SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.42 issue4New occurrences of Poaceae for the South America: alloteropsis (Panicoideae/Poaceae) author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967

Acta Amaz. vol.42 no.4 Manaus  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0044-59672012000400001 

 

 

Antônio de Azevedo Corrêa (*1953- † 2010)

 

 

Marcela Amazonas Cavalcanti

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. Avenida André Araújo, n.2936, Aleixo, CEP 69060-001, Manaus/AM. E-mail: mac@inpa.gov.br

 

 


RESUMO

Antônio de Azevedo Corrêa foi um pesquisador que marcou sua geração e seus amigos com sua personalidade marcante, sua voz altiva e sua postura sempre claramente definida. Defendeu a ocupação da Amazônia de forma organizada e pautada em pesquisas sérias e coerentes com a realidade da Região Norte.


ABSTRACT

Antônio de Azevedo Corrêa was a researcher who marked his generation and his friends with his strong personality, his voice and his haughty attitude always clearly defined. He defended the occupation of the Amazon in an organized and based on serious research and consistent with the reality in the North.


 

 

 

BIOGRAFIA

Antônio de Azevedo, sétimo filho, dos nove, do casal Eutálio de Azevedo Correa e de Eurídice de Azevedo Correa, nasceu no dia 26 de dezembro de 1940 na Fazenda Proteção Divina, município de Muanã, na Ilha de Marajó, no Pará. Em 1953, em decorrência da grande cheia, a família migrou para Belém. Em dezembro de 1967, recebeu o diploma de químico industrial pela Escola Superior de Química do Pará da Universidade Federal do Pará. Em São Paulo, em 1967, fez um curso de Especialização em Macromoléculas na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - USP. Foi contratado pelo INPA, em fevereiro de 1968, para fazer parte da equipe, juntamente com os também químicos Roberto Lobato e Eloy Pena Ribeiro, do pequeno Laboratório de Celulose, na época, chamado de Projeto Usina Piloto de Celulose e Papel, criado nos anos 50 do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. Através de um intercâmbio com o Centre Tecnique Du Forestier Tropical, Azevedo (como era conhecido) fez um estágio na Agence pour la Coopération Technique Insdustrielle et Économique - ACTIM em Technologie Du Bois, de La Celulose et du Papier em Paris de setembro de 1971 a janeiro de 1972. De fevereiro a dezembro de 1973, fez curso de especialização em Desenvolvimento Regional, do Programa Internacional de Formação de Especialistas em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas - FIPAM no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará. Em 1979, Azevedo obteve o título de mestre na Universidade Federal do Paraná em Curitiba, com a pesquisa "Demanda por celulose e papel e estudo comparativo de pastas celulósicas de folhosas da Amazônia com Eucalyptus alba Reinw Ex. Blume e Gmelina arborea Roxb.". Como pesquisador, gerenciou o laboratório de celulose do INPA e o ampliou. Obteve recurso da Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA para montar o laboratório de carvão vegetal e briquete. Assim, o Laboratório passou a ser de celulose e papel/carvão vegetal. Em 2000, conseguiu ampliá-lo ainda mais. Ininterruptamente dedicado exclusivamente às pesquisas na área de celulose e papel, carvão vegetal e briquete, publicou inúmeros trabalhos e participou de outros tantos congressos. Foi um grande partícipe intelectual com texto ricos em conhecimento técnico-científico, cultural e político para o jornal da Associação dos Pesquisadores do INPA - ASPI, o Carapanã. Participou de manifestações em prol da pesquisa. No meio técnico-científico, assumiu por mais de 20 anos a Diretoria Regional - Amazonas da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel - ABTCP, foi membro do Technical Association of the Pulp and Paper Industry - TAPPI e da Association de L'Industrie Papetiére - ATIP, foi Delegado do Conselho Regional de Química da VII Região nos períodos de abril de 1969 a dezembro de 1971, de outubro de 1972 a janeiro de 1973 e de janeiro de 1974 a janeiro de 1976. Também exerceu o cargo de Chefe do Departamento de Madeira do Instituto de Tecnologia da Amazônia, entre os anos de 1977 e 1981. Politicamente engajado, lutando pela democratização do INPA, ajudou a fundar e foi o primeiro presidente da Associação dos Pesquisadores do INPA - ASPI, além de contribuir com sua personalidade marcante e contestadora na Associação dos Servidores do INPA - ASSINPA e Sindicado dos Funcionários Públicos Federais do Amazonas - SINDSEP-AM. Era casado com Cleuza Maria Alho de Azevedo Corrêa desde 1971 e pai de Fernanda de Azevedo Corrêa, médica endocrinologista que o acompanhou nos momentos cruciais da doença que enfrentou nos últimos anos e que o levou a óbito em 01 de agosto de 2010. Seu espírito vencedor, empreendedor, e seu coração nobre servirão de exemplo para com quem ele dividiu tempo e sabedoria. Pelas gerações futuras será lembrado por meio de suas histórias hilárias ou polêmicas, mas sem qualquer dúvida, autênticas e exemplares. E justamente tais características foram acentuadas nos últimos anos em que lutou contra a trágica doença que o fez durante oito anos ser submetido diariamente à hemodiálise e, a partir deste vivenciamento, logo se integrou à Associação dos Renais Crônicos para engajar-se por melhores condições de tratamento, políticas de incentivo ao transplante de jovens e apoio satisfatório aos pacientes oriundos de municípios carentes do Estado.