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Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967On-line version ISSN 1809-4392

Acta Amaz. vol.37 no.4 Manaus  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672007000400001 

Adubação orgânica e mineral para a produção de palmito da pupunheira na Amazônia Central

 

Mineral and organic fertilization of peach palm for heart-of-palm production in Central Amazonia

 

 

Wanders B. Chávez FloresI; Kaoru YuyamaII

IBolsista PCI/INPA, Av. André Araújo 2936 - Aleixo, Manaus. AM. e-mail:wancha@ig.com.br
IIInstituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Coordenação de Pesquisas em Ciências Agronômicas, INPA/CPCA. Av. André Araújo 2936, Aleixo. Manaus, AM. e-mail: kyuyama@inpa.gov.br

 

 


RESUMO

Avaliou-se a produção de palmito do estipe principal e do primeiro perfilho da pupunheira (Bactris gasipaes Kunth), utilizando diferentes fontes e formas de adubação (orgânica e mineral) num LATOSSOLO AMARELO na Amazônia Central. O delineamento experimental foi blocos casualizados com três repetições, utilizando esquema fatorial 2 x 7, sendo os fatores: plantas com e sem espinhos no estipe oriundas de Yurimaguas, Peru; e diferentes formas de adubação (testemunha sem adubo; esterco de galinha de postura em cova (25 t ha-1); adubo mineral em cova (225-90-180 kg.ha-1 de N-P2O5-K2O); esterco de galinha de postura em cobertura (25 t ha-1); adubo mineral em cobertura (225-90-180 kg.ha-1); esterco de galinha de postura na cova (12,5 t ha-1) + adubo mineral em cobertura (112,5-45-90 kg.ha-1) e adubo mineral parcelado em 3 vezes (na cova 75 kg ha-1 de N, 90 kg ha-1 de P2O5 e 60 kg.ha-1 de K2O + 2 aplicações iguais de 75 kg.ha-1 de N e 60 kg.ha-1 de K2O), todas as formas de adubação foram repetidas no 2º e 3º ano em cobertura. A aplicação de fertilizantes orgânico e mineral elevou o pH e a concentração de nutrientes disponíveis no solo. A produção de palmito no primeiro perfilho com espinhos (1407 kg.ha-1) foi maior que nas plantas sem espinhos (1037 kg.ha-1). A produção de palmito liquido foi maior nos tratamentos com esterco em cobertura (estipe principal 1551kg.ha-1 e perfilhos 3004kg.ha-1) e "esterco 50% na cova + adubo mineral em cobertura 50%" (planta principal 1545 kg ha-1 e perfilhos 2986 kg ha-1). A testemunha não atingiu altura de corte até aos 40 meses após o plantio.

Palavras-chave: Bactris gasipaes, estipe, perfilho, fertilização, produção de palmito.


ABSTRACT

The production of heart-of-palm of peach palm (Bactris gasipaes Kunth), both main shoot and first offshoot, was evaluated using different sources (organic and inorganic) and schedules of fertilization on an OXISOL in Central Amazonia. The experimental design was randomized blocks, with three repetitions, with a 2 x 7 factorial, with types of plant (spineless and spiny, Yurimaguas, Peru germplasm) and different forms of fertilization (control without fertilizer; manure in the planting pit (25 t/ha); mineral fertilizer in the planting pit (225-90-180 kg.ha-1 N-P2O5-K2O); manure spread one month after planting (25 t..ha-1); mineral fertilizer spread one month after planting (225-90-180 kg.ha-1); manure in the pit (12,5 t.ha-1) + mineral fertilizer spread after planting (112,5-45-90 kg.ha-1); and mineral fertilizer divided in three applications (in the planting pit 75 kg.ha-1 N, 90 kg.ha-1 P2O5, 60 kg.ha-1 K2O + two applications de 75 kg ha-1 N, 60 kg.ha-1 K2O), each repeated in the 2º and 3º years by broadcasting). The application of both organic and mineral fertilizers increased pH and available soil nutrient concentrations. The production of heart-of-palm of the main shoot and the first offshoot for spineless (1407 kg.ha-1) and spiny (1037 kg.ha-1) was similar for the main shoot and different for the offshoot. The treatments with manure (main plant 1551 kg ha-1 and off-shoots 3004 kg ha-1), and manure in the pit + mineral fertilizer spread (main stem 1545 kg.ha-1 and off-shoots 2986 kg.ha-1) were most productive. After 40 months the control did not produce heart-of-palm.

