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Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967

Acta Amaz. vol.41 no.3 Manaus  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672011000300015 

NOTAS E COMUNICAÇÕES

 

Estudo fitoquímico biomonitorado pelos ensaios de toxicidade frente à Artemia salina e de atividade antiplasmódica do caule de aninga (Montrichardia linifera)

 

Phytochemical study bioassay-guided by tests of toxicity on Artemia salina and antiplasmodial activity from stem of aninga (Montrichardia linifera)

 

 

Cristine Bastos do AmaranteI; Adolfo Henrique MüllerII; Marinete Marins PóvoaIII; Maria Fâni DolabelaIV

IMuseu Paraense Emílio Goeldi - MPEG. E-mail: cbamarante@museu-goeldi.br
IICentro Universitário do Pará - CESUPA. E-mail: muller@cesupa.br
IIIInstituto Evandro Chagas - IEC. E-mail: marinetepovoa@iec.pa.gov.br
IVUniversidade Federal do Pará - UFPA. E-mail: fanidolabela@gmail.com

 

 


RESUMO

Montrichardia linifera é uma planta aquática de amplo uso na medicina tradicional amazônica. Entretanto, muito pouco se conhece sobre a sua composição química, e sua atividade biológica ainda não foi comprovada. Na busca de substância(s) biologicamente ativa(s), este trabalho realizou um estudo fitoquímico biomonitorado no qual foram testados os extratos hexânico e etanólico obtidos do caule desta espécie, dos quais apenas o extrato etanólico foi selecionado para o fracionamento cromatográfico por ter apresentado toxicidade contra a Artemia salina e atividade contra o Plasmodium falciparum, parasita causador da malária. As atividades biológicas concentraram-se na fração diclorometânica que apresentou alta toxicidade contra A. salina (DL50<31μg mL-1) e alta atividade antiplasmódica (IC50<10 μg mL-1), mostrando promissora atividade antimalárica. Desta fração, o composto aromático p-hidroxibenzaldeído foi isolado pela primeira vez nesta planta.

Palavras-chave: Montrichardia linifera, toxicidade contra Artemia salina, atividade antiplasmódica


ABSTRACT

Montrichardia linifera is an aquatic plant widely use in Amazon folkmedicine. However, very little is known about the chemical composition and biological activity. In search of biologically active (s) substance (s) phytochemical bioassay-guided study was conducted evaluating hexane extract and ethanol extract obtained from stems of this species. Since only the ethanol extract presented toxicity against Artemia salina and activity against Plasmodium falciparum, this extract was selected for chromatographic fractionation. The biological activities were concentred in dichloromethane fraction which showed high toxicity against A. saline (LD50< μg mL-1) and high antiplasmodial activity (IC50 <10 μg mL-1), showing promising antimalarial activity. Of this fraction, the aromatic compound p-hydroxybenzaldehyde was isolated for the first time in this plant.

Keywords: Montrichardia linifera, toxicity on Artemia salina, antiplasmodial activity


 

 

O Brasil possui a maior diversidade genética em espécies de plantas no mundo, porém, menos de 10% foram avaliadas quanto as suas características biológicas e, menos de 5% foram submetidas a estudos fitoquímicos detalhados. Apesar de um recente aumento de pesquisas nesta área, as plantas ainda constituem uma fonte relativamente subutilizada e, potencialmente, muito valiosa para descoberta de novas substâncias biologicamente ativas (Luna et al. 2005).

O teste de toxicidade contra a Artemia salina (TAS) é um ensaio biológico considerado como uma das ferramentas mais utilizadas para a avaliação preliminar de toxicidade. Desta forma, A. salina tem sido usada como um organismo alvo para detectar compostos bioativos em extratos de plantas (Alves et al. 2000), a toxicidade para este crustáceo tem demonstrado uma boa correlação com a atividade citotóxica contra tumores humanos (McLaughlin et al. 1991) e atividade contra o Trypanosoma cruzi (Alves et al. 2000; Zani et al. 1995), protozoário causador da doença de Chagas. Em geral, extratos de plantas e derivados com alta toxicidade contra a A. salina sugerem alto potencial para atividades biológicas, sendo, portanto, muito útil a utilização deste bioensaio, no direcionamento de estudos fitoquímicos, na busca de substâncias bioativas.

