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Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967

Acta Amaz. vol.33 no.4 Manaus Dec. 2003

https://doi.org/10.1590/S0044-59672003000400003 

BOTÂNICA

 

Ocorrência e distribuição de pterifófitas na reserva florestal Walter Egler, Amazônia Central, Brasil1

 

Occurrence and distribution of the pteridophytes in the Walter Egler Forest reserve, Central Amazonian, Brazil

 

 

Maria Cristina de SouzaI; Jean-Louis GuillaumetII; Izonete de Jesus Araujo AguiarI

IBolsista DTI/CNPq/INPA/Botânica
IIPesquisador/INPA/Botânica

 

 


RESUMO

Na Reserva Florestal Walter Egler, localizada a 64 km de Manaus, no município de Rio Preto da Eva, foi investigada a ocorrência de Pteridófitas ao longo de uma toposseqüência. O grupo ocorre nos três ambientes observados na área (baixio, vertente e platô) com diferença tanto qualitativa quanto quantitativa. Foram registrados 375 indivíduos, distribuídos em oito famílias, 10 gêneros e 17 espécies; entre epífitas, hemiepífitas, herbáceas e arbóreas. Das 8 famílias, 4 ocorrem em todos os ambientes: Dennstaedtiaceae, Hymenophyllaceae, Dryopteridaceae e Lomariopsidaceae, enquanto, Cyatheaceae e Vittariaceae ocorrem apenas no baixio. Das 17 espécies encontradas, sete ocorrem apenas no baixio, três na vertente e cinco são comuns em todos os ambientes.

Palavras-chave: Pteridófitas, sub-bosque, habitat, hábito.


ABSTRACT

The occurrence of Pteridophytes was investigated along a transect at the Walter Egler Forest reserve, located 64 km from Manaus in the municipality of Rio Preto da Eva. The group occurs on the three landscapes observed in the area (lowland, slope and plateau) with a both qualitative and quantitative difference. Three hundred and seventy five (375) individuals were established, distributed in 8 families, 10 genera and 17 species; among epiphytes, hemepiphytes, herbaceous and arboreal. Of the 8 families, 4 occur on all landscapes: Dennstaedtiaceae, Hymenophyllaceae, Dryopteridaceae and Lomariopsidaceae, whereas, Cyatheaceae and Vittariaceae occur only on lowland. Of the 17 identified species, 7 occur only lowland, 3 on slope, and 5 are common on all landscapes.

Key-words: Pteridophytes, understory, habitat, habit


 

 

INTRODUÇÃO

Na Amazônia brasileira, há poucas informações sobre as Pteridófitas. Um dos primeiros estudos realizados com esse grupo (Lima, 1969) relata que ocorrem 105 espécies comuns entre as floras amazônica e extra-amazônica do Brasil e proximidades. Bautista (1974a, 1974b), no levantamento das espécies amazônicas de Selaginella, descreveu três novas espécies, uma delas de ocorrência no Estado do Amazonas. No Estado de Roraima, Silva et al. (2001) observaram a distribuição das Pteridófitas e registraram 11 gêneros e 15 espécies, dentre as quais uma nova referência para o gênero Grammitis.

Os estudos referentes à ocorrência de Pteridófitas no Estado do Amazonas se restringem a alguns trabalhos, como de Tryon & Conant (1975), que publicaram uma lista de 279 espécies coletadas em todos os estados que compõem a Região Norte do Brasil, citando para o Amazonas 195 espécies e 45 gêneros. Tryon et al. (1975) e Araujo (1976) estudaram o número cromossômico, habitat e distribuição de algumas espécies que ocorrem nas proximidades de Manaus. Castellanni & Freitas (1992) investigaram a ocorrência e distribuição do gênero Selaginella na Reserva Florestal Ducke e acrescentaram duas novas espécies para esta área. Lima Filho et al. (2002) verificaram que no estrato herbáceo de três hectares da floresta de terra firme, próxima ao Rio Urucu, a família Selaginellaceae é a que apresenta o maior número de indivíduos (3.935). Nee (1995) estudou a composição florística de alguns fragmentos preservados da mata de terra firme nas proximidades de Manaus e cita a ocorrência de 33 espécies distribuídas em 24 gêneros. Arévalo (1997) fez um trabalho mais específico e encontrou 17 gêneros, 24 espécies e quatro variedades em 2,2 ha do Campus da Universidade do Amazonas. Costa et al. (1999), ao investigarem as plantas vasculares da Reserva Ducke, identificaram 83 espécies de Pteridófitas, muitas das quais citadas pela primeira vez para a Amazônia Central.

