SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.37 issue3Pierid butterflies (Lepidoptera: Pieridae) of the Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, INPA author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967On-line version ISSN 1809-4392

Acta Amaz. vol.37 no.3 Manaus  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672007000300021 

NOTAS E COMUNICAÇÕES

 

Espécie nova de Euphyllodromia Shelford, 1908 do estado de Rondônia, Brasil e nova ocorrência de E. jugata Rehn, 1928 (Blattaria, Blattellidae)

 

New species of Euphyllodromia Shelford, 1908 from Rondônia State, Brazil and new occurrence for E. jugata Rehn, 1928 (Blattaria, Blattellidae)

 

 

Sonia Maria LopesI; Edivar Heeren de OliveiraI; Maria Carmosina de AraújoII

IDepartamento de Entomologia, Museu Nacional, UFRJ, Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, RJ, Brasil, CEP 20940-04. e-mail: sonialf@acd.ufrj.br
IIInstituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM, Brasil CEP 69011-970. e-mail: carmo@inpa.gov.br

 

 


RESUMO

Euphyllodromiarondonensis sp. nov. é descrita do Estado de Rondônia, Brasil, com base na genitália do macho. É assinalada uma nova ocorrência para E. jugata Rehn, 1928, coletada em ninho de vespas no estado do Acre.

Palavras-chave: Blattaria, E. rondonensis sp. nov., E. jugata, Rondônia, Taxonomia


ABSTRACT

Euphyllodromiarondonensis, sp. nov. is described from the Rondônia State, Brazil, based on the male genitalia. It's assinalated the new occurrence for E. jugata Rehn, 1928 from Acre State collected in wasps nest.

Keywords: Blattaria, E. rondonensis sp. nov, E. jugata, Rondônia, Taxonomy.


 

 

INTRODUÇÃO

Euphyllodromia foi proposto por Shelford (1908) na categoria de subgênero de Pseudophyllodromia Brunner, 1865, com base na configuração das veias das tégminas. Hebard (1920) elevou-o à categoria genérica designando Euphyllodromiaangustata (Latreille, 1807) para espécie-tipo.

Os espécimes de Euphyllodromia possuem tamanho pequeno; intensa pigmentação; pernas com a face ântero-ventral do fêmur anterior com espinhos fortes e robustos na metade basal, seguidos de uma série de espinhos menores e esclerotinizados, terminando com três espinhos fortes e desenvolvidos; pulvilos somente no quarto tarsômero; arólios e unhas simples (Rocha e Silva, 1984).

Estão registradas para o gênero 29 espécies distribuídas do sudeste dos Estados Unidos até a região norte do Brasil.

Para a observação das peças genitais foram utilizadas técnicas para dissecação, descritas em Lopes & Oliveira (2000). A designação das peças genitais e a classificação taxonômica seguiram Mckittrick (1964).

 

Euphyllodromiarondonensis, sp. nov.

(Figuras 1-8, 17)

 

 

 

 

 

 

Coloração geral castanho-brilhosa. Pronoto com detalhes castanho-escuros no disco central. Cabeça castanha, clareando em direção ao clípeo. Olhos escuros com entorno delineado amarelo-claro. Antenas escuras com a base clara e leitosa. Palpos com região ventral levemente mais escura. Tégminas e asas com as veias e micropontos castanho-escuros espalhados por toda a superfície. Pernas castanho-claras com o dorso dos fêmures, base e ápice dos espinhos das tíbias, ápice dos tarsos, das unhas e base dos arólios, castanhos mais escuros.

Dimensões (mm). Holótipo ♂. Comprimento total 13,0; comprimento do pronoto 3,0; largura do pronoto 4,0; comprimento da tégmina 11,5; largura da tégmina 3,0.

Cabeça triangular, alongada e relativamente grande. Vértice totalmente exposto. Espaço interocular amplo, medindo cerca de três quartos da área que separa as bases das inserções antenais. Antenas longas, atingindo em comprimento a extremidade do abdome. Palpos maxilares com primeiro e segundo segmentos pequenos, terceiro segmento do tamanho do espaço interocular; quarto segmento do tamanho da área que separa as bases das inserções antenais, quinto segmento, dilatado e bastante tomentoso, menor em comprimento que o terceiro segmento. Tórax com pronoto curto e alargado, transverso, com entorno da base e do ápice sinuoso, abas laterais amplas com entorno lateral circular. Pernas longas e afiladas. Fêmur anterior com seis espinhos de tamanho médio a grande, da base até a região mediana, na face ântero-ventral, seguidos por uma série de doze espinhos pequenos até próximo ao ápice e três espinhos distribuídos apicalmente (tipo B); face póstero-ventral com seis espinhos médios, sendo um deles apical. Tíbias espinhosas. Tarsos com artículo basal ultrapassando em tamanho a soma dos demais artículos. Pulvilos somente no quarto tarsômero da perna posterior que demonstra pequena projeção esclerotinizada. Unhas simétricas e sem especialização aparente. Arólio pouco desenvolvido. Tégminas longas ultrapassando o ápice dos cercos. Campo marginal levemente côncavo curto e bem marcado; campo escapular convexo; campo discoidal com veias longitudinais, apresentando numerosas veias transversais, formando uma espécie de retículo; campo anal amplo com cinco a seis veias axilares. Asas bem desenvolvidas, ramificações da veia radial bastante dilatadas apicalmente. Abdome com modificação tergal no sétimo segmento concentrada medianamente na forma de fileiras de cerdas simétricas (Figura 1). Placa supra-anal levemente projetada medianamente (Figura 2). Cercos ciliados. Placa subgenital oblonga com projeções laterais arredondadas, ápice com projeção mediana aguda apresentando cílios em uma das laterais. Estilos piriformes levemente assimétricos (Figura 3). Esclerito mediano afilado, com diminutos espinhos terminando em uma projeção acuminada nas extremidades (Figuras 6 e 7). Escleritos afilados com projeções estrelares (Figura 5 e 8); falômero esquerdo com duas projeções assimétricas, sendo uma delas menor e arredondada e a outra disforme e ciliada, internamente esclerotinizada (Figura 4).

