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Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967

Acta Amaz. vol.41 no.3 Manaus  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672011000300004 

ECOLOGIA VEGETAL

 

Relação entre diferentes espécies de formigas e a mirmecófita Cordia nodosa Lamarck (Boraginaceae) em áreas de mata ripária na Amazônia mato-grossense

 

Relationship among different plant-ants and its myrmecophite host Cordia nodosa Lamarck (Boraginaceae) in a riparian Mato Grosso Amazonian forest

 

 

Thiago Junqueira IzzoI; Adarilda Peneti-BenelliII

IUniversidade Federal de Mato Grosso, E-mail: izzothiago@gmail.com
IIUFMT, E-mail: ada.benelli@gmail.com

 

 


RESUMO

Os benefícios obtidos por um organismo em uma associação mutualística podem variar em função de fatores ambientais, bem como entre as diferentes espécies que podem estar associadas. Neste trabalho demonstramos que quatro espécies de formigas, Crematogaster brasiliensis, Allomerus octoarticulatus e duas não identificadas do gênero Azteca podem ser encontradas associadas à mirmecófita Cordia nodosa em florestas ripárias sul-amazônicas. Essa composição de espécies de formigas é mais similar a encontrada na Amazônia Andina do que aquela da Amazônia Central brasileira. A colonização por formigas parece ser determinante, pois diminuiu a herbivoria e, consequentemente, aumentou a probabilidade de C. nodosa produzir frutos. Adicionalmente, mesmo não havendo diferença na herbivoria entre plantas colonizadas pelas diferentes espécies de formigas, a probabilidade de uma planta colonizada por formigas do gênero Allomerus produzir frutos é menor do que quando colonizadas pelas outras espécies de formigas. Esse estudo demonstra a dependência de C. nodosa pela colonização de formigas para sua reprodução. Contudo, conforme outros estudos realizados em outras áreas da Amazônia demonstram, nossos resultados também sugerem que Allomerus pode estar castrando as plantas hospedeiras, agindo como parasita em toda a sua distribuição geográfica.

Palavras-chave: Mirmecófita, Cordia nodosa, formigas, mutualismo


ABSTRACT

The benefits obtained by an organism when involved in a mutualistic interaction vary depending on environmental factors, as well as among the identity of the involved species. In this study, we showed that four ant species, Crematogaster brasiliensis, Allomerus octoarticulatus, and two unidentified Azteca species can be found associated to the myrmecophite Cordia nodosa in riparian forests in the South of Amazonia. This composition of ant-associated species is more similar in forests of Andean Amazon than in Central Amazonia. The colonization of an ant colony on C. nodosa seems to be vital in order to decrease herbivory, as increased the probability of a plant sets fruits. Moreover, even though we did not find significant differences in herbivory among plants colonized by different ant species, the probability of a plant produces fruits is much lower when it is colonized by Allomerus ants. Overall, this study shows that C. nodosa depends on ants to reproduce. However, based on other empirical studies across the Amazon, our results also suggest that Allomerus ants can act as flower castrator, acting as a parasite over its geographic range.

Keywords: South Amazonian forest, myrmecophyte, Cordia nodosa, mutualismo


 

 

