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Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

Print version ISSN 0037-8682

Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.41 no.3 Uberaba May/June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822008000300005 

ARTIGO ARTICLE

 

Causas de óbito em pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida, necropsiados na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas

 

Causes of death among patients with acquired immunodeficiency syndrome autopsied at the Tropical Medicine Foundation of Amazonas

 

 

Sílvia Leopoldina Santos de SouzaI; Pablo Vinícius Silveira FeitozaI; José Ribamar de AraújoII; Rosilene Viana de AndradeII; Luiz Carlos de Lima FerreiraI

IFundação de Medicina Tropical do Amazonas, Manaus, AM
IIAnatomia Patológica, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, Manaus, AM

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar em 129 pacientes com AIDS, necropsiados na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas de 1996 a 2003, as causas do óbito, observando o grau de concordância entre os diagnósticos necroscópicos com os diagnósticos clínicos. A doença mais freqüente que causou o óbito foi tuberculose 28%, seguida de pneumonia bacteriana 17%, histoplasmose 13%, toxoplasmose 10%, pneumocistose 8%, criptococose 5%, sepse bacteriana 4% e 15% outras causas. A concordância entre o diagnóstico clínico antemortem e a necropsia foi de 51,9%. O principal órgão acometido foi o pulmão 82,2%. O tempo de sobrevivência após o diagnóstico laboratorial até o óbito variou entre um mês e 120 meses. A média de sobrevivência foi 15 dias e 56% morreram menos de um mês após o diagnóstico, 15 pacientes morreram na mesma data do diagnóstico. Esses resultados demonstram a importância da necropsia na causa mortis em pacientes com AIDS.

Palavras-chaves: Aids. Necropsia. Diagnóstico antemortem.


ABSTRACT

The aim of this study was to investigate the causes of death among 129 AIDS patients that were autopsied at the Tropical Medicine Foundation of Amazonas between 1996 and 2003. The degree of concordance between the autopsy diagnoses and the clinical diagnoses was observed. The disease that most frequently caused death was tuberculosis (28%), followed by bacterial pneumonia (17%), histoplasmosis (13%), toxoplasmosis (10%), pneumocystosis (8%), cryptococcosis (5%), bacterial sepsis (4%) and other causes (15%). The concordance between the clinical diagnosis before death and the autopsy was 51.9%. The main organ involved was the lungs (82.2%). The length of survival from the time of the laboratory diagnosis to death ranged from one month to 120 months. The mean length of survival was 15 days and 56% died less than one month after the diagnosis, while 15 patients died on the same day that they were diagnosed. These results show the importance of autopsies in elucidating the causes of death among AIDS patients.

Key-words: Aids. Autopsy. Antemortem diagnosis.


 

 

No Estado do Amazonas, o primeiro caso de AIDS foi diagnosticado no ano de 1996, na capital, Manaus. Até o ano de 2003, 749 pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana evoluíram a óbito. A maior concentração de casos de AIDS, no Amazonas, está na Cidade de Manaus contabilizando 2.132 registros, sendo que o total de notificações no estado, até março de 2005, foi de 2.413 casos10.

O estudo necroscópico é importante na AIDS devido ao grande número de comorbidades que os pacientes podem desenvolver e, muitas das vezes passarem despercebidos diagnósticos que, efetivamente, contribuem para o êxito letal. A necropsia possibilita o diagnóstico das doenças que não foram suspeitadas ou elucidadas antes da morte. Por outro lado, com o diagnóstico pode-se avaliar a indicação dos anti-retrovirais, bem como das profilaxias para as doenças oportunistas, além de se conhecer a eficácia das drogas utilizadas. Foram feitos vários estudos baseados em necropsia nos pacientes acometidos pela AIDS causada pelo vírus da imunodeficiência humana. Os principais resultados foram: mais de 75% dos pacientes tinham infecções e neoplasias malignas que não foram diagnosticadas antes do óbito, ressaltando a importância da necropsia6.

As necropsias comprovam que houve mudanças nas causas de óbito desde o início da epidemia, principalmente a partir de 1996, ou seja, quando do lançamento da terapia anti-retroviral potente, e que os principais achados foram a diminuição da prevalência do Sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocistis jiroveci e alta prevalência de cirrose e arteriosclerose12.

O objetivo deste estudo foi determinar as causas de morte em pacientes com AIDS, submetidos à necropsia no período de 1996 a 2003, na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM), destacando-se as doenças que levam a óbito estes pacientes, avaliando o grau de concordância entre o diagnóstico clínico e o diagnóstico na necropsia, e ainda, caracterizar os fatores sócio-demográficos.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo. Tendo como população de referência os pacientes com AIDS acompanhados na FMTAM desde janeiro de 1996 até dezembro de 2003, e como alvo do estudo os pacientes com AIDS que evoluíram a óbito e foram submetidos à necropsia na FMTAM no referido período.