Material examinado: Holótipo ♂. BRASIL: Rondônia, Porto Velho, BR-364, km 20-30, 24/X/1980 (MNRJ).

Diagnose: Espécie similar à E. amazonensis Rocha e Silva, 1984 na coloração do pronoto, dela diferindo pela configuração das placas genitais.

Etimologia: O nome da espécie é alusivo ao Estado onde o exemplar foi coletado.

 

Euphyllodromiajugata Rehn, 1928

(Figuras 9-16, 18)

 

 

Euphyllodromiajugata Rehn, 1928: 143, pl. XVIII, fig. 6; Rocha e Silva 1984: 76.

Holótipo ♂ - BOLÍVIA, Província Sara (Coleção Hebard, tipo nº 1.124 na Academy of Natural Sciences of Philadelphia.

Distribuição: Bolívia, Brasil (Acre, Amazonas, Rondônia).

Abdome (♂). Modificação tergal no sétimo segmento, ressaltada pela presença de um grupo de cerdas longas na região mediana do mesmo (Figura 9). Placa supra-anal curta, ciliada, e levemente prolongada entre os cercos, os quais são robustos e alongados (Figura 11). Placa subgenital assimétrica afunilando para o ápice, com uma região distinta com espinhos entre os estilos. Estilos lamelares e ciliados (Figura 10). Falômero esquerdo em forma de Y invertido com projeções assimétricas, sendo uma delas muito prolongada; estrutura mediana arqueada e esclerotinizada (Figura 12). Falômero direito em gancho (Figura 14). Escleritos do falômero direito diferenciados (Figuras 13 e 16). Esclerito mediano em forma de estilete, muito afilado e sinuoso com projeções ciliares látero-apicais (Figura 15).

Material examinado: BRASIL, Acre, Senador Guiomard, Reserva Catuaba, 10º04'S 67º36'W, Elder F. Morato col. (ninho 506/2), 2/X/2001 (♂); Amazonas, Manaus, Reserva Ducke, Oliveira col., XI/1966 (♀); Amazonas: Tiguda, José Cândido de Melo Carvalho col., VI/1949 (♀); Rondônia, Porto Velho, Rio Guaporé, M. Alvarenga col., XII/1954 (2 ♂) (MNRJ).

Bionomia. E.jugata foi coletada em ninho de vespas família Sphecidae, do gênero Podium Fabricius, 1804. São utilizadas como recurso alimentar para as larvas.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPERJ); à Dra. Janira Martins Costa, professora do Museu Nacional, pelo apoio técnico; ao Dr. Elder Ferreira Morato (UFMG), pela coleta do material enviado para identificação.

 

BIBLIOGRAFIA CITADA

Hebard, M. 1920. The Blattidae of Panama. Memoirs of the American Entomological Society, 4: 1-148.        [ Links ]

Lopes, S.M; Oliveira, E.H. 2000. Espécie Nova de Eublaberus Hebard, 1919 do Estado de Goiás, Brasil e notas sobre E. marajoara Rocha e Silva-Albuquerque, 1972 (Blaberidae, Blaberinae). Boletim do Museu Nacional, 433: 1-5.        [ Links ]

Mckittrick, F.A. 1964. Evolutionary studies of cockroaches. Cornel University Agricultural Experiment Station Memoir, 389: 1-197.        [ Links ]

Rehn, J.A.G. 1928. New or little known Neotropical Blattidae (Orthoptera). Number one. Transactions American Entomological Society Philadelphia, 54: 125-194.        [ Links ]

Rocha e Silva, I. 1984. Revisão do gênero Euphyllodromia Shelford, 1908 (Blattellidae: Blattodea: Dictyoptera). Revista Brasileira de Entomologia, 28(1): 65-85.        [ Links ]

Shelford, R. 1908. Orthoptera. Fam. Blattidae. Subfam. Phyllodromiinae. Genera Insectorum, 73: 1-29.        [ Links ]

 

 

Recebido em 07/12/2006
Aceito em 23/03/2007

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License