Introdução

Mutualismos são relações interespecíficas onde ambas as espécies envolvidas obtêm benefícios maiores que os custos de se estar associado (Bronstein 2001). Existem diversos benefícios obtidos nessas associações como, por exemplo, a defesa contra inimigos, a dispersão de seus gametas ou a obtenção de nutrientes (Oliveira et al. 1987; Bronstein 2001; Itino et al. 2001; Oliveira et al. 2002; Heil e Mckey 2003; Solano e Dejean 2003; Mayer et al. 2008). Dentre os exemplos de mutualismo, um dos mais bem estudados mutualismos são relações entre formigas e plantas (Heil e Mckey 2003; Del-Claro 2004; Byk e Del-Claro 2010; Cardel e Koptur 2010). Uma grande quantidade de espécies de plantas tropicais oferece néctar extrafloral às formigas em troca de defesa contra herbívoros, sendo que essas associações, normalmente envolvem espécies de formigas generalistas (Del-Claro e Oliveira 2000; Frederickson 2005; Rico-Gray e Oliveira 2007; Del-Claro 2004). Em casos mais específicos, plantas chamadas mirmecófitas, podem também oferecer estruturas ocas para formigas especializadas nidificarem (Fonseca e Ganade 1996; Vasconcelos e Davidson 2000; Solano et al. 2005; Edwards e Yu 2008). Espécies de formigas que se associam a mirmecófitas geralmente desenvolvem uma forte relação de fidelidade com a planta hospedeira (Bronstein et al. 2006), mas raramente há associações espécie-específicas (Fonseca e Ganade 1996; Guimarães et al. 2007). No caso da associação com mirmecófitas o alto investimento na produção dessas estruturas ocas, chamadas domáceas, é compensado por manter uma colônia por um longo período patrulhando as folhas (Bronstein 1998; Solano et al. 2005). Porém, como em qualquer associação, o benefício obtido pela planta varia em função da qualidade da formiga como defensora (e.g. Dejean et al. 2004). Em alguns casos as formigas podem não fornecer nenhum benefício à planta, podendo ser categorizadas como parasitas (Bronstein 2001; Yu 2001; Byk e Del Claro 2010).

Em estudos realizados com a mirmecófita Cordia nodosa Lamarck (Boraginaceae) em florestas tropicais no Peru, Yu e Pierce (1998) registraram que 90% das plantas analisadas encontravam-se habitadas por colônias da formiga Allomerus octoarticulatus Mayr (Myrmicinae) e Azteca sp. Forel (Dolichoderinae). Ambas as espécies de formiga defendem a planta hospedeira, sendo eficientes em localizar e retirar herbívoros (Frederickson 2005). Contudo, A. octoarticulatus corta as inflorescências de C. nodosa, promovendo um redirecionamento do investimento em reprodução para crescimento vegetativo (Frederickson 2005; Edwards e Yu 2008). Plantas ocupadas por Allomerus conseguem se reproduzir apenas quando inflorescências são produzidas em locais pouco usuais, longe do alcance da formiga (Edwards e Yu 2008). Neste caso, Allomerus pode ser considerado um pior parceiro que Azteca (Yu e Pierce 1998).

C. nodosa é uma planta mirmecófita de ampla distribuição na América tropical. A espécie é herbácea-arbustiva, que pode atingir até 3 m de altura, com caules densamente bifurcados com uma folha na base, em cuja junção forma-se estrutura oca denominada domácea. Porém, em alguns casos, principalmente na Amazonia peruana C. nodosa pode ocorrer como árvore de sub-bosque (Yu e Pierce 1998). As folhas de C. nodosa são opostas ou verticiladas e a inflorescência cimosa. As flores são actinomorfas e os frutos tipo drupa amarelos ou vermelhos quando maduros (Ribeiro 1999). As domáceas de C. nodosa são utilizadas como abrigos por diversas espécies de formigas e outros invertebrados (Ribeiro 1999). Logo, ao longo de sua distribuição, a fauna associada pode variar. Por exemplo, embora seja comum no Peru e Venezuela (Yu e Pierce 1998; Dejean et al. 2004), não há registros de C. nodosa associada a Allomerus na Amazônia Central (Bruna et al. 2005) e aparentemente também não há para a floresta atlântica nordestina (Inara Leal e Gustavo Romero, comm. pess.). Adicionalmente, os benefícios de um mutualismo podem variar em função de características bióticas e abióticas (Thompson e Pellmyr 1992; Bronstein 1998) bem como entre populações distintas, isoladas geograficamente, gerando mosaicos de interações com padrões co-evolutivos próprios (Thompson 2005). Logo, faz-se importante o estudo de um mesmo sistema em diferentes regiões geográficas, a fim de se determinar se há variação nas formigas ocupantes, bem como se a relação varia geograficamente. Neste contexto, os objetivos deste estudo foram: 1) identificar quais espécies de formigas estão associadas à C. nodosa em uma área de floresta Amazônica Meridional, determinando quais as espécies especialistas e quais as oportunistas, 2) determinar se a herbivoria varia entre espécies de formiga associadas e, 3) determinar se a produção de frutos é afetada pela espécie de formiga associada.

