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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682On-line version ISSN 1678-9849

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.39 no.1 Uberaba Jan./Feb. 2006

https://doi.org/10.1590/S0037-86822006000100008 

ARTIGO ARTICLE

 

Ocorrência de leishmaniose tegumentar americana no Estado do Mato Grosso do Sul associada à infecção por Leishmania (Leishmania) amazonensis

 

Occurrence of American tegumentary leishmaniasis in the Mato Grosso do Sul State associated to the infection for Leishmania (Leishmania) amazonensis

 

 

Maria Elizabeth Moraes Cavalheiros DorvalI; Elisa Teruya OshiroI; Elisa CupolliloII; Ana Cristina Camargo de CastroIII; Tulia Peixoto AlvesIV

IDepartamento de Patologia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS
IILaboratório de Pesquisas em Leishmanioses do Departamento de Imunologia do Instituto Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ
IIIHospital Geral de Campo Grande, Campo Grande, MS
IVCurso de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

São relatados nove casos de leishmaniose tegumentar americana ocorridos no ano de 2001 em uma unidade de treinamento militar localizada no município de Bela Vista, Estado de Mato Grosso do Sul. Parasitas obtidos de lesões de seis pacientes foram isolados em cultura e posteriormente identificados através da análise de isoenzimas como sendo Leishmania (Leishmania) amazonensis. Esta é a primeira evidência da presença desta espécie de parasita em Mato Grosso do Sul.

Palavras-chaves: Leishmaniose tegumentar americana. Leishmania amazonensis. Mato Grosso do Sul.


ABSTRACT

Nine cases of American tegumentary leishmaniasis were reported at a Training Military Unit located in Bela Vista City, State of Mato Grosso do Sul. Parasites obtained from lesions of six patients were isolated in culture media followed by identification, through isoenzymes analysis, as being Leishmania amazonensis. This is the first evidence of the presence of the parasite in Mato Grosso do Sul.

Key-words: American tegumentary leishmaniasis. Leishmania amazonensis. Mato Grosso do Sul State.


 

 

A leishmaniose tegumentar americana (LTA) está entre uma das endemias de maior importância em saúde pública no Brasil, devido sua ampla distribuição pelo território nacional, a ocorrência de formas clínicas graves e pelas dificuldades referentes tanto ao diagnóstico como ao tratamento das mesmas2 14. Esta enfermidade apresenta um caráter antropozoonótico, sendo causada por diferentes espécies de protozoários parasitas do gênero Leishmania, que são transmitidas ao homem através da picada de insetos vetores hematófagos, os flebotomíneos. Existem pelo menos sete espécies de Leishmania descritas e que estão associadas com a doença humana, sendo que no Brasil Leishmania (Viannia) braziliensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis são as espécies mais amplamente distribuídas8. A severidade da doença varia da forma cutânea benigna e de cura espontânea até formas severas, muitas vezes mutilantes, como a leishmaniose mucocutânea.

Ressaltam-se, ainda, as dificuldades inerentes ao controle dessas parasitoses, decorrentes principalmente de suas complexas características epidemiológicas2 7 9 14.

No Brasil, a LTA está amplamente distribuída, tendo registro de casos autóctones em todos os estados da federação17. Em Mato Grosso do Sul, a LTA apresenta ampla distribuição20, sendo registrados no ano de 2001, 394 casos da doença e até o mês de abril de 2002, somam-se 126 notificações18 19. Casos da doença são notificados em todos os municípios, com maior incidência nos municípios de Aquidauana, Bodoquena, Bonito, Campo Grande, Coxim e Nioaque25. Apesar da parasitose ser endêmica no estado, poucos estudos clínicos e epidemiológicos, que permitam conhecer os fatores envolvidos na incidência humana dessa doença, têm sido realizados na região.

São apresentados nove casos de LTA ocorridos em unidade de treinamento militar no município de Bela Vista, MS, onde a doença tem sido relatada de forma autóctone desde 1984 (C Montani: comunicação pessoal, 2003), no entanto, sem qualquer estudo sobre o agente etiológico, seus vetores e outros hospedeiros.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Descrição da área. O município de Bela Vista situa-se na parte sudoeste de Mato Grosso do Sul, ocupando uma área de 5.315km2 e dista da capital, Campo Grande, pela rodovia BR 060, 355km. Seus limites são: ao Norte, com a cidade de Jardim; ao Sul, com a República do Paraguai, a Leste com o município de Antônio João e a Oeste, com Caracol. Suas coordenadas geográficas são latitude (S): 2206'32'' e longitude (W): 5631'16''. É banhada pelo rio Apa, fazendo fronteira com o distrito de Bela Vista, localizado em território paraguaio. De sua área total, 0,76% é ocupada pela zona urbana e 96,2% pertence à área rural24. O 10º Regimento de Cavalaria Mecanizada (RCMEC), localiza-se nessa cidade desde 1906, e detém uma área de aproximadamente 200 hectares, margeada pelo Córrego Candelão, onde cerca de 50 hectares são utilizados como centro de instrução para atividades de treinamento diurno e noturno. A vegetação predominante é constituída de mata tropical nativa, cerrado não muito denso e cerradões.

Pacientes. Os pacientes, em sua maioria soldados do efetivo variável, eram procedentes de Mato Grosso do Sul, sendo cinco de Bela Vista e quatro de outro município. O grupo esteve no local de treinamento nos meses de abril e maio, onde permaneceu por cinco dias e quatro noites no interior da mata. Posteriormente, foram encaminhados ao Hospital Geral de Campo Grande com lesões cutâneas, quando este serviço solicitou ao Laboratório de Parasitalogia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, avaliação diagnóstica para LTA.