Keywords: Bactris gasipaes, Main shoot, Offshoot, Fertilization, Heart-of-palm yield.


 

 

INTRODUÇÃO

A produção de palmito de pupunheira (Bactris gasipaes Kunth) está-se convertendo em um cultivo de grande importância, não só para Amazônia, mas também para outras regiões do país, onde pode ser cultivada de maneira sustentável (Vargas, 2000). Destaca-se pela sua capacidade de adaptação, precocidade e regeneração dos perfilhos, e torna-a como uma alternativa viável para os produtores de palmito, sem sacrificar os estoques nativos de outras palmeiras.

Um dos principais problemas na região Amazônica é a baixa fertilidade dos solos para o desenvolvimento agrícola (Alfaia & Oliveira, 1997). Segundo Molina (1999, 2000) os melhores solos para plantar pupunheira são aqueles profundos, ligeiramente argilosos, com topografia plana ou ligeiramente ondulada e com nível de fertilidade de média a alta.

Estudos sobre adubação mineral e orgânica para produção de palmito em pupunheira foram realizados em outros países: Herrera (1989) estudou níveis de adubação para produção de palmito na zona Atlântica de Costa Rica e Bogantes (1999) realizou prova de comparação entre esterco de galinha e fertilização mineral também em Costa Rica. No Brasil, em adubação mineral destacam-se os estudos realizados por Gomes et al. (1987) sobre efeitos de níveis de adubação e espaçamento, em Ouro Preto D'Oeste, RO, Cantarella & Bovi (1995), sobre extração e reciclagem de nutrientes em Ubatuba, SP e Bovi et al. (2004) doses de calcáreo, na localidade de Pariquera-Açu, SP. Adubação orgânica em pupunheira para produção de palmito foi pouco estudada destacando-se os trabalhos de Yuyama et al. (2001; 2002) que constataram que a adição de 2,5 kg de esterco de galinha/cova proporcionou o mesmo crescimento ou crescimento superior às plantas quando comparadas a tratamentos com adubação mineral num LATOSSOLO AMARELO e Nascimento et al. (2005) avalio o efeito do esterco de bovino em presença e ausência de NPK para produção de palmito em pupunheira em um NEOSSOLO RIGOLITO na localidade de Areia, Paraíba.

Para explorar a pupunheira como cultivo produtor de palmito em solos de nossa região que tem baixa fertilidade, o principal enfoque deve ser dado ao fornecimento de nutrientes e estudos das respostas do crescimento da planta, tanto do estipe principal como dos perfilhos, para o desenvolvimento desta cultura.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de palmito em plantas de pupunheira com e sem espinhos no estipe principal e primeiro perfilho submetida a diferentes fontes de adubo (orgânica e mineral) e formas de adubação na região da Amazônica Central.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi instalado na Escola Agrotécnica Federal de Manaus (EAFM) em Manaus, Amazonas, em fevereiro de 1999. As sementes foram da raça Pampa Hermosa, oriundas de Yurimaguas, Peru. O clima é do tipo "Af" no sistema de Köppen, com estiagem nos meses de julho a outubro, temperatura média anual de 28 ºC, precipitação média anual de 2.350 mm e umidade relativa do ar de 80% (Ribeiro, 1976). O solo é um LATOSSOLO AMARELO Distrófico típico (Tabela 1)

 

 