Sabe-se que a concepção das famílias em Pteridófitas varia muito de um autor para outro. Nesse trabalho, adotamos Kramer (1990) e, em conseqüência, para evitar comparações inexatas, não citamos os números de famílias encontradas na literatura citada.

Na Reserva Florestal Walter Egler, localizada a 64 km de Manaus, é a primeira vez que se investiga a distribuição desse grupo de plantas, o que permitirá o acréscimo de conhecimentos sobre as Pteridófitas para a Amazônia Central.

 

ÁREA DE ESTUDO

O estudo foi conduzido na Reserva Florestal Walter Egler, localizada a 64 km de Manaus no município de Rio Preto da Eva, norte do Estado do Amazonas (latitude e longitude aproximadas: 02º 40' S e 59º 40' W). A Reserva abrange 709 ha de área preservada, caracterizada como uma floresta tropical úmida de terra firme, onde foram observados três ambientes dominantes: floresta de platô, floresta de vertente e floresta de baixio.

Nesta área está sendo desenvolvido o projeto "Recursos Vegetais da Reserva Florestal Walter Egler" e o presente trabalho representa parte do sub-projeto "Levantamento das espécies de sub-bosque da Reserva Florestal Walter Egler, Manaus, Amazonas, Brasil"

Entre as décadas de 60 e 70, antes da execução desse projeto, alguns pesquisadores visitaram essa área e coletaram algumas amostras que incluem plantas superiores e inferiores. Essas amostras estão depositadas no Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

 

MATERIAL E MÉTODOS

As amostras foram coletadas durante o ano de 2001 em três parcelas (100 x 10 m) correspondentes aos ambientes de platô, vertente e baixio, em uma toposseqüência de 1.000 metros de comprimento. De cada parcela, foram anotados e coletados os indivíduos encontrados em 10 subparcelas de 5 x 5 m, alternadamente.

As identificações taxonômicas foram feitas através de literatura especializada (Alston et al., 1981; Costa et al., 1999; Cremers, 1997; Cremers & Kramer, 1991; Cremers et al., 1993; Lellinger,1994; Smith, 1995; Tryon, 1960; Tryon & Tryon, 1982) e por comparação com espécies identificadas por especialistas. Como já foi citada, a concepção de famílias adotada aqui é a de Kramer (1990) e as abreviações de nomes de autores seguem o livro de Brummitt & Powell (1992).

Muitos indivíduos estavam jovens e, por isso, não foram possíveis as suas identificações ao nível específico. Isto foi comum nos gêneros Lindsaea, Selaginella e Adiantum, onde há algumas espécies cujas formas jovens são muito semelhantes e fáceis de ser confundidas. Também há exemplos como Polybotrya, Lomariopsis e Trichomanes, que não foram identificados por se encontrarem estéreis.

No caso da Selaginella, espécie com um rizoma subterrâneo importante, foram contados os caules saindo do solo.

O material estudado foi incorporado à coleção do herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O grupo ocorre nos três ambientes estudados (baixio, vertente e platô), com diferenças tanto qualitativas quanto quantitativas. Foram registrados 375 indivíduos, dos quais 23% (86 indivíduos) encontram-se no platô, 39% (145) na vertente e 38% (144) no baixio. O total de indivíduos está enquadrado em 8 famílias, 10 gêneros e 17 espécies (Tabela 1).

