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Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967

Acta Amaz. vol.43 no.1 Manaus Mar. 2013

 

Tambaqui, segundo maior peixe de escama, é parasitado em piscicultura de tanque-rede da Amazônia oriental

 

 

Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), avaliou a presença de parasitos em tambaqui (Colossoma macropomum) cultivado em tanque-rede no estado do Amapá, e constatou que a maioria dos 60 peixes estudados apresentam as brânquias parasitadas por diferentes espécies. Realizado a partir de amostras de uma piscicultura de tanque-rede do rio Matapi (Foto), município de Santana, estado do Amapá, o estudo apresenta os primeiros dados sobre índices epidemiológicos de tambaquis criados em tanques-rede na Amazônia Oriental. A pesquisa aponta a baixa diversidade de parasitos e os níveis moderados de infestação à idade dos peixes que estavam na fase de abate (com de 12 meses de idade), e também a baixa estocagem dos peixes em boas condições ambientais no rio Matapi.

Um total de 60 espécies de tambaquis tiveram a boca, olhos, narinas, brânquias, estômago e intestino examinados, sendo que 96,7% apresentaram as brânquias com doenças parasitárias provocadas por protozoários, monogenoideas e sanguessugas. Não foram encontrados parasitos em outros órgãos examinados. 

O tambaqui é considerado o segundo maior peixe de escama da América do Sul, chega a medir 90 cm de comprimento e a pesar 30 kg. Muito apreciado pelas comunidades ribeirinhas e urbanas da Amazônia, assim nos últimos anos os estoques naturais sofreram redução e o cultivo da espécie tornou-se uma alternativa para a sobre-exploração. Atualmente, o tambaqui é a espécie nativa mais cultivada na Amazônia brasileira e em 24 dos 27 estados do Brasil. Quando cultivado em tanque-rede, alcançado boa produtividade, indicando que é uma atividade promissora para a criação do tambaqui em todo o País.

No estado do Amapá, é recente a prática do cultivo de peixes em tanques-rede. O pesquisador Marcos Tavares Dias acredita que ainda é incipiente devido às reduzidas inovações tecnológicas disponíveis e falta de mão-de-obra adequada, além da ausência de políticas públicas para esse setor produtivo. "Verificamos também que o manejo inadequado, pode causar graves problemas de doenças nos peixes cultivados nesse sistema intensivo", acrescentou o pesquisador. O fato é que a ocorrência de infecções parasitárias é um fator determinante para o sucesso ou insucesso da piscicultura de qualquer espécie de peixe, principalmente em tanque-rede, sistema intensivo que utiliza elevadas densidades de estocagem dos peixes, visando maior produtividade. "Desta forma, os aspectos sanitários é um dos fatores que não podem ser negligenciado pelos piscicultores", alerta o pesquisador.

No artigo, o pesquisador destaca que no Brasil, apesar da expansão da piscicultura, ainda há poucos estudos sobre os parasitos e doenças em peixes de piscicultura de tanque-rede. "Entretanto, como o surgimento de enfermidades em peixes cultivados é um fenômeno dinâmico, então são necessários estudos durante todas as fases do cultivo do tambaqui e nas diferentes densidades de estocagem praticadas nesse tipo de cultivo intensivo, a piscicultura de tanque-rede".

 

 

A pesquisa foi financiamento do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (CNPq). O estudo foi publicado em Acta Amazonica 43(1), 2013.    

Correspondência para:
Marcos Tavares Dias
Laboratório de Aquicultura e Pesca, Embrapa Amapá, Brasil
E-mail: marcos.tavares@embrapa.br

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