O delineamento experimental utilizado foi blocos casualizados com três repetições, e os tratamentos foram dispostos em esquema fatorial 2 x 7. Os fatores foram: tipo de planta (com espinhos e sem espinhos no estipe); e formas de adubação 1) testemunha (sem adubo); 2) esterco de galinha poedeira na cova (25 t.ha-1); 3) adubo mineral na cova 225 kg.ha-1 de N, 90 kg.ha-1 de P2O5, 180 kg.ha-1 de K2O; 4) esterco de galinha em cobertura um mês depois do plantio (25 t.ha-1); 5) adubo mineral em cobertura um mês após do plantio, 225 kg.ha-1 de N, 90 kg.ha-1 de P2O5, 180 kg.ha-1 de K2O; 6) esterco de galinha 50% na cova (12,5 t.ha-1) + Adubo mineral 50% (112,5 kg de N, 45 kg de P2O5 e 90 kg.ha-1 de K2O) em cobertura um mês depois do plantio; 7) adubo mineral parcelado em 3 aplicações c/ três meses de intervalo (na cova 75 kg de N, 90 kg de P2O5 e 60 kg.ha-1 de K2O + 2 aplicações iguais de 75 kg.ha-1 de N e 60 kg.ha-1 de K2O). As doses dos tratamentos foram repetidas no 2º e 3º anos, sendo aplicadas em cobertura. A adubação 225 Kg de N, 90 Kg de P2O5, 180 kg de K2O ha-1 foi baseada no trabalho de Yuyama et al. (2005). A parcela experimental foi formada de quatro linhas de nove plantas, com espaçamento de 2 x 1 m (Mora Urpi, 1984). A parcela útil duas linhas centrais com cinco plantas, deixando-se como bordadura, duas plantas em cada extremidade.

O ensaio foi instalado numa área de capoeira baixa (mais de 10 anos sem uso), plantada anteriormente com cultivos anuais. O preparo da área foi feito com trator. As covas foram abertas com uma perfuratriz, de 20 cm de diâmetro a 40 cm de profundidade. Após a análise do solo, efetuo-se a correção da acidez, utilizando-se calcáreo dolomítico (2,5 t.ha-1) de acordo com Molina (2000), exceto para a testemunha.

Para as avaliações do solo após de cada fertilização no ensaio, coletaram-se amostras nas parcelas nos anos de 1999 e 2001, na profundidade de 0-20 cm (EMBRAPA, 1999). As variáveis analisadas foram: pH (H2O), K, Ca, Mg, acidez trocável (Al) e P disponível (Raij, 1991). A amostragem para a análise foliar foi de acordo com Falcão et al. (1997) feita aos 18 meses de idade, na planta principal e aos 27 meses, no primeiro perfilho. Foram determinados os teores de macro (N, P, K, Ca, Mg e S) e micronutrientes (Cu, Fe, Mn, Zn e B) (EMBRAPA, 1999).

A colheita dos palmitos iniciou-se aos 18 meses após o plantio no campo, da planta principal (15/08/2000 a 15/07/2001) e, dos perfilhos (20/05/2001 a 20/04/2002), em ambos os casos o tempo estabelecido foi de 12 meses. O corte do palmito foi baseado na altura da planta de > 1,50 m (Clement & Bovi, 2000) ou no aparecimento dos primeiros nós na base do estipe (Yuyama et al., 2005). As avaliações foram: número de palmitos coletados (Mora Urpi, 1999); tempo médio (meses) da produção de palmito; produção do palmito (palmito líquido, estipe tenro e ponta).

Os dados foram analisados utilizando a análise de variância e teste de Tukey para comparação de médias (Gomes, 1987), a 5% de probabilidade. Efetuou-se análise de correlação entre a produção de palmito (planta principal e primeiro perfilho) e nutrientes encontradas na análise do solo e folhas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em geral, houve um ligeiro aumento do pH e os teores de nutrientes no solo, devido efeito da adubação e calagem em relação à análise de 1999 (Tabela 1) para os analises de 2000 e 2001 (Tabela 2). Não apresentando diferenças significativas entre tipo de plantas.

Em relação às formas de adubação durante este período o pH nos tratamentos que receberam esterco (2, 4 e 6) apresentaram maiores valores, seguidas de tratamentos que receberam adubação mineral (3, 5 e 7), e não houve variação na testemunha. Segundo Bovi (1998), os plantios de pupunheira para produção de palmito no país, todos estão instalados em solos com pH menor de 4,5. Apesar da melhoria do pH nos tratamentos no ensaio, estes valores não chegaram atingir aos valores de 5,5 e 6,5, considerados por Molina (2000) e Malavolta (1992) o pH ótimo para assimilação de nutrientes.