A Montrichardia linifera (Arruda) Schott, família Araceae, popularmente conhecida como ‘aninga', é uma macrófita aquática que forma grandes populações clonais às margens dos rios e igarapés da Amazônia. Os ribeirinhos consideram esta planta venenosa porque sua seiva causa queimaduras na pele e em contato com os olhos pode causar cegueira (Amarante et al. 2009). Entretanto, paradoxalmente, ela é amplamente usada na medicina tradicional amazônica, principalmente devido à propriedade cicatrizante da seiva e do suco desta planta, que já vem sendo mencionada na literatura desde o século 19 para o tratamento de feridas e úlceras (D'Oliveira 1854; Moreira 1862; Castro 1878 apud Fenner et al. 2006), levando à hipótese que de que esta espécie possa conter substâncias biologicamente ativas. Porém, ainda muito pouco se conhece sobre a sua composição química e atividades biológicas que, eventualmente, poderão ser úteis também contra infecções humanas causadas por parasitas, que são sérios problemas em países tropicais e subtropicais em desenvolvimento apesar da descoberta de novos medicamentos anti-protozoários (Moo-Puc et al. 2008). Entre os compostos antimaláricos isolados de plantas, a artemisinina (Figura 1) é a descoberta mais recente e mais importante da atualidade (Osorio et al. 2006; Vikas et al. 2000). Há no entanto, a necessidade da descoberta de novas drogas antimaláricas. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi pesquisar a espécie M. linifera utilizando extratos e frações obtidos do caule para a realização de prospecção fitoquímica preliminar, guiada pelos ensaios biológicos de toxicidade frente à Artemia salina e atividade antiplasmódica, para se investigar o potencial desta planta em apresentar substância(s) ativa(s) contra o Plasmodium falciparum, parasita causador da malária.

 

 

O extrato hexânico e o etanólico foram obtidos de caules de M. linifera coletados na Universidade Federal do Pará, Belém-PA, à margem direita do Rio Guamá (01º28'41,3" S e 48º27'29,0" W), em julho de 2008; e a espécie identificada pela Drª Alba Lúcia F. A. Lins (Coordenação de Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi), exsicata MG 188906. Os extratos foram submetidos aos bioensaios de toxicidade frente à Artemia salina e atividade antiplasmódica para seleção do material a ser estudado. O extrato etanólico apresentou alta toxicidade para Artemia salina e moderada atividade antiplasmódica, sendo selecionado para o fracionamento. Amostra de 53,6 g deste extrato foi submetida à cromatografia de coluna aberta de Silica gel 60 (230 - 400 mesh, ASTM. Merck) e eluída com hexano, diclorometano, acetato de etila e metanol. As quatro frações obtidas também foram biomonitoradas e a amostra selecionada submetida a análises de Infravermelho (espectrômetro Thermo Scientific, modelo Nicolet IR100) e de ressonância magnética nuclear de hidrogênio e carbono (RMN 1H e 13C), obtidos utilizando um espectrômetro Varian, modelo Mercury-300 (300 MHz para 1H e 75 MHz para 13C) e usando o solvente DMSO-d6 como padrão interno.

A avaliação da toxicidade dos extratos e frações foi realizada através do bioensaio com Artemia salina Leach, de acordo com McLaughlin et al. (1993), testadas em cinco concentrações diferentes (500; 250; 125; 62,50 e 31,25 μg mL-1), dissolvidas em DMSO. Para o cálculo da DL50 foi utilizado o método GraphPadPrism 5, e considerou-se baixa toxicidade quando a dose letal 50% (DL50) foi superior a 500 μg mL-1; moderada para DL50 entre 100 a 500 μg mL-1 e muito tóxico quando a DL50 foi inferior 100 μg mL-1.