 

O hábito apresentado pelas espécies variou entre "árvores" - samambaia arborescente - (1), ervas (10), epífitas (3) e hemiepífitas (3). Os dois primeiros tipos formam o essencial dos indivíduos presentes (346), ou seja, 92,3% do total. Muitos representantes estavam jovens e por isso não foram possíveis as suas identificações. Isto foi comum nos gêneros Lindsaea, Selaginella e Adiantum, onde há algumas espécies cujas formas jovens são muito semelhantes e fáceis de ser confundidas. Também há exemplos como Polybotrya, Lomariopsis e Trichomanes, que não foram identificados por estar estéreis.

A única espécie de Cyatheaceae (Cyatheamicrodonta), com 21 indivíduos, parece ser exclusiva do ambiente de baixio, pois não foi encontrada em outro ambiente. Nee (1995) coletou-a no baixio. Esta espécie também foi coletada em local ocasionalmente inundado da Ilha de Maracá, Roraima (INPA 167.477). Todavia é possível a sua ocorrência em outros ambientes, uma vez que entre os 14 indivíduos observados no Campus da Universidade do Amazonas cinco ocorreram na vertente (Arévalo, 1997). Para a Reserva Ducke, Costa etal. (1999) registraram três espécies, todas ocorrendo no baixio.

As Dennstaedtiaceae estão representadas por duas espécies: Lindsaea lancea var. falcata, encontrada uma vez na vertente, mas que pode ocorrer também no baixio (INPA 49.353; Cremers & Kramer, 1991), no platô e na campinarana (Arévalo, 1997; Costa et al., 1999), e L.divaricata, outra espécie que ocorre nos três ambientes, sendo que neste estudo ela foi mais comum no platô (29 indivíduos, 16 na vertente e 4 no baixio. Tabela 1). Entretanto, de acordo com Arévalo (1997) ela predomina na vertente, enquanto Costa etal. (1999) relatam que ela ocorre no baixio. Há também uma outra espécie, ainda não identificada, fácil de ser confundida com a forma jovem da anterior (3 indivíduos na vertente e 5 no baixio).

Cyclodium meniscioides, "an extremely variable species" (Cremers et al., 1993) pertencente à família Dryopteridaceae (Kramer, 1990; Kramer et al., 1990), foi coletada apenas no baixio, com 4 indivíduos. Na Reserva Ducke, assim como no Campus da Universidade do Amazonas, ela também só foi coletada no baixio (Arévalo, 1997; Costa et al., 1999). Já um indivíduo identificado como Polybotrya cf. osmundacea,pertencente à mesma família, foi coletado na vertente, enquanto que na Reserva Ducke essa espécie foi coletada apenas no baixio (Costa et al., 1999). Esses autores chamam atenção sobre a semelhança de Polybotrya osmundacea com P. sessilisora R.C. Moran em estado vegetativo. Tryon & Conant (1975) mencionam ainda a ocorrência de P. caudata Kunze para o Amazonas. Triplophyllum dicksonioides foi à espécie mais encontrada (131 indivíduos) e bastante comum nos três ambientes, tendo, no entanto, preferência pelo baixio (Tabela 1). Esta mesma espécie, anteriormente aceita como Ctenitis protensa (Afzel.ex Sw.) Ching, também foi a mais comum entre as herbáceas registradas para a Reserva Ducke (Guillaumet, 1987). Costa et al. (1999) citam a ocorrência de Triplophyllumdicksonioides apenas no platô. Arévalo (1997) assim como Nee (1995) coletaram apenas T. funestum.