 

Material e Métodos

Área de Estudo

O estudo foi realizado no período de 10 a 13 de outubro de 2009, na Fazenda São Nicolau, Município de Cotriguaçu, estado de Mato Grosso, em área de mata ripária à margem esquerda do rio Juruena, afluente do rio Tapajós. A Fazenda São Nicolau apresenta extensa área de mata ciliar (~1.000 hectares) bem preservada (S 09º50'24.8" W 058º15'17.0"). A fazenda compreende uma área de 10.134,43 hectares, sendo 6.932,64 de florestas parcialmente exploradas, 500 hectares de preservação permanente e 2.500 na forma de pastagem com reflorestamento (Silva 2008; Silva 2009). O clima é tropical chuvoso com tipo "Am" de Koppen, que intercala período chuvoso e pequeno período de seca. Temperatura média varia entre 23 e 25 ºC. A fitofisionomia é a Floresta Ombrófila Aberta com Formação Submontana com Palmeiras (Silva 2008). A fauna existente na Fazenda São Nicolau ainda é pouco conhecida, com apenas um estudo concluído e divulgado até o momento, sobre a diversidade de insetos em diversos pontos das várias formações fitofisionômicas da Fazenda, realizado por Silva (2009).

Delineamento Experimental

Na faixa de mata ripária, foram estabelecidos dois transectos de 500 m de comprimento por 10 m de largura, distantes entre si ~2.000 m. Esses transectos foram percorridos e todas as plantas de C. nodosa encontradas nessa área foram utilizadas no estudo. Para cada indivíduo encontrado foram registrados o número de domáceas, a presença e a quantidade de frutos e presença de colônias de formigas. Quando foram encontradas formigas, 10 operárias por planta foram coletadas para identificação. Adicionalmente, foi registrado o percentual de folhas que apresentavam àrea removida por herbívoros. Neste caso, foram contabilizados apenas folhas com 20% ou mais de área removida e dividido pelo número total de folhas na planta. A herbivoria foi avaliada visualmente, com auxílio de um papel milimetrado como escala.

Coletamos amostra de caule, folhas com domáceas e frutos para herborização. Essa amostra (nº de coleta FSN-003) foi depositada no Herbário UFMT, da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Cuiabá. As amostras de formigas foram identificadas no Laboratório de Entomologia do Departamento de Zoologia da UFMT e serão incorporadas a coleção entomológica da instituição.

Análise dos Dados

As plantas colonizadas por Crematogaster brasiliensis Mayr foram excluídas dos testes estatísticos pelo baixo número amostral, não permitindo a comparação estatística. Essas plantas, porém permaneceram para as análises gráficas, pois sua influência nas variáveis medidas não foi muito diferente da média para as outras espécies. Estes resultados comparativos focam apenas balizar futuros estudos. Indivíduos de C. nodosa que apresentaram apenas a rainha foram categorizados como "vazios" nos testes estatísticos. Isto foi feito poque essas plantas, colonizadas recentemente, não possuiam colônia efetiva que pudesse exercer influência sobre as variáveis medidas.

Para determinar se a presença de formigas influencia a porcentagem de folhas com mais de 20% de área removida por herbívoros, foi feita uma análise de covariância e tamanho da planta (número de domáceas). Neste caso, a presença de formigas (independente da espécie) foi o fator, e o tamanho da planta foi a covariável. Posteriormente foi feita uma Anova, a fim de se determinar se há diferença na herbivoria de plantas ocupadas por diferentes espécies de formigas. Neste último caso, foram utilizadas apenas as plantas colonizadas e os fatores foram espécies de formigas.