Foram relacionados 145 pacientes com AIDS à necropsia. Porém, dentro dos critérios de inclusão, foram estudados 129 pacientes, sendo excluídas do estudo as necropsias realizadas 12 horas após o óbito: necropsias cujos tecidos estavam autolisados; necropsias cujas lâminas não puderam ser revisadas; pacientes cujas lâminas e fichas de necropsia não foram encontradas e pacientes cuja necropsia revelou-se inconclusiva.

A partir das informações contidas nos prontuários, foi preenchido um instrumento de coleta de dados do qual constam nome, idade, sexo, estado civil, procedência, local de residência, escolaridade, diagnóstico da infecção laboratorial por vírus da imunodeficiência humana e a causa mortis.

Os dados foram apresentados através das tabelas e gráficos nos quais foram calculados as freqüências absolutas simples e relativas para os dados qualitativos e média, mediana e desvio-padrão (DP) para os dados quantitativos. Utilizou-se a concordância observada e índice Kappa para avaliar a concordância entre os resultados do diagnóstico clínico antemortem e da necropsia.

Na análise de comparação das médias, utilizou-se o teste T de Student com nível de significância de 5%.

O software utilizado na análise foi o Epi-Info 3.3 for Windows desenvolvido e distribuído pelo CDC.

O presente estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas com o protocolo nº 1406/2004 FMTAM.

 

RESULTADOS

Neste estudo, foram incluídos 129 pacientes submetidos ao exame de necropsia no período de janeiro de 1996 a dezembro de 2003, na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas.

Em relação à procedência desses pacientes, a maioria (94%) é do Estado do Amazonas, e 6% oriundos de outros estados. No Estado do Amazonas, predominou o município de Manaus, com 76%.

O estado civil predominante foi o solteiro (63%), seguido por união estável (31,2%), viúvos (5%) e separados (0,8%).

A média da idade foi de 33,8, ± 10,6 anos; a mediana foi de 32 anos, (1 ano e 4 meses a 64 anos). Houve um predomínio da faixa etária dos 30 aos 39 anos (41%). Nas mulheres, a faixa etária predominante foi de 20 a 29 anos, com 36,4%, e nos homens foi de 30 a 39 anos, com 52,1%. Em relação ao sexo houve um predomínio do sexo masculino, com 74,4%. A média de idade do sexo masculino foi 35,6 e no sexo feminino foi 30,4.

As causas mais freqüentes do óbito foram tuberculose (28%), pneumonia bacteriana (17%), histoplasmose (13%), toxoplasmose (10%), pneumocistose pulmonar (8%), criptococose (5%), sepse bacteriana (4%), sarcoma de Kaposi, meningoencefalite viral, cirrose hepática e síndrome diarréica (2% cada) e leucemia linfocítica aguda, acidente vascular cerebral, meningite bacteriana, hepatite medicamentosa, linfoma, malária e pneumonia aspirativa com 1% cada (Tabela 1).

 

 

Neste estudo, 62 doenças não foram diagnosticadas na avaliação antemortem. As doenças foram pneumonia bacteriana (23%), histoplasmose (20%), tuberculose (19%), toxoplasmose (10%), pneumocistose pulmonar (6%), criptococose (5%), meningoencefalite viral (3%), sepse bacteriana, meningite bacteriana, sarcoma de Kaposi, cirrose hepática, acidente vascular cerebral, hepatite medicamentosa e linfoma (2%) cada (Tabela 2).

 

 

Observa-se, a seguir, a análise da validação entre o diagnóstico clínico e o diagnóstico na necropsia quanto às causas do óbito dos pacientes com AIDS, na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas no período de 1996 a 2003 (Tabela 3).

 

 

As causas mortis foram divididas em doenças infecciosas (92%), neoplasias (4%), doenças crônico-degenerativas (2%), doenças causadas por medicamentos (1%) e doenças causadas por bronco-aspiração (1%). A sobrevivência dos pacientes estudados desde a data do diagnóstico variou entre menos de
1 mês e 120 meses, sendo que a maioria, 72 (56%) pacientes foi menos de um mês. Entre os que sobreviveram menos de um mês, estavam 15 pacientes em que a data do diagnóstico é a mesma data do óbito. A média de sobrevivência foi 7,39 meses, a mediana foi 15 dias e o desvio padrão foi de 16,39.

As principais associações na causa mortis foram relacionados a tuberculose e pneumonia bacteriana, pneumonia bacteriana e pneumonia por Pneumocistis carinii, histoplasmose e tuberculose, histoplasmose e toxoplasmose.

