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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682On-line version ISSN 1678-9849

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.39 no.1 Uberaba Jan./Feb. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822006000100020 

COMUNICAÇÃO COMUNICATION

 

Utilização do ágar suco de tomate (ágar V8) na identificação presuntiva de Candida dubliniensis

 

Utilization of tomato juice agar (V8 agar) in the presumptive identification of Candida dubliniensis

 

 

Sydney Hartz AlvesI; Carlos Eduardo LinaresII; Érico Silva de LoretoII; Magnus RodriguesIII; Diego I. ThomaziIII; Felipe SouzaIII; Janio M. SanturioI

IDepartamento de Microbiologia da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS
IICurso de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS
IIICurso de graduação em Medicina da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Avaliou-se a capacidade do ágar suco de tomate (ágar V8) em diferenciar Candida dubliniensis de Candida albicans com base na produção de clamidoconídios. Noventa e três isolados de Candida albicans e vinte e seis de Candida dubliniensis foram incluídos; 100% de Candida dubliniensis formaram clamidoconídios e 92,5% de Candida albicans não evidenciaram estas estruturas. Estes resultados permitem sugerir este meio como recurso alternativo na identificação presuntiva de Candida dubliniensis.

Palavras-chaves: Candida dubliniensis. Clamidoconídios. Ágar suco de tomate. Ágar V8.


ABSTRACT

We evaluated the capacity of tomato juice agar (V8 agar) to differentiate Candida dubliniensis from Candida albicans based on chlamydospore production. Candida albicans (n= 93) and Candida dubliniensis (n= 26) were studied; 100% of Candida dubliniensis showed chlamydospores and in 92.5% of Candida albicans isolates these elements were absent. These results suggest this medium as an alternative tool for presumptive differentiation between these species.

Key-words: Candida dubliniensis. Chlamydospores. Tomato juice agar. V8 agar.


 

 

Candida dubliniensis foi descrita como nova espécie do gênero Candida em 1995, na Irlanda, por Sullivan cols6. Embora inicialmente associada com candidíase da orofaringe de pacientes infectados pelo vírus HIV, onde ainda é mais prevalente, atualmente tem sido reconhecida como causa de infecção em pacientes com câncer, com fibrose cística e pacientes com diversas patologias e diferentes graus de imunocomprometimento1 3 4 5 6. Um dos problemas que interferem na realização de estudos epidemiológicos mais amplos com esta espécie é a dificuldade da rápida identificação, a partir de meios de triagem de baixo custo. Cabe salientar que, atualmente, a rigorosa identificação de C. dubliniensis requer a utilização de técnicas genotípicas como o RAPD, PCR ou sequenciamento da região V3 do gene que codifica o RNA ribossômico6. Neste contexto, vários autores vêm contribuindo na busca de métodos fenotípicos alternativos que possam, com segurança, serem aplicados às rotinas de laboratórios de microbiologia clínica1 3 5. No presente trabalho, relatamos a utilização do ágar suco de tomate (ágar V8) na diferenciação entre Candida albicans e Candida dubliniensis, com base na formação de clamidoconídios.

Nos ensaios foram utilizados 26 isolados de C. dubliniensis previamente identificadas através de técnicas genotípicas e 93 isolados de C. albicans. Todos os isolados estavam conservados em freezer a -80ºC sendo reativados em ágar YPD (10g extrato de leveduras; 20g de peptona; 20g de dextrose; 15g de ágar/litro) a 30ºC2. Em placas de Petri o ágar suco de tomate2 (200ml de suco de tomate industrializado; 3g de CaCO3; 5g de dextrose; 20g de ágar-ágar) era distribuído após esterilização em autoclave (121ºC/15 min). A seguir, volumes de 10µL de uma suspensão de células fúngicas em água destilada eram semeados na superfície do ágar suco de tomate; a incubação era a 25ºC durante 48h. Os ensaios foram realizados em duplicata. A leitura consistiu na observação microscópica das colônias as quais eram observadas com objetivas de 10X e de 40X classificando-se as colônias como lisas ou rugosas e com ou sem franjas (micélio irregular nos bordos da colônia). Simultaneamente, a esta avaliação, pesquisava-se a presença de clamidoconídios. Quando ausentes, um fragmento da colônia era colocado em lactofenol azul-algodão, montado entre lâmina e lamínula, e após 15 minutos de repouso, pesquisava-se a presença de clamidoconídios.