Os teores de P, K, Ca e Mg no solo encontram-se maiores nos tratamentos com adubações orgânicas, seguidas de mineral e testemunha, tanto no ano de 2000 como no ano de 2001. O teor de Al+++ apresentou-se acima do nível de toxicidade em 2000 em todos os tratamentos, porém nos tratamentos com esterco houve diminuição no teor de Al+++, principalmente no ano de 2001, no qual o tratamento esterco na cova chegou abaixo do nível crítico (Tabela 2). Estes resultados demonstram a importância do esterco na redução do teor de Al+++ no solo, certamente devido aos nutrientes (Ca e Mg) contidos na matéria orgânica (Santos & Camargo, 1999). Nos tratamentos com esterco, a disponibilidade de P aumentou significativamente em relação aos outros tratamentos, principalmente nos aplicados em cobertura, provavelmente, seja devido á forma superficial e época de aplicação e, por ser pouco móvel no solo (Tabela 2). O teor de K no solo teve comportamento semelhante do P, não apresentou diferenças entre os tratamentos, com exceção de esterco em cobertura em 2000 e 2001 e a testemunha em 2001. Os teores de Ca e Mg trocáveis no solo apresentaram comportamentos semelhantes à do P e do K, com maior quantidade nos tratamentos com esterco nos dois anos (Tabela 2).

A análise de macronutrientes nas folhas nos mostra que no ano 2000 e 2001 (Tabela 3a) as plantas com espinhos acumularam maior quantidade de N e Ca no estipe principal, no ano de 2000, porém no perfilho não apresentou diferença, no ano de 2001. Observando as Tabelas elaboradas pelos La Torraca et al. (1984) e Raij & Cantarella (1996), o teor de N na testemunha e adubo mineral parcelada foi baixo no estipe principal e perfilhos, e nos demais tratamentos foi suficiente no estipe principal e tendem a diminuir no perfilhos, chegando a alguns tratamentos com nível baixo (Tratamento 6 e 7), provavelmente, devido à partição de nutrientes entre os perfilhos e, que foi constatada por Clement & Bovi (1999) (Tabela 3a). Os teores de K, Ca e S foram suficientes. O teor de Mg nos tratamentos seguintes testemunha, adubação mineral na cova e adubo mineral parcelado mostraram-se baixo, apesar de apresentarem sintoma de deficiência no campo em todos os tratamentos obedecem à relação Ca:Mg (4:1) (Malavolta et al., 2000).

Quanto à micronutrientes o teor de Fe e Zn foi suficiente e adequado conforme a tabela do La Torraca et al. (1984) e Raij & Cantarella (1996). Em relação ao Mn, todos os tratamentos apresentaram teores abaixo dos níveis estabelecidos por Molina (2000) na Costa Rica e adequados pelo Raij & Cantarella (1996) em São Paulo para a pupunheira. O Cu foi baixo em tratamentos com adubo mineral em cobertura e adubo mineral parcelado (Tabela 3b).

A colheita de palmito do estipe da planta principal no ensaio iniciou-se aos 18 meses de crescimento, como observado por Mora Urpi (1984, 1989) e, do primeiro perfilho aos 27 meses após plantio (Tabela 4). Na Costa Rica a colheita de palmito da pupunheira se inicia com 1 ou 11/2 ano após o plantio e continuam até 20 anos ou mais (Ares et al., 2002), em San Carlos, Equador, Chalá, (1993) iniciou a colheita do estipe da planta principal com 12 meses e a dos perfilhos a partir dos 20 meses após plantio e no Hawai, Clement, (1995) iniciou em média aos 24 meses do estipe principal e aos 36 meses dos perfilhos; no Brasil, em outras regiões a colheita do estipe principal é feita entre os 14 e 36 meses após do plantio pelas informações a idade do início da colheita da pupunheira para palmito depende da época de plantio, clima (temperatura e precipitação), fertilidade do solo e de outros fatores (Bovi, 1999).

As quantidades de estipes coletados na planta principal, não houve diferença no tipo de plantas com e sem espinhos, a produção foi de 3857 e 3525 estipes, respectivamente. Nos perfilhos teve diferenças sendo maior o número nas plantas com espinhos (7119 estipes) e nas sem espinhos (5143 estipes). O tempo médio (meses) da colheita dos estipes foi mais precoce na planta principal com espinhos (23,1 meses) do que com as sem espinhos (24,2 meses) e nos perfilhos não apresentaram diferenças entre as plantas com espinhos e as sem espinhos (16 e 17 meses).