A família Hymenophyllaceae está representada por quatro espécies, sendo que a mais comum (100 indivíduos) foi Trichomanes pinnatum, uma erva com frondes translúcidas, encontrada nos três ambientes, porém em maior número na vertente, com 55 indivíduos (35 no platô e 10 no baixio. Tabela 1). Costa et al. (1999) relatam a sua ocorrência no baixio e "às vezes em platô". Trichomanes accedens, uma epífita, foi coletada apenas no baixio (um indivíduo. Tabela 1), em local sombreado. Supõe-se que seja uma espécie pouco comum nas proximidades de Manaus. Nee (1995) não menciona esta espécie, bem como Arévalo (1997) e Costa et al. (1999). Mas há registro de sua ocorrência em outros lugares do Estado (INPA 177, 13.182, 33.854, 62.034, 162.582). Em algumas dessas coletas foi observada a forma terrestre, o que está de acordo com Smith (1995), todas coletadas próximas a um igarapé. É ainda mencionada como terrestre e rupícola para as Guianas (Lellinger, 1994). A espécie Trichomanes cf. punctatum, epífita muito pequena, foi coletada no baixio, estéril, em lugar sombreado. Na Reserva Ducke, ela também foi coletada no baixio (Costa et al., 1999). Dois exemplares de Trichomanes ankersii, epífita, com frondes aderidas aos troncos de árvores, foram encontrados apenas na vertente, sendo possível, no entanto, sua ocorrência em outro ambiente, já que na Ducke ela foi coletada no baixio (Costa et al., 1999). Arévalo (1997) relata que essa espécie ocorre na campinarana, baixio e vertente, sendo mais comum na vertente. Nee (1995) também cita esta espécie, sem indicação do tipo de ambiente.

A família Lomariopsidaceae está representada por uma espécie, Lomariopsis cf. prieuriana, uma hemiepífita, coletada estéril. Esta espécie ocorre em todos os ambientes (4, 1 e 5 indivíduos. Tabela1), fixada aos troncos das árvores. Há por toda planta escamas marrons, caráter que também é citado por Costa et al. (1999) para a única espécie do gênero encontrada na Reserva Ducke, área bem próxima. No entanto, Tryon & Conant (1975) assim como Nee (1995) registraram uma outra espécie para esse gênero no Estado do Amazonas, Lomariopsis japurensis (Mart.) J. Sm.

O gênero Adiantum (Pteridaceae) também ocorre na Reserva Egler. A espécie A. cajennense foi coletada na vertente (1 indivíduo) e baixio (4 ind.) e A. terminatum apenas no baixio (1 ind.). Na Reserva Ducke, as duas espécies foram coletadas no platô (Costa et al., 1999). Nee (1995) coletou apenas A. terminatum. Arévalo (1997) não cita nenhuma das duas espécies e sim A. tetraphyllum Willd. e A. tomentosum Klotzsch. Lima Filho et al. (2002) mencionam a ocorrência desse gênero com uma espécie não identificada. No baixio estudado, foram encontrados 8 indivíduos jovens (Adiantum sp), os quais não foram identificados ao nível de espécie.

A família Selaginellaceae, apesar de ocorrer em um número elevado de indivíduos, só está representada por uma espécie, Selaginella parkeri, uma erva ereta, com frondes ramificadas, freqüente na vertente (22 ind.) e pouco no platô (4 ind.) e baixio (3 ind.). A mesma espécie não aparece no levantamento realizado por Arévalo (1997), e Costa et al. (1999) só citam sua ocorrência para o baixio.

As Vittariaceae estão representadas por 3 indivíduos de Hecistopteris pumila, uma epífita muito pequena (ca. 10 cm), com diminuto rizoma fixado ao tronco de árvores do baixio, em lugares sombreados. Na Reserva Ducke, ela também foi coletada no baixio (Costa et al., 1999), já no Campus da Universidade do Amazonas ela ocorre na vertente (Arévalo, 1997). Nee (1995) não cita essa espécie.