Todos os isolados de C. dubliniensis evidenciaram a formação de clamidoconídios, embora com alguma variação na quantidade destas estruturas. O exame direto das colônias com objetivas de 10X e 40X permitiu a nítida observação dos clamidoconídios. Das 93 culturas de C. albicans, 86 (92,5%) não evidenciaram a presença de clamidoconídios mas em 7 (7,5%), raríssimos clamidoconídios foram observados. Quanto à morfologia colonial observou-se que 23 isolados de C. dubliniensis (88,5%) evidenciavam colônias rugosas com bordos franjados enquanto 3 (11,5%) não mostraram estas características. Dentre os cultivos de C. albicans, 84 (90,4%) evidenciaram colônias lisas sem franjas e 8 (8,6%) com bordos pouco franjados (Tabela 1). Os resultados deste estudo, sugerem que o ágar suco de tomate (ágar V8) pode se constituir numa nova alternativa para a diferenciação destas duas espécies. A inclusão de antibacterianos poderá permitir seu emprego no primo-isolamento, facilitando a rápida suspeição de C. dubliniensis com segurança e baixo custo. Alternativas similares, isto é, a diferenciação entre C. albicans e C. dubliniensis com base na produção de clamidoconídios já foram propostas como o ágar caseína3 entretanto, a necessidade de incubação a 24ºC para a produção de clamidoconídios requer um estufa adicional, dificultando seu uso. O ágar citrato férrico-ácido cafeico1 evidenciou resultados muito similares aos aqui apresentados. Finalmente, considerando-se que o ágar suco de tomate ou ágar V8 é um meio amplamente conhecido e utilizado em micologia, ressaltamos que seu emprego não se restrinja somente à detecção de ascósporos, mas que possa também ser utilizado na identificação presuntiva de C. dubliniensis.

 

 

AGRADECIMENTO

Ao Dr. Arnaldo L. Colombo e Dra Eveline P. Milan, pela colaboração com amostras de C. dubliniensis utilizadas neste estudo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Al Mosaid A, Sullivan D, Salkin IF, Shanley D, Coleman DC. Differentiation of Candida dubliniensis from Candida albicans on Staib agar and caffeic acid-ferric citrate agar. Journal of Clinical Microbiology 39: 323-327, 2001         [ Links ]

2. Larone DH. Medically important fungi: a guide to identification. ASM Press, Washington, 1995.         [ Links ]

3. Mosca CO, Moragues MD, Llovo J, Al Mosaid A, Coleman DC, Pontón J. Casein agar: a useful medium for differentiating Candida dubliniensis from Candida albicans. Journal Clinical Microbiology 41: 1259-1262, 2003.         [ Links ]

4. Peltrouche-Llacsahuanga H, Dohmen H, Haase G. Recovery of Candida dubliniensis from sputum of cystic fibrosis patients. Mycoses 45: 15-18, 2002.         [ Links ]

5. Staib P, Morschhauser J. Chlamydospore formation on Staib agar as a species-specific characteristic of Candida dubliniensis. Mycoses 42: 521-524, 1999.         [ Links ]

6. Sullivan DJ, Westerneng TJ, Haynes KA, Bennett DE, Coleman DC. Candida dublinensis sp nov.: phenotipic and molecular characterization of a novel species associated with oral candidosis in HIV-infected individuals. Microbiology 141: 1507-1521, 1995.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Dr. Sydney Hartz Alves
R. Andradas 1985/201
97010-033 Santa Maria, RS, Brasil
Telefax: 55 55 3222-1024
E-mail: hartzsa@ccs.ufsm.br

Recebido para publicação em 1/8/2005
Aceito em 8/9/2005

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