5. Os pacientes imunocomprometidos ou debilitados são altamente susceptíveis às infecções adquiridas no hospital, após colonização com cepas ambientais ou contaminação a partir de procedimentos invasivos6. Podendo causar pneumonia, bacteremia e endocardite, sobretudo em usuários de narcóticos ou drogas e pacientes hospitalizados1.

As espécies de Serratia produzem as enzimas lipase, gelatinase e Dnase que são importantes fatores de sua patogenicidade. A resistência à colistina e à cefalotina é uma característica diferencial adicional5. O gênero Serratia é considerado atualmente uma bactéria emergente, causando infecções hospitalares graves.

Devido aos poucos estudos sobre o isolamento de espécies de Serratia em infecções urinárias e pela literatura escassa sobre o assunto, resolvemos verificar a freqüência de isolamento de espécies desta bactéria em amostras de urina de pacientes internados na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza. O isolamento foi realizado no Laboratório de Patologia Clínica Dr. Edilson Gurgel que está localizado na Santa Casa. É um Hospital de referência para várias especialidades médicas no estado do Ceará.

Foram analisadas 1197 amostras de urina, no período de janeiro a junho de 2001. As culturas foram isoladas em meio de CLED e identificadas através do sistema BacTray I e II5 7.

Nas amostras de urina foram isoladas 15 cepas do gênero Serratia de acordo com Tabela 1.

 

 

Entre os pacientes que desenvolveram infecção, 8 (53,3%) foram homens e 7 (46,7%) foram mulheres. Não foram identificadas diferenças significativas em relação ao sexo dos pacientes.

A Serratia liquefaciens é um patógeno oportunista e que pode provocar infecções no trato urinário e no trato respiratório3. Em nosso estudo a S. liquefaciens apareceu como o patógeno mais comumente isolado (46,6%). Atualmente, sabe-se que a espécie S. liquefacens não é uma simples espécie, mas uma coleção de diversos grupos de hibridização de DNA, incluindo as espécies denominadas S. proteamaculans e S. grimesii. Como as espécies que constituem esse grupo de hibridização não podem ser diferenciadas pelas provas bioquímicas atuais, sugere-se que os membros dessas espécies sejam relatados como "grupo Serratia liquefecens"5.

A Serratia rubidaea dificilmente é isolada de amostras biológicas humanas e a sua patogenicidade permanecia dúbia8. Apesar disso em nosso estudo foram isoladas 3 (20%) cepas. Ursua e colaboradores relataram um caso de isolamento de S. rubidaea da bile e do sangue de um paciente com carcinoma do trato biliar, que foi submetido a procedimentos invasivos10. No Brasil existem poucos relatos sobre infecção por esta bactéria.

Serratia odorifera produz odor acre, similar ao de batatas com casca, daí o nome. Podem estar presentes em amostras de urina, causando infecção urinária, e são isoladas predominantemente do escarro5. No nosso trabalho isolamos 5 (33,3%) cepas. Foi apontado por Chmel como causador de septicemia invasiva grave em pacientes idosos e imunocomprometidos2. Glustein e colaboradores relataram a S. odorifera como causadora de septicemia associada a cateter em um paciente adolescente com talassemia e esplenectomizado4.

A Serratia marcescens é o membro mais importante do gênero Serratia e é geralmente associada a uma variedade de infecções humanas, principalmente pneumonia, septicemia e infecções urinárias em pacientes hospitalizados5. Sautter e colaboradores evidenciaram um caso de meningite infantil, em uma criança internada, após a utilização de solução desinfetante de cloreto de benzalcônio contaminada com S. marcescens9. Em nosso trabalho não encontramos esta bactéria, daí o nosso interesse em mostrar as espécies freqüentes na Santa Casa de Misericórdia, pois difere do que se conhece na literatura nacional e internacional.

Esta comunicação serve de alerta aos pesquisadores, da importância desta bactéria nas infecções hospitalares, infecções do trato urinário, infecções intestinais e intoxicações alimentares.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Brooks GF, Butel JS, Morse AS. Microbiologia Médica. 21ª edição. Guanabara Koneman Editora, Rio de Janeiro, 2000.         [ Links ]

2. Chmel H. Serratia odorífera biogrup 1 causing an invasive human infection. Journal Clinical Microbiology 31: 444-445, 1988         [ Links ]

3. Eberl L, Molin S, Givskov M. Surface Motility of Serratia liquefaciens MG1. Journal Bacteriology 181:1703-1712, 1999.         [ Links ]

4. Glustein JZ, Rudensky B, Abrahamov A. Catheter - associated sepsis caused by Serratia odorifera biovar I in an adolescent patient. Europe Journal Clinical Microbiology Infectology Disease 13:183-184, 1994.         [ Links ]

5. Koneman EW, Allen SD, Janda WM, Schreckenberger PC. Diagnóstico Microbiológico. 5º edição. MEDSI editora, Rio de Janeiro, 2001.         [ Links ]

6. Murray PR, Baron EJ, Pfaller MA, Tenover FC, Yolken, RH. Manual of Clinical Microbiology. 7ª edition. ASM Press, Washington, 1999.         [ Links ]

7. Piloneto M, Piloneto DV. Manual de Procedimentos Laboratoriais em Microbioologia - POPs em Microbiologia. Microsciense, Curitiba, 1998.         [ Links ]

8. Saito H, Etting L, Bodey GP, Berkey P. Serratia bacteremia: review of 118 cases. Revista Infectology Disease 11:912-920. 1989.         [ Links ]

9. Sautter RL, Mattman LH, Legaspi RC. Serratia marcescens meningitis associated with a contaminated benzalkonium chloride solution. Infect Control. 5:223-225, 1984.         [ Links ]

10. Ursua PR, Unzaga MJ, Melero P, Iturburu I, Ezpeleta, C, Cisterna, R. Serratia rubidae as an pathogen. Journal Clinical Microbiology 34:216-217. 1996.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Prof. Everardo Albuquerque Menezes
Rua Henriqueta Galeno, 1000/701 Dionísio Torres
60135-420 Fortaleza, Ceará, Brasil
Tel: 55 85 288-8266; Fax: 55 85 288-8292
E-mail: menezes@ufc.br

Recebido em 30/12/2002
Aceito em 6/12/2003