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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.37 no.6 Uberaba Nov./Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822004000600017 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Comparação de dois antígenos para intradermorreação de Montenegro

 

A comparison of two antigens for Montenegro skin test

 

 

Héctor Dardo Romero; Aluízio Prata; Mário León Silva-Vergara; Luciana de Almeida Silva

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Foram feitas reações intradérmicas em 399 indivíduos usando-se, simultaneamente, o antígeno fabricado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz. Ambos antígenos manufaturados com promastigotas de Leishmania (L) amazonensis (IFLA/BR/67/PH8). O antígeno da Fundação Oswaldo Cruz produziu maior número de reações positivas. Houve 22% de reações discordantes.

Palavras-chaves: Intradermorreação de Montenegro. Antígeno.


ABSTRACT

Intradermal reactions were performed in 399 individuals by using, simultaneously, the antigen produced by both the Universidade Federal de Minas Gerais and Fundação Instituto Oswaldo Cruz. Each of these antigens was manufactured with promastigotes of Leishmania (L) amazonensis (IFLA/BR/67/PH8). The Fundação Oswaldo Cruz antigen caused a larger number of positive reactions. Discordant reactions occurred in 22% of the individuals.

Key-words: Montenegro skin test. Antigen.


 

 

Fizemos a comparação do comportamento da intradermorreação de Montenegro (IDRM) com dois antígenos, ambos manufaturados com promastigotas de Leishmania (L.) amazonensis (IFLA/BR/67/PH8), com concentração padronizada de 40µg de nitrogênio protéico/ml e utilizando como veículo solução salina mertiolatada 1/10.000, sendo provenientes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)1 2 3 e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ)3 4. Os grupos estudados foram:

GI. Indivíduos (n=310) sem história ou contato com leishmaniose visceral, residentes no município de Porteirinha, Minas Gerais, área endêmica de leishmaniose visceral.

GII. Indivíduos (n=26) de Porteirinha e também sem história de leishmaniose, mas com antecedente de contato com a doença humana ou canina.

GIII. Indivíduos (n=63) sadios de Buenos Aires ou Córdoba na Argentina, áreas não endêmicas de leishmanioses.

Todos os indivíduos foram submetidos à aplicação da IDRM com antígeno da UFMG e da Fiocruz. O antígeno da UFMG foi injetado na face anterior do antebraço esquerdo e o da Fiocruz no direito, ambos na quantidade de 0,1ml, via intradérmica. Procedemos à leitura 48 a 72h após, delimitando o tamanho da pápula com caneta esferográfica. Consideramos positivas as reações cuja média dos diâmetros transverso e longitudinal fossem iguais ou maiores que 5mm. Tanto a aplicação quanto a leitura foram feitas simultaneamente e pelo mesmo pesquisador.

A positividade foi de 52 (13%) reações com antígeno da UFMG e 95 (23,8%) com o da Fiocruz. Houve maior percentagem de reações positivas na área endêmica, principalmente no grupo com antecedente de contato com leishmaniose visceral (Figura 1).

 

 

O teste positivo tem sido considerado como indicador de infecção subclínica de leishmaniose tegumentar ou visceral em áreas endêmicas. Contudo, a IDRM poderia não estar indicando infecção por leishmânia, como parece ter ocorrido com os exames feitos na Argentina. Deve ter havido reação cruzada com outras patologias ou mesmo hipersensibilidade ao conservante (timerosal).

Quanto ao tamanho da enduração produzida por cada antígeno, nos indivíduos que apresentaram os dois testes positivos, não houve diferença significativa entre eles [T. Wilcoxon: p=0,5].

Comparando o resultado de cada um dos antígenos, o da Universidade Federal de Minas Gerais foi positivo em 23 casos com o da Fundação Oswaldo Cruz negativo, sendo que o contrário ocorreu em 66 casos (Tabela 1).

 

 

Como ambos fabricantes empregam idêntica cepa de leishmânia e usam a mesma técnica na produção do antígeno, é difícil explicar a diferença de antigenicidade encontrada. O assunto necessita maiores esclarecimentos.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. Wilson Mayrink por fornecer o antígeno da Universidade Federal de Minas Gerais e ao Prof. José R. Coura pelo da Fundação Oswaldo Cruz.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Costa CA, Toledo VPCP, Genaro O, Williams P, Mayrink W. Montenegro skin test- Evaluation of the composition and stability of the antigen preparation. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 91:195-196, 1996.        [ Links ]

2. Mayrink W, Melo MN, Costa CA, Coutinho SG, Hermeto MV, Genaro O, Toledo VPCP, Guerra H. Multinational development of a standard skin test antigen in America: preliminary results in the Minas Gerais State, Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz 88(supl):226, 1993.        [ Links ]

3. Melo MN, Mayrink W, Costa CA, Magalhães PA, Dias M, Williams P, Araújo FG, Coelho MV, Batista SM. Padronização do antígeno de Montenegro. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo 19:161-164, 1977.        [ Links ]

4. Silva AF. Avaliação do teste intradérmico de Montenegro em populações militares do Brasil: positividade e resposta inespecífica. Dissertação de Mestrado. Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, 1999.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Dra. Luciana de Almeida Silva
DIP/FMTM
Caixa Postal 118, 38001-970 Uberaba, MG
e-mail: tropicalfmtm@mednet.com.br
Recebido para publicação em 30/7/2004
Aceito em 2/9/2004

 

 

Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG.
Trabalho realizado com o auxílio do CNPq (Programa Centro Oeste de Pesquisa e Pós-Graduação) e da Fundação Nacional de Saúde.