Para determinar se a probabilidade de uma planta produzir frutos está relacionada com o fato de estar colonizada ou com a porcentagem de folhas que apresentem mais de 20% de área removida por herbívoros, foi feita uma regressão probit múltipla. Neste caso a variável resposta foi binomial, onde a planta produziu ou não frutos; e os fatores foram porcentagem de folhas com marcas de herbívoros, estar ou não colonizada por formigas e tamanho da planta (número de domáceas). A posteriori foi realizado teste G, a fim de se determinar se plantas colonizadas por diferentes espécies de formigas apresentam freqüências diferentes de produção de frutos. Todas as análises foram feitas no programa Systat 11.0 (Wilkinson 1996).

 

Resultados

Foram encontrados 63 indivíduos de Cordia nodosa ao longo dos 10.000 m2 de trilhas percorridas. Destes, 41 abrigavam colônias de formigas. Em oito destas plantas foram encontradas Allomerus octoarticulatus Mayr (latu sensu - ver Fernandez 2007), 29 colonizadas por duas espécies não identificadas de Azteca Forel, sendo nove por Azteca sp1 e 16 por Azteca sp2, e quatro colonizadas por Crematogaster brasiliensis.

A porcentagem de folhas que apresentam mais de 20% de área removida por herbívoros não foi relacionada com o número de domáceas da planta (Ancova; F60,1 = 0,136; p = 0,713), mas em plantas que não abrigam colônias (média=47,09; desvio padrão (DP) = 30,02), a área removida foi duas vezes maior que em plantas que possuem formigas (média = 20,3; DP = 21,9; F60,1 = 14,23; p < 0,001). Porém, não foi observada diferença na porcentagem de folhas que apresentam mais de 20% da área consumida entre as espécies de formigas residentes quando analisamos apenas as plantas colonizadas (Anova, F2,32 = 0,714; p = 0,416) (Figura 1).

 

 

 

A freqüência de plantas produzindo frutos não se mostrou relacionada com o número de domáceas (regressão probit; t = -0,67; p = 0,5), mas se mostrou negativamente relacionada com porcentagem de folhas apresentando mais de 20% de área removida por herbívoros nas plantas (regressão probit; t = 2,25; p = 0,045). Além disso, a presença da formiga foi determinante sobre a produção de frutos (regressão probit; t = 2,4; p = 0,025). Porém, nesse caso, a proporção de plantas produzindo frutos variou entre as espécies de formigas residentes (G2,33 = 7,06; p = 0,028). De fato, apenas uma planta colonizada por A. octoarticulatus apresentava infrutecência, enquanto estas foram encontradas em sete plantas colonizadas por Azteca sp1 (G1,24 = 5,55, p = 0,019) e nove plantas colonizadas por Azteca sp2 (G1,24=5,9, p=0,015). Não houve diferença nas proporções de plantas produzindo frutos, entre plantas colonizadas pelas duas espécies de Azteca (G1,24 = 0,04, p = 0,835).

 

Discussão

As espécies de formigas associadas, bem como a dependência da planta por um parceiro, podem variar ao longo da área de distribuição de uma dada planta mirmecófita (Thompson 2005; Morais e Vasconcelos 2009). Das quatro espécies encontradas nidificando em Cordia nodosa na área de estudo, uma, Cr. brasiliensis, é uma espécie conhecidamente oportunista, sendo encontrada em diversos ambientes na Amazonia (Longino 2003). Das outras espécies, A. octoarticulatus já foi registrada em C. nodosa para o Peru (Yu e Pierce 1998; Edwards et al. 2007; Edwards e Yu 2008; Edwards et al. 2010) e Guiana Francesa (Solano et al. 2003; Dejean et al. 2004). Não podemos afirmar que as espécies de Azteca são as mesmas das encontradas em outros locais, pois dada a dificuldade de identificação de Azteca (Cuezzo 2003), ambos os estudos (assim como o presente) as identificam apenas como morfoespécies. Isto ressalta a importância de uma revisão para o gênero. Contudo, a fauna da área de estudo parece mais similar a Amazônia andina que a Amazônia Central, dada a presença de Allomerus e Azteca conjuntamente.