Diagnóstico laboratorial. O diagnóstico foi realizado através do exame parasitológico de material obtido por biópsia da borda da lesão e cultura em meio Nicolle, Nevy e McNeal (NNN) com fase líquida Schneider's medium (pH 7.2 e 10% soro fetal bovino). Tratamento. Os pacientes foram tratados com Antimoniato de N-metil-glucamina (Glucantime®), 20mg Sbv /kg/dia, via endovenosa com 250ml de soro glicosado a 5%, durante 30 dias.

Identificação dos parasitas. A identificação da espécie de Leishmania isolada foi realizada pela técnica de eletroforese de enzimas em gel de agarose empregando protocolo previamente descrito4, utilizando 12 loci enzimáticos (G6PDH: glicose 6 fosfato desidrogenase/1.1.1.49, MDH: malato desidrogenase/1.1.1.37, IDH-NADP: isocitrato desidrogenase/1.1.1.42, ME: enzima malica/1.1.1.40, 6PGDH: 6 fosfo gluconato desidrogenase/1.1.1.43, PGM: fosfoglucomutase/1.4.1.9, NH1/NH2: nucleotidase/3.2.2.1, PEPD:prolina dipeptidase/3.4.13.9, MPI: manose fosfato isomerase/5.3.1.8, ACON: aconitase/4.2.1.3 e GPI: glicose fosfato isomerase/5.3.1.9.

 

RESULTADOS

A LTA foi diagnosticada em nove (64,3%) de quatorze pacientes encaminhados ao laboratório. Os aspectos clínicos e laboratoriais são apresentados na Tabela 1. O tempo de evolução variou de quinze a noventa dias. Todos os pacientes apresentaram cura clínica ao final do tratamento, embora três deles tivessem apresentado efeitos colaterais que foram monitorados e não prejudicaram a terapêutica.

 

 

Ao exame parasitalógico direto, oito pacientes apresentaram formas amastigotas no material examinado e cultura positiva após sete dias. Somente um caso que não apresentou formas amastigotas nos esfregaços por aposição, teve a confirmação diagnóstica através do cultivo, após vinte e um dias da semeadura.

Das nove amostras com diagnóstico positivo, seis foram caracterizadas como Leishmania (Leishmania) amazonensis e as outras três foram inviabilizadas por contaminação das culturas.

 

DISCUSSÃO

Os resultados demonstram que casos autóctones de LTA no município de Bela Vista, Mato Grosso do Sul, Brasil, estão relacionados com a infecção por L. (L.) amazonensis. Embora a infecção humana por esta espécie de parasita não seja considerada freqüente, a mesma tem sido identificada nas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oste do Brasil1 2 9 10 11 13 23.

A região Centro-Oeste ocupa o terceiro lugar dentre as regiões brasileiras em incidência de LTA e o primeiro em crescimento da doença, segundo dados do Ministério da Saúde16 17. Apesar da ampla distribuição da doença em Mato Grosso do Sul, pouco se conhece sobre os aspectos clínicos e epidemiológicos da mesma no Estado e até o momento, somente L. (L.) braziliensis foi identificada como agente etiológico de LTA na região21. Sabe-se, contudo, que a distribuição das espécies de Leishmania está condicionada à presença dos vetores, de seus reservatórios ou de ambos; e a infecção do homem depende de suas relações com a cadeia de transmissão do parasita2 11.

Levantamentos da fauna flebotomínea realizados em algumas áreas de Mato Grosso do Sul têm determinado que Lutzomyia withmani é a espécie mais abundante no Estado5 6, fato este que coincide com os achados de infecção por L. (V.) braziliensis. Ainda não existem estudos sobre a fauna flebotomínea local, porém, há relato do encontro de Lu. flaviscutellata, espécie vetora de L. (L.) amazonensis, em Campo Grande22 e no município de Dourados (Cristaldo G: comunicação pessoal, 1997). Assim como em outras áreas, esta espécie pode estar participando do ciclo de transmissão da LTA em Bela Vista, tendo em vista o tipo de cobertura vegetal predominante e também, a presença de animais tais como, pequenos roedores, marsupiais, primatas e carnívoros que, segundo os militares, freqüentemente são vistos nos locais de treinamento e que poderiam estar atuando como possíveis reservatórios do parasita13.

A predominância das lesões na parte superior do corpo pode ser explicada pelo tipo de atividades desenvolvidas nos treinamentos, em contato direto com o solo no período noturno, ou ainda, pelo pernoite dos militares na mata.

Em face da necessidade de elucidação das características epidemiológicas do parasita na área, impõe-se a realização de uma investigação relativa à identificação de vetores e de possíveis reservatórios, sendo isto objeto de um trabalho dos autores.

Destaca-se o fato de que, a despeito do incremento do número de casos e de municípios com a doença, os serviços de diagnóstico mostram deficiência de capacitação e de infra-estrutura necessárias à resolução da doença, prejudicando assim o diagnóstico e o conhecimento de fatores clínicos e epidemiológicos da doença no estado.

O presente relato amplia o conhecimento sobre L. amazonensis, sua distribuição em território nacional, revestindo-se de importância, principalmente pelo fato desta espécie estar relacionada com uma variedade de formas clínicas3, estando comumente associada a casos de leishmaniose cutânea difusa, de difícil cura com qualquer forma de quimioterapia12 15.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos às técnicas de laboratório Geucira Cristaldo e Hilda Carlos da Rocha, pelo apoio técnico no diagnóstico e isolamento dos parasitas.

 

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Endereço para correspondência:
Dra. Maria Elizabeth M.C. Dorval
Depto. de Patologia/CCBS/UFMS
Caixa Postal 549, 79070-900 Campo Grande, MS
Tel: 55 67 3345-7369
E-mail: bethparasito@nin.ufms.br

Recebido para publicação em 1/9/2004
Aceito em 29/10/2005

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