Não foi possível o cálculo do valor preditivo positivo e negativo geral, pois o diagnóstico de necropsia foi utilizado como padrão ouro em relação ao diagnóstico clínico para cada uma das patologias que foi causa iminente do óbito.

 

DISCUSSÃO

A necropsia é um importante parâmetro para elucidar as comorbidades que acompanham a AIDS.

Ao correlacionarmos o diagnóstico clínico antemortem e a necropsia, detectamos que houve 51,9% de concordância na causa do óbito nos 129 pacientes estudados. A doença em que houve maior concordância foi a tuberculose, em 24 pacientes. Hui6, comparando diagnósticos antemortem, com achados postmortem, encontrou Pneumocistis jiroveci como principal agente da morte em 7 pacientes, dado que coincidiu com o diagnóstico antemortem, porém, nos mesmos 7 pacientes foi encontrada, também, infecção por citomegalovírus. Contudo, esse agente não foi suspeitado na avaliação antemortem. A necropsia revelou, ainda, 1 linfoma primário do sistema nervoso, 1 pielonefrite por bactéria Gram-negativa e 1 aspergilose cutânea que não foram diagnosticadas na avaliação antemortem.

Semela cols17, na Suíça, estudando a causa da morte em achados de necropsia de 314 pacientes com AIDS no período de 1984 a 1995, encontraram como causas mais freqüentes pneumonia bacteriana, com 52 (17%) pacientes, pneumonia por Pneumocistis jiroveci com 40 (13%) pacientes, linfoma com 34 (11%) pacientes, infecção por citomegalovírus com 33 (11%), e toxoplasmose com 30 (10%) pacientes. Comparando com os nossos achados, a prevalência de linfoma na Suíça foi mais elevada, e observa-se a ausência de tuberculose, que foi a doença mais encontrada no presente trabalho.

Morgello cols12 estudando as causas do óbito nos três períodos de tratamento da AIDS encontraram como infecções mais (29%) comuns citomegalovírus e pneumonia por Pneumocistis jiroveci (22%). Observou-se, ainda, um aumento na freqüência das doenças infecciosas como causa do óbito na necropsia destes pacientes durante as três eras terapêuticas, sobretudo na era highly active anti-retroviral, principalmente da hepatite C e infecções por estreptococos e estafilococos.

Masliah cols8, analisando as mudanças nos achados de autopsia em casos de AIDS durante 15 anos (1982 a 1998), observaram uma diminuição de pneumonia por Pneumocistis jiroveci de 28,6% para 7,6%. Mycobacterium Avium Complex de 21,4% para 0 (zero) e citomegalovírus de 71,4% para 0 (zero). Infecções bacterianas aumentaram de 50% para 61,5%; as infecções fúngicas permaneceram nos mesmos níveis de 0 (zero).

A doença que mais colaborou com o óbito em nossos pacientes foi a tuberculose, com 28%. Gutierrez e cols5, no Brasil, estudando 144 necropsias de pacientes com tuberculose, em que 100 pacientes tinham vírus da imunodeficiência humana positivo (casos de AIDS) e 44 pacientes tinham vírus da imunodeficiência humana negativo. A tuberculose disseminada foi à causa primária do óbito em 29% dos pacientes com AIDS e em 9% dos pacientes sem AIDS; a tuberculose localizada causou o óbito em 71% dos pacientes com AIDS e em 80% dos pacientes vírus da imunodeficiência humana negativo. A tuberculose é doença endêmica na Região Norte e, o Estado do Amazonas é o segundo estado com maior número de casos no país, ficando atrás somente do Estado do Rio de Janeiro9.

Lucas cols7 analisando, em 1994, na África, a correlação da tuberculose com a AIDS em 95 necropsias de pacientes com síndrome consuptiva, detectou que em aproximadamente metade destas a tuberculose foi o achado patológico predominante, e em 28 destes pacientes não havia história clínica para tuberculose antes da morte. Por isso, afirmou que a importância dessa doença como fator determinante na patogênese da AIDS tem sido subestimado. Em nosso estudo, encontramos dados semelhantes, pois a tuberculose foi a doença que mais contribuiu para o óbito, sendo constatado em 36 pacientes.

A pneumonia bacteriana foi responsável por 17% dos óbitos deste estudo e foi a segunda em freqüência não diagnosticada. A freqüência de pneumonia bacteriana em pessoas infectadas com vírus da imunodeficiência é 6 vezes maior que no resto da população, sendo, muitas vezes, a primeira manifestação do vírus da imunodeficiência humana, juntamente com bronquite4 .