A presença de formigas foi determinante na redução da herbivoria. E, como esperado, com a diminuição da herbivoria observamos aumento na probabilidade de uma planta produzir frutos (Vasconcelos e Davidson 2000). As diferentes espécies de formigas encontradas associadas à C. nodosa, parecem fornecer benefícios diferentes. Diferentes espécies possuem comportamentos diferentes, que se refletem em características importantes relativas a defesa da planta hospedeira, como forrageamento e agressividade (eg. Dejean et al. 2004; Frederickson 2005). Não observamos relação entre a identidade das formigas ocupantes com a defesa da planta hospedeira contra herbívoros. Porém, a produção de frutos foi bastante diferente entre plantas que abrigam diferentes espécies de formigas. A reprodução de C. nodosa parece ocorrer primariamente apenas nos indivíduos colonizados por Azteca spp. (ver Frederickson 2005) Embora observamos que em plantas associadas a A. octoarticulatus, a produção de frutos em baixa quantidade pode ocorrer em ramos mais afastados dos pontos de patrulhamento das formigas (Edwards e Yu 2008). Mesmo não havendo observações diretas do comportamento em si, esta baixa quantidade de frutos em plantas colonizadas por Allomerus, aliado com a baixa herbivoria, sugere uma castração floral por A. octoarticulatus.

A castração parasítica já foi observada em C. nodosa ocupada por formigas do genero Allomerus em outras regiões da Amazônia (Yu e Pierce 1998; Frederickson 2005). Esta castração também foi observada em outras espécies de plantas mirmecófitas, como Hirtella myrmecophila Pilger ex Ule (Izzo e Vasconcelos 2002). Como colônias são limitadas pela disponibilidade de espaço (Fonseca 1999), o corte das estruturas reprodutivas é uma forma da colônia modificar a alocação de energia da planta hospedeira, de produção de estruturas reprodutivas para produção de estruturas vegetativas, ou mais domáceas (Yu e Pierce 1998).

Em conjunto com estudos previamente publicados (Yu e Pierce 1998; Dejean et al. 2004; Frederickson 2005), nossos resultados apontam que em toda a área de distribuição geográfica de C. nodosa parece muito mais vantajoso estar associada a formigas do gênero Azteca, que associada a qualquer outra espécie de formiga estudada até agora. Porém, considerando que mesmo se reproduzindo em menor quantidade e freqüência (Izzo e Vasconcelos 2002; Edwards e Yu 2008), formigas do gênero Allomerus defendem eficazmente a planta hospedeira. Isso pode garantir que plantas jovens consigam atingir a maturidade, bem como uma maior sobrevivência da planta adulta (Izzo e Vasconcelos 2002). Há indícios que a única planta não colonizada encontrada produzindo frutos havia possuído colônia, mas a perdeu recentemente. Desta forma, para garantir a reprodução e sobrevivência, pode ser mais vantajoso para C. nodosa, ter Allomerus como "parceira" do que abrigar formiga alguma. Estudos detalhados e padronizados de como o sistema se comporta em diversos pontos da distribuição geográfica de C. nodosa fornecerão informações importantes para se compreender padrões co-evolutivos envolvendo formigas e plantas.

 

Agradecimentos

Agradecemos à Fazenda São Nicolau/ONF-Brasil/Pegeout, por ceder as condições logísticas que tornaram possível a realização desse trabalho. Agradecimentos ao Prof. Dr. Rafael Arruda pelo apoio técnico e supervisão durante as atividades e leitura crítica das primeiras versões. Também agradecemos aos dois referees anônimos pelas excelentes contribuições neste estudo. A primeira autora agradece à Capes pela bolsa e ao programa de pós-graduação pelo apoio logístico. O segundo autor agradece ao CNPq proc. num. 552680/2006-0 e 490518/2006-0.

 

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Recebido em 05/05/2010
Aceito em 15/07/2010

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