Na toposseqüencia estudada, o platô distingue-se por uma pobreza relativa de espécies, cinco, todas herbáceas, de ampla distribuição; na vertente, foram encontradas 10 espécies e no baixio 14 (Tabela 2). Cinco espécies, com um total de 10 ou mais indivíduos (Figura 1), ocorrem nas três posições da toposseqüência (Lindsaea divaricata, Trichomanes pinnatum, Lomariopsis cf. prieuriana, Selaginellaparkeri e Triplophyllumdicksonioides), mas a comparação do número de indivíduos é significativa: Triplophyllumdicksonioides parece ter uma preferência nítida pelas condições do baixio, ao contrário de Lindsaea divaricata representada nesse ambiente por 4 exemplares, 16 na vertente e, melhor, 29 no platô. Trichomanes pinnatum é mais abundante na vertente (55 ind.) que no platô (35) e, sobretudo, no baixio (10 ind.). Essa espécie aproveita os afloramentos de terra argilosa, mais freqüentes nos dois primeiros ambientes do que no terceiro, onde se verifica uma acumulação de matéria orgânica. Apenas duas espécies herbáceas ocorrem tanto na vertente quanto no baixio (Lindsaea sp. e Adiantumcajennense). Três outras foram encontradas apenas na vertente (Trichomanes ankersii, Polybotrya cf. osmundacea e Lindsaea lancea var. falcata), enquanto Cyathea microdonta, Cyclodium meniscioides, Trichomanesaccedens, Trichomanes cf. punctatum, Adiantum terminatum, Adiantum sp. e Hecistopterispumila, ou seja, sete espécies, ocorreram exclusivamente no baixio. Se a hemiepífita, Lomariopsis cf. prieuriana, foi observada nos três ambientes, a maioria dos outros representantes desse hábito, como as epífitas, tem preferência pelo baixio, ambiente caracterizado por uma umidade quase permanente, edáfica e atmosférica.

 

 

Considerando o número de indivíduos dos ambientes vertente e baixio, com respectivamente 145 e 144 indivíduos (39 e 38% do total), percebe-se que são bem mais ricos que o platô com somente 86 (23%). Em resumo, é o baixio o ambiente mais diversificado, com 14 espécies e o mais original com 7 espécies exclusivas e uma que parece ser preferencial.

Na toposseqüencia toda, a espécie com maior número de indivíduos é Triplophyllum dicksonioides (35%), vindo em seguida Trichomanes pinnatum (27%), Lindsaea divaricata (13%) e Selaginella parkeri representada por 8% do total de indivíduos (Tabela 1).

Dentre os espécimes depositados no herbário do INPA, coletados na Reserva Egler entre as décadas de 60 e 70, embora pouco representativos (18 amostras), há registro para a família Gramitidaceae com a espécie Cochlidium serrulatum (Sw) L. E. Bishop, uma pequena epífita, coletada em 17/12/1968 (INPA 25.878) e Microgramma megalophylla (Desv) Sota (Polypodiaceae), também epífita coletada em 19/2/1968 (INPA 20.921). Para a família Hymenophyllaceae, pode ser acrescentada a ocorrência de Trichomanes elegans L.C. Rich., planta terrestre, coletada em 15/4/1971 (INPA 28.537) e uma epífita, Hymenophyllum polyanthos (Sw.) Sw. (INPA 25852). Para a familia Selaginellaceae, há também uma amostra, Selaginella palmiformis Alston ex Crabbe & Jermy, uma espécie terrestre, coletada em 13/01/1977 (INPA 62.978). Ambas já coletadas em outros lugares da Amazônia Central, mas que não foram encontradas no atual levantamento. Não há informações sobre o tipo de ambiente em que foram coletadas estas espécies, com exceção de Trichomanes elegans, já que na ficha da planta está anotada sua ocorrência no baixio, contudo, é possível que esta espécie também seja encontrada na vertente (Costa et al., 1999). Quanto a Selaginella palmiformis, ela também foi coletada na Reserva Ducke por Costa et al. (1999), que não citam o tipo de ambiente.

 

CONCLUSÃO

Os resultados desse estudo não podem ser considerados como representativos da flora pteridológica dos 709 hectares da Reserva Walter Egler, apesar de concordarem com os padrões conhecidos de distribuição ecológica. Sugerindo-se fazer levantamentos de outras toposseqüências e ambientes existentes para evidenciar a ecologia das espécies e comparar com outras situações fora da Reserva.

 

AGRADECIMENTOS

Aos Senhores, Jonas Ramos Pereira, José Guedes e José Lima pela valiosa colaboração durante a execução do trabalho de campo. Ao M.Sc. Francisco Plácido pelas importantes sugestões feitas no manuscrito.

 

BIBLIOGRAFIA CITADA

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Recebido: 13/05/2002
Aceito: 14/07/2003

 

 

1 Parte do sub-projeto "Levantamento das espécies de sub-bosque da Reserva Florestal Walter Egler, Manaus, Amazonas, Brasil"

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