O diagnóstico de histoplasmose foi feito em 13% dos pacientes deste estudo e foi em freqüência, junto com a tuberculose, uma das doenças menos diagnosticadas na avaliação clínica antemortem. Unis e cols18, no Rio Grande do Sul, estudando histoplasmose em uma população com ou sem AIDS, no período de 25 anos, encontraram nos pacientes com AIDS um predomínio no adulto jovem (21 a 57 anos); detectaram que foi instituída terapêutica empírica para tuberculose em 25,7% dos casos e o tempo decorrido dos primeiros sintomas até o diagnóstico foi maior que 1 mês em 55,7% dos pacientes, retardo decorrente da confusão com outras doenças granulomatosas, especialmente tuberculose, contribuindo com evolução desfavorável mesmo depois de instituída terapêutica antifúngica específica.

A toxoplasmose foi encontrada em 10% das necropsias e foi a 4ª doença menos diagnosticada na avaliação clínica antemortem. Câmara e cols3 analisando lesões neurológicas em 154 pacientes necropsiados com AIDS, nos quais havia história clínica neurológica, encontraram toxoplasmose em 60 (38,9%) casos.

A pneumocistose contribuiu com o óbito em 8% dos casos necropsiados. Segundo Boyton2, os casos de pneumocistose estão em declínio nos países desenvolvidos após a introdução dos anti-retrovirais, haja vista que há uma relação estreita entre essa doença e os níveis de CD4. A despeito dos avanços a pneumocistose permanece como um dos patógenos que mais acometem pacientes que não estão recebendo anti-retrovirais ou que não estão respondendo ao esquema Highly Active Anti-retroviral e entre pessoas que desconhecem seu status sorológico para vírus da imunodeficiência humana2.

Em um estudo de coorte feito na Suíça em 2003, avaliando a causa do óbito em autópsias entre pacientes com AIDS que estavam sendo tratados com anti-retrovirais, foi encontrado, associada à mortalidade, pneumonia bacteriana (17%), pneumonia por Pneumocistis jiroveci (13%). Outras doenças associadas ao óbito foram linfoma (11%), infecção por CMV (11%) e toxoplasmose (10%)13.

A criptococose foi considerada a causa do óbito em 5% dos pacientes estudados. Contudo, o índice kappa deu uma concordância regular. O Ministério da Saúde (2002) relata que de 1980 a abril de 2002 foram registrados 215.810 casos de AIDS e em 6% destes foi encontrada criptococose no momento do diagnóstico. Dados compatíveis com os resultados adquiridos neste estudo. Quando em apresentação extrapulmonar e relacionada com CD4 menor que 100, pode acometer órgãos como o pulmão e a pele, porém, geralmente, apresenta-se como meningite subaguda, com febre e cefaléia. Seu diagnóstico é relativamente fácil, as hemoculturas são positivas em 50 a 70%, a cultura do líquido cefalorraquidiano em mais de 95%, pesquisa direta em nanquim em 60 a 80% e o antígeno criptocócico sérico no líquido cefalorraquidiano em mais de 95% dos casos1.

A sepse bacteriana foi encontrada em 4% dos pacientes, havendo 100% de especificidade.

Morgello e cols12, em trabalho semelhante por um período de 20 anos, encontraram maior acometimento do pulmão (89%), sistema nervoso central (64%), fígado (45%) e órgãos do trato digestivo (44%).

Sehonanda16 analisou 135 necropsias de pacientes com AIDS no período de 1982 a 1993 e observou que o pulmão foi o órgão mais atingido em 80,3% dos pacientes, seguido de linfonodos (33,3%), baço (28,6%), fígado (26,2%) e órgãos do trato gastro-intestinal (22%).

Os nossos achados coincidem com os dados de Morgello12, Sehonanda e Masliah16. Os aspectos mais importantes observados neste estudo foram que a tuberculose foi a causa-mortis mais freqüente nos pacientes com AIDS estudados, a concordância entre necropsia e diagnóstico clínico antimortem foi regular, a pneumonia bacteriana foi em freqüência a doença menos diagnosticada na avaliação clínica antimortem, o pulmão foi o órgão mais atingido nos pacientes necropsiados. O tempo de sobrevivência após o diagnóstico foi menor que 1 mês em 56% destes pacientes.

Concluímos que este estudo demonstra a importância da necropsia para elucidação da causa mortis e a necessidade da implementação de políticas de saúde pública que visem ao diagnóstico precoce da AIDS.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Dr. Luiz Carlos de Lima Ferreira
Pesquisa/FMTAM
Av. Pedro Teixeira 25
Dom Pedro
69040-000 Manaus, AM
e-mail: llufe@uol.com.br; dep@fmtam.am.gov.br

Recebido para publicação em: 29/08/2007
Aceito em: 13/06/2008