Em relação às formas de adubação o número de estipes coletados da planta principal não apresentou diferenças entre aos tratamentos que receberam adubação, mas houve diferenças com a testemunha que não atingiu altura de corte durante os 24 meses de corte dos estipes. O tempo médio de coleta dos estipes nas formas de adubação na planta principal não apresentou diferenças entre os tratamentos, mas os tratamentos 2 e 6 foram os mais precoces (22 meses) e na testemunha não foi coletado nenhum no período de 30 meses de colheita de palmito (planta principal e primeiro perfilho); no primeiro perfilho apresentaram diferenças entre os tratamentos, mas os tratamentos 2 e 6 apresentaram menor tempo de coleta (Tabela 4). Isto mostra a influencia do uso do adubo orgânico que Yuyama et al. (1997) e Nascimento et al. (2005) confirma da eficiência no uso do adubo orgânico em pupunheira para a produção de palmito.

Em relação ao peso do palmito líquido e estipe tenro do palmito segue semelhante a número de estipes coletados. Não houve diferença estatística na planta principal com e sem espinhos, bem como entre os tratamentos com adubação, com exceção da testemunha. Enquanto nos perfilhos as produções de palmito foram maiores na adubação orgânica em cobertura e ½ adubação orgânica + ½ adubação mineral (ao redor de 3t/ha/ano), seguida de adubação orgânica em cova (2276 e 2354 Kg/ha/ano) e adubação mineral parcelada (1251 e 1463 Kg/ha/ano, Tabela 4).

O peso de ponta que pode ser descartado pela indústria de palmito devido à dificuldade de padronização do produto e sua aparência para comercialização. Porém pode ser utilizado em outras formas de processos de industrialização como picadinhos e desidratadas para ingrediente de sopa. A produção da ponta também seguiu semelhante a outros três parâmetros acima, pois a produção de palmito foi maior na adubação orgânica em cobertura e ½ adubação orgânica + ½ adubação mineral e adubação orgânica em cova, com a produção de 1605, 1457 e 1278 Kg/ha/ano (Tabela 4).

Houve uma correlação entre peso do palmito líquido da planta principal com teor de N, P, K positiva e negativa com Ca das folhas, significativa ao nível de 0,01 de probabilidade. Entre a análise do solo e peso liquido do palmito, houve correlação positiva com Ca e Mg e negativa com Al, significativamente (Tabela 5).

 A análise de correlação de perfilhos entre peso de palmito líquido com teor de N positiva significativa ao nível de 0,01 de probabilidade. Entre a análise do solo e peso liquido do palmito, houve correlação positiva com N, P, K, Ca e Mg e negativa com Al, significativamente ao nível de 0,01 de probabilidade (Tabela 5). O fato de não haver uma correlação significativa entre nutrientes do solo com palmito no primeiro ano (estipe principal) e correlação significativa no segundo ano (perfilhos) e devido a nutrientes no primeiro ano, encontra se dentro da planta e com a extração do palmito estes nutrientes foram distribuídos mais uniformemente, bem como o desenvolvimento da raiz, o contato e absorção foram melhores no segundo ano, e para as plantas nutrientes mais importantes foi o N nas folhas. Portanto, a partir do segundo ano o N pode ser o nutriente mais exigido para produção de palmito.

Comparando os teores de nutrientes aplicadas nos tratamentos com esterco observa-se que foi maior do que de adubação mineral em todos os nutrientes (Tabela 1) conforme observa na análise do solo e da folhas (Tabela 2, 3 e 3b), por conseqüência maior número de estipes colhidos e maior produção de palmito (Tabela 4).

 

CONCLUSÕES

Os tratamentos com esterco em cobertura e ½ adubação orgânica + ½ adubação mineral proporcionaram o maior rendimento de palmito (palmito, estipe tenro e ponta). A planta com espinhos teve maior produção de palmito em perfilhos. A testemunha (sem adubação) não atingiu a altura suficiente para o corte nestes 40 meses após o plantio.

 

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Recebido em 06/06/2005
Aceito em 14/09/2007

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