Para a avaliação da atividade antiplasmódica, o cultivo do Plasmodium falciparum Dd2, resistente a cloroquina e sulfadoxina, foi realizado de acordo com Trager e Jensen (1976). A metodologia utilizada neste ensaio foi descrita por Rieckman et al. (1978) e modificada por Carvalho (1990). As amostras foram solubilizadas em RPMI e 0,025% (v/v) de dimetilssulfóxido, sendo utilizadas as seguintes concentrações: 3,125; 6,25; 12,5; 25; 50 e 100 μg mL-1. Como controle positivo foi utilizado cloroquina em diferentes concentrações. Após 72 horas, foram confeccionados os esfregaços, determinando-se a parasitemia percentual, a partir da qual calculou-se a CI50 utilizando-se o método Graph Pad Prism 4,0. Os resultados foram expressos baseados na média de dois experimentos, considerou-se alto potencial antimalárico quando a CI50 foi inferior a 10 μg mL-1, potencial moderado para CI50 entre 10 e 100 μg mL-1e baixo potencial quando a CI50 foi superior a 100 μg mL-1.

Os dados dos rendimentos (em %), da toxicidade A. salina (TAS), expressa em Dose Letal 50%, e da atividade antiplasmódica contra o clone de P. falciparum Dd2, resistente a cloroquina e sulfadoxina, expressa em Concentração Inibitória 50%, nas seis amostras ensaiadas, estão mostrados na Tabela 1. Quatro das seis amostras testadas apresentaram alta toxicidade (DL50<100 μg mL-1) contra A. salina. Com relação à atividade antiplasmódica, duas amostras apresentaram alto potencial antimalárico (CI50 < 10 μg mL-1) e outras duas apresentaram potencial moderado (10<CI50<100 μg mL-1). Entretanto, apenas as frações diclorometânica e acetato de etila apresentaram os mesmos efeitos entre a atividade antiplasmódica e a toxicidade contra a Artemia salina, isto é, a fração diclorometânica apresentou alta toxicidade contra A. salina (DL50< 31 μg mL-1) e alto potencial antimalárico (CI50 < 10 μg mL-1) e a fração acetato de etila apresentou atividade moderada em ambos os ensaios (DL50=155,4 + 1,6 μg mL-1 e 10<CI50<100 μg mL-1, respectivamente). Por ter apresentado as maiores atividades em ambos os ensaios, a fração diclorometânica foi a selecionada para purificação através de cromatografia em placa preparativa e forneceu uma substância química. Os sinais obtidos do espectro de RMN 1H indicaram a presença de um anel aromático p-substituído, com um dupleto em torno de dH 7,75 ppm (J = 8,5 Hz) e outro dupleto em dH 6,93 ppm (J = 8,5 Hz), e correspondem ao acoplamento em orto entre os hidrogênios do anel aromático (Pavia et al. 1996; Silverstein e Webster 2000). Além disso, apresentou um simpleto em campo baixo dH 9,79 ppm (1H), característico de hidrogênio de aldeído. O espectro na região do infravermelho desta substância corrobora com estas evidências, pois apresentou um pico em 1712 cm-1, característico do grupo carbonila de aldeídos com insaturação conjugada, como nos derivados do benzaldeído que reduzem a freqüência de absorção da carbonila, passando a ser encontrada na região de 1710-1685 cm-1 (Silverstein et al. 2007). Considerando os resultados espectrais obtidos, propõe-se para o produto a estrutura do p-hidroxibenzaldeído (Figura 2). Não existe nenhum dado na literatura relacionado à presença deste composto na Montrichardia linifera, sendo isolado desta planta pela primeira vez. Estudos anteriores já mostraram a atividade antimalárica de p-hidroxibenzaldeído, isolado de algas do gênero Laurencia, contra o Plasmodium falciparum (Mendiola-Martínez et al. 2005; Wright et al. 1996; Topcu et al. 2003), corroborando com os resultados obtidos para a alta atividade antiplasmódica encontrada na fração diclorometânica neste trabalho.

 

 

Agradecimentos

Ao Prof. Dr. José Roberto Zamian da Universidade Federal do Pará pelas análises de Infravermelho, à Drª Alba Lúcia Ferreira de Almeida Lins do Museu Paraense Emílio Goeldi, pela identificação do material botânico e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) pelo suporte financeiro.

 

Bibliografia Citada

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Recebido em 21/05/2010
Aceito em 23/09/2010

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